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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Mais um dia de trabalho

Bellacosa Mainframe e mais um dia de viagem de fretado

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

☕ Mais um dia de trabalho — Itatiba, Vila Olímpia e os malditos boletos

Uma pequena memória de quando trabalhar em São Paulo significava começar a jornada muito antes de chegar ao escritório — e terminá-la muitas horas depois de sair dele.

Era mais um daqueles dias.

E, naquela época, “mais um dia de trabalho” começava quando boa parte da cidade ainda estava dormindo.

Acordava de madrugada e começava a primeira operação crítica do dia: correr feito um espartano para não perder o fretado.

Não existia tolerância, retry, rollback ou botão para reiniciar a manhã.

Perdeu o ônibus?

ABEND na rotina.

Eu descia até a concessionária da Ford que ficava em frente ao antigo hipermercado Extra, na rotatória de Itatiba. Ali estava um dos meus pontos de conexão com São Paulo.

Às 5h45, embarcava no fretado.

E começava a peregrinação diária.



🚌 Itatiba → Jundiaí → Bandeirantes → São Paulo

O ônibus seguia atravessando a região de Jundiaí até alcançar a Rodovia dos Bandeirantes.

Depois vinham quilômetros e mais quilômetros de estrada.

São Paulo começava a aparecer.

Entrávamos pela Marginal Pinheiros e, finalmente, eu descia na região da Avenida dos Bandeirantes.

Mas o trabalho ainda não havia começado.

Ou talvez já tivesse começado fazia algumas horas.

Do ponto onde o fretado me deixava, seguia caminhando até a Rua Funchal, na Vila Olímpia.

Todos os dias.

Era uma rotina perfeitamente absurda quando vista de fora e perfeitamente normal para quem precisava pagar as contas.

Malditos boletos.



⏰ 7h30 — cedo demais para trabalhar, tarde demais para voltar

Normalmente chegava à região do escritório por volta das 7h30.

Meu expediente começava oficialmente às 9h.

Isso significa que eu havia acordado de madrugada, atravessado cidades, rodovias, marginais e avenidas para chegar ao trabalho aproximadamente uma hora e meia antes do necessário.

Por quê?

Logística.

O fretado não existia para atender exatamente ao meu horário. Eu é que precisava adaptar minha vida ao horário dele.

Essa diferença parece pequena quando colocada numa planilha:

Entrada: 09:00
Chegada: 07:30
Diferença: 01:30

Só que uma hora e meia multiplicada por cinco dias significa sete horas e meia por semana.

Praticamente outro dia de trabalho.

Sem salário.

Sem banco de horas.

Era simplesmente o custo invisível de morar em Itatiba e trabalhar na Zona Sul de São Paulo.


☕ O café da manhã da Vila Olímpia

Às vezes aproveitava aquele tempo para parar em alguma padaria e tomar café da manhã.

Era agradável.

Até chegar a conta.

Os preços da Zona Sul paulistana tinham uma capacidade extraordinária de destruir qualquer orçamento de trabalhador pendular.

Um cafezinho aqui.

Um pão na chapa ali.

Alguma coisa para acompanhar.

Repita isso vinte vezes durante o mês e surge mais um boleto disfarçado de café da manhã.

Por isso, muitas vezes simplesmente seguia para o escritório.

Chegava cedo, sentava, lia jornal, navegava um pouco pela Internet, acompanhava as notícias e organizava o dia.

E havia outro efeito inevitável.

Já que estava ali...

começava a trabalhar.

Assim, muitas vezes o expediente que oficialmente começaria às nove começava muito antes.

💻 E finalmente começava o expediente

Às nove horas, quando teoricamente começava o dia de trabalho, eu já estava acordado havia horas.

Já tinha atravessado Itatiba.

Jundiaí.

Rodovia dos Bandeirantes.

Marginal Pinheiros.

Avenida dos Bandeirantes.

Vila Olímpia.

Já havia caminhado algumas boas quadras.

Talvez tomado café.

Talvez lido o jornal.

Talvez respondido alguma coisa.

E agora começava oficialmente a jornada pela qual realmente seria pago.

O relógio corporativo dizia:

09:00 — início do expediente.

Meu corpo provavelmente dizia:

“Amigo, esse JOB começou faz tempo.”

🕠 17h45 — agora CORRE!

Por volta das 17h45, começava outra operação crítica.

Fechar tudo.

Guardar as coisas.

Sair.

E correr.

O destino agora era a Estação Cidade Jardim da CPTM.

A volta tinha uma característica diferente da manhã.

Parte do caminho passava pelo enorme parque da região.

Depois de um dia inteiro dentro do escritório, aquela caminhada acabava funcionando como uma espécie de descompressão.

Árvores.

Espaço aberto.

Pessoas caminhando.

A cidade acontecendo ao redor.

Durante alguns minutos eu podia simplesmente andar.

Era uma pequena pausa mental entre dois mundos.

O mundo do escritório tinha acabado.

O mundo da viagem de volta estava começando.

🚆 Cidade Jardim

Então vinha a CPTM.

Estação Cidade Jardim.

Trem.

Conexões.

Deslocamentos.

Esperas.

E a certeza de uma coisa:

eu não chegaria a Itatiba antes das 20 horas.

Esse talvez seja o detalhe mais impressionante quando olho para aquela rotina tantos anos depois.

O trabalho tinha oito ou nove horas.

Mas o dia de trabalho era muito maior.

Começava antes das 5h45.

Terminava depois das 20h.

Entre acordar, caminhar, esperar, viajar, trabalhar, caminhar novamente, pegar trem e finalmente retornar para casa, uma parcela gigantesca do dia simplesmente desaparecia.

Não era lazer.

Não era trabalho remunerado.

Não era descanso.

Era deslocamento.

🚦 São Paulo começou a ficar longe demais

Durante muito tempo, trabalhar em São Paulo morando fora da capital podia ser cansativo, mas ainda razoavelmente administrável.

Os fretados eram uma solução fantástica.

Você entrava no ônibus.

Sentava.

Podia cochilar.

Podia ler.

Podia simplesmente olhar pela janela.

E, principalmente, não precisava enfrentar pessoalmente o inferno de dirigir diariamente naquele trânsito.

Mas São Paulo foi ficando cada vez mais congestionada.

As regras de circulação dos fretados também mudaram ao longo dos anos, restringindo a maneira como esses veículos podiam penetrar em determinadas regiões da cidade.

Para quem morava fora, aquilo que havia sido uma solução extremamente prática começou a perder parte de sua eficiência.

O trânsito já estava machucando o sistema.

As restrições aos fretados ajudaram a colocar uma lápide sobre uma solução que, para milhares de trabalhadores metropolitanos, havia sido extremamente prática e confortável.

E o resultado aparecia na rotina.

🧮 O custo que não aparece no salário

Quando alguém recebe uma proposta de emprego, normalmente calcula:

Salário.

Benefícios.

Vale-refeição.

Plano de saúde.

Férias.

Talvez participação nos lucros.

Pouca gente coloca na conta:

tempo de deslocamento.

E tempo talvez seja o benefício mais caro de todos.

Imagine sair de casa ainda de madrugada e retornar depois das oito da noite.

Agora multiplique isso por cinco.

Depois por quatro semanas.

Depois por onze meses.

Depois por anos.

De repente percebemos que trabalhar a dezenas de quilômetros de casa não custa apenas combustível, passagem ou fretado.

Custa vida.

Horas em que você não está trabalhando, mas também não está verdadeiramente livre.

🚌 Mas havia também algo curioso naquela rotina

Hoje consigo olhar para aqueles dias com certo fascínio.

Porque o fretado também era uma espécie de observatório.

Eu via a cidade acordando.

Via as estradas mudando.

Via o trânsito crescendo.

Via São Paulo surgindo pela janela.

Marginal Pinheiros.

Prédios.

Pontes.

Avenidas.

Vila Olímpia.

E, no final da tarde, fazia o caminho inverso.

Esses pequenos vídeos que publiquei naquela época pareciam banais.

Um ônibus entrando em São Paulo.

Uma avenida.

Uma estação.

Um pedaço de estrada.

Mais um dia de trabalho.

Só isso.

Mas dez anos depois percebo que não era “só isso”.

Era o registro de uma rotina.

De uma época.

De uma São Paulo.

E de uma versão minha que acordava de madrugada, corria até aquele ponto de fretado em Itatiba e atravessava dezenas de quilômetros porque havia uma razão universal para continuar fazendo aquilo:

os malditos boletos.

☕ Bellacosa Mainframe — processamento encerrado

Talvez por isso eu goste tanto de recuperar essas postagens antigas.

Em 2016 escrevi poucas linhas.

Não precisava explicar.

Eu estava vivendo aquilo.

Hoje preciso.

Porque aquilo que naquele momento parecia absolutamente cotidiano tornou-se história.

A concessionária Ford.

O Extra.

A rotatória.

O fretado das 5h45.

Jundiaí.

Bandeirantes.

Marginal Pinheiros.

A caminhada até a Rua Funchal.

O café caro da Vila Olímpia.

O jornal antes do expediente.

A correria das 17h45.

O parque.

Cidade Jardim.

A CPTM.

E finalmente Itatiba, depois das oito da noite.

Cada elemento era como um pequeno STEP de um JCL gigantesco chamado:

MAIS UM DIA DE TRABALHO.

E o COND CODE esperado era muito simples:

chegar em casa.

No dia seguinte?

//RESTART=STEP001

E tudo começava novamente.

Um Café no Bellacosa Mainframe

Porque algumas rotinas parecem insignificantes enquanto estamos vivendo-as. Dez anos depois, descobrimos que estávamos documentando história.

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Aqui estamos de novo...


Nova semana , novo dia de trabalho e la vamos chegando em Sampa... o fretado saindo da marginal Pinheiros e entrando na Avenida Bandeirantes.



A vida é dura para quem apanha o fretado, saindo cedo de Itatiba, por volta das 17:40 e chegando tarde de Sampa por volta das 19:30.

Ainda esta melhor do que usar o sistema de transportes de Sampa... ai o bicho pega... experimente pegar o trem da vila Olimpia da CPTM oou o metro da Paulista

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Segunda braba, cansado e com chuva a chegada do fretado


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🌧️ Segunda Braba — Quando Trabalhar em São Paulo Deixou de Fechar a Conta

O salário era da capital. O custo também. E quatro horas do meu dia não apareciam no holerite.

Durante muitos anos, morar em Itatiba e trabalhar em São Paulo fazia sentido.

A distância era grande, o deslocamento cansativo, mas existia uma compensação importante: a diferença salarial era brutal.

Os salários oferecidos na capital, principalmente para profissionais especializados em tecnologia, justificavam acordar cedo, pegar o fretado e percorrer diariamente dezenas de quilômetros. Morávamos no interior, com um custo de vida relativamente menor, enquanto recebíamos salários do mercado paulistano.

A conta fechava.

Só que o tempo passou.

Entre o começo dos anos 2000 e aquela segunda-feira fria de 2016, muita coisa mudou.

Os salários sofreram um verdadeiro arrocho. O ganho real diminuiu enquanto praticamente todo o resto ficou mais caro.

E São Paulo ficou cada vez mais distante.

Não geograficamente.

Distante em horas.



A Rodovia dos Bandeirantes, que durante muito tempo representou uma ligação relativamente rápida com a capital, começou a encontrar seus próprios gargalos. Depois vinham as Marginais, onde aquilo que já era ruim conseguiu ficar ainda pior.

Mas apareceu outro complicador: as restrições impostas aos ônibus fretados.

Foram criadas áreas onde eles não podiam mais circular livremente. Para quem vinha do interior, isso significava descer antes do destino e procurar outra maneira de completar a viagem.

Metrô.

Ônibus.

Táxi.

Caminhada.

Mais dinheiro.

Mais tempo.

Mais uma conexão em uma viagem que já era longa.

E então comecei a perceber que havia algo errado naquela velha equação.

Porque trabalhar em São Paulo nunca custou apenas o fretado.

Havia o almoço.

O café.

O lanche.

Uma refeição que no interior custava determinado valor facilmente podia custar duas ou três vezes mais na Vila Olímpia.

Havia também outro custo quase invisível: vestir-se para trabalhar em São Paulo.

Camisa adequada.

Calça social.

Sapatos impecáveis e engraxados.

Um guarda-roupa compatível com aquele ambiente corporativo também fazia parte do preço de estar ali.

E ainda faltava colocar na planilha o item mais caro de todos:

tempo.

O Vilão Kassab como uma canetada afetou milhares de trabalhadores e piorou o transito em Sampa

Duas horas para ir.

Duas horas para voltar.

Quatro horas do meu dia que jamais apareceram no holerite.

Quatro horas que não eram consideradas jornada de trabalho, mas também não eram exatamente minhas.

Naquela segunda-feira de abril de 2016 fazia frio.

Chovia.

Eu estava cansado.

Dentro do fretado aquecido ainda existia algum conforto. Talvez alguns minutos de sono enquanto observava São Paulo despertar através da janela.

Mas inevitavelmente a porta se abriria.

Era preciso colocar o gorro, enfrentar a chuva e completar o caminho até o escritório.

Naquele momento talvez eu não estivesse fazendo todas essas contas conscientemente.

Hoje, olhando para trás, consigo enxergá-las.

O problema nunca foi apenas uma segunda-feira braba.

Era uma equação econômica que lentamente deixava de funcionar.

Salário da capital.

Alimentação da capital.

Roupa da capital.

Trânsito da capital.

E o custo de morar longe sendo pago todos os dias.

Talvez a pergunta correta nunca tenha sido:

“Quanto posso ganhar trabalhando em São Paulo?”

A pergunta deveria ser:

“Quanto São Paulo precisa me pagar para comprar quatro horas da minha vida todos os dias?”

Naquela segunda-feira fria e chuvosa, a resposta começava a ficar evidente.

A conta já não fechava como antigamente.

E ainda era preciso trabalhar o dia inteiro antes de enfrentar todo o caminho de volta para casa.

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Segundona com chuva


Mais uma semana começa e agora com chuvinha, por sorte a estrada estava boa sem nenhum acidente, agora e só correr para o escritório, tentando se molhar pouco.



O sono era tanto que ate estava de óculos escuro e gorrinho para sair a rua, o fretado estava quentinho e la fora tava tão friozinho.

Eh gostoso acompanhar o dia a dia da cidade com a chegada do fretado.






quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

SP 348 Rod Bandeirantes de Campinas a Piracicaba

Bellacosa Mainframe em uma aventura na rodovia bandeirantes rumos a Piracicaba

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🚗 O Pretinho Pega a Estrada — Rumo a São Pedro

Juliana no volante, eu de copiloto, o Formiga no banco de trás e alguns dias pela frente para fazer aquilo que uma família deveria fazer de vez em quando: pegar a estrada sem programar cada minuto da viagem.

Há vídeos antigos que, quando revistos muitos anos depois, parecem não mostrar absolutamente nada de extraordinário.

Uma rodovia.

Alguns carros.

O céu.

Placas passando.

O rádio tocando.

O horizonte aparecendo atrás do para-brisa.

E quilômetros e mais quilômetros de asfalto.

Mas isso acontece porque estamos olhando apenas para aquilo que a câmera conseguiu registrar.

A memória enxerga muito mais.

E aquele pequeno vídeo feito em uma viagem pelo interior de São Paulo guarda o começo de mais uma das aventuras do nosso famoso Pretinho, o New Fiesta da Juliana.

🚗💨

O Pretinho estava novamente na estrada.

E, como tantas outras vezes, não estava apenas transportando passageiros.

Estava carregando uma família rumo a mais uma pequena aventura.



🚘 A tripulação estava completa

A bordo tínhamos nossa configuração habitual.

Juliana no volante.

Eu ocupando meu tradicional posto de copiloto, navegador, observador da estrada e operador da câmera.

E no banco traseiro estava ele:

João, o nosso querido Formiga.

Provavelmente olhando tudo, perguntando alguma coisa, inventando alguma brincadeira ou simplesmente aproveitando aquela maravilhosa capacidade que as crianças possuem de transformar uma viagem de carro em parte da aventura.

Nosso destino principal era São Pedro, no interior de São Paulo.

A ideia era passar alguns dias por lá.

Nada de grandes expedições internacionais.

Nenhum aeroporto.

Nenhuma mala desaparecida.

Nenhuma conexão apertada.

Nenhum plano mirabolante.

Era apenas o Pretinho, algumas malas, estrada e alguns dias livres.

Às vezes é exatamente disso que precisamos.


🛣️ O passeio começava muito antes de chegar

Hoje percebo algo que talvez naquela época eu não pensasse conscientemente:

para nós, a estrada já fazia parte da viagem.

Não existia aquela ansiedade de simplesmente chegar ao destino.

Eu gostava de olhar a paisagem.

Observar cidades.

Ler placas.

Descobrir estradas secundárias.

Ver montanhas surgindo no horizonte.

Passar por lugares onde nunca havia estado.

E, naturalmente, registrar alguma coisa com a câmera.

Por isso tantos vídeos antigos do El Jefe Midnight Lunch começam aparentemente sem assunto.

A câmera simplesmente estava ligada.

Filmando a estrada.

Porque aquela estrada também era parte da lembrança.


🗺️ Rumo a São Pedro

Seguíamos pelo interior paulista em direção à região de Piracicaba, Águas de São Pedro e São Pedro.

O Pretinho avançava tranquilamente enquanto a paisagem urbana aos poucos dava espaço ao interior.

Esse é um dos prazeres de viajar de carro por São Paulo.

Você sai de uma região densamente urbanizada e, quilômetros depois, começa a encontrar outra paisagem.

Canaviais.

Fazendas.

Pequenas cidades.

Restaurantes de estrada.

Morros aparecendo ao longe.

Entradas de propriedades rurais.

Placas indicando lugares dos quais talvez você nunca tenha ouvido falar.

E cada placa traz aquela perigosa pergunta para alguém que gosta de explorar:

— O que será que tem ali?

😂

Pronto.

Nasce um desvio.



♨️ Primeira missão: Águas de São Pedro

Havia, naturalmente, alguns planos.

Um deles era visitar Águas de São Pedro.

E havia um motivo particularmente interessante para o Formiga:

parque aquático!

Piscinas.

Água quente.

Diversão.

Brincadeiras.

Aquele tipo de programa no qual uma criança consegue gastar uma quantidade aparentemente infinita de energia enquanto os adultos tentam convencer a si mesmos de que estão apenas relaxando.

😂

O objetivo era aproveitar as piscinas quentes, brincar, descansar e esquecer por alguns dias a rotina.

Mas o parque aquático seria apenas uma parte da viagem.


🧭 A segunda missão era não ter missão

Essa talvez fosse a parte mais interessante do nosso planejamento.

Nós deliberadamente não planejamos tudo.

Tínhamos alguns lugares que queríamos visitar.

Algumas ideias.

Alguns pontos turísticos.

Mas deixamos espaços vazios no roteiro.

E esses espaços eram importantes.

Porque seriam preenchidos pela descoberta.

Uma placa interessante.

Uma estrada diferente.

Uma recomendação recebida durante o almoço.

Uma praça bonita.

Uma cachoeira.

Um mirante.

Uma lojinha.

Uma igreja.

Uma construção antiga.

Uma estrada rural.

Um lugar que simplesmente parecia interessante.

Era o nosso pequeno método de exploração.

Planejar o suficiente para não ficar perdido.

Mas não planejar tanto a ponto de transformar férias em uma agenda corporativa.



🔎 Explorar fazia parte da brincadeira

Nossa intenção era conhecer não apenas São Pedro.

Queríamos zanzar pela região.

Conhecer as cidades próximas.

Procurar pontos turísticos.

Descobrir pequenos tesouros.

Experimentar comidas.

Olhar paisagens.

Parar onde desse vontade.

E principalmente:

divertir-nos juntos.

Talvez encontrássemos alguma coisa extraordinária.

Talvez não.

E estava tudo bem.

Porque existe uma diferença enorme entre turistar e explorar.

Turistar normalmente significa ir até aquilo que alguém já decidiu que merece ser visto.

Explorar significa permitir que alguma coisa que você nem sabia que existia encontre você.


👦 E havia uma criança no banco traseiro

Viajar com uma criança muda completamente a escala das coisas.

Para um adulto, uma pequena ponte pode ser apenas uma ponte.

Para uma criança pode ser uma aventura.

Uma piscina vira um oceano.

Uma estrada vira uma expedição.

Um inseto diferente merece investigação científica imediata.

Uma pedra estranha pode virar um tesouro.

Um sorvete pode entrar para a lista dos acontecimentos mais importantes do dia.

E talvez essa seja uma das grandes vantagens de viajar com crianças:

elas obrigam os adultos a reaprender a olhar.

O Formiga estava crescendo.

E cada passeio acrescentava mais algumas imagens ao gigantesco arquivo de experiências que estava construindo.

Enquanto isso, sem perceber, nós também estávamos construindo o nosso.


📹 A câmera tentava guardar tudo

Por isso eu filmava.

A estrada.

O carro.

As paisagens.

Os lugares.

As pequenas coisas.

Naquele momento parecia simplesmente divertido registrar.

Anos depois esses pequenos vídeos assumem outra função.

Transformam-se em âncoras da memória.

Basta assistir alguns segundos para outras informações começarem a retornar.

Quem estava dirigindo.

Onde estávamos indo.

O que aconteceu depois.

Uma conversa.

Uma brincadeira.

Um restaurante.

Uma chuva.

Uma música.

Até sensações que a câmera jamais poderia registrar.

O vídeo não guarda apenas aquilo que aparece dentro do enquadramento.

Ele abre a porta para aquilo que ficou guardado fora dele.


🚗 O Pretinho era parte dessas histórias

E existe ainda outro personagem recorrente nessas aventuras.

Nosso Pretinho.

O New Fiesta aparece em vários desses registros.

Levou-nos para parques.

Cidades.

Estradas.

Restaurantes.

Passeios.

Finais de semana.

Pequenas explorações pelo interior.

Era simplesmente um carro.

Claro.

Mas objetos que participam repetidamente de momentos importantes acabam adquirindo uma espécie de identidade dentro das nossas lembranças.

O Pretinho virou parte da narrativa.

Quando aparecia carregado e apontado para uma rodovia, alguma coisa estava para acontecer.


🧳 Alguns planos e muito espaço vazio

Nossa filosofia para aqueles dias poderia ser resumida assim:

Destino definido. Roteiro parcialmente definido. Diversão obrigatória.

São Pedro seria nossa base.

Águas de São Pedro estava nos planos.

As cidades da região estavam no radar.

Mas o restante seria decidido conforme os dias acontecessem.

Se encontrássemos algo interessante:

parávamos.

Se víssemos uma estrada convidativa:

investigávamos.

Se alguém indicasse um lugar:

anotávamos.

Se desse vontade de simplesmente passar algumas horas dentro de uma piscina quente sem fazer absolutamente nada:

melhor ainda.

Porque férias também precisam ter espaço para não fazer nada.


♨️ Existe sabedoria em uma piscina quente

Nós temos essa mania estranha de transformar até descanso em produtividade.

Queremos conhecer dez lugares.

Fotografar vinte atrações.

Visitar quatro cidades.

Experimentar cinco restaurantes.

Cumprir uma lista.

E voltar das férias precisando de férias.

😂

Naquela viagem havia exploração.

Mas também havia outra palavra importante:

relaxar.

Entrar numa piscina quente.

Ficar conversando.

Brincar com o Formiga.

Não olhar o relógio.

Deixar o corpo entender que, durante alguns dias, ele não precisava chegar a lugar nenhum.

Talvez esse seja um dos maiores luxos que podemos comprar com alguns dias de folga.

Tempo sem obrigação.


🛣️ E tudo começou naquela estrada

É por isso que hoje esse vídeo aparentemente simples ganhou outro significado para mim.

Não era apenas um registro da rodovia.

Era o prólogo da aventura.

Aquele momento dos filmes em que os personagens ainda estão viajando e nós sabemos que a história está prestes a começar.

Juliana dirigindo.

Eu filmando.

Formiga atrás.

O Pretinho seguindo pelo asfalto.

Alguns planos preparados.

Outros deliberadamente inexistentes.

São Pedro esperando.

Águas de São Pedro no roteiro.

Piscinas quentes no horizonte.

E uma região inteira disponível para ser descoberta.


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Hoje, tantos anos depois, talvez eu não consiga lembrar cada quilômetro daquela estrada.

Também não consigo reconstruir todas as conversas dentro daquele carro.

Mas consigo reconhecer perfeitamente a sensação.

Estávamos indo passear.

E havia algo maravilhoso nessa simplicidade.

Não precisávamos atravessar um oceano.

Não precisávamos encontrar uma atração mundialmente famosa.

Não precisávamos viver uma aventura digna de documentário.

Tínhamos um carro.

Alguns dias.

Uma família.

Uma estrada.

E curiosidade suficiente para descobrir o que havia depois da próxima curva.

O Pretinho seguia em frente.

Juliana no volante.

Formiga no banco traseiro.

Eu de copiloto, naturalmente com a câmera ligada.

E lá íamos nós novamente.

🚗💨

Porque algumas das melhores viagens começam exatamente assim: sabemos onde vamos dormir, temos uma vaga ideia do que faremos amanhã e absolutamente nenhuma certeza sobre o que encontraremos pelo caminho.

E talvez justamente aí esteja a graça.

O destino era São Pedro.

Mas a verdadeira viagem estava em tudo aquilo que ainda não havíamos descoberto.

☕🚗🗺️♨️


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Pegando a estrada

Estamos indo em Direcção a Piracicaba, um belo almoço de peixe a beira do rio Piracicaba nos espera, o céu esta limpo, a estrada vazia, um dia perfeito para curtir em família.

Aproveitando um trecho da estrada que ainda não tinha filmado, la vamos nos, radio ligado, filmadora ligada e vamos embora.



A viagem transcorreu tranquila sem nenhuma surpresa. chegamos em Piracicaba e saboreamos peixe na brasa, para quem não conhece este passeio recomendo faze-lo um dia. Tenho outras publicações sobre este dia.
Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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