quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

 


Otsuten: O Santuário Onde o Profano Beija o Sagrado

Um mergulho Bellacosa Mainframe para o blog El Jefe Midnight Lunch

Quando o Japão resolve criar um santuário, ele não constrói apenas um templo — ele ergue um lore, um universo expandido, um portal cultural onde história, mitologia, urbanismo e um toque de maluquice coexistem em harmonia.
E entre os muitos templos que fazem o Japão ser esse RPG de mundo aberto chamado Japão, existe um que virou febre entre jovens, otakus, turistas espirituais e influenciadores: Otsuten — às vezes chamado de Otsu Tenmangu, outras vezes apelidado de “o santuário que realiza desejos… mas só se você não for afobado”.

Hoje, no estilo Bellacosa Mainframe para o El Jefe Midnight Lunch, vamos destrinchar esse fenômeno espiritual-pop-cultural com história, curiosidades, folclore, easter-eggs e aquele toque investigativo que faria até o CICS levantar uma sobrancelha.



1. Origem: Onde Começa o Código-Fonte do Otsuten

O Otsuten é um santuário xintoísta dedicado, como muitos da mesma linhagem, a Sugawara no Michizane, patrono da sabedoria, caligrafia, estudos e… vingança educada (sim, ele virou um kami depois de morrer injustiçado e causar tempestades até receber seu devido reconhecimento).

Otsuten, porém, ganhou fama mais recente graças a três fatores:

  1. Proximidade com rotas de estudantes indo para exames importantes;

  2. História oral sobre pedidos que “só funcionam se feitos com calma e sinceridade” (quase um timeout ajustado no JCL espiritual);

  3. Internet, que fez nascer o “Otsuten Challenge”.

E aqui começa o mix de tradição + viralização que só o Japão sabe produzir.



2. Estrutura e Simbologia: O Santuário Que Parece um Save Point

O Otsuten é famoso por seu torii vermelho vibrante, um portão tão icônico que virou ponto de selfie obrigatório.
Abaixo, a tríade sagrada do Otsuten:

  • Torii Vermelho: segundo o folclore local, quanto mais forte a cor, mais forte o pedido entra no “mainframe divino”.

  • A Pedra de Acalmar o Coração: uma rocha polida onde estudantes tocam para “resetar o nervosismo”.

  • O Caminho do Silêncio: um corredor estreito entre árvores antigas onde ninguém deve falar — se falar, perde o buff.

Easter-egg: dizem que, à noite, o caminho do silêncio produz eco mesmo quando ninguém pisa ali.
Debug espiritual? Talvez.



3. Cultura Pop: Otsuten Como Cenário de Anime, Dorama e Mangá

O local ficou famoso por aparições discretas em produções:

  • Uma versão estilizada aparece em Kyou no Go no Ni.

  • O torii foi recriado (quase idêntico) em um episódio de Bungou Stray Dogs, referência ao próprio Michizane.

  • Muitas VN, especialmente as de romance colegial, usam o modelo do torii como cenário de “confissões”.

Easter-egg cultural: vários gacha games japoneses adicionaram amuleto de Otsuten como item de buff para “sorte em summons”.


4. A Experiência: Como Funciona a “Interface Sagrada”

Visitar o Otsuten segue o protocolo tradicional:

  1. Passar pelo torii com respeito;

  2. Fazer purificação na fonte;

  3. Soar o sino;

  4. Fazer o pedido em silêncio;

  5. Amarrar um ema com o desejo escrito.

Mas o Otsuten tem um twist:

O pedido deve ser reescrito três vezes — como se fosse SUBMIT, HOLD e RELEASE.
Sim. É sério.
Dizem que isso “estabiliza” o desejo para que o kami entenda sua intenção.


5. Curiosidades no Estilo Bellacosa Mainframe

  • A cor do torii já foi laranja, mas foi repintado após uma pesquisa viral dizer que o “vermelho forte aumenta 12% a chance do pedido funcionar”. Zero base científica, mas muito marketing espiritual.

  • O Otsuten já recebeu mais de 100 mil pedidos digitalizados por turistas que escanearam seus emas (porque claro que alguém criou um OCR de desejos).

  • Existe um ritual moderno chamado “ping-bell”: bater o sino duas vezes e mandar mensagem para um amigo desejando boa sorte.

  • Amuletos especiais para programadores são vendidos lá, com o kanji de “erro” cortado ao meio — para simbolizar debug divino.


6. Problemas, Polêmicas e Lendas Urbanas

Nenhum lugar místico moderno escapa do lado B:

❖ Polêmica da fila de selfies

Turistas transformaram o torii em estúdio fotográfico, criando discussões entre visitantes sérios e influencers.

❖ Amuletos pirateados

Sim, existe mercado paralelo de omamori falsificados, vendidos em Shibuya e Akihabara.

❖ Lenda do “pedido rejeitado”

Dizem que, se você mentir no pedido ou fizer sem convicção, uma brisa gelada passa por trás do seu pescoço — “o kami te deslogou”.


7. O Easter-Egg Supremo: A Runa Oculta na Base do Torii

Essa é para os arqueólogos de cultura pop:

Na base direita do torii existe um pequeno símbolo, quase invisível, que alguns estudiosos identificam como um antigo caractere grego estilizado.
Teorias:

  • Homenagem a um arquiteto estudante de filologia;

  • Um charme para proteção contra espíritos ocidentais;

  • Apenas decoração.

A comunidade geek jura que é uma referência secreta a RPGs de mesa dos anos 80.


8. Conclusão: Otsuten Como “Mainframe Espiritual do Japão”

O Otsuten não é apenas um santuário.
É um hub cultural, um servidor de desejos, um checkpoint emocional para estudantes, românticos, sonhadores e curiosos.

Ele mistura:

  • tradição xintoísta,

  • cultura pop,

  • estética instagramável,

  • lendas urbanas,

  • e aquele je ne sais quoi japonês que transforma um templo em fenômeno global.

Se você for visitar, lembre-se:

No Otsuten, tudo funciona melhor quando você faz com calma.
Sem pressa, sem barulho, sem gambiarras.

Como um bom submit no mainframe.


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

🔥 JCL – Job Control Language: o cérebro silencioso do mainframe em um mundo distribuído

Bellacosa Mainframe apresenta Job Control Language JCL

 


🔥 JCL – Job Control Language: o cérebro silencioso do mainframe em um mundo distribuído



☕ Midnight Lunch no CPD (ou: quando o job ainda manda)

Era hora do midnight lunch. Café requentado, luz fria do CPD, impressora 3211 cuspindo papel contínuo.
O sysprog passa e solta a frase clássica:

“Não é o programa… é o JCL.”

Silêncio respeitoso.
Porque todo mainframer sabe: quem controla o JCL controla o sistema.

Este artigo é sobre JCL (Job Control Language), mas com um tempero moderno:
👉 como o JCL se encaixa — e ainda ensina — no mundo das aplicações distribuídas.


🧠 O que é JCL (para quem já viveu isso, mas nunca parou pra filosofar)

JCL não é linguagem de programação.
JCL é linguagem de orquestração.

Antes de:

  • YAML

  • Pipelines CI/CD

  • Kubernetes

  • Airflow

  • Jenkins

…já existia:

//JOBNAME JOB ... //STEP01 EXEC ... //DD1 DD ...

📌 JCL diz ao sistema:

  • O que rodar

  • Em que ordem

  • Com quais recursos

  • Com quais dados

  • Com quais limites

  • E como reagir a falhas

Ou seja: governança operacional pura.


🕰️ Um pouco de história (porque mainframer não vive sem contexto)

  • Anos 60–70: JCL nasce para controlar jobs batch

  • Anos 80: amadurece com JES2/JES3

  • Anos 90: integra-se com CICS, DB2, MQ

  • Anos 2000+: passa a conviver com Unix, web, cloud

  • Hoje: continua firme, enquanto muita stack moderna muda a cada 6 meses

💡 Curiosidade Bellacosa:
Muita ferramenta “moderna” só redescobriu conceitos que o JCL já fazia bem desde o século passado.


🌐 Aplicações distribuídas explicadas para mainframers

Vamos traduzir para o dialeto JCL.

Uma aplicação distribuída é como um job com vários steps rodando fora do z/OS, em máquinas diferentes, falando por mensagens.

Analogia direta

Mundo DistribuídoMundo JCL
MicroserviceSTEP bem definido
Pipeline CI/CDJob com múltiplos EXEC
SchedulerJES
Retry automáticoRESTART
TimeoutTIME
LogsSYSPRINT / SMF
OrquestraçãoJOB statement

👉 JCL foi um “orquestrador” décadas antes da palavra existir.


🧩 O JOB statement: o “manifest.yaml” do mainframe

No mundo moderno, você descreve tudo em um manifesto.

No mainframe, isso sempre existiu:

//MEUJOB JOB 'BELLACOSA', /* CLASS=A, MSGCLASS=X, TIME=0, REGION=0M, PRTY=15 */

Aqui você define:

  • Prioridade

  • Tempo de CPU

  • Memória

  • Classe de execução

  • Comportamento operacional

💡 Easter Egg:
TIME=0 é o “unlimited resources” do mundo mainframe — usado com responsabilidade, claro 😈


⚙️ Steps, COND e a arte de não rodar o que não precisa

Aplicações distribuídas vivem de fluxos condicionais.
No JCL, isso já existia com classe:

COND=(4,LT)

Tradução:

“Se algo deu muito certo, nem roda isso aqui.”

😂

Brincadeiras à parte:

  • COND evita processamento desnecessário

  • Reduz custo

  • Aumenta previsibilidade

👉 Conceito idêntico a short-circuiting em pipelines modernos.


🔄 START, RESTART e resiliência real

No mundo cloud:

  • “Reprocessa o pipeline”

  • “Rerun from failed stage”

No mainframe, desde sempre:

  • START=STEPX

  • RESTART=STEPX

Isso não é detalhe técnico.
Isso é engenharia de confiabilidade.

💡 Curiosidade:
Muitos sistemas distribuídos ainda sofrem para fazer restart idempotente.
No batch mainframe… isso é requisito básico desde o projeto.


📊 Observabilidade: SMF é o avô do tracing distribuído

Hoje falam em:

  • Logs

  • Metrics

  • Traces

No mainframe:

  • SMF

  • RMF

  • JES logs

  • SYSOUT

📌 O conceito é o mesmo:

“Se eu não consigo medir, eu não consigo operar.”

A diferença?
O mainframe sempre tratou isso como obrigação, não como opcional.


🪜 Passo a passo mental para o mainframer entrar no mundo distribuído

  1. Pense em jobs como pipelines

  2. Pense em steps como microserviços

  3. Pense em JES como scheduler

  4. Pense em SMF como observabilidade

  5. Pense em RESTART como resiliência

  6. Confie: você já sabe mais do que imagina


📚 Guia de estudo recomendado (com cérebro mainframe)

🔹 Conceitos para estudar:

  • APIs REST

  • Message Queues

  • Event-driven architecture

🔹 Faça paralelos:

  • MQ ↔ Kafka

  • JCL ↔ YAML

  • JES ↔ Orquestrador

  • CICS ↔ API Gateway

🔹 Exercício clássico:

“Se isso fosse um job batch, onde ele falharia?”


🏁 Conclusão – El Jefe fecha a conta

O mundo mudou.
As palavras mudaram.
As ferramentas mudaram.

Mas os princípios

  • Orquestração

  • Controle

  • Governança

  • Resiliência

  • Observabilidade

👉 o JCL já fazia tudo isso.

Por isso, quando alguém diz:

“Mainframe é legado”

O mainframer responde, calmamente, entre um café e outro:

“Legado é aquilo que ainda funciona.”

🔥☕

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

🔥 Conhecimento básico sobre aplicações distribuídas – um guia para mainframers que sobreviveram ao monólito



 🔥 Conhecimento básico sobre aplicações distribuídas – um guia para mainframers que sobreviveram ao monólito




1️⃣ Introdução: quando o monólito saiu da jaula

Mainframer raiz conhece bem o monólito confiável: CICS firme, DB2 consistente, batch noturno pontual como relógio suíço. Durante décadas, aplicação distribuída era vista como “coisa de Unix instável” ou “modinha client-server”.

Mas o mundo girou. A web cresceu, o mobile explodiu, a nuvem virou padrão e, de repente, o monólito começou a ser fatiado em serviços. Nasciam as aplicações distribuídas — e com elas, novos problemas… e velhos conceitos que o mainframe já conhecia muito bem.

💡 Easter egg: se você já lidou com VTAM, MQSeries e sysplex, você já entendeu aplicações distribuídas… só não sabia o nome moderno disso.



2️⃣ O que são aplicações distribuídas (sem buzzword)

Uma aplicação distribuída é aquela em que:

  • O processamento ocorre em vários nós

  • Cada parte da aplicação pode rodar em máquinas, containers ou regiões diferentes

  • A comunicação acontece por rede, não por memória compartilhada

Exemplos modernos:

  • Microservices em Kubernetes

  • APIs REST + filas (Kafka, MQ, RabbitMQ)

  • Frontend web → backend → banco → cache → serviços externos

No fundo, é o velho conceito de desacoplamento, agora amplificado.


3️⃣ Paralelos diretos com o mundo mainframe 🧠

Mundo MainframeMundo Distribuído
CICS TransactionMicroservice
MQSeriesEvent Streaming
SysplexCluster
SMF / RMFTelemetria / Observabilidade
AbendException distribuída
Batch encadeadoPipelines assíncronos

👉 Conclusão Bellacosa: mainframers não estão atrasados — estão adiantados há 30 anos.


4️⃣ Principais desafios (spoiler: não são novos)

🔹 Latência

No mainframe, o gargalo era I/O.
No distribuído, é rede + serialização + hops excessivos.

🔹 Falhas parciais

No mundo distribuído:

“Se algo pode falhar, vai falhar, mas só um pedaço.”

Isso lembra:

  • Regiões CICS indisponíveis

  • LPAR isolada

  • Subsystem down às 03:12 😈

🔹 Consistência

Aqui entra o famoso CAP Theorem — mas mainframer chama isso de:

“Escolher entre disponibilidade e integridade quando o caldo entorna.”


5️⃣ Conceitos essenciais que todo mainframer deve dominar

✔️ Comunicação síncrona vs assíncrona

  • Síncrona: REST, RPC (espera resposta)

  • Assíncrona: filas, eventos, fire-and-forget
    👉 MQ old school total.

✔️ Escalabilidade horizontal

  • Escalar mais instâncias, não máquinas maiores
    (trauma de quem pedia upgrade de MIPS aprovado em comitê 😅)

✔️ Observabilidade

  • Logs

  • Métricas

  • Traces distribuídos

📌 Curiosidade: SMF foi o avô do tracing moderno.


6️⃣ Passo a passo mental para entender qualquer sistema distribuído

1️⃣ Identifique quais serviços existem
2️⃣ Veja como eles se comunicam
3️⃣ Descubra onde estão os pontos de falha
4️⃣ Analise latência e dependências
5️⃣ Verifique quem é o dono do dado
6️⃣ Observe como o sistema se comporta quando algo cai

🧨 Dica Bellacosa: desligue mentalmente um serviço e pergunte
“O que quebra primeiro?”


7️⃣ Guia de estudo para mainframers curiosos 📚

Conceitos

  • Microservices vs Monólito

  • Event-driven architecture

  • Observabilidade

  • Resiliência e retries

Ferramentas modernas (com alma antiga)

  • Instana / Dynatrace → RMF da nuvem

  • Prometheus → SMF open source

  • Kafka → MQSeries com esteroides

  • Kubernetes → Sysplex com YAML


8️⃣ Aplicações práticas no dia a dia

  • Integrar mainframe com APIs modernas

  • Expor transações CICS como serviços

  • Monitorar ambientes híbridos

  • Diagnosticar falhas ponta a ponta

  • Atuar como tradutor cultural entre legado e cloud

🎯 Mainframer que entende distribuído vira peça-chave.


9️⃣ Comentário final (meia-noite, café frio ☕)

Aplicações distribuídas não são o fim do mainframe.
São apenas o mesmo problema antigo, rodando em mais lugares, com nomes novos e menos disciplina.

Quem sobreviveu a:

  • Batch quebrado em fechamento

  • Deadlock às 02h

  • Região CICS instável em dia útil

…tem todas as credenciais para dominar o mundo distribuído.

🖤 El Jefe Midnight Lunch aprova:
legado não é atraso — é memória de guerra.

domingo, 8 de janeiro de 2012

🖥️🧙‍♂️ Comandos de gerenciamento do IBM CICS

 



🖥️🧙‍♂️ Comandos de gerenciamento do IBM CICS

Bellacosa Mainframe Style — Guia definitivo para Padawan CICS

Os comandos de gerenciamento do IBM CICS são o coração operacional do ambiente transacional em mainframe. Diferentemente dos comandos EXEC CICS, usados dentro de programas COBOL, PL/I ou assembler, os comandos de gerenciamento são transações interativas, executadas diretamente no terminal 3270, com foco em administração, diagnóstico e controle em tempo real do sistema.

Esses comandos surgiram para dar autonomia ao operador e ao analista, permitindo gerenciar recursos sem reiniciar o CICS ou recorrer a JCL. O principal deles é o CEMT (CICS Execute Master Terminal), usado para consultar e alterar o estado de tarefas, programas, arquivos, transações e conexões. Já o CEDA (CICS Execute Definition) permite definir e instalar recursos no CSD (CICS System Definition), funcionando como um catálogo central de configurações. O CECI é voltado a testes, permitindo executar comandos EXEC CICS de forma interativa, enquanto o CEDF atua como ferramenta básica de depuração, interceptando chamadas EXEC CICS durante a execução de programas.

Outros comandos importantes incluem o CESN (login e segurança), CEOT (reset de sessão), CEBR (navegação em arquivos VSAM) e CEVT (controle de eventos temporizados). Em conjunto, esses comandos transformam o CICS em um ambiente altamente controlável, onde estabilidade, disciplina e observabilidade são valores centrais — características que explicam sua longevidade em sistemas críticos até hoje.


Antes de existir DevOps, Kubernetes ou observabilidade, o CICS já tinha seu próprio painel de controle Jedi:
as transações de gerenciamento, executadas direto no terminal 3270.

Elas não são EXEC CICS, são comandos operacionais — a diferença entre programar e governar o império.


🧠 O que são comandos de gerenciamento do CICS?

São transações especiais, quase sempre iniciadas com CE ou CM, usadas para:

  • administrar recursos

  • diagnosticar problemas

  • testar comandos

  • depurar programas

  • controlar o runtime

📌 Insight Bellacosa:

EXEC CICS é para o código.
CEMT é para quem manda.


Comando CEMT


🔹 1️⃣ CEMT — CICS Execute Master Terminal

O CEMT (CICS Execute Master Terminal) é o principal comando de gerenciamento do IBM CICS, usado para monitorar e controlar recursos em tempo real a partir do terminal 3270. Com ele, o operador ou analista pode consultar (INQUIRE) e alterar (SET) o estado de tarefas, programas, arquivos, transações, terminais e conexões, sem reiniciar o sistema. Criado para dar autonomia operacional, o CEMT permite ações críticas como NEWCOPY de programas, cancelamento de tasks presas e verificação de uso de recursos. É uma ferramenta poderosa, rápida e perigosa: um comando mal aplicado pode impactar produção instantaneamente. Dominar o CEMT é passo essencial para qualquer profissional CICS.

📟 O console supremo

📜 História

Criado para substituir comandos internos e dar controle online do CICS.

🔧 Para que serve

  • Ver e alterar status de:

    • Tasks

    • Programs

    • Files

    • Transactions

    • Terminals

    • Connections

🧪 Exemplo (Padawan)

CEMT I TASK
CEMT I PROG(DMCPGM01)
CEMT SET PROG(DMCPGM01) NEWCOPY

💡 Dicas

  • I = INQUIRE

  • SET muda o estado em produção 😈

🥚 Easter egg:
CEMT I TASK já derrubou mais produção que bug em COBOL mal testado.


Comando CEDA


🔹 2️⃣ CEDA — CICS Execute Definition

O CEDA (CICS Execute Definition) é o comando de gerenciamento do CICS responsável por definir e administrar recursos no CSD (CICS System Definition). Por meio dele, o analista cria, altera, remove e instala definições como PROGRAM, TRANSACTION, FILE, MAPSET e DB2ENTRY, sem necessidade de JCL. O CEDA separa conceito de execução: definir não é instalar, sendo necessário o comando INSTALL para ativar o recurso no ambiente. Criado para dar flexibilidade e padronização ao CICS, o CEDA é essencial para mudanças controladas. Seu uso correto garante consistência, rastreabilidade e estabilidade em ambientes transacionais críticos.

📚 O catálogo de schemas do CICS

📜 História

Criado para definir recursos sem JCL.

🔧 Para que serve

  • Definir recursos no CSD:

    • PROGRAM

    • TRANSACTION

    • FILE

    • MAPSET

    • DB2ENTRY

🧪 Exemplo

CEDA DEF PROGRAM(DMCPGM01)
CEDA INS TRAN(DMC1)
CEDA INSTALL

💡 Dicas

  • Definir ≠ Instalar

  • Só vira realidade após INSTALL

🥚 Easter egg:
Já existia Infrastructure as Data antes do YAML virar moda.



Comando CECI

🔹 3️⃣ CECI — CICS Execute Command Interpreter

O CECI (CICS Execute Command Interpreter) é o comando de gerenciamento do CICS usado para testar comandos EXEC CICS de forma interativa, sem escrever ou compilar programas. Ele permite simular operações como READ, WRITE, LINK, SEND e RECEIVE, facilitando aprendizado, validação e diagnóstico rápido de problemas. Criado como laboratório do CICS, o CECI é muito utilizado por iniciantes e analistas experientes para entender o comportamento dos recursos em tempo real. Apesar de ser uma ferramenta didática, o CECI pode alterar dados reais, exigindo cuidado em ambientes produtivos. É um recurso valioso para estudo e testes controlados.

🧪 Laboratório nuclear

📜 História

Criado para testar EXEC CICS sem escrever programa.

🔧 Para que serve

  • Simular comandos EXEC CICS

  • Testar arquivos, filas, links

🧪 Exemplo

EXEC CICS READ FILE(ARQCLI)

💡 Dicas

  • Ideal para aprender CICS

  • Pode alterar dados reais ⚠️

🥚 Easter egg:
CECI é o Postman do CICS — só que mais perigoso.


Comando CEDF

🔹 4️⃣ CEDF — CICS Execution Diagnostic Facility

O CEDF (CICS Execution Diagnostic Facility) é o comando de gerenciamento do CICS utilizado para depuração básica de programas em tempo de execução. Ao ser ativado, ele intercepta cada comando EXEC CICS, permitindo ao analista acompanhar passo a passo a execução da task, visualizar parâmetros e identificar erros lógicos. Criado antes das ferramentas modernas de debug, o CEDF foi por muito tempo o principal recurso de diagnóstico no CICS. Seu uso deve ser restrito a ambientes controlados, pois pode impactar desempenho e travar sessões se esquecido ativo. Ainda hoje, é valioso para aprendizado e análise detalhada.

🐞 O debugger raiz

📜 História

Antes de Xpediter, Debug Tool… só existia o CEDF.

🔧 Para que serve

  • Debug passo a passo

  • Interceptar EXEC CICS

🧪 Exemplo

CEDF ON

💡 Dicas

  • Use só em ambiente controlado

  • Pode afetar performance

🥚 Easter egg:
Todo mainframer já travou uma task esquecendo o CEDF ON.


Comando CESN


🔹 5️⃣ CESN — CICS Sign-On

O CESN (CICS Execute Sign-On) é o comando de gerenciamento do CICS responsável pelo processo de autenticação do usuário no ambiente transacional. Ele permite que o operador ou analista se identifique no CICS, integrando-se aos sistemas de segurança como RACF, ACF2 ou Top Secret. O CESN associa o usuário ao terminal, definindo permissões e controles de acesso às transações e recursos. Criado para garantir rastreabilidade e segurança, é o primeiro comando executado em muitos ambientes. Sem um sign-on válido, o usuário permanece com acesso restrito, impossibilitado de operar ou administrar o sistema.

🔐 Porta de entrada

📜 História

Integração direta com RACF/ACF2/TopSecret.

🔧 Para que serve

  • Login no CICS

🧪 Exemplo

CESN

💡 Dicas

  • Usuário ≠ terminal

  • Segurança manda

🥚 Easter egg:
Sem CESN, você é só mais um terminal mudo.


Comando CEOT


🔹 6️⃣ CEOT — CICS End Of Task

O CEOT (CICS End Of Task) é o comando de gerenciamento do CICS utilizado para encerrar e limpar o estado de uma sessão no terminal 3270. Ele finaliza a task corrente, libera recursos associados e redefine o terminal para um estado inicial seguro. O CEOT é muito usado quando uma transação fica presa, apresenta comportamento inesperado ou após testes e depuração. Criado como mecanismo simples de recuperação, funciona como um “reset” controlado do terminal, sem afetar outras tasks do sistema. É uma ferramenta básica, porém essencial, para manter estabilidade e disciplina operacional no ambiente CICS.

🧹 Limpeza de sessão

📜 História

Criado para encerrar tasks zumbis.

🔧 Para que serve

  • Resetar estado do terminal

  • Encerrar tarefas presas

🧪 Exemplo

CEOT

🥚 Easter egg:
O “Ctrl+Alt+Del” do CICS.


Comando CEST


🔹 7️⃣ CEST — CICS Start

O CEST (CICS Execute Start) é um comando de gerenciamento menos conhecido do CICS, utilizado para iniciar tarefas ou transações de forma controlada, principalmente em cenários de teste e diagnóstico. Ele permite disparar uma execução sem depender do fluxo normal de entrada do usuário, ajudando analistas a validar comportamentos específicos do sistema. Historicamente, o CEST surgiu como apoio a ambientes de desenvolvimento e verificação operacional, não sendo amplamente usado em produção moderna. Embora simples, seu uso exige cautela, pois iniciar tasks manualmente pode consumir recursos ou gerar efeitos colaterais inesperados. É um recurso auxiliar, mas útil para estudos e testes dirigidos.

🚀 Bootstrap manual

🔧 Para que serve

  • Iniciar transações manualmente

  • Testes controlados

🥚 Pouco usado, mas histórico.


Comando CEBR

🔹 8️⃣ CEBR — CICS Browse

O CEBR (CICS Execute Browse) é o comando de gerenciamento do CICS utilizado para consultar e navegar interativamente por arquivos VSAM diretamente no terminal 3270. Ele permite localizar registros por chave, avançar ou retroceder sequencialmente e visualizar o conteúdo dos dados, sendo muito útil para análise e diagnóstico. O CEBR é amplamente usado em ambientes de desenvolvimento e suporte para verificar dados sem escrever programas. Apesar de ser uma ferramenta de leitura, seu uso requer cuidado com permissões e contexto do arquivo. É um recurso clássico do CICS, simples, eficiente e valioso para entendimento dos dados em tempo real.

📂 Explorador de arquivos

🔧 Para que serve

  • Browse online de VSAM

  • Debug de dados

🥚 Easter egg:
O File Explorer mais antigo ainda em produção.


Comando CEVT


🔹 9️⃣ CEVT — Event Control

O CEVT (CICS Event Control) é um comando de gerenciamento do CICS usado para controlar e testar eventos temporizados dentro do ambiente transacional. Ele permite simular condições baseadas em tempo, como atrasos, timeouts e disparo de eventos, auxiliando no diagnóstico de comportamentos assíncronos. Historicamente, o CEVT foi criado para apoiar testes de aplicações que dependem de temporização e controle interno do CICS. Embora pouco utilizado em ambientes modernos, permanece disponível para cenários específicos de estudo e validação. Seu uso exige cautela, pois eventos mal configurados podem afetar o fluxo normal das tarefas e a previsibilidade do sistema.

⏱️ Timer interno

🔧 Para que serve

  • Testar eventos temporizados

Pouco usado hoje, mas ainda vivo.


CICS Command Line Functions

🧠 Resumo Bellacosa Mainframe

ComandoFunção
CEMTGoverno
CEDADefinição
CECITeste
CEDFDebug
CESNSegurança
CEOTReset
CEBRDados
CESTStart
CEVTEventos

🧙‍♂️ Conselho final ao Padawan

Aprender CICS não começa em COBOL.
Começa em CEMT.

🖥️ MAINFRAME MODE ON:
Quem domina os comandos de gerenciamento não pede acesso — controla o ambiente.

Para saber mais sobre CICS

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2012/10/cics-command-level-para-padawans.html



sábado, 7 de janeiro de 2012

🖥️📚 William Gibson: o sysprog que escreveu o futuro antes do IPL

 


🖥️📚 William Gibson: o sysprog que escreveu o futuro antes do IPL
ao estilo Bellacosa Mainframe — apresentação para profissionais de mainframe


🔹 Quem é William Gibson (para quem vive de sistema crítico)

William Ford Gibson, nascido em 17 de março de 1948, nos Estados Unidos e radicado no Canadá, não é apenas um escritor de ficção científica. Ele é o analista de requisitos do mundo digital moderno — aquele cara que nunca viu a tela final do sistema, mas descreveu exatamente como ela funcionaria.

Gibson escreveu sobre redes globais, identidades digitais, vigilância, corporações transnacionais e usuários plugados em sistemas quando a maioria ainda brigava com cartões perfurados e terminais burros.


🔹 Breve biografia (batch cronológico)

  • 🗓️ 1948 – Nasce na Carolina do Sul

  • ⚡ Juventude errante, influência da contracultura, paranoia política e isolamento social

  • 🇨🇦 Muda-se para o Canadá para fugir do alistamento da Guerra do Vietnã

  • 📚 Estuda literatura, mas sempre observando tecnologia como outsider

  • 🖊️ 1984 – Publica Neuromancer e reinicia o sistema do planeta


🔹 Carreira (ou: quando o terminal ganhou alma)

  • Neuromancer (1984): criou o termo ciberespaço antes da internet comercial existir

  • Count Zero e Mona Lisa Overdrive: completam a trilogia Sprawl

  • Influenciou diretamente: Matrix, Blade Runner (estética), Ghost in the Shell, hackers reais, designers de rede e arquitetos de sistemas

📌 Curiosidade mainframe: Gibson nunca foi um entusiasta técnico. Ele observava tecnologia como um operador desconfiado olhando logs.


🔹 Filosofia Gibsoniana (manual não oficial)

“O futuro já chegou. Só não está igualmente distribuído.”

Para um mainframer, isso soa familiar: sistemas críticos sempre estiveram no futuro enquanto o resto do mundo brincava com GUI.

Gibson entende que:

  • Tecnologia não liberta, ela reorganiza poder

  • Usuários viram extensões do sistema

  • Corporações são ambientes operacionais fechados


🔹 Curiosidades & fofocas de datacenter

  • Gibson escreveu Neuromancer numa máquina de escrever

  • Ele tinha medo de computadores quando inventou o ciberespaço

  • Odeia ser chamado de “profeta”

  • Nunca acreditou que a internet seria “libertadora”

🤫 Fofoquice: enquanto o Vale do Silício vendia utopia, Gibson já via batch jobs sociais esmagando gente comum.


🔹 Dicas de leitura (ordem recomendada para mainframer)

  1. Neuromancer – arquitetura base

  2. Count Zero – integrações corporativas

  3. Mona Lisa Overdrive – legado fora de controle

  4. Pattern Recognition – TI sem sci-fi, só observação fria


🔹 Comentário final Bellacosa

William Gibson é leitura obrigatória para quem trabalha com sistemas que não podem cair. Ele ensina que todo sistema técnico cria um sistema humano paralelo — e geralmente mais perigoso.

🖥️ Se você mantém um mainframe em pé, já vive num mundo que Gibson descreveu.
MAINFRAME MODE: ATIVO.


Trilogia Sprawl (ou Trilogia Neuromancer)
Esta é a trilogia que definiu o gênero cyberpunk. 
  • Neuromancer (1984)
  • Count Zero (Count Zero: História Zero no Brasil) (1986)
  • Mona Lisa Overdrive (1988) 
Trilogia da Ponte (ou Bridge Trilogy)
  • Virtual Light (Luz Virtual no Brasil) (1993)
  • Idoru (1996)
  • All Tomorrow's Parties (Todas as Festas de Amanhã no Brasil) (1999) 
Ciclo Blue Ant (ou Bigend Trilogy)

  • Pattern Recognition (Reconhecimento de Padrões no Brasil) (2003)
  • Spook Country (Território Fantasma no Brasil) (2007)
  • Zero History (História Zero no Brasil) (2010) 


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Marcas, moda e identidade visual

 


Marcas, moda e identidade visual

Pensamentos sobre marcas e costumes, deixo aqui um dump consciente, daqueles feitos sem o acompanhamento de nectar dos deuses, sem mask, sem compress e com RC=verdade.

Sabe uma coisa que me incomoda há tempos — e curiosamente só cresce a cada ano que passa?
Essa necessidade quase compulsiva de ostentar uma marca X ou Y. Não o produto em si, mas o logotipo, o selo, a chancela visual que grita mais alto que qualquer qualidade real. E que muitas vezes nem é original, sendo uma copia feita por alguma oficina obscura ou importado no contrabando da China.

O mais irônico é que, na maioria das vezes, o produto é o mesmo, encontrado em lojas do Brás em São Paulo, mas marca branca. Mesma matéria-prima, mesma linha de produção, muitas vezes fabricado em algum subúrbio pobre, por trabalhadores terceirizados, quarteirizados, invisíveis no job stream da sociedade. A diferença acontece depois: passa por uma sequência de checkpoints, recebe um símbolo da moda, uma etiqueta charmosa, e pronto. Está autorizado a custar dez vezes mais em uma vitrine climatizada de shopping center.

É como pegar um programa COBOL velho de guerra, rodando firme há 40 anos, renomear o módulo, trocar o cabeçalho, colocar uma splash screen bonita e vender como next-gen. A lógica é a mesma, o core é o mesmo, mas o marketing transforma aquilo em fetiche.

No meio desse processo, vamos perdendo algo mais sério: nossa identidade cultural. Vestimos roupas desenhadas em outros países, pensadas para outras realidades, reproduzidas localmente em escala industrial. Antigamente, comprávamos um item pela durabilidade, pelo tecido, pelo corte, pela confiança no fabricante. Hoje, compra-se porque uma pseudocelebridade A ou B apareceu usando aquilo por quinze segundos em um story patrocinado.

Viramos uma legião de bonecos padronizados, quase NPCs, todos vestidos de forma semelhante, ostentando símbolos cujo significado muitos sequer conhecem. Logotipos viram totens. A marca substitui o discurso. O visual vira identidade emprestada. É o VTAM da moda, conectando todo mundo ao mesmo terminal, exibindo a mesma tela.

Às vezes me pergunto:
— Será que estou ficando velho e ranzinza?
— Será que isso é só picuinha por biscoitos?


Pode até ser. Mas a verdade é que sempre fui avesso às modinhas. Sempre me incomodou a ideia de estar vestido igual a todo mundo, quase como se usássemos um uniforme não declarado. Nunca gostei de parecer um clone batch, gerado em massa, sem personalidade.

No meu mundo — talvez antiquado, talvez teimoso — gosto de coisas que tenham história, contexto, propósito. Prefiro algo simples, honesto, funcional, do que um rótulo gritante tentando me vender pertencimento. Pertencer, pra mim, sempre veio de ideias, conversas, memórias e valores — não de uma estampa.

Mas, enfim… é assim que caminha nossa sociedade.
Cada vez mais orientada a branding, menos a conteúdo. Mais fachada, menos estrutura. Muito frontend, pouco backend.



E eu sigo aqui, meio fora do padrão, rodando meu próprio job, talvez em modo legado, mas ainda convicto de que valor de verdade não precisa de logotipo em fonte gigante para existir.

Vendo mais um ano começar, vivenciando o estilo de vida Europeu, a Dolce Vita Italiana e ao mesmo tempo vendo o mundo ruir graças a grande crise de 2008. Lojas fechadas, o numero de turistas diminuindo e uma grande nuvem cinzenta sobre o ar. Detalhe apesar de morar em Milão, costumo ir de trem até Turim, comprar roupas em lojas com preços mais acessiveis e fora das grandes e custosas marcas em Milão.