sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Sobre Homens comuns e seu impacto na vida de um garoto

 


Sobre Homens comuns e seu impacto na vida de um garoto

O HERÓI ORIGINAL DA LINHAGEM BEL LACOSA (E A PERDA DO REFERENCIAL AOS 12)**
Por El Jefe – Bellacosa Mainframe Midnight

Há sempre um momento na vida em que alguém nos serve de bússola.
Quando criança, o mundo é uma constelação simples: pai, mãe, casa, ruas pequenas e a imensidão das histórias contadas na mesa de jantar. Era assim comigo até meus doze anos — quando o divórcio dos meus pais rompeu um eixo silencioso dentro de mim. Perdi o norte. Perdi a figura de referência. E, órfão daquele modelo masculino tão meu, acabei fugindo para um refúgio que muitos meninos daquela era também conheceram: os heróis de fantasia.

Livros, gibis da Abril, filmes da Sessão da Tarde, cavaleiros, samurais, bárbaros, jedis, mutantes, super-sentais e todo tipo de guerreiro improvável passaram a ocupar o espaço que antes era do meu pai.

Mas antes da fantasia, antes da ficção me adotar, existia algo infinitamente mais poderoso:

as histórias que meu pai contava do herói dele — meu bisavô Luigi.

E ali estava o mito fundador da linhagem Bellacosa.



O GIGANTE DE ATIBAIA – O PRIMEIRO “AVATAR” DA FAMÍLIA

Luigi era um gigante de quase dois metros,
olhos azuis de cortar o vento
e aquela força bruta dos napolitanos da velha guarda, que atravessaram o Atlântico sem medo e sem garantia.

Meu pai contava essas histórias com brilho nos olhos e voz cheia, como quem recita epopeia homérica na laje de casa.

E eu, garoto, achava aquilo tudo a coisa mais épica do mundo.

“Seu bisavô tinha um sítio em Atibaia…”
“Caçava no mato com a coragem de dez homens…”
“Virou jogador do Juventus nos anos 20…”
“Foi meter o nariz na política…”
“Trabalhou como adjunto de delegado…”
“Resolviiia tudo no braço, era encrenqueiro, mas justo…”

Era meu primeiro super-herói.
O Batman da Mooca.
O Conan da Quarta Parada.
O Aquiles que tomava Antártica no boteco enquanto olhava de rabo de olho o Palestra Itália — afinal, o irmão era um dos astros.

E eu ria ao imaginar aquele homem enorme, turrão, misturando português e italiano porque simplesmente se recusava a deixar que lhe proibissem sua língua durante a Segunda Guerra. A repressão policial não o dobrava — apenas o irritava.


Já que falei de irritar, isso é outra lenda de família, a bocas miúdas, quase que segredo marcial. Contavam que ele odiava homens que batesse na esposa, consta que na época de sub-delegado. As mulheres iam à delegacia dar queixa de violência domestica. Na madrugada, ele pegava a viatura, como um bom capo chamava uns dois ou três auxiliares, tutti buona genti. Dirigia até a casa do dito cujo, enfiava na viatura, levava num campinho de futebol, la para os lados dos baldios de Sapopemba, dava um belo enxerto de porrada e mandava o individuo tomar jeito, senão aconteceria novamente. Segundo a lenda, muitos que passaram por esse corretivo tomaram jeito na vida, afinal saco na cabeça e porrada no ermo na época eram bons corretivos. 

Era fácil, muito fácil, para um menino de oito, nove, dez anos, olhar para tudo isso e pensar:
“um dia quero ser como esse herói que meu pai tanto admira.”



A MO(O)CA E SUAS FRONTEIRAS MÍTICAS

As histórias sempre tinham um cenário forte:
a Mooca.
A zona italiana.
Aquele caldeirão de imigrantes onde o sotaque vale mais que RG.

Meu pai descrevia a Mooca antiga com quase a mesma reverência que falava do Luigi:

— espanhol cruzava a rua errada, dava briga;
— polonês pisava na zona dos italianos, confusão;
— português cochichava alto demais, pronto, já tinha discussão.

E dentro desse tabuleiro humano, Luigi reinava.
O “carcamano encrenqueiro”, como alguns chamavam — uns amavam, outros odiavam, mas todos respeitavam.

Porque havia homens que eram rocha.
Luigi era um monolito.

E ali estavam as raízes da família Bellacosa fincadas no cimento quente da Mooca.



O DIA EM QUE PERDI O NORTE

Mas então veio o divórcio.
E o menino que queria ser Luigi ficou sem mapa, sem bússola e sem narrativa.

É curioso como o ser humano sempre precisa de um modelo para sobrepor, igualar ou contrariar.
Quando o meu sumiu, entrei no mundo dos heróis de fantasia para tentar preencher aquele vácuo.

E talvez por isso eu tenha enxergado tanto encanto nos personagens que lutam contra o destino, que erram, que quebram, que se levantam, que treinam com espadas imaginárias ou enfrentam monstros mitológicos — porque de alguma forma eles eram ecos do Luigi que meu pai contava.


O HERÓI É A HISTÓRIA QUE SOBREVIVE

Hoje, adulto, percebo uma coisa linda:

Eu não conheci o Luigi pessoalmente no auge.
Mas conheci o olhar do meu pai ao falar dele.
E isso, meu amigo, vale mais que qualquer fotografia antiga.

É nas histórias que sobrevivemos.
É nas memórias que encontramos a bússola perdida.
E é no passado — o nosso passado — que os heróis continuam vivos, gigantes e risonhos, prontos para mais uma briga na Mooca.

A linhagem Bellacosa não nasceu grande — nasceu épica.
E continua assim cada vez que alguém conta, reconta e reaviva esses capítulos.



📜 Tio Queijo e o Reino da Fartura – Crônica de um Menino em visita na Quarta-Parada


 


📜 Tio Queijo e o Reino da Fartura – Crônica de um Menino em visita na Quarta-Parada

Por El Jefe • Bellacosa Mainframe Midnight Edition

Existem memórias que não são apenas lembranças — são fotos Polaroid gravadas na alma, cheirando a naftalina, pão fresco, queijo curado e infância pobre, mas rica no que importa.

Eu cresci numa família onde o dinheiro fazia o mesmo que os JOBs do mainframe:
às vezes rodava; às vezes travava; às vezes sumia na fila de execução.

Era uma vida em ciclos:
30% fartura, 70% aperto — mas sempre com amor o suficiente para ninguém perceber que faltava açúcar no armário ou feijão no saco. A família fazia sua mágica silenciosa. Nos piores momentos, as mãos se estendiam. A união era o “SAVERESTORE” da pobreza.



Mas existiam momentos mágicos, que expandiam o mundo como se eu tivesse entrado num CICS pela primeira vez:


✨ As visitas ao bisavô José no Curaçá
✨ As tardes na casa da Tia-avó Guiomar
✨ O aconchego dos avós Pedro e Anna
✨ O abraço ancestral dos bisavós Francisco e Isabel

✨ As caminhadas com o Tio Rubens

✨ As visitas do carteiro-telegrafista Tio Benício

✨ As idas à casa da avó Alzira em Guaianazes

✨ As visitas na casa da Tia Miriam

✨ As longas viagens a Taubaté para visitar a Tia Deise

✨ As jornadas ao interior para visitar o primo Claudio em Sorocaba e primo Eduardo por onde ele estivesse.

✨ A viagem mais longa, que o clã Wilson Bellacosa indo até o Paraná, estado natal de minha mãezinha

✨ Viagens rumo ao noroeste de São Paulo : São José do Rio Preto, Urupês e Catanduva

Só que havia um lugar que… ah… esse lugar era cheat code da vida.
Era o “God Mode” da infância pobre.
Era o paraíso dos pequenos.

Era a casa do nosso lendário tio-bisavô Arthur.
O homem que, para nós, parecia mais rico que o Mappin.



🏆 O parente lendário: Arthur Dudu, o ex-Palmeiras

Dudu — como os antigos o chamavam — era figura.
Ex-jogador do Palmeiras, dono de imobiliária, presidente de time de futsal lá na Quarta-Parada…
Para nós, crianças, ele era algo entre:

  • Papai Noel,

  • Willy Wonka,

  • e um grande patriarca romano da Mooca.

Ele tinha esse sorriso paternal, aqueles olhos bondosos que brilhavam quando a casa enchia de gente.

E a mesa…
ah, a mesa
ela era um capítulo à parte.



🧀 O “Tio Queijo” e o armário mágico da fartura

A gente o chamava — brincando, mas com amor — de Tio Queijo.
Porque foi lá, naquela casa grande no Belenzinho, que aprendi o que era fartura.

Ele abria a despensa como quem revela um segredo de família.
Um armário gigantesco, que para minhas mãos de menino parecia o cofre do Tio Patinhas:

  • queijos pendurados

  • salames curando

  • frios de todos os tipos

  • goiabadas, pães, manteiga

  • engradados de refrigerante e cerveja

  • e um perfume de fartura que a casa exalava como mil natais juntos

E nós, pequeninos, éramos reis por um dia.
Brincávamos pelos corredores, corríamos no quintal, comíamos como se nunca tivéssemos visto comida na vida — porque, às vezes, não tínhamos mesmo.

Era a prova viva de que riqueza não é dinheiro:
é partilha, mesa cheia, porta aberta.



👨‍👩‍👧‍👦 A constelação Bellacosa do lado leste da cidade

O núcleo familiar era uma constelação cheia de figuras únicas:

  • O bisavô Luigi, sábio e calmo, lá na Vila Alpina

  • Seu irmão, Arthur Dudu, o coração generoso do Belenzinho

  • O primo Dimas, ator de teatro, brilho e cultura na família

  • As irmãs Aracy e Guaraci sempre atenciosas

  • Tios, tias, agregados, compadres, vizinhos — todos parte de um grande dataset afetivo

Cada visita era um snapshot perfeito de alegria.


🎄 Conclusão: a infância pobre, mas rica – muito rica

Olhando agora, percebo como aquelas visitas foram indexadas no meu coração.
Em um tempo onde a vida se dividia entre o pouco e o quase nada,
aquele armário cheio de queijos parecia o paraíso.
O riso do tio, o cheiro da casa, a bagunça feliz dos primos…
tudo isso era a verdadeira riqueza que hoje entendo.

A infância foi humilde, sim.
Mas o amor — esse era abundante.
E nos dias em que íamos ao Belenzinho,
a pobreza tirava folga e deixava a gente brincar em paz.


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Tadashii (正しい): O Kanji da Correção e da Justiça

 


Tadashii (正しい): O Kanji da Correção e da Justiça

Se você já começou a estudar japonês, provavelmente já se deparou com o kanji . Mas quando ele se transforma em 正しい (tadashii), o significado ganha vida e se conecta profundamente com a cultura e a linguagem japonesa. Hoje, no El Jefe, vamos explorar tudo sobre esse kanji: o que ele significa, curiosidades, dicas de uso e alguns detalhes interessantes para você impressionar seus amigos com conhecimento linguístico.

O que é Tadashii?

Tadashii (正しい) é um adjetivo japonês que significa “correto”, “justo”, “verdadeiro” ou “adequado”. Ele é usado tanto para situações objetivas — como respostas certas em uma prova — quanto para comportamentos éticos ou socialmente aceitos.

Exemplos de uso:

  • この答えは正しいです。
    Kono kotae wa tadashii desu.
    Esta resposta está correta.

  • 正しい道を歩む。
    Tadashii michi o ayumu.
    Seguir o caminho correto / justo.

Curiosidades sobre o Kanji 正

  1. Origem e forma: O kanji representa originalmente cinco traços que simbolizam contagem ou correção — como quando você risca linhas para contar. É curioso como esse kanji evoluiu de uma ideia de “contagem correta” para “correção” no sentido moral e factual.

  2. Pronúncias diferentes:

    • On’yomi (leitura chinesa): せい (sei) ou しょう (shō)

    • Kun’yomi (leitura japonesa): ただしい (tadashii)

  3. Expressões comuns:

    • 正直 (shōjiki) — honesto, sincero

    • 正義 (seigi) — justiça

    • 正月 (shōgatsu) — Ano Novo (literalmente “mês correto”)

Dicas de Uso

  • Verifique o contexto: “Tadashii” pode se referir a uma resposta correta, uma conduta ética ou até uma atitude adequada para a situação.

  • Combinação com partículas: É comum aparecer com a partícula です para formalidade: 正しいです (tadashii desu).

  • Como adjetivo: Lembre-se que tadashii é um adjetivo i-adjective, ou seja, termina em “i” e pode ser conjugado: 正しくない (tadashikunai, não é correto) ou 正しかった (tadashikatta, estava correto).

Comentário Cultural

O conceito de tadashii vai além do que está certo ou errado. Na cultura japonesa, muitas vezes ele está ligado à harmonia social e ao respeito às regras. Ou seja, algo “tadashii” é não só factual, mas também adequado ao contexto social. Isso reflete uma mentalidade de equilíbrio e respeito que é muito valorizada no Japão.

Detalhes que Enriquecem seu Estudo

  • Memorizar o kanji pode ser mais fácil se você pensar nele como uma contagem correta: cada traço marcado é um passo em direção à precisão.

  • Combine com outros kanjis para formar palavras poderosas:

    • 正解 (seikai) — resposta correta

    • 正体 (shōtai) — verdadeira identidade

    • 正当 (seitō) — legítimo, justo

Conclusão

Tadashii (正しい) não é apenas “correto” no sentido literal, mas um reflexo da busca japonesa por precisão, justiça e adequação social. Aprender esse kanji vai muito além da tradução: é entender uma pequena parte do pensamento japonês, e isso enriquece qualquer estudo de língua ou cultura.

Se você quiser dominar kanjis importantes, comece pelo 正 — ele é simples, versátil e cheio de significado!

sábado, 12 de setembro de 2015

🧠 Storage Control no CICS

 

CICS Storage Control

🧠 Storage Control no CICS

Onde o estado vive, onde ele morre e onde ele assombra produção

A imagem mostra:

Storage Control → Storage sources
• COMMAREA
• CWA (Common Work Area)
• TWA (Transaction Work Area)

Isso não é teoria.
Isso é onde bugs se escondem.


🧱 Storage Control – o papel do CICS

O Storage Control é o componente do CICS responsável por:

  • Alocar memória

  • Liberar memória

  • Isolar memória entre tasks

  • Proteger o CICS de você (sim, de você)

Tudo no CICS gira em torno de tasks concorrentes compartilhando CPU, mas não memória — salvo quando você pede explicitamente.


📦 COMMAREA

O clássico, o limitado, o abusado

O que é

Área de comunicação passada entre programas via:

  • LINK

  • XCTL

  • RETURN TRANSID

Características

  • 📏 Tamanho máximo: 32 KB

  • 🔁 Passagem explícita

  • ⏱️ Vida curta (dura o fluxo)

  • 🔒 Isolada por task

Quando usar

  • Dados pequenos

  • Estruturas simples

  • Fluxo linear clássico

Pecados capitais

  • Usar COMMAREA como banco de dados

  • Estourar tamanho

  • Reusar layout errado (ASRA clássico)

💀 ABEND típico: ASRA / AEIP


CICS TWA

🧰 TWA – Transaction Work Area

Estado temporário da transação

O que é

Área de memória associada à transação, não ao programa.

Características

  • Criada automaticamente pelo CICS

  • Acessível por qualquer programa da transação

  • Vive até o RETURN final

Quando usar

  • Guardar estado entre múltiplos programas

  • Fluxo pseudo-conversacional simples

Riscos

  • Confundir TWA com COMMAREA

  • Assumir que sobrevive entre transações (não sobrevive)

💡 Boa prática: TWA é “mochila da transação”, não cofre.


CICS CWA

🏛️ CWA – Common Work Area

O templo dos deuses (e dos pecados)

O que é

Área de memória global do CICS Region.

Características

  • Compartilhada por todas as tasks

  • Inicializada no startup

  • Não é isolada

  • Não é protegida

Quando usar (com muito cuidado)

  • Tabelas de controle

  • Flags globais

  • Cache de leitura

Quando NÃO usar

  • Dados de negócio

  • Dados por usuário

  • Qualquer coisa mutável sem controle

☠️ Risco real: corrupção de dados, race condition, caos silencioso.

CWA é poder absoluto — e poder absoluto gera incidentes absolutos.


🚀 CHANNEL & CONTAINER

O CICS moderno, civilizado e escalável

O que são

Substitutos modernos da COMMAREA.

  • CHANNEL → agrupador lógico

  • CONTAINER → estrutura de dados

Características

  • 📏 Tamanho praticamente ilimitado

  • 📦 Estruturas múltiplas

  • 🔄 Tipagem flexível

  • 🧼 Melhor manutenção

  • 🔐 Mais seguro

Quando usar

  • Aplicações modernas

  • Integração

  • Grandes volumes

  • APIs CICS

Comparação rápida

RecursoCOMMAREACHANNEL/CONTAINER
Tamanho32 KBMuito maior
EstruturaÚnicaMúltiplas
ManutençãoDifícilLimpa
FuturoLegadoPresente e futuro

🗺️ Como ler a imagem como um mainframer

A imagem não está falando só de memória.
Ela está dizendo:

“Escolha errado onde guardar estado
e você vai debugar às 3 da manhã.”


🧠 Regra Bellacosa de Ouro

  • COMMAREA → conversa curta

  • TWA → memória da transação

  • CWA → último recurso

  • CHANNEL/CONTAINER → escolha padrão moderna


☕ Comentário El Jefe Midnight Lunch

“CICS não quebra porque é antigo.
Ele quebra porque alguém tratou memória como variável global.”

🔥 Quem entende Storage Control, domina o CICS.


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

🔥 PARTE 3 — Pratos Quentes & Caseiros Otaku

 


🔥 PARTE 3 — Pratos Quentes & Caseiros Otaku

(Ou: o “JOB” que nunca dá ABEND, porque comida quente é o SPOOL da alma.)

Se no Japão a rua tem sua magia, é dentro de casa — no bentô, na cozinha pequena, no jantar simples — que acontece o verdadeiro commit de afeto.
São comidas que aparecem em animes não pela estética, mas porque representam lar, aconchego, cura e aquele warm start do coração.


1. Ramen – O “IPL da alma”

🍜 Quando o protagonista toma um golpe moral, sabe qual é o recovery? Ramen.

Origem: China → Japão, era Meiji.
Base: Caldo (shoyu, miso, tonkotsu), macarrão, ovo, nori, carne.
Por que aparece? Porque é barato, rápido e tem simbolismo:
“Você não está sozinho, coma direito.”
Animes: Naruto, Bleach, Tokyo Ghoul, Durarara!!
Easter Egg: Ichiraku Ramen existe de verdade em Fukuoka (e virou ponto otaku obrigatório).


2. Curry Japonês – O “batch job” perfeito: simples, confiável, delicioso

🍛 É o PF favorito do Japão — curry + arroz = throughput culinário.

Origem: Trazido pela Marinha Britânica no século XIX.
Textura: Espesso, doce-picante, com cenoura, batata e carne.
Por que é tão popular?
→ Fácil de fazer.
→ Serve muita gente (good for bulk loads).
Animes: Shokugeki no Soma, Detective Conan, Steins;Gate.
Curiosidade: Há escolas no Japão que têm curry toda sexta-feira — uma espécie de “Sexta do Deploy”.


3. Katsudon – O prato da VITÓRIA

🥩 Katsu = empanado. Don = tigela. Juntos: o buff +100 determinação.

Origem: Período Meiji.
Simbolismo:
→ “Katsu” soa como “vencer” → prato dos estudantes antes de prova.
Animes: Yuri!!! on Ice, My Hero Academia, Gintama.
Easter Egg: É o prato policial mais famoso do Japão — aparece nas cenas de interrogatório (o clichê do “confesse e te dou um katsudon”).


4. Gyūdon – O “JCL da fome”

🥣 Carne fatiada + arroz = a refeição de quem vive correndo.

Origem: Século XIX.
Sabor: Doce-salgado, com cebola no dashi.
Por que aparece? É literalmente o PF de trabalhador e estudante quebrado.
Animes: Food Wars, Death Note, Silver Spoon.
Curiosidade: Yoshinoya e Sukiya são rivais tão fortes quanto Quadra B vs Quadra C no CECAP.


5. Udon – O macarrão “kernel mode”

🍜 Grossão, macio, reconfortante — tipo abraço quente de vó.

Origem: China → Japão, século IX.
Destaque: Caldo leve, macarrão espesso.
Animes: Boruto, Hanasaku Iroha, Ristorante Paradiso.
Comentário Bellacosa: Slurp barulhento é cultural. No Brasil parece feio. No Japão significa “tô feliz”.


6. Oyakodon – O prato com o nome mais estranho

🐔 Literalmente “Tigela Pai-e-Filho” (frango + ovo). Japão sendo Japão.

Origem: Século XIX.
Ingredientes: Frango, cebola, ovo cremoso sobre arroz.
Simbolismo:
→ Conforto, família, cuidado.
Animes: Shokugeki no Soma, Lucky Star.
Easter Egg: No mundo otaku, é meme desde sempre por causa do nome.


7. Nikujaga – O prato que toda mãe japonesa tem no repertório

🥔 Carne ensopada com batata. O “feijão com arroz” do Japão.

Origem: Inspirado no beef stew britânico.
Sabor: Doce-salgado, suave, nostálgico.
Animes: Clannad, March Comes in Like a Lion, Anohana.
Curiosidade: É considerado teste de “boa esposa” nos dramas antigos — cringe, mas culturalmente real.


8. Tamagoyaki – O omelete OTIMIZADO

🍳 Camadas enroladas de ovo. Tão bonito que parece editado no Photoshop.

Origem: Século XVII.
Uso: Bentô, cafés da manhã, sushi.
Animes: Bungo Stray Dogs, Demon Slayer, Ghibli em geral.
Easter Egg: Em Ghibli, tamagoyaki sempre aparece quando o protagonista está prestes a virar gente grande.


9. Sukiyaki – O prato das festas e encontros importantes

🥘 Carnes finas cozidas à mesa, molho doce, vegetais e tofu.

Origem: Era Edo.
Simbolismo: Reunião, amizade, celebração.
Animes: Working!!, Ranma ½, Fruits Basket.
Comentário: É quase uma feijoada japonesa — não pelo sabor, mas pelo clima social.


10. Oden – O “buffer quente” do inverno japonês

🍢 Rabanete, ovo, tofu, konnyaku, tudo nadando num caldo quente e suave.

Origem: Século XIV.
Sabor: Leve, reconfortante, perfeito pro frio.
Animes: One Piece, Tokyo Revengers, Mob Psycho 100.
Easter Egg: Luffy ama oden — e quem não ama?


11. Bento Caseiro – O pacote .ZIP da comida japonesa

🍱 Tudo organizado, fofo e pensado com carinho — parece JCL bem comentado.

Origem: Século XIII.
Por que é especial nos animes?
→ Demonstra amor ou cuidado.
→ Mostra personalidade (bentôs desastrados são clássicos).
Animes: Kimi ni Todoke, Tonikawa, Your Name.


12. Miso Soup – O “IPL nutritivo” diário

🥣 Sopa de pasta de soja fermentada. Simples, mas identitária.

Origem: Século VIII.
Importância: Presença obrigatória no café da manhã japonês.
Animes: Barakamon, Way of the Househusband, Angel Beats.


13. Nabe (Hot Pot) – Quando junta todo mundo no mesmo caldeirão

🍲 O prato social definitivo.

Origem: Antigo Japão rural.
Função: Aquece o corpo e a relação entre personagens.
Animes: Yuru Camp, Haikyuu!!, Kuroko no Basket.
Easter Egg: Episódios de nabe geralmente fazem o fandom shippar casais.


14. Okonomiyaki – A “panqueca que aceita parâmetros”

🥞 “Okonomi” = do jeito que quiser. “Yaki” = grelhar.

Origem: Hiroshima e Osaka (rivalidade eterna).
Ingredientes: Repolho, massa, carne, queijo, frutos do mar.
Animes: Shokugeki no Soma, Ranma ½, Silver Spoon.
Curiosidade: Hiroshima e Osaka se odeiam por causa da receita — tipo briga de SYS1 e SYS2.


15. Tonjiru – A sopa reforçada dos trabalhadores

🥩 Miso soup turbinada com carne de porco e legumes.

Origem: Pós-guerra.
Sabor: Forte, quente, sustenta mesmo.
Animes: Laid-Back Camp, Ghibli.


domingo, 6 de setembro de 2015

📜 A Latrina de Ibitinga — O Vilão Final do Arc Rural

 


📜 A Latrina de Ibitinga — O Vilão Final do Arc Rural
Ao estilo Bellacosa Mainframe, para o glorioso El Jefe Midnight Lunch.


Ah, Ibitinga
Terra mágica das tanajuras crocantes, do sítio encantado, onde o fusquinha vermelho desafiando estradas sem pavimento, no barro, com buracos, com poeira, onde a comida do forno a lenha tinha gosto de abraço de avó, onde os vaga-lumes piscavam como LEDs de placa-mãe iluminando a noite rural.

Ali, entre galos orgulhosos, galinhas tagarelas, pintainhos confusos e frutas colhidas no pé, o coração da criança pulsava mil aventuras por minuto.
Mas como todo bom enredo — seja anime, HQ, novela mexicana ou crônica mainframe — sempre existe um vilão.

E naquele sítio o vilão tinha nome, cheiro, presença e uma arquitetura digna de Silent Hill Rural Edition:

💀 A Latrina.



🚪 A Cabine do Terror em Madeira Duvidosa

A latrina de Ibitinga era uma estrutura icônica:
uma casinha de madeira simples, meio torta, feita com tábuas que rangiam como portas de dungeon mal lubrificadas.

Ali, no meio do cafezal, parecia um boss final aguardando a vítima entrar:

“Você precisa enfrentar o medo para liberar o buffer interno.”

Podia ter vaga-lume, grilo, galinha, até o galo cantando sinfonias matinais…
Mas pisou na porta da latrina: reset emocional.



🕳️ A Fossa Abissal

A parte inferior da latrina era uma fossa funda, negra, úmida, fedida, viva.

Um verdadeiro poço das trevas, um buraco de RPG com level 99 de toxicidade.
Embaixo, borbulhando, estava o inferno biológico:

O Abismo da Merda.

Se Dante Alighieri tivesse visitado Ibitinga antes de escrever A Divina Comédia,
teria acrescentado esse círculo do inferno, com certeza.

E, sobre esse abismo, sustentando a integridade da missão fisiológica, havia:

🪵 Duas tábuas.

Só isso.
Duas tábuas velhas.
Passadas, empenadas, talvez carcomidas.
Tábuas que pareciam olhar pra você e sussurrar:

“Vai cair, campeão.”



🧎‍♂️ O Ninja Rural: Operação Cocorô

Para executar o famoso número 2, não era simples sentar e contemplar a vida.
Era uma operação de guerra:

  1. Entrar.

  2. Fechar a porta torta.

  3. Ajustar os pés sobre as tábuas suspeitas.

  4. Abaixar-se cuidadosamente.

  5. Encontrar equilíbrio zen.

  6. Rezar para todas as divindades conhecidas e desconhecidas.

  7. Executar o processo sem tremer as pernas.

  8. Torcer para que nada caia (incluindo você).

Era literalmente ficar de cócoras, como um ninja do esgoto, a centímetros de despencar no buraco existencial.

E o medo era real.
Muito real.

Não importava que nunca tivesse acontecido com ninguém.
Na cabeça da criança, havia sempre a possibilidade de:

BREAKPOINT: TÁBUA QUEBRA
FATAL ERROR: MERGULHO EM MERDA
GAME OVER



🎉 O Duplo Prazer da Sobrevivência

O ato era físico, claro.
Mas a vitória era psicológica.
Ao sair da latrina, duas coisas aconteciam ao mesmo tempo:

  1. A alma ficava leve.

  2. O coração celebrava: “Eu sobrevivi!”

Era quase um rito tribal.
Uma iniciação rural.
Um achievement desbloqueado:

“Escapei da Fossa +10 de coragem.”

E, depois disso, tudo voltava à magia:
os grilos, as cigarras, o brilho dos vaga-lumes, as galinhas em fila indiana, a charrete na madrugada com lampião tremulando, o colchão de palha fazendo crec crec, o céu estrelado que mais parecia BIOS gráfico da natureza.

Sim, Ibitinga era quente.
Quente na memória, no coração e no afeto.

Mas nada — absolutamente nada — supera a emoção de ter enfrentado…

A Latrina Maldita do Sítio.


terça-feira, 1 de setembro de 2015

📼 El Jefe Midnight Lunch — Release 1970: ABEND Susto RC=911 🔥💾

 


📼 El Jefe Midnight Lunch — Release 1970: ABEND Susto RC=911 🔥💾
Logs de um sobrevivente do botijão 13kg – Versão Bellacosa Mainframe


Ainda estamos nos anos 1970.
Uma década granulada, cor sépia Kodak, som de Chacrinha ecoando longe e cheiro de Kibon Chicabon derretendo no papel. Eu, pequeno Bellacosa, arquivo vivo em fita magnética, presente naquele sábado na casa de Douglas e sua esposa — amigos dos meus pais, gente boa, riso largo, casa cheia do tipo JES2 lotado em horário de pico.



Homens na mesa com cerveja gelada, mulheres no CICS da cozinha montando o jantar — transação constante, sem timeout.
E nós, as crianças, orbitando como tape drives inquietos, buscando petiscos, travessuras e qualquer oportunidade de rodar um job proibido.

Nada muito incomum.
Seria só mais um encontro normal, desses que o storage da memória arquiva e depois descarta por falta de espaço.



Mas aí aconteceu o evento PQP – Panic Queue Protocol.
E este sim ficou gravado com retenção permanente em HD emocional.


No auge do preparo da janta, o gás do botijão acabou.
Douglas — root user da residência — foi trocar o cilindro. Só que anos 1970 eram um sistema operacional sem patch de segurança, sem ITIL, sem NR nenhuma. Era plug and pray.

E no swap do botijão, a válvula de contenção falhou.

De repente:
gás pressurizado jorrando como um dump em tela verde.
Gritos. Correria. Jobs cancelados. Checkpoints ignorados.
O ambiente virou um SDSF com ABEND em massa.

Meu pai, por instinto, agarrou Vivi e correu para o quintal.
Minha mãe, movida pelo mesmo desespero mas outro raciocínio, me puxou e correu para dentro da casa. Sim, para dentro.

E aqui entra o detalhe arquitetônico brasileiro:
Casa brasileira é máquina de segurança física nível RACF ultra restritivo.
Grades, fechaduras, ferrolhos, trancas.
Tudo pensado para impedir entrada — e sem rollback para saída.



Minha mãe me levou, na melhor das intenções, para uma armadilha perfeita.
Se o gás acendesse… nós dois viraríamos job zombie, sem saída, presos atrás de barras de aço. Um "halt and catch fire" literal.

Mas como você percebe — console ainda online, sessão ativa — o pior não aconteceu.
O botijão era pequeno, 13kg, liberou o inferno por uns 10 minutos, talvez menos, talvez mais — criança conta tempo como CPU sem relógio.
Quando a pressão diminuiu e o risco passou, meu pai entrou, nos resgatou do quarto como herói com override de segurança.

E como era 1970 —
não teve psicólogo, não teve auditoria de segurança, não teve SMS de incidente crítico.



Pegaram outro botijão. Continuaram a cozinhar.
E no final, jantamos todos juntos, rindo, reconstruindo o dump daquele quase-desastre.
Uma história que quase se perdeu no spool da vida, se não fosse pelo evento P-Q-P estampado na memória ROM da infância.

E cá estou.
Bit sobrevivente, bloco íntegro, registro ativo.



Vivo para contar.
E jantar outra vez.

🔥🐇💾
Bellacosa — log registrado, commit efetuado, RC=0 (por milímetros).