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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Sobre Homens comuns e seu impacto na vida de um garoto

 


Sobre Homens comuns e seu impacto na vida de um garoto

O HERÓI ORIGINAL DA LINHAGEM BEL LACOSA (E A PERDA DO REFERENCIAL AOS 12)**
Por El Jefe – Bellacosa Mainframe Midnight

Há sempre um momento na vida em que alguém nos serve de bússola.
Quando criança, o mundo é uma constelação simples: pai, mãe, casa, ruas pequenas e a imensidão das histórias contadas na mesa de jantar. Era assim comigo até meus doze anos — quando o divórcio dos meus pais rompeu um eixo silencioso dentro de mim. Perdi o norte. Perdi a figura de referência. E, órfão daquele modelo masculino tão meu, acabei fugindo para um refúgio que muitos meninos daquela era também conheceram: os heróis de fantasia.

Livros, gibis da Abril, filmes da Sessão da Tarde, cavaleiros, samurais, bárbaros, jedis, mutantes, super-sentais e todo tipo de guerreiro improvável passaram a ocupar o espaço que antes era do meu pai.

Mas antes da fantasia, antes da ficção me adotar, existia algo infinitamente mais poderoso:

as histórias que meu pai contava do herói dele — meu bisavô Luigi.

E ali estava o mito fundador da linhagem Bellacosa.



O GIGANTE DE ATIBAIA – O PRIMEIRO “AVATAR” DA FAMÍLIA

Luigi era um gigante de quase dois metros,
olhos azuis de cortar o vento
e aquela força bruta dos napolitanos da velha guarda, que atravessaram o Atlântico sem medo e sem garantia.

Meu pai contava essas histórias com brilho nos olhos e voz cheia, como quem recita epopeia homérica na laje de casa.

E eu, garoto, achava aquilo tudo a coisa mais épica do mundo.

“Seu bisavô tinha um sítio em Atibaia…”
“Caçava no mato com a coragem de dez homens…”
“Virou jogador do Juventus nos anos 20…”
“Foi meter o nariz na política…”
“Trabalhou como adjunto de delegado…”
“Resolviiia tudo no braço, era encrenqueiro, mas justo…”

Era meu primeiro super-herói.
O Batman da Mooca.
O Conan da Quarta Parada.
O Aquiles que tomava Antártica no boteco enquanto olhava de rabo de olho o Palestra Itália — afinal, o irmão era um dos astros.

E eu ria ao imaginar aquele homem enorme, turrão, misturando português e italiano porque simplesmente se recusava a deixar que lhe proibissem sua língua durante a Segunda Guerra. A repressão policial não o dobrava — apenas o irritava.


Já que falei de irritar, isso é outra lenda de família, a bocas miúdas, quase que segredo marcial. Contavam que ele odiava homens que batesse na esposa, consta que na época de sub-delegado. As mulheres iam à delegacia dar queixa de violência domestica. Na madrugada, ele pegava a viatura, como um bom capo chamava uns dois ou três auxiliares, tutti buona genti. Dirigia até a casa do dito cujo, enfiava na viatura, levava num campinho de futebol, la para os lados dos baldios de Sapopemba, dava um belo enxerto de porrada e mandava o individuo tomar jeito, senão aconteceria novamente. Segundo a lenda, muitos que passaram por esse corretivo tomaram jeito na vida, afinal saco na cabeça e porrada no ermo na época eram bons corretivos. 

Era fácil, muito fácil, para um menino de oito, nove, dez anos, olhar para tudo isso e pensar:
“um dia quero ser como esse herói que meu pai tanto admira.”



A MO(O)CA E SUAS FRONTEIRAS MÍTICAS

As histórias sempre tinham um cenário forte:
a Mooca.
A zona italiana.
Aquele caldeirão de imigrantes onde o sotaque vale mais que RG.

Meu pai descrevia a Mooca antiga com quase a mesma reverência que falava do Luigi:

— espanhol cruzava a rua errada, dava briga;
— polonês pisava na zona dos italianos, confusão;
— português cochichava alto demais, pronto, já tinha discussão.

E dentro desse tabuleiro humano, Luigi reinava.
O “carcamano encrenqueiro”, como alguns chamavam — uns amavam, outros odiavam, mas todos respeitavam.

Porque havia homens que eram rocha.
Luigi era um monolito.

E ali estavam as raízes da família Bellacosa fincadas no cimento quente da Mooca.



O DIA EM QUE PERDI O NORTE

Mas então veio o divórcio.
E o menino que queria ser Luigi ficou sem mapa, sem bússola e sem narrativa.

É curioso como o ser humano sempre precisa de um modelo para sobrepor, igualar ou contrariar.
Quando o meu sumiu, entrei no mundo dos heróis de fantasia para tentar preencher aquele vácuo.

E talvez por isso eu tenha enxergado tanto encanto nos personagens que lutam contra o destino, que erram, que quebram, que se levantam, que treinam com espadas imaginárias ou enfrentam monstros mitológicos — porque de alguma forma eles eram ecos do Luigi que meu pai contava.


O HERÓI É A HISTÓRIA QUE SOBREVIVE

Hoje, adulto, percebo uma coisa linda:

Eu não conheci o Luigi pessoalmente no auge.
Mas conheci o olhar do meu pai ao falar dele.
E isso, meu amigo, vale mais que qualquer fotografia antiga.

É nas histórias que sobrevivemos.
É nas memórias que encontramos a bússola perdida.
E é no passado — o nosso passado — que os heróis continuam vivos, gigantes e risonhos, prontos para mais uma briga na Mooca.

A linhagem Bellacosa não nasceu grande — nasceu épica.
E continua assim cada vez que alguém conta, reconta e reaviva esses capítulos.



📜 Tio Queijo e o Reino da Fartura – Crônica de um Menino em visita na Quarta-Parada


 


📜 Tio Queijo e o Reino da Fartura – Crônica de um Menino em visita na Quarta-Parada

Por El Jefe • Bellacosa Mainframe Midnight Edition

Existem memórias que não são apenas lembranças — são fotos Polaroid gravadas na alma, cheirando a naftalina, pão fresco, queijo curado e infância pobre, mas rica no que importa.

Eu cresci numa família onde o dinheiro fazia o mesmo que os JOBs do mainframe:
às vezes rodava; às vezes travava; às vezes sumia na fila de execução.

Era uma vida em ciclos:
30% fartura, 70% aperto — mas sempre com amor o suficiente para ninguém perceber que faltava açúcar no armário ou feijão no saco. A família fazia sua mágica silenciosa. Nos piores momentos, as mãos se estendiam. A união era o “SAVERESTORE” da pobreza.



Mas existiam momentos mágicos, que expandiam o mundo como se eu tivesse entrado num CICS pela primeira vez:


✨ As visitas ao bisavô José no Curaçá
✨ As tardes na casa da Tia-avó Guiomar
✨ O aconchego dos avós Pedro e Anna
✨ O abraço ancestral dos bisavós Francisco e Isabel

✨ As caminhadas com o Tio Rubens

✨ As visitas do carteiro-telegrafista Tio Benício

✨ As idas à casa da avó Alzira em Guaianazes

✨ As visitas na casa da Tia Miriam

✨ As longas viagens a Taubaté para visitar a Tia Deise

✨ As jornadas ao interior para visitar o primo Claudio em Sorocaba e primo Eduardo por onde ele estivesse.

✨ A viagem mais longa, que o clã Wilson Bellacosa indo até o Paraná, estado natal de minha mãezinha

✨ Viagens rumo ao noroeste de São Paulo : São José do Rio Preto, Urupês e Catanduva

Só que havia um lugar que… ah… esse lugar era cheat code da vida.
Era o “God Mode” da infância pobre.
Era o paraíso dos pequenos.

Era a casa do nosso lendário tio-bisavô Arthur.
O homem que, para nós, parecia mais rico que o Mappin.



🏆 O parente lendário: Arthur Dudu, o ex-Palmeiras

Dudu — como os antigos o chamavam — era figura.
Ex-jogador do Palmeiras, dono de imobiliária, presidente de time de futsal lá na Quarta-Parada…
Para nós, crianças, ele era algo entre:

  • Papai Noel,

  • Willy Wonka,

  • e um grande patriarca romano da Mooca.

Ele tinha esse sorriso paternal, aqueles olhos bondosos que brilhavam quando a casa enchia de gente.

E a mesa…
ah, a mesa
ela era um capítulo à parte.



🧀 O “Tio Queijo” e o armário mágico da fartura

A gente o chamava — brincando, mas com amor — de Tio Queijo.
Porque foi lá, naquela casa grande no Belenzinho, que aprendi o que era fartura.

Ele abria a despensa como quem revela um segredo de família.
Um armário gigantesco, que para minhas mãos de menino parecia o cofre do Tio Patinhas:

  • queijos pendurados

  • salames curando

  • frios de todos os tipos

  • goiabadas, pães, manteiga

  • engradados de refrigerante e cerveja

  • e um perfume de fartura que a casa exalava como mil natais juntos

E nós, pequeninos, éramos reis por um dia.
Brincávamos pelos corredores, corríamos no quintal, comíamos como se nunca tivéssemos visto comida na vida — porque, às vezes, não tínhamos mesmo.

Era a prova viva de que riqueza não é dinheiro:
é partilha, mesa cheia, porta aberta.



👨‍👩‍👧‍👦 A constelação Bellacosa do lado leste da cidade

O núcleo familiar era uma constelação cheia de figuras únicas:

  • O bisavô Luigi, sábio e calmo, lá na Vila Alpina

  • Seu irmão, Arthur Dudu, o coração generoso do Belenzinho

  • O primo Dimas, ator de teatro, brilho e cultura na família

  • As irmãs Aracy e Guaraci sempre atenciosas

  • Tios, tias, agregados, compadres, vizinhos — todos parte de um grande dataset afetivo

Cada visita era um snapshot perfeito de alegria.


🎄 Conclusão: a infância pobre, mas rica – muito rica

Olhando agora, percebo como aquelas visitas foram indexadas no meu coração.
Em um tempo onde a vida se dividia entre o pouco e o quase nada,
aquele armário cheio de queijos parecia o paraíso.
O riso do tio, o cheiro da casa, a bagunça feliz dos primos…
tudo isso era a verdadeira riqueza que hoje entendo.

A infância foi humilde, sim.
Mas o amor — esse era abundante.
E nos dias em que íamos ao Belenzinho,
a pobreza tirava folga e deixava a gente brincar em paz.


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Tadashii (正しい): O Kanji da Correção e da Justiça

 


Tadashii (正しい): O Kanji da Correção e da Justiça

Se você já começou a estudar japonês, provavelmente já se deparou com o kanji . Mas quando ele se transforma em 正しい (tadashii), o significado ganha vida e se conecta profundamente com a cultura e a linguagem japonesa. Hoje, no El Jefe, vamos explorar tudo sobre esse kanji: o que ele significa, curiosidades, dicas de uso e alguns detalhes interessantes para você impressionar seus amigos com conhecimento linguístico.

O que é Tadashii?

Tadashii (正しい) é um adjetivo japonês que significa “correto”, “justo”, “verdadeiro” ou “adequado”. Ele é usado tanto para situações objetivas — como respostas certas em uma prova — quanto para comportamentos éticos ou socialmente aceitos.

Exemplos de uso:

  • この答えは正しいです。
    Kono kotae wa tadashii desu.
    Esta resposta está correta.

  • 正しい道を歩む。
    Tadashii michi o ayumu.
    Seguir o caminho correto / justo.

Curiosidades sobre o Kanji 正

  1. Origem e forma: O kanji representa originalmente cinco traços que simbolizam contagem ou correção — como quando você risca linhas para contar. É curioso como esse kanji evoluiu de uma ideia de “contagem correta” para “correção” no sentido moral e factual.

  2. Pronúncias diferentes:

    • On’yomi (leitura chinesa): せい (sei) ou しょう (shō)

    • Kun’yomi (leitura japonesa): ただしい (tadashii)

  3. Expressões comuns:

    • 正直 (shōjiki) — honesto, sincero

    • 正義 (seigi) — justiça

    • 正月 (shōgatsu) — Ano Novo (literalmente “mês correto”)

Dicas de Uso

  • Verifique o contexto: “Tadashii” pode se referir a uma resposta correta, uma conduta ética ou até uma atitude adequada para a situação.

  • Combinação com partículas: É comum aparecer com a partícula です para formalidade: 正しいです (tadashii desu).

  • Como adjetivo: Lembre-se que tadashii é um adjetivo i-adjective, ou seja, termina em “i” e pode ser conjugado: 正しくない (tadashikunai, não é correto) ou 正しかった (tadashikatta, estava correto).

Comentário Cultural

O conceito de tadashii vai além do que está certo ou errado. Na cultura japonesa, muitas vezes ele está ligado à harmonia social e ao respeito às regras. Ou seja, algo “tadashii” é não só factual, mas também adequado ao contexto social. Isso reflete uma mentalidade de equilíbrio e respeito que é muito valorizada no Japão.

Detalhes que Enriquecem seu Estudo

  • Memorizar o kanji pode ser mais fácil se você pensar nele como uma contagem correta: cada traço marcado é um passo em direção à precisão.

  • Combine com outros kanjis para formar palavras poderosas:

    • 正解 (seikai) — resposta correta

    • 正体 (shōtai) — verdadeira identidade

    • 正当 (seitō) — legítimo, justo

Conclusão

Tadashii (正しい) não é apenas “correto” no sentido literal, mas um reflexo da busca japonesa por precisão, justiça e adequação social. Aprender esse kanji vai muito além da tradução: é entender uma pequena parte do pensamento japonês, e isso enriquece qualquer estudo de língua ou cultura.

Se você quiser dominar kanjis importantes, comece pelo 正 — ele é simples, versátil e cheio de significado!

terça-feira, 15 de setembro de 2015

💣🔥 QUANDO O BUSHIDO RODOU EM MODO CRUZ: O SAMURAI QUE NEGOU O SISTEMA — E EXECUTOU A FÉ EM PRODUÇÃO 🔥💣

 

Bellacosa Mainframe apresenta o Samurai Catolico

💣🔥 QUANDO O BUSHIDO RODOU EM MODO CRUZ: O SAMURAI QUE NEGOU O SISTEMA — E EXECUTOU A FÉ EM PRODUÇÃO 🔥💣

⚔️ O caso mais improvável da história japonesa: samurais católicos

Se você acha que já viu tudo no Japão feudal… segura essa:

No meio de um sistema altamente fechado, hierárquico e baseado no bushido, surge um “patch externo” vindo do Ocidente: o cristianismo. E não foi só um “teste em ambiente DEV”… ele chegou a rodar em produção real — com samurais, daimyos e até generais convertidos.

Esses caras ficaram conhecidos como Kirishitan (cristãos japoneses).

E entre todos… um nome brilha como um verdadeiro job que nunca abortou:

👉 Justo Takayama Ukon


🧠 Contexto histórico (ou: quando o sistema abriu porta TCP pro Ocidente)

Tudo começa quando missionários portugueses (principalmente jesuítas como Francisco Xavier) chegam ao Japão no século XVI.

O Japão estava em modo:

  • ⚔️ Guerra constante (Período Sengoku)
  • 🧩 Fragmentado politicamente
  • 💰 Aberto a comércio externo

Resultado?

👉 O cristianismo entra como:

  • Nova ideologia
  • Nova aliança política
  • E… sim… até estratégia de poder

Alguns daimyos adotaram a fé não só por crença… mas por vantagem geopolítica (acesso a armas de fogo, comércio com Portugal etc).


⚔️ Justo Takayama Ukon — o samurai que não deu rollback na fé

Agora entra o cara que parece script de filme… mas é real.

🧬 Quem foi ele?

  • Daimyo (senhor feudal)
  • Samurai de alto nível
  • Convertido ao cristianismo ainda jovem
  • Nome cristão: Justo

💣 O diferencial?

Ele não usou a fé como “feature opcional”.

👉 Ele fez commit total.


☠️ O conflito: sistema japonês vs sistema cristão

Quando Toyotomi Hideyoshi e depois Tokugawa Ieyasu perceberam o crescimento do cristianismo, acionaram o alerta:

🚨 “Isso aqui pode quebrar o controle do sistema.”

Motivos:

  • Influência estrangeira
  • Lealdade fora do imperador/shogun
  • Crescimento rápido demais

👉 Resultado: perseguição pesada


💣 O momento crítico (ou: quando pediram pra ele deletar a própria fé)

Ukon recebeu a ordem:

“Renuncie ao cristianismo… ou perca tudo.”

E aqui vem o ponto que quebra qualquer lógica “corporativa”:

Ele escolhe:

  • ❌ Perder terras
  • ❌ Perder status
  • ❌ Perder poder
  • ❌ Perder tudo

Mas…

👉 NÃO renuncia à fé

Isso é literalmente um:

IF (fé == verdadeira)
IGNORAR status, poder, riqueza
ENDIF

🚢 Exílio — o deploy final fora do Japão

Ele acaba exilado para Manila, nas Filipinas.

E aqui vem mais um detalhe brutal:

👉 Ele morre pouco tempo depois de chegar

Mas…

  • Morre respeitado
  • Morre firme na decisão
  • Morre como símbolo

✝️ Beatificação — o reconhecimento tardio

Séculos depois, ele é reconhecido oficialmente pela Igreja Católica:

👉 Beatificado em 2017

Ou seja:

💣 O cara que foi “expulso do sistema” virou referência global de fé e integridade


🧠 Curiosidades (easter eggs nível Bellacosa)

🥷 1. Samurai + cristão = conflito filosófico pesado

Bushido dizia:

  • Lealdade absoluta ao senhor

Cristianismo dizia:

  • Lealdade absoluta a Deus

👉 Ukon escolheu o “nível mais alto da stack”


🔫 2. Muitos samurais cristãos usavam armas de fogo

Porque vinham dos portugueses

👉 Sim… cristianismo no Japão veio junto com:

  • Mosquetes
  • Comércio
  • Tecnologia

⛪ 3. Nagasaki virou quase um “cluster cristão”

Durante um tempo, era praticamente:
👉 A “capital cristã” do Japão


🕵️ 4. Cristãos escondidos (Kakure Kirishitan)

Após perseguições:

  • Praticavam fé em segredo
  • Misturavam símbolos budistas e cristãos
  • Criaram “criptografia religiosa”

👉 Um verdadeiro obfuscation espiritual


⚔️ 5. Ukon nunca liderou rebelião

Diferente de outros…

👉 Ele escolheu resistência silenciosa
👉 Nada de guerra
👉 Só coerência

Isso é raro até hoje.


🧩 Leitura Bellacosa Mainframe

Esse caso não é só história.

É arquitetura de decisão.

👉 Ukon mostra que:

  • Nem todo sistema aceita rollback
  • Nem toda perda é falha
  • Nem todo sucesso é ganho

E principalmente:

💣 Existem valores que não podem ser parametrizados


🔥 Conclusão provocativa

Se o Japão feudal fosse um mainframe…

👉 Ukon foi o processo que:

  • Não seguiu o padrão
  • Não aceitou override
  • Não respondeu ao operador

E mesmo assim…

👉 Nunca caiu


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

💣🔥 “CORRUPTED BLOOD” — QUANDO UM MMORPG VIRou UM INCIDENTE DE PRODUÇÃO GLOBAL

 

Bellacosa Mainframe um bug ou experimento social? Corrupted Blood no World Warcraft

💣🔥 “CORRUPTED BLOOD” — QUANDO UM MMORPG VIRou UM INCIDENTE DE PRODUÇÃO GLOBAL


🎮 O cenário do “incidente”

Em 2005, dentro do universo de World of Warcraft, um evento aparentemente “local” saiu completamente do controle: a praga “Corrupted Blood”, criada para ser um debuff limitado ao boss Hakkar the Soulflayer na dungeon Zul’Gurub.

👉 Era para ser simples:

  • Um efeito temporário
  • Contido dentro da raid
  • Removido após sair da área

💥 Só que… alguém “quebrou a lógica do sistema”.


🧪 O BUG que virou pandemia

Aqui entra o clássico caso de falha de boundary + persistência indevida de estado:

🔎 O que aconteceu:

  • Jogadores levaram pets infectados para fora da raid
  • O debuff continuava ativo nos pets (estado não limpo ❌)
  • Ao invocar o pet em cidades → BOOM 💣
  • NPCs também foram infectados (e não morriam → super-spreaders 😱)

Resultado:

🧬 Uma epidemia virtual não controlada
🏙️ Cidades como Stormwind viraram zonas de quarentena
☠️ Jogadores low-level morriam instantaneamente


🧠 Análise estilo Bellacosa Mainframe

Se isso fosse um ambiente z/OS, o diagnóstico seria direto:

📊 Problema raiz

  • Falta de isolamento transacional
  • Estado persistente fora do escopo previsto
  • Ausência de validação de contexto (raid vs mundo aberto)

🧩 Tradução para mainframe:

Isso aqui é praticamente:

  • Um JOB batch que deveria rodar isolado
  • Mas vaza dados para produção online (CICS)
  • E ainda deixa registros contaminados no DB2 😬

💣 Resultado:
👉 “Contaminação sistêmica de ambiente”


🧬 O mais INSANO: comportamento humano real

O evento ficou tão caótico que chamou atenção de cientistas!

Pesquisadores analisaram o caso como modelo de epidemia real. E o que apareceu?

🧠 Tipos de comportamento:

  • 👨‍⚕️ “Curandeiros” → ajudavam infectados
  • 🏃 “Fugitivos” → corriam para áreas remotas
  • 😈 “Griefers” → espalhavam de propósito
  • 🤷 “Negacionistas” → ignoravam o risco

Isso virou estudo sério em epidemiologia 😳
Sim… um BUG virou laboratório científico.


🧨 O equivalente em produção real

Imagina isso no mundo corporativo:

  • Um erro em validação de contexto
  • Um estado persistente indevido
  • Um “objeto” que propaga erro automaticamente

👉 Você não tem um bug…
👉 Você tem um efeito cascata sistêmico

No mainframe seria algo como:

  • RACF liberando acesso indevido
  • CICS replicando erro entre regiões
  • MQ espalhando mensagem contaminada

💀 Resultado: incidente nível “SEV1 global”


🧠 Lições de arquitetura (OURO PURO)

🔥 1. Nunca confie no escopo lógico — valide tecnicamente
🔥 2. Estado precisa ser limpo (stateless sempre que possível)
🔥 3. NPCs = processos batch sem controle → perigo extremo
🔥 4. Usuário SEMPRE vai explorar edge cases
🔥 5. Sistemas complexos geram comportamento emergente


☕ Conclusão no estilo Bellacosa

“Corrupted Blood” não foi só um bug…

Foi:

💣 Um teste de caos não planejado
🧠 Um experimento social real
🧬 Um estudo de arquitetura distribuída
🚨 Um alerta brutal sobre sistemas complexos


🚀 Frase final

👉 “O sistema não quebrou… ele só executou exatamente o que ninguém previu.”


domingo, 13 de setembro de 2015

🧠 Structured Programming (Dijkstra) — A Revolução Silenciosa que Salvou o Software

 

Bellacosa Mainframe fala sobre o legado Dijkstra : Structured Programming

🧠 Structured Programming (Dijkstra) — A Revolução Silenciosa que Salvou o Software

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Nos primórdios da programação, escrever código era mais parecido com montar uma gambiarra elétrica do que com engenharia. Fios cruzados, saltos imprevisíveis e um único erro podia derrubar tudo. Foi nesse caos que surgiu uma ideia simples — e revolucionária:

💡 Programas deveriam ser estruturados, previsíveis e compreensíveis.

O nome por trás dessa virada?


👉 Edsger W. Dijkstra — um dos maiores gênios da computação.


🏛️ Antes da Revolução: O Velho Oeste do Código

Nos anos 50 e início dos 60:
  • Programas eram gigantescos blocos lineares

  • Cheios de saltos incondicionais

  • Manutenção era um pesadelo

  • Bugs eram quase impossíveis de rastrear

O principal culpado? 😈

👉 O famigerado GOTO

Um comando que dizia:

“Pare o que está fazendo e vá executar ali no meio do programa.”

Resultado: o famoso spaghetti code 🍝


💣 A Carta que Mudou Tudo

Em 1968, Dijkstra publicou uma carta histórica:

👉 “Go To Statement Considered Harmful”

Essa publicação virou um terremoto intelectual na área.

Ele não estava apenas criticando um comando — estava propondo uma nova forma de pensar software.


🧱 O Conceito Central: Programas Devem Ter Estrutura

Structured Programming defende que todo programa pode ser construído usando apenas três estruturas de controle:

1️⃣ Sequência

Executar instruções na ordem.

A
B
C

2️⃣ Seleção (Decisão)

IF condição
A
ELSE
B
END-IF

3️⃣ Iteração (Repetição)

WHILE condição
A
END-WHILE

💡 Só isso. Sem saltos caóticos.


🏗️ O Impacto no Mainframe

https://i.ebayimg.com/images/g/UP4AAOSwjTlnBJCl/s-l1200.png
Folha de Codificacao COBOL
https://www.leapwork.com/hs-fs/hubfs/Blog%20Images/MicrosoftTeams-image.png?height=329&name=MicrosoftTeams-image.png&width=329
Terminal 3270
https://attachment.tapatalk-cdn.com/2988/202003/14238_34a44305c61df33e1c21eb07e30ba66d.png
Programa COBOL

Structured Programming influenciou diretamente:

  • COBOL moderno (COBOL-74 em diante)

  • Pascal (projetado para ensino estruturado)

  • C

  • Ada

  • praticamente todas as linguagens posteriores

No COBOL, surgiram práticas como:

  • PERFORM estruturado

  • END-IF, END-PERFORM

  • eliminação de GO TO sempre que possível

💬 Nos ambientes corporativos, isso foi decisivo para sistemas críticos sobreviverem décadas.


☕ Comentário Bellacosa Mainframe

Se você já abriu um programa legado cheio de:

GO TO ERRO-999
GO TO SAIDA
GO TO VOLTA-LOOP
GO TO TRATA-ABEND

Você sabe exatamente por que Dijkstra virou uma lenda 😅

Structured Programming não é frescura acadêmica.

👉 É o que permite um sistema bancário rodar 40 anos sem colapsar.


🕵️ Curiosidades e Bastidores

🧩 1) Dijkstra odiava computadores “bagunçados”

Ele acreditava que programação deveria ser uma disciplina matemática rigorosa.

Chegou a dizer que:

“Testar pode mostrar a presença de bugs, nunca sua ausência.”


✍️ 2) Ele escrevia à mão

Sim — muitos de seus algoritmos eram desenvolvidos no papel antes de qualquer implementação.


🧮 3) Também criou o algoritmo de caminho mínimo

👉 O famoso Algoritmo de Dijkstra, base de roteamento e GPS.


🧨 4) Nem todo mundo gostou da crítica ao GOTO

Programadores da época reagiram com:

  • indignação

  • sarcasmo

  • artigos contra

  • debates acalorados

Hoje parece óbvio. Na época, foi uma guerra cultural.


🐣 Easter Egg Mainframe

Mesmo em sistemas altamente estruturados…

👉 GO TO nunca morreu completamente.

Em COBOL legado, ele aparece como:

  • fuga de erro

  • tratamento de exceções improvisado

  • controle de fluxo antigo

  • patches históricos

É o equivalente ao:

“Não encoste nisso que está funcionando.”


🤫 Fofoquice Histórica

Dijkstra não gostava de popularização excessiva da programação.

Ele acreditava que:

👉 nem todos deveriam programar
👉 programação é atividade intelectual profunda
👉 más práticas se espalham rápido demais

Hoje, com milhões de devs no mundo… imagine o que ele diria 😄


🚀 Por que isso ainda importa HOJE?

Structured Programming é a base de:

  • Clean Code

  • Arquitetura de Software

  • Boas práticas corporativas

  • Programação orientada a objetos

  • Sistemas críticos

  • Segurança e confiabilidade

Sem essa revolução, software moderno seria inviável.


✅ Conclusão

Structured Programming não é apenas um capítulo da história.

👉 É o alicerce invisível de praticamente todo software sério já escrito.

No mundo mainframe, especialmente, ela foi a diferença entre:

💀 sistemas incontroláveis
e
🏦 infraestruturas que sustentam economias inteiras

sábado, 12 de setembro de 2015

🧠 Storage Control no CICS

 

CICS Storage Control

🧠 Storage Control no CICS

Onde o estado vive, onde ele morre e onde ele assombra produção

A imagem mostra:

Storage Control → Storage sources
• COMMAREA
• CWA (Common Work Area)
• TWA (Transaction Work Area)

Isso não é teoria.
Isso é onde bugs se escondem.


🧱 Storage Control – o papel do CICS

O Storage Control é o componente do CICS responsável por:

  • Alocar memória

  • Liberar memória

  • Isolar memória entre tasks

  • Proteger o CICS de você (sim, de você)

Tudo no CICS gira em torno de tasks concorrentes compartilhando CPU, mas não memória — salvo quando você pede explicitamente.


📦 COMMAREA

O clássico, o limitado, o abusado

O que é

Área de comunicação passada entre programas via:

  • LINK

  • XCTL

  • RETURN TRANSID

Características

  • 📏 Tamanho máximo: 32 KB

  • 🔁 Passagem explícita

  • ⏱️ Vida curta (dura o fluxo)

  • 🔒 Isolada por task

Quando usar

  • Dados pequenos

  • Estruturas simples

  • Fluxo linear clássico

Pecados capitais

  • Usar COMMAREA como banco de dados

  • Estourar tamanho

  • Reusar layout errado (ASRA clássico)

💀 ABEND típico: ASRA / AEIP


CICS TWA

🧰 TWA – Transaction Work Area

Estado temporário da transação

O que é

Área de memória associada à transação, não ao programa.

Características

  • Criada automaticamente pelo CICS

  • Acessível por qualquer programa da transação

  • Vive até o RETURN final

Quando usar

  • Guardar estado entre múltiplos programas

  • Fluxo pseudo-conversacional simples

Riscos

  • Confundir TWA com COMMAREA

  • Assumir que sobrevive entre transações (não sobrevive)

💡 Boa prática: TWA é “mochila da transação”, não cofre.


CICS CWA

🏛️ CWA – Common Work Area

O templo dos deuses (e dos pecados)

O que é

Área de memória global do CICS Region.

Características

  • Compartilhada por todas as tasks

  • Inicializada no startup

  • Não é isolada

  • Não é protegida

Quando usar (com muito cuidado)

  • Tabelas de controle

  • Flags globais

  • Cache de leitura

Quando NÃO usar

  • Dados de negócio

  • Dados por usuário

  • Qualquer coisa mutável sem controle

☠️ Risco real: corrupção de dados, race condition, caos silencioso.

CWA é poder absoluto — e poder absoluto gera incidentes absolutos.


🚀 CHANNEL & CONTAINER

O CICS moderno, civilizado e escalável

O que são

Substitutos modernos da COMMAREA.

  • CHANNEL → agrupador lógico

  • CONTAINER → estrutura de dados

Características

  • 📏 Tamanho praticamente ilimitado

  • 📦 Estruturas múltiplas

  • 🔄 Tipagem flexível

  • 🧼 Melhor manutenção

  • 🔐 Mais seguro

Quando usar

  • Aplicações modernas

  • Integração

  • Grandes volumes

  • APIs CICS

Comparação rápida

RecursoCOMMAREACHANNEL/CONTAINER
Tamanho32 KBMuito maior
EstruturaÚnicaMúltiplas
ManutençãoDifícilLimpa
FuturoLegadoPresente e futuro

🗺️ Como ler a imagem como um mainframer

A imagem não está falando só de memória.
Ela está dizendo:

“Escolha errado onde guardar estado
e você vai debugar às 3 da manhã.”


🧠 Regra Bellacosa de Ouro

  • COMMAREA → conversa curta

  • TWA → memória da transação

  • CWA → último recurso

  • CHANNEL/CONTAINER → escolha padrão moderna


☕ Comentário El Jefe Midnight Lunch

“CICS não quebra porque é antigo.
Ele quebra porque alguém tratou memória como variável global.”

🔥 Quem entende Storage Control, domina o CICS.