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domingo, 16 de fevereiro de 2020

🍷 O Vinho Licoroso do Padre – o santo fermento dos botecos e sacristias

 


🍷 O Vinho Licoroso do Padre – o santo fermento dos botecos e sacristias
por El Jefe – Bellacosa Mainframe / Crônicas da Ressaca Sagrada

Há expressões que parecem inocentes, mas guardam histórias mais espirituosas que a própria bebida.
Vinho licoroso do padre” é uma dessas.
Um nome que soa respeitoso, quase litúrgico — mas que, na prática, era o primeiro passo do fiel rumo ao pecado da ressaca.

Vamos destrinchar esse clássico com o respeito (e ironia) que ele merece.


1. Origem: o vinho que atravessou a missa e foi parar no boteco
O “vinho licoroso” é, tecnicamente, um vinho fortificado — ou seja, um vinho ao qual se adiciona álcool (geralmente aguardente vínica) para aumentar o teor alcoólico e conservar melhor.
É o mesmo princípio do Porto e do Jerez.

Nos tempos coloniais e até boa parte do século XX, o Brasil importava ou produzia versões simples desse vinho para uso religioso — principalmente para missas.
A Igreja Católica precisava de algo doce, encorpado, estável e barato, que resistisse bem ao calor tropical sem azedar antes da comunhão.

E assim nasciam vinhos como o São Roque, Dom Bosco, Sangue de Boi, Canção e outros tantos “santos fermentos” nacionais.
Todos vinhos de cor rubi escura, adocicados e fortes — entre 16 e 18 graus alcoólicos —, usados não só pelo padre no cálice da missa, mas também pelo povo... no cálice de boteco.


🍇 2. A transubstanciação etílica – do altar ao balcão
O “vinho do padre” começou a circular fora da sacristia ainda nos anos 50 e 60, quando os fiéis descobriam que aquele vinho docinho, vendido em garrafa de litro com rótulo católico, era perfeito para adoçar o espírito nas tardes frias de São Paulo.

Nasceu ali um dos bordões mais espirituosos da malandragem paulistana:

“Hoje vou tomar o vinho do padre — porque o do boteco é mais forte que o da missa.”

E assim, nos bares da Mooca, do Brás, da Penha e da Lapa, o vinho licoroso ganhou seu novo altar: o balcão de madeira gasta.
Servido em copo americano, acompanhado de queijo minas ou mortadela, ele virou o drink dos humildes e dos nostálgicos.


🩸 3. O apelido e as lendas urbanas
O nome “vinho licoroso do padre” nasceu de duas referências:

  • A origem religiosa (era realmente usado em celebrações católicas).

  • O gosto doce e intenso, que parecia coisa de missa, mas “batizado” com o dobro do álcool.

E como toda boa história brasileira, há lendas:
Dizem que alguns padres mais espertos produziam suas próprias versões caseiras, “um pouco mais encorpadas para as celebrações de domingo”.
Outros juram que o nome surgiu num boteco do Brás, quando um freguês perguntou:

“Que vinho é esse?”
E o balconista respondeu:
“É o do padre — pra abençoar o fígado.”


📜 4. O vinho do povo simples
Nos anos 70 e 80, o vinho licoroso virou símbolo de um Brasil analógico e sem frescura.
Era o vinho de domingo, o que acompanhava frango assado, macarronada e rádio AM.
O que o pobre podia comprar e chamar de “vinho fino”.
Uma taça de Sangue de Boi na mesa era o equivalente proletário de um Romanée-Conti — só que com muito mais sinceridade e menos pretensão.

Os rótulos religiosos ajudavam na mística.
“Dom Bosco”, “Canção”, “São Francisco”, “Santa Felicidade” — todos pareciam bênçãos engarrafadas, mesmo quando deixavam o beato de joelhos na segunda-feira.


🍷 5. Curiosidades e bugs culturais

  • O “vinho licoroso do padre” foi muito usado como base para batidas caseiras, especialmente com leite condensado e canela.

  • No interior paulista, alguns bares misturavam o vinho com soda limonada, criando o lendário “vinho frisante do povo”.

  • E reza a lenda (sem trocadilho) que em certas paróquias do interior, os fiéis levavam a própria garrafa para a missa, para “garantir a comunhão mais intensa”.


🧠 6. Filosofia de balcão – a moral etílica
O vinho licoroso do padre é a prova líquida de que o sagrado e o profano compartilham o mesmo tonel.
É doce, mas não inocente.
É simples, mas cheio de camadas — como a alma paulistana.
É o drink da conciliação: entre fé e festa, entre missa e boteco, entre o altar e o balcão.

Como diria o Bellacosa:

“Há quem encontre Deus no vinho.
E há quem encontre o vinho no caminho até Deus.”


Dica do El Jefe para os padawans nostálgicos:
Quer reviver a experiência?
Compre uma garrafa de Dom Bosco licoroso, sirva gelado no copo americano e escute um vinil do Agnaldo Rayol ou um tape do Demônios da Garoa.
Mas atenção: esse vinho é traiçoeiro.
Ele entra rezando... e sai cantando.


🕯️ Bellacosa Mainframe – onde até o altar tem balcão e o debug é feito com vinho doce.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

📬 “Cartas ao Mar” — o verão de 1991 e o amor que viajava em envelopes

 


💌✨ Post Bellacosa Mainframe / El Jefe Midnight Lunch Edition

📬 “Cartas ao Mar” — o verão de 1991 e o amor que viajava em envelopes


Existem memórias que não se apagam — apenas ficam guardadas no spool do coração, esperando o comando certo pra serem impressas outra vez.
Verão de 1991, Praia Grande, São Paulo.
O som das ondas misturado com o apito do picolé Chica-Bon, o cheiro de protetor solar misturado com maresia, e o vento trazendo aquela promessa que só os amores de verão sabem fazer: a de durar pra sempre… mesmo que o sempre dure apenas até o próximo janeiro.

Foi ali que apareceu elaClaudiane Peres, de Catanduva.
Cabelos ao vento, sorriso de pôr do sol, e aquele jeito tímido de quem dizia muito sem precisar falar nada.
Entre beijinhos roubados, sorvete de casquinha, e passeios de mãos dadas no calçadão, o tempo parecia suspenso — uma versão analógica do amor, sem filtros nem notificações.




💌 O tempo das cartas

Quando as férias acabaram, a maré levou cada um de volta ao seu porto.
Mas a história não se dissolveu — virou papel, tinta e selo.
Era o tempo do namoro por correspondência, aquele ritual sagrado que fazia o coração bater mais forte só de ouvir o carteiro gritar:

“Cooorreiooo!”

A expectativa era um misto de ansiedade e doçura.
Abrir o envelope era quase abrir o peito: o cheiro do papel, a letra dela, as palavras redondas e carinhosas, o “até logo” escrito com esperança.
Depois vinha o outro ritual — responder.
Caprichar na letra, escolher o envelope mais bonito, passar perfume (sim, perfume!), e caminhar até a agência dos Correios, coração em overclock, imaginando a carta cruzando estradas, cidades e saudades.


⏳ A lentidão bonita

Hoje tudo é instantâneo: mensagens que atravessam o mundo em segundos.
Mas naquela época, o amor tinha latência de semanas — e era justamente isso que o tornava especial.
Cada carta era um checkpoint emocional, um snapshot da alma de dois adolescentes tentando entender o tempo.
A espera era parte da magia.

Com o tempo, claro, as cartas foram rareando.
Vieram as provas, os empregos, os compromissos, os desencontros.
Até que um dia o carteiro deixou de gritar seu nome, e a caixa de correio ficou muda.
Mas o coração… o coração guardou backup.


🌅 Trinta anos depois

Hoje, em 2020, o verão ainda tem o mesmo cheiro salgado da Praia Grande.
Você passa pelo mesmo calçadão e quase pode ver o reflexo de dois jovens caminhando lado a lado.
O tempo apagou as pegadas, mas não o arquivo de memória.
E fica aquela pergunta que ecoa suave, entre uma onda e outra:

“Será que a Claudiane casou?
Teve filhos? Netos?
Será que às vezes ela também pensa naquele verão?”

Talvez sim, talvez não.
Mas o importante é que houve.
Houve aquele amor simples, sincero, que cabia em duas páginas de papel almaço e um selo de 50 cruzeiros.


🕯️ Filosofia de balcão do El Jefe

O amor de carta é o COBOL dos sentimentos — antigo, mas confiável.
Demora pra compilar, mas quando roda, grava tudo na fita da memória.
E enquanto houver lembrança, sempre haverá um E SE… flutuando no ar, suave como o vento do mar em 1991.


📮 Dica de El Jefe:
Se um dia achar uma carta antiga numa gaveta, não jogue fora.
Leia.
Sinta.
Ali mora um pedaço do que você foi — e talvez do que ainda é.

“Cartas são como conchas: simples por fora, mas cheias de oceano por dentro.” 🌊💙

 

Crônica – O Sobrado da Tia Guiomar e a Descoberta do Telefone

 


Crônica – O Sobrado da Tia Guiomar e a Descoberta do Telefone

Voltar para a Vila Rio Branco é como abrir um álbum de figurinhas antigas: cada página tem cheiro, voz, textura.
E numa dessas páginas mora um castelo — o sobrado da Tia-Avó Guiomar.

Guiomar, irmã da minha vó Alzira, formava com o Tio Francisco e os primos Silas, Noemi e Mirian aquela parte da família que, para os olhos de dois pequenos aventureiros, parecia viver num outro nível de existência. Eram a “parte rica”, como diziam os adultos, mas para mim e para a Vivi, aquilo significava apenas mais magia por metro quadrado.

O sobrado tinha escadas enormes, corredores que pareciam passagens secretas e um brilho diferente — talvez fosse da cera no chão, talvez fosse da fartura que parecia morar ali. Porque, olha… as mesas da Tia Guiomar!
Cada visita era um banquete digno de chefão final de fase. A gente mal chegava e já via os pratos alinhados, cheiro de bolo, carne assando, suco fresco… E sempre, sempre alguém dizendo: “Come mais um pouquinho, menino.”

E eu comia, claro.
Por educação.
(E porque era tudo maravilhoso.)

Mas havia algo ainda mais impressionante naquela casa. Algo que, para um garoto no final dos anos 70, era praticamente tecnologia alienígena.


O telefone.

Sim, senhor(a). UM TELEFONE.
Daqueles com fio, disco giratório e um som que parecia abrir um portal interdimensional.

Era raro, raríssimo.
No Brasil daquela época, a tal da Telesp tinha o “Plano de Expansão”. Você pagava e… esperava. E esperava. E esperava mais um pouco. E só então, anos depois, recebia a linha telefônica. Era quase como ganhar um dragão adestrado pelo correio.

Mas a Tia Guiomar… ah, ela já tinha o dela.
E aquilo me fascinava.



Eu passava horas ligando para o Disque-Historinha – 200-1234, aquele número mítico onde vozes mágicas contavam contos infantis direto para o ouvido de um menino encantado. Ligava para parentes, ligava para ninguém, ligava só para ouvir o disco girando e o click da conexão.

Era o ápice da tecnologia.
E eu, pequenino, me senti pela primeira vez um viajante intergaláctico, conversando com mundos distantes através de um aparelho fixado na parede.

Enquanto isso, o Tio Francisco, pastor da Assembleia de Deus e homem que ajudou a construir trilhos e estações do metrô de São Paulo com as próprias mãos, me ouvia. Com uma paciência bíblica, respondia minhas enxurradas de porquês. E olha que eu era um tagarela nível hard… daqueles que só param quando o sono vence.

Entre uma bronca suave e um ensinamento cristão, ele dividia histórias de vida, fé, trabalho e coragem. Para mim, era como ouvir parábolas modernas.

Noemi, a prima sempre risonha, era a guardiã das nossas aventuras internas.
A Vivi e eu corríamos de um canto ao outro, inventando mundos, criando monstros imaginários nos corredores, fingindo que o sobrado era um gigantesco castelo medieval — e ela vinha junto, rindo, guiando, às vezes tentando conter a bagunça e às vezes incentivando ainda mais.

Cada visita terminava com aquela sensação boa de tarde bem vivida.
O dia rendia, a barriga saía cheia, o coração aquecido, e a cabeça… a cabeça saía com mais histórias, mais perguntas, mais descobertas.

E o telefone.
Ah, o telefone.
Era como se, só de olhar para ele, eu visse o futuro chegando devagarinho — um futuro onde tudo seria conectado, rápido, pulsante.
Ali, naquele sobrado, eu aprendi que tecnologia não é só máquina — é encantamento, é poder falar com o distante, é encurtar mundos.



E uma história começava a ser contada só pra você.

Era bruxaria.
Era ficção científica.
Era o topo da pirâmide tecnológica dos anos 70.

Além disso, havia o êxtase supremo: falar com outros parentes pelo telefone.
Ouvir a voz deles, distante, viajando pelos fios metálicos, chegando até meu ouvido…
Era como magia industrial.

Virou um símbolo.

Do carinho da família.
Do luxo simples dos anos 70.
Da primeira vez que um menino descobriu o futuro dentro de um aparelho eletro-mecânico com um disco de plástico giratório e montes de fiozinhos de cobre.

E até hoje, quando fecho os olhos, ainda consigo ouvir o trrrrr-trrrrr da discagem, anunciando que a aventura ia começar.

Aquela casa era magica. Eu e Vivi corríamos pelo sobrado, inventando castelos e reinos, brigando, rindo, criando caos. Sempre acompanhados pela Noemi, com um sorriso enorme, olhando pra nós como quem cuida de dois pequenos monstros adoráveis — nossos “Onis de Vila Rio Branco”.

E assim, entre escadas, corredores, sermões, risadas, pratos cheios e aquele telefone que parecia abrir portais, a casa da Tia Guiomar se tornou mais do que uma lembrança.



Hoje, quando fecho os olhos, o som do disco girando ainda ecoa.
O corredor continua iluminado.
O cheiro da comida sobe do fogão.
E eu ainda sou aquele menino curioso, com a mão no telefone, descobrindo o tamanho do mundo.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

BAKENEKO (化け猫) O Gato Sobrenatural do Folclore Japonês

 

Bellacosa Mainframe e o gato matreiro Bakeneko

BAKENEKO (化け猫)

O Gato Sobrenatural do Folclore Japonês

"Quando a lua ilumina os telhados das antigas aldeias japonesas e o silêncio cobre os campos de arroz, dizem que alguns gatos deixam de ser apenas animais. Eles observam os humanos com olhos antigos, compreendem palavras que jamais deveriam entender e, após décadas de existência, tornam-se algo diferente. Algo que pertence ao mundo dos yōkai. Assim nasce o Bakeneko."


Introdução

Entre todas as criaturas do folclore japonês, poucas são tão fascinantes quanto o Bakeneko (化け猫), literalmente "gato transformado" ou "gato monstruoso". Durante séculos, histórias sobre gatos capazes de assumir forma humana, lançar maldições, controlar os mortos e provocar fenômenos sobrenaturais circularam por todo o Japão.

O Bakeneko não é apenas uma lenda isolada. Ele representa o profundo respeito e temor que os japoneses antigos nutriam pelos gatos. Enquanto no Ocidente os gatos frequentemente eram associados à bruxaria, no Japão eles se tornaram protagonistas de um vasto conjunto de histórias sobrenaturais.

Hoje, o Bakeneko continua vivo na cultura popular, aparecendo em animes, mangás, videogames, filmes e obras de fantasia.


Origem do Nome

A palavra Bakeneko é formada por:

  • 化け (Bake) = transformar-se, metamorfosear-se

  • 猫 (Neko) = gato

Portanto, Bakeneko significa:

"Gato que se transformou"

ou

"Gato metamórfico".

O termo está ligado ao conceito japonês de yōkai (妖怪), criaturas sobrenaturais que habitam o imaginário do país há centenas de anos.


Classificação Mitológica

Categoria:

  • Yōkai (妖怪)

Subcategoria:

  • Kaibyō (怪猫) – gatos sobrenaturais

Alinhamento tradicional:

  • Neutro

  • Imprevisível

  • Ocasionalmente maligno

Habitat:

  • Casas antigas

  • Templos abandonados

  • Vilas rurais

  • Florestas próximas a assentamentos humanos

Origem:

  • Japão Feudal


A História dos Gatos no Japão

Os gatos chegaram ao Japão vindos da China por volta do século VI.

Inicialmente eram animais extremamente valiosos.

Sua função principal era proteger:

  • Manuscritos budistas

  • Pergaminhos

  • Estoques de arroz

contra ratos.

Por serem raros, os gatos eram associados à nobreza e aos mosteiros.

Com o passar dos séculos, sua inteligência, comportamento misterioso e hábitos noturnos fizeram surgir inúmeras superstições.

Os japoneses acreditavam que:

  • Gatos viam espíritos.

  • Gatos compreendiam a linguagem humana.

  • Gatos possuíam alma.

  • Gatos podiam absorver energia sobrenatural.

Essas crenças abriram caminho para o nascimento do mito do Bakeneko.


Como Surge um Bakeneko?

As lendas variam conforme a região, mas geralmente um gato torna-se um Bakeneko quando:

Vive muitos anos

Algumas histórias falam de:

  • 13 anos

  • 20 anos

  • 30 anos

de idade.

Cresce excessivamente

Quanto maior o gato, maior seu poder espiritual.

Possui cauda longa

Acreditava-se que a cauda acumulava energia sobrenatural.

Recebe energia espiritual

Conviver por muito tempo com humanos poderia despertar poderes ocultos.


Aparência

O Bakeneko pode assumir várias formas.

Forma Felina

Aparência semelhante a um gato comum, porém:

  • Muito maior

  • Olhos brilhantes

  • Presença assustadora

  • Movimentos quase humanos


Forma Humana

Uma das habilidades mais famosas.

O Bakeneko pode assumir a forma de:

  • Jovens mulheres

  • Idosos

  • Servos

  • Nobres

Muitas histórias contam sobre pessoas que descobriram tarde demais que conviviam com um gato disfarçado.


Forma Monstruosa

Algumas lendas descrevem:

  • Gatos gigantes

  • Corpos cobertos por chamas fantasmagóricas

  • Olhos vermelhos

  • Dentes afiados


Poderes Sobrenaturais

Metamorfose

O poder mais famoso.

O Bakeneko pode:

  • Assumir forma humana

  • Imitar vozes

  • Copiar comportamentos


Necromancia

Em algumas regiões do Japão acreditava-se que o Bakeneko podia:

  • Reanimar cadáveres

  • Controlar mortos

  • Possuir corpos humanos

Essa é uma das características mais assustadoras do mito.


Maldições

O Bakeneko pode lançar:

  • Doenças

  • Azar

  • Acidentes

  • Desgraças familiares


Controle Mental

Algumas histórias afirmam que ele pode:

  • Hipnotizar humanos

  • Criar ilusões

  • Manipular memórias


Fogo Fantasma

Diversas lendas descrevem:

  • Chamas azuis

  • Fogo espiritual

  • Esferas luminosas

conhecidas como hitodama.


Fala Humana

Muitos relatos antigos afirmam que os Bakeneko:

  • Conversavam

  • Cantavam

  • Recitavam poemas

durante a noite.


A Dança dos Bakeneko

Uma das imagens mais famosas do folclore japonês mostra gatos dançando.

Segundo antigas histórias:

Durante a madrugada, os Bakeneko:

  • Vestiam roupas humanas

  • Dançavam sobre duas patas

  • Cantavam músicas estranhas

Esses eventos eram considerados sinais de que um gato havia ultrapassado os limites naturais.


A Lenda de Nabeshima

A mais famosa história de Bakeneko.

O Contexto

Durante o período Edo, surgiu uma história envolvendo o clã Nabeshima.

Segundo a lenda:

Uma mulher da corte possuía um gato extremamente inteligente.

Após sua morte misteriosa, o animal teria:

  • Matado uma serva

  • Assumido sua aparência

  • Infiltrado-se no castelo

Durante anos ninguém percebeu a troca.


O Terror no Castelo

O falso humano começou a:

  • Manipular nobres

  • Causar doenças

  • Provocar mortes inexplicáveis

Até que um guerreiro percebeu comportamentos estranhos.

Após investigar, descobriu que o responsável era um Bakeneko.


O Confronto

O samurai enfrentou o monstro.

Depois de uma batalha intensa:

  • O disfarce foi quebrado.

  • O gato revelou sua forma verdadeira.

  • O castelo foi libertado.

Essa história tornou-se uma das mais famosas narrativas sobrenaturais do Japão.


Relação com o Nekomata

Muitas pessoas confundem:

  • Bakeneko

  • Nekomata

Embora sejam semelhantes, existem diferenças.

Bakeneko

  • Qualquer gato transformado.

  • Possui poderes variados.

  • Forma mais ampla do mito.

Nekomata

  • Evolução mais poderosa.

  • Possui duas caudas.

  • Associado à necromancia avançada.

Em muitas regiões, o Nekomata é considerado um Bakeneko que continuou evoluindo.


Existe Culto ao Bakeneko?

Diferentemente de divindades japonesas, o Bakeneko não possui um culto oficial amplamente estabelecido.

No entanto, existem locais associados a lendas de gatos sobrenaturais.


Prefeitura de Saga

A região de Saga é famosa pela lenda do Bakeneko Nabeshima.

Muitos visitantes exploram locais ligados à história.


Templos Relacionados a Gatos

Diversos templos japoneses mantêm:

  • Estátuas felinas

  • Cemitérios de gatos

  • Homenagens a animais

embora não sejam dedicados especificamente ao Bakeneko.


Gotokuji

Um dos templos mais famosos relacionados a gatos.

É associado ao Maneki-neko.

Embora não seja dedicado ao Bakeneko, frequentemente aparece em discussões sobre mitologia felina japonesa.


Simbolismo

O Bakeneko representa:

O Desconhecido

Os gatos nunca foram completamente compreendidos pelos humanos.


O Limite Entre Mundos

Ele transita entre:

  • Animal

  • Humano

  • Espírito


O Poder Oculto

Simboliza forças invisíveis que podem despertar com o tempo.


Curiosidades Fascinantes

Os Gatos Eram Temidos à Noite

No Japão feudal, muitas pessoas evitavam encarar gatos durante a madrugada.


A Cauda Longa Inspirou Medo

Acreditava-se que quanto maior a cauda, mais energia espiritual ela armazenava.


Surgimento do Bobtail Japonês

Alguns estudiosos sugerem que a popularidade dos gatos de cauda curta pode ter sido influenciada pelo medo das histórias de Bakeneko.


O Bakeneko Pode Ser Bondoso

Nem todas as histórias o retratam como maligno.

Alguns:

  • Protegem famílias

  • Expulsam espíritos

  • Trazem prosperidade


Bakeneko na Cultura Popular

O mito continua extremamente popular.


Animes em que Aparece

Mononoke (2007)

Data de lançamento:

12 de julho de 2007

O arco inicial apresenta uma poderosa entidade felina relacionada aos Bakeneko.

Considerado um dos retratos mais famosos do mito.


GeGeGe no Kitarō

Primeira versão:

1968

Diversos Bakeneko aparecem ao longo das décadas.


Natsume Yuujinchou

2008

Apresenta diversos yōkai felinos inspirados em Bakeneko.


Yo-kai Watch

2014

Possui criaturas inspiradas em gatos sobrenaturais japoneses.


The Morose Mononokean

2016

Explora yōkai tradicionais, incluindo seres inspirados em Bakeneko.


Ayakashi: Samurai Horror Tales

2006

Uma das obras modernas mais importantes sobre folclore japonês.


Inu x Boku SS

2012

Possui referências a espíritos felinos metamórficos.


Kyousougiga

2013

Apresenta elementos derivados de lendas de gatos sobrenaturais.


Mangás

O Bakeneko aparece frequentemente em:

  • GeGeGe no Kitarō

  • Nura: Rise of the Yokai Clan

  • xxxHolic

  • Nurarihyon no Mago

  • Touhou Mangás derivados


Videogames

Nioh

2017

Possui criaturas baseadas em yōkai felinos.


Nioh 2

2020

Expande a presença de entidades inspiradas em Bakeneko.


Yokai Watch

Série iniciada em 2013.


Shin Megami Tensei

Vários jogos incluem criaturas derivadas do mito.


Persona

Referências indiretas ao folclore felino aparecem em diversos títulos.


Como Reconhecer um Bakeneko Segundo as Lendas

Os antigos japoneses acreditavam que um gato poderia ser sobrenatural se:

  • Caminhasse sobre duas patas.

  • Observasse pessoas por longos períodos.

  • Demonstrasse inteligência incomum.

  • Parecesse compreender conversas.

  • Surgisse repetidamente em sonhos.


Dicas para Pesquisadores de Folclore

Se você deseja estudar o Bakeneko:

Leia sobre o Período Edo

Grande parte das lendas surgiu nessa época.

Estude os Yōkai

O Bakeneko faz parte de um sistema maior de criaturas sobrenaturais.

Compare com Outras Culturas

Existem paralelos interessantes com:

  • Bastet (Egito)

  • Cait Sith (Escócia)

  • Gatos familiares de bruxas europeias


Comentários Finais

O Bakeneko permanece como uma das figuras mais intrigantes do folclore japonês. Ele é ao mesmo tempo assustador e fascinante, monstruoso e elegante, perigoso e protetor.

Sua lenda atravessou séculos porque toca um sentimento universal: a sensação de que os gatos escondem algo além daquilo que vemos.

Quem convive com gatos sabe que, às vezes, eles observam cantos vazios da casa, reagem a sons inexistentes e parecem compreender muito mais do que demonstram.

Talvez seja exatamente por isso que o mito do Bakeneko nunca desapareceu.

No imaginário japonês, quando um gato vive tempo suficiente, acumula experiências suficientes e atravessa o véu entre o mundo humano e o espiritual, ele deixa de ser apenas um animal.

Ele se torna uma lenda.

E essa lenda atende pelo nome de Bakeneko (化け猫). 🐈‍⬛🌙👁️


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Shindo Renmei uma história oculta pós-guerra no Brasil.

 Meu pai foi hostilizados pelos Shindo Renmei

Um líder de comunidade em Garça no interior de São Paulo, foi perseguido e ameaçado por membros deste grupo, 1º de Janeiro de 1946 num discurso antes do início de uma partida de basebol. Foi o começo do fim, no dia seguinte esse homem foi marcado como traidor pelos membros da comunidade e teve que abandonar seu armazém de secos e molhados.

Um pouco de história, devido ao isolacionismo, a distância entre Brasil e Japão e os meios de comunicação ineficientes da década de 40 do seculo passado, muitos japoneses não acreditavam no final da guerra e a derrota do Japão na 2ª Grande Guerra Mundial. Por isso surgiu um grupo que negava a derrota, propagando que era invencionice dos aliados para minar a moral das pessoas, estes grupos se armaram e começaram a atacar pessoas que diziam o contrário. A comunidade de imigrantes japoneses no Brasil acabou sendo dividida em duas facções: Kachigumi: - os vitoristas, eram aqueles que acreditavam que a guerra continuava ou que tinha havido a vitória do Japão. Nem todos foram simpatizantes das ações da Shindo Renmei. Era constituído pelas pessoas mais pobres da comunidade e que ainda desejavam o retorno. Eram os mais numerosos. Makegumi: - os derrotistas, pejorativamente chamados de "corações sujos", eram os que acreditavam na derrota japonesa. Formavam o grupo mais próspero da colônia, eram melhor informados e melhor adaptados ao Brasil. Neste vídeo temos o orgulho de ouvir em primeira pessoa um relato sobre aqueles dias e suas consequências para as famílias. #Itatiba #CamaraMunicipal #Palestra #HIroshima #Nagasaki #TributoAPaz #Garça #Testemunho #Palestra #ShindoRenmei #GuerraMundial #Explosao #NUclear #Nuke #Assassinato #Politico



sábado, 25 de janeiro de 2020

☕🔥 ABENDs Clássicos do Mainframe IBM — O Guia de Sobrevivência

 

Bellacosa Mainframe revisando a lista classica de abends no mundo ibm mainframe



☕🔥 ABENDs Clássicos do Mainframe IBM — O Guia de Sobrevivência

🔥 S013 — Dataset/Dataset Member Problem

O que significa

Erro de OPEN em dataset.

Causas comuns

  • BLKSIZE incorreto

  • RECFM incompatível

  • Membro inexistente em PDS

  • DCB incompatível

Clássico cenário COBOL

//ARQENT DD DSN=MEU.PDS(MEMBROX),DISP=SHR

Mas o membro não existe.


🔥 S0C1 — Operation Exception

“O programa tentou executar lixo como instrução”

Causas comuns

  • Programa compilado errado

  • Overlay de memória

  • Chamada para área inválida

  • Executar dados como código

Muito comum em:

  • COBOL

  • Assembler

  • LINK incorreto


🔥 S0C4 — Protection Exception

O terror absoluto do programador COBOL

Significa

Acesso inválido à memória.

Principais causas

  • Subscript fora do limite

  • Ponteiro inválido

  • LINKAGE SECTION errada

  • Buffer não inicializado

Exemplo clássico

MOVE TAB-ITEM(9999) TO WS-CAMPO

Quando a tabela só vai até 100.


🔥 S0C7 — Data Exception

O ABEND mais famoso do COBOL

Significa

Campo numérico contém dado inválido.

Exemplo

MOVE 'ABC' TO WS-VALOR-NUM
ADD 1 TO WS-VALOR-NUM

💥 S0C7.


🔥 S213 — Dataset Não Encontrado

“O dataset simplesmente não existe”

Causas

  • DSNAME errado

  • Dataset não catalogado

  • VOL=SER incorreto

Mensagem clássica

IEC143I 213-04

🔥 S222 — Job Cancelado

Operador matou o job

Geralmente ocorre por:

  • Loop infinito

  • Job travado

  • Consumo excessivo

  • Cancel manual


🔥 S322 — TIMEOUT

“Seu job passou do tempo”

Clássico:

TIME=1

Mas o programa entra em loop.


🔥 S806 — Module Not Found

O loader não encontrou o programa

Causas

  • STEPLIB errada

  • LOADLIB ausente

  • Nome do módulo incorreto

Mensagem típica

CSV003I REQUESTED MODULE NOT FOUND

🔥 S913 — RACF Security Violation

Segurança negou acesso

Causas

  • Dataset protegido

  • Falta de permissão RACF

  • Usuário sem READ/UPDATE

Muito comum em:

  • Produção

  • Db2

  • CICS

  • GDGs corporativos


🔥 B37 / D37 / E37 — Falta de Espaço

B37

Sem espaço secundário suficiente.

D37

Sem secondary allocation.

E37

Acabaram as extents ou a fita.

Clássico JCL

SPACE=(CYL,(1,0))

💥 Dataset cresce → ABEND D37.


☕ Curiosidade Histórica

A palavra:

ABEND

vem de:

ABnormal END

Ou seja:

“Término Anormal”

Esse termo nasceu nos primeiros sistemas IBM OS/360 e virou parte da cultura mainframe mundial.


🔥 Os 5 ABENDs Mais Temidos da História do COBOL

ABENDApelido
S0C7Data Exception
S0C4Protection Exception
S806Module Not Found
S322Timeout
S913RACF Security

☕ Dica Profissional Mainframe

Quando houver ABEND:

SEMPRE analisar:

  1. JESMSGLG

  2. JESJCL

  3. SYSMSG

  4. SYSOUT

  5. Dump

  6. CEEDUMP (LE)

  7. Abend-AID / Fault Analyzer


🔥 Regra de Ouro do Mainframe

O ABEND raramente é o problema.

Ele é apenas:

“O sintoma do problema.”

O verdadeiro erro normalmente aconteceu:

  • antes,

  • em outro módulo,

  • ou em dados corrompidos anteriormente.


sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Viagem rumo a São Tomé das Letras - MG

Dirigindo pelo sul de Minas Gerais,


Seguindo os passos de antigos bandeirantes, estamos circulando pela Rodovia Fernão Dias, rumo a mistica cidade dos gnomos, duendes e ovnis.

Neste primeiro vídeo de nossa jornada, apresento algumas estradas que circulamos passamos por inúmeras localidades, estamos na pequena estrada de 3 Corações, posteriormente iremos subir rumo a São Tomé das Letras.

Passando pelo Portal Magico adentramos na cidade e chegamos ao Camping do CID, onde iremos passar a virada de ano e aproveitar para explorar um pouquinho de São Tome.

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