| Bellacosa Mainframe e um teoria sobre o desuso dos fluxogramas |
☕💥 Por que os Fluxogramas Caíram em Desuso?
Ou como um Padawan COBOL descobriu que o vilão não era o losango, mas a pressa do mercado
A resposta curta é:
Fluxogramas não morreram.
Eles foram substituídos, fragmentados, escondidos dentro de outras ferramentas e vítimas da pressão por velocidade de entrega.
E isso aconteceu por vários motivos.
1. O software ficou monstruosamente grande
Na década de 70, um programa COBOL típico poderia ter:
2.000 linhas
5 arquivos
20 IFs
Um fluxograma cabia em duas folhas.
Já um sistema bancário atual pode possuir:
35.000 linhas COBOL
120 tabelas DB2
50 programas chamados
MQ
CICS
Webservices
Kafka
APIs
z/OS Connect
Imagine desenhar isso.
Seriam dezenas de páginas.
Exemplo:
Login
↓
Menu
↓
Consulta
↓
CICS
↓
COBOL
↓
DB2
↓
MQ
↓
API PIX
↓
Anti-fraude
↓
Core Banking
Vira praticamente uma planta industrial.
2. O Waterfall perdeu força
Antigamente.
Projeto:
Meses de análise
Meses de desenho
Meses documentação
Meses codificação
Hoje:
Sprint
5 dias
10 dias
Deploy
Produção
No Agile.
Muitos pensam:
"Melhor codar do que desenhar."
E aí morre o fluxograma.
3. UML roubou espaço
Anos 90.
Chega UML.
E aparece:
Use Case
Sequence Diagram
Activity Diagram
Class Diagram
State Diagram
Activity Diagram praticamente é.
Fluxograma Premium™.
Exemplo.
Login
↓
Validar
↓
[Conta válida]
↓
Consultar
Mesmo conceito.
Outra roupa.
4. Ferramentas BPM surgiram
Hoje temos:
Camunda
IBM BPM
ServiceNow
Power Automate
Bizagi
Você não desenha.
Você modela.
Exemplo.
Fluxograma clássico.
Solicitar Crédito
↓
Análise
↓
Gerente
↓
Compliance
Camunda.
Já executa.
Workflow vivo.
5. Código passou a ser documentação
Essa é a maior mudança cultural.
Dev moderno diz:
O código é a documentação.
Exemplo.
EVALUATE STATUS
WHEN 1
PERFORM INSERIR
WHEN 2
PERFORM ALTERAR
WHEN 3
PERFORM EXCLUIR
WHEN OTHER
CONTINUE
END-EVALUATE
Ele acredita que isso basta.
Analista antigo pensa:
"Sim."
"Mas eu levei 15 segundos olhando um desenho."
"Você levou 20 minutos lendo o programa."
😂
6. CASE Tools fracassaram
Anos 80.
Grande promessa.
Desenhar.
Gerar COBOL.
Ferramentas.
IEF
CoolGen
Pacbase
Excelerator
ADW
Promessa:
Desenhe.
Clique.
Compile.
Realidade.
Sistema gerado.
Gigantesco.
Difícil manutenção.
Mercado perdeu confiança.
7. Diagramas ficaram desatualizados
Problema clássico.
Fluxograma.
Lindo.
Aprovado.
Programador faz:
Mais 10 IFs.
Mais 5 EVALUATE.
Mais 2 SELECT.
Ninguém atualiza.
Diagrama.
Versão 2017.
Código.
Versão 2026.
Caos.
8. O Git substituiu parte da documentação
Hoje.
Git.
Pull Request.
Merge.
Comentários.
Exemplo.
PR-4523
Adicionada regra PIX noturno
Muitos usam isso.
Como histórico.
9. A geração atual prefere ferramentas visuais modernas
Antigamente.
Visio
PowerPoint
Papel
Caneta
Hoje.
Miro
Draw.io
LucidChart
Figma
Mesmo conceito.
Nova embalagem.
Mas Mainframe ainda ama fluxogramas
Aqui está a grande ironia.
No mundo Mainframe.
Fluxogramas nunca morreram.
Estão escondidos.
CICS
Mapas BMS
Fluxo PF3
PF5
ENTER
Batch
Arquivos
Balance Line
Merge
DB2
Cursores
Commit
Rollback
VSAM
READ
REWRITE
DELETE
JES2
JOB
STEP
COND
RC
Exemplo real
Imagine receber.
Programa:
FINA0321
42 mil linhas.
Criado.
Autor.
Aposentado.
Documentação.
Zero.
Você abre.
PERFORM P0010
PERFORM P0020
PERFORM P0030
PERFORM P0040
O que faz?
Ninguém sabe.
Você desenha.
START
↓
LER VSAM
↓
CLIENTE EXISTE?
◇
SIM
↓
ATUALIZA DB2
↓
GERA RELATÓRIO
NÃO
↓
INCLUI DB2
↓
END
Em 10 minutos.
Entendeu o programa.
Então por que deveríamos voltar a usar?
Porque ele resolve problemas caros.
Comunicação
Analista
Desenvolvedor
Tester
Usuário
Todos entendem.
Onboarding
Padawan COBOL chega.
Primeiro dia.
Recebe.
Fluxograma.
Aprende.
Em horas.
Sem.
Fluxograma.
Leva semanas.
Auditoria
Banco Central
SOX
PCI
LGPD
Adoram.
Fluxos.
Engenharia Reversa
Legados.
Sem documentação.
Fluxograma é ouro.
Minha visão para o Mainframe moderno
Eu diria que o fluxograma não morreu.
Ele evoluiu.
Hoje ele reaparece como:
Activity Diagram
BPMN
Camunda
Miro
Draw.io
Mermaid
Workflow IBM BPM
State Machines
Fluxos conversacionais
Orquestração de APIs
Pipelines DevOps
Mas para nós, habitantes do Reino IBM Z, existe uma verdade quase filosófica:
Um fluxograma bem desenhado é a forma mais rápida de transformar 30 mil linhas de COBOL em uma história compreensível.
O compilador entende COBOL. O ser humano entende narrativas. O fluxograma é a ponte entre os dois.
— Bellacosa Mainframe ☕💥🚀
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