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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Capítulo 10 — Por Que Tantas Previsões Erraram?

Bellacosa Mainframe e por que tantas previsões erraram ?

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Capítulo 10 — Por Que Tantas Previsões Erraram?

O Maior Erro Não Foi Subestimar o Hardware. Foi Esquecer que Empresas São Feitas de Regras de Negócio.

Uma análise sobre o verdadeiro patrimônio das organizações: décadas de regras de negócio implementadas em COBOL, CICS, Db2 e z/OS, muito além do hardware que as executa.

Por


As regras de negócio representam o verdadeiro patrimônio das empresas
Hardware pode ser substituído. Décadas de conhecimento corporativo embutidas em aplicações críticas não.

"Computadores podem ser comprados. Regras de negócio precisam ser construídas ao longo de décadas."

— Bellacosa Mainframe

O erro de análise

Grande parte das previsões sobre o desaparecimento do mainframe avaliava apenas desempenho, custo do hardware e evolução dos microcomputadores, ignorando o valor acumulado nas aplicações corporativas.

Sistemas bancários, fiscais, seguradoras, companhias aéreas e governos não armazenam apenas dados: armazenam conhecimento de negócio, conformidade regulatória e processos aperfeiçoados durante décadas.

Muito além do hardware

COBOL, CICS, Db2 e z/OS representam milhões de horas de engenharia, testes, auditorias e validações que dificilmente podem ser reproduzidas em novos sistemas sem elevados custos e riscos.

O verdadeiro ativo nunca foi o equipamento físico, mas sim o patrimônio intelectual implementado em suas aplicações.

A grande lição

Empresas evoluem plataformas tecnológicas continuamente, mas preservam aquilo que realmente gera valor: suas regras de negócio, sua experiência operacional e sua capacidade de processar transações críticas com segurança e disponibilidade.


Chegamos à pergunta mais importante deste artigo

Depois de viajar por quase quarenta anos de história, conhecemos as manchetes.

Lemos a Forbes.

Visitamos o New York Times.

Ouvimos Stewart Alsop na InfoWorld.

Acompanhamos a mudança de tom da Business Week.

Vimos o extraordinário trabalho do Professor Wolfgang Spruth preservando tudo isso para que futuras gerações aprendessem com a História.

Agora surge a pergunta inevitável.

Como tanta gente inteligente conseguiu errar ao mesmo tempo?

A resposta é muito mais interessante do que simplesmente dizer:

"Eles estavam errados."

Porque eles não eram incompetentes.

Muito pelo contrário.

Eram excelentes jornalistas.

Grandes pesquisadores.

Consultores respeitados.

Executivos experientes.

O problema foi outro.

Eles analisaram apenas uma parte do sistema.


Bellacosa Mainframe e os erros que ajudaram as previsões falharem

O primeiro erro:

Confundir Tecnologia com Negócio

Imagine um banco.

Quando olhamos para ele de fora vemos:

Agências.

Aplicativos.

Cartões.

PIX.

Caixas eletrônicos.

Internet Banking.

Mas isso é apenas a superfície.

Por baixo existe um universo gigantesco de regras.

Como calcular juros?

Como compensar um cheque?

Como liquidar uma TED?

Como tratar um financiamento?

Como calcular imposto?

Como detectar fraude?

Como atualizar um saldo?

Como desfazer uma operação?

Cada uma dessas perguntas representa centenas ou milhares de linhas de código.

Décadas de conhecimento.

A maioria escrita em COBOL.

O hardware pode mudar.

A regra de negócio continua válida.

Esse foi talvez o maior erro das previsões dos anos 90.


O segundo erro:

Ignorar o custo da mudança

Existe uma pergunta que todo arquiteto experiente faz antes de iniciar qualquer modernização.

"Quanto custa mudar?"

Curiosamente...

Essa pergunta aparecia muito pouco nas reportagens.

Trocar um servidor pode ser relativamente barato.

Trocar milhões de linhas de código...

Nem tanto.

Imagine uma seguradora.

Ela possui:

  • quarenta anos de sistemas;

  • vinte milhões de clientes;

  • centenas de integrações;

  • milhares de relatórios;

  • auditorias;

  • regulamentações;

  • histórico de operações.

Agora imagine reescrever tudo.

Mesmo com IA.

Mesmo com ferramentas modernas.

Ainda assim continua sendo um dos maiores projetos de engenharia que uma empresa pode enfrentar.


O terceiro erro:

Confundir Interface com Arquitetura

Nos anos 90 surgiram interfaces gráficas maravilhosas.

Windows.

Motif.

OS/2 Presentation Manager.

Macintosh.

Tudo parecia muito mais moderno do que um terminal 3270.

E realmente era.

Visualmente.

Mas existe uma diferença enorme entre:

A interface.

E o sistema que processa a transação.

Trocar a tela é relativamente simples.

Trocar o motor do banco é outra história.

Muitos confundiram essas duas coisas.


O quarto erro:

Subestimar a confiabilidade

Existe uma pergunta que raramente aparecia nos artigos.

Quanto custa ficar parado?

Imagine:

Uma bolsa de valores indisponível durante duas horas.

Um banco fora do ar.

Uma companhia aérea sem reservas.

Uma operadora de cartões indisponível.

Um sistema de arrecadação nacional parado.

Essas situações custam milhões.

Às vezes bilhões.

Confiabilidade não aparece em propagandas.

Mas aparece imediatamente no balanço financeiro.


O quinto erro:

Ignorar a Economia da Escala

Na década de 1990 dizia-se:

"Vamos substituir um computador enorme por centenas de pequenos."

Na teoria parecia excelente.

Na prática surgiram novos custos.

Mais sistemas operacionais.

Mais administradores.

Mais backups.

Mais antivírus.

Mais monitoramento.

Mais atualizações.

Mais energia.

Mais refrigeração.

Mais licenciamento.

Mais pontos de falha.

Descobriu-se algo curioso.

Administrar mil computadores não custa o mesmo que administrar um.


O sexto erro:

O fascínio pela novidade

Existe um comportamento humano extremamente conhecido.

Chamamos de:

Viés da novidade.

Sempre acreditamos que aquilo que acabou de surgir resolverá todos os problemas existentes.

Aconteceu com:

Client/Server.

Internet.

Java.

SOA.

XML.

Cloud.

Blockchain.

Metaverso.

Agora acontece com Inteligência Artificial.

Não significa que essas tecnologias sejam ruins.

Muito pelo contrário.

Todas trouxeram contribuições importantes.

O erro está em acreditar que inovação exige apagar tudo o que veio antes.

A História mostra exatamente o contrário.

A computação evolui por camadas.


O sétimo erro:

A engenharia não segue manchetes

Um jornalista trabalha com notícias.

Um engenheiro trabalha com disponibilidade.

São profissões diferentes.

Uma reportagem dura um dia.

Um sistema bancário precisa funcionar durante décadas.

Isso muda completamente a forma de pensar.

Enquanto uma manchete procura impacto...

A engenharia procura estabilidade.


O oitavo erro:

O software passou a valer mais do que o hardware

Nos anos 1960 e 1970 o computador era o ativo mais caro.

Nos anos 1990 isso começou a mudar.

O software tornou-se muito mais valioso.

Hoje podemos comprar servidores poderosos com relativa facilidade.

Mas ninguém compra cinquenta anos de regras de negócio.

Elas precisam ser construídas.

Testadas.

Validadas.

Auditadas.

Melhoradas.

Essa riqueza invisível nunca apareceu completamente nas análises da época.


O nono erro:

Confundir Plataforma com Produto

Um computador é um produto.

IBM Z é uma plataforma.

Existe uma enorme diferença.

Uma plataforma evolui.

Recebe novas linguagens.

Novos compiladores.

Novos bancos.

Novas APIs.

Novos frameworks.

Novas interfaces.

Foi exatamente isso que aconteceu.

O IBM Mainframe de 1989 não é o IBM Z de 2026.

Assim como um smartphone moderno não é um telefone de 1990.

A plataforma permaneceu.

A tecnologia evoluiu completamente.


O décimo erro:

Achar que integração é derrota

Talvez este tenha sido o erro mais interessante.

Durante muito tempo parecia existir apenas duas opções.

Ou o Mainframe venceria.

Ou o Client/Server venceria.

A realidade mostrou outro caminho.

Integração.

Hoje convivem naturalmente:

  • COBOL

  • Java

  • Python

  • Node.js

  • Go

  • CICS

  • Db2

  • Kafka

  • REST

  • GraphQL

  • Kubernetes

  • OpenShift

  • Linux

  • watsonx

  • IBM Z

Ninguém venceu.

Todos passaram a colaborar.


O Padawan faz uma pergunta difícil

Nosso Padawan olha para o velho mestre.

Pergunta:

— Mestre...

Então os jornalistas estavam errados?

O mestre sorri.

Pensa alguns segundos.

Responde:

— Não completamente.

Eles enxergaram corretamente que a computação mudaria.

Erraram apenas uma pequena coisa.

— Qual?

— Acharam que evolução significa destruição.

Na verdade...

Engenharia quase sempre significa integração.


A maior ironia de todas

Se voltássemos para 1993 e mostrássemos um IBM z17 para aqueles analistas...

Eles provavelmente ficariam impressionados.

Veriam:

  • Linux.

  • Containers.

  • Kubernetes.

  • OpenShift.

  • APIs REST.

  • Inteligência Artificial.

  • Python.

  • Git.

  • DevOps.

  • VS Code.

  • watsonx.

  • COBOL moderno.

Talvez perguntassem:

— Onde está o mainframe?

A resposta seria divertida.

Está bem na frente de vocês.

Só que evoluiu tanto que deixou de parecer o estereótipo criado pelas manchetes de 1989.


O Professor Spruth nos deixou uma última lição

Ao preservar aquelas reportagens, Wolfgang Spruth fez muito mais do que arquivar previsões equivocadas.

Ele criou um estudo sobre comportamento humano.

As manchetes revelam algo que continua acontecendo em 2026.

Toda nova tecnologia passa pelas mesmas fases:

  1. Surge uma inovação real.

  2. O mercado se entusiasma.

  3. Aparecem previsões exageradas.

  4. Alguém decreta a morte da tecnologia anterior.

  5. Alguns anos depois...

  6. As duas tecnologias convivem.

A História da Computação parece gostar de repetir seus algoritmos.


A lição para quem está começando

Se você é um Padawan COBOL...

Guarde este capítulo.

Sempre que ouvir alguém dizer:

"Essa tecnologia morreu."

Faça cinco perguntas.

Ela ainda resolve problemas importantes?

Empresas continuam investindo nela?

Os maiores bancos ainda a utilizam?

Ela continua evoluindo?

Existe uma alternativa claramente superior em todos os aspectos?

Se alguma resposta for "não"...

Desconfie.

Talvez você esteja ouvindo apenas mais um buzzword.


A maior herança do Mainframe

Depois de quarenta anos de previsões, existe uma conclusão inevitável.

O maior legado do IBM Mainframe nunca foi o hardware.

Nem o COBOL.

Nem o CICS.

Nem o Db2.

Nem o JCL.

Nem mesmo o z/OS.

Sua maior herança foi ensinar uma filosofia de engenharia.

Disponibilidade antes da moda.

Confiabilidade antes do marketing.

Compatibilidade antes da ruptura.

Evolução antes da substituição.

É exatamente essa filosofia que permitiu ao System/360 de 1964 evoluir, geração após geração, até chegar ao IBM z17, ao watsonx, ao BOB, ao OpenShift e à Inteligência Artificial corporativa.

As manchetes tentaram prever o fim do mainframe.

A engenharia preferiu construir o futuro.

E, como costuma acontecer na computação, foi o código executando em produção — e não os títulos dos jornais — que escreveu o capítulo final dessa história.

Bellacosa Mainframe e o Funeral que nunca aconteceu


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Capítulo 8 — Business Week (1994)

Bellacosa mainframe e o dia que a impresna errou

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Capítulo 8 — Business Week (1994)

O Dia em que a Imprensa Percebeu que Talvez Tivesse Enterrado o Mainframe Cedo Demais

Uma análise da reportagem publicada pela Business Week em 1994, mostrando como a indústria começou a reconhecer que as previsões sobre o fim do mainframe haviam sido exageradas e como o IBM Z continuou sua evolução tecnológica.

Por


Business Week reconhecendo em 1994 que o Mainframe continuava relevante
A reportagem da Business Week marcou um ponto de inflexão, mostrando que o mercado começava a reconsiderar o futuro dos mainframes.

"Quando os fatos mudam, a engenharia muda de direção. Quando o marketing muda de direção, normalmente muda também o discurso."

— Bellacosa Mainframe

Contexto histórico

Após anos de previsões sobre o desaparecimento dos grandes sistemas, empresas descobriram que migrar aplicações críticas era muito mais caro, complexo e arriscado do que parecia nas apresentações de marketing.

George Colony, da Forrester Research, sintetizou essa mudança ao afirmar que era "o fim do fim dos mainframes", reconhecendo que a plataforma continuava estratégica para grandes organizações.

A grande lição

A Business Week mostrou que tendências tecnológicas precisam ser avaliadas à luz dos resultados reais e não apenas das expectativas do mercado.

O IBM Mainframe continuou evoluindo nas décadas seguintes, incorporando Linux, Java, virtualização, DevOps, APIs, cloud híbrida, OpenShift, Inteligência Artificial e chegando ao IBM z17 como uma das plataformas mais resilientes da computação corporativa.


Janeiro de 1994

Estamos agora em um momento extremamente interessante da nossa história.

Até aqui vimos uma sequência de previsões pessimistas.

"O dinossauro."

"O último mainframe será desligado."

"O mainframe está correndo rumo à extinção."

Parecia que existia um consenso.

O funeral já estava marcado.

Faltava apenas escolher quem faria o discurso de despedida.

Mas então aconteceu algo curioso.

O mercado começou a olhar para os números.

E os números possuem um defeito terrível para quem vive de buzzwords.

Eles não ligam para apresentações em PowerPoint.


Alguma coisa não fechava

As vendas de servidores realmente cresciam.

Os PCs realmente dominavam os escritórios.

As redes locais realmente se expandiam.

Mas...

Os bancos continuavam comprando mainframes.

As seguradoras também.

As bolsas de valores igualmente.

As companhias aéreas não desligavam seus CPDs.

Os governos continuavam investindo em grandes sistemas.

As empresas mais críticas da economia simplesmente... não estavam abandonando o IBM Mainframe.

Isso começou a chamar atenção.


O Business Week muda o tom

Em 10 de janeiro de 1994, a Business Week, uma das revistas de negócios mais respeitadas do mundo, publicou uma reportagem que destoava da narrativa predominante.

Em vez de insistir na ideia da morte inevitável do mainframe, a matéria citava George Colony, fundador da Forrester Research, com uma frase que se tornaria histórica:

"It's the end of the end for the mainframes."

Em tradução livre:

"É o fim do fim dos mainframes."

Parece um jogo de palavras.

E é exatamente isso.

Mas também representa uma mudança profunda de percepção.

Pela primeira vez, uma publicação de grande circulação reconhecia que talvez a indústria tivesse exagerado nas previsões anteriores. Essa mudança de tom foi registrada por Wolfgang Spruth em The Death of the Mainframe como um marco importante na evolução do debate sobre a plataforma IBM.


Traduzindo o economês

Vamos simplificar.

George Colony estava dizendo algo parecido com:

"Talvez tenhamos exagerado."

Ou ainda:

"Talvez o problema nunca tenha sido o mainframe."

Ou, numa tradução Bellacosa Mainframe:

"Pessoal... acho que enterramos o paciente antes de confirmar o óbito."


A realidade começou a aparecer

Entre 1991 e 1994 muitas empresas iniciaram grandes projetos de migração.

Alguns deram certo.

Outros...

Nem tanto.

Sistemas previstos para serem reescritos em dezoito meses completavam quatro anos de projeto.

Os custos disparavam.

A complexidade aparecia.

Regras de negócio esquecidas voltavam a assombrar as equipes.

Interfaces que ninguém conhecia surgiam do nada.

Programas COBOL escritos quinze anos antes continuavam funcionando perfeitamente.

Descobriu-se algo que nenhum folder de marketing mencionava.

Legado não significa velho.

Significa importante.


O verdadeiro patrimônio da empresa

Imagine uma seguradora.

Ela possui vinte milhões de clientes.

Cada contrato depende de dezenas de regras.

Regras legais.

Regras fiscais.

Regras atuariais.

Regras internas.

Agora imagine alguém dizendo:

— Vamos reescrever tudo.

A pergunta não é:

"Conseguimos?"

A pergunta é:

"Vale a pena?"

Essa simples mudança de perspectiva transformou completamente a discussão.


Bellacosa Mainframe e o Cobol como o vilão favorito

O COBOL virou o vilão favorito

Durante anos, COBOL foi apresentado como um símbolo do passado.

Parecia existir uma competição para descobrir quem faria a manchete mais dramática.

"O fim do COBOL."

"A última geração de programadores."

"Ninguém mais aprende COBOL."

Enquanto isso...

Universidades deixavam de ensinar COBOL.

Mas bancos continuavam contratando especialistas.

Governos continuavam executando milhões de linhas de código.

Seguradoras ampliavam seus sistemas.

Era uma situação curiosa.

Todo mundo dizia que COBOL estava morrendo.

Mas ninguém queria desligar o sistema que pagava salários.


O humor do velho operador

Imagine um operador de CPD lendo aquela reportagem da Business Week.

Ele olha para o relógio.

Depois para o console.

Mais um JOB termina normalmente.

Outro começa.

Ele comenta com o colega:

— Parece que cancelaram meu funeral.

O colega responde:

— Ainda bem.

Temos o fechamento contábil às oito.


A IBM não ficou parada

Existe um detalhe frequentemente esquecido.

Muitas análises daquela época tratavam o mainframe como se fosse uma tecnologia congelada.

Como se a IBM tivesse parado de inovar.

Isso simplesmente não era verdade.

Enquanto o mercado discutia Client/Server...

A IBM continuava investindo bilhões em pesquisa.

Novos processadores.

Mais memória.

Melhores canais de entrada e saída.

Virtualização cada vez mais sofisticada.

Novos sistemas operacionais.

Ferramentas de desenvolvimento.

Integração com redes abertas.

A plataforma evoluía continuamente.

A diferença é que evolução incremental raramente vira manchete.


O mercado aprendeu uma palavra nova

Na metade da década de 1990 começou a surgir um conceito importante.

Integração.

Até então o debate parecia binário.

Ou era Mainframe.

Ou era Client/Server.

Com o amadurecimento dos projetos, as empresas descobriram que poderiam ter os dois.

O front-end poderia rodar em PCs.

As aplicações departamentais em servidores distribuídos.

E o processamento crítico permanecer no mainframe.

Hoje isso parece óbvio.

Na época foi quase revolucionário.


O Padawan visita uma reunião de diretoria

Nosso Padawan COBOL entra discretamente na sala.

Um consultor termina sua apresentação.

— Precisamos substituir completamente o mainframe.

O diretor financeiro faz apenas uma pergunta.

— Quanto custará?

O consultor responde.

— Aproximadamente cinquenta milhões de dólares.

O diretor permanece em silêncio.

Depois pergunta novamente.

— E se não substituirmos?

Outro silêncio.

Nesse momento o arquiteto da empresa comenta:

— Podemos integrar os novos sistemas ao ambiente existente.

A reunião muda completamente de direção.

Porque, no mundo corporativo, arquitetura sempre precisa conversar com orçamento.


O início da convivência

Foi justamente nessa época que a indústria começou a abandonar uma visão extremamente simplista.

Não era mais uma guerra.

Não existia vencedor absoluto.

Cada plataforma possuía seu espaço.

Mainframe para grandes volumes transacionais.

Servidores distribuídos para aplicações departamentais.

PCs para produtividade.

Mais tarde chegariam Linux.

Java.

Web Services.

Cloud.

Containers.

OpenShift.

Todos convivendo.

Essa mudança de mentalidade talvez tenha sido muito mais importante do que qualquer evolução de hardware.


O "fim do fim"

A frase de George Colony continua brilhante porque resume perfeitamente aquele momento.

Não significava que o mainframe venceria todas as disputas.

Também não significava que nada mudaria.

Significava apenas que a narrativa da morte inevitável começava a perder força.

A indústria finalmente compreendia algo essencial.

Uma tecnologia pode deixar de ser a única solução.

Sem deixar de ser uma solução excelente.


Trinta e dois anos depois

Estamos em 2026.

O IBM z17 integra Inteligência Artificial diretamente na plataforma.

O watsonx fornece modelos corporativos.

O BOB automatiza pipelines modernos.

O Zowe aproxima desenvolvedores open source.

O Ansible automatiza operações.

O COBOL continua recebendo novas versões.

O Db2 continua evoluindo.

O CICS continua sendo um dos monitores transacionais mais eficientes do mundo.

A grande surpresa?

Nada disso exigiu abandonar a arquitetura construída ao longo de décadas.

A plataforma simplesmente evoluiu.


A quarta grande lição

A reportagem da Business Week representa um momento raro na história da tecnologia.

O instante em que parte da imprensa começou a perceber que previsões muito otimistas também precisam ser revisadas.

Esse talvez seja o maior ensinamento deste capítulo.

Boa engenharia não se apaixona por modismos.

Ela mede.

Testa.

Observa.

Corrige.

E muda de opinião quando os fatos mudam.

Foi exatamente isso que começou a acontecer em 1994.

O mercado percebeu que a pergunta nunca deveria ter sido:

"Quem vai substituir o mainframe?"

A pergunta correta era:

"Como integrar novas tecnologias ao que já funciona extraordinariamente bem?"

Essa mudança de pergunta moldou praticamente toda a computação corporativa das três décadas seguintes.

E talvez explique por que, em vez de um túmulo...

Encontramos em 2026 um IBM z17 executando COBOL, Db2, CICS, Linux, OpenShift, APIs REST, DevOps, watsonx e Inteligência Artificial.

O funeral foi cancelado.

A evolução, não.


Fonte histórica

Business Week, 10 de janeiro de 1994, citando George Colony (Forrester Research) com a frase "It's the end of the end for the mainframes." O artigo, preservado por Wolfgang Spruth em The Death of the Mainframe, marcou uma inflexão importante no discurso da indústria: pela primeira vez, uma grande publicação reconhecia que as previsões sobre a extinção do mainframe talvez tivessem sido precipitadas.

Bellacosa Mainframe e o Funeral que nunca aconteceu


terça-feira, 7 de julho de 2026

Capítulo 7 — The New York Times (1993)

Bellacosa Mainframe rumo a extincao baboseira de 1993

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Capítulo 7 — The New York Times (1993)

"Rumo à Extinção"... ou Apenas Mudando de Forma?

Análise da reportagem publicada pelo The New York Times em 1993, que afirmava que o mainframe caminhava para a extinção, e como a evolução do IBM Z demonstrou que inovação e continuidade podem caminhar lado a lado.

Por

Reportagem do The New York Times de 1993 prevendo a extinção do Mainframe
Em 1993, novas previsões indicavam que o Mainframe caminhava para a extinção. A história mostrou um resultado bem diferente.

"A tecnologia raramente desaparece porque outra nasceu. Ela desaparece quando deixa de resolver problemas. Em 1993, o Mainframe continuava resolvendo os maiores problemas da computação corporativa."

— Bellacosa Mainframe

Contexto histórico

No início da década de 1990, a expansão das redes, do modelo Client/Server e dos computadores pessoais reforçou a percepção de que os grandes sistemas centralizados desapareceriam em poucos anos.

Entretanto, bancos, seguradoras, governos e grandes empresas continuavam dependendo do processamento transacional oferecido por COBOL, CICS, Db2 e z/OS.

A lição de 1993

A previsão ignorava décadas de regras de negócio, compatibilidade, escalabilidade, disponibilidade e confiabilidade acumuladas pelos mainframes IBM.

Em vez de desaparecer, a plataforma continuou evoluindo até chegar ao IBM z17, incorporando Linux, APIs, DevOps, cloud híbrida e Inteligência Artificial.


Fevereiro de 1993

Quatro anos haviam se passado desde a primeira reportagem do The New York Times.

O mundo já era outro.

O muro de Berlim havia caído.

A Guerra Fria terminara.

A internet começava a sair dos laboratórios.

O Windows 3.1 conquistava milhões de usuários.

O UNIX continuava crescendo.

As workstations da Sun Microsystems eram o sonho de muitos desenvolvedores.

Os servidores Intel evoluíam rapidamente.

A arquitetura Client/Server dominava praticamente todas as conferências de tecnologia.

E o clima era de euforia.

Parecia que tudo seria reinventado.

Foi nesse ambiente que o The New York Times, em 9 de fevereiro de 1993, voltou ao assunto.

Desta vez utilizando uma expressão ainda mais forte.

Segundo a reportagem, o mainframe estava:

"Hurtling toward extinction."

Ou, em português:

"Correndo em direção à extinção."

A mensagem era clara.

Agora não se tratava apenas de um dinossauro envelhecido.

Tratava-se de uma espécie que caminhava rapidamente para desaparecer. Essa manchete foi posteriormente preservada por Wolfgang Spruth em The Death of the Mainframe como um dos exemplos mais representativos do pensamento dominante da época.


O auge do Client/Server

Se 1989 marcou o nascimento da narrativa...

1993 marcou seu auge.

Era praticamente impossível participar de um congresso de informática sem ouvir dezenas de palestras prometendo o mesmo futuro.

Tudo seria distribuído.

Cada departamento teria seus próprios servidores.

Os grandes CPDs desapareceriam.

A palavra da moda era:

Downsizing.

Na prática significava:

"Vamos trocar um computador enorme por centenas de computadores menores."

A ideia parecia brilhante.

Até que chegaram as primeiras contas de manutenção.


A década em que tudo seria "Open"

Outra característica marcante daquela época era a obsessão por sistemas "abertos".

Parecia que qualquer produto precisava carregar a palavra Open para ser considerado moderno.

Open Systems.

Open Architecture.

Open Computing.

Open Network.

Open Platform.

Open Software.

Era quase uma lei do marketing.

Se fosse "Open", era inovador.

Se fosse IBM, era "legado".

O curioso é que a própria IBM participava ativamente da padronização de tecnologias abertas, apoiava TCP/IP, POSIX, UNIX (AIX) e diversas iniciativas de interoperabilidade.

Mas isso raramente aparecia nas manchetes.


O que ninguém queria admitir

Existe uma característica curiosa do mercado de tecnologia.

Todo vendedor gosta de falar sobre instalação.

Pouquíssimos gostam de falar sobre migração.

Porque instalar um sistema novo é relativamente simples.

Migrar quarenta anos de operação é outra história.

Imagine um grande banco em 1993.

Ele possuía:

  • milhares de programas COBOL;

  • centenas de tabelas Db2;

  • aplicações CICS;

  • processamento batch;

  • integração com terminais 3270;

  • interfaces com caixas eletrônicos;

  • sistemas de compensação bancária;

  • processamento de cartões;

  • folhas de pagamento;

  • contabilidade;

  • auditoria.

Agora imagine um consultor dizendo:

"Vamos reescrever tudo."

A primeira pergunta de um diretor experiente provavelmente seria:

"Quanto custa?"

A segunda:

"Quanto tempo?"

E a terceira:

"Quem assume o risco?"

Essas três perguntas costumavam encerrar muitas reuniões.


A grande confusão

A reportagem do New York Times refletia um erro extremamente comum.

Confundir:

Evolução da arquitetura

com

Substituição da arquitetura.

Essas duas coisas são completamente diferentes.

Sim.

As empresas passaram a utilizar mais servidores.

Sim.

Aplicações departamentais migraram para outras plataformas.

Sim.

PCs transformaram o ambiente corporativo.

Mas isso nunca significou que os sistemas centrais deixariam automaticamente de existir.

Na verdade...

Eles passaram a conversar com muito mais sistemas do que antes.


Bellacosa Mainframe e o iceberg invisivel

O iceberg invisível

Imagine um enorme iceberg.

A parte visível representa:

  • computadores pessoais;

  • servidores;

  • interfaces gráficas;

  • aplicações de escritório.

A parte submersa representa:

  • regras de negócio;

  • processamento financeiro;

  • consistência transacional;

  • auditoria;

  • integração;

  • disponibilidade;

  • segurança.

A imprensa olhava principalmente para a parte visível.

Os arquitetos corporativos precisavam cuidar da parte submersa.

E todos sabemos qual parte sustenta o iceberg.


O COBOL não recebeu o memorando

Vamos imaginar uma situação curiosa.

Na manhã de 9 de fevereiro de 1993...

Um programa COBOL inicia sua execução.

Lê um arquivo VSAM.

Consulta o Db2.

Atualiza uma conta corrente.

Executa um COMMIT.

Encerra normalmente.

Horas depois alguém comenta:

— Você ficou sabendo?

— Do quê?

— O New York Times disse que você está caminhando para a extinção.

O programa responde:

— Interessante...

Mas antes preciso processar mais oito milhões de registros.


O humor da engenharia

Existe uma piada entre veteranos de mainframe.

"COBOL nunca lê jornais."

CICS também não.

Db2 muito menos.

JCL definitivamente não.

Enquanto analistas discutiam o futuro...

Os sistemas continuavam executando exatamente aquilo para o qual foram projetados.

Com estabilidade.

Previsibilidade.

Consistência.

Essas características nunca foram manchetes.

Mas sempre foram extremamente valiosas.


O mercado começou a descobrir a realidade

Curiosamente...

Foi justamente em meados da década de 1990 que muitas empresas começaram a perceber que migrar aplicações críticas era muito mais complexo do que parecia.

Projetos previstos para dois anos levavam cinco.

Orçamentos dobravam.

Alguns triplicavam.

Diversas iniciativas eram canceladas.

Outras terminavam funcionando...

Mas com desempenho inferior.

Os consultores descobriram uma verdade que os programadores COBOL já conheciam havia décadas.

Negócio é mais complicado do que tecnologia.


Enquanto isso... nos laboratórios da IBM

É interessante observar o contraste.

Enquanto jornais discutiam a possível extinção do mainframe...

A IBM trabalhava na próxima geração de sua plataforma.

Novos processadores.

Mais memória.

Mais canais.

Melhor gerenciamento de workload.

Mais virtualização.

Maior integração.

Os engenheiros pareciam ignorar completamente o funeral organizado pela imprensa.

Talvez porque estivessem ocupados demais desenvolvendo o futuro.


O verdadeiro patrimônio

Existe uma frase muito conhecida entre arquitetos de sistemas:

"As empresas não compram computadores. Elas compram continuidade do negócio."

Essa talvez seja a maior diferença entre um laboratório e um banco.

Entre uma universidade e uma seguradora.

Entre uma startup e um governo.

Tecnologia muda.

O negócio precisa continuar funcionando.

Todos os dias.

Sem exceção.

Essa exigência nunca saiu de moda.


Trinta e três anos depois

Agora olhe para 2026.

O IBM z17 processa Inteligência Artificial diretamente na plataforma.

O watsonx integra modelos de IA corporativa.

O COBOL continua evoluindo.

O Db2 incorpora recursos modernos.

O CICS expõe APIs REST.

O z/OS automatiza operações com Ansible.

O BOB integra pipelines DevOps.

O Zowe aproxima o mundo open source do IBM Z.

A plataforma que estaria "correndo rumo à extinção"...

Na verdade estava correndo rumo à modernização.

Existe uma diferença enorme entre essas duas trajetórias.


A terceira grande lição

A reportagem de 1993 ensina algo extremamente atual.

Toda vez que surge uma inovação importante...

Existe a tentação de transformar crescimento em exclusividade.

Foi assim com:

Client/Server.

Internet.

Cloud.

Microservices.

Blockchain.

Metaverso.

Agora acontece com Inteligência Artificial.

Mas a História mostra outra coisa.

A computação raramente substitui completamente suas fundações.

Ela constrói novos andares sobre elas.

Hoje uma aplicação pode começar em um smartphone.

Passar por APIs.

Atravessar Kubernetes.

Conversar com microsserviços.

Chegar ao CICS.

Consultar Db2.

Executar COBOL.

E responder ao usuário em poucos milissegundos.

Esse é o verdadeiro retrato da computação moderna.

Não uma guerra entre tecnologias.

Mas uma colaboração entre décadas de engenharia.


Um último conselho ao Padawan

Quando encontrar uma manchete afirmando:

"A tecnologia X está caminhando para a extinção."

Lembre-se de uma pergunta simples.

Ela ainda resolve um problema importante?

Se a resposta for "sim"...

Talvez ela esteja apenas evoluindo de maneira silenciosa.

Porque, na engenharia, quem faz mais barulho nem sempre é quem entrega mais resultados.

E talvez essa seja a maior ironia da reportagem do New York Times de 1993.

Enquanto o jornal enxergava um fim próximo...

Os engenheiros da IBM estavam preparando o caminho que, décadas depois, levaria ao IBM z17, ao watsonx, ao OpenShift, ao BOB, ao Zowe e a uma plataforma capaz de unir o legado das aplicações COBOL com a Inteligência Artificial corporativa.

O "dinossauro" não caminhava para a extinção.

Estava apenas iniciando mais uma etapa de sua evolução.


Fonte histórica

The New York Times, 9 de fevereiro de 1993, citado pelo Professor Wolfgang Spruth em The Death of the Mainframe. A reportagem utilizou a expressão "hurtling toward extinction" ("correndo rumo à extinção"), tornando-se um dos exemplos mais conhecidos do entusiasmo da imprensa com o movimento Client/Server e com as previsões de substituição dos grandes sistemas corporativos. Décadas depois, ela permanece como um importante registro histórico sobre os desafios de prever a evolução da tecnologia.

Bellacosa Mainframe e o Funeral que nunca aconteceu

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Capítulo 6 — InfoWorld (1991)

Bellacosa Mainframe e a infoworld com a morte do mainframe em 1991

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Capítulo 6 — InfoWorld (1991)

O Dia em que Marcaram a Data da Morte do Mainframe... e Esqueceram de Avisar o Mainframe

Uma análise histórica da previsão atribuída a Stewart Alsop, publicada pela InfoWorld, segundo a qual o último mainframe seria desligado em 15 de março de 1996. O capítulo mostra por que a previsão falhou e como COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z continuaram evoluindo.

Por




``` InfoWorld e a previsão de que o último mainframe seria desligado em 15 de março de 1996
Em 1991, uma previsão publicada pela InfoWorld marcou 15 de março de 1996 como a data do desligamento do último mainframe. A data chegou, mas os sistemas continuaram funcionando.

“Prever o futuro já é difícil. Colocar data e hora no futuro é um convite para virar capítulo de livro de História.”

— Bellacosa Mainframe


Existe uma previsão que entrou para a História

Ao longo deste artigo vimos jornalistas dizendo que o mainframe era um dinossauro.

Vimos revistas afirmando que estava ultrapassado.

Outras sugeriam que sua importância diminuiria rapidamente.

Mas em 1991 aconteceu algo diferente.

Muito diferente.

Alguém resolveu fazer aquilo que engenheiros normalmente evitam fazer.

Marcar uma data.

Não um período.

Não "alguns anos".

Não "até o final da década".

Uma data exata.

Dia.

Mês.

Ano.

Uma espécie de prazo de validade para o IBM Mainframe.

Foi aí que nasceu uma das frases mais famosas — e mais lembradas — da história da computação.


Bellacosa Mainframe e as previsoes erradas na historia da informatica
Stewart Alsop

O protagonista desta história era Stewart Alsop.

Na época, Alsop era um dos jornalistas e analistas de tecnologia mais influentes dos Estados Unidos.

Escrevia para a InfoWorld.

Suas colunas eram lidas por executivos, arquitetos, CIOs e fabricantes de tecnologia.

Quando Stewart Alsop publicava uma opinião...

O mercado prestava atenção.

Era uma época em que revistas especializadas moldavam decisões de investimento de bilhões de dólares.

Não existia YouTube.

Não existia LinkedIn.

Não existiam influenciadores digitais.

As revistas técnicas eram uma das principais fontes de informação da indústria.

E foi exatamente nelas que apareceu uma das previsões mais ousadas da história da TI.


A frase que atravessou três décadas

Em sua coluna, Stewart Alsop escreveu:

"On March 15, 1996, someone will unplug the last mainframe."

Em tradução livre:

"No dia 15 de março de 1996 alguém desligará o último mainframe."

Não era uma metáfora.

Não era uma figura de linguagem.

Era uma previsão literal.

Uma data específica.

O último mainframe seria desligado.

Fim da história.

Essa frase foi posteriormente preservada pelo professor Wolfgang Spruth em The Death of the Mainframe e acabou se tornando uma das citações mais conhecidas sobre previsões tecnológicas equivocadas.


Um exercício de imaginação

Vamos imaginar o mundo naquela sexta-feira.

15 de março de 1996.

Nosso Padawan COBOL acorda cedo.

Olha o calendário.

Sorri.

Pensa consigo mesmo:

"Então hoje é o grande dia..."

Enquanto toma café...

Em algum lugar do planeta...

Segundo a previsão...

Um operador deveria caminhar lentamente até um enorme IBM Mainframe.

Respirar fundo.

Olhar para o painel.

Apertar o botão de desligamento.

Apagar a última luz.

Fechar a porta do CPD.

Ir para casa.

Fim da era dos mainframes.

Bonita cena.

Daria um excelente filme.

Existe apenas um pequeno problema.

Nada disso aconteceu.


O que realmente aconteceu em 15 de março de 1996?

Enquanto a previsão dizia que o último mainframe seria desligado...

Milhares deles continuavam funcionando normalmente.

Bancos abriram suas agências.

Companhias aéreas venderam passagens.

Seguradoras emitiram apólices.

Governos arrecadaram impostos.

Operadoras de cartão autorizaram milhões de compras.

Empresas pagaram funcionários.

O mundo simplesmente continuou girando.

Os mainframes também.


O humor involuntário da História

Existe algo fascinante sobre previsões muito específicas.

Elas envelhecem rapidamente.

Imagine alguém dizendo hoje:

"No dia 12 de agosto de 2031 desaparecerá a última aplicação Java."

Ou:

"Em 18 de fevereiro de 2034 ninguém mais utilizará bancos relacionais."

Provavelmente riríamos.

Foi exatamente isso que aconteceu com a frase de Alsop.

Ela deixou de ser uma previsão.

Transformou-se em um símbolo.

Hoje ela aparece em livros, palestras e cursos de arquitetura corporativa como um lembrete de que entusiasmo tecnológico não substitui análise técnica.


Por que tanta confiança?

A pergunta mais interessante não é:

"Como ele errou?"

A pergunta correta é:

"Por que tanta gente acreditou que ele acertaria?"

A resposta está no contexto da época.

Client/Server crescia rapidamente.

Windows NT aparecia como alternativa corporativa.

UNIX dominava universidades e centros de pesquisa.

RISC parecia imbatível.

As redes TCP/IP se expandiam.

O custo dos servidores diminuía ano após ano.

Tudo parecia caminhar para uma descentralização completa.

O erro foi imaginar que descentralização significava abandono da computação central.

Na prática...

As duas evoluíram juntas.


Enquanto isso... na IBM

Existe uma diferença curiosa entre marketing e engenharia.

Marketing faz anúncios.

Engenharia entrega versões.

Enquanto a indústria discutia o funeral do mainframe...

Os laboratórios da IBM continuavam trabalhando.

Mais desempenho.

Mais memória.

Mais canais de I/O.

Mais virtualização.

Mais confiabilidade.

Mais escalabilidade.

Sem responder às manchetes.

Sem entrar em debates públicos.

A IBM simplesmente fez aquilo que engenheiros costumam fazer.

Continuou desenvolvendo tecnologia.


O maior erro da previsão

Curiosamente...

O erro não foi subestimar o hardware.

Foi subestimar o software.

Na década de 1990 já existiam milhões de linhas de código COBOL executando operações críticas.

Centenas de milhões.

Depois bilhões.

Esses programas não eram apenas código.

Eram décadas de conhecimento empresarial.

Legislação.

Contabilidade.

Tributação.

Seguros.

Operações bancárias.

Regras de crédito.

Logística.

Folha de pagamento.

Não existia botão mágico chamado:

"Converter quarenta anos de experiência para outra plataforma."

Essa parte raramente aparecia nas apresentações de marketing.


O Padawan encontra Stewart Alsop

Vamos imaginar uma conversa impossível.

Nosso Padawan COBOL viaja no tempo.

Encontra Stewart Alsop.

Pergunta educadamente:

— Senhor Alsop...

Posso fazer uma pergunta?

— Claro.

— Quantas linhas de COBOL existem hoje nos bancos americanos?

Silêncio.

— Quantas delas serão reescritas até março de 1996?

Mais silêncio.

— Quantos testes serão necessários?

Outro silêncio.

Então o Padawan conclui:

— Talvez o hardware mude mais rápido do que as regras de negócio.


A elegância da retratação

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, Stewart Alsop não fingiu que nada aconteceu.

Anos depois, ele reconheceu publicamente que sua previsão havia falhado.

Admitiu que havia subestimado a importância dos sistemas corporativos centralizados e a preferência das empresas por plataformas extremamente confiáveis para cargas críticas. Essa postura é frequentemente lembrada como um exemplo raro de humildade intelectual na indústria de tecnologia.

Isso merece respeito.

Errar faz parte da ciência.

Reconhecer o erro faz parte da honestidade intelectual.


Trinta anos depois...

Agora olhe ao redor.

Estamos em 2026.

O IBM Z executa cargas de Inteligência Artificial.

O IBM z17 incorpora recursos avançados de aceleração para IA.

O watsonx integra modelos corporativos.

O BOB (Build Open Builder) automatiza pipelines modernos.

O Enterprise COBOL continua evoluindo.

O Db2 13 recebe melhorias constantes.

O CICS TS conversa com APIs REST.

O z/OS integra ambientes híbridos.

O Ansible automatiza operações.

O Zowe aproxima o mundo open source do IBM Z.

O sistema que deveria ter sido desligado em março de 1996...

Hoje conversa com Kubernetes.

É difícil imaginar um desfecho mais irônico.


O verdadeiro vencedor

Muitas pessoas dizem que o mainframe venceu.

Na verdade...

Não houve vencedor.

O que venceu foi uma ideia muito maior.

A ideia de que arquiteturas sólidas evoluem.

O IBM Z incorporou Linux.

Depois Java.

Depois Web Services.

Depois APIs.

Depois DevOps.

Depois containers.

Depois OpenShift.

Depois Inteligência Artificial.

Sem abandonar aquilo que fazia desde os anos 1960.

Processar transações críticas com confiabilidade extraordinária.


A maior lição da história

Existe uma frase muito conhecida entre historiadores:

"Datas são perigosas."

Quando alguém afirma:

"Isso acontecerá algum dia..."

Talvez esteja certo.

Quando afirma:

"Acontecerá exatamente neste dia..."

O risco aumenta enormemente.

Foi exatamente isso que tornou a previsão de Stewart Alsop tão inesquecível.

Ela ganhou uma data.

E a História adora testar previsões com datas.


O conselho do velho mestre ao Padawan

Sempre que você ouvir alguém dizendo:

"Essa tecnologia desaparecerá até o ano X."

Respire.

Pegue um café.

Faça três perguntas.

  • Quem depende dela?

  • Quanto custa substituí-la?

  • Ela continua resolvendo problemas reais?

Se a resposta para a última pergunta for "sim"...

Talvez ela ainda tenha uma longa vida pela frente.

Foi exatamente isso que aconteceu com o IBM Mainframe.

No dia 15 de março de 1996 ninguém desligou o último IBM Z.

Na verdade...

Trinta anos depois...

O "último mainframe" virou IBM z17, executando Inteligência Artificial, DevOps, cloud híbrida, COBOL moderno, Db2, CICS, Linux e milhões de transações por segundo.

O único equipamento realmente desligado naquele dia foi a previsão.


Fonte histórica

InfoWorld, coluna de Stewart Alsop (1991), preservada pelo Professor Wolfgang Spruth em The Death of the Mainframe. A previsão de que "o último mainframe seria desligado em 15 de março de 1996" tornou-se uma das citações mais emblemáticas da história da computação, sendo lembrada até hoje como um exemplo clássico dos riscos de extrapolar tendências tecnológicas sem considerar a realidade operacional e o valor das aplicações de missão crítica.

Contexto histórico

No início da década de 1990, o crescimento do modelo Client/Server, dos servidores UNIX, das redes locais e dos computadores pessoais criou a percepção de que os grandes sistemas centralizados seriam rapidamente substituídos.

A previsão ignorava, entretanto, o valor acumulado em aplicações COBOL, regras de negócio, processamento transacional, segurança, disponibilidade, auditoria e integração corporativa.

A lição da previsão

A data de 15 de março de 1996 tornou-se um símbolo dos riscos de transformar tendências tecnológicas verdadeiras em conclusões absolutas. O Client/Server cresceu, mas o mainframe também evoluiu.

Em 2026, o ecossistema IBM Z reúne COBOL moderno, CICS, Db2, z/OS, Linux, APIs, DevOps, automação e inteligência artificial.

Bellacosa Mainframe e o Funeral que nunca aconteceu


 

domingo, 5 de julho de 2026

Capítulo 5 — The New York Times (1989)

Bellacosa Mainframe deu no the new york times

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Capítulo 5 — The New York Times (1989)

Quando o "Dinossauro" Virou Manchete Mundial

Uma análise histórica da reportagem do The New York Times que ajudou a popularizar mundialmente a ideia da morte do mainframe e como essa previsão se mostrou equivocada diante da evolução do IBM Z.

Por

A reportagem do The New York Times de 1989 sobre o futuro do Mainframe
A cobertura do The New York Times ampliou mundialmente o debate sobre o suposto fim do mainframe e marcou a história da computação corporativa.


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Capítulo 5 — The New York Times (1989)

Quando o "Dinossauro" Virou Manchete Mundial

"Uma previsão publicada em uma revista influencia especialistas. A mesma previsão publicada na primeira página de um grande jornal influencia o mundo inteiro."
— Bellacosa Mainframe


4 de abril de 1989

A história da computação mudou naquele dia.

Não porque surgiu uma nova tecnologia.

Não porque a IBM lançou um novo processador.

Nem porque apareceu um sistema operacional revolucionário.

Mudou porque um dos jornais mais respeitados do planeta resolveu contar uma história.

Essa história dizia, em essência, que o reinado dos grandes computadores estava chegando ao fim.

O veículo era o The New York Times.

Quando um jornal desse porte fala sobre política, economia ou tecnologia, milhões de pessoas prestam atenção.

E quando ele chama uma tecnologia de "dinossauro", essa imagem deixa de ser apenas uma metáfora técnica e passa a fazer parte do imaginário coletivo.

A reportagem descrevia os mainframes como uma tecnologia gigantesca, cara e cada vez mais ameaçada pela rápida evolução dos computadores pessoais, das workstations e das redes locais. A narrativa refletia o entusiasmo crescente em torno da computação distribuída, vista como o caminho natural para substituir os grandes sistemas centrais.


Bellacosa Mainframe afinal o mainframe nao morreu

A diferença entre uma revista e um jornal

Existe um detalhe importante que muitos esquecem.

A Forbes era lida principalmente por executivos e investidores.

A InfoWorld era voltada para profissionais de tecnologia.

Mas o New York Times era diferente.

Ele conversava com toda a sociedade.

Empresários.

Políticos.

Economistas.

Professores.

Estudantes.

Diretores financeiros.

Acionistas.

Ou seja...

Quando o New York Times dizia que uma tecnologia estava envelhecendo...

Essa ideia ultrapassava os limites do departamento de TI.

Ela chegava às salas de reunião.


O nascimento de uma narrativa

Pouco a pouco começou a surgir uma história aparentemente perfeita.

Os computadores pessoais estavam ficando mais rápidos.

As workstations da Sun eram impressionantes.

As redes Ethernet cresciam.

O UNIX ganhava espaço.

As empresas queriam reduzir custos.

Logo...

Os grandes computadores desapareceriam.

Perceba uma coisa interessante.

Cada uma dessas afirmações era verdadeira.

O erro estava apenas na última conclusão.

Na engenharia, uma sequência de fatos verdadeiros pode produzir uma conclusão completamente errada.


A computação estava realmente mudando

É importante sermos honestos.

Os jornalistas não inventaram aquela transformação.

Ela existia.

Os departamentos começaram a comprar servidores próprios.

Os usuários deixaram de depender exclusivamente do CPD.

Aplicações passaram a ser distribuídas.

Novos fabricantes surgiam todos os anos.

As empresas finalmente podiam comprar servidores relativamente baratos.

Tudo isso aconteceu.

O problema foi acreditar que descentralizar parte do processamento significava eliminar completamente o processamento central.

Hoje sabemos que uma coisa não implica necessariamente a outra.


O CPD parecia um castelo medieval

Existe também um aspecto cultural.

Para um jovem engenheiro de 1989, entrar em um Centro de Processamento de Dados era quase uma experiência cinematográfica.

Portas pesadas.

Controle de acesso.

Piso elevado.

Ar-condicionado constante.

Operadores.

Grandes unidades de disco.

Robôs de fitas.

Luzes piscando.

Consoles.

Tudo parecia gigantesco.

Enquanto isso...

No escritório ao lado...

Um PC colorido executava planilhas em poucos segundos.

Era impossível não pensar:

"O futuro está aqui."

O curioso é que ambos estavam certos.

O PC representava o futuro da computação pessoal.

O mainframe continuava representando o futuro da computação transacional.

Esses futuros apenas eram diferentes.


O erro da fotografia

Imagine que alguém fotografe uma cidade.

Na imagem aparecem centenas de carros elétricos.

A partir dessa foto ele conclui:

"Os caminhões desapareceram."

Parece absurdo.

Mas foi exatamente esse tipo de raciocínio que contaminou muitas análises da época.

Os jornalistas observavam o crescimento dos PCs.

O crescimento era real.

Depois concluíam que os mainframes desapareceriam.

Só que estavam fotografando apenas uma parte da cidade.

Os caminhões continuavam trabalhando.

Longe dos holofotes.


O que o jornalista não via

Enquanto a reportagem era escrita...

Dentro das empresas acontecia outra realidade.

Os caixas eletrônicos continuavam conectados ao mainframe.

As reservas de companhias aéreas continuavam centralizadas.

As seguradoras processavam milhões de contratos.

Governos arrecadavam impostos.

Bolsas de valores liquidavam operações.

Hospitais processavam contas médicas.

Grandes varejistas atualizavam estoques nacionais.

Nada disso aparecia na mesa do usuário final.

Era infraestrutura.

E infraestrutura raramente ganha manchetes.

Ninguém escreve um artigo chamado:

"Hoje milhões de transações funcionaram normalmente."

Mas basta uma falhar...

Ela vira notícia mundial.


O invisível nunca parece moderno

Existe uma curiosidade interessante.

Quanto mais importante uma tecnologia se torna...

Mais invisível ela fica.

Ninguém pensa na rede elétrica ao acender a luz.

Ninguém pensa no sistema de abastecimento ao abrir a torneira.

Da mesma forma...

Pouquíssimos clientes de um banco pensam no IBM Z quando fazem um pagamento.

Isso faz parte do sucesso da plataforma.

Ela funciona tão bem que desaparece da percepção das pessoas.

Talvez esse tenha sido um dos maiores problemas do mainframe.

Ele sempre trabalhou nos bastidores.

Enquanto os computadores pessoais ficavam sobre a mesa.


O Padawan visita uma redação em 1989

Vamos imaginar nosso Padawan COBOL entrando na redação do New York Times.

Um jornalista pergunta:

— Você trabalha com computadores?

Ele responde:

— Sim.

— Então você deve estar preocupado. Dizem que o mainframe vai desaparecer.

Nosso Padawan sorri.

Pergunta educadamente:

— Quantas transações bancárias seu jornal processa por dia?

Silêncio.

— Quantos cartões de crédito vocês autorizam?

Silêncio.

— Quantas folhas de pagamento nacionais vocês executam?

Mais silêncio.

Então ele conclui:

— Talvez vocês estejam olhando para o computador errado.


O verdadeiro patrimônio nunca foi o hardware

Existe uma palavra que quase nunca aparecia nas manchetes.

Conhecimento.

Quando falamos em um sistema COBOL de um grande banco...

Não estamos falando apenas de milhões de linhas de código.

Estamos falando de décadas de regras de negócio.

Leis.

Normas.

Tributação.

Auditoria.

Processos internos.

Integrações.

Experiência acumulada.

Trocar um servidor é relativamente simples.

Reescrever quarenta anos de conhecimento empresarial é um dos projetos mais caros que uma organização pode enfrentar.

Essa dimensão raramente aparecia nas reportagens.


A diferença entre moda e missão crítica

Em 1989, muitas aplicações realmente migraram para plataformas distribuídas.

Correio eletrônico.

Ferramentas de escritório.

Planilhas.

Documentos.

Aplicações departamentais.

Isso fazia todo sentido.

Mas sistemas de missão crítica obedecem outras regras.

Eles precisam funcionar:

  • 24 horas por dia;

  • sete dias por semana;

  • com alta disponibilidade;

  • segurança;

  • auditoria;

  • recuperação;

  • consistência transacional.

Esses requisitos nunca deixaram de existir.

E continuam sendo exatamente os motivos pelos quais plataformas IBM Z permanecem estratégicas em 2026.


O tempo respondeu silenciosamente

O New York Times publicou sua reportagem.

A indústria continuou discutindo.

Os analistas continuaram prevendo.

Os consultores continuaram vendendo projetos.

Enquanto isso...

O mainframe fez algo extremamente ousado.

Continuou trabalhando.

Não respondeu aos jornalistas.

Não publicou cartas abertas.

Não iniciou campanhas publicitárias.

Apenas continuou processando bilhões de dólares todos os dias.

Existe uma elegância quase japonesa nisso.

Quando um samurai domina completamente sua arte...

Ele não precisa discutir.

A excelência fala por ele.


A segunda grande lição

A reportagem do New York Times é um documento histórico precioso.

Ela não representa apenas uma previsão sobre computadores.

Ela representa uma característica humana.

Nossa enorme dificuldade em distinguir:

  • crescimento de substituição;

  • inovação de destruição;

  • evolução de obsolescência.

A computação realmente mudou.

Mudou profundamente.

Mas a História mostrou que ela não caminhou eliminando tudo o que existia.

Ela caminhou integrando tecnologias.

Em 2026 convivem naturalmente:

  • IBM Z;

  • Linux;

  • Kubernetes;

  • OpenShift;

  • COBOL;

  • Java;

  • Python;

  • APIs REST;

  • Db2;

  • PostgreSQL;

  • CICS;

  • Kafka;

  • watsonx;

  • Inteligência Artificial.

O mundo corporativo descobriu algo que as manchetes de 1989 ainda não conseguiam enxergar.

A inovação mais poderosa não é aquela que destrói o passado.

É aquela que consegue conversar com ele.


Fonte histórica

The New York Times, 4 de abril de 1989, citado pelo Professor Wolfgang Spruth em The Death of the Mainframe. A reportagem ajudou a popularizar mundialmente a imagem do mainframe como um "dinossauro tecnológico", refletindo o entusiasmo da época com PCs, workstations e arquiteturas cliente-servidor. Décadas depois, tornou-se um importante registro histórico sobre como a indústria enxergava o futuro da computação no final dos anos 1980.

Bellacosa Mainframe e o Funeral que nunca aconteceu


sábado, 4 de julho de 2026

Capítulo 4 — Forbes (1989)

Bellacosa Mainframe e a revista forbes em 1989

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Capítulo 4 — Forbes (1989)

O Dia em que o Mainframe Virou um Dinossauro... e Resolveu Continuar Evoluindo

Uma análise da reportagem da Forbes que classificou o mainframe como um "dinossauro tecnológico", mostrando o contexto da época e como a plataforma IBM evoluiu continuamente até chegar ao IBM z17.

Por

Capa da Forbes de 1989 e o início das previsões sobre a morte do Mainframe
A reportagem da Forbes marcou uma geração ao comparar o mainframe a um dinossauro, iniciando uma longa sequência de previsões sobre seu fim.

"Toda revolução tecnológica produz duas coisas: uma inovação verdadeira e dezenas de previsões exageradas."

— Bellacosa Mainframe

Março de 1989

Voltemos quase quarenta anos no tempo.

O muro de Berlim ainda estava de pé.

A World Wide Web sequer existia.

Linux ainda não havia sido criado.

Java levaria vários anos para nascer.

Windows era apenas a versão 2.0.

O IBM AS/400 havia acabado de ser lançado.

O System/390 ainda nem existia.

A computação corporativa era dominada por grandes datacenters.

E foi exatamente nesse cenário que a Forbes, uma das revistas de negócios mais influentes do planeta, publicou um artigo que ajudaria a moldar a percepção do mercado sobre o futuro da computação.

O tom era claro.

Os computadores pessoais estavam ficando mais poderosos.

As workstations da Sun Microsystems faziam sucesso entre engenheiros.

Os servidores UNIX ganhavam espaço.

As redes locais Ethernet cresciam rapidamente.

Tudo parecia indicar que a centralização estava com os dias contados.

O mainframe passou a ser descrito como um "dinossauro tecnológico", uma metáfora poderosa para sugerir que uma tecnologia gigantesca, cara e aparentemente lenta seria inevitavelmente substituída por uma nova geração de computadores menores e distribuídos. Essa imagem se espalhou rapidamente pela indústria e seria repetida inúmeras vezes ao longo da década seguinte.


Por que essa comparação fazia sentido?

Hoje é fácil dizer que a Forbes estava errada.

Mas um engenheiro sério precisa entender o contexto antes de julgar.

Em 1989 havia excelentes razões para acreditar naquela previsão.

Os microprocessadores evoluíam rapidamente.

O preço do hardware caía ano após ano.

As empresas começavam a montar redes locais.

Os usuários finalmente podiam ter um computador sobre a mesa.

Até então, era comum dividir tempo em um único computador central.

De repente...

Cada funcionário tinha sua própria máquina.

Parecia uma revolução.

E realmente era.


O nascimento da ilusão da descentralização

Imagine um gerente em 1989.

Ele visita uma feira de tecnologia.

No primeiro estande encontra um enorme IBM Mainframe.

Na sala ao lado vê uma workstation Sun rodando gráficos coloridos.

Depois encontra dezenas de PCs ligados em rede.

A demonstração impressiona.

Tudo parece mais moderno.

Mais rápido.

Mais bonito.

O vendedor então faz a pergunta fatal:

"Por que continuar pagando milhões por um mainframe?"

É uma pergunta excelente.

O problema é que ela estava incompleta.

A pergunta correta deveria ser:

"Quem continuará processando milhões de transações com disponibilidade próxima de 100% durante os próximos vinte anos?"

Essa pergunta aparecia muito menos nos folders de marketing.


O marketing encontrou um vilão perfeito

Toda boa campanha publicitária precisa de um antagonista.

Na indústria automobilística, o vilão pode ser o consumo de combustível.

Na indústria farmacêutica, pode ser uma doença.

Na computação dos anos 90...

O vilão escolhido foi o mainframe.

Ele reunia todas as características necessárias para uma boa narrativa.

Era grande.

Era caro.

Ficava escondido em salas refrigeradas.

Poucas pessoas o conheciam.

Pouquíssimos sabiam como funcionava.

Era o candidato perfeito para representar "o passado".

Enquanto isso, os novos servidores eram vendidos como:

  • modernos;

  • abertos;

  • flexíveis;

  • distribuídos;

  • democráticos.

Era uma excelente história.

Só havia um detalhe.

Histórias vendem revistas.

Engenharia precisa funcionar às três horas da manhã.


O dinossauro mais estranho da História

A metáfora do dinossauro era extremamente eficiente.

Todos entendem imediatamente seu significado.

Dinossauros dominaram o planeta.

Depois desapareceram.

Logo...

O mainframe também desapareceria.

Mas havia um pequeno problema biológico nessa comparação.

Dinossauros não evoluem.

Mainframes, sim.

Enquanto as revistas escreviam artigos...

Os laboratórios da IBM trabalhavam silenciosamente.

Novos processadores.

Novos canais de I/O.

Mais memória.

Mais virtualização.

Mais desempenho.

Mais confiabilidade.

A cada geração surgiam melhorias que dificilmente apareciam nas manchetes.

Porque evolução incremental quase nunca vira capa de revista.


O que a reportagem acertou

É importante reconhecer que a Forbes não estava completamente equivocada.

Ela acertou em vários pontos.

A computação realmente se descentralizou.

Os PCs dominaram os escritórios.

As redes locais tornaram-se padrão.

Os servidores UNIX conquistaram espaço.

Mais tarde vieram Linux, virtualização e cloud.

Tudo isso aconteceu.

A revista percebeu corretamente que a arquitetura corporativa mudaria profundamente.

Onde ela errou foi na conclusão.

Ela confundiu crescimento de uma tecnologia com desaparecimento de outra.

Na engenharia, coexistência costuma ser muito mais comum do que substituição completa.


O que ficou de fora

Existe uma palavra que praticamente não aparecia nessas análises.

Negócio.

As reportagens discutiam hardware.

Processadores.

Arquiteturas.

Preço.

Memória.

Sistema operacional.

Mas quase nunca perguntavam:

Quem processa a folha de pagamento?

Quem controla o estoque nacional?

Quem liquida operações bancárias?

Quem registra bilhões de transações financeiras?

Quem mantém décadas de regras de negócio escritas em COBOL?

Porque substituir hardware é relativamente simples.

Substituir quarenta anos de conhecimento empresarial é outra história completamente diferente.


Enquanto isso... dentro do CPD

Vamos imaginar a cena.

Um jornalista termina de escrever:

"O mainframe é um dinossauro."

Na mesma hora...

Em algum banco brasileiro...

Um operador pressiona ENTER no terminal 3270.

Um programa COBOL inicia sua execução.

O CICS recebe milhares de requisições.

O Db2 executa centenas de milhares de comandos SQL.

O JES2 inicia dezenas de JOBs batch.

O RACF valida usuários.

O VSAM grava registros.

Tudo continua funcionando.

Sem saber que havia acabado de ser declarado extinto.

Se computadores pudessem rir...

Talvez aquele IBM respondesse:

"Interessante... agora deixe-me voltar ao trabalho."


O tempo é um juiz implacável

A grande vantagem da História é que ela não discute.

Ela apenas acontece.

Passaram-se cinco anos.

Depois dez.

Depois vinte.

Depois trinta.

Chegamos a 2026.

O "dinossauro" citado em 1989 agora atende por outro nome.

IBM z17.

Possui aceleração nativa para Inteligência Artificial.

Executa Linux.

Hospeda OpenShift.

Integra-se ao watsonx.

Utiliza DevOps.

Executa aplicações Java, Python, Node.js, Go e COBOL.

Conversa naturalmente com Kubernetes, APIs REST e ambientes híbridos de cloud.

O que morreu não foi o mainframe.

Foi a ideia de que inovação exige abandonar tudo o que veio antes.


A primeira lição da Forbes

A reportagem da Forbes merece ser lembrada.

Não porque acertou.

Nem porque errou.

Mas porque representa perfeitamente um fenômeno que continua acontecendo em 2026.

Sempre que surge uma tecnologia revolucionária...

Alguém anuncia o fim da tecnologia anterior.

Foi assim com:

  • PCs contra Mainframes.

  • Internet contra PCs.

  • Cloud contra Datacenters.

  • Containers contra Máquinas Virtuais.

  • Microservices contra Monólitos.

  • IA contra Programadores.

A História mostra que a realidade costuma ser bem menos dramática.

As melhores tecnologias raramente eliminam completamente as anteriores.

Elas aprendem a conviver.

A integrar.

A evoluir juntas.

E talvez essa seja a maior lição deixada pela Forbes de 1989.

O verdadeiro erro nunca foi apostar no futuro.

Foi acreditar que o futuro só poderia existir depois de destruir completamente o passado.


Fonte histórica

Forbes, edição de 20 de março de 1989, posteriormente citada pelo Professor Wolfgang Spruth em The Death of the Mainframe, como uma das primeiras grandes publicações a popularizar a metáfora do "dinossauro tecnológico". O trabalho de Spruth preserva essa e outras manchetes históricas, permitindo compreender o contexto da época e compará-lo com a evolução real da plataforma IBM Z.

Bellacosa Mainframe e o Funeral que nunca aconteceu