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terça-feira, 7 de julho de 2026

Capítulo 7 — The New York Times (1993)

Bellacosa Mainframe rumo a extincao baboseira de 1993

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Capítulo 7 — The New York Times (1993)

"Rumo à Extinção"... ou Apenas Mudando de Forma?

Análise da reportagem publicada pelo The New York Times em 1993, que afirmava que o mainframe caminhava para a extinção, e como a evolução do IBM Z demonstrou que inovação e continuidade podem caminhar lado a lado.

Por

Reportagem do The New York Times de 1993 prevendo a extinção do Mainframe
Em 1993, novas previsões indicavam que o Mainframe caminhava para a extinção. A história mostrou um resultado bem diferente.

"A tecnologia raramente desaparece porque outra nasceu. Ela desaparece quando deixa de resolver problemas. Em 1993, o Mainframe continuava resolvendo os maiores problemas da computação corporativa."

— Bellacosa Mainframe

Contexto histórico

No início da década de 1990, a expansão das redes, do modelo Client/Server e dos computadores pessoais reforçou a percepção de que os grandes sistemas centralizados desapareceriam em poucos anos.

Entretanto, bancos, seguradoras, governos e grandes empresas continuavam dependendo do processamento transacional oferecido por COBOL, CICS, Db2 e z/OS.

A lição de 1993

A previsão ignorava décadas de regras de negócio, compatibilidade, escalabilidade, disponibilidade e confiabilidade acumuladas pelos mainframes IBM.

Em vez de desaparecer, a plataforma continuou evoluindo até chegar ao IBM z17, incorporando Linux, APIs, DevOps, cloud híbrida e Inteligência Artificial.


Fevereiro de 1993

Quatro anos haviam se passado desde a primeira reportagem do The New York Times.

O mundo já era outro.

O muro de Berlim havia caído.

A Guerra Fria terminara.

A internet começava a sair dos laboratórios.

O Windows 3.1 conquistava milhões de usuários.

O UNIX continuava crescendo.

As workstations da Sun Microsystems eram o sonho de muitos desenvolvedores.

Os servidores Intel evoluíam rapidamente.

A arquitetura Client/Server dominava praticamente todas as conferências de tecnologia.

E o clima era de euforia.

Parecia que tudo seria reinventado.

Foi nesse ambiente que o The New York Times, em 9 de fevereiro de 1993, voltou ao assunto.

Desta vez utilizando uma expressão ainda mais forte.

Segundo a reportagem, o mainframe estava:

"Hurtling toward extinction."

Ou, em português:

"Correndo em direção à extinção."

A mensagem era clara.

Agora não se tratava apenas de um dinossauro envelhecido.

Tratava-se de uma espécie que caminhava rapidamente para desaparecer. Essa manchete foi posteriormente preservada por Wolfgang Spruth em The Death of the Mainframe como um dos exemplos mais representativos do pensamento dominante da época.


O auge do Client/Server

Se 1989 marcou o nascimento da narrativa...

1993 marcou seu auge.

Era praticamente impossível participar de um congresso de informática sem ouvir dezenas de palestras prometendo o mesmo futuro.

Tudo seria distribuído.

Cada departamento teria seus próprios servidores.

Os grandes CPDs desapareceriam.

A palavra da moda era:

Downsizing.

Na prática significava:

"Vamos trocar um computador enorme por centenas de computadores menores."

A ideia parecia brilhante.

Até que chegaram as primeiras contas de manutenção.


A década em que tudo seria "Open"

Outra característica marcante daquela época era a obsessão por sistemas "abertos".

Parecia que qualquer produto precisava carregar a palavra Open para ser considerado moderno.

Open Systems.

Open Architecture.

Open Computing.

Open Network.

Open Platform.

Open Software.

Era quase uma lei do marketing.

Se fosse "Open", era inovador.

Se fosse IBM, era "legado".

O curioso é que a própria IBM participava ativamente da padronização de tecnologias abertas, apoiava TCP/IP, POSIX, UNIX (AIX) e diversas iniciativas de interoperabilidade.

Mas isso raramente aparecia nas manchetes.


O que ninguém queria admitir

Existe uma característica curiosa do mercado de tecnologia.

Todo vendedor gosta de falar sobre instalação.

Pouquíssimos gostam de falar sobre migração.

Porque instalar um sistema novo é relativamente simples.

Migrar quarenta anos de operação é outra história.

Imagine um grande banco em 1993.

Ele possuía:

  • milhares de programas COBOL;

  • centenas de tabelas Db2;

  • aplicações CICS;

  • processamento batch;

  • integração com terminais 3270;

  • interfaces com caixas eletrônicos;

  • sistemas de compensação bancária;

  • processamento de cartões;

  • folhas de pagamento;

  • contabilidade;

  • auditoria.

Agora imagine um consultor dizendo:

"Vamos reescrever tudo."

A primeira pergunta de um diretor experiente provavelmente seria:

"Quanto custa?"

A segunda:

"Quanto tempo?"

E a terceira:

"Quem assume o risco?"

Essas três perguntas costumavam encerrar muitas reuniões.


A grande confusão

A reportagem do New York Times refletia um erro extremamente comum.

Confundir:

Evolução da arquitetura

com

Substituição da arquitetura.

Essas duas coisas são completamente diferentes.

Sim.

As empresas passaram a utilizar mais servidores.

Sim.

Aplicações departamentais migraram para outras plataformas.

Sim.

PCs transformaram o ambiente corporativo.

Mas isso nunca significou que os sistemas centrais deixariam automaticamente de existir.

Na verdade...

Eles passaram a conversar com muito mais sistemas do que antes.


Bellacosa Mainframe e o iceberg invisivel

O iceberg invisível

Imagine um enorme iceberg.

A parte visível representa:

  • computadores pessoais;

  • servidores;

  • interfaces gráficas;

  • aplicações de escritório.

A parte submersa representa:

  • regras de negócio;

  • processamento financeiro;

  • consistência transacional;

  • auditoria;

  • integração;

  • disponibilidade;

  • segurança.

A imprensa olhava principalmente para a parte visível.

Os arquitetos corporativos precisavam cuidar da parte submersa.

E todos sabemos qual parte sustenta o iceberg.


O COBOL não recebeu o memorando

Vamos imaginar uma situação curiosa.

Na manhã de 9 de fevereiro de 1993...

Um programa COBOL inicia sua execução.

Lê um arquivo VSAM.

Consulta o Db2.

Atualiza uma conta corrente.

Executa um COMMIT.

Encerra normalmente.

Horas depois alguém comenta:

— Você ficou sabendo?

— Do quê?

— O New York Times disse que você está caminhando para a extinção.

O programa responde:

— Interessante...

Mas antes preciso processar mais oito milhões de registros.


O humor da engenharia

Existe uma piada entre veteranos de mainframe.

"COBOL nunca lê jornais."

CICS também não.

Db2 muito menos.

JCL definitivamente não.

Enquanto analistas discutiam o futuro...

Os sistemas continuavam executando exatamente aquilo para o qual foram projetados.

Com estabilidade.

Previsibilidade.

Consistência.

Essas características nunca foram manchetes.

Mas sempre foram extremamente valiosas.


O mercado começou a descobrir a realidade

Curiosamente...

Foi justamente em meados da década de 1990 que muitas empresas começaram a perceber que migrar aplicações críticas era muito mais complexo do que parecia.

Projetos previstos para dois anos levavam cinco.

Orçamentos dobravam.

Alguns triplicavam.

Diversas iniciativas eram canceladas.

Outras terminavam funcionando...

Mas com desempenho inferior.

Os consultores descobriram uma verdade que os programadores COBOL já conheciam havia décadas.

Negócio é mais complicado do que tecnologia.


Enquanto isso... nos laboratórios da IBM

É interessante observar o contraste.

Enquanto jornais discutiam a possível extinção do mainframe...

A IBM trabalhava na próxima geração de sua plataforma.

Novos processadores.

Mais memória.

Mais canais.

Melhor gerenciamento de workload.

Mais virtualização.

Maior integração.

Os engenheiros pareciam ignorar completamente o funeral organizado pela imprensa.

Talvez porque estivessem ocupados demais desenvolvendo o futuro.


O verdadeiro patrimônio

Existe uma frase muito conhecida entre arquitetos de sistemas:

"As empresas não compram computadores. Elas compram continuidade do negócio."

Essa talvez seja a maior diferença entre um laboratório e um banco.

Entre uma universidade e uma seguradora.

Entre uma startup e um governo.

Tecnologia muda.

O negócio precisa continuar funcionando.

Todos os dias.

Sem exceção.

Essa exigência nunca saiu de moda.


Trinta e três anos depois

Agora olhe para 2026.

O IBM z17 processa Inteligência Artificial diretamente na plataforma.

O watsonx integra modelos de IA corporativa.

O COBOL continua evoluindo.

O Db2 incorpora recursos modernos.

O CICS expõe APIs REST.

O z/OS automatiza operações com Ansible.

O BOB integra pipelines DevOps.

O Zowe aproxima o mundo open source do IBM Z.

A plataforma que estaria "correndo rumo à extinção"...

Na verdade estava correndo rumo à modernização.

Existe uma diferença enorme entre essas duas trajetórias.


A terceira grande lição

A reportagem de 1993 ensina algo extremamente atual.

Toda vez que surge uma inovação importante...

Existe a tentação de transformar crescimento em exclusividade.

Foi assim com:

Client/Server.

Internet.

Cloud.

Microservices.

Blockchain.

Metaverso.

Agora acontece com Inteligência Artificial.

Mas a História mostra outra coisa.

A computação raramente substitui completamente suas fundações.

Ela constrói novos andares sobre elas.

Hoje uma aplicação pode começar em um smartphone.

Passar por APIs.

Atravessar Kubernetes.

Conversar com microsserviços.

Chegar ao CICS.

Consultar Db2.

Executar COBOL.

E responder ao usuário em poucos milissegundos.

Esse é o verdadeiro retrato da computação moderna.

Não uma guerra entre tecnologias.

Mas uma colaboração entre décadas de engenharia.


Um último conselho ao Padawan

Quando encontrar uma manchete afirmando:

"A tecnologia X está caminhando para a extinção."

Lembre-se de uma pergunta simples.

Ela ainda resolve um problema importante?

Se a resposta for "sim"...

Talvez ela esteja apenas evoluindo de maneira silenciosa.

Porque, na engenharia, quem faz mais barulho nem sempre é quem entrega mais resultados.

E talvez essa seja a maior ironia da reportagem do New York Times de 1993.

Enquanto o jornal enxergava um fim próximo...

Os engenheiros da IBM estavam preparando o caminho que, décadas depois, levaria ao IBM z17, ao watsonx, ao OpenShift, ao BOB, ao Zowe e a uma plataforma capaz de unir o legado das aplicações COBOL com a Inteligência Artificial corporativa.

O "dinossauro" não caminhava para a extinção.

Estava apenas iniciando mais uma etapa de sua evolução.


Fonte histórica

The New York Times, 9 de fevereiro de 1993, citado pelo Professor Wolfgang Spruth em The Death of the Mainframe. A reportagem utilizou a expressão "hurtling toward extinction" ("correndo rumo à extinção"), tornando-se um dos exemplos mais conhecidos do entusiasmo da imprensa com o movimento Client/Server e com as previsões de substituição dos grandes sistemas corporativos. Décadas depois, ela permanece como um importante registro histórico sobre os desafios de prever a evolução da tecnologia.

Bellacosa Mainframe e o Funeral que nunca aconteceu

C:\BELLACOSA\COBOL\FUNERAL_QUE_NUNCA_ACONTECEU.HTML
★ BELLACOSA MAINFRAME APRESENTA ★

A MORTE DO COBOL

O Funeral que Nunca Aconteceu

Uma investigação histórica em 14 capítulos sobre as previsões, reportagens, buzzwords e profetas que anunciaram repetidamente o fim do COBOL — enquanto bilhões de transações continuavam sendo processadas silenciosamente.

SISTEMA ONLINE — 14 CAPÍTULOS DISPONÍVEIS
DIRETÓRIO DE CAPÍTULOS

README.TXT

Esta série investiga uma das narrativas mais repetidas da história da tecnologia: a suposta morte do COBOL. Durante décadas, revistas, jornais, consultorias e especialistas anunciaram seu desaparecimento. Entretanto, o COBOL permaneceu processando bancos, seguradoras, governos, cartões, pagamentos e sistemas críticos.

Os títulos e links acima são elementos HTML reais, permitindo que mecanismos de busca encontrem e rastreiem todos os capítulos. Os iframes funcionam apenas como previews visuais.

C:\> RUN BELLACOSA.EXE /COBOL /HISTORY /NO-FUNERAL _

★ BELLACOSA MAINFRAME ★ COBOL ★ IBM Z ★ HISTÓRIA DA COMPUTAÇÃO ★

Melhor visualizado em qualquer navegador com café disponível.

domingo, 5 de julho de 2026

Capítulo 5 — The New York Times (1989)

Bellacosa Mainframe deu no the new york times

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Capítulo 5 — The New York Times (1989)

Quando o "Dinossauro" Virou Manchete Mundial

Uma análise histórica da reportagem do The New York Times que ajudou a popularizar mundialmente a ideia da morte do mainframe e como essa previsão se mostrou equivocada diante da evolução do IBM Z.

Por

A reportagem do The New York Times de 1989 sobre o futuro do Mainframe
A cobertura do The New York Times ampliou mundialmente o debate sobre o suposto fim do mainframe e marcou a história da computação corporativa.


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Capítulo 5 — The New York Times (1989)

Quando o "Dinossauro" Virou Manchete Mundial

"Uma previsão publicada em uma revista influencia especialistas. A mesma previsão publicada na primeira página de um grande jornal influencia o mundo inteiro."
— Bellacosa Mainframe


4 de abril de 1989

A história da computação mudou naquele dia.

Não porque surgiu uma nova tecnologia.

Não porque a IBM lançou um novo processador.

Nem porque apareceu um sistema operacional revolucionário.

Mudou porque um dos jornais mais respeitados do planeta resolveu contar uma história.

Essa história dizia, em essência, que o reinado dos grandes computadores estava chegando ao fim.

O veículo era o The New York Times.

Quando um jornal desse porte fala sobre política, economia ou tecnologia, milhões de pessoas prestam atenção.

E quando ele chama uma tecnologia de "dinossauro", essa imagem deixa de ser apenas uma metáfora técnica e passa a fazer parte do imaginário coletivo.

A reportagem descrevia os mainframes como uma tecnologia gigantesca, cara e cada vez mais ameaçada pela rápida evolução dos computadores pessoais, das workstations e das redes locais. A narrativa refletia o entusiasmo crescente em torno da computação distribuída, vista como o caminho natural para substituir os grandes sistemas centrais.


Bellacosa Mainframe afinal o mainframe nao morreu

A diferença entre uma revista e um jornal

Existe um detalhe importante que muitos esquecem.

A Forbes era lida principalmente por executivos e investidores.

A InfoWorld era voltada para profissionais de tecnologia.

Mas o New York Times era diferente.

Ele conversava com toda a sociedade.

Empresários.

Políticos.

Economistas.

Professores.

Estudantes.

Diretores financeiros.

Acionistas.

Ou seja...

Quando o New York Times dizia que uma tecnologia estava envelhecendo...

Essa ideia ultrapassava os limites do departamento de TI.

Ela chegava às salas de reunião.


O nascimento de uma narrativa

Pouco a pouco começou a surgir uma história aparentemente perfeita.

Os computadores pessoais estavam ficando mais rápidos.

As workstations da Sun eram impressionantes.

As redes Ethernet cresciam.

O UNIX ganhava espaço.

As empresas queriam reduzir custos.

Logo...

Os grandes computadores desapareceriam.

Perceba uma coisa interessante.

Cada uma dessas afirmações era verdadeira.

O erro estava apenas na última conclusão.

Na engenharia, uma sequência de fatos verdadeiros pode produzir uma conclusão completamente errada.


A computação estava realmente mudando

É importante sermos honestos.

Os jornalistas não inventaram aquela transformação.

Ela existia.

Os departamentos começaram a comprar servidores próprios.

Os usuários deixaram de depender exclusivamente do CPD.

Aplicações passaram a ser distribuídas.

Novos fabricantes surgiam todos os anos.

As empresas finalmente podiam comprar servidores relativamente baratos.

Tudo isso aconteceu.

O problema foi acreditar que descentralizar parte do processamento significava eliminar completamente o processamento central.

Hoje sabemos que uma coisa não implica necessariamente a outra.


O CPD parecia um castelo medieval

Existe também um aspecto cultural.

Para um jovem engenheiro de 1989, entrar em um Centro de Processamento de Dados era quase uma experiência cinematográfica.

Portas pesadas.

Controle de acesso.

Piso elevado.

Ar-condicionado constante.

Operadores.

Grandes unidades de disco.

Robôs de fitas.

Luzes piscando.

Consoles.

Tudo parecia gigantesco.

Enquanto isso...

No escritório ao lado...

Um PC colorido executava planilhas em poucos segundos.

Era impossível não pensar:

"O futuro está aqui."

O curioso é que ambos estavam certos.

O PC representava o futuro da computação pessoal.

O mainframe continuava representando o futuro da computação transacional.

Esses futuros apenas eram diferentes.


O erro da fotografia

Imagine que alguém fotografe uma cidade.

Na imagem aparecem centenas de carros elétricos.

A partir dessa foto ele conclui:

"Os caminhões desapareceram."

Parece absurdo.

Mas foi exatamente esse tipo de raciocínio que contaminou muitas análises da época.

Os jornalistas observavam o crescimento dos PCs.

O crescimento era real.

Depois concluíam que os mainframes desapareceriam.

Só que estavam fotografando apenas uma parte da cidade.

Os caminhões continuavam trabalhando.

Longe dos holofotes.


O que o jornalista não via

Enquanto a reportagem era escrita...

Dentro das empresas acontecia outra realidade.

Os caixas eletrônicos continuavam conectados ao mainframe.

As reservas de companhias aéreas continuavam centralizadas.

As seguradoras processavam milhões de contratos.

Governos arrecadavam impostos.

Bolsas de valores liquidavam operações.

Hospitais processavam contas médicas.

Grandes varejistas atualizavam estoques nacionais.

Nada disso aparecia na mesa do usuário final.

Era infraestrutura.

E infraestrutura raramente ganha manchetes.

Ninguém escreve um artigo chamado:

"Hoje milhões de transações funcionaram normalmente."

Mas basta uma falhar...

Ela vira notícia mundial.


O invisível nunca parece moderno

Existe uma curiosidade interessante.

Quanto mais importante uma tecnologia se torna...

Mais invisível ela fica.

Ninguém pensa na rede elétrica ao acender a luz.

Ninguém pensa no sistema de abastecimento ao abrir a torneira.

Da mesma forma...

Pouquíssimos clientes de um banco pensam no IBM Z quando fazem um pagamento.

Isso faz parte do sucesso da plataforma.

Ela funciona tão bem que desaparece da percepção das pessoas.

Talvez esse tenha sido um dos maiores problemas do mainframe.

Ele sempre trabalhou nos bastidores.

Enquanto os computadores pessoais ficavam sobre a mesa.


O Padawan visita uma redação em 1989

Vamos imaginar nosso Padawan COBOL entrando na redação do New York Times.

Um jornalista pergunta:

— Você trabalha com computadores?

Ele responde:

— Sim.

— Então você deve estar preocupado. Dizem que o mainframe vai desaparecer.

Nosso Padawan sorri.

Pergunta educadamente:

— Quantas transações bancárias seu jornal processa por dia?

Silêncio.

— Quantos cartões de crédito vocês autorizam?

Silêncio.

— Quantas folhas de pagamento nacionais vocês executam?

Mais silêncio.

Então ele conclui:

— Talvez vocês estejam olhando para o computador errado.


O verdadeiro patrimônio nunca foi o hardware

Existe uma palavra que quase nunca aparecia nas manchetes.

Conhecimento.

Quando falamos em um sistema COBOL de um grande banco...

Não estamos falando apenas de milhões de linhas de código.

Estamos falando de décadas de regras de negócio.

Leis.

Normas.

Tributação.

Auditoria.

Processos internos.

Integrações.

Experiência acumulada.

Trocar um servidor é relativamente simples.

Reescrever quarenta anos de conhecimento empresarial é um dos projetos mais caros que uma organização pode enfrentar.

Essa dimensão raramente aparecia nas reportagens.


A diferença entre moda e missão crítica

Em 1989, muitas aplicações realmente migraram para plataformas distribuídas.

Correio eletrônico.

Ferramentas de escritório.

Planilhas.

Documentos.

Aplicações departamentais.

Isso fazia todo sentido.

Mas sistemas de missão crítica obedecem outras regras.

Eles precisam funcionar:

  • 24 horas por dia;

  • sete dias por semana;

  • com alta disponibilidade;

  • segurança;

  • auditoria;

  • recuperação;

  • consistência transacional.

Esses requisitos nunca deixaram de existir.

E continuam sendo exatamente os motivos pelos quais plataformas IBM Z permanecem estratégicas em 2026.


O tempo respondeu silenciosamente

O New York Times publicou sua reportagem.

A indústria continuou discutindo.

Os analistas continuaram prevendo.

Os consultores continuaram vendendo projetos.

Enquanto isso...

O mainframe fez algo extremamente ousado.

Continuou trabalhando.

Não respondeu aos jornalistas.

Não publicou cartas abertas.

Não iniciou campanhas publicitárias.

Apenas continuou processando bilhões de dólares todos os dias.

Existe uma elegância quase japonesa nisso.

Quando um samurai domina completamente sua arte...

Ele não precisa discutir.

A excelência fala por ele.


A segunda grande lição

A reportagem do New York Times é um documento histórico precioso.

Ela não representa apenas uma previsão sobre computadores.

Ela representa uma característica humana.

Nossa enorme dificuldade em distinguir:

  • crescimento de substituição;

  • inovação de destruição;

  • evolução de obsolescência.

A computação realmente mudou.

Mudou profundamente.

Mas a História mostrou que ela não caminhou eliminando tudo o que existia.

Ela caminhou integrando tecnologias.

Em 2026 convivem naturalmente:

  • IBM Z;

  • Linux;

  • Kubernetes;

  • OpenShift;

  • COBOL;

  • Java;

  • Python;

  • APIs REST;

  • Db2;

  • PostgreSQL;

  • CICS;

  • Kafka;

  • watsonx;

  • Inteligência Artificial.

O mundo corporativo descobriu algo que as manchetes de 1989 ainda não conseguiam enxergar.

A inovação mais poderosa não é aquela que destrói o passado.

É aquela que consegue conversar com ele.


Fonte histórica

The New York Times, 4 de abril de 1989, citado pelo Professor Wolfgang Spruth em The Death of the Mainframe. A reportagem ajudou a popularizar mundialmente a imagem do mainframe como um "dinossauro tecnológico", refletindo o entusiasmo da época com PCs, workstations e arquiteturas cliente-servidor. Décadas depois, tornou-se um importante registro histórico sobre como a indústria enxergava o futuro da computação no final dos anos 1980.

Bellacosa Mainframe e o Funeral que nunca aconteceu


C:\BELLACOSA\COBOL\FUNERAL_QUE_NUNCA_ACONTECEU.HTML
★ BELLACOSA MAINFRAME APRESENTA ★

A MORTE DO COBOL

O Funeral que Nunca Aconteceu

Uma investigação histórica em 14 capítulos sobre as previsões, reportagens, buzzwords e profetas que anunciaram repetidamente o fim do COBOL — enquanto bilhões de transações continuavam sendo processadas silenciosamente.

SISTEMA ONLINE — 14 CAPÍTULOS DISPONÍVEIS
DIRETÓRIO DE CAPÍTULOS

README.TXT

Esta série investiga uma das narrativas mais repetidas da história da tecnologia: a suposta morte do COBOL. Durante décadas, revistas, jornais, consultorias e especialistas anunciaram seu desaparecimento. Entretanto, o COBOL permaneceu processando bancos, seguradoras, governos, cartões, pagamentos e sistemas críticos.

Os títulos e links acima são elementos HTML reais, permitindo que mecanismos de busca encontrem e rastreiem todos os capítulos. Os iframes funcionam apenas como previews visuais.

C:\> RUN BELLACOSA.EXE /COBOL /HISTORY /NO-FUNERAL _

★ BELLACOSA MAINFRAME ★ COBOL ★ IBM Z ★ HISTÓRIA DA COMPUTAÇÃO ★

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sábado, 4 de julho de 2026

Capítulo 4 — Forbes (1989)

Bellacosa Mainframe e a revista forbes em 1989

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Capítulo 4 — Forbes (1989)

O Dia em que o Mainframe Virou um Dinossauro... e Resolveu Continuar Evoluindo

Uma análise da reportagem da Forbes que classificou o mainframe como um "dinossauro tecnológico", mostrando o contexto da época e como a plataforma IBM evoluiu continuamente até chegar ao IBM z17.

Por

Capa da Forbes de 1989 e o início das previsões sobre a morte do Mainframe
A reportagem da Forbes marcou uma geração ao comparar o mainframe a um dinossauro, iniciando uma longa sequência de previsões sobre seu fim.

"Toda revolução tecnológica produz duas coisas: uma inovação verdadeira e dezenas de previsões exageradas."

— Bellacosa Mainframe

Março de 1989

Voltemos quase quarenta anos no tempo.

O muro de Berlim ainda estava de pé.

A World Wide Web sequer existia.

Linux ainda não havia sido criado.

Java levaria vários anos para nascer.

Windows era apenas a versão 2.0.

O IBM AS/400 havia acabado de ser lançado.

O System/390 ainda nem existia.

A computação corporativa era dominada por grandes datacenters.

E foi exatamente nesse cenário que a Forbes, uma das revistas de negócios mais influentes do planeta, publicou um artigo que ajudaria a moldar a percepção do mercado sobre o futuro da computação.

O tom era claro.

Os computadores pessoais estavam ficando mais poderosos.

As workstations da Sun Microsystems faziam sucesso entre engenheiros.

Os servidores UNIX ganhavam espaço.

As redes locais Ethernet cresciam rapidamente.

Tudo parecia indicar que a centralização estava com os dias contados.

O mainframe passou a ser descrito como um "dinossauro tecnológico", uma metáfora poderosa para sugerir que uma tecnologia gigantesca, cara e aparentemente lenta seria inevitavelmente substituída por uma nova geração de computadores menores e distribuídos. Essa imagem se espalhou rapidamente pela indústria e seria repetida inúmeras vezes ao longo da década seguinte.


Por que essa comparação fazia sentido?

Hoje é fácil dizer que a Forbes estava errada.

Mas um engenheiro sério precisa entender o contexto antes de julgar.

Em 1989 havia excelentes razões para acreditar naquela previsão.

Os microprocessadores evoluíam rapidamente.

O preço do hardware caía ano após ano.

As empresas começavam a montar redes locais.

Os usuários finalmente podiam ter um computador sobre a mesa.

Até então, era comum dividir tempo em um único computador central.

De repente...

Cada funcionário tinha sua própria máquina.

Parecia uma revolução.

E realmente era.


O nascimento da ilusão da descentralização

Imagine um gerente em 1989.

Ele visita uma feira de tecnologia.

No primeiro estande encontra um enorme IBM Mainframe.

Na sala ao lado vê uma workstation Sun rodando gráficos coloridos.

Depois encontra dezenas de PCs ligados em rede.

A demonstração impressiona.

Tudo parece mais moderno.

Mais rápido.

Mais bonito.

O vendedor então faz a pergunta fatal:

"Por que continuar pagando milhões por um mainframe?"

É uma pergunta excelente.

O problema é que ela estava incompleta.

A pergunta correta deveria ser:

"Quem continuará processando milhões de transações com disponibilidade próxima de 100% durante os próximos vinte anos?"

Essa pergunta aparecia muito menos nos folders de marketing.


O marketing encontrou um vilão perfeito

Toda boa campanha publicitária precisa de um antagonista.

Na indústria automobilística, o vilão pode ser o consumo de combustível.

Na indústria farmacêutica, pode ser uma doença.

Na computação dos anos 90...

O vilão escolhido foi o mainframe.

Ele reunia todas as características necessárias para uma boa narrativa.

Era grande.

Era caro.

Ficava escondido em salas refrigeradas.

Poucas pessoas o conheciam.

Pouquíssimos sabiam como funcionava.

Era o candidato perfeito para representar "o passado".

Enquanto isso, os novos servidores eram vendidos como:

  • modernos;

  • abertos;

  • flexíveis;

  • distribuídos;

  • democráticos.

Era uma excelente história.

Só havia um detalhe.

Histórias vendem revistas.

Engenharia precisa funcionar às três horas da manhã.


O dinossauro mais estranho da História

A metáfora do dinossauro era extremamente eficiente.

Todos entendem imediatamente seu significado.

Dinossauros dominaram o planeta.

Depois desapareceram.

Logo...

O mainframe também desapareceria.

Mas havia um pequeno problema biológico nessa comparação.

Dinossauros não evoluem.

Mainframes, sim.

Enquanto as revistas escreviam artigos...

Os laboratórios da IBM trabalhavam silenciosamente.

Novos processadores.

Novos canais de I/O.

Mais memória.

Mais virtualização.

Mais desempenho.

Mais confiabilidade.

A cada geração surgiam melhorias que dificilmente apareciam nas manchetes.

Porque evolução incremental quase nunca vira capa de revista.


O que a reportagem acertou

É importante reconhecer que a Forbes não estava completamente equivocada.

Ela acertou em vários pontos.

A computação realmente se descentralizou.

Os PCs dominaram os escritórios.

As redes locais tornaram-se padrão.

Os servidores UNIX conquistaram espaço.

Mais tarde vieram Linux, virtualização e cloud.

Tudo isso aconteceu.

A revista percebeu corretamente que a arquitetura corporativa mudaria profundamente.

Onde ela errou foi na conclusão.

Ela confundiu crescimento de uma tecnologia com desaparecimento de outra.

Na engenharia, coexistência costuma ser muito mais comum do que substituição completa.


O que ficou de fora

Existe uma palavra que praticamente não aparecia nessas análises.

Negócio.

As reportagens discutiam hardware.

Processadores.

Arquiteturas.

Preço.

Memória.

Sistema operacional.

Mas quase nunca perguntavam:

Quem processa a folha de pagamento?

Quem controla o estoque nacional?

Quem liquida operações bancárias?

Quem registra bilhões de transações financeiras?

Quem mantém décadas de regras de negócio escritas em COBOL?

Porque substituir hardware é relativamente simples.

Substituir quarenta anos de conhecimento empresarial é outra história completamente diferente.


Enquanto isso... dentro do CPD

Vamos imaginar a cena.

Um jornalista termina de escrever:

"O mainframe é um dinossauro."

Na mesma hora...

Em algum banco brasileiro...

Um operador pressiona ENTER no terminal 3270.

Um programa COBOL inicia sua execução.

O CICS recebe milhares de requisições.

O Db2 executa centenas de milhares de comandos SQL.

O JES2 inicia dezenas de JOBs batch.

O RACF valida usuários.

O VSAM grava registros.

Tudo continua funcionando.

Sem saber que havia acabado de ser declarado extinto.

Se computadores pudessem rir...

Talvez aquele IBM respondesse:

"Interessante... agora deixe-me voltar ao trabalho."


O tempo é um juiz implacável

A grande vantagem da História é que ela não discute.

Ela apenas acontece.

Passaram-se cinco anos.

Depois dez.

Depois vinte.

Depois trinta.

Chegamos a 2026.

O "dinossauro" citado em 1989 agora atende por outro nome.

IBM z17.

Possui aceleração nativa para Inteligência Artificial.

Executa Linux.

Hospeda OpenShift.

Integra-se ao watsonx.

Utiliza DevOps.

Executa aplicações Java, Python, Node.js, Go e COBOL.

Conversa naturalmente com Kubernetes, APIs REST e ambientes híbridos de cloud.

O que morreu não foi o mainframe.

Foi a ideia de que inovação exige abandonar tudo o que veio antes.


A primeira lição da Forbes

A reportagem da Forbes merece ser lembrada.

Não porque acertou.

Nem porque errou.

Mas porque representa perfeitamente um fenômeno que continua acontecendo em 2026.

Sempre que surge uma tecnologia revolucionária...

Alguém anuncia o fim da tecnologia anterior.

Foi assim com:

  • PCs contra Mainframes.

  • Internet contra PCs.

  • Cloud contra Datacenters.

  • Containers contra Máquinas Virtuais.

  • Microservices contra Monólitos.

  • IA contra Programadores.

A História mostra que a realidade costuma ser bem menos dramática.

As melhores tecnologias raramente eliminam completamente as anteriores.

Elas aprendem a conviver.

A integrar.

A evoluir juntas.

E talvez essa seja a maior lição deixada pela Forbes de 1989.

O verdadeiro erro nunca foi apostar no futuro.

Foi acreditar que o futuro só poderia existir depois de destruir completamente o passado.


Fonte histórica

Forbes, edição de 20 de março de 1989, posteriormente citada pelo Professor Wolfgang Spruth em The Death of the Mainframe, como uma das primeiras grandes publicações a popularizar a metáfora do "dinossauro tecnológico". O trabalho de Spruth preserva essa e outras manchetes históricas, permitindo compreender o contexto da época e compará-lo com a evolução real da plataforma IBM Z.

Bellacosa Mainframe e o Funeral que nunca aconteceu


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★ BELLACOSA MAINFRAME APRESENTA ★

A MORTE DO COBOL

O Funeral que Nunca Aconteceu

Uma investigação histórica em 14 capítulos sobre as previsões, reportagens, buzzwords e profetas que anunciaram repetidamente o fim do COBOL — enquanto bilhões de transações continuavam sendo processadas silenciosamente.

SISTEMA ONLINE — 14 CAPÍTULOS DISPONÍVEIS
DIRETÓRIO DE CAPÍTULOS

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Esta série investiga uma das narrativas mais repetidas da história da tecnologia: a suposta morte do COBOL. Durante décadas, revistas, jornais, consultorias e especialistas anunciaram seu desaparecimento. Entretanto, o COBOL permaneceu processando bancos, seguradoras, governos, cartões, pagamentos e sistemas críticos.

Os títulos e links acima são elementos HTML reais, permitindo que mecanismos de busca encontrem e rastreiem todos os capítulos. Os iframes funcionam apenas como previews visuais.

C:\> RUN BELLACOSA.EXE /COBOL /HISTORY /NO-FUNERAL _

★ BELLACOSA MAINFRAME ★ COBOL ★ IBM Z ★ HISTÓRIA DA COMPUTAÇÃO ★

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