| Bellacosa Mainframe caçando o arco-iris |
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
🌈 O Arco-Íris que a Câmera Não Conseguiu Guardar
A câmera quase não conseguiu enxergá-lo. Nós conseguimos. E talvez algumas imagens tenham mesmo sido feitas para ficar guardadas nos olhos e no coração.
Mais uma aventura a bordo do famoso Pretinho, o New Fiesta da Juliana.
Naquela época, muitas de nossas pequenas aventuras familiares aconteciam assim: colocávamos algumas coisas no carro, chamávamos o Formiga e saíamos para descobrir algum pedaço novo do mapa.
Desta vez estávamos pela região de Águas de São Pedro e São Pedro, aproveitando alguns dias de diversão, água, estrada e exploração.
Havíamos passado o dia curtindo o parque aquático termal de Águas de São Pedro e estávamos hospedados em São Pedro. Mas ficar simplesmente indo da pousada para o parque e do parque para a pousada nunca foi exatamente nosso estilo.
Se havia uma estrada diferente, uma cidadezinha, uma paisagem ou alguma coisa interessante por perto, lá ia o Pretinho.
🚗💨
Era preciso explorar.
🚗 O Pretinho novamente na estrada
O New Fiesta da Juliana acabou participando de uma quantidade enorme dessas histórias.
Carro de família tem dessas coisas.
No catálogo da montadora ele pode ser apenas um modelo, uma motorização, alguns números de consumo e uma lista de equipamentos.
Dentro da memória familiar é outra coisa.
É a máquina que leva as pessoas.
É onde acontecem conversas.
Onde uma criança dorme no banco traseiro depois de um dia inteiro de brincadeiras.
Onde aparecem as placas indicando lugares que ninguém estava planejando conhecer.
Onde alguém aponta pela janela e diz:
— Olha aquilo!
E imediatamente alguma pequena história começa.
O nosso era o Pretinho.
E naquele dia o Pretinho estava novamente cumprindo sua missão.
Estávamos retornando para a pousada depois de mais um daqueles dias gostosos em família quando o céu resolveu participar da aventura.
🌧️ Uma típica chuva de verão
Quem conhece o interior paulista sabe como acontece.
O calor fica pesado.
As nuvens começam a crescer.
O céu escurece rapidamente.
E então...
desaba água.
Não aquela chuvinha educada que começa devagar e avisa que pretende ficar algumas horas.
Nada disso.
Era uma daquelas clássicas chuvas de verão: fortes, intensas e rápidas.
Durante alguns minutos parece que alguém abriu uma comporta no céu.
A estrada muda.
O campo muda.
A luz muda.
Os limpadores trabalham sem descanso e o mundo observado através do para-brisa transforma-se numa pintura em movimento.
Continuamos seguindo.
Juliana, Formiga e eu dentro do Pretinho, enquanto a tempestade fazia seu espetáculo do lado de fora.
E, como frequentemente acontece com essas chuvas, pouco depois tudo começou a mudar novamente.
A intensidade diminuiu.
O céu clareou.
A luz voltou a atravessar as nuvens.
E então apareceu ele.
🌈 O arco-íris
Um lindo arco-íris surgiu sobre aquela paisagem.
Estrada.
Campo.
Céu ainda carregado pela chuva.
E aquelas cores atravessando tudo.
Era uma daquelas imagens que fazem alguém dentro do carro imediatamente procurar a câmera.
Precisava registrar aquilo.
Hoje estamos acostumados com celulares capazes de fotografar praticamente no escuro, estabilização eletrônica, HDR, múltiplas lentes, processamento computacional e algoritmos corrigindo automaticamente aquilo que o sensor não conseguiu captar.
Mas estávamos em 2016.
E havia algumas pequenas dificuldades naquele momento.
Estávamos dentro de um carro.
O carro estava em movimento.
A iluminação era complicada.
O céu ainda estava carregado.
A paisagem também estava se movendo em relação à câmera.
E um arco-íris não é exatamente o objeto mais fácil do mundo para uma câmera registrar.
Mesmo assim, tentei.
🎥 REC
Estrada.
Campo.
Céu.
E...
Cadê o arco-íris?
📹 A câmera não viu aquilo que nós estávamos vendo
Essa acabou sendo a parte mais curiosa daquele pequeno vídeo.
O arco-íris estava ali.
Nós estávamos vendo.
Bonito.
Colorido.
Perfeitamente integrado àquela paisagem depois da tempestade.
Mas quando tentávamos colocar aquilo dentro da câmera, boa parte da magia simplesmente desaparecia.
No vídeo sobrava apenas uma sombra daquilo que nossos olhos enxergavam.
Na postagem original de janeiro de 2016 eu praticamente pedi desculpas pela imagem:
“É pena que a câmera não pegou legal.”
Dez anos depois, olhando novamente para aquele registro, percebo que talvez estivesse olhando para a coisa errada.
A câmera não precisava ter conseguido.
Porque nós conseguimos.
👀 Algumas fotografias são feitas pelos olhos
Existe uma obsessão moderna bastante curiosa.
Queremos registrar tudo.
Comida.
Viagem.
Praia.
Crianças.
Paisagem.
Pôr do sol.
Show.
Aniversário.
Estrada.
E naturalmente...
Arco-íris.
É compreensível.
Fotografias e vídeos são maravilhosas máquinas do tempo.
Um pequeno arquivo esquecido durante dez anos pode subitamente devolver uma tarde inteira.
Mas existe uma diferença importante entre registrar uma experiência e experimentar uma experiência.
Naquele dia a câmera registrou mal o arco-íris.
Meus olhos não.
Eu me lembro da estrada.
Do campo molhado.
Da chuva que havia acabado de passar.
Do céu.
Do carro em movimento.
Da Juliana.
Do Formiga.
E daquele arco-íris.
Curiosamente, o vídeo tecnicamente imperfeito acabou fazendo exatamente aquilo que deveria fazer.
Ele não preservou perfeitamente a imagem.
Preservou a lembrança.
🧠 O melhor dispositivo de armazenamento estava dentro do carro
Talvez algum programador de mainframe encontre aqui uma analogia inevitável.
A câmera possuía limitações de hardware.
O sensor tinha limitações.
Havia movimento.
Havia condições ruins de iluminação.
O dispositivo tentou executar sua pequena missão de I/O e entregou aquilo que conseguiu.
RC=04 — concluído com warning.
😂
Mas havia três outros sistemas de captura funcionando dentro daquele New Fiesta.
Juliana.
Formiga.
E eu.
Cada um armazenando aquela cena de maneira completamente diferente.
Nenhum deles em JPEG.
Nenhum em MP4.
Nenhum dependendo de resolução, bitrate ou estabilização óptica.
Guardamos aquela imagem associada ao momento.
E memória humana funciona de uma maneira estranhíssima.
Às vezes uma fotografia perfeita desaparece no meio de dez mil fotografias.
Enquanto uma imagem que sequer conseguimos fotografar direito permanece conosco durante décadas.
❤️ Guardamos com os olhos e com o coração
Hoje acho maravilhosa a imperfeição daquele vídeo.
Se a câmera tivesse capturado um arco-íris absolutamente perfeito, talvez a postagem fosse apenas:
“Olha que arco-íris bonito.”
Fim.
Mas ela falhou.
E justamente essa pequena falha técnica acabou se transformando no gancho da história.
Porque naquele retorno para a pousada descobrimos, sem perceber, algo que somente muitos anos depois eu conseguiria colocar em palavras:
nem tudo precisa ser perfeitamente registrado para ser preservado.
Algumas coisas ficam conosco de outra maneira.
Aquele dia no parque.
O Pretinho.
Juliana.
Formiga.
A estrada molhada.
O campo.
Aquela chuva de verão que chegou furiosa e foi embora rapidamente.
E finalmente o arco-íris.
A câmera tentou.
Não conseguiu direito.
Tudo bem.
Nós vimos.
🌈
E dez anos depois, ainda consigo olhar para aquele vídeo tecnicamente ruim e enxergar muito mais do que os pixels conseguem mostrar.
Talvez seja essa a função verdadeira dessas pequenas filmagens familiares.
Elas não precisam guardar toda a história.
Precisam apenas deixar uma pequena chave capaz de abrir novamente aquela gaveta da memória.
O vídeo é a chave.
A imagem verdadeira continua guardada em outro lugar.
Nos olhos e no coração.
☕ Easter egg do Bellacosa Mainframe
Se algum operador estivesse acompanhando aquele processamento no SDSF, provavelmente encontraria algo assim:
JOB RAINBOW
STEP01 SUMMER-RAIN RC=00
STEP02 FAMILY-TRIP RC=00
STEP03 CAMERA-CAPTURE RC=04
STEP04 HUMAN-MEMORY RC=00
STEP05 HEART-STORAGE RC=00
MAXCC=04
JOB COMPLETED SUCCESSFULLY.
Porque em produção, como na vida, um warning nem sempre significa que alguma coisa deu errado.
Às vezes significa apenas:
a câmera não conseguiu guardar tudo.
Nós conseguimos.
☕🌈🚗
Bellacosa Mainframe — onde até uma velha filmagem de estrada pode executar novamente um job arquivado há dez anos na memória.
Presente do ceu: Arco iris na estrada
Tivemos um dia prazeiroso no parque aquático Termas de São Pedro, no retorno para o hotel teve uma tromba d'agua, daquelas de verão, super forte e super rápido.Após a chuva fomos presenteados com um lindo arco-íris, a filmagem ficou fraca, achei que a resolução da camera iria capturar, mas infelizmente não deu.
Pelos menos conseguimos ver um pouco das cores no céu, uns pequenos detalhes do lado direito, usando um pouco da imaginação consegue-se ver o dito arco-íris.