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| Bellacosa Mainframe e o globo da morte no circo de itatiba |
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Um Café no Bellacosa Mainframe🏍️ Aventuras no Globo da Morte — O Circo Mambembe que Fez o Formiguinha Pirar
Um fim de semana em Itatiba, brigadeiros da Juju, passeios pelo Parque Luís Latorre e motociclistas aparentemente malucos desafiando a gravidade dentro de uma esfera de aço
Estamos em Itatiba, em um daqueles finais de semana especiais em que o Formiga vinha ficar conosco.
E quando isso acontecia havia uma transformação interessante na casa.
Juliana ficava eufórica.
Era como se recebesse uma missão secreta:
Temos aproximadamente 48 horas. Precisamos fazer esse menino se divertir o máximo possível.
E a operação começava.
Videogame.
LEGO espalhado pela casa.
Passeios.
Guloseimas.
Brincadeiras.
Brigadeiros e outras delícias produzidas pelas mãos mágicas da Juju.
E, naturalmente, alguma coisa precisava acontecer fora de casa.
Uma de nossas rotinas era simplesmente bater perna pelo Parque Luís Latorre, passear sem grandes compromissos, deixar o Formiga gastar aquela aparentemente inesgotável reserva energética disponível exclusivamente para crianças.
Mas existia outra coisa que procurávamos aproveitar sempre que aparecia uma oportunidade:
circo.
E não estou falando dos espetáculos gigantescos que participam do Festival Internacional de Circo de Monte-Carlo, televisionados e apresentados ao mundo.
Estou falando de outra espécie de circo.
Talvez uma espécie muito mais próxima daquela que durante gerações ajudou a formar o imaginário das pequenas cidades brasileiras.
🎪 O pequeno circo familiar.
O circo mambembe.
Aquele que chega ao interior paulista transportado por alguns caminhões, ocupa temporariamente um terreno, ergue sua lona e durante alguns dias cria um pequeno universo paralelo dentro da cidade.
🎪 Uma pequena empresa familiar sobre rodas
Existe algo nesses circos que sempre me fascinou.
Não há uma gigantesca estrutura corporativa separando cada função.
Ali, todo mundo parece fazer um pouco de tudo.
A mesma artista que você encontra fazendo malabarismo no picadeiro pode ser justamente a pessoa que, pouco antes, estava vendendo o ingresso na entrada.
Outro artista que daqui a alguns minutos estará participando de algum número pode aparecer no intervalo oferecendo:
🍿 doces,
🥤 refrigerantes,
🍭 algodão-doce,
🌭 cachorro-quente,
🥟 pastel.
É quase uma pequena empresa itinerante.
Só que o escritório possui lona.
O departamento de vendas também faz malabarismo.
O pessoal da operação monta arquibancada.
E provavelmente alguém do financeiro sabe dirigir caminhão.
Quem está acostumado com grandes organizações poderia imaginar um organograma:
CEO → Diretor → Gerente → Supervisor → Operação.
No circo mambembe o organograma provavelmente seria mais simples:
Todo mundo → faz tudo.
E funciona.
A família trabalha.
Os artistas trabalham.
A lona sobe.
As luzes acendem.
A música começa.
E durante algumas horas aquele terreno qualquer de uma cidade do interior deixa de ser um terreno.
Vira um mundo mágico.
🐜 Para uma criança, porém, nada disso importava
O Formiga não estava interessado no modelo operacional do circo.
Ele queria espetáculo.
E naquele dia haveria um dos números mais tradicionais e impressionantes desse universo:
🏍️ O GLOBO DA MORTE
Ali estava ele.
Uma enorme esfera construída com estrutura metálica.
Olhando de fora já parecia existir alguma coisa errada naquele projeto.
Uma motocicleta ali dentro?
Tudo bem.
Mas então o piloto começa a acelerar.
VRUUUUUMMMMM!
Mais rápido.
VRUUUUUUUUUMMMMMM!
A moto começa a subir pelas laterais.
E alguns segundos depois acontece aquilo que qualquer criança olhando para a cena provavelmente considera impossível:
o motociclista passa de cabeça para baixo.
O Formiguinha pirou.
🏍️ O ronco que tomava conta da lona
Meu pequeno texto publicado em 2014 registrou exatamente essa sensação:
“O ronco do motor ensurdecedor, bagunça sobre duas rodas, o Formiguinha pirou com o barulho, ficou louco com as peripécias dos pilotos.”
Hoje percebo como aquela descrição curta capturou perfeitamente o ambiente.
Porque o Globo da Morte não é apenas visual.
Ele é físico.
Você sente aquelas motocicletas.
O motor acelera dentro de uma estrutura metálica fechada e coberta por uma lona.
O som invade tudo.
A motocicleta ganha velocidade.
O piloto sobe.
Desce.
Cruza novamente.
Sobe pelas grades.
E o público acompanha cada passagem.
🤫 Então acontece uma coisa curiosa
Quanto maior o barulho das motocicletas...
mais silencioso fica o público.
Existe um momento em que todo mundo parece prender a respiração.
Foi justamente isso que registrei naquele pequeno post:
“O roncar dos motores, o silêncio e atenção do público tornam ainda mais mágica a sensação.”
E continua sendo uma das coisas mais interessantes do espetáculo.
Não é necessário colocar uma placa:
SILÊNCIO.
Ninguém precisa pedir.
Todo mundo entende que aqueles pilotos estão executando alguma coisa potencialmente perigosa.
Um pequeno erro pode significar muito mais do que perder alguns pontos numa competição.
Ali não existe CTRL+Z.
Não existe restart checkpoint.
Não existe:
//RETRY EXEC PGM=GLOBOMORTE
😄
A execução é produção.
⚙️ A física não está sendo desafiada
Naturalmente dizemos que aqueles motociclistas estão “desafiando a gravidade”.
Mas existe uma pequena ironia.
Eles não estão vencendo as leis da física.
Estão sobrevivendo justamente porque aprenderam a trabalhar com elas.
Para completar uma volta vertical, a motocicleta precisa manter velocidade suficiente para que a trajetória circular continue sendo possível. A estrutura do globo, a velocidade, o raio da trajetória, a aderência e principalmente a habilidade do piloto trabalham juntos.
A gravidade continua lá.
Newton não abriu uma exceção temporária porque o circo chegou a Itatiba.
O impressionante é justamente o contrário:
aqueles motociclistas aprenderam a transformar as leis da física em espetáculo.
E fazem isso a poucos metros do público.
😳 Uma moto já parece loucura
Então naturalmente alguém teve a seguinte ideia:
“E se colocarmos mais motociclistas?”
Porque aparentemente existir apenas um sujeito correndo de motocicleta dentro de uma esfera metálica não produzia emoção suficiente.
É aí que o espetáculo fica ainda mais impressionante.
Os pilotos precisam controlar não apenas suas próprias máquinas e trajetórias, mas trabalhar com sincronização e precisão.
Para o público parece caos.
Para os pilotos precisa existir ordem.
É quase um processamento paralelo.
Cada motociclista possui sua trajetória.
Cada um possui seu tempo.
Todos compartilham o mesmo recurso.
E ninguém pode provocar uma condição de corrida.
Literalmente.
Meu cérebro de mainframe olha para aquilo hoje e pensa:
RESOURCE SHARING: CRITICAL
COLLISION DETECTION: HUMAN
FAILOVER: NÃO RECOMENDADO
SLA: VOLTAR VIVO
😂
Mas o pequeno Formiga não precisava saber de nada disso.
Ele simplesmente estava fascinado.
❤️ E talvez aí esteja a verdadeira história
Quando encontrei novamente aquela postagem de 2014, parecia ser apenas um pequeno registro sobre motociclistas.
Dois vídeos.
Algumas frases.
Um Globo da Morte.
Mas puxando um pouco mais o fio da memória apareceu todo o restante.
Apareceu Itatiba.
Apareceu o fim de semana.
Apareceu o Parque Luís Latorre.
Apareceu o LEGO.
Apareceu o videogame.
Apareceram os brigadeiros.
E apareceu Juliana tentando comprimir em um único fim de semana todas as experiências possíveis para o pequeno visitante.
De repente percebi que o Globo da Morte era apenas uma parte da história.
O verdadeiro espetáculo começava antes.
Começava quando o Formiga chegava.
🧱 LEGO, videogame e brigadeiro
Talvez para ele fossem apenas finais de semana divertidos.
Para nós havia toda uma preparação emocional.
O que vamos fazer?
Onde vamos levá-lo?
O que vamos comer?
Tem alguma coisa acontecendo na cidade?
E quando aparecia um circo...
Bingo.
Estava decidido.
E gosto particularmente de pensar que não procurávamos necessariamente o espetáculo mais sofisticado.
Não precisava existir luxo.
Não precisava existir uma produção internacional.
Bastavam uma lona, algumas arquibancadas, artistas dispostos a trabalhar e aquela velha promessa circense:
Senhoras e senhores...
...durante as próximas duas horas vocês podem esquecer o mundo lá fora.
🎪 Os gigantes pequenos do picadeiro
Hoje também olho para aqueles artistas com outro respeito.
Porque quando somos espectadores enxergamos apenas alguns minutos da apresentação.
Não vemos o resto.
Não vemos desmontar.
Carregar.
Dirigir.
Chegar à próxima cidade.
Montar novamente.
Consertar equipamentos.
Ensaiar.
Vender ingressos.
Preparar comida.
Limpar.
Receber o público.
Vestir o figurino.
Entrar no picadeiro.
Sorrir.
Apresentar.
E no dia seguinte...
fazer tudo novamente.
Talvez seja justamente isso que torne esses pequenos circos familiares tão especiais.
Não são apenas empresas de entretenimento.
São comunidades itinerantes especializadas em fabricar algumas horas de encantamento.
💾 Maio de 2014
Meu registro original era minúsculo.
Poucas linhas.
Dois vídeos.
Mas funcionou.
Doze anos depois bastou encontrar aquelas palavras para executar alguma coisa dentro da memória:
RESTORE MEMORIA.GLOBO.MORTE
E os arquivos começaram a voltar.
Itatiba.
Juju.
Formiga.
Circo.
Lona.
Doces.
Motocicletas.
Barulho.
Silêncio.
E aqueles olhos acompanhando pilotos correndo pelas grades.
Talvez seja justamente por isso que gosto tanto de revisitar estes milhares de pequenos registros.
Na época eu pensava que estava guardando vídeos.
Hoje percebo que estava deixando ponteiros para memórias.
Os vídeos não armazenaram apenas motociclistas.
Armazenaram um fim de semana.
E dentro daquele fim de semana havia uma pequena família tentando proporcionar a uma criança experiências que um dia poderiam virar lembranças.
🐜 O Formiguinha ainda está lá
O circo certamente foi embora de Itatiba.
A lona foi desmontada.
As estruturas entraram nos caminhões.
Os motociclistas partiram para outra cidade do interior.
O terreno voltou à rotina.
Talvez alguns daqueles artistas nem imaginem que, doze anos depois, alguém ainda estaria escrevendo sobre aquela apresentação.
Mas em algum lugar dentro de dois pequenos vídeos publicados em maio de 2014...
o espetáculo ainda não terminou.
O motor continua acelerando.
A motocicleta continua subindo pelas grades.
O público continua prendendo a respiração.
Juliana continua eufórica por proporcionar mais uma aventura.
E o pequeno Formiga continua olhando para aquela esfera metálica absolutamente convencido de que aqueles motociclistas são os seres humanos mais malucos do planeta.
🏍️ VRUUUUUUUUUMMMMM!
E lá vai ele outra vez.
☕ Bellacosa Mainframe
Um circo pode permanecer apenas alguns dias numa cidade.
Uma apresentação pode durar apenas alguns minutos.
Mas algumas experiências conseguem ficar em produção por toda uma vida.
03:17:00 — GLOBE OF DEATH JOB STILL RUNNING
FORMIGA STATUS: EUPHORIC
JUJU STATUS: MISSION ACCOMPLISHED
GRAVITY STATUS: WORKING AS DESIGNED
RETURN CODE: 0000
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Um circo mambembe numa pequena cidade do interior paulista, audazes motociclistas aprontam vários truques em suas motocicletas.
O ronco do motor ensurdecedor, bagunça sobre duas rodas, o formiguinha pirou com o barulho, ficou louco com as peripécias dos pilotos.
O roncar dos motores, o silencio e atenção do publico tornam ainda mais magico a sensação. Rodando e subindo correndo e subindo pelas grades.