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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

SP 360 - Estrada dos Bambus

Bellacosa Mainframe percorrendo a SP 360 e sua caverna de Bambus

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🎋 A estrada que atravessou minha vida

A SP-360 nunca foi apenas uma estrada para mim.

Quando olho para ela hoje, percebo que seus quilômetros acabaram costurando diferentes capítulos da minha própria biografia. Mudaram os anos, mudaram as pessoas, mudaram os carros, mudaram os motivos da viagem. Mas a estrada continuou ali.

Entre 1993 e 1996, atravessar aqueles caminhos estava associado a Cristiani, a Cris. Amparo era o destino.

Anos depois, entre 1999 e 2002, a paisagem voltou a aparecer pela janela. Dessa vez havia outra história sendo escrita e outro nome associado à viagem: Giovana.

Dois tempos.

Duas garotas.

A mesma estrada.

A mesma cidade: Amparo.

Talvez seja justamente isso que transforme certas rodovias em algo muito maior do que uma sequência de quilômetros, curvas, pontes e placas. Algumas estradas acabam funcionando como linhas do tempo. Basta passar novamente por determinado lugar para alguma memória que parecia arquivada reaparecer.

Depois vieram outros caminhos. Passei muitos anos fora do Brasil e, quando retornei em 2013, voltei também a cruzar a SP-360.

Mas agora havia uma diferença importante: comecei a registrar esses pequenos momentos.

Uma estrada que antes guardava minhas lembranças começou também a aparecer nas fotografias e nos vídeos.

Foi assim que, em 2016, registrei um dos trechos mais bonitos dessa rota, próximo de Morungaba: os bambus crescendo dos dois lados da pista e encontrando-se sobre a rodovia, formando uma espécie de caverna vegetal.

Entrar naquele trecho é como atravessar um pequeno portal.

A luminosidade diminui. A paisagem muda. Por alguns segundos, deixamos de simplesmente dirigir por uma rodovia e passamos por dentro da vegetação.

Os bambus se curvam sobre os viajantes como se estivessem fazendo uma reverência.

Como se saudassem quem chega.



Não surpreende que o lugar desperte a atenção de viajantes e motociclistas. Existe ali algo que nenhuma obra planejada conseguiria reproduzir exatamente da mesma maneira: uma arquitetura construída lentamente pela própria natureza.

E talvez eu goste tanto daquele pequeno túnel justamente porque ele representa perfeitamente minha relação com a SP-360.

Passei por ela inúmeras vezes.

Às vezes apaixonado.

Às vezes indo encontrar alguém.

Às vezes voltando.

Décadas depois, apenas observando e registrando.

Cristiani pertence a um capítulo. Giovana pertence a outro. Muitas outras histórias aconteceram antes e depois delas.

Os bambus cresceram.

Eu envelheci.

Amparo continuou no mapa.

E a SP-360 permaneceu ligando todos esses pontos invisíveis.

Hoje, quando revejo aquele pequeno registro de 2016, já não vejo apenas uma curiosidade da estrada.

Vejo uma velha conhecida.

Uma estrada que me viu passar aos vinte e poucos anos e me recebeu novamente depois de uma vida atravessada por outros lugares.

E naquele pequeno trecho de Morungaba, os bambus continuam inclinados sobre o asfalto.

Talvez não estejam apenas formando um túnel.

Gosto de imaginar que estejam dizendo:

— Bem-vindo de volta, viajante.

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Túnel vivo de Bambu


O trecho mais encantador da rodovia SP 360 e este ponto onde os bambus fazem um tunel dentro da estrada, são dois trechos, o primeiro com cerca de 10 metros e o segundo com 40 metros, tornando a estrada escura fazendo uma bela simbiose entre o asfalto e a natureza.


Quase chegando a Morungaba entramos no túnel,  A temperatura fica mais fresca a estrada escurece, tornando ainda mais bonito este trecho.



sábado, 9 de janeiro de 2016

Arco iris na estrada, é pena que a camera nao pegou legal

Bellacosa Mainframe caçando o arco-iris

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🌈 O Arco-Íris que a Câmera Não Conseguiu Guardar

A câmera quase não conseguiu enxergá-lo. Nós conseguimos. E talvez algumas imagens tenham mesmo sido feitas para ficar guardadas nos olhos e no coração.

Mais uma aventura a bordo do famoso Pretinho, o New Fiesta da Juliana.

Naquela época, muitas de nossas pequenas aventuras familiares aconteciam assim: colocávamos algumas coisas no carro, chamávamos o Formiga e saíamos para descobrir algum pedaço novo do mapa.

Desta vez estávamos pela região de Águas de São Pedro e São Pedro, aproveitando alguns dias de diversão, água, estrada e exploração.

Havíamos passado o dia curtindo o parque aquático termal de Águas de São Pedro e estávamos hospedados em São Pedro. Mas ficar simplesmente indo da pousada para o parque e do parque para a pousada nunca foi exatamente nosso estilo.

Se havia uma estrada diferente, uma cidadezinha, uma paisagem ou alguma coisa interessante por perto, lá ia o Pretinho.

🚗💨

Era preciso explorar.



🚗 O Pretinho novamente na estrada

O New Fiesta da Juliana acabou participando de uma quantidade enorme dessas histórias.

Carro de família tem dessas coisas.

No catálogo da montadora ele pode ser apenas um modelo, uma motorização, alguns números de consumo e uma lista de equipamentos.

Dentro da memória familiar é outra coisa.

É a máquina que leva as pessoas.

É onde acontecem conversas.

Onde uma criança dorme no banco traseiro depois de um dia inteiro de brincadeiras.

Onde aparecem as placas indicando lugares que ninguém estava planejando conhecer.

Onde alguém aponta pela janela e diz:

— Olha aquilo!

E imediatamente alguma pequena história começa.

O nosso era o Pretinho.

E naquele dia o Pretinho estava novamente cumprindo sua missão.

Estávamos retornando para a pousada depois de mais um daqueles dias gostosos em família quando o céu resolveu participar da aventura.


🌧️ Uma típica chuva de verão

Quem conhece o interior paulista sabe como acontece.

O calor fica pesado.

As nuvens começam a crescer.

O céu escurece rapidamente.

E então...

desaba água.

Não aquela chuvinha educada que começa devagar e avisa que pretende ficar algumas horas.

Nada disso.

Era uma daquelas clássicas chuvas de verão: fortes, intensas e rápidas.

Durante alguns minutos parece que alguém abriu uma comporta no céu.

A estrada muda.

O campo muda.

A luz muda.

Os limpadores trabalham sem descanso e o mundo observado através do para-brisa transforma-se numa pintura em movimento.

Continuamos seguindo.

Juliana, Formiga e eu dentro do Pretinho, enquanto a tempestade fazia seu espetáculo do lado de fora.

E, como frequentemente acontece com essas chuvas, pouco depois tudo começou a mudar novamente.

A intensidade diminuiu.

O céu clareou.

A luz voltou a atravessar as nuvens.

E então apareceu ele.



🌈 O arco-íris

Um lindo arco-íris surgiu sobre aquela paisagem.

Estrada.

Campo.

Céu ainda carregado pela chuva.

E aquelas cores atravessando tudo.

Era uma daquelas imagens que fazem alguém dentro do carro imediatamente procurar a câmera.

Precisava registrar aquilo.

Hoje estamos acostumados com celulares capazes de fotografar praticamente no escuro, estabilização eletrônica, HDR, múltiplas lentes, processamento computacional e algoritmos corrigindo automaticamente aquilo que o sensor não conseguiu captar.

Mas estávamos em 2016.

E havia algumas pequenas dificuldades naquele momento.

Estávamos dentro de um carro.

O carro estava em movimento.

A iluminação era complicada.

O céu ainda estava carregado.

A paisagem também estava se movendo em relação à câmera.

E um arco-íris não é exatamente o objeto mais fácil do mundo para uma câmera registrar.

Mesmo assim, tentei.

🎥 REC

Estrada.

Campo.

Céu.

E...

Cadê o arco-íris?

📹 A câmera não viu aquilo que nós estávamos vendo

Essa acabou sendo a parte mais curiosa daquele pequeno vídeo.

O arco-íris estava ali.

Nós estávamos vendo.

Bonito.

Colorido.

Perfeitamente integrado àquela paisagem depois da tempestade.

Mas quando tentávamos colocar aquilo dentro da câmera, boa parte da magia simplesmente desaparecia.

No vídeo sobrava apenas uma sombra daquilo que nossos olhos enxergavam.

Na postagem original de janeiro de 2016 eu praticamente pedi desculpas pela imagem:

“É pena que a câmera não pegou legal.”

Dez anos depois, olhando novamente para aquele registro, percebo que talvez estivesse olhando para a coisa errada.

A câmera não precisava ter conseguido.

Porque nós conseguimos.

👀 Algumas fotografias são feitas pelos olhos

Existe uma obsessão moderna bastante curiosa.

Queremos registrar tudo.

Comida.

Viagem.

Praia.

Crianças.

Paisagem.

Pôr do sol.

Show.

Aniversário.

Estrada.

E naturalmente...

Arco-íris.

É compreensível.

Fotografias e vídeos são maravilhosas máquinas do tempo.

Um pequeno arquivo esquecido durante dez anos pode subitamente devolver uma tarde inteira.

Mas existe uma diferença importante entre registrar uma experiência e experimentar uma experiência.

Naquele dia a câmera registrou mal o arco-íris.

Meus olhos não.

Eu me lembro da estrada.

Do campo molhado.

Da chuva que havia acabado de passar.

Do céu.

Do carro em movimento.

Da Juliana.

Do Formiga.

E daquele arco-íris.

Curiosamente, o vídeo tecnicamente imperfeito acabou fazendo exatamente aquilo que deveria fazer.

Ele não preservou perfeitamente a imagem.

Preservou a lembrança.

🧠 O melhor dispositivo de armazenamento estava dentro do carro

Talvez algum programador de mainframe encontre aqui uma analogia inevitável.

A câmera possuía limitações de hardware.

O sensor tinha limitações.

Havia movimento.

Havia condições ruins de iluminação.

O dispositivo tentou executar sua pequena missão de I/O e entregou aquilo que conseguiu.

RC=04 — concluído com warning.

😂

Mas havia três outros sistemas de captura funcionando dentro daquele New Fiesta.

Juliana.

Formiga.

E eu.

Cada um armazenando aquela cena de maneira completamente diferente.

Nenhum deles em JPEG.

Nenhum em MP4.

Nenhum dependendo de resolução, bitrate ou estabilização óptica.

Guardamos aquela imagem associada ao momento.

E memória humana funciona de uma maneira estranhíssima.

Às vezes uma fotografia perfeita desaparece no meio de dez mil fotografias.

Enquanto uma imagem que sequer conseguimos fotografar direito permanece conosco durante décadas.

❤️ Guardamos com os olhos e com o coração

Hoje acho maravilhosa a imperfeição daquele vídeo.

Se a câmera tivesse capturado um arco-íris absolutamente perfeito, talvez a postagem fosse apenas:

“Olha que arco-íris bonito.”

Fim.

Mas ela falhou.

E justamente essa pequena falha técnica acabou se transformando no gancho da história.

Porque naquele retorno para a pousada descobrimos, sem perceber, algo que somente muitos anos depois eu conseguiria colocar em palavras:

nem tudo precisa ser perfeitamente registrado para ser preservado.

Algumas coisas ficam conosco de outra maneira.

Aquele dia no parque.

O Pretinho.

Juliana.

Formiga.

A estrada molhada.

O campo.

Aquela chuva de verão que chegou furiosa e foi embora rapidamente.

E finalmente o arco-íris.

A câmera tentou.

Não conseguiu direito.

Tudo bem.

Nós vimos.

🌈

E dez anos depois, ainda consigo olhar para aquele vídeo tecnicamente ruim e enxergar muito mais do que os pixels conseguem mostrar.

Talvez seja essa a função verdadeira dessas pequenas filmagens familiares.

Elas não precisam guardar toda a história.

Precisam apenas deixar uma pequena chave capaz de abrir novamente aquela gaveta da memória.

O vídeo é a chave.

A imagem verdadeira continua guardada em outro lugar.

Nos olhos e no coração.


☕ Easter egg do Bellacosa Mainframe

Se algum operador estivesse acompanhando aquele processamento no SDSF, provavelmente encontraria algo assim:

JOB RAINBOW

STEP01 SUMMER-RAIN RC=00

STEP02 FAMILY-TRIP RC=00

STEP03 CAMERA-CAPTURE RC=04

STEP04 HUMAN-MEMORY RC=00

STEP05 HEART-STORAGE RC=00

MAXCC=04

JOB COMPLETED SUCCESSFULLY.

Porque em produção, como na vida, um warning nem sempre significa que alguma coisa deu errado.

Às vezes significa apenas:

a câmera não conseguiu guardar tudo.

Nós conseguimos.

☕🌈🚗

Bellacosa Mainframe — onde até uma velha filmagem de estrada pode executar novamente um job arquivado há dez anos na memória.

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Presente do ceu: Arco iris na estrada

Tivemos um dia prazeiroso no parque aquático Termas de São Pedro, no retorno para o hotel teve uma tromba d'agua, daquelas de verão, super forte e super rápido.

Após a chuva fomos presenteados com um lindo arco-íris, a filmagem ficou fraca, achei que a resolução da camera iria capturar, mas infelizmente não deu.




Pelos menos conseguimos ver um pouco das cores no céu, uns pequenos detalhes do lado direito, usando um pouco da imaginação consegue-se ver o dito arco-íris.

sábado, 10 de maio de 2014

Globo da Morte em Itatiba Parte II

Bellacosa Mainframe e o globo da morte no circo de itatiba

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🏍️ Aventuras no Globo da Morte — O Circo Mambembe que Fez o Formiguinha Pirar

Um fim de semana em Itatiba, brigadeiros da Juju, passeios pelo Parque Luís Latorre e motociclistas aparentemente malucos desafiando a gravidade dentro de uma esfera de aço

Estamos em Itatiba, em um daqueles finais de semana especiais em que o Formiga vinha ficar conosco.

E quando isso acontecia havia uma transformação interessante na casa.

Juliana ficava eufórica.

Era como se recebesse uma missão secreta:

Temos aproximadamente 48 horas. Precisamos fazer esse menino se divertir o máximo possível.

E a operação começava.

Videogame.

LEGO espalhado pela casa.

Passeios.

Guloseimas.

Brincadeiras.

Brigadeiros e outras delícias produzidas pelas mãos mágicas da Juju.

E, naturalmente, alguma coisa precisava acontecer fora de casa.

Uma de nossas rotinas era simplesmente bater perna pelo Parque Luís Latorre, passear sem grandes compromissos, deixar o Formiga gastar aquela aparentemente inesgotável reserva energética disponível exclusivamente para crianças.

Mas existia outra coisa que procurávamos aproveitar sempre que aparecia uma oportunidade:

circo.

E não estou falando dos espetáculos gigantescos que participam do Festival Internacional de Circo de Monte-Carlo, televisionados e apresentados ao mundo.

Estou falando de outra espécie de circo.

Talvez uma espécie muito mais próxima daquela que durante gerações ajudou a formar o imaginário das pequenas cidades brasileiras.

🎪 O pequeno circo familiar.

O circo mambembe.

Aquele que chega ao interior paulista transportado por alguns caminhões, ocupa temporariamente um terreno, ergue sua lona e durante alguns dias cria um pequeno universo paralelo dentro da cidade.


🎪 Uma pequena empresa familiar sobre rodas

Existe algo nesses circos que sempre me fascinou.

Não há uma gigantesca estrutura corporativa separando cada função.

Ali, todo mundo parece fazer um pouco de tudo.

A mesma artista que você encontra fazendo malabarismo no picadeiro pode ser justamente a pessoa que, pouco antes, estava vendendo o ingresso na entrada.

Outro artista que daqui a alguns minutos estará participando de algum número pode aparecer no intervalo oferecendo:

🍿 doces,

🥤 refrigerantes,

🍭 algodão-doce,

🌭 cachorro-quente,

🥟 pastel.

É quase uma pequena empresa itinerante.

Só que o escritório possui lona.

O departamento de vendas também faz malabarismo.

O pessoal da operação monta arquibancada.

E provavelmente alguém do financeiro sabe dirigir caminhão.

Quem está acostumado com grandes organizações poderia imaginar um organograma:

CEO → Diretor → Gerente → Supervisor → Operação.

No circo mambembe o organograma provavelmente seria mais simples:

Todo mundo → faz tudo.

E funciona.

A família trabalha.

Os artistas trabalham.

A lona sobe.

As luzes acendem.

A música começa.

E durante algumas horas aquele terreno qualquer de uma cidade do interior deixa de ser um terreno.

Vira um mundo mágico.

🐜 Para uma criança, porém, nada disso importava

O Formiga não estava interessado no modelo operacional do circo.

Ele queria espetáculo.

E naquele dia haveria um dos números mais tradicionais e impressionantes desse universo:


🏍️ O GLOBO DA MORTE

Ali estava ele.

Uma enorme esfera construída com estrutura metálica.

Olhando de fora já parecia existir alguma coisa errada naquele projeto.

Uma motocicleta ali dentro?

Tudo bem.

Mas então o piloto começa a acelerar.

VRUUUUUMMMMM!

Mais rápido.

VRUUUUUUUUUMMMMMM!

A moto começa a subir pelas laterais.

E alguns segundos depois acontece aquilo que qualquer criança olhando para a cena provavelmente considera impossível:

o motociclista passa de cabeça para baixo.

O Formiguinha pirou.

🏍️ O ronco que tomava conta da lona

Meu pequeno texto publicado em 2014 registrou exatamente essa sensação:

“O ronco do motor ensurdecedor, bagunça sobre duas rodas, o Formiguinha pirou com o barulho, ficou louco com as peripécias dos pilotos.”

Hoje percebo como aquela descrição curta capturou perfeitamente o ambiente.

Porque o Globo da Morte não é apenas visual.

Ele é físico.

Você sente aquelas motocicletas.

O motor acelera dentro de uma estrutura metálica fechada e coberta por uma lona.

O som invade tudo.

A motocicleta ganha velocidade.

O piloto sobe.

Desce.

Cruza novamente.

Sobe pelas grades.

E o público acompanha cada passagem.



🤫 Então acontece uma coisa curiosa

Quanto maior o barulho das motocicletas...

mais silencioso fica o público.

Existe um momento em que todo mundo parece prender a respiração.

Foi justamente isso que registrei naquele pequeno post:

“O roncar dos motores, o silêncio e atenção do público tornam ainda mais mágica a sensação.”

E continua sendo uma das coisas mais interessantes do espetáculo.

Não é necessário colocar uma placa:

SILÊNCIO.

Ninguém precisa pedir.

Todo mundo entende que aqueles pilotos estão executando alguma coisa potencialmente perigosa.

Um pequeno erro pode significar muito mais do que perder alguns pontos numa competição.

Ali não existe CTRL+Z.

Não existe restart checkpoint.

Não existe:

//RETRY EXEC PGM=GLOBOMORTE

😄

A execução é produção.

⚙️ A física não está sendo desafiada

Naturalmente dizemos que aqueles motociclistas estão “desafiando a gravidade”.

Mas existe uma pequena ironia.

Eles não estão vencendo as leis da física.

Estão sobrevivendo justamente porque aprenderam a trabalhar com elas.

Para completar uma volta vertical, a motocicleta precisa manter velocidade suficiente para que a trajetória circular continue sendo possível. A estrutura do globo, a velocidade, o raio da trajetória, a aderência e principalmente a habilidade do piloto trabalham juntos.

A gravidade continua lá.

Newton não abriu uma exceção temporária porque o circo chegou a Itatiba.

O impressionante é justamente o contrário:

aqueles motociclistas aprenderam a transformar as leis da física em espetáculo.

E fazem isso a poucos metros do público.

😳 Uma moto já parece loucura

Então naturalmente alguém teve a seguinte ideia:

“E se colocarmos mais motociclistas?”

Porque aparentemente existir apenas um sujeito correndo de motocicleta dentro de uma esfera metálica não produzia emoção suficiente.

É aí que o espetáculo fica ainda mais impressionante.

Os pilotos precisam controlar não apenas suas próprias máquinas e trajetórias, mas trabalhar com sincronização e precisão.

Para o público parece caos.

Para os pilotos precisa existir ordem.

É quase um processamento paralelo.

Cada motociclista possui sua trajetória.

Cada um possui seu tempo.

Todos compartilham o mesmo recurso.

E ninguém pode provocar uma condição de corrida.

Literalmente.

Meu cérebro de mainframe olha para aquilo hoje e pensa:

RESOURCE SHARING: CRITICAL

COLLISION DETECTION: HUMAN

FAILOVER: NÃO RECOMENDADO

SLA: VOLTAR VIVO

😂

Mas o pequeno Formiga não precisava saber de nada disso.

Ele simplesmente estava fascinado.

❤️ E talvez aí esteja a verdadeira história

Quando encontrei novamente aquela postagem de 2014, parecia ser apenas um pequeno registro sobre motociclistas.

Dois vídeos.

Algumas frases.

Um Globo da Morte.

Mas puxando um pouco mais o fio da memória apareceu todo o restante.

Apareceu Itatiba.

Apareceu o fim de semana.

Apareceu o Parque Luís Latorre.

Apareceu o LEGO.

Apareceu o videogame.

Apareceram os brigadeiros.

E apareceu Juliana tentando comprimir em um único fim de semana todas as experiências possíveis para o pequeno visitante.

De repente percebi que o Globo da Morte era apenas uma parte da história.

O verdadeiro espetáculo começava antes.

Começava quando o Formiga chegava.

🧱 LEGO, videogame e brigadeiro

Talvez para ele fossem apenas finais de semana divertidos.

Para nós havia toda uma preparação emocional.

O que vamos fazer?

Onde vamos levá-lo?

O que vamos comer?

Tem alguma coisa acontecendo na cidade?

E quando aparecia um circo...

Bingo.

Estava decidido.

E gosto particularmente de pensar que não procurávamos necessariamente o espetáculo mais sofisticado.

Não precisava existir luxo.

Não precisava existir uma produção internacional.

Bastavam uma lona, algumas arquibancadas, artistas dispostos a trabalhar e aquela velha promessa circense:

Senhoras e senhores...

...durante as próximas duas horas vocês podem esquecer o mundo lá fora.


🎪 Os gigantes pequenos do picadeiro

Hoje também olho para aqueles artistas com outro respeito.

Porque quando somos espectadores enxergamos apenas alguns minutos da apresentação.

Não vemos o resto.

Não vemos desmontar.

Carregar.

Dirigir.

Chegar à próxima cidade.

Montar novamente.

Consertar equipamentos.

Ensaiar.

Vender ingressos.

Preparar comida.

Limpar.

Receber o público.

Vestir o figurino.

Entrar no picadeiro.

Sorrir.

Apresentar.

E no dia seguinte...

fazer tudo novamente.

Talvez seja justamente isso que torne esses pequenos circos familiares tão especiais.

Não são apenas empresas de entretenimento.

São comunidades itinerantes especializadas em fabricar algumas horas de encantamento.

💾 Maio de 2014

Meu registro original era minúsculo.

Poucas linhas.

Dois vídeos.

Mas funcionou.

Doze anos depois bastou encontrar aquelas palavras para executar alguma coisa dentro da memória:

RESTORE MEMORIA.GLOBO.MORTE

E os arquivos começaram a voltar.

Itatiba.

Juju.

Formiga.

Circo.

Lona.

Doces.

Motocicletas.

Barulho.

Silêncio.

E aqueles olhos acompanhando pilotos correndo pelas grades.

Talvez seja justamente por isso que gosto tanto de revisitar estes milhares de pequenos registros.

Na época eu pensava que estava guardando vídeos.

Hoje percebo que estava deixando ponteiros para memórias.

Os vídeos não armazenaram apenas motociclistas.

Armazenaram um fim de semana.

E dentro daquele fim de semana havia uma pequena família tentando proporcionar a uma criança experiências que um dia poderiam virar lembranças.

🐜 O Formiguinha ainda está lá

O circo certamente foi embora de Itatiba.

A lona foi desmontada.

As estruturas entraram nos caminhões.

Os motociclistas partiram para outra cidade do interior.

O terreno voltou à rotina.

Talvez alguns daqueles artistas nem imaginem que, doze anos depois, alguém ainda estaria escrevendo sobre aquela apresentação.

Mas em algum lugar dentro de dois pequenos vídeos publicados em maio de 2014...

o espetáculo ainda não terminou.

O motor continua acelerando.

A motocicleta continua subindo pelas grades.

O público continua prendendo a respiração.

Juliana continua eufórica por proporcionar mais uma aventura.

E o pequeno Formiga continua olhando para aquela esfera metálica absolutamente convencido de que aqueles motociclistas são os seres humanos mais malucos do planeta.

🏍️ VRUUUUUUUUUMMMMM!

E lá vai ele outra vez.

☕ Bellacosa Mainframe

Um circo pode permanecer apenas alguns dias numa cidade.

Uma apresentação pode durar apenas alguns minutos.

Mas algumas experiências conseguem ficar em produção por toda uma vida.

03:17:00 — GLOBE OF DEATH JOB STILL RUNNING

FORMIGA STATUS: EUPHORIC

JUJU STATUS: MISSION ACCOMPLISHED

GRAVITY STATUS: WORKING AS DESIGNED

RETURN CODE: 0000


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Aventuras no globo da morte..


Um circo mambembe numa pequena cidade do interior paulista, audazes motociclistas aprontam vários truques em suas motocicletas.



O ronco do motor ensurdecedor, bagunça sobre duas rodas, o formiguinha pirou com o barulho, ficou louco com as peripécias dos pilotos.



O roncar dos motores, o silencio e atenção do publico tornam ainda mais magico a sensação. Rodando e subindo correndo e subindo pelas grades.

Globo da Morte em Itatiba

Aventuras no globo da morte..

O globo da morte sempre foi uma das atrações mais emocionantes dos tradicionais circos mambembes que percorrem as pequenas cidades do interior paulista. Sob a lona iluminada, o cheiro de serragem mistura-se à expectativa do público, enquanto o ronco dos motores anuncia que o espetáculo está prestes a começar. Em poucos segundos, os motociclistas aceleram com coragem e precisão, desafiando a gravidade dentro da gigantesca esfera metálica.

Cada volta aumenta a adrenalina. As motos sobem pelas grades, cruzam-se em alta velocidade e executam manobras sincronizadas que exigem anos de treinamento, confiança e absoluto controle. O barulho ensurdecedor dos motores faz o chão vibrar, e até o pequeno Formiguinha parece enlouquecer com tanta agitação, correndo de um lado para o outro, fascinado com a velocidade e o espetáculo.

Enquanto isso, o público prende a respiração. O silêncio entre uma manobra e outra contrasta com o rugido das motocicletas, tornando cada segundo ainda mais mágico. Crianças, adultos e idosos acompanham atentos, aplaudindo cada demonstração de coragem e habilidade.

O globo da morte representa muito mais do que uma simples atração circense. É um símbolo da dedicação dos artistas itinerantes que, com talento e paixão, mantêm viva uma das mais tradicionais formas de entretenimento popular brasileiro, levando emoção, aventura e encantamento por onde passam.

Um circo mambembe numa pequena cidade do interior paulista, audazes motociclistas aprontam vários truques em suas motocicletas.



O ronco do motor ensurdecedor, bagunça sobre duas rodas, o formiguinha pirou com o barulho, ficou louco com as peripécias dos pilotos.



O roncar dos motores, o silencio e atenção do publico tornam ainda mais magico a sensação. Rodando e subindo correndo e subindo pelas grades.

domingo, 7 de março de 2010

URUPÊS — AQUELE LUGAR ONDE O MUNDO ABRIA OS BRAÇOS

 

Bellacosa Mainframe e as memorias de infância em Urupês

URUPÊS — AQUELE LUGAR ONDE O MUNDO ABRIA OS BRAÇOS

Se Ibitinga foi meu laboratório de aventuras, Urupês foi meu estaleiro de horizontes — aquela fase da vida em que o menino paulistano, criado entre filmes, fotos, câmeras e luzes, descobria que existia um mundo inteiro além da cinzenta e opressora capital paulista.

O caminho até Urupês já era um acontecimento. Estradas vazias, quase hipnotizantes, com apenas o ronco do fusquinha vermelho (aquele guerreiro 1960 que enfrentava cascalho, poeira, barro e buracos como se fosse um tanque de guerra miniaturizado). As cidades dormiam ao redor da estrada. Só o vento, o sol e algum caminhoneiro perdido sabiam que vocês passavam por ali.

E ali, naquele pequeno ponto no mapa do Noroeste paulista, ficavam os parentes espanhóis espalhados, meio raiz, meio lenda, sempre com a oficina de tratores como um farol, uma fazenda ou uma história para contar.
Tinha o primo Eduardo da oficina de tratores, tinha o velho Wilson, meu pai, naquela época moço na casa dos trinta anos, uma figura única, boa praça, carismático, sarrista, centro das atenções onde estivesse, um contador de causos, de piadas e de vergonhas alheias — inclusive aquela famosa e indecente do vereador e o galinheiro, que você jura que um dia vai contar.

Mas o que pega na memória mesmo não é o povo — é o ambiente.


Urupês tinha cheiro.

Cheiro de lenha queimada no fogão, cheiro de terra molhada depois da chuva, cheiro de curral, de capim amassado pelo cascos dos bois.

Urupês tinha sons.

O bater da chuva no telhado sem forro.
O rangido dos móveis antigos.
O canto enlouquecido das maritacas.
O mugir manso do gado.
E o coro dos grilos ao entardecer, aquele som que parecia dizer:
— Fica mais, menino. Você não precisa ir embora tão cedo.



Urupês tinha perigos.

Perigos verdadeiros, naturais, selvagens, como a galinha choca possuída pelo demônio que me perseguiu quintal adentro, defendendo o pintainho que achei que podia pegar como quem pega um brinquedo.
Ali você aprendi rápido o conceito de “instinto maternal”, “risco de vida” e “corre senão ela te acerta”.

Urupês tinha magia.

Calhambeques semi-abandonados que se tornavam naves espaciais.
Café colhido na hora, seco no rancho, torrado e moido.
Riachos que viravam mundos.
Ninhos de joão-de-barro que pareciam pequenas cidades.
Tucanos, maritacas e papagaios que faziam mais barulho que o trânsito de São Paulo.
Cavalos que pareciam saídos de livros de aventura.

E o mais importante:


Urupês te deu dimensão.

Me fez perceber que meu mundo era muito maior que o quarteirão cinzento da cidade grande.
Que existia um mundo imenso além da Vila Rio Branco na Ponte Rasa.

Que fronteiras não eram paredes.
Que horizontes eram convites.

Talvez tenha sido ali — entre poeira, galinha furiosa, cheiro de lenha e viagens intermináveis — que nasceu a minha vocação de não aceitar limites.
De ser alguém sempre em movimento, buscando, aprendendo, explorando, criando.

Um menino que viu o mundo se abrir em quilômetros antes de se abrir em mãos.

E Urupês, assim como Ibitinga, ficou marcado no meu peito como essas memórias que aquecem em dia frio e lembram:
— Sim, eu vim daqui. Eu me fiz aqui. E tudo isso ainda vive em mim.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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