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domingo, 10 de julho de 2016

BR 381 Viagem noturna rumo a Itatiba


Um Café no Bellacosa Mainframe

🌙 BR-381 — Uma Viagem Noturna Rumo a Itatiba

Às vezes não é preciso viajar para muito longe para descobrir uma estrada nova. Basta voltar para casa por um caminho diferente.

Era noite e estávamos voltando para Itatiba depois de um domingo muito agradável em família, na Vila Rio Branco, região da Penha, em São Paulo.

Normalmente, minhas viagens para São Paulo tinham um roteiro praticamente automático. Na hora de voltar para casa, o caminho era quase sempre o mesmo: pegar a Rodovia dos Bandeirantes e seguir rumo ao interior.

Era a nossa rota conhecida.

Mas naquele domingo a geografia tinha outros planos.


🎂 Um dia especial em família

Havíamos ido até a Vila Rio Branco para comemorar o aniversário da Dona Anna, cercados de primos, tios, tias e daquela movimentação típica de uma reunião familiar.

E havia um detalhe especialmente bonito naquele encontro.

Juliana era confeiteira.

Dona Anna também havia sido confeiteira.

Assim, de certa maneira, duas gerações que conheciam muito bem farinha, açúcar, recheios, coberturas e a arte de transformar ingredientes em momentos felizes estavam se encontrando naquele aniversário.

Juliana resolveu presenteá-la da melhor maneira possível: preparando um belíssimo e delicioso bolo de aniversário.

Não era apenas um bolo comprado a caminho da festa.

Havia trabalho, conhecimento e carinho ali.

Uma confeiteira presenteando outra confeiteira.

E talvez apenas quem já trabalhou com isso consiga olhar para um bolo e perceber tudo aquilo que existe por trás dele: preparação, técnica, paciência, decoração e aquela inevitável expectativa de descobrir se todos irão gostar.

Gostaram.

Depois de um dia gostoso em família, chegou a inevitável hora de retornar para Itatiba.


🚗 O Pretinho estava pronto

Nosso companheiro daquela noite era o famoso Pretinho, nosso New Fiesta 2013.

E quem estava pilotando era a Juliana.

Só que havia uma pequena questão de logística.

Estávamos na região da Penha.

Voltar para o caminho tradicional e procurar a Bandeirantes não parecia fazer muito sentido.

Foi quando apareceu o argumento:

— Estamos praticamente do lado da Fernão Dias...

E contra a geografia fica difícil discutir.

😂

A BR-381 — Rodovia Fernão Dias oferecia um caminho muito mais lógico para quem estava saindo daquela região de São Paulo rumo a Itatiba.

Então, por que não?



🛣️ Vamos voltar pela Fernão Dias!

Hoje parece uma decisão absolutamente banal.

Coloque a rota no GPS e pronto.

Mas naquele momento havia um ingrediente que fazia toda a diferença:

não estávamos acostumados a fazer aquele caminho.

E isso transformou o retorno para casa numa pequena exploração.

Juliana pilotava o Pretinho enquanto avançávamos pela Fernão Dias.

A estrada era diferente.

As curvas eram diferentes.

Os acessos eram diferentes.

As referências eram diferentes.

Até as luzes pareciam diferentes.

Quando você dirige repetidamente pela mesma rodovia, o cérebro começa a apagar parte da viagem. Pontes, placas, curvas e saídas tornam-se referências automáticas.

Você praticamente sabe o que encontrará alguns quilômetros adiante.

Naquela noite não.

Tudo precisava ser observado.

🌃 Uma estrada conhecida por milhares — desconhecida para nós

Havia as luzes dos veículos vindo no sentido contrário.

Faróis surgiam nas curvas, aproximavam-se e desapareciam rapidamente atrás de nós.

As lanternas vermelhas dos carros à frente formavam pequenas linhas luminosas acompanhando o desenho da rodovia.

Placas refletivas surgiam repentinamente na escuridão.

Viadutos, acessos, postos e cidades apareciam como pequenas ilhas iluminadas no meio da noite.

E dentro do Pretinho havia aquele brilho característico do painel.

É curioso como uma viagem noturna muda completamente uma estrada.

Durante o dia enxergamos montanhas, construções, árvores, bairros e horizontes.

À noite o mundo fica reduzido àquilo que os faróis permitem descobrir.

Existe quase uma sensação de exploração.

A estrada vai sendo revelada alguns metros de cada vez.

🗺️ O prazer de sair da rota habitual

Não estávamos indo para nenhum lugar desconhecido.

Nosso destino era simplesmente casa.

Itatiba.

Mas havíamos mudado uma variável.

A rota.

E isso foi suficiente para transformar um deslocamento cotidiano em uma pequena aventura.

Talvez seja uma das coisas de que mais gosto em viajar.

Nem sempre precisamos atravessar oceanos ou visitar lugares extraordinários.

Às vezes basta fazer algo simples:

seguir por uma estrada pela qual normalmente não passaríamos.

A Fernão Dias, utilizada diariamente por milhares de motoristas, naquela noite era novidade para nós.

Cada curva despertava curiosidade.

Cada conjunto de luzes parecia anunciar alguma coisa.

E Juliana seguia pilotando o Pretinho enquanto eu aproveitava aquela experiência diferente.

❤️ Voltávamos felizes

Talvez a estrada também tenha ficado bonita porque nós estávamos felizes.

O dia havia sido bom.

Tínhamos passado algumas horas agradáveis com a família.

Havíamos comemorado mais um aniversário da Dona Anna.

Juliana tinha levado seu bolo.

Uma confeiteira havia presenteado outra confeiteira.

As conversas, os encontros, o parabéns e aquela pequena bagunça familiar tinham ficado para trás.

Agora restava o silêncio relativo da estrada.

O ronco do motor.

Os pneus tocando o asfalto.

As luzes passando pelas janelas.

E Itatiba esperando alguns quilômetros adiante.

🌙 Uma viagem que não deveria ter sido memorável

O mais curioso é justamente isso.

Não aconteceu nada extraordinário.

Não tivemos uma grande aventura.

Não nos perdemos.

Não houve tempestade.

Não houve pane.

Não encontramos nada espetacular pelo caminho.

Simplesmente voltamos para casa por uma estrada diferente.

E foi suficiente.

Porque memória não funciona segundo uma tabela de importância.

Existem acontecimentos enormes dos quais esquecemos detalhes poucos anos depois.

E existem noites absolutamente comuns que permanecem guardadas durante décadas.

Esta foi uma delas.

Uma noite de 2016.

Juliana pilotando o Pretinho.

O New Fiesta avançando pela BR-381.

As luzes dos carros.

O traçado desconhecido.

A sensação de explorar.

E nós dois voltando para Itatiba depois de um domingo feliz em família.

Talvez viajar seja exatamente isso.

Não apenas chegar a lugares novos.

Mas continuar sendo capaz de olhar para um caminho diferente e pensar:

“Vamos por aqui desta vez.”

E descobrir que até o caminho de casa ainda pode guardar uma pequena aventura.

Bellacosa Mainframe — porque algumas memórias ficam armazenadas durante anos, esperando apenas o JOB certo para voltar a executar.

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Domingo delicioso passado na Vila Rio Branco


Tivemos um otimo domingo que passamos juntos a família, curtindo todos os primos, tios e tias no aniversario da Vovo Anna.



No retorno a Itatiba para evitar a porcaria da marginal Tiete com velocidade reduzida, optamos por vir via Fernão Dias.

Foi uma delicia experimentar a estrada a noite, ver as luzes do painel e os carros no sentido contrario chegando a São Paulo.

Sintam a emoção de dirigir a noite numa estrada sinuosa e cheia de surpresas.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Arco iris na estrada, é pena que a camera nao pegou legal

Bellacosa Mainframe caçando o arco-iris

Um Café no Bellacosa Mainframe

🌈 O Arco-Íris que a Câmera Não Conseguiu Guardar

A câmera quase não conseguiu enxergá-lo. Nós conseguimos. E talvez algumas imagens tenham mesmo sido feitas para ficar guardadas nos olhos e no coração.

Mais uma aventura a bordo do famoso Pretinho, o New Fiesta da Juliana.

Naquela época, muitas de nossas pequenas aventuras familiares aconteciam assim: colocávamos algumas coisas no carro, chamávamos o Formiga e saíamos para descobrir algum pedaço novo do mapa.

Desta vez estávamos pela região de Águas de São Pedro e São Pedro, aproveitando alguns dias de diversão, água, estrada e exploração.

Havíamos passado o dia curtindo o parque aquático termal de Águas de São Pedro e estávamos hospedados em São Pedro. Mas ficar simplesmente indo da pousada para o parque e do parque para a pousada nunca foi exatamente nosso estilo.

Se havia uma estrada diferente, uma cidadezinha, uma paisagem ou alguma coisa interessante por perto, lá ia o Pretinho.

🚗💨

Era preciso explorar.



🚗 O Pretinho novamente na estrada

O New Fiesta da Juliana acabou participando de uma quantidade enorme dessas histórias.

Carro de família tem dessas coisas.

No catálogo da montadora ele pode ser apenas um modelo, uma motorização, alguns números de consumo e uma lista de equipamentos.

Dentro da memória familiar é outra coisa.

É a máquina que leva as pessoas.

É onde acontecem conversas.

Onde uma criança dorme no banco traseiro depois de um dia inteiro de brincadeiras.

Onde aparecem as placas indicando lugares que ninguém estava planejando conhecer.

Onde alguém aponta pela janela e diz:

— Olha aquilo!

E imediatamente alguma pequena história começa.

O nosso era o Pretinho.

E naquele dia o Pretinho estava novamente cumprindo sua missão.

Estávamos retornando para a pousada depois de mais um daqueles dias gostosos em família quando o céu resolveu participar da aventura.


🌧️ Uma típica chuva de verão

Quem conhece o interior paulista sabe como acontece.

O calor fica pesado.

As nuvens começam a crescer.

O céu escurece rapidamente.

E então...

desaba água.

Não aquela chuvinha educada que começa devagar e avisa que pretende ficar algumas horas.

Nada disso.

Era uma daquelas clássicas chuvas de verão: fortes, intensas e rápidas.

Durante alguns minutos parece que alguém abriu uma comporta no céu.

A estrada muda.

O campo muda.

A luz muda.

Os limpadores trabalham sem descanso e o mundo observado através do para-brisa transforma-se numa pintura em movimento.

Continuamos seguindo.

Juliana, Formiga e eu dentro do Pretinho, enquanto a tempestade fazia seu espetáculo do lado de fora.

E, como frequentemente acontece com essas chuvas, pouco depois tudo começou a mudar novamente.

A intensidade diminuiu.

O céu clareou.

A luz voltou a atravessar as nuvens.

E então apareceu ele.



🌈 O arco-íris

Um lindo arco-íris surgiu sobre aquela paisagem.

Estrada.

Campo.

Céu ainda carregado pela chuva.

E aquelas cores atravessando tudo.

Era uma daquelas imagens que fazem alguém dentro do carro imediatamente procurar a câmera.

Precisava registrar aquilo.

Hoje estamos acostumados com celulares capazes de fotografar praticamente no escuro, estabilização eletrônica, HDR, múltiplas lentes, processamento computacional e algoritmos corrigindo automaticamente aquilo que o sensor não conseguiu captar.

Mas estávamos em 2016.

E havia algumas pequenas dificuldades naquele momento.

Estávamos dentro de um carro.

O carro estava em movimento.

A iluminação era complicada.

O céu ainda estava carregado.

A paisagem também estava se movendo em relação à câmera.

E um arco-íris não é exatamente o objeto mais fácil do mundo para uma câmera registrar.

Mesmo assim, tentei.

🎥 REC

Estrada.

Campo.

Céu.

E...

Cadê o arco-íris?

📹 A câmera não viu aquilo que nós estávamos vendo

Essa acabou sendo a parte mais curiosa daquele pequeno vídeo.

O arco-íris estava ali.

Nós estávamos vendo.

Bonito.

Colorido.

Perfeitamente integrado àquela paisagem depois da tempestade.

Mas quando tentávamos colocar aquilo dentro da câmera, boa parte da magia simplesmente desaparecia.

No vídeo sobrava apenas uma sombra daquilo que nossos olhos enxergavam.

Na postagem original de janeiro de 2016 eu praticamente pedi desculpas pela imagem:

“É pena que a câmera não pegou legal.”

Dez anos depois, olhando novamente para aquele registro, percebo que talvez estivesse olhando para a coisa errada.

A câmera não precisava ter conseguido.

Porque nós conseguimos.

👀 Algumas fotografias são feitas pelos olhos

Existe uma obsessão moderna bastante curiosa.

Queremos registrar tudo.

Comida.

Viagem.

Praia.

Crianças.

Paisagem.

Pôr do sol.

Show.

Aniversário.

Estrada.

E naturalmente...

Arco-íris.

É compreensível.

Fotografias e vídeos são maravilhosas máquinas do tempo.

Um pequeno arquivo esquecido durante dez anos pode subitamente devolver uma tarde inteira.

Mas existe uma diferença importante entre registrar uma experiência e experimentar uma experiência.

Naquele dia a câmera registrou mal o arco-íris.

Meus olhos não.

Eu me lembro da estrada.

Do campo molhado.

Da chuva que havia acabado de passar.

Do céu.

Do carro em movimento.

Da Juliana.

Do Formiga.

E daquele arco-íris.

Curiosamente, o vídeo tecnicamente imperfeito acabou fazendo exatamente aquilo que deveria fazer.

Ele não preservou perfeitamente a imagem.

Preservou a lembrança.

🧠 O melhor dispositivo de armazenamento estava dentro do carro

Talvez algum programador de mainframe encontre aqui uma analogia inevitável.

A câmera possuía limitações de hardware.

O sensor tinha limitações.

Havia movimento.

Havia condições ruins de iluminação.

O dispositivo tentou executar sua pequena missão de I/O e entregou aquilo que conseguiu.

RC=04 — concluído com warning.

😂

Mas havia três outros sistemas de captura funcionando dentro daquele New Fiesta.

Juliana.

Formiga.

E eu.

Cada um armazenando aquela cena de maneira completamente diferente.

Nenhum deles em JPEG.

Nenhum em MP4.

Nenhum dependendo de resolução, bitrate ou estabilização óptica.

Guardamos aquela imagem associada ao momento.

E memória humana funciona de uma maneira estranhíssima.

Às vezes uma fotografia perfeita desaparece no meio de dez mil fotografias.

Enquanto uma imagem que sequer conseguimos fotografar direito permanece conosco durante décadas.

❤️ Guardamos com os olhos e com o coração

Hoje acho maravilhosa a imperfeição daquele vídeo.

Se a câmera tivesse capturado um arco-íris absolutamente perfeito, talvez a postagem fosse apenas:

“Olha que arco-íris bonito.”

Fim.

Mas ela falhou.

E justamente essa pequena falha técnica acabou se transformando no gancho da história.

Porque naquele retorno para a pousada descobrimos, sem perceber, algo que somente muitos anos depois eu conseguiria colocar em palavras:

nem tudo precisa ser perfeitamente registrado para ser preservado.

Algumas coisas ficam conosco de outra maneira.

Aquele dia no parque.

O Pretinho.

Juliana.

Formiga.

A estrada molhada.

O campo.

Aquela chuva de verão que chegou furiosa e foi embora rapidamente.

E finalmente o arco-íris.

A câmera tentou.

Não conseguiu direito.

Tudo bem.

Nós vimos.

🌈

E dez anos depois, ainda consigo olhar para aquele vídeo tecnicamente ruim e enxergar muito mais do que os pixels conseguem mostrar.

Talvez seja essa a função verdadeira dessas pequenas filmagens familiares.

Elas não precisam guardar toda a história.

Precisam apenas deixar uma pequena chave capaz de abrir novamente aquela gaveta da memória.

O vídeo é a chave.

A imagem verdadeira continua guardada em outro lugar.

Nos olhos e no coração.


☕ Easter egg do Bellacosa Mainframe

Se algum operador estivesse acompanhando aquele processamento no SDSF, provavelmente encontraria algo assim:

JOB RAINBOW

STEP01 SUMMER-RAIN RC=00

STEP02 FAMILY-TRIP RC=00

STEP03 CAMERA-CAPTURE RC=04

STEP04 HUMAN-MEMORY RC=00

STEP05 HEART-STORAGE RC=00

MAXCC=04

JOB COMPLETED SUCCESSFULLY.

Porque em produção, como na vida, um warning nem sempre significa que alguma coisa deu errado.

Às vezes significa apenas:

a câmera não conseguiu guardar tudo.

Nós conseguimos.

☕🌈🚗

Bellacosa Mainframe — onde até uma velha filmagem de estrada pode executar novamente um job arquivado há dez anos na memória.

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Presente do ceu: Arco iris na estrada

Tivemos um dia prazeiroso no parque aquático Termas de São Pedro, no retorno para o hotel teve uma tromba d'agua, daquelas de verão, super forte e super rápido.

Após a chuva fomos presenteados com um lindo arco-íris, a filmagem ficou fraca, achei que a resolução da camera iria capturar, mas infelizmente não deu.




Pelos menos conseguimos ver um pouco das cores no céu, uns pequenos detalhes do lado direito, usando um pouco da imaginação consegue-se ver o dito arco-íris.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

SP 348 Rod Bandeirantes de Campinas a Piracicaba

Bellacosa Mainframe em uma aventura na rodovia bandeirantes rumos a Piracicaba

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🚗 O Pretinho Pega a Estrada — Rumo a São Pedro

Juliana no volante, eu de copiloto, o Formiga no banco de trás e alguns dias pela frente para fazer aquilo que uma família deveria fazer de vez em quando: pegar a estrada sem programar cada minuto da viagem.

Há vídeos antigos que, quando revistos muitos anos depois, parecem não mostrar absolutamente nada de extraordinário.

Uma rodovia.

Alguns carros.

O céu.

Placas passando.

O rádio tocando.

O horizonte aparecendo atrás do para-brisa.

E quilômetros e mais quilômetros de asfalto.

Mas isso acontece porque estamos olhando apenas para aquilo que a câmera conseguiu registrar.

A memória enxerga muito mais.

E aquele pequeno vídeo feito em uma viagem pelo interior de São Paulo guarda o começo de mais uma das aventuras do nosso famoso Pretinho, o New Fiesta da Juliana.

🚗💨

O Pretinho estava novamente na estrada.

E, como tantas outras vezes, não estava apenas transportando passageiros.

Estava carregando uma família rumo a mais uma pequena aventura.



🚘 A tripulação estava completa

A bordo tínhamos nossa configuração habitual.

Juliana no volante.

Eu ocupando meu tradicional posto de copiloto, navegador, observador da estrada e operador da câmera.

E no banco traseiro estava ele:

João, o nosso querido Formiga.

Provavelmente olhando tudo, perguntando alguma coisa, inventando alguma brincadeira ou simplesmente aproveitando aquela maravilhosa capacidade que as crianças possuem de transformar uma viagem de carro em parte da aventura.

Nosso destino principal era São Pedro, no interior de São Paulo.

A ideia era passar alguns dias por lá.

Nada de grandes expedições internacionais.

Nenhum aeroporto.

Nenhuma mala desaparecida.

Nenhuma conexão apertada.

Nenhum plano mirabolante.

Era apenas o Pretinho, algumas malas, estrada e alguns dias livres.

Às vezes é exatamente disso que precisamos.


🛣️ O passeio começava muito antes de chegar

Hoje percebo algo que talvez naquela época eu não pensasse conscientemente:

para nós, a estrada já fazia parte da viagem.

Não existia aquela ansiedade de simplesmente chegar ao destino.

Eu gostava de olhar a paisagem.

Observar cidades.

Ler placas.

Descobrir estradas secundárias.

Ver montanhas surgindo no horizonte.

Passar por lugares onde nunca havia estado.

E, naturalmente, registrar alguma coisa com a câmera.

Por isso tantos vídeos antigos do El Jefe Midnight Lunch começam aparentemente sem assunto.

A câmera simplesmente estava ligada.

Filmando a estrada.

Porque aquela estrada também era parte da lembrança.


🗺️ Rumo a São Pedro

Seguíamos pelo interior paulista em direção à região de Piracicaba, Águas de São Pedro e São Pedro.

O Pretinho avançava tranquilamente enquanto a paisagem urbana aos poucos dava espaço ao interior.

Esse é um dos prazeres de viajar de carro por São Paulo.

Você sai de uma região densamente urbanizada e, quilômetros depois, começa a encontrar outra paisagem.

Canaviais.

Fazendas.

Pequenas cidades.

Restaurantes de estrada.

Morros aparecendo ao longe.

Entradas de propriedades rurais.

Placas indicando lugares dos quais talvez você nunca tenha ouvido falar.

E cada placa traz aquela perigosa pergunta para alguém que gosta de explorar:

— O que será que tem ali?

😂

Pronto.

Nasce um desvio.



♨️ Primeira missão: Águas de São Pedro

Havia, naturalmente, alguns planos.

Um deles era visitar Águas de São Pedro.

E havia um motivo particularmente interessante para o Formiga:

parque aquático!

Piscinas.

Água quente.

Diversão.

Brincadeiras.

Aquele tipo de programa no qual uma criança consegue gastar uma quantidade aparentemente infinita de energia enquanto os adultos tentam convencer a si mesmos de que estão apenas relaxando.

😂

O objetivo era aproveitar as piscinas quentes, brincar, descansar e esquecer por alguns dias a rotina.

Mas o parque aquático seria apenas uma parte da viagem.


🧭 A segunda missão era não ter missão

Essa talvez fosse a parte mais interessante do nosso planejamento.

Nós deliberadamente não planejamos tudo.

Tínhamos alguns lugares que queríamos visitar.

Algumas ideias.

Alguns pontos turísticos.

Mas deixamos espaços vazios no roteiro.

E esses espaços eram importantes.

Porque seriam preenchidos pela descoberta.

Uma placa interessante.

Uma estrada diferente.

Uma recomendação recebida durante o almoço.

Uma praça bonita.

Uma cachoeira.

Um mirante.

Uma lojinha.

Uma igreja.

Uma construção antiga.

Uma estrada rural.

Um lugar que simplesmente parecia interessante.

Era o nosso pequeno método de exploração.

Planejar o suficiente para não ficar perdido.

Mas não planejar tanto a ponto de transformar férias em uma agenda corporativa.



🔎 Explorar fazia parte da brincadeira

Nossa intenção era conhecer não apenas São Pedro.

Queríamos zanzar pela região.

Conhecer as cidades próximas.

Procurar pontos turísticos.

Descobrir pequenos tesouros.

Experimentar comidas.

Olhar paisagens.

Parar onde desse vontade.

E principalmente:

divertir-nos juntos.

Talvez encontrássemos alguma coisa extraordinária.

Talvez não.

E estava tudo bem.

Porque existe uma diferença enorme entre turistar e explorar.

Turistar normalmente significa ir até aquilo que alguém já decidiu que merece ser visto.

Explorar significa permitir que alguma coisa que você nem sabia que existia encontre você.


👦 E havia uma criança no banco traseiro

Viajar com uma criança muda completamente a escala das coisas.

Para um adulto, uma pequena ponte pode ser apenas uma ponte.

Para uma criança pode ser uma aventura.

Uma piscina vira um oceano.

Uma estrada vira uma expedição.

Um inseto diferente merece investigação científica imediata.

Uma pedra estranha pode virar um tesouro.

Um sorvete pode entrar para a lista dos acontecimentos mais importantes do dia.

E talvez essa seja uma das grandes vantagens de viajar com crianças:

elas obrigam os adultos a reaprender a olhar.

O Formiga estava crescendo.

E cada passeio acrescentava mais algumas imagens ao gigantesco arquivo de experiências que estava construindo.

Enquanto isso, sem perceber, nós também estávamos construindo o nosso.


📹 A câmera tentava guardar tudo

Por isso eu filmava.

A estrada.

O carro.

As paisagens.

Os lugares.

As pequenas coisas.

Naquele momento parecia simplesmente divertido registrar.

Anos depois esses pequenos vídeos assumem outra função.

Transformam-se em âncoras da memória.

Basta assistir alguns segundos para outras informações começarem a retornar.

Quem estava dirigindo.

Onde estávamos indo.

O que aconteceu depois.

Uma conversa.

Uma brincadeira.

Um restaurante.

Uma chuva.

Uma música.

Até sensações que a câmera jamais poderia registrar.

O vídeo não guarda apenas aquilo que aparece dentro do enquadramento.

Ele abre a porta para aquilo que ficou guardado fora dele.


🚗 O Pretinho era parte dessas histórias

E existe ainda outro personagem recorrente nessas aventuras.

Nosso Pretinho.

O New Fiesta aparece em vários desses registros.

Levou-nos para parques.

Cidades.

Estradas.

Restaurantes.

Passeios.

Finais de semana.

Pequenas explorações pelo interior.

Era simplesmente um carro.

Claro.

Mas objetos que participam repetidamente de momentos importantes acabam adquirindo uma espécie de identidade dentro das nossas lembranças.

O Pretinho virou parte da narrativa.

Quando aparecia carregado e apontado para uma rodovia, alguma coisa estava para acontecer.


🧳 Alguns planos e muito espaço vazio

Nossa filosofia para aqueles dias poderia ser resumida assim:

Destino definido. Roteiro parcialmente definido. Diversão obrigatória.

São Pedro seria nossa base.

Águas de São Pedro estava nos planos.

As cidades da região estavam no radar.

Mas o restante seria decidido conforme os dias acontecessem.

Se encontrássemos algo interessante:

parávamos.

Se víssemos uma estrada convidativa:

investigávamos.

Se alguém indicasse um lugar:

anotávamos.

Se desse vontade de simplesmente passar algumas horas dentro de uma piscina quente sem fazer absolutamente nada:

melhor ainda.

Porque férias também precisam ter espaço para não fazer nada.


♨️ Existe sabedoria em uma piscina quente

Nós temos essa mania estranha de transformar até descanso em produtividade.

Queremos conhecer dez lugares.

Fotografar vinte atrações.

Visitar quatro cidades.

Experimentar cinco restaurantes.

Cumprir uma lista.

E voltar das férias precisando de férias.

😂

Naquela viagem havia exploração.

Mas também havia outra palavra importante:

relaxar.

Entrar numa piscina quente.

Ficar conversando.

Brincar com o Formiga.

Não olhar o relógio.

Deixar o corpo entender que, durante alguns dias, ele não precisava chegar a lugar nenhum.

Talvez esse seja um dos maiores luxos que podemos comprar com alguns dias de folga.

Tempo sem obrigação.


🛣️ E tudo começou naquela estrada

É por isso que hoje esse vídeo aparentemente simples ganhou outro significado para mim.

Não era apenas um registro da rodovia.

Era o prólogo da aventura.

Aquele momento dos filmes em que os personagens ainda estão viajando e nós sabemos que a história está prestes a começar.

Juliana dirigindo.

Eu filmando.

Formiga atrás.

O Pretinho seguindo pelo asfalto.

Alguns planos preparados.

Outros deliberadamente inexistentes.

São Pedro esperando.

Águas de São Pedro no roteiro.

Piscinas quentes no horizonte.

E uma região inteira disponível para ser descoberta.


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Hoje, tantos anos depois, talvez eu não consiga lembrar cada quilômetro daquela estrada.

Também não consigo reconstruir todas as conversas dentro daquele carro.

Mas consigo reconhecer perfeitamente a sensação.

Estávamos indo passear.

E havia algo maravilhoso nessa simplicidade.

Não precisávamos atravessar um oceano.

Não precisávamos encontrar uma atração mundialmente famosa.

Não precisávamos viver uma aventura digna de documentário.

Tínhamos um carro.

Alguns dias.

Uma família.

Uma estrada.

E curiosidade suficiente para descobrir o que havia depois da próxima curva.

O Pretinho seguia em frente.

Juliana no volante.

Formiga no banco traseiro.

Eu de copiloto, naturalmente com a câmera ligada.

E lá íamos nós novamente.

🚗💨

Porque algumas das melhores viagens começam exatamente assim: sabemos onde vamos dormir, temos uma vaga ideia do que faremos amanhã e absolutamente nenhuma certeza sobre o que encontraremos pelo caminho.

E talvez justamente aí esteja a graça.

O destino era São Pedro.

Mas a verdadeira viagem estava em tudo aquilo que ainda não havíamos descoberto.

☕🚗🗺️♨️


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Pegando a estrada

Estamos indo em Direcção a Piracicaba, um belo almoço de peixe a beira do rio Piracicaba nos espera, o céu esta limpo, a estrada vazia, um dia perfeito para curtir em família.

Aproveitando um trecho da estrada que ainda não tinha filmado, la vamos nos, radio ligado, filmadora ligada e vamos embora.



A viagem transcorreu tranquila sem nenhuma surpresa. chegamos em Piracicaba e saboreamos peixe na brasa, para quem não conhece este passeio recomendo faze-lo um dia. Tenho outras publicações sobre este dia.
Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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