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quarta-feira, 18 de março de 2026

O Que Todo Programador COBOL Precisa Saber Sobre os "Thinking Tokens"

 

Bellacosa Mainframe introduz thinking tokens em ia

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Que Todo Programador COBOL Precisa Saber Sobre os "Thinking Tokens"

Você Não Está Pagando por um Cérebro Artificial. Está Pagando por Tokens de Saída que Você Nunca Vê.

"Toda geração de programadores cria novos nomes para conceitos antigos. O desafio não é decorar a nova terminologia, mas compreender a engenharia que continua existindo por trás dela."

Durante décadas trabalhando com IBM Mainframe aprendemos uma lição importante.

Os nomes mudam.

A tecnologia evolui.

As interfaces ficam mais bonitas.

Mas os princípios fundamentais da computação continuam praticamente os mesmos.

Foi assim quando surgiram os bancos de dados relacionais.

Foi assim quando apareceram as CASE Tools.

Foi assim com Java.

Com SOA.

Com APIs.

Com Microservices.

Com Cloud.

E agora está acontecendo novamente com a Inteligência Artificial.

Um dos melhores exemplos dessa confusão moderna é a expressão Thinking Tokens.

Se você acompanha anúncios da OpenAI, Anthropic, Google, xAI ou DeepSeek, provavelmente já viu frases como:

  • O modelo utilizou 2.500 reasoning tokens.

  • Foram consumidos 8.000 thinking tokens.

  • O modelo pensou antes de responder.

  • O raciocínio interno foi ocultado.

Para quem está chegando agora ao universo dos LLMs, parece que existe uma nova categoria de tokens.

Como se o Transformer tivesse criado uma espécie de memória secreta onde a IA realmente "pensa".

Mas isso não é exatamente verdade.

Hoje vamos desmontar esse mito.

E, como sempre fazemos aqui no Bellacosa Mainframe, vamos explicar tudo usando conceitos familiares para quem passou anos desenvolvendo sistemas COBOL no IBM Z.

Pegue seu café.

Porque, no final deste artigo, você provavelmente enxergará os modelos de IA de uma maneira completamente diferente.


O primeiro erro é acreditar que existem três tipos de tokens

Muita documentação simplifica o assunto dizendo que existem:

  • Input Tokens

  • Output Tokens

  • Thinking Tokens

Parece lógico.

Mas essa classificação mistura arquitetura com marketing.

Na prática, um Transformer trabalha apenas com duas grandes fases:

Entrada (Prefill)

e

Saída (Decode)

Todo o resto são interpretações sobre aquilo que acontece durante a geração da resposta.


Vamos lembrar como funciona um programa COBOL

Imagine um programa extremamente simples.

ACCEPT WS-CLIENTE

PERFORM PROCESSA-DADOS

DISPLAY RESULTADO

STOP RUN.

Ninguém diria que existem três tipos de processamento.

Existe apenas:

entrada

processamento

saída.

A IA segue exatamente essa lógica.


O Pipeline de um Transformer

Todo Large Language Model moderno funciona aproximadamente assim:

Prompt

↓

Tokenização

↓

Embeddings

↓

Transformer

↓

Prefill

↓

KV Cache

↓

Decode

↓

Resposta

Observe uma coisa interessante.

Não existe nenhuma etapa chamada:

Thinking Engine

Nem:

Reasoning Processor

Nem:

Artificial Brain

Esses nomes simplesmente não existem dentro da arquitetura.


O Prefill é parecido com a leitura de um arquivo VSAM

Imagine um programa COBOL lendo um cadastro inteiro.

READ CLIENTES

Antes de tomar qualquer decisão, seu programa precisa conhecer o conteúdo.

O Transformer faz algo semelhante.

Quando você envia um prompt como:

Explique a arquitetura do CICS.

O modelo primeiro lê tudo.

Essa leitura acontece em paralelo.

Todas as palavras são analisadas simultaneamente.

Esse processo chama-se Prefill.

É como se o modelo dissesse:

"Primeiro vou entender completamente o problema."


O Decode lembra um programa Batch escrevendo registros

Depois que termina o Prefill, começa uma fase completamente diferente.

Agora o modelo precisa escrever.

E escreve exatamente como um programa COBOL grava registros.

Um por vez.

Token 1

↓

Token 2

↓

Token 3

↓

Token 4

Não existe paralelismo aqui.

Cada novo token depende do anterior.

Da mesma forma que um programa COBOL não consegue escrever o registro 500 antes de criar o registro 499.


É aqui que nasce o famoso "raciocínio"

Imagine que você perguntou:

Quanto é 27 × 34?

O modelo poderia gerar internamente algo parecido com:

27 × 30 = 810

27 × 4 = 108

810 + 108 = 918

Depois entregar apenas:

918

A pergunta é:

Onde aconteceu o raciocínio?

A resposta surpreende muita gente.

No mesmo lugar onde nasceu a resposta final.

Durante o Decode.

Não existe um mecanismo separado.


O maior mito da IA moderna

Muitas pessoas imaginam algo parecido com isto.

Prompt

↓

Cérebro Artificial

↓

Resposta

Bonito.

Mas incorreto.

Na realidade acontece algo muito mais simples.

Prompt

↓

Decode

↓

Token

↓

Token

↓

Token

↓

Token

↓

Resposta

O chamado raciocínio nada mais é do que uma sequência maior de tokens produzidos antes da resposta definitiva.


Os Thinking Tokens são apenas Output Tokens

Esse talvez seja o conceito mais importante deste artigo.

Do ponto de vista da arquitetura Transformer, não existe diferença entre escrever:

Vou resolver passo a passo...

e escrever:

A resposta é 918.

Os dois são produzidos exatamente pelo mesmo algoritmo.

Mesmo Softmax.

Mesmo Sampling.

Mesma GPU.

Mesmo Decoder.

Mesma KV Cache.

Mesmo mecanismo autoregressivo.

A única diferença é o destino dado a esses tokens.


Quem esconde os Thinking Tokens?

Essa é outra dúvida comum.

Muita gente acredita que o próprio Transformer possui um compartimento secreto onde guarda pensamentos.

Não possui.

Quem decide ocultar esses tokens é a aplicação que envolve o modelo.

Imagine um programa COBOL gerando um relatório.

Durante o processamento ele escreve dezenas de mensagens no SYSOUT.

Lendo arquivo...

Registro encontrado...

Validando CPF...

Atualizando saldo...

Fim do processamento.

Mas o usuário recebe apenas:

Processamento concluído com sucesso.

As mensagens existiram.

Foram produzidas.

Consumiram CPU.

Consumiram I/O.

Mas nunca apareceram na tela do usuário.

É exatamente isso que acontece com os Thinking Tokens.


Por que eles custam dinheiro?

Aqui chegamos ao ponto que interessa às empresas.

Imagine duas respostas.

Resposta A

100 tokens.

Resposta B

900 tokens ocultos

100 tokens visíveis.

Qual delas custa mais?

A segunda.

Mesmo que você nunca veja os 900 tokens.

Por quê?

Porque a GPU precisou calcular todos eles.

Cada token exige milhares de operações matemáticas.

Multiplicações matriciais.

Atenção.

Softmax.

Sampling.

Atualização do KV Cache.

Nada disso é gratuito.

A infraestrutura trabalhou para gerar cada token, mesmo aqueles descartados antes da entrega.


Pense como um gerente de CPD dos anos 1980

Quem trabalhou com IBM Mainframe lembra muito bem.

O usuário não pagava apenas pelas páginas impressas.

Pagava pelo tempo de CPU.

Pelo canal.

Pelo DASD.

Pela memória.

Pelos acessos ao banco.

Com IA acontece exatamente o mesmo.

Você não paga apenas pelo texto recebido.

Você paga por todo o processamento necessário para produzir esse texto.

Mesmo quando parte dele nunca chega até você.


Existe realmente pensamento?

Agora entramos numa questão filosófica.

Quando o modelo escreve:

Vou resolver primeiro a multiplicação.

Depois farei a soma.

Agora posso responder.

Ele realmente está pensando?

Depende da definição de pensamento.

Do ponto de vista computacional, isso é apenas texto sendo gerado.

Não existe consciência.

Não existe intenção.

Não existe uma voz interior.

Existe apenas previsão estatística do próximo token mais provável.

Ainda assim, esse processo produz um comportamento que lembra muito o raciocínio humano.

É um exemplo clássico de comportamento emergente.

A inteligência não aparece porque existe um módulo chamado "pensamento".

Ela emerge da sequência de bilhões de operações matemáticas executadas ao longo da geração dos tokens.


Uma analogia que todo programador COBOL entenderá

Imagine um analista experiente escrevendo um programa.

Primeiro ele faz um rascunho.

Abrir arquivo.

Validar cliente.

Atualizar saldo.

Fechar arquivo.

Depois escreve comentários.

Depois reorganiza os parágrafos.

Depois remove código.

No final entrega apenas o programa limpo.

Ninguém vê o rascunho.

Mas ele existiu.

Consumiu tempo.

Consumiu esforço.

Os Thinking Tokens são exatamente esse rascunho.


O papel da auditabilidade

Em ambientes corporativos, especialmente bancos, seguradoras e órgãos governamentais, entender esse processo é essencial.

Imagine um modelo aprovando um empréstimo.

Ele responde apenas:

Aprovado.

Mas internamente gerou centenas de tokens avaliando renda, histórico, garantias e inconsistências.

Esses tokens podem ser úteis para auditoria, depuração e análise de qualidade. Ao mesmo tempo, expô-los integralmente pode revelar detalhes do funcionamento do modelo, facilitar ataques ou criar interpretações equivocadas. Por isso, muitos fornecedores optam por ocultá-los e fornecer mecanismos de explicação específicos em vez da cadeia completa de raciocínio.

Essa distinção é especialmente importante em ambientes regulados, onde transparência e segurança precisam coexistir.


O verdadeiro modelo mental

Depois de tudo isso, talvez seja melhor abandonar a ideia de três tipos de tokens.

Pense apenas assim.

Entrada

O modelo lê.

(Prefill)

Saída

O modelo escreve.

(Decode)

Dentro da saída podem existir:

  • tokens mostrados;

  • tokens resumidos;

  • tokens ocultados;

  • tokens descartados.

Mas continuam sendo apenas saída.


O que um Programador COBOL Padawan deve aprender com isso?

Se você está começando sua jornada em Inteligência Artificial depois de anos trabalhando com COBOL, CICS, JCL e DB2, a principal lição é simples:

não se deixe impressionar pela terminologia de marketing.

Sempre procure entender a arquitetura por trás dos nomes.

Foi assim com:

  • CASE Tools;

  • Orientação a Objetos;

  • SOA;

  • ESB;

  • APIs REST;

  • Microservices;

  • Cloud Computing.

Agora acontece novamente com os LLMs.

Os nomes mudam.

Os princípios permanecem.

Quem entende arquitetura enxerga além das buzzwords.


O Café Terminou...

Durante décadas, os profissionais de Mainframe aprenderam a separar interface de implementação. Um operador via apenas uma tela do CICS; por trás dela existiam TCBs, filas, buffers, logs, gerenciamento de memória e milhares de instruções executadas silenciosamente. Da mesma forma, um usuário conversa com um chatbot e recebe uma resposta elegante, mas por trás dela ocorreu uma longa sequência de cálculos matriciais e geração de tokens.

Os chamados Thinking Tokens não são uma terceira categoria mágica de dados. Eles não representam um "cérebro oculto" nem um mecanismo especial de raciocínio. São, simplesmente, tokens de saída gerados durante o Decode, produzidos pelo mesmo algoritmo que gera a resposta final. A diferença não está na arquitetura do Transformer, mas na política da plataforma: alguns tokens são entregues ao usuário; outros permanecem ocultos.

Para o programador COBOL, essa distinção soa familiar. Assim como um JOB Batch pode produzir centenas de mensagens no SYSOUT enquanto o usuário recebe apenas um relatório resumido, um LLM pode gerar centenas de tokens intermediários antes de apresentar sua resposta. O processamento aconteceu. A CPU — ou, neste caso, a GPU — trabalhou. O custo foi incorrido. Apenas a visibilidade mudou.

No fim das contas, a maior habilidade continua sendo a mesma que diferenciou bons profissionais de Mainframe durante décadas: compreender os mecanismos internos, e não apenas decorar os nomes das tecnologias da moda. Quem domina os fundamentos consegue atravessar gerações de plataformas, linguagens e arquiteturas sem perder a capacidade de entender o que realmente está acontecendo dentro da máquina.

Porque, ontem como hoje, a engenharia continua sendo muito mais interessante do que o marketing.

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

AI Agents : Quando um Programador Descobre que um LLM é Apenas o EXEC PGM...

 

Bellacosa Mainframe apresenta ai agents

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

AI Agents sem Mistérios para Programadores COBOL

Quando um Programador Descobre que um LLM é Apenas o EXEC PGM... e que o Verdadeiro Sistema Inteligente é Quase um z/OS Inteiro Rodando nos Bastidores

"O computador do futuro não será aquele que responde perguntas. Será aquele que entende objetivos."


Introdução

Durante muitos anos, o mundo da Inteligência Artificial parecia incrivelmente simples.

Você fazia uma pergunta.

A IA respondia.

Fim da história.

Foi exatamente assim que milhares de pessoas conheceram ferramentas como ChatGPT, Claude, Gemini e outras.

Mas existe um detalhe que quase ninguém percebe logo no início.

Isso é apenas a superfície do iceberg.

É semelhante ao primeiro contato de um estudante com COBOL.

Ele escreve:

DISPLAY "HELLO WORLD".
STOP RUN.

Executa.

Funciona.

Ele acredita que já sabe COBOL.

Até descobrir que aquele pequeno programa roda dentro de um universo composto por JCL, JES2, WLM, RACF, VSAM, Db2, CICS, IMS, MQ, Storage, TCP/IP, Catálogos, APF, IPL, RMF, SMF e dezenas de outros componentes.

Nesse momento acontece o mesmo choque que muitos profissionais têm quando descobrem os AI Agents.

Eles percebem que um LLM não é o sistema.

É apenas uma peça.

A arquitetura verdadeira é muito maior.

Pegue seu café.

Hoje vamos fazer uma viagem pelo data center da Inteligência Artificial, utilizando exemplos que qualquer programador COBOL consegue visualizar.

Como diria o Guia do Mochileiro das Galáxias:

"Não entre em pânico."

Porque, no final deste artigo, você perceberá que AI Agents lembram muito mais um ambiente IBM Z do que um simples chatbot.


O Grande Engano

A maioria das pessoas imagina uma IA funcionando assim:

Pergunta

↓

LLM

↓

Resposta

Parece mágico.

Mas também parece extremamente limitado.

Agora imagine um banco.

Um cliente entra numa agência.

Ele pergunta:

"Qual meu saldo?"

Será que o caixa sabe?

Não.

Ele consulta dezenas de sistemas.

Da mesma forma funciona um AI Agent.

Na realidade o fluxo é parecido com isto:

Usuário

↓

Planejamento

↓

Memória

↓

Ferramentas

↓

APIs

↓

Banco de dados

↓

Execução

↓

Validação

↓

Nova decisão

↓

Resposta

Perceba uma coisa interessante.

O LLM aparece apenas uma vez.

Todo o restante do trabalho acontece ao redor dele.


O LLM é Apenas um Programa COBOL

Esta talvez seja a analogia mais importante deste artigo.

Imagine um programa COBOL.

Ele faz cálculos.

Manipula arquivos.

Atualiza banco.

Executa regras.

Mas sozinho ele não consegue:

  • abrir sessão

  • controlar segurança

  • acessar MQ

  • gerenciar memória

  • iniciar tarefas

  • distribuir carga

  • monitorar CPU

Quem faz isso?

O ambiente.

No IBM Z esse ambiente chama-se:

  • z/OS

  • JES2

  • RACF

  • WLM

  • CICS

  • Db2

  • MQ

  • USS

  • TCP/IP

No universo da IA acontece exatamente a mesma coisa.

O GPT, Claude ou Gemini são apenas o "programa COBOL".

O verdadeiro sistema inteligente é todo o restante.


Primeira Camada

Model & Intelligence Foundation

Toda construção começa pela fundação.

Na IA essa fundação é formada pelos modelos.

GPT.

Claude.

Gemini.

Llama.

Mistral.

Qwen.

DeepSeek.

São os motores de raciocínio.

Mas há um detalhe curioso.

Nenhum deles conhece sua empresa.

Nenhum conhece seu sistema COBOL.

Nenhum sabe o conteúdo do seu Db2.

Eles precisam aprender isso durante a execução.

É aqui que entram vários conceitos modernos.


Embeddings

O Índice VSAM da Inteligência Artificial

Imagine um arquivo KSDS.

Você procura:

Cliente 123456

O índice localiza rapidamente.

Embeddings fazem algo parecido.

Só que ao invés de procurar números...

eles procuram significado.

Por exemplo.

ABEND S0C7

Data Exception

Erro Decimal

Campo Numérico Inválido

São frases diferentes.

Mas possuem praticamente o mesmo significado.

Os embeddings transformam tudo isso em coordenadas matemáticas.

Assim a IA consegue encontrar conhecimento sem depender das palavras exatas.

É quase um VSAM KSDS semântico.


RAG

Quando a IA Aprende a Consultar a Documentação

Imagine perguntar:

Como funciona o módulo FINA230?

O LLM responde:

"Não faço ideia."

Mas o agente não para por aí.

Ele faz exatamente o que um analista faria.

Consulta:

  • Wiki

  • SharePoint

  • PDFs

  • GitHub

  • COBOL

  • CICS

  • JCL

  • Documentação

Depois lê tudo.

Somente então responde.

Isso chama-se:

Retrieval Augmented Generation

Ou simplesmente:

RAG.

Na prática:

Pergunta

↓

Pesquisar

↓

Ler

↓

Entender

↓

Responder

É como aquele programador veterano que nunca responde de memória.

Primeiro ele abre a documentação.


Mixture of Experts

Imagine um CPD.

Existe:

Especialista COBOL

Especialista CICS

Especialista Db2

Especialista RACF

Especialista MQ

Especialista Storage

Especialista Linux

Especialista Cloud

Seria inteligente colocar apenas um deles para resolver tudo?

Claro que não.

Os modelos Mixture of Experts funcionam exatamente assim.

Cada parte do cérebro possui especialistas.

Dependendo da pergunta...

o agente consulta apenas quem realmente entende daquele assunto.

Resultado?

Mais rapidez.

Menor custo.

Maior qualidade.


Segunda Camada

Agent Cognitive Engine

Aqui acontece a transformação.

O chatbot vira agente.


Memória

Existe um mito curioso.

As pessoas acreditam que IA lembra tudo.

Na verdade existem vários tipos de memória.

Curto prazo.

Sessão.

Longo prazo.

Conhecimento persistente.

É parecido com:

WORKING-STORAGE

↓

TSQ

↓

VSAM

↓

Db2

Cada uma possui finalidade diferente.


Planejamento

Um chatbot responde perguntas.

Um agente cria planos.

Exemplo.

Você escreve:

"Atualize todos os servidores."

Um chatbot responde:

"Aqui está um tutorial."

Um agente responde:

Inventariar servidores

↓

Separar ambientes

↓

Validar acesso

↓

Executar Ansible

↓

Verificar erros

↓

Rollback se necessário

↓

Gerar relatório

↓

Enviar e-mail

Percebe a diferença?

Ele pensa como um gerente de projetos.


Self Reflection

Um dos recursos mais fascinantes.

Depois de responder...

o agente pergunta para si mesmo:

Isso faz sentido?

Existe erro?

Posso melhorar?

Esqueci alguma etapa?

Existe risco?

É quase um Code Review automático.

Imagine um compilador COBOL que, após gerar o objeto, ainda revisasse a lógica inteira antes da execução.


Contexto Dinâmico

Programadores experientes sabem.

Resolver um problema depende do contexto.

O mesmo SQL pode ser excelente numa aplicação.

E péssimo em outra.

Agentes mantêm contexto durante toda a conversa.

Isso reduz inconsistências.


Terceira Camada

Autonomous Decision Layer

Agora entramos na parte que assusta muita gente.

Tomada de decisão.

Mas calma.

Não significa "IA fazendo tudo sozinha".

Significa tomar pequenas decisões baseadas em objetivos.


Objetivos

Toda ação começa por um objetivo.

Resolver incidente

↓

Encontrar causa

↓

Corrigir

↓

Documentar

Sem objetivo.

Não existe agente.

Existe apenas um chatbot.


Planejamento Hierárquico

Problemas gigantes são quebrados em partes menores.

Assim como um grande sistema COBOL.

Sistema

↓

Módulos

↓

Programas

↓

Parágrafos

↓

Sentenças

Gestão de Risco

Um bom agente nunca pergunta apenas:

"Posso executar?"

Ele pergunta:

"Devo executar?"

Exemplo.

Excluir banco?

↓

Existe backup?

↓

Produção?

↓

Rollback?

↓

Janela?

↓

Autorização?

Isso lembra muito RACF.

Nem tudo que é possível deve ser permitido.


Quarta Camada

Interaction & Communication

Aqui nasce a colaboração.

Agentes modernos conversam.

Não apenas com humanos.

Mas também entre si.


Linguagem Natural

Chega de decorar comandos.

Você escreve normalmente.

Como se estivesse conversando com um colega.


Multimodalidade

Texto.

Imagem.

PDF.

Planilha.

Vídeo.

Áudio.

Código.

Tudo pode fazer parte da mesma conversa.

Imagine enviar:

  • Dump

  • SYSOUT

  • Print do SDSF

  • Código COBOL

  • SQLCODE

Tudo ao mesmo tempo.

O agente entende.


Human in the Loop

Esse conceito é fantástico.

Algumas decisões continuam humanas.

Por exemplo.

Excluir cliente VIP?

O agente para.

Pergunta.

Espera autorização.

Isso evita desastres.


Quinta Camada

Multi-Agent Collaboration

Agora imagine um departamento inteiro.

Existe um agente para cada função.

Financeiro

RH

Compras

Jurídico

DevOps

COBOL

Segurança

Cloud

Todos trabalham juntos.

É praticamente uma empresa digital.


Swarm Intelligence

Inspirado em:

abelhas

formigas

cupins

Nenhum indivíduo conhece o plano completo.

Mesmo assim...

a colônia constrói estruturas gigantescas.

Agentes modernos usam exatamente esse princípio.


Negociação

Imagine.

Agente Financeiro diz:

"Sem orçamento."

Jurídico responde:

"Contrato precisa ser alterado."

DevOps:

"Deploy permitido apenas domingo."

COBOL:

"Programa depende do módulo antigo."

Todos discutem.

Depois apresentam uma única decisão.


Sexta Camada

Environment & Tool Connectivity

Este é o ponto que diferencia um chatbot de um verdadeiro agente.

Ferramentas.

Sem ferramentas.

Ele apenas conversa.

Com ferramentas.

Ele trabalha.

Pode acessar:

  • GitHub

  • Jenkins

  • Jira

  • ServiceNow

  • SAP

  • Salesforce

  • APIs

  • REST

  • GraphQL

  • SQL

  • Bancos Vetoriais

  • Kubernetes

  • Docker

  • Ansible

  • Mainframe

  • z/OSMF

É como um operador de produção que possui acesso ao painel inteiro do data center.


Digital Twins

Antes de alterar produção...

simule.

Antes de executar...

teste.

Antes de migrar...

valide.

Digital Twins fazem exatamente isso.

Criam um ambiente virtual.

Executam milhares de cenários.

Somente depois permitem a mudança.

Parece familiar?

É exatamente a filosofia dos ambientes de Desenvolvimento, Homologação, QA e Produção.


O Que a Imagem Não Mostra

A arquitetura apresentada é excelente, mas alguns pilares são tão importantes quanto os mostrados.

Segurança

Nenhum agente corporativo deveria operar sem:

  • RACF (ou equivalente)

  • autenticação

  • autorização

  • gestão de segredos

  • criptografia

  • auditoria

Sem isso, um agente pode se tornar um enorme risco.

Observabilidade

Assim como um administrador z/OS utiliza RMF, SMF e SDSF para entender o comportamento do sistema, agentes precisam registrar:

  • logs

  • métricas

  • chamadas de ferramentas

  • consumo de tokens

  • latência

  • falhas

  • decisões

Sem observabilidade, fica impossível descobrir por que um agente tomou determinada decisão.

Governança

Quem aprovou?

Qual modelo foi utilizado?

Quais documentos fundamentaram a resposta?

Qual ferramenta foi acionada?

Essas perguntas são essenciais em bancos, seguradoras e órgãos públicos.


AI Agents e o IBM Mainframe: A Analogia Definitiva

Se tivéssemos que desenhar um agente para um programador COBOL, ele seria algo assim:

Mundo dos AI AgentsMundo IBM Mainframe
LLMPrograma COBOL
PromptJCL ou parâmetros de execução
MemóriaVSAM, Db2, TSQ, contexto da sessão
PlanejamentoScheduler, Workflow, JCL
FerramentasCICS, MQ, APIs, utilitários
ComunicaçãoMQ, TCP/IP, REST, eventos
MultiagentesRegiões CICS e serviços especializados
Tomada de decisãoRegras de negócio + automação
SegurançaRACF
ObservabilidadeRMF, SMF, SDSF
Ambientez/OS

Essa comparação ajuda a entender por que tantas empresas tradicionais estão interessadas em agentes: elas já operam sistemas distribuídos e altamente orquestrados há décadas.


Curiosidades

☕ Curiosidade 1

O termo Agentic AI ganhou enorme destaque a partir de 2024, quando empresas perceberam que apenas conversar com um LLM não gerava tanto valor quanto automatizar fluxos completos de trabalho.

☕ Curiosidade 2

Muitos agentes modernos utilizam RAG, mas nem todo sistema com RAG é um agente. Um agente normalmente combina memória, planejamento, ferramentas e tomada de decisão.

☕ Curiosidade 3

Os primeiros conceitos de agentes inteligentes surgiram muito antes dos LLMs, em pesquisas sobre Inteligência Artificial Distribuída, Sistemas Multiagentes (MAS) e Arquiteturas BDI (Belief-Desire-Intention), desenvolvidas nas décadas de 1980 e 1990.

☕ Curiosidade 4

Alguns sistemas corporativos já utilizam "agentes supervisores", responsáveis por acompanhar outros agentes, detectar desvios e solicitar intervenção humana quando necessário.


Dicas para Quem Está Começando

  1. Aprenda primeiro como funciona um LLM antes de estudar agentes.

  2. Entenda RAG e bancos vetoriais; eles são a principal ponte entre IA e conhecimento corporativo.

  3. Estude APIs REST e ferramentas de integração, pois um agente útil precisa agir sobre sistemas reais.

  4. Familiarize-se com orquestração de workflows e automação, usando conceitos semelhantes aos schedulers do mundo mainframe.

  5. Não ignore segurança, auditoria e governança; em ambientes corporativos, elas são tão importantes quanto o próprio modelo.


Easter Eggs do Bellacosa ☕

🥚 Easter Egg #1 — O Guia do Mochileiro da IA

Assim como o número 42 representa a resposta para a vida, o universo e tudo mais, muitos projetos de IA descobrem que a resposta para quase qualquer problema complexo é... "depende do contexto".

🥚 Easter Egg #2 — A Estrela da Morte

Construir um agente poderoso sem mecanismos de segurança é como construir a Estrela da Morte sem proteger a exaustão térmica: impressiona à primeira vista, mas basta uma pequena falha para comprometer toda a operação.

🥚 Easter Egg #3 — O Mestre Jedi do Mainframe

O verdadeiro Mestre Jedi não é aquele que conhece todos os prompts. É aquele que sabe quando usar um LLM, quando consultar um RAG, quando delegar a outro agente e quando chamar um ser humano para decidir.


Conclusão

Durante décadas, os profissionais de mainframe aprenderam que um programa COBOL nunca vive isolado. Ele faz parte de um ecossistema cuidadosamente orquestrado por z/OS, JES2, CICS, Db2, MQ, RACF, WLM e inúmeras outras tecnologias que trabalham em conjunto para entregar disponibilidade, segurança e desempenho.

Os agentes de IA seguem exatamente essa filosofia. O modelo de linguagem é apenas o ponto de partida. O verdadeiro diferencial está na combinação de memória, planejamento, ferramentas, protocolos de comunicação, colaboração entre agentes, governança e integração com o mundo real.

Em outras palavras, estamos deixando a era dos chatbots para entrar na era dos ecossistemas cognitivos. Assim como um programa COBOL isolado jamais substituiria um data center inteiro, um LLM isolado não representa o futuro da Inteligência Artificial. O futuro pertence a arquiteturas capazes de compreender objetivos, coordenar especialistas, utilizar ferramentas, aprender com a experiência e operar de forma segura e auditável.

Para quem já domina a lógica dos grandes ambientes IBM Z, essa evolução não é um salto para o desconhecido. É apenas uma nova forma de aplicar princípios que o mundo mainframe aperfeiçoa há décadas: modularidade, integração, confiabilidade, controle e colaboração. O programador COBOL que entender essa ponte perceberá que a próxima geração de sistemas inteligentes não substitui sua experiência — ela amplia seu alcance, transformando conhecimento técnico em uma força multiplicadora para resolver problemas cada vez mais complexos.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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