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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Inteligência Não é o Resultado: Tokens, Contexto e a Nova Economia da IA Corporativa

 

Bellacosa Mainframe fala sobre tokens contexto e a ia

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Inteligência Não é o Resultado: Tokens, Contexto e a Nova Economia da IA Corporativa

Imagine a cena.

É madrugada no datacenter. As luzes azuis dos corredores refletem nos gabinetes, os ventiladores trabalham em ritmo constante e, no centro da sala, um programador COBOL padawan observa um painel moderno repleto de gráficos sobre inteligência artificial.

No painel aparecem números impressionantes:

  • bilhões de parâmetros;

  • milhões de tokens processados;

  • GPUs operando em paralelo;

  • latência inferior a um segundo;

  • custo de inferência caindo mês após mês;

  • modelos cada vez maiores e mais rápidos.

O padawan sorri e pergunta ao mestre:

— Então vencemos? Nossa IA está pronta?

O mestre toma um gole de café, olha para o terminal e responde:

— Depende. O que ela fez pela empresa?

O jovem programador fica em silêncio.

A resposta resume um dos maiores desafios da inteligência artificial corporativa:

Inteligência não é o resultado. Inteligência é apenas um componente do caminho até o resultado.

Uma empresa não recebe dinheiro porque processou mais tokens. Não conquista clientes porque sua GPU executou inferências mais rapidamente. Não reduz perdas simplesmente porque instalou um modelo de linguagem com centenas de bilhões de parâmetros.

O valor aparece quando a inteligência é transformada em ação.

Quando uma fraude é bloqueada.

Quando uma transação é concluída.

Quando um cliente recebe a resposta correta.

Quando uma falha é evitada.

Quando uma operação é automatizada com segurança.

Quando uma decisão é tomada com base em dados confiáveis, contexto adequado e regras de negócio governadas.

É sobre essa transformação que vamos conversar neste café.


1. O grande engano da economia dos tokens

Nos primeiros anos da popularização da inteligência artificial generativa, grande parte da discussão se concentrou nos modelos.

As perguntas mais comuns eram:

  • Qual modelo possui mais parâmetros?

  • Qual gera textos melhores?

  • Qual responde mais rápido?

  • Qual possui a maior janela de contexto?

  • Quanto custa um milhão de tokens?

  • Quantas GPUs são necessárias?

  • Qual modelo venceu determinado benchmark?

Essas métricas são importantes. Entretanto, elas medem principalmente capacidade técnica.

Elas não demonstram, por si só, valor de negócio.

É parecido com avaliar um programa COBOL apenas pela quantidade de instruções executadas por segundo.

Imagine que um programa processa dez milhões de registros em dois minutos. Parece excelente. Porém, ao final, ele gera valores incorretos nas contas dos clientes.

Foi rápido?

Sim.

Foi eficiente?

Talvez.

Gerou valor?

Não.

Na realidade, criou um problema mais rapidamente.

O mesmo acontece com a IA.

Uma organização pode reduzir o custo de um milhão de tokens em 80%, aumentar o throughput e utilizar servidores mais poderosos. Contudo, se o sistema continuar produzindo respostas irrelevantes, decisões erradas ou tarefas incompletas, o benefício econômico é pequeno.

O erro está em confundir uma unidade de processamento com uma unidade de valor.

O token é uma unidade técnica.

O resultado é uma unidade de negócio.


2. O que é um token, afinal?

Para um programador COBOL acostumado com registros, campos, bytes e layouts, podemos comparar o token a uma pequena unidade usada pelo modelo para interpretar uma informação.

Uma palavra pode ser formada por um ou vários tokens.

Por exemplo, uma frase como:

O cliente solicitou o cancelamento do cartão.

é dividida internamente em partes menores. O modelo processa essas partes, identifica padrões e calcula quais tokens devem aparecer na resposta.

O custo de muitos serviços de IA é calculado com base na quantidade de tokens de entrada e saída.

Temos então:

Tokens de entrada:
pergunta, documentos, histórico, instruções.

Tokens de saída:
resposta gerada pelo modelo.

Em uma aplicação simples, isso funciona bem.

Entretanto, em uma empresa, o objetivo raramente é apenas gerar texto.

Considere esta solicitação:

Cliente:
Perdi meu cartão e há uma compra que não reconheço.

Um chatbot baseado apenas em texto pode responder:

Sinto muito pelo ocorrido.
Entre em contato com a central do banco para bloquear o cartão.

A resposta pode ser educada e tecnicamente correta.

Mas o problema continua existindo.

O cartão não foi bloqueado.

A transação não foi contestada.

O cliente ainda corre risco.

Nenhuma investigação foi aberta.

A IA gerou tokens, mas não gerou um resultado.


3. Da resposta para a ação

Uma aplicação corporativa madura precisa transformar a solicitação em uma sequência de operações.

Por exemplo:

1. Identificar o cliente.
2. Confirmar a autenticação.
3. Consultar os cartões ativos.
4. Verificar as últimas transações.
5. Bloquear o cartão comprometido.
6. Abrir uma contestação.
7. Solicitar um novo cartão.
8. Registrar a operação para auditoria.
9. Enviar confirmação ao cliente.

Agora não estamos mais falando apenas de um modelo.

Estamos falando de um sistema completo.

Esse sistema precisa conectar:

Modelo de IA
    +
Dados
    +
Aplicações
    +
APIs
    +
Segurança
    +
Governança
    +
Infraestrutura
    +
Operações

A inteligência artificial interpreta a intenção.

Os sistemas corporativos executam a ação.

Essa distinção é essencial.

O modelo pode compreender que o cliente deseja bloquear um cartão. Porém, quem realiza o bloqueio é uma aplicação transacional, talvez escrita em COBOL, executando em CICS e acessando dados no Db2.

O modelo não substitui necessariamente o sistema de negócio.

Ele passa a conversar com ele.


4. Tokens ficam baratos, contexto fica valioso

Uma das ideias mais importantes da nova economia da IA é a seguinte:

Tokens tendem a se tornar abundantes. Contexto confiável continuará sendo raro.

Os modelos estão ficando mais eficientes.

O custo da inferência tende a cair.

A capacidade computacional continua aumentando.

Modelos abertos e comerciais competem intensamente.

Consequentemente, o acesso à inteligência genérica tende a se tornar cada vez mais comum.

A pergunta estratégica deixa de ser:

Qual empresa possui acesso a um modelo de IA?

E passa a ser:

Qual empresa consegue fornecer ao modelo o contexto correto, no momento correto, com segurança e governança?

Vamos comparar duas situações.

Situação A: modelo sem contexto

Usuário:
O cliente João pode receber aumento de limite?

Resposta da IA:

Para avaliar um aumento de limite, considere renda,
histórico de pagamentos e nível de endividamento.

A resposta é genérica.

Pode ter sido escrita por qualquer modelo.

Situação B: modelo com contexto corporativo

Usuário:
O cliente João pode receber aumento de limite?

O sistema consulta:

CRM:
Cliente desde 2012.

Db2:
Nenhum atraso nos últimos 36 meses.

Sistema de crédito:
Score interno 892.

Sistema antifraude:
Nenhum alerta ativo.

Folha de pagamento:
Renda média aumentou 18%.

Política corporativa:
Aumento automático permitido até 20%.

Resposta:

O cliente está elegível para aumento de até 20%,
conforme a política de crédito vigente.

Motivos:
- relacionamento de 14 anos;
- ausência de atraso em 36 meses;
- score interno elevado;
- aumento comprovado de renda;
- nenhum alerta de fraude.

A recomendação exige confirmação do analista.

A diferença não está apenas no modelo.

Está no contexto.


5. O contexto proprietário como vantagem competitiva

Qualquer empresa pode contratar acesso a um modelo.

Porém, nenhuma concorrente possui exatamente:

  • seu histórico de clientes;

  • suas regras de negócio;

  • seus contratos;

  • seus dados operacionais;

  • seus registros de fraude;

  • seus manuais;

  • sua experiência acumulada;

  • seus sistemas legados;

  • seus fluxos de aprovação;

  • seu conhecimento institucional.

Esse conjunto forma o chamado contexto proprietário.

No mundo mainframe, uma parcela significativa desse contexto pode estar armazenada em:

  • tabelas Db2;

  • bancos IMS;

  • arquivos VSAM;

  • filas MQ;

  • transações CICS;

  • programas COBOL;

  • copybooks;

  • logs SMF;

  • datasets sequenciais;

  • catálogos;

  • regras codificadas durante décadas.

Eis um detalhe que muitos projetos modernos ignoram:

O mainframe não armazena apenas dados antigos. Ele contém contexto operacional acumulado.

Um programa COBOL de quarenta anos pode representar regras de negócio que nunca foram formalmente documentadas em outro lugar.

Por exemplo:

IF CLIENTE-SEGMENTO = 'P'
   AND DIAS-ATRASO = ZERO
   AND SCORE-CREDITO > 850
   AND VALOR-SOLICITADO <= LIMITE-AUTOMATICO
       MOVE 'APROVADO' TO STATUS-PROPOSTA
ELSE
       MOVE 'ANALISE' TO STATUS-PROPOSTA
END-IF.

Esse trecho não é apenas código.

Ele é conhecimento empresarial executável.

É uma política.

É contexto.

É parte da inteligência corporativa.


6. O perigo de construir agentes sobre dados desorganizados

Muitas empresas estão correndo para implementar agentes de IA.

O problema é que um agente pode automatizar decisões e executar tarefas. Portanto, um erro cometido por ele pode se espalhar muito mais rapidamente do que um erro em um chatbot tradicional.

Um chatbot errado gera uma resposta ruim.

Um agente errado pode:

  • cancelar um pedido;

  • bloquear um cliente;

  • aprovar um pagamento;

  • alterar um cadastro;

  • abrir milhares de chamados;

  • executar uma rotina indevida;

  • enviar informações confidenciais;

  • interromper um processo produtivo.

Observe esta arquitetura problemática:

Agente de IA
    |
    +--> CRM desatualizado
    |
    +--> planilha manual
    |
    +--> base duplicada
    |
    +--> documentação antiga
    |
    +--> API sem controle

O agente pode ser sofisticado.

O modelo pode ser excelente.

A infraestrutura pode ser poderosa.

Mesmo assim, o resultado será frágil.

No mundo COBOL, aprendemos há décadas a regra:

Garbage In, Garbage Out

Entrada ruim produz saída ruim.

Na era dos agentes, podemos acrescentar:

Garbage In, Automated Disaster Out

Entrada ruim pode produzir desastre automatizado.

É um pouco dramático, mas é verdade.


7. O custo por token não é o custo por tarefa concluída

Aqui aparece uma armadilha financeira importante.

Uma empresa pode celebrar a redução do custo por token, enquanto o custo real de completar uma tarefa continua aumentando.

Imagine um agente responsável por resolver chamados.

Modelo antigo:

Custo por milhão de tokens: US$ 10
Tokens por tarefa: 10.000
Taxa de sucesso: 80%

Modelo novo:

Custo por milhão de tokens: US$ 2
Tokens por tarefa: 40.000
Taxa de sucesso: 45%

O novo modelo parece mais barato por token.

Entretanto, ele usa quatro vezes mais tokens e falha com maior frequência.

Precisamos calcular o custo da tarefa concluída.

Exemplo simplificado

Modelo antigo:

10.000 tokens por tentativa
US$ 10 por 1.000.000 de tokens

Custo por tentativa:
10.000 / 1.000.000 x 10 = US$ 0,10

Com 80% de sucesso:

Custo aproximado por tarefa concluída:
0,10 / 0,80 = US$ 0,125

Modelo novo:

40.000 tokens por tentativa
US$ 2 por 1.000.000 de tokens

Custo por tentativa:
40.000 / 1.000.000 x 2 = US$ 0,08

Com 45% de sucesso:

Custo aproximado por tarefa concluída:
0,08 / 0,45 = US$ 0,177

O token ficou mais barato.

A tarefa ficou mais cara.

E ainda nem consideramos:

  • retrabalho;

  • intervenção humana;

  • erros operacionais;

  • consumo de APIs;

  • processamento de banco de dados;

  • armazenamento;

  • auditoria;

  • observabilidade;

  • impacto de decisões incorretas.

Esse é um dos grandes ensinamentos:

O indicador correto não é somente custo por token. É custo por resultado confiável.


8. A jornada em três fases

A imagem apresenta uma evolução poderosa:

Tokens → Contexto → Outcomes

Vamos aprofundar cada estágio.

Fase 1 — Tokens

É a fase da inteligência genérica.

A empresa mede:

  • preço;

  • velocidade;

  • capacidade;

  • latência;

  • tamanho do modelo;

  • consumo de GPU.

O objetivo é gerar uma boa resposta.

Fase 2 — Contexto

A empresa conecta o modelo aos seus dados.

Entram em cena:

  • RAG;

  • bancos vetoriais;

  • catálogos;

  • metadados;

  • APIs;

  • documentos;

  • sistemas transacionais;

  • dados históricos;

  • regras corporativas.

O objetivo é gerar uma resposta relevante para a organização.

Fase 3 — Resultado confiável

A empresa transforma a resposta em ação controlada.

Entram em cena:

  • agentes;

  • automação;

  • workflows;

  • aprovações;

  • autenticação;

  • autorização;

  • observabilidade;

  • auditoria;

  • rollback;

  • compliance.

O objetivo é gerar uma ação mensurável, segura e repetível.


9. RAG: dando memória ao modelo

Um dos mecanismos mais comuns para fornecer contexto a um modelo é o RAG, sigla para Retrieval-Augmented Generation.

Em português, algo como geração aumentada por recuperação de informação.

O fluxo básico é:

Pergunta
   |
   v
Busca de documentos relevantes
   |
   v
Documentos adicionados ao prompt
   |
   v
Modelo gera resposta baseada no contexto

Vamos imaginar um assistente para suporte COBOL.

Pergunta:

Como resolver o ABEND S0C7 do programa PAGT001?

Sem RAG, o modelo responde genericamente:

S0C7 normalmente indica dados inválidos em uma operação numérica.

Com RAG, o sistema consulta:

  • manual interno;

  • dump do programa;

  • copybook;

  • histórico de incidentes;

  • documentação do batch;

  • versão do módulo.

O contexto recuperado informa:

O campo WS-VALOR-ENTRADA é lido da posição 81,
mas o arquivo recebido possui caracteres em branco.

A resposta passa a ser:

No programa PAGT001, o S0C7 ocorre porque o campo
WS-VALOR-ENTRADA recebe espaços do registro de entrada.

Antes da conversão, valide o conteúdo:

IF CAMPO-ENTRADA NUMERIC
    MOVE CAMPO-ENTRADA TO WS-VALOR
ELSE
    MOVE ZERO TO WS-VALOR
END-IF.

Agora a resposta possui contexto real.


10. Do RAG ao agente

RAG responde.

Agente executa.

Considere este pedido:

Reprocesse o job de faturamento que falhou.

Um agente corporativo poderia seguir este fluxo:

1. Localizar o job no JES2.
2. Consultar o retorno no SDSF.
3. Identificar o step com falha.
4. Ler mensagens do sistema.
5. Correlacionar com incidentes anteriores.
6. Validar se o reprocessamento é permitido.
7. Solicitar aprovação, quando necessário.
8. Reexecutar o job.
9. Monitorar o novo processamento.
10. Registrar tudo na auditoria.

Perceba a diferença.

O agente não pode simplesmente encontrar um exemplo de JCL e submetê-lo.

Ele precisa respeitar:

  • autorização RACF;

  • regras operacionais;

  • janela batch;

  • dependências;

  • datasets;

  • estado do processamento;

  • políticas de reexecução;

  • impacto financeiro;

  • aprovação humana.

É aí que governança e segurança deixam de ser acessórios.

Elas tornam-se componentes centrais.


11. Segurança: o agente não pode ser um superusuário irresponsável

Um agente precisa operar segundo o princípio do menor privilégio.

Em ambientes z/OS, isso significa respeitar controles como:

  • RACF;

  • SAF;

  • perfis de dataset;

  • classes de recurso;

  • autorização de comandos;

  • acesso a transações;

  • controle de APIs;

  • trilhas SMF;

  • segregação de funções.

Imagine um agente que pode:

  • submeter qualquer job;

  • ler qualquer dataset;

  • alterar tabelas;

  • cancelar transações;

  • acessar dados pessoais.

Mesmo que a intenção seja legítima, esse desenho cria um risco gigantesco.

O correto é limitar o agente.

Exemplo:

Agente de suporte batch:

Pode:
- consultar spool;
- ler mensagens;
- comparar incidentes;
- sugerir correções;
- reexecutar jobs pré-autorizados.

Não pode:
- alterar loadlibs de produção;
- modificar datasets críticos;
- submeter JCL fora da whitelist;
- acessar dados de clientes;
- ignorar aprovações.

Uma boa arquitetura trata o agente como qualquer identidade corporativa.

Ele possui:

  • credencial;

  • função;

  • escopo;

  • permissões;

  • responsabilidade;

  • trilha de auditoria.


12. Governança: quem decidiu, por quê e com quais dados?

Em ambientes regulados, não basta uma decisão estar correta.

Ela precisa ser explicável.

Considere um agente de crédito.

Ele nega uma proposta.

A empresa precisa responder:

  • Qual modelo foi utilizado?

  • Qual versão?

  • Quais dados foram consultados?

  • Qual política estava vigente?

  • Houve intervenção humana?

  • A decisão pode ser reproduzida?

  • Existia viés?

  • Os dados estavam atualizados?

  • O cliente pode contestar?

Sem essas respostas, a automação se torna uma caixa-preta perigosa.

Uma trilha de auditoria pode registrar:

Data/Hora: 2026-07-14 14:35:12
Agente: AGT-CREDITO-01
Modelo: MODELO-CREDITO-V3
Política: POL-CRED-2026-04
Cliente: ID anonimizado 984521
Dados consultados:
- score interno;
- renda declarada;
- histórico de pagamento;
- alertas de fraude.

Decisão:
Encaminhado para análise humana.

Motivo:
Divergência entre renda declarada e histórico de movimentação.

Esse registro transforma uma ação de IA em uma ação corporativamente defensável.


13. O papel da infraestrutura

A imagem apresenta uma fundação composta por tecnologias como LinuxONE, OpenShift, IBM Fusion, Storage Scale, Ceph e watsonx.

A mensagem não é que uma única tecnologia resolve tudo.

A mensagem é que IA corporativa exige uma base coordenada.

Vamos interpretar cada camada.

LinuxONE

LinuxONE representa uma plataforma voltada a cargas Linux empresariais com forte ênfase em:

  • escalabilidade;

  • consolidação;

  • segurança;

  • disponibilidade;

  • eficiência operacional.

Ele pode hospedar aplicações, APIs, bancos de dados, containers e serviços de IA próximos dos sistemas corporativos.

Red Hat OpenShift

OpenShift atua como camada de orquestração de containers.

Ele permite executar:

  • microsserviços;

  • APIs;

  • pipelines;

  • modelos;

  • aplicações;

  • agentes;

  • componentes de integração.

Para o padawan COBOL, podemos compará-lo a uma grande plataforma que administra milhares de aplicações empacotadas em containers, distribuindo recursos, reiniciando componentes e aplicando políticas.

IBM Fusion

IBM Fusion aparece como uma fundação para dados e operações.

Em uma arquitetura de IA, armazenamento não significa apenas “guardar arquivos”.

É necessário:

  • disponibilizar dados;

  • proteger dados;

  • mover dados;

  • criar cópias;

  • restaurar ambientes;

  • aplicar políticas;

  • manter consistência;

  • fornecer desempenho.

Storage Scale

Storage Scale é associado ao acesso paralelo e distribuído a grandes volumes de informação.

Em cargas de IA, muitos processos podem precisar acessar enormes conjuntos de dados simultaneamente.

Um armazenamento lento transforma GPUs caras em máquinas esperando dados.

É o velho problema de I/O.

O programador COBOL conhece isso bem.

Não adianta possuir CPU rápida se o programa passa o tempo inteiro aguardando leitura.

Ceph

Ceph fornece armazenamento distribuído em diferentes formatos:

  • objeto;

  • bloco;

  • arquivo.

É bastante útil em ambientes de nuvem e containers, especialmente quando aplicações precisam de armazenamento resiliente e escalável.

watsonx

O watsonx representa a camada de IA, dados e governança.

De forma conceitual:

watsonx.ai
Modelos, desenvolvimento e inferência.

watsonx.data
Dados preparados para análise e IA.

watsonx.governance
Controle, risco, transparência e auditoria.

O ponto central é importante:

A IA empresarial não é apenas o modelo. Ela depende de dados e governança na mesma proporção.


14. O mainframe como servidor de contexto

Muitos projetos cometem um erro cultural: tratam o mainframe como um sistema antigo que precisa ser contornado.

Entretanto, nas grandes empresas, o mainframe frequentemente contém o contexto mais confiável.

É nele que estão:

  • o saldo verdadeiro;

  • o estoque verdadeiro;

  • o contrato vigente;

  • o pagamento confirmado;

  • a apólice ativa;

  • o cadastro oficial;

  • a transação contabilizada.

Uma IA pode ler milhares de documentos, mas a resposta definitiva pode depender de uma única consulta ao Db2.

Exemplo:

SELECT STATUS_CONTA,
       SALDO_DISPONIVEL,
       LIMITE_CREDITO
  FROM CONTAS
 WHERE NUMERO_CONTA = :WS-CONTA;

Essa consulta retorna o estado operacional real.

O documento explica a política.

O sistema transacional informa a verdade atual.

A combinação dos dois produz contexto confiável.


15. Exemplo completo: agente de atendimento bancário

Vamos montar uma arquitetura passo a passo.

Solicitação

Cliente:
Quero contestar a compra de R$ 2.500 realizada ontem.

Etapa 1 — Interpretação

O modelo identifica:

Intenção:
Contestar transação.

Entidades:
Valor: R$ 2.500.
Período: ontem.

Etapa 2 — Autenticação

Antes de consultar informações, o sistema confirma a identidade do cliente.

MFA validado.
Sessão autenticada.
Token de acesso emitido.

Etapa 3 — Consulta de transações

Uma API chama o sistema transacional.

OpenShift
   |
   v
API corporativa
   |
   v
z/OS Connect
   |
   v
CICS
   |
   v
Programa COBOL
   |
   v
Db2

O COBOL recebe os dados:

01 REQUEST-DATA.
   05 REQ-CONTA          PIC X(12).
   05 REQ-DATA-INICIAL   PIC X(10).
   05 REQ-VALOR          PIC 9(7)V99.

01 RESPONSE-DATA.
   05 RESP-CODIGO        PIC X(04).
   05 RESP-DESCRICAO     PIC X(100).
   05 RESP-ID-TRANSACAO  PIC X(20).

Etapa 4 — Aplicação das regras

A política determina:

Compras acima de R$ 2.000 exigem análise adicional.

O agente não pode simplesmente devolver o dinheiro.

Ele precisa:

- bloquear temporariamente a transação;
- gerar protocolo;
- abrir análise antifraude;
- avisar o cliente;
- registrar a decisão.

Etapa 5 — Auditoria

Tudo é registrado.

Quem solicitou.
Qual agente atuou.
Quais dados foram consultados.
Qual regra foi aplicada.
Qual ação foi executada.

Etapa 6 — Resultado

Resposta final:

A transação de R$ 2.500 foi localizada.

Foi aberto o protocolo 845219.
O valor está em análise.
O cartão permanece ativo, mas novas transações suspeitas
serão monitoradas.

Prazo estimado: até 5 dias úteis.

Agora existe um resultado real.

Não apenas uma resposta elegante.


16. TTO: Time to Outcome

A sigla TTO significa Time to Outcome, ou tempo até o resultado.

Durante muitos anos, a tecnologia falou sobre:

  • Time to Market;

  • Time to Value;

  • tempo de resposta;

  • tempo de processamento;

  • SLA.

O TTO mede quanto tempo uma organização leva para transformar uma necessidade em um resultado concluído.

Considere um incidente batch.

Processo tradicional

08:00 — job falha.
08:20 — operador identifica.
08:45 — chamado é aberto.
09:30 — equipe analisa.
10:15 — causa é descoberta.
11:00 — correção é aprovada.
11:30 — job é reexecutado.
12:00 — processamento termina.

TTO:

4 horas.

Processo assistido por IA

08:00 — job falha.
08:01 — agente lê mensagens.
08:02 — correlaciona com incidente anterior.
08:03 — valida pré-requisitos.
08:04 — solicita aprovação.
08:07 — operador aprova.
08:08 — agente reexecuta.
08:30 — processamento termina.

TTO:

30 minutos.

A IA não criou valor porque leu o spool rapidamente.

Criou valor porque reduziu o tempo até a recuperação.


17. Métricas melhores para IA corporativa

Além do custo por token, uma organização deveria acompanhar:

Taxa de conclusão

Quantas tarefas foram realmente concluídas?

Tarefas iniciadas: 1.000
Tarefas concluídas: 760
Taxa de conclusão: 76%

Taxa de intervenção humana

Quantas tarefas exigiram correção?

Tarefas concluídas: 760
Intervenções humanas: 180
Taxa: 23,7%

Custo por resultado

Inclui:

  • tokens;

  • infraestrutura;

  • APIs;

  • processamento;

  • armazenamento;

  • retrabalho;

  • supervisão humana.

Tempo até o resultado

Quanto tempo o processo completo levou?

Taxa de erro operacional

Quantas ações precisaram ser revertidas?

Conformidade

Quantas ações possuíam:

  • autorização;

  • justificativa;

  • trilha;

  • evidência;

  • política associada?

Essas métricas aproximam IA de operação real.


18. Um exemplo COBOL: preparando contexto para uma API

Imagine um programa COBOL que consulta dados de um cliente para um agente.

       IDENTIFICATION DIVISION.
       PROGRAM-ID. CLIENTE-CONTEXTO.

       DATA DIVISION.
       WORKING-STORAGE SECTION.

       01 WS-CLIENTE-ID        PIC 9(10).
       01 WS-NOME              PIC X(40).
       01 WS-SEGMENTO          PIC X(10).
       01 WS-SCORE             PIC 9(03).
       01 WS-DIAS-ATRASO       PIC 9(03).
       01 WS-STATUS            PIC X(10).

       01 WS-CONTEXTO.
          05 FILLER            PIC X(12) VALUE
             '"cliente":"'.
          05 WS-JSON-NOME      PIC X(40).
          05 FILLER            PIC X(14) VALUE
             '","segmento":"'.
          05 WS-JSON-SEGMENTO  PIC X(10).
          05 FILLER            PIC X(10) VALUE
             '","score":'.
          05 WS-JSON-SCORE     PIC 9(03).
          05 FILLER            PIC X(01) VALUE '}'.

       PROCEDURE DIVISION.

           MOVE 1234567890 TO WS-CLIENTE-ID

           EXEC SQL
               SELECT NOME,
                      SEGMENTO,
                      SCORE,
                      DIAS_ATRASO,
                      STATUS
                 INTO :WS-NOME,
                      :WS-SEGMENTO,
                      :WS-SCORE,
                      :WS-DIAS-ATRASO,
                      :WS-STATUS
                 FROM CLIENTES
                WHERE CLIENTE_ID = :WS-CLIENTE-ID
           END-EXEC

           IF SQLCODE = 0
               MOVE WS-NOME     TO WS-JSON-NOME
               MOVE WS-SEGMENTO TO WS-JSON-SEGMENTO
               MOVE WS-SCORE    TO WS-JSON-SCORE
               DISPLAY WS-CONTEXTO
           ELSE
               DISPLAY 'ERRO SQLCODE: ' SQLCODE
           END-IF

           GOBACK.

O objetivo do exemplo não é apresentar um gerador JSON perfeito, mas mostrar a ideia.

O programa:

  1. recebe o identificador do cliente;

  2. consulta dados no Db2;

  3. organiza as informações;

  4. disponibiliza o contexto para outro componente.

O LLM não precisa conhecer a estrutura interna do banco.

Uma API intermediária pode transformar os dados em um contrato bem definido.

Exemplo:

{
  "cliente": "Maria Silva",
  "segmento": "Platinum",
  "score": 920,
  "diasAtraso": 0,
  "status": "Ativo"
}

Esse JSON se torna contexto para a decisão.


19. Easter egg: o mainframe já fazia “agentes” antes da moda

Existe uma curiosidade divertida.

Muito antes dos atuais agentes de IA, o mainframe já executava cadeias automáticas de decisões.

JCL, schedulers, CICS, IMS, MQ e automação operacional já permitiam:

  • detectar eventos;

  • disparar jobs;

  • avaliar códigos de retorno;

  • chamar programas;

  • executar contingências;

  • registrar resultados.

Considere este exemplo simplificado:

//STEP01 EXEC PGM=VALIDA
//STEP02 EXEC PGM=PROCESSA,COND=(0,NE,STEP01)
//STEP03 EXEC PGM=NOTIFICA,COND=(0,NE,STEP02)

A lógica diz:

Valide.
Se estiver tudo certo, processe.
Se o processamento terminar corretamente, notifique.

Isso é uma forma primitiva de orquestração orientada a resultados.

A diferença moderna é que a IA pode interpretar linguagem, analisar informações não estruturadas e escolher ferramentas dinamicamente.

Mas o princípio de automação controlada não nasceu ontem.

O mainframe já ensinava isso quando muitos dos atuais especialistas em IA ainda brincavam com disquetes.


20. Faster complexity: complexidade mais rápida

Uma frase poderosa do texto é:

Isso não é transformação. É complexidade mais rápida.

Automatizar um processo ruim não o transforma automaticamente em um processo bom.

Imagine um fluxo com:

  • cinco planilhas;

  • três aprovações redundantes;

  • dados duplicados;

  • políticas conflitantes;

  • sistemas sem integração.

Adicionar IA pode acelerar o fluxo.

Mas também pode acelerar:

  • inconsistências;

  • erros;

  • retrabalho;

  • decisões conflitantes;

  • consumo de recursos;

  • dívida operacional.

Antes de automatizar, a empresa deveria perguntar:

Este processo ainda faz sentido?
Os dados são confiáveis?
As regras estão documentadas?
As responsabilidades estão claras?
A decisão pode ser auditada?
Existe mecanismo de reversão?

A IA não elimina arquitetura.

Ela aumenta a importância da arquitetura.


21. Um roteiro prático para o programador COBOL padawan

Como começar essa jornada?

Passo 1 — Identifique um resultado

Não comece com:

Vamos usar IA.

Comece com:

Queremos reduzir o tempo de análise de um ABEND de 90 para 15 minutos.

Passo 2 — Localize o contexto

Pergunte:

Onde estão os dados necessários?

Talvez em:

  • spool;

  • Db2;

  • SMF;

  • documentação;

  • Git;

  • tickets;

  • datasets;

  • copybooks.

Passo 3 — Defina as fontes confiáveis

Nem toda informação possui o mesmo peso.

Fonte oficial:
Db2 de produção.

Fonte complementar:
manual interno.

Fonte histórica:
tickets anteriores.

Fonte não confiável:
planilha local sem atualização.

Passo 4 — Crie uma camada de integração

Evite permitir acesso direto e irrestrito ao sistema.

Use:

  • APIs;

  • z/OS Connect;

  • MQ;

  • serviços CICS;

  • stored procedures;

  • camadas de autorização.

Passo 5 — Aplique governança

Registre:

  • modelo;

  • versão;

  • fonte;

  • decisão;

  • ação;

  • usuário;

  • horário;

  • resultado.

Passo 6 — Comece com aprovação humana

Antes de permitir ação autônoma:

IA sugere.
Humano aprova.
Sistema executa.

Depois, tarefas simples e de baixo risco podem ganhar maior autonomia.

Passo 7 — Meça o resultado

Acompanhe:

  • tempo economizado;

  • taxa de sucesso;

  • retrabalho;

  • custo por tarefa;

  • falhas;

  • impacto operacional.


22. Conclusão: a verdadeira corrida da IA

A corrida da inteligência artificial está mudando.

Na primeira fase, todos buscavam modelos maiores.

Na segunda, perceberam que o modelo sem contexto possui valor limitado.

Na terceira, as empresas vencedoras aprenderão a transformar contexto em ação confiável.

A fórmula é simples de escrever:

Compute
   +
Data
   +
Storage
   +
Context
   +
Applications
   +
Security
   +
Governance
   +
Operations
   =
Trusted Outcomes

Mas implementá-la exige engenharia.

Exige integração entre o novo e o legado.

Exige APIs, segurança, arquitetura, armazenamento, observabilidade e governança.

Exige reconhecer que o COBOL, o CICS, o IMS, o Db2 e o IBM Z não são obstáculos à inteligência artificial.

Eles podem ser a fonte do contexto mais valioso da organização.

Os tokens ficarão mais baratos.

Os modelos serão cada vez mais acessíveis.

A capacidade computacional continuará crescendo.

Contudo, o contexto confiável continuará raro.

E o resultado governado será ainda mais valioso.

No final, a pergunta correta não será:

Quantos tokens sua empresa processou?

Será:

Quantos problemas reais ela resolveu, com segurança, velocidade, rastreabilidade e confiança?

O mestre termina o café, olha novamente para o jovem programador e conclui:

— Padawan, o modelo pode conhecer milhares de respostas. Mas somente o sistema completo consegue entregar o resultado.

E, no fundo do datacenter, enquanto o IBM Z continua processando milhões de transações, uma antiga verdade da computação reaparece com nova roupa:

Tecnologia não vale pelo que promete. Vale pelo que consegue concluir.

 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

The Messy Middle: Por que a Modernização Corporativa Não Acontece em Linha Reta

 

Bellacosa Mainframe entenda o messy middle

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

The Messy Middle: Por que a Modernização Corporativa Não Acontece em Linha Reta

Como IBM Fusion, OpenShift, máquinas virtuais, containers, dados, inteligência artificial e IBM Z convivem no mundo real

“A modernização não acontece quando uma empresa abandona tudo o que construiu. Ela acontece quando consegue conectar o que já funciona ao que precisará funcionar amanhã.”

Imagine, Padawan, que você trabalha em um grande banco.

De um lado existe um programa COBOL criado há trinta anos, processando milhões de transações todos os dias. Ele consulta o Db2, conversa com o CICS, envia mensagens pelo IBM MQ e produz arquivos utilizados por dezenas de outros sistemas.

Do outro lado existe uma nova aplicação desenvolvida com microsserviços, APIs REST, containers, Kubernetes, inteligência artificial e interfaces web modernas.

Entre esses dois mundos aparecem máquinas virtuais, storages, servidores Linux, ambientes VMware, clusters OpenShift, ferramentas de segurança, plataformas de observabilidade, pipelines de DevOps, soluções de backup, data lakes e diversos fornecedores.

A diretoria deseja inovação.

A área de negócios quer velocidade.

A equipe de segurança quer controle.

A infraestrutura deseja reduzir custos.

Os desenvolvedores querem autonomia.

Os responsáveis pelos sistemas críticos querem estabilidade.

E ninguém pode simplesmente desligar o sistema que mantém o banco funcionando.

Bem-vindo ao The Messy Middle, o “meio bagunçado” da modernização corporativa.

Esse conceito descreve a realidade em que a maioria das grandes empresas vive: elas não abandonaram o passado, ainda não chegaram completamente ao futuro e precisam operar todos os ambientes simultaneamente.

Não existe uma ponte limpa e reta entre o legado e o cloud native.

Existe uma enorme zona de convivência.

É justamente nesse espaço que tecnologias como IBM Fusion, Red Hat OpenShift, IBM Storage Scale, IBM Ceph, OpenShift Virtualization, Content Aware Storage, watsonx, z/OS Connect e IBM Z ganham importância.

Neste café, vamos desmontar essa arquitetura passo a passo, como se estivéssemos analisando um programa COBOL complexo durante um incidente de produção.


1. O mito da modernização perfeita

Durante muitos anos, o mercado de tecnologia vendeu uma narrativa extremamente sedutora.

A história era mais ou menos assim:

Sistemas antigos
       ↓
Migração para a nuvem
       ↓
Containers
       ↓
Kubernetes
       ↓
Microsserviços
       ↓
Tudo moderno

Parecia simples.

As máquinas virtuais desapareceriam.

Os datacenters seriam desligados.

Os programas monolíticos seriam reescritos.

Os sistemas legados seriam aposentados.

Todas as aplicações seriam transformadas em microsserviços executados em containers.

Mas a realidade corporativa recusou-se a seguir esse desenho.

Aplicações críticas não podem ser desligadas apenas porque surgiu uma tecnologia mais nova.

Imagine um sistema COBOL que controla:

  • contas bancárias;

  • cartões de crédito;

  • pagamentos;

  • apólices de seguro;

  • folhas de pagamento;

  • reservas de passagens;

  • arrecadação governamental;

  • processamento hospitalar.

Esse sistema pode ter décadas de existência, mas isso não significa que esteja obsoleto.

Ele pode continuar rápido, seguro, auditável e extremamente confiável.

O problema normalmente não está no fato de ele ser antigo.

O problema aparece quando ele precisa:

  • integrar-se com novos canais;

  • responder mais rapidamente às mudanças;

  • expor serviços por APIs;

  • consumir dados modernos;

  • participar de iniciativas de inteligência artificial;

  • ser observado por ferramentas contemporâneas;

  • compartilhar informações com outras plataformas.

Modernizar, portanto, não significa necessariamente reescrever.

Frequentemente significa integrar, organizar, automatizar, expor, governar e evoluir.


2. O que é o The Messy Middle?

O termo “Messy Middle” representa a fase intermediária — e muitas vezes permanente — em que empresas operam tecnologias de diferentes gerações.

Podemos visualizar esse ambiente assim:

IBM Z e COBOL
       +
VMware e máquinas virtuais
       +
Linux
       +
Aplicações Java
       +
Containers
       +
OpenShift
       +
Nuvem pública
       +
Storage tradicional
       +
Data lakes
       +
Inteligência artificial
       =
THE MESSY MIDDLE

A palavra “messy” não significa necessariamente que tudo esteja errado.

Ela indica que existem muitos elementos diferentes, interdependentes e difíceis de coordenar.

Uma grande organização pode manter simultaneamente:

  • programas COBOL no z/OS;

  • aplicações Java no WebSphere;

  • servidores Windows;

  • bancos Oracle;

  • ambientes VMware;

  • Linux em máquinas virtuais;

  • containers Kubernetes;

  • clusters OpenShift;

  • serviços em AWS;

  • workloads em Azure;

  • armazenamento NAS;

  • object storage;

  • IBM Storage Scale;

  • Ceph;

  • plataformas de IA;

  • ferramentas de segurança;

  • centenas de integrações.

Cada tecnologia foi adotada para resolver algum problema.

Com o tempo, porém, a soma dessas soluções cria uma nova dificuldade: a complexidade operacional.


3. Platform sprawl: quando cada solução cria outra plataforma

Existe uma expressão importante nesse debate: platform sprawl.

Ela pode ser traduzida como proliferação ou dispersão de plataformas.

Acontece quando cada novo projeto cria um novo ambiente, uma nova ferramenta, uma nova equipe e um novo conjunto de processos.

Imagine a seguinte evolução:

Projeto A → Kubernetes próprio
Projeto B → VMware separado
Projeto C → Nuvem pública
Projeto D → Outro storage
Projeto E → Nova ferramenta de backup
Projeto F → Nova plataforma de IA

Em pouco tempo, a empresa possui:

  • vários clusters;

  • múltiplos consoles;

  • diferentes modelos de segurança;

  • diversas ferramentas de monitoramento;

  • pipelines incompatíveis;

  • backups administrados separadamente;

  • equipes isoladas;

  • custos duplicados;

  • padrões operacionais inconsistentes.

Isso pode parecer modernização porque existem containers, APIs e nuvem.

Mas, na prática, pode ser apenas a velha fragmentação usando roupas novas.

Por isso a frase é tão poderosa:

“Isso não é modernização. É platform sprawl usando uma jaqueta mais bonita.”

Modernização verdadeira não consiste apenas em adicionar tecnologia.

Ela precisa reduzir atrito, simplificar operações, aumentar governança e permitir que diferentes workloads convivam de forma consistente.


4. As máquinas virtuais ainda importam

É comum ouvir que VMs serão substituídas completamente por containers.

Essa previsão ignora a realidade das empresas.

Máquinas virtuais continuam importantes porque milhares de aplicações foram construídas para esse modelo.

Algumas aplicações:

  • dependem de sistemas operacionais específicos;

  • possuem licenças vinculadas à VM;

  • utilizam middleware tradicional;

  • não foram desenhadas para containers;

  • não possuem justificativa financeira para reescrita;

  • são estáveis e pouco alteradas;

  • suportam processos críticos.

Transformar cada aplicação em container pode custar mais do que o benefício gerado.

Um sistema que funciona bem dentro de uma VM não precisa ser reescrito apenas para seguir uma tendência.

A pergunta correta não é:

“Por que essa aplicação ainda está em VM?”

A pergunta mais inteligente é:

“Existe pressão técnica ou de negócio suficiente para mudar essa aplicação?”

Se a resposta for não, a VM pode continuar sendo a melhor opção.

O desafio passa a ser administrá-la dentro de uma plataforma mais consistente.

É aí que entra o OpenShift Virtualization, permitindo que máquinas virtuais e containers convivam sob uma camada operacional comum.


5. Containers crescem, mas não de maneira uniforme

Containers são excelentes para diversos tipos de aplicação.

Eles proporcionam:

  • portabilidade;

  • isolamento;

  • automação;

  • escalabilidade;

  • padronização;

  • rapidez de implantação;

  • integração com pipelines;

  • uso eficiente de recursos.

Mas nem toda aplicação precisa ser containerizada.

Uma aplicação web moderna pode nascer diretamente em containers.

Um microsserviço stateless pode escalar horizontalmente com facilidade.

Já um sistema antigo, com dependências rígidas e estado persistente, pode exigir grande esforço para adaptação.

Por isso o crescimento dos containers é desigual.

Algumas áreas avançam rapidamente.

Outras continuam com VMs.

Outras mantêm workloads no mainframe.

E todas precisam conversar.

O Messy Middle é justamente essa convivência.


6. O problema não é Kubernetes

Muitas discussões de modernização começam com a pergunta errada:

“A empresa está migrando para Kubernetes?”

Essa pergunta coloca a tecnologia antes do problema.

Kubernetes é uma ferramenta poderosa, mas não é um objetivo de negócio.

Nenhum cliente acorda desejando Kubernetes.

Ele deseja:

  • uma transação mais rápida;

  • um aplicativo disponível;

  • um atendimento melhor;

  • uma resposta imediata;

  • um processo automatizado;

  • menor custo;

  • maior segurança.

A pergunta correta é:

“Quais aplicações estão sob pressão para mudar?”

Essa pressão pode aparecer de diversas formas.

Aplicação lenta para evoluir

Uma pequena alteração demora meses porque depende de muitos departamentos.

Escalabilidade limitada

A aplicação suporta mil usuários, mas precisa atender cem mil.

Integração difícil

O sistema não possui APIs ou depende de arquivos manuais.

Dados isolados

As informações estão presas em bancos, documentos ou servidores inacessíveis.

Operação cara

A infraestrutura exige muitas licenças, equipes e ferramentas.

Falta de observabilidade

Ninguém sabe exatamente por que a aplicação fica lenta ou falha.

Dificuldade para usar IA

O sistema possui dados valiosos, mas eles não estão preparados para modelos de inteligência artificial.

Esses são os verdadeiros sinais de que uma conversa sobre plataforma se tornou urgente.


7. O que é IBM Fusion?

IBM Fusion é uma plataforma criada para ajudar empresas a consolidar e administrar workloads híbridos, especialmente ambientes que envolvem:

  • máquinas virtuais;

  • containers;

  • dados;

  • armazenamento;

  • inteligência artificial;

  • OpenShift.

A proposta não é obrigar a empresa a escolher apenas um modelo.

A proposta é fornecer uma base mais consistente para vários modelos coexistirem.

A arquitetura apresentada na imagem coloca IBM Fusion acima de uma fundação composta por tecnologias como:

  • Red Hat OpenShift;

  • IBM Storage Scale;

  • IBM Ceph;

  • Content Aware Storage.

Sobre essa fundação podem operar:

VMs | Containers | Dados | IA

Essa visão é importante porque reconhece que a empresa não vai modernizar tudo de uma vez.

Ela precisará sustentar o atual enquanto prepara o próximo.


8. As duas opções: Fusion Software e Fusion HCI

IBM Fusion oferece dois caminhos principais.

8.1 Fusion Software

Fusion Software é indicado para organizações que já possuem infraestrutura.

A empresa pode ter:

  • servidores;

  • rede;

  • storage;

  • datacenter;

  • equipamentos certificados;

  • investimentos recentes.

Nesse cenário, não faz sentido substituir tudo.

O software é instalado sobre a infraestrutura existente, permitindo aproveitar o investimento já realizado.

Podemos representar assim:

Infraestrutura existente
          +
Fusion Software
          +
OpenShift
          +
Serviços de dados
          =
Plataforma híbrida

Essa opção é interessante para empresas que desejam modernizar gradualmente.

Ela segue uma filosofia muito conhecida no mainframe:

Não descarte o que funciona. Acrescente uma camada melhor de controle.

8.2 Fusion HCI

HCI significa Hyperconverged Infrastructure, ou infraestrutura hiperconvergente.

Nesse modelo, hardware e software são fornecidos de maneira integrada.

A solução combina:

  • computação;

  • armazenamento;

  • rede;

  • virtualização;

  • OpenShift;

  • serviços de dados;

  • automação.

A grande vantagem é reduzir o trabalho de integração.

Em vez de a empresa escolher separadamente:

  • servidor;

  • storage;

  • firmware;

  • drivers;

  • sistema operacional;

  • plataforma de containers;

  • ferramentas de administração;

ela recebe uma arquitetura integrada e validada.

Isso reduz:

  • tempo de implantação;

  • incompatibilidades;

  • esforço operacional;

  • quantidade de fornecedores;

  • risco de configuração.


9. OpenShift é a camada central

Red Hat OpenShift aparece no centro da arquitetura porque ele fornece a plataforma de execução e orquestração.

OpenShift é uma distribuição corporativa de Kubernetes, mas vai além do Kubernetes puro.

Ele oferece:

  • gerenciamento de clusters;

  • Operators;

  • políticas de segurança;

  • integração com pipelines;

  • GitOps;

  • monitoramento;

  • logging;

  • registro de imagens;

  • service mesh;

  • gerenciamento de identidade;

  • automação de implantação;

  • suporte empresarial.

Para um programador COBOL Padawan, uma analogia pode ajudar.

Imagine que Kubernetes seja o equivalente a um conjunto de serviços fundamentais do z/OS.

OpenShift adiciona uma camada integrada de administração, segurança, operação e suporte.

Ele não é apenas o “motor”.

Ele também fornece parte do painel, dos procedimentos, das políticas e dos instrumentos necessários para operar o motor com segurança.


10. OpenShift Virtualization: VMs e containers no mesmo ambiente

Uma das ideias mais práticas dessa arquitetura é permitir que VMs sejam executadas dentro do ecossistema OpenShift.

Isso resolve um problema importante.

A empresa pode ter:

  • aplicações novas em containers;

  • aplicações antigas em VMs;

  • equipes trabalhando com ambos os modelos.

Sem OpenShift Virtualization, esses ambientes podem ser gerenciados por plataformas completamente diferentes.

Com ele, torna-se possível aproximar:

VMs
 +
Containers
 +
Políticas
 +
Observabilidade
 +
Automação

Isso não significa que a VM virou container.

Significa que ambos podem ser administrados dentro de uma plataforma comum.

É uma estratégia gradual.

Primeiro, a empresa pode migrar a VM para uma infraestrutura mais padronizada.

Depois, avalia se vale a pena modernizar a aplicação.

Essa abordagem evita o erro clássico de tentar reescrever tudo de uma vez.


11. Storage deixou de ser apenas disco

Durante muito tempo, armazenamento foi tratado como uma camada invisível.

O programador gravava um arquivo.

O banco armazenava registros.

A infraestrutura cuidava dos discos.

Com inteligência artificial, analytics, machine learning e grandes volumes de conteúdo não estruturado, isso mudou completamente.

Storage passou a desempenhar funções estratégicas.

Agora ele precisa:

  • movimentar grandes volumes;

  • alimentar GPUs;

  • atender clusters;

  • escalar horizontalmente;

  • armazenar objetos;

  • fornecer arquivos;

  • expor blocos;

  • indexar conteúdo;

  • aplicar políticas;

  • suportar IA;

  • preservar governança.

Por isso a base da arquitetura destaca Storage Scale, Ceph e Content Aware Storage.


12. IBM Storage Scale

IBM Storage Scale, anteriormente conhecido como GPFS, é um sistema de arquivos distribuído projetado para grandes volumes e alto desempenho.

Ele é utilizado em cenários como:

  • inteligência artificial;

  • supercomputação;

  • analytics;

  • data lakes;

  • grandes repositórios;

  • processamento paralelo;

  • ambientes de pesquisa.

A ideia principal é permitir que diversos servidores acessem grandes conjuntos de dados com alto throughput.

Imagine centenas de nós tentando ler dados para treinar um modelo de IA.

Um storage convencional pode tornar-se um gargalo.

Storage Scale foi criado para cenários em que o acesso paralelo e a escala são essenciais.

Para o Padawan COBOL, pense em uma diferença semelhante a esta:

Arquivo simples usado por um programa
                versus
Sistema de arquivos distribuído usado por centenas de nós

A lógica fundamental continua sendo armazenar e recuperar dados.

Mas a escala e a arquitetura mudam radicalmente.


13. IBM Ceph

Ceph é uma plataforma de armazenamento distribuído.

Ela pode fornecer diferentes tipos de storage:

  • block storage;

  • file storage;

  • object storage.

Isso é importante porque aplicações diferentes precisam de formatos diferentes.

Uma VM pode precisar de block storage.

Uma aplicação pode precisar de sistema de arquivos.

Um data lake pode precisar de object storage.

Ceph permite reunir essas necessidades sobre uma arquitetura distribuída.

Em vez de manter soluções totalmente separadas para cada caso, a empresa pode utilizar uma plataforma mais integrada.


14. Content Aware Storage: quando o armazenamento entende o conteúdo

Content Aware Storage é um dos conceitos mais interessantes da arquitetura.

A maioria das empresas possui enormes quantidades de conteúdo não estruturado:

  • contratos;

  • documentos;

  • PDFs;

  • relatórios;

  • imagens;

  • gravações;

  • e-mails;

  • políticas internas;

  • históricos de atendimento;

  • manuais;

  • documentos jurídicos;

  • registros de manutenção.

Esses arquivos existem, mas frequentemente estão invisíveis para aplicações modernas e para sistemas de IA.

Eles podem estar espalhados em:

  • compartilhamentos de rede;

  • SharePoint;

  • servidores de arquivos;

  • object storage;

  • caixas postais;

  • ferramentas departamentais;

  • sistemas antigos.

O armazenamento consciente de conteúdo busca não apenas guardar arquivos, mas também facilitar sua classificação, descoberta, indexação e uso.

Isso transforma o storage em uma parte ativa da arquitetura de dados.


15. As empresas não têm falta de dados

Uma das frases mais importantes de toda essa discussão é:

“A maioria das organizações não possui falta de dados. Possui dificuldade de ativar os dados.”

Grandes empresas já possuem uma quantidade imensa de informação.

Um banco possui:

  • contratos;

  • transações;

  • cadastros;

  • reclamações;

  • históricos;

  • análises;

  • documentos;

  • políticas;

  • registros de fraude;

  • comunicações;

  • dados operacionais.

Uma seguradora possui:

  • apólices;

  • sinistros;

  • laudos;

  • fotos;

  • pareceres;

  • documentos médicos;

  • históricos de atendimento.

Uma indústria possui:

  • manuais;

  • ordens de manutenção;

  • telemetria;

  • relatórios;

  • desenhos;

  • registros de falhas;

  • documentos de engenharia.

O problema é que esses dados estão fragmentados.

Eles existem, mas não estão necessariamente:

  • catalogados;

  • acessíveis;

  • governados;

  • conectados;

  • pesquisáveis;

  • classificados;

  • seguros;

  • preparados para IA.

Essa é a diferença entre possuir dados e conseguir utilizá-los.


16. Data activation: transformar dado parado em valor

Ativação de dados significa tornar a informação utilizável por processos, pessoas, aplicações e modelos.

Podemos representar assim:

Dado armazenado
      ↓
Descoberta
      ↓
Classificação
      ↓
Governança
      ↓
Indexação
      ↓
Acesso controlado
      ↓
Aplicação ou IA
      ↓
Valor de negócio

Imagine um contrato de cem páginas guardado em um diretório.

Ele contém informação valiosa.

Mas, enquanto permanecer apenas como arquivo, seu valor está limitado.

Quando é indexado, classificado, associado a metadados e disponibilizado para busca semântica, passa a responder perguntas como:

  • Qual contrato vence no próximo mês?

  • Quais cláusulas contêm determinado risco?

  • Quais clientes possuem uma condição específica?

  • Qual política interna se aplica ao caso?

  • Qual documento fundamenta uma decisão?

A IA não cria magicamente conhecimento.

Ela depende de acesso seguro e contextualizado ao conhecimento que já existe.


17. IA precisa de dados confiáveis e governados

Modelos generativos podem responder perguntas, resumir documentos e apoiar decisões.

Mas, dentro de uma empresa, não basta conectar um chatbot a uma pasta de arquivos.

É necessário controlar:

  • quem pode consultar;

  • quais dados podem ser utilizados;

  • onde os dados estão;

  • qual é a versão correta;

  • quais informações são confidenciais;

  • como registrar auditoria;

  • como evitar vazamento;

  • como manter rastreabilidade;

  • como respeitar políticas internas.

Por isso o desafio de IA é também um desafio de infraestrutura, dados e segurança.

Uma arquitetura típica pode ser:

Documentos corporativos
          ↓
Classificação
          ↓
Extração de conteúdo
          ↓
Indexação
          ↓
Vetorização
          ↓
Banco vetorial
          ↓
RAG
          ↓
Modelo de IA
          ↓
Resposta com contexto

RAG significa Retrieval-Augmented Generation.

Em vez de o modelo responder apenas com o conhecimento adquirido no treinamento, ele consulta informações corporativas autorizadas antes de gerar a resposta.

Isso aumenta a relevância e reduz respostas sem fundamento.


18. E onde entra o IBM Z?

Para quem trabalha com COBOL, esse ponto é fundamental.

IBM Fusion não substitui o IBM Z.

OpenShift não precisa substituir o COBOL.

A inteligência artificial não precisa eliminar o CICS.

A arquitetura moderna pode aproveitar o mainframe como sistema de registro e processamento crítico.

Veja um exemplo:

Aplicação móvel
       ↓
API Gateway
       ↓
OpenShift
       ↓
Microsserviço
       ↓
z/OS Connect
       ↓
CICS
       ↓
Programa COBOL
       ↓
Db2

O usuário utiliza um aplicativo moderno.

A interface pode ter sido criada em React.

A API pode estar em OpenShift.

Mas a transação financeira continua sendo processada por COBOL no IBM Z.

Isso é modernização por integração.

Não por destruição.


19. Um exemplo bancário completo

Imagine que um banco deseja criar um assistente de IA para ajudar clientes a entender seus contratos.

Os contratos estão em PDFs.

Os dados cadastrais estão no Db2.

As transações são processadas por COBOL.

A interface do cliente está em uma aplicação web.

Uma arquitetura possível seria:

Cliente
   ↓
Portal Web
   ↓
Aplicação em OpenShift
   ↓
Serviço de IA
   ↓
Busca em documentos indexados
   ↓
Content Aware Storage
   ↓
Consulta de dados autorizados
   ↓
API
   ↓
z/OS Connect
   ↓
COBOL / CICS / Db2

O assistente poderia responder:

“Sua tarifa está prevista na cláusula 8 do contrato e foi aplicada em determinada data.”

Para fazer isso corretamente, ele precisa combinar:

  • documento;

  • regra;

  • cadastro;

  • transação;

  • autorização;

  • contexto.

Nenhum desses elementos sozinho resolve o problema.

A plataforma precisa conectá-los.


20. Segurança quer controle; desenvolvimento quer velocidade

Uma das tensões centrais do Messy Middle ocorre entre segurança e agilidade.

A equipe de desenvolvimento deseja:

  • criar ambientes rapidamente;

  • implantar várias vezes por dia;

  • testar novas tecnologias;

  • automatizar processos.

A equipe de segurança deseja:

  • revisar acessos;

  • controlar imagens;

  • restringir privilégios;

  • aplicar políticas;

  • auditar operações;

  • impedir exposição de dados.

Nenhum lado está errado.

Sem velocidade, a empresa perde competitividade.

Sem segurança, a empresa assume riscos inaceitáveis.

A plataforma moderna precisa transformar segurança em política automatizada.

Em vez de revisar tudo manualmente, ela pode aplicar controles como código.

Exemplos:

  • políticas de rede;

  • controle de imagens;

  • autenticação centralizada;

  • secrets management;

  • criptografia;

  • segmentação;

  • auditoria;

  • RBAC;

  • integração com Vault;

  • compliance automatizado.

Assim, segurança deixa de ser apenas uma barreira no final do projeto e passa a fazer parte da plataforma.


21. O custo do VMware e a revisão das plataformas

Muitas empresas construíram enormes ambientes sobre VMware.

Durante anos, esse modelo tornou-se praticamente padrão em datacenters corporativos.

Mas mudanças de licenciamento, custo e estratégia de fornecedores fizeram várias organizações reconsiderarem sua dependência.

A pergunta passou a ser:

“Continuaremos executando todas as VMs da mesma maneira?”

Isso criou interesse em alternativas como:

  • OpenShift Virtualization;

  • KVM;

  • plataformas hiperconvergentes;

  • nuvens privadas;

  • modernização gradual.

A pressão financeira pode acelerar uma decisão arquitetural.

Uma aplicação que ninguém pretendia mover pode entrar em discussão quando o custo de sua plataforma aumenta.

Isso mostra que modernização nem sempre começa por inovação.

Às vezes começa por economia.


22. Operational debt: a dívida operacional

Programadores conhecem dívida técnica.

Ela ocorre quando decisões rápidas ou inadequadas tornam o código mais difícil de manter.

Existe também a dívida operacional.

Ela aparece quando a infraestrutura acumula complexidade.

Exemplo:

12 ferramentas de monitoramento
8 plataformas de backup
6 clusters Kubernetes
5 ambientes VMware
4 soluções de storage
3 gerenciadores de identidade
2 catálogos de serviços
1 equipe tentando entender tudo

Cada ferramenta pode ser boa isoladamente.

Mas o conjunto torna a operação lenta, cara e frágil.

A dívida operacional produz:

  • dependência de especialistas;

  • dificuldade de diagnóstico;

  • processos manuais;

  • baixa padronização;

  • atualizações demoradas;

  • riscos de segurança;

  • custos ocultos;

  • aumento do tempo de resposta.

Uma plataforma unificada busca reduzir essa dívida.

Não elimina toda complexidade, mas tenta torná-la administrável.


23. Passo a passo para identificar os pontos de pressão

Uma empresa não precisa começar modernizando tudo.

Ela deve procurar os pontos onde existe maior pressão.

Passo 1 — Liste as aplicações críticas

Identifique quais sistemas sustentam processos importantes.

Pergunte:

  • Qual aplicação gera receita?

  • Qual interromperia o negócio se parasse?

  • Qual possui maior volume?

  • Qual atende mais clientes?

  • Qual possui maior risco?

Passo 2 — Descubra onde existe lentidão de mudança

Verifique:

  • quanto tempo demora um deploy;

  • quantas aprovações são necessárias;

  • quantas equipes participam;

  • quanto tempo leva para criar um ambiente;

  • quantos processos são manuais.

Passo 3 — Identifique dados presos

Pergunte:

  • Onde estão os documentos?

  • Quem pode acessá-los?

  • Existem catálogos?

  • Os dados possuem dono?

  • Podem ser consumidos por APIs?

  • São utilizáveis por IA?

Passo 4 — Meça a duplicação

Procure:

  • storages repetidos;

  • clusters similares;

  • ferramentas com a mesma função;

  • pipelines diferentes;

  • múltiplas soluções de segurança;

  • equipes refazendo o mesmo trabalho.

Passo 5 — Analise custos

Inclua:

  • licenças;

  • hardware;

  • nuvem;

  • suporte;

  • mão de obra;

  • indisponibilidade;

  • retrabalho;

  • complexidade.

Passo 6 — Avalie a pressão de IA

Pergunte:

  • Quais dados a IA precisará?

  • Onde eles estão?

  • Eles são confiáveis?

  • Quem pode consultá-los?

  • A infraestrutura suporta o volume?

  • Há governança?

  • Há observabilidade?

Passo 7 — Escolha um caso de uso real

Não comece com uma transformação abstrata.

Escolha um problema concreto.

Por exemplo:

  • migrar um conjunto de VMs;

  • modernizar uma aplicação;

  • criar busca inteligente de documentos;

  • integrar um sistema COBOL via API;

  • consolidar storage;

  • reduzir ferramentas;

  • criar uma plataforma para IA.


24. O papel do programador COBOL Padawan

Talvez você esteja pensando:

“Mas isso parece assunto de arquiteto, infraestrutura e cloud. O que um programador COBOL tem a ver com isso?”

Tem tudo a ver.

O programador COBOL conhece:

  • regras de negócio;

  • estruturas de dados;

  • transações;

  • arquivos;

  • processos batch;

  • integrações;

  • dependências;

  • impactos;

  • comportamento histórico.

Em muitas empresas, o conhecimento mais valioso não está na documentação.

Está na mente dos profissionais que entendem os sistemas centrais.

Quando uma aplicação precisa ser exposta como API, alguém deve explicar:

  • o que o programa faz;

  • quais campos são obrigatórios;

  • quais códigos de retorno existem;

  • quais regras são aplicadas;

  • quais tabelas são consultadas;

  • quais transações são afetadas;

  • quais riscos existem.

Esse alguém frequentemente é o programador COBOL.

O profissional de mainframe não deve olhar OpenShift, Fusion, APIs e IA como ameaças.

Deve enxergá-los como novas formas de levar o valor do IBM Z para outros ambientes.


25. Uma trilha de estudos para o Padawan

Para compreender esse novo cenário, uma trilha prática pode ser organizada assim.

Fundamentos

  • Linux;

  • redes;

  • HTTP;

  • JSON;

  • REST;

  • Git.

Containers

  • Docker;

  • imagens;

  • registries;

  • volumes;

  • redes;

  • containers stateless e stateful.

Kubernetes

  • Pods;

  • Deployments;

  • Services;

  • ConfigMaps;

  • Secrets;

  • Persistent Volumes;

  • Operators.

OpenShift

  • projetos;

  • rotas;

  • pipelines;

  • segurança;

  • observabilidade;

  • GitOps;

  • OpenShift Virtualization.

Integração IBM Z

  • z/OS Connect;

  • CICS web services;

  • IBM MQ;

  • APIs;

  • eventos;

  • Kafka;

  • JSON no COBOL.

Dados e IA

  • dados estruturados;

  • dados não estruturados;

  • object storage;

  • RAG;

  • embeddings;

  • vetorização;

  • governança;

  • watsonx.

Operação

  • observabilidade;

  • SRE;

  • automação;

  • segurança;

  • custo;

  • capacidade;

  • continuidade.

O objetivo não é tornar o programador COBOL especialista em tudo.

É permitir que ele compreenda onde seu sistema se encaixa.


26. Build on what exists. Prepare for what is next.

A mensagem central da imagem pode ser resumida em uma frase:

“Construa sobre o que já existe. Prepare-se para o que virá.”

Essa frase descreve uma modernização pragmática.

Não se trata de preservar tudo para sempre.

Também não se trata de destruir tudo imediatamente.

Trata-se de avaliar cada workload com inteligência.

Algumas aplicações serão mantidas.

Outras serão integradas.

Algumas VMs serão migradas.

Outras aplicações serão containerizadas.

Certos sistemas serão reescritos.

Outros continuarão no mainframe.

Alguns dados serão movidos.

Outros permanecerão onde estão e serão acessados por APIs.

A arquitetura ideal não nasce de uma ideologia tecnológica.

Ela nasce das necessidades do negócio.


27. The Messy Middle não é temporário

Talvez a maior revelação seja esta:

O Messy Middle pode durar muitos anos.

Algumas empresas talvez nunca cheguem a um ambiente completamente homogêneo.

E tudo bem.

Grandes organizações são complexas porque seus negócios são complexos.

Aquisições trazem novos sistemas.

Regulações exigem controles diferentes.

Aplicações possuem ciclos distintos.

Departamentos têm prioridades diferentes.

Tecnologias evoluem em velocidades diferentes.

Quando uma empresa termina uma migração, outra tecnologia já apareceu.

Portanto, o objetivo não deve ser eliminar toda diversidade.

Deve ser criar coordenação.

A imagem mostra a passagem de:

Legacy & Fragmented

para:

Modern & Coordinated

Observe que ela não diz “moderno e uniforme”.

Ela diz “moderno e coordenado”.

Essa diferença é crucial.

Uma empresa pode ter mainframe, VMs, containers e nuvem.

O problema não é a diversidade.

O problema é a falta de coordenação.


28. A lição final para o Padawan

No mainframe, aprendemos que sistemas críticos não podem depender de improviso.

Eles precisam de:

  • padrões;

  • governança;

  • segurança;

  • disponibilidade;

  • recuperação;

  • controle;

  • capacidade;

  • observabilidade.

O mundo cloud native começou valorizando velocidade e flexibilidade.

Agora ele está redescobrindo muitas das disciplinas que o mainframe pratica há décadas.

IBM Fusion e OpenShift representam uma tentativa de unir esses mundos.

De um lado:

  • a estabilidade;

  • a governança;

  • os dados corporativos;

  • os sistemas existentes.

Do outro:

  • a automação;

  • os containers;

  • a agilidade;

  • a inteligência artificial;

  • as novas experiências digitais.

No centro está o Messy Middle.

Não como um defeito a ser escondido.

Mas como o verdadeiro ambiente operacional da empresa moderna.


Conclusão

A modernização corporativa não é uma caminhada limpa do legado até a nuvem.

Ela é uma longa convivência entre tecnologias, equipes, dados, riscos e objetivos diferentes.

Máquinas virtuais continuam importantes.

Containers continuam crescendo.

O IBM Z continua sustentando processos críticos.

A inteligência artificial depende de dados confiáveis.

A segurança exige controle.

As equipes de aplicação desejam velocidade.

A infraestrutura precisa reduzir custos e complexidade.

IBM Fusion surge como uma proposta para organizar essa convivência, oferecendo duas abordagens: Fusion Software, aproveitando infraestrutura existente, e Fusion HCI, fornecendo uma base integrada de hardware e software.

Red Hat OpenShift atua como plataforma central.

OpenShift Virtualization aproxima VMs e containers.

IBM Storage Scale e Ceph fornecem serviços de dados em escala.

Content Aware Storage ajuda a transformar documentos e conteúdo não estruturado em conhecimento utilizável.

O IBM Z permanece como fonte confiável de processamento, transações e dados críticos, conectado ao mundo moderno por APIs, eventos, MQ, z/OS Connect e outras tecnologias.

A grande pergunta não é:

“Quando tudo estará em Kubernetes?”

A grande pergunta é:

“Onde a aplicação está sob pressão, onde o dado está preso e onde a complexidade está impedindo o negócio de avançar?”

É nesses pontos que a modernização deve começar.

Porque o futuro não será construído apenas substituindo o passado.

Ele será construído conectando o que já existe, organizando o presente e preparando a empresa para aquilo que ainda está por vir.

E o programador COBOL Padawan que compreender esse cenário deixará de ser apenas o guardião de programas antigos.

Ele se tornará uma das pontes mais importantes entre o sistema que mantém o mundo funcionando e a plataforma que ajudará a construir o próximo capítulo da computação corporativa.