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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Inteligência Não é o Resultado: Tokens, Contexto e a Nova Economia da IA Corporativa

 

Bellacosa Mainframe fala sobre tokens contexto e a ia

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Inteligência Não é o Resultado: Tokens, Contexto e a Nova Economia da IA Corporativa

Imagine a cena.

É madrugada no datacenter. As luzes azuis dos corredores refletem nos gabinetes, os ventiladores trabalham em ritmo constante e, no centro da sala, um programador COBOL padawan observa um painel moderno repleto de gráficos sobre inteligência artificial.

No painel aparecem números impressionantes:

  • bilhões de parâmetros;

  • milhões de tokens processados;

  • GPUs operando em paralelo;

  • latência inferior a um segundo;

  • custo de inferência caindo mês após mês;

  • modelos cada vez maiores e mais rápidos.

O padawan sorri e pergunta ao mestre:

— Então vencemos? Nossa IA está pronta?

O mestre toma um gole de café, olha para o terminal e responde:

— Depende. O que ela fez pela empresa?

O jovem programador fica em silêncio.

A resposta resume um dos maiores desafios da inteligência artificial corporativa:

Inteligência não é o resultado. Inteligência é apenas um componente do caminho até o resultado.

Uma empresa não recebe dinheiro porque processou mais tokens. Não conquista clientes porque sua GPU executou inferências mais rapidamente. Não reduz perdas simplesmente porque instalou um modelo de linguagem com centenas de bilhões de parâmetros.

O valor aparece quando a inteligência é transformada em ação.

Quando uma fraude é bloqueada.

Quando uma transação é concluída.

Quando um cliente recebe a resposta correta.

Quando uma falha é evitada.

Quando uma operação é automatizada com segurança.

Quando uma decisão é tomada com base em dados confiáveis, contexto adequado e regras de negócio governadas.

É sobre essa transformação que vamos conversar neste café.


1. O grande engano da economia dos tokens

Nos primeiros anos da popularização da inteligência artificial generativa, grande parte da discussão se concentrou nos modelos.

As perguntas mais comuns eram:

  • Qual modelo possui mais parâmetros?

  • Qual gera textos melhores?

  • Qual responde mais rápido?

  • Qual possui a maior janela de contexto?

  • Quanto custa um milhão de tokens?

  • Quantas GPUs são necessárias?

  • Qual modelo venceu determinado benchmark?

Essas métricas são importantes. Entretanto, elas medem principalmente capacidade técnica.

Elas não demonstram, por si só, valor de negócio.

É parecido com avaliar um programa COBOL apenas pela quantidade de instruções executadas por segundo.

Imagine que um programa processa dez milhões de registros em dois minutos. Parece excelente. Porém, ao final, ele gera valores incorretos nas contas dos clientes.

Foi rápido?

Sim.

Foi eficiente?

Talvez.

Gerou valor?

Não.

Na realidade, criou um problema mais rapidamente.

O mesmo acontece com a IA.

Uma organização pode reduzir o custo de um milhão de tokens em 80%, aumentar o throughput e utilizar servidores mais poderosos. Contudo, se o sistema continuar produzindo respostas irrelevantes, decisões erradas ou tarefas incompletas, o benefício econômico é pequeno.

O erro está em confundir uma unidade de processamento com uma unidade de valor.

O token é uma unidade técnica.

O resultado é uma unidade de negócio.


2. O que é um token, afinal?

Para um programador COBOL acostumado com registros, campos, bytes e layouts, podemos comparar o token a uma pequena unidade usada pelo modelo para interpretar uma informação.

Uma palavra pode ser formada por um ou vários tokens.

Por exemplo, uma frase como:

O cliente solicitou o cancelamento do cartão.

é dividida internamente em partes menores. O modelo processa essas partes, identifica padrões e calcula quais tokens devem aparecer na resposta.

O custo de muitos serviços de IA é calculado com base na quantidade de tokens de entrada e saída.

Temos então:

Tokens de entrada:
pergunta, documentos, histórico, instruções.

Tokens de saída:
resposta gerada pelo modelo.

Em uma aplicação simples, isso funciona bem.

Entretanto, em uma empresa, o objetivo raramente é apenas gerar texto.

Considere esta solicitação:

Cliente:
Perdi meu cartão e há uma compra que não reconheço.

Um chatbot baseado apenas em texto pode responder:

Sinto muito pelo ocorrido.
Entre em contato com a central do banco para bloquear o cartão.

A resposta pode ser educada e tecnicamente correta.

Mas o problema continua existindo.

O cartão não foi bloqueado.

A transação não foi contestada.

O cliente ainda corre risco.

Nenhuma investigação foi aberta.

A IA gerou tokens, mas não gerou um resultado.


3. Da resposta para a ação

Uma aplicação corporativa madura precisa transformar a solicitação em uma sequência de operações.

Por exemplo:

1. Identificar o cliente.
2. Confirmar a autenticação.
3. Consultar os cartões ativos.
4. Verificar as últimas transações.
5. Bloquear o cartão comprometido.
6. Abrir uma contestação.
7. Solicitar um novo cartão.
8. Registrar a operação para auditoria.
9. Enviar confirmação ao cliente.

Agora não estamos mais falando apenas de um modelo.

Estamos falando de um sistema completo.

Esse sistema precisa conectar:

Modelo de IA
    +
Dados
    +
Aplicações
    +
APIs
    +
Segurança
    +
Governança
    +
Infraestrutura
    +
Operações

A inteligência artificial interpreta a intenção.

Os sistemas corporativos executam a ação.

Essa distinção é essencial.

O modelo pode compreender que o cliente deseja bloquear um cartão. Porém, quem realiza o bloqueio é uma aplicação transacional, talvez escrita em COBOL, executando em CICS e acessando dados no Db2.

O modelo não substitui necessariamente o sistema de negócio.

Ele passa a conversar com ele.


4. Tokens ficam baratos, contexto fica valioso

Uma das ideias mais importantes da nova economia da IA é a seguinte:

Tokens tendem a se tornar abundantes. Contexto confiável continuará sendo raro.

Os modelos estão ficando mais eficientes.

O custo da inferência tende a cair.

A capacidade computacional continua aumentando.

Modelos abertos e comerciais competem intensamente.

Consequentemente, o acesso à inteligência genérica tende a se tornar cada vez mais comum.

A pergunta estratégica deixa de ser:

Qual empresa possui acesso a um modelo de IA?

E passa a ser:

Qual empresa consegue fornecer ao modelo o contexto correto, no momento correto, com segurança e governança?

Vamos comparar duas situações.

Situação A: modelo sem contexto

Usuário:
O cliente João pode receber aumento de limite?

Resposta da IA:

Para avaliar um aumento de limite, considere renda,
histórico de pagamentos e nível de endividamento.

A resposta é genérica.

Pode ter sido escrita por qualquer modelo.

Situação B: modelo com contexto corporativo

Usuário:
O cliente João pode receber aumento de limite?

O sistema consulta:

CRM:
Cliente desde 2012.

Db2:
Nenhum atraso nos últimos 36 meses.

Sistema de crédito:
Score interno 892.

Sistema antifraude:
Nenhum alerta ativo.

Folha de pagamento:
Renda média aumentou 18%.

Política corporativa:
Aumento automático permitido até 20%.

Resposta:

O cliente está elegível para aumento de até 20%,
conforme a política de crédito vigente.

Motivos:
- relacionamento de 14 anos;
- ausência de atraso em 36 meses;
- score interno elevado;
- aumento comprovado de renda;
- nenhum alerta de fraude.

A recomendação exige confirmação do analista.

A diferença não está apenas no modelo.

Está no contexto.


5. O contexto proprietário como vantagem competitiva

Qualquer empresa pode contratar acesso a um modelo.

Porém, nenhuma concorrente possui exatamente:

  • seu histórico de clientes;

  • suas regras de negócio;

  • seus contratos;

  • seus dados operacionais;

  • seus registros de fraude;

  • seus manuais;

  • sua experiência acumulada;

  • seus sistemas legados;

  • seus fluxos de aprovação;

  • seu conhecimento institucional.

Esse conjunto forma o chamado contexto proprietário.

No mundo mainframe, uma parcela significativa desse contexto pode estar armazenada em:

  • tabelas Db2;

  • bancos IMS;

  • arquivos VSAM;

  • filas MQ;

  • transações CICS;

  • programas COBOL;

  • copybooks;

  • logs SMF;

  • datasets sequenciais;

  • catálogos;

  • regras codificadas durante décadas.

Eis um detalhe que muitos projetos modernos ignoram:

O mainframe não armazena apenas dados antigos. Ele contém contexto operacional acumulado.

Um programa COBOL de quarenta anos pode representar regras de negócio que nunca foram formalmente documentadas em outro lugar.

Por exemplo:

IF CLIENTE-SEGMENTO = 'P'
   AND DIAS-ATRASO = ZERO
   AND SCORE-CREDITO > 850
   AND VALOR-SOLICITADO <= LIMITE-AUTOMATICO
       MOVE 'APROVADO' TO STATUS-PROPOSTA
ELSE
       MOVE 'ANALISE' TO STATUS-PROPOSTA
END-IF.

Esse trecho não é apenas código.

Ele é conhecimento empresarial executável.

É uma política.

É contexto.

É parte da inteligência corporativa.


6. O perigo de construir agentes sobre dados desorganizados

Muitas empresas estão correndo para implementar agentes de IA.

O problema é que um agente pode automatizar decisões e executar tarefas. Portanto, um erro cometido por ele pode se espalhar muito mais rapidamente do que um erro em um chatbot tradicional.

Um chatbot errado gera uma resposta ruim.

Um agente errado pode:

  • cancelar um pedido;

  • bloquear um cliente;

  • aprovar um pagamento;

  • alterar um cadastro;

  • abrir milhares de chamados;

  • executar uma rotina indevida;

  • enviar informações confidenciais;

  • interromper um processo produtivo.

Observe esta arquitetura problemática:

Agente de IA
    |
    +--> CRM desatualizado
    |
    +--> planilha manual
    |
    +--> base duplicada
    |
    +--> documentação antiga
    |
    +--> API sem controle

O agente pode ser sofisticado.

O modelo pode ser excelente.

A infraestrutura pode ser poderosa.

Mesmo assim, o resultado será frágil.

No mundo COBOL, aprendemos há décadas a regra:

Garbage In, Garbage Out

Entrada ruim produz saída ruim.

Na era dos agentes, podemos acrescentar:

Garbage In, Automated Disaster Out

Entrada ruim pode produzir desastre automatizado.

É um pouco dramático, mas é verdade.


7. O custo por token não é o custo por tarefa concluída

Aqui aparece uma armadilha financeira importante.

Uma empresa pode celebrar a redução do custo por token, enquanto o custo real de completar uma tarefa continua aumentando.

Imagine um agente responsável por resolver chamados.

Modelo antigo:

Custo por milhão de tokens: US$ 10
Tokens por tarefa: 10.000
Taxa de sucesso: 80%

Modelo novo:

Custo por milhão de tokens: US$ 2
Tokens por tarefa: 40.000
Taxa de sucesso: 45%

O novo modelo parece mais barato por token.

Entretanto, ele usa quatro vezes mais tokens e falha com maior frequência.

Precisamos calcular o custo da tarefa concluída.

Exemplo simplificado

Modelo antigo:

10.000 tokens por tentativa
US$ 10 por 1.000.000 de tokens

Custo por tentativa:
10.000 / 1.000.000 x 10 = US$ 0,10

Com 80% de sucesso:

Custo aproximado por tarefa concluída:
0,10 / 0,80 = US$ 0,125

Modelo novo:

40.000 tokens por tentativa
US$ 2 por 1.000.000 de tokens

Custo por tentativa:
40.000 / 1.000.000 x 2 = US$ 0,08

Com 45% de sucesso:

Custo aproximado por tarefa concluída:
0,08 / 0,45 = US$ 0,177

O token ficou mais barato.

A tarefa ficou mais cara.

E ainda nem consideramos:

  • retrabalho;

  • intervenção humana;

  • erros operacionais;

  • consumo de APIs;

  • processamento de banco de dados;

  • armazenamento;

  • auditoria;

  • observabilidade;

  • impacto de decisões incorretas.

Esse é um dos grandes ensinamentos:

O indicador correto não é somente custo por token. É custo por resultado confiável.


8. A jornada em três fases

A imagem apresenta uma evolução poderosa:

Tokens → Contexto → Outcomes

Vamos aprofundar cada estágio.

Fase 1 — Tokens

É a fase da inteligência genérica.

A empresa mede:

  • preço;

  • velocidade;

  • capacidade;

  • latência;

  • tamanho do modelo;

  • consumo de GPU.

O objetivo é gerar uma boa resposta.

Fase 2 — Contexto

A empresa conecta o modelo aos seus dados.

Entram em cena:

  • RAG;

  • bancos vetoriais;

  • catálogos;

  • metadados;

  • APIs;

  • documentos;

  • sistemas transacionais;

  • dados históricos;

  • regras corporativas.

O objetivo é gerar uma resposta relevante para a organização.

Fase 3 — Resultado confiável

A empresa transforma a resposta em ação controlada.

Entram em cena:

  • agentes;

  • automação;

  • workflows;

  • aprovações;

  • autenticação;

  • autorização;

  • observabilidade;

  • auditoria;

  • rollback;

  • compliance.

O objetivo é gerar uma ação mensurável, segura e repetível.


9. RAG: dando memória ao modelo

Um dos mecanismos mais comuns para fornecer contexto a um modelo é o RAG, sigla para Retrieval-Augmented Generation.

Em português, algo como geração aumentada por recuperação de informação.

O fluxo básico é:

Pergunta
   |
   v
Busca de documentos relevantes
   |
   v
Documentos adicionados ao prompt
   |
   v
Modelo gera resposta baseada no contexto

Vamos imaginar um assistente para suporte COBOL.

Pergunta:

Como resolver o ABEND S0C7 do programa PAGT001?

Sem RAG, o modelo responde genericamente:

S0C7 normalmente indica dados inválidos em uma operação numérica.

Com RAG, o sistema consulta:

  • manual interno;

  • dump do programa;

  • copybook;

  • histórico de incidentes;

  • documentação do batch;

  • versão do módulo.

O contexto recuperado informa:

O campo WS-VALOR-ENTRADA é lido da posição 81,
mas o arquivo recebido possui caracteres em branco.

A resposta passa a ser:

No programa PAGT001, o S0C7 ocorre porque o campo
WS-VALOR-ENTRADA recebe espaços do registro de entrada.

Antes da conversão, valide o conteúdo:

IF CAMPO-ENTRADA NUMERIC
    MOVE CAMPO-ENTRADA TO WS-VALOR
ELSE
    MOVE ZERO TO WS-VALOR
END-IF.

Agora a resposta possui contexto real.


10. Do RAG ao agente

RAG responde.

Agente executa.

Considere este pedido:

Reprocesse o job de faturamento que falhou.

Um agente corporativo poderia seguir este fluxo:

1. Localizar o job no JES2.
2. Consultar o retorno no SDSF.
3. Identificar o step com falha.
4. Ler mensagens do sistema.
5. Correlacionar com incidentes anteriores.
6. Validar se o reprocessamento é permitido.
7. Solicitar aprovação, quando necessário.
8. Reexecutar o job.
9. Monitorar o novo processamento.
10. Registrar tudo na auditoria.

Perceba a diferença.

O agente não pode simplesmente encontrar um exemplo de JCL e submetê-lo.

Ele precisa respeitar:

  • autorização RACF;

  • regras operacionais;

  • janela batch;

  • dependências;

  • datasets;

  • estado do processamento;

  • políticas de reexecução;

  • impacto financeiro;

  • aprovação humana.

É aí que governança e segurança deixam de ser acessórios.

Elas tornam-se componentes centrais.


11. Segurança: o agente não pode ser um superusuário irresponsável

Um agente precisa operar segundo o princípio do menor privilégio.

Em ambientes z/OS, isso significa respeitar controles como:

  • RACF;

  • SAF;

  • perfis de dataset;

  • classes de recurso;

  • autorização de comandos;

  • acesso a transações;

  • controle de APIs;

  • trilhas SMF;

  • segregação de funções.

Imagine um agente que pode:

  • submeter qualquer job;

  • ler qualquer dataset;

  • alterar tabelas;

  • cancelar transações;

  • acessar dados pessoais.

Mesmo que a intenção seja legítima, esse desenho cria um risco gigantesco.

O correto é limitar o agente.

Exemplo:

Agente de suporte batch:

Pode:
- consultar spool;
- ler mensagens;
- comparar incidentes;
- sugerir correções;
- reexecutar jobs pré-autorizados.

Não pode:
- alterar loadlibs de produção;
- modificar datasets críticos;
- submeter JCL fora da whitelist;
- acessar dados de clientes;
- ignorar aprovações.

Uma boa arquitetura trata o agente como qualquer identidade corporativa.

Ele possui:

  • credencial;

  • função;

  • escopo;

  • permissões;

  • responsabilidade;

  • trilha de auditoria.


12. Governança: quem decidiu, por quê e com quais dados?

Em ambientes regulados, não basta uma decisão estar correta.

Ela precisa ser explicável.

Considere um agente de crédito.

Ele nega uma proposta.

A empresa precisa responder:

  • Qual modelo foi utilizado?

  • Qual versão?

  • Quais dados foram consultados?

  • Qual política estava vigente?

  • Houve intervenção humana?

  • A decisão pode ser reproduzida?

  • Existia viés?

  • Os dados estavam atualizados?

  • O cliente pode contestar?

Sem essas respostas, a automação se torna uma caixa-preta perigosa.

Uma trilha de auditoria pode registrar:

Data/Hora: 2026-07-14 14:35:12
Agente: AGT-CREDITO-01
Modelo: MODELO-CREDITO-V3
Política: POL-CRED-2026-04
Cliente: ID anonimizado 984521
Dados consultados:
- score interno;
- renda declarada;
- histórico de pagamento;
- alertas de fraude.

Decisão:
Encaminhado para análise humana.

Motivo:
Divergência entre renda declarada e histórico de movimentação.

Esse registro transforma uma ação de IA em uma ação corporativamente defensável.


13. O papel da infraestrutura

A imagem apresenta uma fundação composta por tecnologias como LinuxONE, OpenShift, IBM Fusion, Storage Scale, Ceph e watsonx.

A mensagem não é que uma única tecnologia resolve tudo.

A mensagem é que IA corporativa exige uma base coordenada.

Vamos interpretar cada camada.

LinuxONE

LinuxONE representa uma plataforma voltada a cargas Linux empresariais com forte ênfase em:

  • escalabilidade;

  • consolidação;

  • segurança;

  • disponibilidade;

  • eficiência operacional.

Ele pode hospedar aplicações, APIs, bancos de dados, containers e serviços de IA próximos dos sistemas corporativos.

Red Hat OpenShift

OpenShift atua como camada de orquestração de containers.

Ele permite executar:

  • microsserviços;

  • APIs;

  • pipelines;

  • modelos;

  • aplicações;

  • agentes;

  • componentes de integração.

Para o padawan COBOL, podemos compará-lo a uma grande plataforma que administra milhares de aplicações empacotadas em containers, distribuindo recursos, reiniciando componentes e aplicando políticas.

IBM Fusion

IBM Fusion aparece como uma fundação para dados e operações.

Em uma arquitetura de IA, armazenamento não significa apenas “guardar arquivos”.

É necessário:

  • disponibilizar dados;

  • proteger dados;

  • mover dados;

  • criar cópias;

  • restaurar ambientes;

  • aplicar políticas;

  • manter consistência;

  • fornecer desempenho.

Storage Scale

Storage Scale é associado ao acesso paralelo e distribuído a grandes volumes de informação.

Em cargas de IA, muitos processos podem precisar acessar enormes conjuntos de dados simultaneamente.

Um armazenamento lento transforma GPUs caras em máquinas esperando dados.

É o velho problema de I/O.

O programador COBOL conhece isso bem.

Não adianta possuir CPU rápida se o programa passa o tempo inteiro aguardando leitura.

Ceph

Ceph fornece armazenamento distribuído em diferentes formatos:

  • objeto;

  • bloco;

  • arquivo.

É bastante útil em ambientes de nuvem e containers, especialmente quando aplicações precisam de armazenamento resiliente e escalável.

watsonx

O watsonx representa a camada de IA, dados e governança.

De forma conceitual:

watsonx.ai
Modelos, desenvolvimento e inferência.

watsonx.data
Dados preparados para análise e IA.

watsonx.governance
Controle, risco, transparência e auditoria.

O ponto central é importante:

A IA empresarial não é apenas o modelo. Ela depende de dados e governança na mesma proporção.


14. O mainframe como servidor de contexto

Muitos projetos cometem um erro cultural: tratam o mainframe como um sistema antigo que precisa ser contornado.

Entretanto, nas grandes empresas, o mainframe frequentemente contém o contexto mais confiável.

É nele que estão:

  • o saldo verdadeiro;

  • o estoque verdadeiro;

  • o contrato vigente;

  • o pagamento confirmado;

  • a apólice ativa;

  • o cadastro oficial;

  • a transação contabilizada.

Uma IA pode ler milhares de documentos, mas a resposta definitiva pode depender de uma única consulta ao Db2.

Exemplo:

SELECT STATUS_CONTA,
       SALDO_DISPONIVEL,
       LIMITE_CREDITO
  FROM CONTAS
 WHERE NUMERO_CONTA = :WS-CONTA;

Essa consulta retorna o estado operacional real.

O documento explica a política.

O sistema transacional informa a verdade atual.

A combinação dos dois produz contexto confiável.


15. Exemplo completo: agente de atendimento bancário

Vamos montar uma arquitetura passo a passo.

Solicitação

Cliente:
Quero contestar a compra de R$ 2.500 realizada ontem.

Etapa 1 — Interpretação

O modelo identifica:

Intenção:
Contestar transação.

Entidades:
Valor: R$ 2.500.
Período: ontem.

Etapa 2 — Autenticação

Antes de consultar informações, o sistema confirma a identidade do cliente.

MFA validado.
Sessão autenticada.
Token de acesso emitido.

Etapa 3 — Consulta de transações

Uma API chama o sistema transacional.

OpenShift
   |
   v
API corporativa
   |
   v
z/OS Connect
   |
   v
CICS
   |
   v
Programa COBOL
   |
   v
Db2

O COBOL recebe os dados:

01 REQUEST-DATA.
   05 REQ-CONTA          PIC X(12).
   05 REQ-DATA-INICIAL   PIC X(10).
   05 REQ-VALOR          PIC 9(7)V99.

01 RESPONSE-DATA.
   05 RESP-CODIGO        PIC X(04).
   05 RESP-DESCRICAO     PIC X(100).
   05 RESP-ID-TRANSACAO  PIC X(20).

Etapa 4 — Aplicação das regras

A política determina:

Compras acima de R$ 2.000 exigem análise adicional.

O agente não pode simplesmente devolver o dinheiro.

Ele precisa:

- bloquear temporariamente a transação;
- gerar protocolo;
- abrir análise antifraude;
- avisar o cliente;
- registrar a decisão.

Etapa 5 — Auditoria

Tudo é registrado.

Quem solicitou.
Qual agente atuou.
Quais dados foram consultados.
Qual regra foi aplicada.
Qual ação foi executada.

Etapa 6 — Resultado

Resposta final:

A transação de R$ 2.500 foi localizada.

Foi aberto o protocolo 845219.
O valor está em análise.
O cartão permanece ativo, mas novas transações suspeitas
serão monitoradas.

Prazo estimado: até 5 dias úteis.

Agora existe um resultado real.

Não apenas uma resposta elegante.


16. TTO: Time to Outcome

A sigla TTO significa Time to Outcome, ou tempo até o resultado.

Durante muitos anos, a tecnologia falou sobre:

  • Time to Market;

  • Time to Value;

  • tempo de resposta;

  • tempo de processamento;

  • SLA.

O TTO mede quanto tempo uma organização leva para transformar uma necessidade em um resultado concluído.

Considere um incidente batch.

Processo tradicional

08:00 — job falha.
08:20 — operador identifica.
08:45 — chamado é aberto.
09:30 — equipe analisa.
10:15 — causa é descoberta.
11:00 — correção é aprovada.
11:30 — job é reexecutado.
12:00 — processamento termina.

TTO:

4 horas.

Processo assistido por IA

08:00 — job falha.
08:01 — agente lê mensagens.
08:02 — correlaciona com incidente anterior.
08:03 — valida pré-requisitos.
08:04 — solicita aprovação.
08:07 — operador aprova.
08:08 — agente reexecuta.
08:30 — processamento termina.

TTO:

30 minutos.

A IA não criou valor porque leu o spool rapidamente.

Criou valor porque reduziu o tempo até a recuperação.


17. Métricas melhores para IA corporativa

Além do custo por token, uma organização deveria acompanhar:

Taxa de conclusão

Quantas tarefas foram realmente concluídas?

Tarefas iniciadas: 1.000
Tarefas concluídas: 760
Taxa de conclusão: 76%

Taxa de intervenção humana

Quantas tarefas exigiram correção?

Tarefas concluídas: 760
Intervenções humanas: 180
Taxa: 23,7%

Custo por resultado

Inclui:

  • tokens;

  • infraestrutura;

  • APIs;

  • processamento;

  • armazenamento;

  • retrabalho;

  • supervisão humana.

Tempo até o resultado

Quanto tempo o processo completo levou?

Taxa de erro operacional

Quantas ações precisaram ser revertidas?

Conformidade

Quantas ações possuíam:

  • autorização;

  • justificativa;

  • trilha;

  • evidência;

  • política associada?

Essas métricas aproximam IA de operação real.


18. Um exemplo COBOL: preparando contexto para uma API

Imagine um programa COBOL que consulta dados de um cliente para um agente.

       IDENTIFICATION DIVISION.
       PROGRAM-ID. CLIENTE-CONTEXTO.

       DATA DIVISION.
       WORKING-STORAGE SECTION.

       01 WS-CLIENTE-ID        PIC 9(10).
       01 WS-NOME              PIC X(40).
       01 WS-SEGMENTO          PIC X(10).
       01 WS-SCORE             PIC 9(03).
       01 WS-DIAS-ATRASO       PIC 9(03).
       01 WS-STATUS            PIC X(10).

       01 WS-CONTEXTO.
          05 FILLER            PIC X(12) VALUE
             '"cliente":"'.
          05 WS-JSON-NOME      PIC X(40).
          05 FILLER            PIC X(14) VALUE
             '","segmento":"'.
          05 WS-JSON-SEGMENTO  PIC X(10).
          05 FILLER            PIC X(10) VALUE
             '","score":'.
          05 WS-JSON-SCORE     PIC 9(03).
          05 FILLER            PIC X(01) VALUE '}'.

       PROCEDURE DIVISION.

           MOVE 1234567890 TO WS-CLIENTE-ID

           EXEC SQL
               SELECT NOME,
                      SEGMENTO,
                      SCORE,
                      DIAS_ATRASO,
                      STATUS
                 INTO :WS-NOME,
                      :WS-SEGMENTO,
                      :WS-SCORE,
                      :WS-DIAS-ATRASO,
                      :WS-STATUS
                 FROM CLIENTES
                WHERE CLIENTE_ID = :WS-CLIENTE-ID
           END-EXEC

           IF SQLCODE = 0
               MOVE WS-NOME     TO WS-JSON-NOME
               MOVE WS-SEGMENTO TO WS-JSON-SEGMENTO
               MOVE WS-SCORE    TO WS-JSON-SCORE
               DISPLAY WS-CONTEXTO
           ELSE
               DISPLAY 'ERRO SQLCODE: ' SQLCODE
           END-IF

           GOBACK.

O objetivo do exemplo não é apresentar um gerador JSON perfeito, mas mostrar a ideia.

O programa:

  1. recebe o identificador do cliente;

  2. consulta dados no Db2;

  3. organiza as informações;

  4. disponibiliza o contexto para outro componente.

O LLM não precisa conhecer a estrutura interna do banco.

Uma API intermediária pode transformar os dados em um contrato bem definido.

Exemplo:

{
  "cliente": "Maria Silva",
  "segmento": "Platinum",
  "score": 920,
  "diasAtraso": 0,
  "status": "Ativo"
}

Esse JSON se torna contexto para a decisão.


19. Easter egg: o mainframe já fazia “agentes” antes da moda

Existe uma curiosidade divertida.

Muito antes dos atuais agentes de IA, o mainframe já executava cadeias automáticas de decisões.

JCL, schedulers, CICS, IMS, MQ e automação operacional já permitiam:

  • detectar eventos;

  • disparar jobs;

  • avaliar códigos de retorno;

  • chamar programas;

  • executar contingências;

  • registrar resultados.

Considere este exemplo simplificado:

//STEP01 EXEC PGM=VALIDA
//STEP02 EXEC PGM=PROCESSA,COND=(0,NE,STEP01)
//STEP03 EXEC PGM=NOTIFICA,COND=(0,NE,STEP02)

A lógica diz:

Valide.
Se estiver tudo certo, processe.
Se o processamento terminar corretamente, notifique.

Isso é uma forma primitiva de orquestração orientada a resultados.

A diferença moderna é que a IA pode interpretar linguagem, analisar informações não estruturadas e escolher ferramentas dinamicamente.

Mas o princípio de automação controlada não nasceu ontem.

O mainframe já ensinava isso quando muitos dos atuais especialistas em IA ainda brincavam com disquetes.


20. Faster complexity: complexidade mais rápida

Uma frase poderosa do texto é:

Isso não é transformação. É complexidade mais rápida.

Automatizar um processo ruim não o transforma automaticamente em um processo bom.

Imagine um fluxo com:

  • cinco planilhas;

  • três aprovações redundantes;

  • dados duplicados;

  • políticas conflitantes;

  • sistemas sem integração.

Adicionar IA pode acelerar o fluxo.

Mas também pode acelerar:

  • inconsistências;

  • erros;

  • retrabalho;

  • decisões conflitantes;

  • consumo de recursos;

  • dívida operacional.

Antes de automatizar, a empresa deveria perguntar:

Este processo ainda faz sentido?
Os dados são confiáveis?
As regras estão documentadas?
As responsabilidades estão claras?
A decisão pode ser auditada?
Existe mecanismo de reversão?

A IA não elimina arquitetura.

Ela aumenta a importância da arquitetura.


21. Um roteiro prático para o programador COBOL padawan

Como começar essa jornada?

Passo 1 — Identifique um resultado

Não comece com:

Vamos usar IA.

Comece com:

Queremos reduzir o tempo de análise de um ABEND de 90 para 15 minutos.

Passo 2 — Localize o contexto

Pergunte:

Onde estão os dados necessários?

Talvez em:

  • spool;

  • Db2;

  • SMF;

  • documentação;

  • Git;

  • tickets;

  • datasets;

  • copybooks.

Passo 3 — Defina as fontes confiáveis

Nem toda informação possui o mesmo peso.

Fonte oficial:
Db2 de produção.

Fonte complementar:
manual interno.

Fonte histórica:
tickets anteriores.

Fonte não confiável:
planilha local sem atualização.

Passo 4 — Crie uma camada de integração

Evite permitir acesso direto e irrestrito ao sistema.

Use:

  • APIs;

  • z/OS Connect;

  • MQ;

  • serviços CICS;

  • stored procedures;

  • camadas de autorização.

Passo 5 — Aplique governança

Registre:

  • modelo;

  • versão;

  • fonte;

  • decisão;

  • ação;

  • usuário;

  • horário;

  • resultado.

Passo 6 — Comece com aprovação humana

Antes de permitir ação autônoma:

IA sugere.
Humano aprova.
Sistema executa.

Depois, tarefas simples e de baixo risco podem ganhar maior autonomia.

Passo 7 — Meça o resultado

Acompanhe:

  • tempo economizado;

  • taxa de sucesso;

  • retrabalho;

  • custo por tarefa;

  • falhas;

  • impacto operacional.


22. Conclusão: a verdadeira corrida da IA

A corrida da inteligência artificial está mudando.

Na primeira fase, todos buscavam modelos maiores.

Na segunda, perceberam que o modelo sem contexto possui valor limitado.

Na terceira, as empresas vencedoras aprenderão a transformar contexto em ação confiável.

A fórmula é simples de escrever:

Compute
   +
Data
   +
Storage
   +
Context
   +
Applications
   +
Security
   +
Governance
   +
Operations
   =
Trusted Outcomes

Mas implementá-la exige engenharia.

Exige integração entre o novo e o legado.

Exige APIs, segurança, arquitetura, armazenamento, observabilidade e governança.

Exige reconhecer que o COBOL, o CICS, o IMS, o Db2 e o IBM Z não são obstáculos à inteligência artificial.

Eles podem ser a fonte do contexto mais valioso da organização.

Os tokens ficarão mais baratos.

Os modelos serão cada vez mais acessíveis.

A capacidade computacional continuará crescendo.

Contudo, o contexto confiável continuará raro.

E o resultado governado será ainda mais valioso.

No final, a pergunta correta não será:

Quantos tokens sua empresa processou?

Será:

Quantos problemas reais ela resolveu, com segurança, velocidade, rastreabilidade e confiança?

O mestre termina o café, olha novamente para o jovem programador e conclui:

— Padawan, o modelo pode conhecer milhares de respostas. Mas somente o sistema completo consegue entregar o resultado.

E, no fundo do datacenter, enquanto o IBM Z continua processando milhões de transações, uma antiga verdade da computação reaparece com nova roupa:

Tecnologia não vale pelo que promete. Vale pelo que consegue concluir.

 

terça-feira, 30 de junho de 2026

Agentic Data Intelligence no IBM watsonx.data intelligence: Quando a Inteligência Artificial Descobre que Dados Sem Contexto São Apenas Bits Perdidos

 

Bellacosa Mainframe introduz o agentic data intelligence no ibm watsonx

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Agentic Data Intelligence no IBM watsonx.data intelligence: Quando a Inteligência Artificial Descobre que Dados Sem Contexto São Apenas Bits Perdidos

Como um Programador COBOL Padawan Pode Entender a Próxima Grande Revolução da Inteligência Artificial Corporativa

Durante muito tempo, ouvimos que a Inteligência Artificial iria substituir programadores.

Depois disseram que bastava conectar um LLM (Large Language Model) ao banco de dados da empresa e todos os problemas estariam resolvidos.

Hoje sabemos que nenhuma dessas ideias estava completamente correta.

O verdadeiro desafio nunca foi fazer a IA "ler" dados.

O desafio sempre foi fazer a IA entender o significado daqueles dados.

Essa diferença parece pequena.

Na prática, ela separa uma IA que apenas gera respostas bonitas de uma IA capaz de trabalhar como um verdadeiro analista de negócios.

É exatamente esse o objetivo do novo Agentic Data Intelligence, incorporado ao IBM watsonx.data intelligence.

Para quem trabalha com IBM Z, COBOL, CICS, DB2, VSAM ou IMS, esse assunto é muito mais importante do que parece. Na realidade, ele conversa diretamente com um problema que todo programador experiente já enfrentou: como descobrir o impacto de uma mudança em um sistema gigantesco criado ao longo de décadas?

Pegue sua caneca de café.

Hoje vamos conversar sobre uma das tecnologias que provavelmente fará parte do futuro do desenvolvimento em Mainframe.


O maior problema da IA nunca foi inteligência

Imagine que amanhã você seja contratado por um grande banco.

No primeiro dia, entregam seu usuário RACF.

Você recebe acesso ao:

  • TSO/ISPF

  • SDSF

  • DB2

  • CICS

  • JCL

  • dezenas de bibliotecas PDS

  • milhares de programas COBOL

Você consegue abrir qualquer programa.

Consegue consultar tabelas.

Consegue executar jobs.

Mas consegue entender o sistema?

Claro que não.

Você não sabe:

  • qual tabela é oficial;

  • qual copybook está obsoleto;

  • qual campo representa uma regra de negócio;

  • quem é o responsável por determinado cadastro;

  • quais programas utilizam aquele arquivo VSAM;

  • quais APIs dependem daquele campo.

Agora imagine uma Inteligência Artificial.

Ela sofre exatamente do mesmo problema.

Ela consegue acessar dados.

Mas não conhece a empresa.


Dados não são conhecimento

Essa talvez seja a primeira grande lição deste artigo.

Existe uma enorme diferença entre:

Dados

e

Conhecimento Corporativo.

Por exemplo:

CLIENTE.STATUS = "A"

Para você isso significa o quê?

Nada.

Agora imagine que o glossário da empresa define:

"A = Cliente Ativo"

Já faz sentido.

Mas e se outra empresa definir:

"A = Cliente Aposentado"

Ou ainda:

"A = Cliente de Alto Valor"

Percebe?

O dado é exatamente igual.

O significado muda completamente.

É isso que chamamos de contexto.


O que é o IBM watsonx.data intelligence?

Pense nele como um enorme cérebro corporativo.

Ele não guarda apenas tabelas.

Ele guarda conhecimento sobre essas tabelas.

Ele sabe:

  • quem criou;

  • quem mantém;

  • quem utiliza;

  • quais sistemas dependem;

  • de onde vieram os dados;

  • quais regras foram aplicadas;

  • qual o nível de qualidade;

  • quais políticas de segurança existem.

Em outras palavras...

Ele transforma metadados em conhecimento utilizável.


Fazendo uma analogia com o Mainframe

Todo ambiente z/OS possui diversos "cérebros invisíveis".

Por exemplo:

  • ICF Catalog

  • RACF

  • SYS1.PARMLIB

  • PROCLIB

  • SMS

  • JES2

Nenhum deles processa transações bancárias.

Mesmo assim...

sem eles o banco simplesmente para.

O watsonx.data intelligence exerce um papel semelhante.

Ele não substitui o DB2.

Nem o VSAM.

Nem o IMS.

Ele explica para a IA como interpretar tudo isso.


Como funciona o Agentic Data Intelligence?

Vamos imaginar um fluxo simples.

Um usuário pergunta:

"Quais clientes Premium tiveram queda no faturamento este mês?"

Uma IA tradicional faria algo parecido com isto:

Pergunta

↓

Procura tabelas

↓

Executa SQL

↓

Entrega resposta

Parece bom.

Mas há vários riscos.

Ela pode consultar:

  • tabela errada;

  • coluna desatualizada;

  • dados duplicados;

  • informações sem governança.

Agora veja o novo fluxo.

Pergunta

↓

Consulta o catálogo corporativo

↓

Verifica definições de negócio

↓

Consulta Data Lineage

↓

Verifica políticas

↓

Avalia qualidade

↓

Gera resposta

É um processo muito mais inteligente.


O que significa "Trusted Context"?

Esse é provavelmente o conceito mais importante do watsonx.data intelligence.

Traduzindo livremente:

Contexto Confiável.

A IA deixa de confiar apenas nos dados.

Ela passa a confiar também nas regras que explicam aqueles dados.

Isso muda completamente a qualidade das respostas.


O papel do Business Glossary

Imagine um banco.

A palavra "Saldo" pode significar:

Saldo Contábil

Saldo Disponível

Saldo Projetado

Saldo Bloqueado

Saldo Médio

Todos são "Saldo".

Mas representam conceitos diferentes.

O Business Glossary resolve exatamente esse problema.

Ele funciona como um dicionário oficial da empresa.

Quando a IA encontra um termo, ela consulta o glossário antes de responder.

É como perguntar ao analista de negócios:

"Quando vocês dizem saldo, qual saldo exatamente?"


Data Lineage: seguindo o caminho dos dados

Agora imagine um campo chamado:

LIMITE_DISPONIVEL

De onde ele veio?

A IA consegue descobrir algo como:

PIX

↓

Movimentações

↓

Conta Corrente

↓

Motor Financeiro

↓

Tabela DB2

↓

Dashboard

Ela enxerga toda a cadeia de transformação.

Isso é chamado de Lineage.


Pensando como um Programador COBOL

Imagine alterar um copybook.

01 CLIENTE.
   05 LIMITE        PIC S9(9)V99 COMP-3.

Antes de alterar esse campo, você gostaria de saber:

  • Quantos programas usam esse copybook?

  • Quais transações CICS dependem dele?

  • Existe algum Job Batch?

  • Alguma API REST utiliza esse campo?

  • Existe integração com sistemas externos?

Hoje isso normalmente exige:

SDSF.

Pesquisa no Endevor.

Ferramentas de Impact Analysis.

Consulta a analistas.

Reuniões.

Com Agentic Data Intelligence, boa parte dessa investigação pode ser automatizada.


O poder do Data Quality

Imagine perguntar:

"Qual o faturamento do último trimestre?"

Uma IA comum responde.

Uma IA inteligente responde:

"O conjunto de dados possui 97,8% de qualidade, porém existem registros duplicados na origem."

Essa pequena diferença aumenta enormemente a confiança na resposta.


Governança não é burocracia

Muitos iniciantes acham que Governança serve apenas para gerar documentação.

Na verdade...

Governança protege a empresa.

Por exemplo:

CPF.

A IA sabe que:

  • deve mascarar;

  • exige autorização;

  • está protegido pela LGPD;

  • possui classificação confidencial.

Ela aprende regras.

Não apenas dados.


Ownership: quem é o dono da informação?

Imagine encontrar uma tabela chamada:

CLIENT_MASTER

Quem responde por ela?

Financeiro?

CRM?

Marketing?

TI?

A IA consulta o catálogo.

Descobre o proprietário.

E informa.

Isso reduz muito o tempo gasto procurando especialistas.


O que é o MCP?

MCP significa:

Model Context Protocol.

Você pode imaginar o MCP como um "idioma universal" entre agentes de IA e sistemas corporativos.

Assim como:

ODBC

JDBC

ODBC permitiu acessar bancos de dados diferentes.

O MCP pretende permitir que qualquer IA consulte conhecimento corporativo da mesma maneira.

Isso significa integração com:

  • IBM Bob

  • Claude

  • GitHub Copilot

  • watsonx Orchestrate

  • aplicações internas


Agent Skills: ensinando experiência para a IA

Aqui está uma das partes mais interessantes.

Imagine ensinar um estagiário.

Você não diz apenas:

"Cadastre um novo Data Product."

Você entrega um procedimento.

Receber dados

↓

Classificar

↓

Enriquecer metadados

↓

Aplicar LGPD

↓

Publicar

↓

Validar

Esse fluxo recebe o nome de Agent Skill.

São habilidades reutilizáveis.

É como um PROC em JCL.

Você encapsula conhecimento.

Depois reutiliza quantas vezes quiser.


Um exemplo para quem conhece JCL

Veja este comando:

//STEP01 EXEC PROC=BACKUP

Você não precisa lembrar:

  • IDCAMS

  • SORT

  • DELETE

  • DEFINE

  • REPRO

Tudo já está preparado.

Agent Skills funcionam exatamente assim.


Um exemplo de uso no mundo real

Imagine um auditor perguntando:

"De onde veio o valor mostrado neste Dashboard?"

A IA pode responder:

Dashboard

↓

Data Product

↓

Tabela Curada

↓

Pipeline ETL

↓

DB2

↓

Programa COBOL

↓

Arquivo VSAM

↓

Sistema de Origem

Tudo automaticamente.

Sem abrir dez ferramentas diferentes.


Outro exemplo para o Padawan

Você altera um Copybook.

Antes do Deploy, pergunta:

"Qual será o impacto?"

O agente responde:

  • 218 programas COBOL afetados;

  • 12 aplicações Java;

  • 31 APIs REST;

  • 4 sistemas parceiros;

  • 6 dashboards;

  • 2 modelos de IA.

Isso é muito mais poderoso do que uma simples pesquisa textual.


Como isso muda a vida do Programador COBOL?

Muito.

Hoje gastamos boa parte do tempo tentando descobrir:

"Quem usa isso?"

No futuro a pergunta será:

"IA, mostre todo o impacto desta alteração."

A IA não apenas responderá.

Ela mostrará:

  • dependências;

  • riscos;

  • qualidade;

  • governança;

  • responsáveis.


Como começar a estudar?

Se você é um COBOL Padawan, siga esta ordem.

Etapa 1 — Domine o Mainframe

Antes de IA, conheça bem:

  • JCL

  • TSO

  • SDSF

  • VSAM

  • DB2

  • CICS

  • IMS

Sem isso, você não entenderá de onde vêm os dados.


Etapa 2 — Aprenda Modelagem de Dados

Estude:

  • Chaves primárias

  • Chaves estrangeiras

  • Normalização

  • Data Warehouse

  • Data Lake

  • Data Products


Etapa 3 — Aprenda Governança

Entenda conceitos como:

  • Metadata

  • Business Glossary

  • Data Steward

  • Lineage

  • Data Quality

  • Data Catalog

  • Ownership

Esses termos aparecerão cada vez mais no mercado.


Etapa 4 — Estude IA Corporativa

Depois avance para:

  • LLM

  • RAG (Retrieval-Augmented Generation)

  • Agentes de IA

  • MCP (Model Context Protocol)

  • IBM watsonx

  • IBM Bob

  • watsonx Orchestrate

Você perceberá que IA corporativa é muito diferente de simplesmente conversar com um chatbot.


Dicas práticas para evoluir

✔ Aprenda SQL profundamente. A IA depende de dados bem estruturados.

✔ Leia documentação de arquitetura dos sistemas onde trabalha. O contexto de negócio é tão importante quanto o código.

✔ Familiarize-se com ferramentas de análise de impacto, catálogos de dados e governança. Muitas das capacidades do Agentic Data Intelligence automatizam tarefas que hoje são feitas manualmente.

✔ Estude conceitos de segurança, LGPD e classificação de dados. Um bom profissional de Mainframe entende que proteger a informação é tão importante quanto processá-la.

✔ Experimente copilotos e agentes de IA, mas sempre valide as respostas. A confiança em IA corporativa nasce da combinação entre automação e governança.


Curiosidades

  • A maior parte do conhecimento de uma empresa não está no código COBOL, mas nas regras de negócio documentadas — ou, muitas vezes, apenas na cabeça dos especialistas.

  • Grandes bancos mantêm aplicações com mais de 40 anos de evolução contínua. Compreender suas dependências é um desafio monumental.

  • O conceito de lineage existe há anos em ferramentas de integração de dados, mas agora passa a fazer parte das respostas produzidas por agentes de IA.

  • O Model Context Protocol (MCP) está se consolidando como um padrão importante para conectar modelos de IA a ferramentas e fontes de conhecimento corporativo.

  • O futuro da IA empresarial dependerá menos de modelos gigantes e mais da capacidade de utilizar dados confiáveis, governados e contextualizados.


Conclusão: o futuro pertence a quem entende contexto

Durante décadas, o diferencial de um excelente programador COBOL nunca foi decorar comandos do compilador ou conhecer todas as instruções da linguagem. O que realmente fazia diferença era compreender profundamente as regras de negócio, as dependências entre sistemas e a história por trás de cada aplicação.

O Agentic Data Intelligence leva essa mesma filosofia para a Inteligência Artificial.

Em vez de responder apenas com base em dados brutos, os agentes passam a consultar glossários de negócio, políticas de governança, linhagem dos dados, métricas de qualidade e informações sobre responsabilidade dos ativos. Em outras palavras, eles começam a agir como faria um analista experiente que conhece o ambiente da empresa.

Para o COBOL Padawan, isso representa uma oportunidade extraordinária. Dominar apenas a linguagem COBOL continuará sendo importante, mas já não será suficiente. O profissional que se destacar será aquele capaz de unir programação, arquitetura de dados, governança, inteligência artificial e conhecimento do negócio.

Assim como o Mainframe evoluiu de cartões perfurados para APIs REST, microsserviços e integração com nuvem, a próxima evolução será impulsionada por agentes inteligentes capazes de compreender o contexto completo da organização.

E talvez essa seja a maior lição deste café no Bellacosa Mainframe:

O código continua sendo essencial, mas o verdadeiro poder está em compreender o significado dos dados. Quem dominar esse conhecimento ajudará a construir a próxima geração de sistemas inteligentes sobre a plataforma mais confiável do mundo: o IBM Z.

 

terça-feira, 10 de março de 2026

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre as Métricas que Realmente Fazem um Sistema RAG Funcionar

 

Bellacosa Mainframe Metricas RAG e IA

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre as Métricas que Realmente Fazem um Sistema RAG Funcionar

Você Não Está Apenas Aprendendo Inteligência Artificial. Está Descobrindo Que Todo Grande Sistema Começa Muito Antes da Primeira Linha da Resposta.

"Um programador iniciante acredita que um sistema inteligente responde porque o modelo é poderoso. Um engenheiro experiente sabe que um sistema inteligente responde bem porque recebeu as informações corretas."

Nos últimos anos, a Inteligência Artificial Generativa transformou completamente a maneira como interagimos com computadores. ChatGPT, Claude, Gemini, Llama, Mistral e tantos outros modelos impressionam pela capacidade de escrever textos, criar código, explicar conceitos complexos e até ajudar na engenharia de software.

Naturalmente, muitas pessoas chegaram à seguinte conclusão:

"Quanto maior o modelo, melhores serão as respostas."

Embora exista um fundo de verdade nessa afirmação, ela está longe de explicar como funcionam os sistemas corporativos modernos.

Na prática, a maioria das empresas não está simplesmente conectando um LLM aos seus usuários. Elas estão construindo sistemas conhecidos como RAG (Retrieval-Augmented Generation), uma arquitetura que permite ao modelo consultar documentos internos antes de responder.

É exatamente nesse ponto que surge um dos maiores equívocos da atualidade.

A maioria dos problemas de um sistema RAG não está no modelo de IA.

Está na qualidade da recuperação das informações.

Para um Programador COBOL Padawan, essa ideia pode parecer estranha à primeira vista. Afinal, estamos acostumados a pensar que o programa faz o processamento e produz o resultado.

Mas pense no Batch.


O Batch Nunca Foi Mágico

Imagine um programa COBOL que calcula juros.

Seu algoritmo está absolutamente perfeito.

Entretanto, alguém carregou um arquivo VSAM corrompido.

Ou um JOB anterior terminou em ABEND.

Ou o catálogo aponta para um dataset errado.

O programa produzirá resultados corretos?

Claro que não.

O algoritmo continua excelente.

Os dados de entrada é que estão errados.

A Inteligência Artificial funciona exatamente da mesma maneira.

O LLM é o algoritmo.

O Retrieval representa os dados de entrada.

Se os documentos recuperados estiverem errados, incompletos ou desatualizados, a resposta também será.


O Que é um Sistema RAG?

Imagine que você faça a seguinte pergunta:

"Como configurar RACF PassTickets?"

O modelo poderia responder apenas com aquilo que aprendeu durante seu treinamento.

Mas um sistema RAG faz algo diferente.

Primeiro ele procura documentação relevante.

Depois envia essa documentação ao modelo.

Só então o modelo escreve a resposta.

O fluxo simplificado é parecido com isto:

Pergunta

↓

Transformação em Embeddings

↓

Busca Vetorial

↓

Ranking

↓

Reordenação (Reranking)

↓

Construção do Contexto

↓

Prompt

↓

LLM

↓

Resposta

Observe algo importante.

O modelo só entra quase no final.

Todo o restante acontece antes.

É exatamente como um programa COBOL que depende de dezenas de JOBs anteriores.


O LLM Não É Um Oráculo

Muitas pessoas imaginam que um modelo moderno "sabe tudo".

Na realidade, ele trabalha com probabilidades.

Ele observa padrões.

Relaciona conceitos.

Constrói frases coerentes.

Mas quando recebe documentação incorreta, ele faz o melhor possível com aquilo que recebeu.

Isso lembra muito um operador de produção.

Se o operador recebe um relatório incompleto, ele tomará decisões baseadas naquele relatório.

O problema não está no operador.

Está na informação disponível.


A Engenharia da Recuperação

Existe uma disciplina inteira dedicada a responder uma pergunta aparentemente simples:

"Estamos encontrando os documentos certos?"

Essa disciplina utiliza dezenas de métricas.

Vamos conhecer as mais importantes.


1. Hallucination Rate

Uma das métricas mais famosas.

Ela mede a frequência com que o modelo inventa informações.

Imagine perguntar:

Qual comando cria um VSAM KSDS?

Resposta correta:

DEFINE CLUSTER

Resposta incorreta:

CREATE VSAM

O modelo inventou.

Isso é uma alucinação.

Curiosamente, muitas alucinações acontecem porque nenhum documento correto foi encontrado.


2. Query Coverage

Nem toda pergunta possui apenas uma intenção.

Veja esta:

Como criar um KSDS com índice alternativo?

Existem dois assuntos.

• KSDS

• Alternate Index

Se apenas documentos sobre KSDS forem encontrados, metade da pergunta ficou sem resposta.

O sistema recuperou informação.

Mas não recuperou informação suficiente.


3. Recall@K

Esta talvez seja a métrica mais importante de Retrieval.

Imagine que existam dez documentos realmente úteis.

Seu mecanismo recuperou apenas seis.

O Recall é de 60%.

Agora imagine que outro mecanismo encontrou nove.

Recall de 90%.

Qual deles oferece maior chance de produzir uma boa resposta?

Obviamente o segundo.

Quanto mais documentos relevantes forem encontrados, maior será a qualidade do contexto enviado ao modelo.


4. Precision@K

Agora acontece o contrário.

O sistema recuperou dez documentos.

Mas apenas quatro são realmente úteis.

Os outros seis falam sobre assuntos diferentes.

O modelo agora precisa descobrir sozinho quais informações ignorar.

Isso desperdiça processamento e aumenta o risco de respostas equivocadas.


5. Top-1 Accuracy

Nem sempre basta recuperar bons documentos.

O melhor documento precisa aparecer primeiro.

Imagine procurar informações sobre CICS.

Primeiro resultado:

Manual de DB2.

Segundo:

Manual de JCL.

Terceiro:

Manual de CICS.

Tecnicamente o documento existe.

Mas ficou escondido.

Essa métrica mede exatamente isso.


6. Groundedness

Uma boa resposta deve estar apoiada nas evidências recuperadas.

Suponha que o contexto diga:

DFSORT suporta INCLUDE COND.

A resposta utiliza exatamente essa informação.

Excelente.

Agora imagine que a resposta também afirma:

DFSORT foi desenvolvido originalmente para...

Essa informação não apareceu em nenhum documento recuperado.

O modelo começou a extrapolar.

Quanto menor essa extrapolação, maior a Groundedness.


7. Faithfulness

Essa métrica costuma ser confundida com Hallucination.

Mas existe uma diferença importante.

Hallucination significa inventar.

Faithfulness significa preservar o significado original.

Imagine o documento:

Apenas administradores podem executar este comando.

A resposta produzida:

Todos os usuários podem executar este comando.

O modelo não inventou um comando novo.

Ele simplesmente alterou completamente o sentido do texto.

Esse é um problema gravíssimo em ambientes financeiros, jurídicos e médicos.


8. Chunk Diversity

Os documentos são divididos em pequenos pedaços chamados Chunks.

Agora imagine recuperar dez chunks.

Todos vieram do mesmo PDF.

Todos dizem praticamente a mesma coisa.

Isso reduz drasticamente a riqueza das informações.

Um bom sistema procura diferentes perspectivas.

Manuais.

Runbooks.

Documentação oficial.

Procedimentos internos.

Artigos técnicos.

Quanto maior essa diversidade, maior tende a ser a qualidade da resposta.


9. Chunk Redundancy

O oposto da diversidade.

Imagine gastar milhares de tokens enviando dez vezes a mesma informação.

Você ocupa espaço precioso da janela de contexto.

Sem acrescentar conhecimento novo.

É exatamente como imprimir dez cópias do mesmo relatório e colocar todas sobre a mesa do gerente.


10. Token Efficiency

Os modelos possuem limite de contexto.

Imagine uma janela de 100 mil tokens.

Você envia 90 mil.

Mas apenas 20 mil são realmente úteis.

Os outros 70 mil representam redundância.

Isso custa dinheiro.

Aumenta a latência.

E ainda reduz espaço para documentos realmente importantes.


11. Freshness

Conhecimento envelhece.

Muito rapidamente.

Imagine um sistema que consulta documentação do z/OS 2.3.

Enquanto sua empresa utiliza z/OS 3.2.

As respostas podem até estar corretas.

Mas já não refletem a realidade operacional.

Por isso grandes empresas monitoram constantemente a atualização dos documentos indexados.


12. Source Coverage

Outro erro comum.

Construir um RAG utilizando apenas PDFs.

Na prática, empresas possuem conhecimento espalhado por diversos lugares.

IBM Documentation.

Redbooks.

Confluence.

SharePoint.

GitHub.

Wiki interna.

Runbooks.

Tickets.

Procedimentos operacionais.

Quanto maior a cobertura dessas fontes, menor a chance de perder conhecimento importante.


13. Citation Accuracy

Imagine um sistema jurídico.

A resposta afirma:

Conforme a Lei X...

Mas a referência aponta para outra legislação.

O texto parece convincente.

Mas a citação está errada.

Em ambientes regulatórios isso pode gerar enormes problemas.


14. Evidence Sufficiency

Às vezes existe informação.

Mas ela não é suficiente.

Você pergunta:

Como instalar z/OS Connect?

O Retrieval encontra apenas a introdução do manual.

O modelo tentará preencher o restante utilizando seu conhecimento geral.

A resposta pode parecer excelente.

Mas a evidência disponível era insuficiente.


15. Retrieval Latency

Não basta encontrar documentos.

É preciso encontrá-los rapidamente.

Imagine um Chat Corporativo.

Cada busca demora cinco segundos.

Depois o modelo leva mais dez segundos para responder.

O usuário esperará quinze segundos.

Mesmo uma resposta perfeita passa a transmitir sensação de lentidão.

Performance também faz parte da experiência.


16. MRR (Mean Reciprocal Rank)

Essa métrica responde:

Em que posição apareceu o primeiro documento realmente útil?

Se ele apareceu logo na primeira posição.

Excelente.

Se apareceu apenas na décima.

O mecanismo de ranking precisa melhorar.


17. Hit Rate

Existe pelo menos um documento útil?

Sim?

Ótimo.

Não?

Todo o restante provavelmente falhará.

É uma métrica simples.

Mas extremamente valiosa para acompanhar a cobertura do índice.


18. Retrieval Failure Rate

Quantas consultas retornam praticamente lixo?

Imagine cem perguntas.

Trinta recuperam documentos irrelevantes.

O sistema possui uma taxa de falha de 30%.

Isso indica problemas sérios na indexação, na vetorização ou no mecanismo de busca.


19. Context Relevance Score

Nem todo documento relacionado é realmente útil.

Pergunta:

Como criar um Cluster VSAM?

Documento recuperado:

História da IBM.

Existe alguma relação?

Muito distante.

A relevância contextual mede exatamente esse alinhamento entre a intenção da pergunta e o conteúdo recuperado.


20. NDCG@K

Talvez a métrica mais sofisticada desta lista.

Ela não avalia apenas se os documentos corretos foram encontrados.

Ela verifica a ordem em que eles aparecem e atribui maior peso aos documentos mais relevantes posicionados no topo da lista.

Motores de busca, sistemas de recomendação e plataformas de streaming utilizam métricas semelhantes para organizar resultados.

No mundo do RAG, isso faz enorme diferença.


O Que Tudo Isso Tem a Ver com COBOL?

Mais do que parece.

Um sistema Batch depende de:

  • qualidade dos arquivos;

  • integridade dos índices;

  • consistência dos catálogos;

  • ordem correta dos JOBs;

  • sincronização entre processos.

Nenhum programador experiente atribui um erro automaticamente ao COBOL.

Primeiro ele verifica:

  • o dataset correto foi utilizado?

  • o arquivo estava atualizado?

  • houve erro no JOB anterior?

  • o SORT terminou corretamente?

  • houve perda de registros?

O mesmo raciocínio deve ser aplicado aos sistemas baseados em IA.

Antes de culpar o modelo, pergunte:

  • Os documentos certos foram recuperados?

  • Eles estavam atualizados?

  • Eram suficientes?

  • Estavam classificados corretamente?

  • Vieram de fontes confiáveis?

  • Havia redundância excessiva?

  • A intenção completa da pergunta foi compreendida?

Essas perguntas representam a verdadeira maturidade em Engenharia de IA.


A Grande Lição para um Programador COBOL Padawan

Durante décadas, os profissionais de Mainframe aprenderam que qualidade não nasce apenas do código.

Ela nasce da disciplina.

Da observabilidade.

Dos controles.

Da monitoração.

Dos indicadores.

Dos relatórios.

Da governança.

A Inteligência Artificial está caminhando exatamente para esse mesmo estágio.

Os sistemas mais avançados do mundo não são aqueles que simplesmente utilizam o maior LLM disponível no mercado. São aqueles que monitoram continuamente a qualidade da recuperação da informação, medem seus indicadores, detectam degradações antes que afetem os usuários e refinam constantemente seus índices, embeddings e estratégias de busca.

Da mesma forma que um ambiente IBM Z monitora CPU, I/O, SMF, RMF, WLM, JES2, CICS e DB2 para garantir disponibilidade e desempenho, um ecossistema RAG precisa monitorar Recall@K, Precision@K, Groundedness, Faithfulness, Freshness, Source Coverage, MRR e NDCG@K para garantir respostas confiáveis.

No futuro, o diferencial dos engenheiros de software não será apenas saber utilizar modelos de IA. Será compreender toda a engenharia que existe antes da geração da resposta.

E, curiosamente, esse modo de pensar já faz parte da cultura dos profissionais de Mainframe há décadas.

Porque, no fim das contas, um grande sistema nunca depende apenas da inteligência do processamento. Ele depende, acima de tudo, da qualidade das informações que alimentam esse processamento. Essa é uma lição que acompanha os Programadores COBOL desde os primeiros arquivos VSAM e que agora ressurge como um dos pilares da Inteligência Artificial moderna.

sábado, 7 de dezembro de 2024

Stargate Copilot — O dia em que o programador COBOL atravessou o portal da IA corporativa

 

Bellacosa Mainframe e o ms copilot para devs cobol

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Stargate Copilot — O dia em que o programador COBOL atravessou o portal da IA corporativa

Ou: você entrou achando que Microsoft Copilot era um sujeito que resumiria sua reunião no Teams e descobriu do outro lado do portal agentes, Graph, Fabric, APIs, identidade, governança, Power Automate e um velho programa COBOL esperando tranquilamente no CICS

Imagine a cena.

Você é um jovem programador COBOL.

Ainda está naquele estágio saudável da carreira em que olha para:

IDENTIFICATION DIVISION.
PROGRAM-ID. XPTO001.

e sente uma mistura de respeito, curiosidade e uma pequena vontade de perguntar:

— Mas por que diabos isso começa com um parágrafo dizendo o nome do programa se eu já sei o nome do programa?

Calma.

Você ainda verá coisas muito mais estranhas.

Um belo dia alguém da arquitetura chega com uma imagem gigantesca chamada:

MICROSOFT COPILOT ECOSYSTEM

Na imagem aparecem Power Platform, Power BI, Copilot Studio, Entra ID, Purview, Defender, Dynamics, OneDrive, SharePoint, Teams, Microsoft Fabric, OneLake, Azure AI, GitHub Copilot, Azure DevOps, Bing, Edge, Logic Apps, Functions, SQL e uma quantidade de logotipos suficiente para fazer um programador COBOL procurar discretamente a tecla PF3.

Não aperte PF3 ainda.

Porque existe uma maneira curiosamente simples de entender tudo isso.

E, ironicamente, quem conhece mainframe talvez tenha mais facilidade do que muita gente imagina.

Pegue um café.

Ative o chevron.

Hoje vamos atravessar o Stargate da IA corporativa.



🌌 1. O primeiro erro: achar que Copilot é “o ChatGPT da Microsoft”

Foi assim que muita gente conheceu a coisa.

Abriu o Word:

“Copilot, melhore este texto.”

Abriu o Outlook:

“Resuma esta conversa.”

Entrou no Teams:

“O que aconteceu na reunião enquanto eu estava fingindo que prestava atenção?”

Abriu o PowerPoint:

“Crie uma apresentação.”

Muito útil.

Mas isso corresponde apenas à primeira camada.

Podemos representar assim:

USUÁRIO
   |
   v
COPILOT
   |
   v
RESPOSTA

Você pergunta.

Ele responde.

Fim.

É o equivalente cognitivo de um programa batch extremamente simples:

INPUT
  |
PROCESS
  |
OUTPUT

Para uma primeira experiência é ótimo.

Mas a Microsoft está construindo algo muito maior ao redor dessa ideia.

O ponto central é:

Copilot não deve ser entendido apenas como um produto. Ele está se transformando numa interface para um ecossistema empresarial de IA.

E isso muda completamente a arquitetura.



🌀 2. Chevron 1 locked: produtividade

No primeiro planeta encontramos o Microsoft 365 Copilot.

Word.

Excel.

PowerPoint.

Outlook.

Teams.

SharePoint.

OneDrive.

É o planeta mais confortável porque o humano continua no comando.

Ele pergunta:

“Resuma os emails de hoje.”

O sistema procura contexto.

Um modelo gera uma resposta.

E o humano decide o que fazer.

A lógica ainda é:

HUMANO
   |
   v
PERGUNTA
   |
   v
IA
   |
   v
RESPOSTA
   |
   v
HUMANO EXECUTA

Isso é produtividade assistida.

Pode economizar cinco minutos.

Pode economizar meia hora.

Pode economizar algumas horas por semana.

Excelente.

Mas ainda não transformamos o processo.

Mudamos apenas a produtividade de uma etapa.

É a diferença entre colocar um compilador COBOL mais rápido e redesenhar toda a cadeia de processamento.



🧠 3. O Microsoft Graph: o MALP enviado antes da equipe

Quem assistia a Stargate SG-1 lembra do MALP.

Antes de mandar O’Neill, Carter, Daniel Jackson e Teal’c atravessarem alegremente um buraco de minhoca para um planeta onde poderia haver Goa’uld esperando do outro lado, enviava-se uma pequena máquina.

Ela verificava o terreno.

Atmosfera.

Ambiente.

Imagens.

Possíveis problemas.

O Microsoft Graph cumpre uma função vagamente comparável dentro da história do Copilot: ajuda a fornecer contexto organizacional.

Quando você pergunta:

“O que ficou decidido sobre o Projeto X?”

a resposta pode depender de:

  • emails;

  • documentos;

  • reuniões;

  • calendários;

  • arquivos;

  • conversas;

  • conteúdo no SharePoint;

  • informações disponíveis ao usuário.

O Microsoft 365 Copilot usa grounding e o Microsoft Graph para enriquecer a solicitação com contexto relevante. E há uma regra fundamental: o acesso continua limitado às permissões do usuário autenticado.

Isso merece atenção.

Copilot não significa:

SELECT *
FROM EMPRESA;

Significa algo mais parecido com:

SELECT INFORMACAO
FROM ORGANIZACAO
WHERE USUARIO_TEM_PERMISSAO = TRUE;

Pelo menos conceitualmente.

E o jovem COBOL pode reconhecer imediatamente a importância disso.

Porque uma coisa é saber responder.

Outra completamente diferente é saber a que dados você pode ter acesso para responder.



🔎 4. Grounding: evitando mandar a IA explorar Abydos com um mapa de Marte

Um modelo de linguagem possui conhecimento geral.

Mas a sua empresa possui conhecimento específico.

Imagine perguntar:

“Qual foi a decisão sobre o projeto Phoenix?”

Para um modelo genérico isso significa aproximadamente nada.

Phoenix pode ser:

  • projeto de software;

  • cliente;

  • sistema interno;

  • codinome;

  • tabela;

  • incidente;

  • nome do gato do diretor.

O grounding adiciona contexto.

Conceitualmente:

PROMPT ORIGINAL
"Qual foi a decisão sobre Phoenix?"
        |
        v
RECUPERAÇÃO DE CONTEXTO
        |
        +--> email
        +--> Teams
        +--> documento
        +--> reunião
        |
        v
PROMPT ENRIQUECIDO
        |
        v
LLM
        |
        v
RESPOSTA CONTEXTUAL

É uma diferença enorme.

Sem grounding:

IA sabe coisas.

Com grounding:

IA sabe coisas e consegue relacionar sua pergunta ao contexto autorizado da organização.

Esse é um dos pilares da IA corporativa.



📚 5. A grande biblioteca onde ninguém sabe onde guardou nada

Toda empresa grande possui uma versão da mesma tragédia.

Existe um documento importante.

Em algum lugar.

Talvez no SharePoint.

Talvez no OneDrive.

Talvez num email.

Talvez numa pasta chamada:

FINAL

dentro de:

FINAL_V2

dentro de:

FINAL_V2_AGORA_VAI

dentro de:

FINAL_V2_AGORA_VAI_CORRIGIDO_JOSE_3

A IA empresarial tenta transformar esse caos documental em conhecimento pesquisável.

Daí entram recursos de pesquisa semântica, Graph, índices e sistemas de recuperação.

Pesquisa tradicional pergunta:

“Onde aparece exatamente a palavra XPTO?”

Pesquisa semântica tenta chegar mais perto de:

“Que documentos estão falando aproximadamente sobre aquilo que o usuário quer saber?”

Para um programador COBOL isso é uma mudança semelhante a sair de:

SEARCH STRING

para:

SEARCH MEANING

Não é mágica.

É recuperação de informação + representação semântica + contexto + ranking + segurança.

Mas para o usuário parece mágica.



☠️ 6. A armadilha: Copilot também encontra sua bagunça mais depressa

Agora entra uma das melhores pegadinhas dessa arquitetura.

Considere:

CONTRATO_CONFIDENCIAL.PDF

Por algum erro histórico, José possui acesso.

José jamais descobriu isso.

O documento está enterrado em um SharePoint de 2017.

Logo:

falha existe
+
ninguém percebe
=
aparente tranquilidade

Então chega uma IA capaz de pesquisar profundamente os dados aos quais José já possui acesso.

José pergunta:

“Quais contratos mencionam aquisição da Empresa Y?”

E aparece justamente aquilo.

O Copilot não necessariamente criou o problema.

O problema já existia.

A IA simplesmente colocou um holofote em cima dele.

Por isso uma frase merece entrar na parede do datacenter:

IA transforma dívida de governança em dívida operacional visível.

Purview, políticas de dados, classificação de informação e revisão de permissões deixam de ser acessórios.

Viraram pré-requisitos.

A própria arquitetura Microsoft reforça que o Copilot respeita o escopo de acesso do usuário e que serviços como Purview e controles do SharePoint fazem parte da estratégia de segurança e governança.



🔐 7. Entra ID: “Jaffa, kree!” mas com autenticação multifator

Agora chegamos à identidade.

Em sistemas empresariais você jamais deveria começar perguntando:

“O que esta aplicação consegue fazer?”

Primeiro pergunte:

“Quem é você?”

Depois:

“O que você tem autorização para fazer?”

Entra ID ocupa parte importante dessa função no ecossistema Microsoft.

Tradicionalmente pensávamos em identidades como:

HUMANOS
APLICAÇÕES
SERVICE ACCOUNTS
WORKLOADS

Mas agentes de IA criaram uma nova criatura.

AGENT

Se um agente puder:

  • consultar dados;

  • chamar uma API;

  • alterar CRM;

  • criar um pedido;

  • acionar outro agente;

  • executar um workflow;

então precisamos responder:

Quem é ele?

Quem criou?

Quem é responsável?

O que pode acessar?

Em nome de quem trabalha?

Quando sua autorização termina?

Como auditamos tudo?

A Microsoft já possui Microsoft Entra Agent ID para autenticação, autorização, governança e auditoria de identidades de agentes.

Aqui começa algo fascinante:

EMPRESA DE 2030?

40.000 humanos
3.000 aplicações
1.000 service accounts
70.000 agentes

Não sei se os números serão exatamente esses.

Mas a direção arquitetural é essa:

agentes tornam-se uma nova população digital corporativa.



🤖 8. Chevron 2: de Copilot para Agent

Aqui atravessamos a fronteira importante.

Copilot clássico:

HUMANO
   |
   v
PROMPT
   |
   v
RESPOSTA

Agente:

OBJETIVO
   |
   v
AGENT
   |
   +--> consulta conhecimento
   |
   +--> escolhe ferramenta
   |
   +--> executa ação
   |
   +--> interpreta resultado
   |
   +--> continua

E agente autônomo adiciona outra diferença:

não precisa necessariamente esperar uma pergunta.

Pode existir um evento.

Por exemplo:

FATURA VENCIDA
      |
      v
TRIGGER
      |
      v
AGENTE

A documentação atual do Copilot Studio descreve agentes autônomos capazes de reagir a eventos, decidir e executar tarefas dentro de permissões, limites e guardrails definidos.

Portanto passamos de:

Prompt-driven AI

para:

Event-driven AI

Programador COBOL veterano neste momento começa a sorrir.

Porque evento disparando processamento?

Isso não parece inteiramente extraterrestre.


 

⚙️ 9. Power Automate: o braço mecânico do robô

Imagine uma inteligência fabulosa que diz:

“Descobri que precisamos bloquear o cartão.”

Excelente.

Agora bloqueie.

Silêncio.

O modelo sabe o que deveria acontecer, mas não necessariamente possui uma operação capaz de fazer aquilo.

É aí que entram ferramentas, flows, conectores, APIs e automações.

No Copilot Studio, agent flows podem ser usados como ferramentas que agentes chamam durante execução para recuperar informações ou realizar ações. Esses fluxos podem ser disparados manualmente, por eventos, agentes ou agenda.

Exemplo:

AGENT
  |
  | "preciso verificar crédito"
  v
FLOW
  |
  +--> GET CUSTOMER
  +--> CHECK CREDIT
  +--> GET DEBT
  +--> UPDATE CRM
  +--> SEND NOTIFICATION

Agora o agente ganhou mãos.


🧮 10. A lição mais importante para o COBOLero: não deixe o LLM fazer o trabalho do programa

Esta vale ouro.

Imagine:

“Calcule os juros desta operação financeira de R$ 72 milhões conforme regra contratual XYZ.”

Você pode pedir ao modelo para improvisar.

Ou pode ser um adulto responsável.

A arquitetura correta tende a separar:

LLM
|
| interpreta intenção
|
v
FUNÇÃO DETERMINÍSTICA
|
| calcula
|
v
RESULTADO

Algo como:

AGENT:
"Precisamos calcular juros."

        |
        v

CALCULAR-JUROS

        |
        v

COBOL / JAVA / FUNCTION / API

        |
        v

VALOR EXATO

Isso é particularmente bonito porque agent flows são apresentados pela Microsoft como determinísticos: regras definidas, caminho previsível, entradas iguais produzindo o mesmo comportamento esperado.

Então guarde:

LLM interpreta. Programa calcula.

Claro que existem exceções.

Mas como regra mental para iniciante, é excelente.

Você não substitui determinismo por probabilidade só porque probabilidade virou moda.


🧱 11. Aqui o jovem programador percebe que COBOL não morreu outra vez

Agora chegamos ao portal favorito do Bellacosa Mainframe.

Um gerente entra no Teams e pergunta:

“Por que a operação do cliente ABC foi recusada?”

Vamos montar um cenário possível.

MICROSOFT TEAMS
      |
      v
COPILOT
      |
      v
AGENT
      |
      +--> CRM
      |
      +--> SharePoint
      |
      +--> Fabric
      |
      v
POWER AUTOMATE / API
      |
      v
API MANAGEMENT
      |
      v
z/OS CONNECT
      |
      v
CICS
      |
      v
COBOL
      |
      v
Db2

Observe cuidadosamente.

O mainframe não desapareceu.

O COBOL não desapareceu.

O CICS não desapareceu.

O Db2 não desapareceu.

Eles mudaram de posição na experiência.

O usuário talvez nunca veja uma tela 3270.

Mas lá embaixo:

EXEC CICS LINK

continua trabalhando tranquilamente.

Essa é a grande lição para quem está começando em COBOL:

Modernização não significa necessariamente substituição. Muitas vezes significa exposição, integração e composição.

O velho programa pode virar uma capacidade empresarial acessível através de API.


🏛️ 12. System of Engagement versus System of Record

Essa distinção ajuda demais.

Imagine:

Teams
Copilot
Web
Mobile

como systems of engagement.

São os lugares nos quais humanos interagem.

E:

CICS
IMS
Db2
Core banking
ERP

como systems of record.

São lugares onde a transação séria acontece.

Então:

EXPERIENCE
    |
    v
INTELLIGENCE
    |
    v
ORCHESTRATION
    |
    v
INTEGRATION
    |
    v
SYSTEM OF RECORD

Essa arquitetura não elimina legado.

Ela transforma legado em serviço consumível.


🧵 13. Microsoft Fabric: o planeta dos dados

Agora entra Fabric.

A organização possui dados espalhados:

CRM
ERP
financeiro
produção
telemetria
logs
vendas
clientes
estoque

Durante décadas construímos algo parecido:

DADOS
  |
  v
ETL
  |
  v
DATA WAREHOUSE
  |
  v
BI
  |
  v
DASHBOARD
  |
  v
HUMANO

Apareceu uma bolinha vermelha.

O analista observa.

Liga para alguém.

Abre ticket.

Manda email.

Esperamos.

Com agentes, podemos começar a pensar:

DADOS
  |
  v
FABRIC
  |
  v
MODELO SEMÂNTICO
  |
  v
INSIGHT
  |
  v
AGENTE
  |
  v
INVESTIGA
  |
  v
PROPÕE AÇÃO
  |
  v
APROVAÇÃO
  |
  v
EXECUTA

O dashboard deixa de ser necessariamente o último ponto do processo.

Vira um sensor.


🚨 14. Power BI vê fumaça; agente chama os bombeiros

Exemplo simples.

Um dashboard detecta:

VENDAS -35%
REGIÃO SUL
PRODUTO XPTO

No modelo tradicional:

alerta
 |
 v
gerente vê amanhã
 |
 v
manda email
 |
 v
analista investiga

Modelo agentic possível:

ALERTA
   |
   v
AGENT
   |
   +--> consulta estoque
   +--> consulta preço
   +--> consulta incidentes
   +--> consulta campanhas
   |
   v
"causa provável:
erro de preço após atualização"
   |
   v
cria incidente
   |
   v
notifica responsável

Se a política permitir:

solicita correção

Se a política não permitir:

AGUARDA HUMANO

A diferença é brutal.


🧯 15. Nunca confunda inteligência com autoridade

Aqui está uma regra fundamental.

PODE PENSAR
   !=
PODE LER

PODE LER
   !=
PODE ALTERAR

PODE ALTERAR
   !=
PODE APROVAR

PODE APROVAR
   !=
PODE EXECUTAR QUALQUER COISA

Um agente pode concluir:

“A melhor ação seria estornar R$ 2 milhões.”

Isso não significa que deveria poder executar:

ESTORNAR 2000000

sozinho.

Arquitetura madura:

AGENTE RACIOCINA
       |
       v
POLÍTICA
       |
       v
VALIDAÇÃO DETERMINÍSTICA
       |
       v
APROVAÇÃO HUMANA
       |
       v
TRANSAÇÃO
       |
       v
AUDITORIA

O objetivo não é construir um Goa’uld financeiro com acesso irrestrito ao core banking.


👮 16. Purview, Defender e segurança: porque os Replicators também automatizavam muito bem

Há algo que todo fã de Stargate deveria respeitar.

Automação sem controle pode escalar uma pequena bobagem até ela começar a comer a galáxia.

Os Replicators eram, afinal, extremamente eficientes.

O mesmo vale para agentes.

Um humano pode levar quinze minutos para cometer um erro.

Um agente pode realizar centenas de ações antes de alguém dizer:

“Espera. Quem autorizou isso?”

Por isso precisamos:

  • identidade;

  • least privilege;

  • auditoria;

  • classificação;

  • políticas;

  • segregação de funções;

  • limites;

  • human-in-the-loop;

  • observabilidade.

A velocidade da automação multiplica tanto o benefício quanto o erro.


🛰️ 17. Observabilidade: precisamos inventar o SMF dos agentes

E aqui o mainframeiro encontra terreno conhecido.

No z/OS nós gostamos de registros.

SMF.

RMF.

JES.

SYSLOG.

CICS logs.

Db2 traces.

Porque quando alguém pergunta:

“O que aconteceu às 03:17?”

não podemos responder:

“A máquina teve um sentimento.”

Precisamos reconstruir o ocorrido.

Agora imagine:

AGENT A
  |
  v
AGENT B
  |
  v
FLOW
  |
  v
API
  |
  v
CICS
  |
  v
DB2

Algo saiu errado.

Precisamos saber:

qual evento iniciou?
qual contexto foi recuperado?
qual modelo respondeu?
qual ferramenta foi escolhida?
quais parâmetros foram enviados?
qual identidade executou?
qual permissão foi usada?
qual API foi chamada?
qual RC voltou?
o agente tentou novamente?
qual decisão final tomou?

Pronto.

Nasceu o conceito:

SMF para agentes.

Não precisa ser literalmente SMF.

Mas filosoficamente é exatamente isso.

O livro-caixa da atividade digital.


💥 18. O S0C7 cognitivo

O velho COBOL conhece:

S0C7
S0C4
Uxxxx
SQLCODE
RESP
RESP2
RETURN-CODE

Agora chegam novos primos:

GROUNDING FAILURE
TOOL NOT FOUND
PERMISSION DENIED
TIMEOUT
HALLUCINATED PARAMETER
AGENT LOOP
CONTEXT OVERFLOW
POLICY VIOLATION
CONNECTOR FAILURE

A produção não deixou de ser produção porque colocamos IA nela.

Ao contrário.

Ficou mais interessante.

E talvez mais perigosa.


🛠️ 19. GitHub Copilot: não é só completar MOVE

Outro erro comum:

“GitHub Copilot serve para escrever código mais depressa.”

Serve.

Mas isso é apenas a camada superficial.

Imagine o SDLC:

REQUISITO
   |
   v
DESIGN
   |
   v
CÓDIGO
   |
   v
TESTE
   |
   v
REVIEW
   |
   v
SECURITY
   |
   v
CI/CD
   |
   v
PRODUÇÃO
   |
   v
OPERAÇÃO

Se você mede somente:

linhas geradas por IA

está olhando um pedaço pequeno.

Perguntas melhores:

Quanto caiu o tempo para implementar mudança?

Quantos defeitos chegam à produção?

Quanto aumentou cobertura de teste?

Quanto tempo leva code review?

Quanto conhecimento de sistema legado pode ser recuperado?

Agora imagine um programa COBOL de 9.000 linhas sem documentação.

Um assistente pode ajudar a:

  • explicar parágrafos;

  • sugerir testes;

  • encontrar possíveis dependências;

  • gerar documentação inicial;

  • explicar copybooks;

  • comparar versões;

  • criar exemplos de chamada.

Mas nunca esqueça:

a IA pode ajudar a ler o programa; não significa que compreendeu perfeitamente quarenta anos de regra de negócio escondida ali.

O comentário:

* CALCULA TAXA ESPECIAL

talvez tenha sido escrito em 1998 por alguém que já se aposentou.

E “especial” pode significar absolutamente qualquer coisa.


🧪 20. Laboratório para o jovem COBOLero

Vamos montar mentalmente um pequeno projeto.

Objetivo:

usuário pergunta o saldo de uma conta através de um agente.

Temos um programa legado:

       IDENTIFICATION DIVISION.
       PROGRAM-ID. GETSALDO.

       DATA DIVISION.

       WORKING-STORAGE SECTION.

       01 WS-SALDO      PIC S9(11)V99 COMP-3.

       PROCEDURE DIVISION.

           PERFORM CONSULTAR-CONTA
           GOBACK.

Obviamente simplificado.

Queremos chegar a:

"Qual o saldo da conta 123?"

Arquitetura:

COPILOT
   |
   v
AGENT
   |
   v
GET-ACCOUNT-BALANCE TOOL
   |
   v
API
   |
   v
z/OS CONNECT
   |
   v
CICS
   |
   v
GETSALDO
   |
   v
DB2

A resposta volta:

DB2
 |
 v
COBOL
 |
 v
API
 |
 v
AGENT
 |
 v
"Saldo disponível: R$ 4.327,18"

Agora acrescente segurança:

USER
 |
 v
ENTRA
 |
 v
AUTHORIZATION
 |
 v
AGENT

Depois governança:

Pode consultar saldo? SIM
Pode transferir? NÃO
Pode consultar outra conta? DEPENDE

Depois auditoria:

WHO
WHEN
WHAT
ACCOUNT
ACTION
RESULT

Pronto.

Você acabou de atravessar boa parte do ecossistema sem precisar decorar 47 logotipos.


📐 21. Pense em camadas, não em produtos

Essa é uma das melhores dicas deste artigo.

Não tente memorizar:

Power alguma coisa, Fabric alguma coisa, Copilot não sei o quê.

Pense em função arquitetural.

┌─────────────────────────────┐
│ EXPERIÊNCIA                 │
│ Teams / Word / Outlook      │
├─────────────────────────────┤
│ IA / AGENTES                │
│ Copilot / Copilot Studio    │
├─────────────────────────────┤
│ ORQUESTRAÇÃO / AUTOMAÇÃO    │
│ Power Automate / Logic Apps │
├─────────────────────────────┤
│ CONHECIMENTO / DADOS        │
│ Graph / Fabric / Search     │
├─────────────────────────────┤
│ INTEGRAÇÃO                  │
│ APIs / Connectors           │
├─────────────────────────────┤
│ SYSTEMS OF RECORD           │
│ CICS / IMS / Db2 / ERP      │
└─────────────────────────────┘

IDENTIDADE → Entra
GOVERNANÇA → Purview
SEGURANÇA  → Defender
AUDITORIA  → Logs / telemetry

Os produtos mudarão.

Os nomes mudarão.

Marketing inventará mais três nomes antes de você terminar o café.

As funções arquiteturais permanecem muito mais estáveis.


📈 22. Cinco níveis de maturidade

Uma forma prática de analisar empresas:

Nível 1 — Assistente

HUMANO → COPILOT → RESPOSTA

Exemplo:

“Resuma esta reunião.”


Nível 2 — Conhecimento

HUMANO
  |
COPILOT
  |
DADOS ORGANIZACIONAIS

Exemplo:

“O que decidimos sobre o Cliente XPTO?”


Nível 3 — Ação

HUMANO
  |
AGENT
  |
TOOL
  |
SISTEMA

Exemplo:

“Abra um chamado.”


Nível 4 — Orquestração

AGENT
 |
 +--> FINANCE AGENT
 +--> CRM AGENT
 +--> LEGAL AGENT
 +--> ERP AGENT

Exemplo:

“Prepare o onboarding do fornecedor.”


Nível 5 — Processo autônomo controlado

EVENT
 |
 v
AGENT
 |
 v
DECISION
 |
 v
TOOLS
 |
 v
POLICY
 |
 v
HUMAN APPROVAL WHEN REQUIRED
 |
 v
TRANSACTION
 |
 v
AUDIT

Nesse ponto não estamos mais discutindo “um chatbot”.

Estamos falando de:

um processo empresarial instrumentado por IA.


💰 23. ROI: pare de contar emails escritos

Organizações no nível 1 perguntam:

“Quantos minutos economizamos escrevendo emails?”

Não está errado.

Mas é limitado.

Em níveis maiores procure:

TIME TO RESOLUTION
PROCESS CYCLE TIME
HUMAN TOUCHES
ERROR RATE
COST PER TRANSACTION
ESCALATION RATE
STRAIGHT-THROUGH PROCESSING
AGENT SUCCESS RATE

Imagine um processo.

Antes:

4 horas

Depois do Copilot:

3h40

Legal.

Mas automação agentic talvez permita:

4 horas
  |
  v
40 minutos
  |
  v
8 minutos
  |
  v
2 minutos

Aí já estamos falando de economia do processo.

Não de digitação.


🧟 24. O job zumbi também atravessou o Stargate

Toda empresa possui processos que ninguém sabe por que existem.

No mainframe:

JOBXPTO

roda todo domingo às 02:00 desde 1987.

Ninguém sabe exatamente por quê.

Mas ninguém tem coragem de desligar.

Agora imagine transformar processos ruins em agentes.

Você pode criar:

um agente zumbi.

Ele executa automaticamente uma regra sem sentido em velocidade fantástica.

Moral:

Automatizar porcaria produz porcaria automatizada.

Antes de agentificar um processo:

  1. descubra por que existe;

  2. elimine passos inúteis;

  3. documente regras;

  4. defina ownership;

  5. estabeleça controles;

  6. só então automatize.

Nunca coloque warp drive num carrinho com roda quadrada.

Sim, misturei Star Trek dentro de Stargate.

Esse é o Easter egg número dois.


🥷 25. Uma regra Bellacosa para começar

Para cada automação com IA faça seis perguntas:

1. QUEM?
2. O QUÊ?
3. COM QUAIS DADOS?
4. COM QUAL AUTORIDADE?
5. O QUE ACONTECE SE DER ERRADO?
6. ONDE ESTÁ O LOG?

Se alguém não conseguir responder uma delas, ainda não terminou a arquitetura.

Especialmente:

Onde está o log?

Porque a frase:

“A IA decidiu”

não serve como análise de incidente.


🧠 26. Curiosidade: estamos reinventando muita coisa velha

Toda nova onda tecnológica chega anunciando que tudo mudou.

E muda muita coisa mesmo.

Mas também reencontra problemas antigos.

Agentes precisam de:

  • fila;

  • prioridade;

  • identidade;

  • autorização;

  • isolamento;

  • timeout;

  • retries;

  • transação;

  • recuperação;

  • logs;

  • métricas;

  • governança;

  • capacity planning.

Um mainframeiro de 1985 observa a discussão moderna sobre agentes e pensa:

“Muito bonito. Agora me diga qual é o RC.”

Essa talvez seja a ponte cultural mais interessante entre mainframe e IA.

A tecnologia é nova.

Os problemas operacionais frequentemente não são.


🔁 27. Retry não pode significar “tente eternamente”

Imagine:

AGENT
 |
 v
API FAIL
 |
 v
RETRY
 |
 v
FAIL
 |
 v
RETRY
 |
 v
FAIL

Se você não definir limite, nasce a famosa:

espiral da formiga digital.

O agente insiste porque ninguém lhe explicou quando parar.

Em produção precisamos de:

MAX RETRIES
BACKOFF
TIMEOUT
CIRCUIT BREAKER
ESCALATION
DEAD LETTER

O equivalente cognitivo de:

IF RETRY-COUNT > 3
   PERFORM ABORT-PROCESS
END-IF

Persistência é virtude.

Loop infinito é incidente.


🧑‍✈️ 28. O’Neill pergunta a coisa simples que salva todo mundo

Samantha Carter pode explicar o wormhole.

Daniel Jackson traduz a inscrição.

Teal’c sabe que aquilo provavelmente é tecnologia Goa’uld.

Então Jack O’Neill pergunta:

“Isso explode?”

Todo projeto de IA precisa de alguém assim.

No meio de:

semantic grounding, multi-agent orchestration, autonomous workflow, vector retrieval...

alguém deve perguntar:

“Se o modelo responder errado, o que acontece?”

Essa pergunta vale mais que quinze slides.

Se a resposta for:

“Nada. O humano apenas recebe sugestão.”

Risco menor.

Se a resposta for:

“Ele transfere dinheiro.”

Temos outra conversa.


🧪 29. Passo a passo para estudar isso sem enlouquecer

Para o programador COBOL iniciante eu seguiria esta ordem:

Primeiro: domine o seu terreno.

Aprenda:

COBOL
JCL
Db2
CICS
VSAM
z/OS

Não abandone fundamento porque apareceu IA.

Segundo: aprenda HTTP e REST.

Entenda:

GET
POST
PUT
DELETE
JSON
status codes
authentication

É a ponte entre mundos.

Terceiro: aprenda APIs no z/OS.

Descubra como programas e transações podem ser expostos com segurança.

Quarto: entenda identidade.

OAuth.

Tokens.

Scopes.

Roles.

Least privilege.

Quinto: estude automação.

Flows.

Logic Apps.

Power Automate.

Mensageria.

Eventos.

Sexto: só então mergulhe em agentes.

Porque agente sem entender os sistemas abaixo vira mágica.

E engenheiro não pode operar produção baseado em mágica.


🗺️ 30. O mapa final do Stargate

Agora podemos desenhar tudo.

                     USER
                      |
                      v
             MICROSOFT 365
      Teams / Outlook / Word
                      |
                      v
              COPILOT / AGENT
                      |
           +----------+----------+
           |                     |
           v                     v
       KNOWLEDGE               TOOLS
           |                     |
     Graph / Search          Power Automate
     Fabric / Data           APIs / Flows
           |                     |
           +----------+----------+
                      |
                      v
                 INTEGRATION
                      |
                      v
          ENTERPRISE SYSTEMS
        SAP / CRM / MAINFRAME
                      |
                      v
             CICS / IMS / Db2
                      |
                      v
                   COBOL

Ao redor de tudo:

==================================
IDENTITY       = ENTRA
GOVERNANCE     = PURVIEW
SECURITY       = DEFENDER
OBSERVABILITY  = LOGS
POLICY         = GUARDRAILS
==================================

Agora aquela imagem gigantesca começa a parecer menos assustadora.


🏺 31. Easter egg — o programa que ninguém podia desligar

Existe uma antiga lenda no SGC.

Durante anos havia no mainframe um programa chamado:

SGC00042

Ninguém sabia quem escreveu.

Os comentários diziam apenas:

*> DO NOT REMOVE.
*> DANIEL SAYS IT IS IMPORTANT.

Toda madrugada:

//SGCJOB JOB ...
//STEP01 EXEC PGM=SGC00042

consumia 0,0001 MSU.

Um arquiteto decidiu modernizar.

Transformou em microserviço.

Colocou Kubernetes.

Service Mesh.

API Gateway.

Observabilidade.

Copilot.

Agente autônomo.

Vector Database.

O custo passou para US$ 17.000 por mês.

Depois de seis meses descobriram o que o programa fazia.

IF CHEVRON-COUNT = 7
   MOVE 'OPEN' TO GATE-STATUS
END-IF.

O programa voltou para o mainframe.

Ninguém comentou.

No relatório oficial escreveram:

Strategic workload repatriation.

O velho operador apenas tomou café.


☕ 32. A grande conclusão

Quando alguém disser:

“Microsoft Copilot é uma ferramenta de produtividade”

responda:

Sim.

Mas parecida com dizer:

“CICS é uma tela verde.”

A frase descreve aquilo que o usuário vê.

Não o sistema inteiro.

O ecossistema de Copilot está evoluindo para conectar:

HUMANOS
+
CONHECIMENTO
+
DADOS
+
MODELOS
+
AGENTES
+
WORKFLOWS
+
APIs
+
SISTEMAS
+
IDENTIDADE
+
SEGURANÇA
+
GOVERNANÇA

A unidade fundamental deixa gradualmente de ser:

PROMPT
   |
   v
ANSWER

e passa a poder ser:

EVENT
  |
  v
CONTEXT
  |
  v
REASONING
  |
  v
POLICY
  |
  v
ACTION
  |
  v
TRANSACTION
  |
  v
AUDIT
  |
  v
FEEDBACK

E aqui está talvez a conclusão mais importante para quem está começando agora em COBOL:

você não chegou atrasado.

Na realidade, está entrando numa profissão no momento em que dois mundos começam a se encontrar.

De um lado:

COBOL
CICS
Db2
IMS
JCL

sistemas construídos para serem previsíveis, transacionais, auditáveis e confiáveis.

Do outro:

LLMs
Copilots
Agents
Semantic Search
Natural Language

sistemas construídos para interpretar contexto, intenção e linguagem.

O futuro empresarial provavelmente não pertence exclusivamente a nenhum deles.

Pertence à composição:

probabilidade na interpretação, determinismo na transação.

A IA pergunta:

“O que o humano está tentando fazer?”

O agente decide:

“Qual capacidade devo chamar?”

A política pergunta:

“Ele pode?”

O COBOL responde:

“Passe os parâmetros corretamente e eu executo.”

O Db2 grava.

O log registra.

O auditor dorme.

E em algum lugar do datacenter um velho programa que nasceu quando Stargate SG-1 ainda passava na televisão recebe uma chamada REST, processa quinze milhões de dólares em menos de um segundo e volta:

RETURN-CODE = 0

O jovem programador olha para aquilo.

Olha para o Copilot.

Olha novamente para o COBOL.

E finalmente entende:

o Stargate nunca serviu para destruir o planeta antigo.

Servia para conectá-lo a outros mundos.

Chevron seven...

locked.

☕🌀

E o batch continua rodando.

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Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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