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sábado, 6 de fevereiro de 2021

DotCom : Capítulo XIV — Os Próximos 20 Anos: O Que um Programador COBOL Pode Aprender com a Bolha da Internet para Não Ser Surpreendido pela Próxima Revolução

 

Bellacosa Mainframe e o estouro da bolha dotcom capitulo xiv

Capítulo XIV — Os Próximos 20 Anos: O Que um Programador COBOL Pode Aprender com a Bolha da Internet para Não Ser Surpreendido pela Próxima Revolução

Por que a verdadeira competência do futuro não será dominar uma tecnologia específica, mas compreender os princípios que sobrevivem a todas elas

"A melhor maneira de prever o futuro não é adivinhar qual tecnologia vencerá. É entender quais fundamentos nunca deixam de funcionar."

Imagine por um instante que estamos em 2046.

Você acabou de sair de uma conferência internacional sobre computação.

No palco, pesquisadores discutem tecnologias que hoje talvez nem existam.

Computação quântica comercial.

Agentes autônomos negociando contratos entre empresas.

Robôs colaborativos em praticamente todas as profissões.

Interfaces neurais maduras.

Modelos de Inteligência Artificial capazes de desenvolver outros modelos.

Sistemas distribuídos entre satélites, data centers terrestres e computação espacial.

Um jovem profissional olha para você e pergunta:

— Como vocês conseguiam trabalhar em 2021?

Você sorri.

E percebe que essa é exatamente a mesma pergunta que fazemos hoje para quem programava em cartões perfurados nos anos 1960.

A tecnologia muda.

Muito.

Mas algo continua surpreendentemente estável.

Os princípios.

E talvez essa seja a maior herança que a bolha da Internet pode deixar para um Programador COBOL Padawan.


O Futuro Nunca Chega da Forma Como Imaginamos

Em 1995 imaginava-se que, em vinte anos, viveríamos em um mundo completamente virtual.

Algumas previsões acertaram.

Outras falharam completamente.

Ninguém previu com precisão:

o smartphone;

as redes sociais;

o streaming;

a computação em nuvem;

os influenciadores digitais;

o Pix;

os carros dirigidos por software;

os modelos generativos de IA.

Isso ensina uma lição importante.

Prever tecnologias específicas é extremamente difícil.

Compreender tendências é muito mais útil.


A Velocidade da Mudança Está Aumentando

Existe outro fenômeno curioso.

Cada revolução tecnológica parece acontecer mais rapidamente que a anterior.

A eletricidade levou décadas para tornar-se comum.

O computador pessoal espalhou-se em aproximadamente vinte anos.

A Internet comercial conquistou o planeta em pouco mais de uma década.

Os smartphones transformaram hábitos em menos de dez anos.

A Inteligência Artificial Generativa alcançou centenas de milhões de usuários em poucos meses.

A velocidade aumenta.

Mas isso não significa que os fundamentos mudem na mesma velocidade.


A Carreira Também Mudou

Durante boa parte do século XX, um profissional aprendia uma tecnologia.

Trabalhava com ela durante praticamente toda a vida.

Hoje isso é quase impossível.

Em uma única carreira podemos acompanhar:

mainframe;

computadores pessoais;

Internet;

Web;

Cloud Computing;

Virtualização;

Containers;

DevOps;

Open Source;

Microserviços;

Blockchain;

Inteligência Artificial.

A capacidade mais importante deixou de ser memorizar ferramentas.

Passou a ser aprender continuamente.


Aprender Tornou-se a Principal Competência

Existe uma habilidade que praticamente nunca aparece em descrições de vagas.

Aprender.

No entanto, talvez ela seja a mais valiosa de todas.

Quem aprende rapidamente adapta-se.

Quem adapta-se permanece relevante.

Quem permanece relevante continua criando valor.

É exatamente isso que diferencia profissionais veteranos que continuam ativos daqueles que ficaram presos ao passado.


O Conhecimento Está Deixando de Ser Escasso

Durante décadas, possuir conhecimento técnico era um enorme diferencial.

Hoje qualquer pessoa possui acesso imediato a:

documentação;

vídeos;

artigos;

cursos;

laboratórios;

assistentes de IA.

O conhecimento bruto tornou-se abundante.

Então...

O que passa a diferenciar um profissional?

Capacidade de interpretar.

Relacionar.

Questionar.

Validar.

Aplicar.

Criar.

Conhecimento deixou de ser acumulação.

Passou a ser integração.


A Inteligência Artificial Não Elimina a Engenharia

Existe um medo recorrente.

A IA substituirá programadores?

Talvez substitua algumas tarefas repetitivas.

Assim como compiladores substituíram programação em linguagem de máquina.

Assim como bancos de dados reduziram a necessidade de manipular arquivos manualmente.

Assim como frameworks simplificaram inúmeras atividades.

Mas engenharia continua existindo.

Porque alguém ainda precisa decidir:

o problema;

a arquitetura;

os riscos;

a integração;

a segurança;

a governança;

a manutenção;

a evolução.

Ferramentas mudam.

Responsabilidade permanece.


O Valor Está Migrando para o Pensamento Sistêmico

Quanto mais sofisticadas tornam-se as ferramentas, mais importante passa a ser enxergar sistemas completos.

Não basta conhecer uma linguagem.

É preciso compreender:

negócio;

infraestrutura;

dados;

segurança;

custos;

experiência do usuário;

operações;

governança.

É exatamente essa visão sistêmica que sempre caracterizou profissionais de ambientes corporativos.

Talvez por isso tantas empresas estejam novamente valorizando arquitetos de soluções.


O Mainframe Nunca Foi Apenas uma Máquina

Existe uma ideia que atravessa todo este livro.

Mainframe não representa apenas um computador.

Representa uma filosofia.

Planejamento.

Disciplina.

Resiliência.

Disponibilidade.

Integridade.

Responsabilidade.

Esses princípios podem ser aplicados em qualquer tecnologia.

Inclusive na Inteligência Artificial.

Talvez principalmente nela.


O Mundo Caminha para Ecossistemas

Outra transformação importante.

As empresas deixaram de funcionar isoladamente.

Hoje praticamente tudo conversa com tudo.

APIs.

Microsserviços.

Eventos.

Cloud.

Mainframe.

Aplicativos móveis.

IoT.

IA.

Blockchain.

Parceiros.

Fornecedores.

Clientes.

Estamos construindo enormes ecossistemas digitais.

Nesse ambiente, integração torna-se mais importante do que especialização extrema.


O Profissional Híbrido

Nos próximos vinte anos veremos crescer um perfil bastante diferente.

O profissional híbrido.

Alguém capaz de conversar com diversas áreas.

Negócio.

Tecnologia.

Dados.

Segurança.

IA.

Cloud.

Mainframe.

UX.

Gestão.

Ele não precisa ser o maior especialista em tudo.

Mas precisa compreender como todas essas peças se conectam.

Essa visão será extremamente valorizada.


A Próxima Bolha Também Virá

Existe algo praticamente inevitável.

Haverá outra bolha.

Não sabemos quando.

Nem qual tecnologia será protagonista.

Pode ser computação quântica.

Biotecnologia.

Robótica.

Interfaces cérebro-computador.

Energia.

Computação espacial.

Ou algo que ainda nem imaginamos.

Mas uma nova onda de entusiasmo provavelmente surgirá.

E quando isso acontecer...

As lições da bolha da Internet continuarão extremamente atuais.


Os Fundamentos Permanecerão

Independentemente da tecnologia dominante em 2046, algumas perguntas continuarão existindo.

Resolve um problema real?

Existe modelo econômico sustentável?

Os dados são confiáveis?

A arquitetura suporta crescimento?

A segurança foi planejada?

Há governança?

Existe continuidade operacional?

O cliente realmente precisa disso?

Essas perguntas atravessam gerações.


A Maior Mudança Não Será Tecnológica

Talvez a transformação mais profunda dos próximos vinte anos não seja produzida pelos computadores.

Mas pelas pessoas.

Aprenderemos a trabalhar ao lado da Inteligência Artificial.

Da mesma forma que aprendemos a trabalhar com computadores.

Depois com a Internet.

Depois com smartphones.

A tecnologia altera ferramentas.

Mas também altera cultura.

E cultura costuma ser muito mais difícil de transformar do que software.


O Legado da Bolha da Internet

Depois de analisar vinte anos de história percebemos algo extraordinário.

A bolha da Internet não foi apenas um desastre financeiro.

Foi um gigantesco laboratório.

Ela ensinou investidores.

Empreendedores.

Governos.

Universidades.

Engenheiros.

Arquitetos.

Programadores.

Executivos.

Consumidores.

Poucos acontecimentos produziram tantas lições em tão pouco tempo.

Talvez por isso continue sendo estudada até hoje.


A Jornada do Padawan Nunca Termina

Existe um detalhe fascinante sobre a filosofia Jedi.

Um Jedi nunca considera seu aprendizado concluído.

Sempre existe algo novo para estudar.

Uma nova missão.

Uma nova civilização.

Uma nova tecnologia.

No universo da computação acontece exatamente o mesmo.

Quem acredita já saber tudo começa a ficar ultrapassado no mesmo instante.

Quem permanece curioso continua evoluindo.


Uma Última Conversa no CPD

Imagine um antigo Centro de Processamento de Dados.

O relógio marca duas horas da manhã.

As luzes do salão refletem nos gabinetes metálicos do mainframe.

O som constante dos sistemas de refrigeração lembra que milhares de transações continuam sendo processadas enquanto a maior parte da cidade dorme.

Um jovem Programador COBOL Padawan observa fascinado aquele ambiente.

Ao seu lado está um veterano com décadas de experiência.

O rapaz pergunta:

— Depois de tudo o que aconteceu... da bolha da Internet, da computação em nuvem, dos smartphones, da Inteligência Artificial... qual foi a maior mudança que o senhor viu?

O veterano permanece alguns segundos em silêncio.

Olha para os painéis luminosos do sistema.

Sorri.

E responde:

Nenhuma dessas tecnologias mudou aquilo que realmente importa.

O jovem parece confuso.

O veterano continua.

— As linguagens mudam.

Os computadores mudam.

As empresas mudam.

Os frameworks mudam.

Os nomes da moda mudam.

Mas sempre continuaremos precisando construir sistemas confiáveis para resolver problemas reais de pessoas reais.

É isso que fazemos desde os primeiros computadores.

É isso que continuaremos fazendo daqui a cinquenta anos.


Lições Finais para o Padawan COBOL

Se você chegou até aqui, talvez tenha percebido que este livro nunca foi apenas sobre a bolha da Internet.

Foi sobre algo muito maior.

Foi sobre como a humanidade reage diante da inovação.

Foi sobre entusiasmo.

Ganância.

Medo.

Aprendizado.

Resiliência.

Engenharia.

E evolução.

No universo da Frota Estelar existe uma tradição entre os oficiais mais experientes.

Quando um novo cadete recebe seu primeiro uniforme, alguém sempre lhe diz:

"Aprenda todas as tecnologias que puder. Mas nunca permita que elas substituam seu julgamento."

Essa frase resume perfeitamente a história da computação.

A bolha das Dot-Com passou.

A Internet permaneceu.

A Inteligência Artificial transformará o mundo.

Mas também passará por seu processo de amadurecimento.

E quando a próxima grande revolução chegar, os profissionais que permanecerão relevantes não serão necessariamente aqueles que conhecem a ferramenta mais recente.

Serão aqueles que compreenderem os princípios que atravessam todas as gerações da tecnologia.

Porque, no fim das contas, os computadores evoluem... mas a boa engenharia é atemporal.