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sexta-feira, 17 de julho de 2026

20 Anos Depois da Bolha da Internet : O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Aprender com o Maior Crash Tecnológico da Era Digital

 

Bellacosa Mainframe e o impacto da bolha da internet 25 anos apos os eventos

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

25 Anos Depois da Bolha da Internet

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Aprender com o Maior Crash Tecnológico da Era Digital

"Nem toda inovação sobrevive. Mas toda inovação deixa código, cicatrizes e conhecimento."


Introdução — A História se Repete... Apenas Troca de Interface

Imagine um jovem programador COBOL entrando pela primeira vez no CPD em 1999.

Enquanto ele aprendia JCL, CICS e Db2, do outro lado do mundo acontecia algo considerado "o futuro absoluto".

Internet.

Sites.

Portais.

E-commerce.

Empresas que nunca haviam vendido absolutamente nada estavam sendo avaliadas em bilhões de dólares.

Bastava colocar ".com" no nome da empresa.

O dinheiro aparecia.

Investidores compravam ações sem perguntar uma única coisa:

"Como essa empresa ganha dinheiro?"

Foi provavelmente o maior delírio coletivo já visto na história da tecnologia moderna.

E, como quase toda bolha financeira...

Ela estourou.

Milhões perderam dinheiro.

Empresas desapareceram.

Profissionais ficaram desempregados.

Projetos gigantescos foram abandonados.

Mas...

Curiosamente...

Foi justamente daquele caos que nasceram praticamente todas as gigantes digitais que usamos hoje.

Google.

Amazon.

Netflix.

PayPal.

Salesforce.

Wikipedia.

LinkedIn.

A bolha destruiu milhares de empresas.

Mas fortaleceu as poucas que realmente tinham fundamentos.

Hoje, mais de vinte anos depois, vale perguntar:

Estamos vivendo algo parecido novamente?

Prepare seu café.

Vamos voltar para 1995.


Capítulo 1 — O Mundo Antes da Internet Comercial

Para quem nasceu depois dos anos 2000 é difícil imaginar.

Não existia:

  • Google

  • YouTube

  • WhatsApp

  • Streaming

  • Redes sociais

  • Smartphones

A internet era praticamente um ambiente acadêmico.

Empresas utilizavam:

  • Mainframes

  • AS/400

  • UNIX

  • Novell

  • Lotus Notes

Os sistemas corporativos eram fechados.

A Web ainda parecia um experimento.

Até surgir algo revolucionário.

O navegador gráfico.

Primeiro Mosaic.

Depois Netscape.

Pela primeira vez qualquer pessoa podia navegar clicando em imagens.

Parecia magia.


Capítulo 2 — A Febre das Dot-Com

Entre 1995 e 2000 aconteceu uma explosão.

Todo empreendedor dizia possuir uma startup.

Na época nem existia esse nome.

Chamavam simplesmente de empresas ".com".

Qualquer ideia parecia revolucionária.

Vendia-se:

  • comida

  • livros

  • flores

  • brinquedos

  • viagens

  • carros

Tudo online.

Investidores passaram a acreditar que a internet substituiria completamente o comércio tradicional em poucos anos.

Começou uma corrida maluca.


A lógica da época era assustadoramente simples

Não importava:

  • lucro

Nem:

  • faturamento

Nem:

  • clientes

Nem:

  • produtos

Importava apenas:

"Crescimento."

Era comum ouvir frases como:

"Primeiro conquistamos usuários.
Depois descobrimos como ganhar dinheiro."

Soa familiar?


Capítulo 3 — A Economia do "Queime Caixa"

Hoje chamamos isso de:

Burn Rate.

Na época:

Era praticamente um esporte.

Empresas queimavam milhões de dólares por mês.

Publicidade.

Marketing.

Escritórios luxuosos.

Contratações gigantescas.

Sem receita.

Sem lucro.

Sem modelo sustentável.

O dinheiro vinha dos investidores.

Enquanto houvesse investidores...

Tudo parecia funcionar.


Capítulo 4 — O Mercado Entrou em Histeria

O índice NASDAQ praticamente explodiu.

As ações subiam diariamente.

Jornais diziam:

"A Nova Economia chegou."

Especialistas afirmavam:

"O lucro não importa mais."

Foi um dos maiores erros intelectuais da história econômica.

Durante alguns anos...

Parecia verdade.


Capítulo 5 — O Estouro da Bolha (2000)

Então veio a pergunta que ninguém queria responder.

"Essas empresas realmente valem isso?"

A resposta apareceu rapidamente.

Não.

O capital desapareceu.

Os investidores correram.

As ações despencaram.

Empresas quebraram em semanas.

O NASDAQ perdeu aproximadamente 78% de seu valor entre março de 2000 e outubro de 2002, marcando um dos maiores colapsos da história dos mercados financeiros.

Bilhões evaporaram.


Capítulo 6 — O Efeito Dominó

Quando uma startup quebrava...

Ela deixava de pagar:

  • fornecedores

  • publicidade

  • hospedagem

  • infraestrutura

  • salários

Outra empresa também quebrava.

Depois outra.

Depois outra.

O caos espalhou-se rapidamente.

Era um problema sistêmico.


Capítulo 7 — Milhares de Programadores Ficaram Sem Emprego

Esse ponto costuma ser esquecido.

A bolha não afetou apenas investidores.

Ela afetou profissionais.

Desenvolvedores.

Analistas.

Administradores.

DBAs.

Engenheiros.

Muitos mudaram completamente de carreira.

Outros voltaram para empresas tradicionais.

Inclusive para...

Mainframes.

Enquanto muitas startups desapareciam...

Bancos continuavam funcionando.

Seguradoras continuavam processando milhões de transações.

Governos continuavam pagando aposentadorias.

Os grandes sistemas corporativos permaneceram de pé.


Capítulo 8 — Amazon Quase Morreu

Pouca gente sabe.

A Amazon perdeu cerca de 95% de seu valor de mercado durante o colapso.

Muitos analistas afirmavam:

"A empresa nunca dará lucro."

Jeff Bezos tomou uma decisão histórica.

Reduzir custos.

Melhorar eficiência.

Pensar no longo prazo.

Não abandonar a visão.

Essa disciplina permitiu que a empresa sobrevivesse quando milhares desapareceram.


Capítulo 9 — Google Nasceu no Meio da Crise

Outro fato curioso.

Google surgiu praticamente durante o caos.

Enquanto empresas quebravam...

Google construía tecnologia.

Não publicidade exagerada.

Não marketing.

Infraestrutura.

Algoritmos.

Qualidade.

Foi exatamente isso que fez diferença.


Capítulo 10 — A Grande Lição

Tecnologia não substitui fundamentos.

Ela apenas acelera.

Uma empresa ruim...

fica ruim mais rápido.

Uma empresa boa...

escala mais rapidamente.


Capítulo 11 — O Que Isso Tem a Ver com COBOL?

Muito mais do que parece.

Durante toda a bolha, muitos diziam:

"O mainframe morreu."

"O COBOL acabou."

"O futuro pertence apenas às startups."

Vinte anos depois...

Quem continua processando:

  • cartões

  • folha salarial

  • bolsas de valores

  • pagamentos

  • impostos

  • previdência

São justamente sistemas construídos com décadas de engenharia sólida.

O hype passou.

Os sistemas críticos permaneceram.


Capítulo 12 — As Lições para o Padawan COBOL

Imagine um sistema bancário.

Você pode criar uma interface moderna.

Pode colocar IA.

Pode usar Kubernetes.

Pode rodar APIs REST.

Mas...

Se a transação financeira falhar...

Nada disso importa.

A base continua sendo:

  • confiabilidade;

  • consistência;

  • disponibilidade;

  • recuperação;

  • auditoria.

São princípios que existiam antes da Web e continuam indispensáveis.


Capítulo 13 — Comparando com Outras Bolhas

A história econômica mostra um padrão recorrente. A tecnologia muda, mas o comportamento humano permanece semelhante.

A bolha ferroviária (século XIX)

As ferrovias revolucionaram o transporte, e investidores aplicaram recursos em qualquer empresa ligada aos trilhos. Muitas fracassaram, mas a infraestrutura construída transformou a economia mundial.

A bolha das empresas de energia e telecomunicações

No fim dos anos 1990, além das empresas de internet, houve excesso de investimentos em redes de fibra óptica e telecomunicações. Muitas companhias faliram, mas os cabos permaneceram e sustentaram a internet de alta velocidade dos anos seguintes.

A crise financeira de 2008

O problema não era uma nova tecnologia, mas a crença de que o mercado imobiliário subiria para sempre. Quando essa premissa caiu, todo o sistema financeiro sofreu.

As criptomoedas

Entre 2017 e 2022 surgiram milhares de projetos sem utilidade real. Muitos desapareceram, mas a tecnologia de blockchain continuou evoluindo para aplicações específicas.

O Metaverso

Após 2021, diversas empresas anunciaram que o metaverso substituiria a internet tradicional. O entusiasmo foi muito maior do que a adoção real. Ainda assim, tecnologias como realidade virtual, aumentada e computação espacial continuam evoluindo.

A Inteligência Artificial Generativa

Vivemos hoje um momento que lembra, em alguns aspectos, a era das dot-com. Há investimentos bilionários, criação acelerada de startups e expectativas elevadas. A diferença é que a IA já demonstra aplicações concretas em produtividade, programação, pesquisa, atendimento e automação. Ainda assim, permanece a mesma pergunta fundamental:

Qual problema real está sendo resolvido?


Capítulo 14 — Os Efeitos na Sociedade

A bolha deixou marcas profundas.

Mudou a forma como investidores analisam empresas.

Fortaleceu a cultura das startups.

Popularizou o capital de risco (venture capital).

Acelerou a transformação digital.

Criou milhões de empregos na economia digital nos anos seguintes.

Também ensinou que inovação precisa caminhar ao lado de governança, gestão financeira e planejamento.


Capítulo 15 — Os Efeitos no Trabalho

Depois do colapso, o mercado passou a valorizar muito mais profissionais capazes de construir sistemas robustos do que apenas criar demonstrações impressionantes.

Ganharam espaço competências como:

  • arquitetura de sistemas;

  • segurança da informação;

  • banco de dados;

  • integração entre plataformas;

  • engenharia de software;

  • testes automatizados;

  • observabilidade;

  • continuidade de negócios.

É exatamente esse perfil que encontramos em muitos profissionais de mainframe.


Capítulo 16 — Os Riscos dos Novos Hypes

Hoje ouvimos frases parecidas com as do ano 2000:

  • "A IA substituirá todos os programadores."

  • "Não será mais necessário aprender arquitetura."

  • "Modelos resolvem tudo."

  • "Quem não usar IA ficará para trás."

Essas afirmações podem conter parte da verdade, mas também escondem exageros.

Um modelo de IA depende de:

  • dados de qualidade;

  • infraestrutura;

  • governança;

  • segurança;

  • integração;

  • pessoas.

Assim como uma página HTML não fazia uma empresa lucrativa em 1999, um chatbot não transforma automaticamente um negócio em sucesso.


Capítulo 17 — O Mainframe e a Sabedoria dos Sistemas Duradouros

Uma das maiores lições da bolha da internet é que tecnologia de verdade não é aquela que aparece nas manchetes, mas a que continua funcionando décadas depois.

Mainframes atravessaram:

  • a popularização do PC;

  • a internet;

  • o comércio eletrônico;

  • os smartphones;

  • a computação em nuvem;

  • os microsserviços;

  • a IA generativa.

Não porque resistiram à mudança, mas porque evoluíram continuamente.

Hoje, plataformas IBM Z executam Linux, Kubernetes, APIs REST, OpenShift, criptografia avançada e aceleradores para IA, sem abrir mão da confiabilidade que sempre os caracterizou.


Easter Egg Bellacosa Mainframe 🍵

Na Frota Estelar existe uma regra não escrita:

Nunca escolha um capitão apenas porque a nave é bonita. Escolha porque ela consegue voltar para casa.

Foi exatamente isso que aconteceu com as dot-com.

Muitas tinham interfaces espetaculares.

Poucas tinham motores confiáveis.

As que sobreviveram aprenderam que design atrai, marketing encanta, inovação impressiona — mas são arquitetura, disciplina, execução e sustentabilidade que mantêm uma empresa viva por décadas.


Conclusão — A História Não se Repete, Mas Costuma Rimar

Vinte anos após o estouro da bolha da internet, percebemos que ela não foi o fim da revolução digital. Pelo contrário, foi seu processo de amadurecimento.

O entusiasmo excessivo financiou infraestrutura, talentos e ideias que pareciam exageradas para a época. Muitas fracassaram, mas deixaram sementes que floresceram em empresas capazes de transformar a economia global.

Para um Padawan COBOL, essa história traz uma mensagem poderosa. Não se deixe levar apenas pelo brilho das novidades nem rejeite toda inovação por apego ao passado. O profissional valioso é aquele que consegue distinguir modismo de transformação estrutural.

Hoje, enquanto Inteligência Artificial, agentes autônomos, computação quântica e novas arquiteturas ocupam as manchetes, a pergunta continua a mesma de 1999:

Existe um problema real sendo resolvido?

Se a resposta for "sim", estamos diante de uma tecnologia com potencial para mudar o mundo.

Se a resposta depender apenas de apresentações bonitas, promessas vagas e crescimento sem fundamentos, talvez estejamos apenas assistindo ao próximo capítulo de uma história que já vimos antes.

Como todo bom oficial da Frota Estelar sabe, a missão não é perseguir cada estrela que aparece no radar, mas construir naves capazes de atravessar gerações. O mesmo vale para empresas, carreiras e sistemas: as tecnologias mudam, os princípios permanecem. E é justamente essa combinação entre inovação e fundamentos que separa um fenômeno passageiro de um verdadeiro legado tecnológico.


sábado, 19 de junho de 2021

DotCom : Conclusão — A História Não Acabou. Apenas Mudou de Capítulo.

 

Bellacosa Mainframe e o estouro da bolha dotcom capitulo final

Conclusão — A História Não Acabou. Apenas Mudou de Capítulo.

O verdadeiro legado da bolha da Internet não foi o dinheiro perdido, mas a sabedoria conquistada.

"Toda geração acredita viver a maior revolução tecnológica da História. E, de certa forma, todas estão certas."

Se você fechasse este livro agora e me perguntasse:

"Em uma única frase, qual foi a maior lição da bolha da Internet?"

Minha resposta seria simples.

A tecnologia estava certa. O mercado estava errado sobre o tempo, o dinheiro e a forma como ela amadureceria.

Essa talvez seja a diferença mais importante que um engenheiro precisa compreender.

Ao longo destas páginas viajamos desde a Tulipomania do século XVII até a Inteligência Artificial do século XXI.

Passamos pela Railway Mania.

Pela South Sea Bubble.

Pelo Crash de 1929.

Pela bolha japonesa.

Pelas empresas ".com".

Pela computação em nuvem.

Pelos smartphones.

Pelos agentes inteligentes.

Em todas elas encontramos um padrão quase imutável.

Primeiro nasce uma inovação genuína.

Depois surge o entusiasmo.

Em seguida aparecem investidores.

Logo chegam os oportunistas.

O dinheiro passa a circular em velocidades absurdas.

As expectativas deixam de obedecer às leis da realidade.

Forma-se a bolha.

Ela cresce.

Encanta.

Seduz.

E inevitavelmente estoura.

Mas existe um detalhe que muitos esquecem.

Quando a poeira baixa...

A tecnologia continua lá.

Foi assim com as ferrovias.

Foi assim com a eletricidade.

Foi assim com a Internet.

Muito provavelmente será assim com a Inteligência Artificial.


O Tempo Sempre Separa Engenharia de Especulação

Ao longo de minha carreira trabalhando com IBM Mainframe, aprendi algo que nunca encontrei em um livro de economia.

Os sistemas mais importantes do mundo raramente são aqueles que aparecem nas manchetes.

Eles ficam escondidos.

Processando pagamentos.

Liquidando bolsas de valores.

Controlando voos.

Administrando hospitais.

Pagando aposentadorias.

Gerenciando impostos.

Autorizando cartões de crédito.

Transferindo bilhões de dólares silenciosamente todos os dias.

Ninguém publica notícias dizendo:

"Hoje o sistema bancário funcionou perfeitamente."

Porque esperamos que funcione.

A boa engenharia é invisível.

Quando tudo está certo, ninguém percebe.

Quando algo falha, o mundo inteiro percebe.

Talvez essa seja a maior diferença entre marketing e engenharia.

O marketing precisa chamar atenção.

A engenharia precisa evitar que algo dê errado.


O Programador COBOL Nunca Esteve Preso ao Passado

Durante décadas ouvimos previsões.

"O COBOL vai acabar."

"O mainframe morreu."

"Os sistemas legados desaparecerão."

Essas manchetes surgem praticamente desde os anos 1980.

Enquanto isso...

Novas versões do Enterprise COBOL continuam sendo lançadas.

Novos processadores IBM Z continuam aumentando capacidade.

Novas APIs conectam aplicações escritas há quarenta anos com aplicações desenvolvidas ontem.

Novos bancos digitais executam bilhões de transações sobre tecnologias consideradas "antigas".

O problema nunca foi idade.

Sempre foi utilidade.

Na engenharia existe uma regra silenciosa.

Aquilo que funciona, gera valor e continua evoluindo dificilmente desaparece.


A Inteligência Artificial Também Passará Pelo Mesmo Teste

Hoje vivemos um momento extraordinário.

A Inteligência Artificial parece capaz de resolver praticamente qualquer problema.

Em alguns casos realmente consegue.

Em outros ainda estamos aprendendo.

Existem exageros.

Existem promessas.

Existe marketing.

Existe investimento.

Existe especulação.

Tudo isso faz parte da história de praticamente toda grande inovação.

Daqui a dez ou vinte anos talvez olhemos para 2026 da mesma maneira como hoje olhamos para 1999.

Sorriremos ao lembrar algumas previsões exageradas.

Reconheceremos erros.

Celebramos acertos.

E perceberemos que a IA não destruiu todas as profissões, nem resolveu todos os problemas do planeta.

Ela apenas tornou-se mais uma poderosa ferramenta da engenharia.

Assim como aconteceu com a Internet.


O Conhecimento Nunca Foi Tão Importante

Existe um paradoxo fascinante.

Nunca tivemos acesso a tanta informação.

Ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil separar conhecimento de ruído.

Ferramentas de IA respondem perguntas em segundos.

Motores de busca indexam praticamente tudo.

Vídeos ensinam qualquer tecnologia.

Cursos estão disponíveis em poucos cliques.

Mas informação não é conhecimento.

Conhecimento não é experiência.

Experiência não é sabedoria.

A sabedoria nasce quando conectamos história, tecnologia, negócios e comportamento humano.

Foi exatamente isso que tentamos fazer neste livro.


O Futuro Pertence aos Curiosos

Talvez a característica mais importante de um profissional moderno não seja dominar uma linguagem específica.

Nem possuir determinada certificação.

Nem conhecer uma ferramenta da moda.

A característica mais importante talvez seja outra.

Curiosidade.

Curiosidade leva ao aprendizado.

Aprendizado produz adaptação.

Adaptação gera relevância.

E relevância prolonga carreiras.

Observe os profissionais que continuam ativos após trinta ou quarenta anos.

Quase todos compartilham uma característica.

Nunca pararam de estudar.


O Holocron do Padawan COBOL

Se este livro pudesse ser transformado em um Holocron da Frota Estelar, talvez ele guardasse apenas alguns ensinamentos essenciais.

Aprenda fundamentos antes das ferramentas.

Questione promessas extraordinárias.

Entenda economia tanto quanto entende tecnologia.

Construa para durar.

Valorize simplicidade.

Proteja dados.

Automatize tarefas repetitivas.

Documente aquilo que seu "eu do futuro" agradecerá.

Nunca pare de aprender.

Nunca despreze tecnologias antigas.

Nunca idolatre tecnologias novas.

E, acima de tudo...

Lembre-se de que sistemas existem para servir pessoas.

Não o contrário.


Uma Última Visita ao Centro de Processamento de Dados

Imagine que estamos caminhando juntos por um grande Centro de Processamento de Dados.

Os corredores são silenciosos.

As luzes dos racks piscam continuamente.

Os processadores executam milhões de instruções por segundo.

Em algum lugar existe um programa COBOL criado antes do nascimento de muitos profissionais que hoje trabalham na empresa.

Ao lado dele existe uma API REST.

Um microsserviço em contêiner.

Um modelo de Inteligência Artificial.

Um banco de dados relacional.

Um índice vetorial.

Uma fila de mensagens.

Tudo convivendo.

Tudo cooperando.

Tudo formando um único organismo.

Esse talvez seja o maior retrato da evolução tecnológica.

O futuro quase nunca substitui completamente o passado.

Ele conversa com ele.

Integra-se a ele.

Aprende com ele.

E constrói algo maior.


A Frota Estelar Continua sua Missão

No universo de Star Trek existe uma frase que resume perfeitamente o espírito da exploração.

"Ir audaciosamente onde ninguém jamais esteve."

Durante muito tempo pensei que essa frase falasse apenas sobre viagens espaciais.

Hoje acredito que ela descreve perfeitamente a engenharia de software.

Cada projeto é uma missão.

Cada arquitetura é um mapa estelar.

Cada novo sistema representa um planeta desconhecido.

Cada bug é uma anomalia espacial.

Cada incidente é uma oportunidade de aprendizado.

Cada inovação amplia as fronteiras do conhecimento humano.

E cada Programador COBOL Padawan que decide continuar aprendendo torna-se, pouco a pouco, um oficial capaz de conduzir sua própria nave através dessas novas fronteiras.


Uma Mensagem Pessoal

Se você é um jovem profissional...

Espero que este livro tenha mostrado que estudar COBOL não significa viver preso ao passado.

Significa compreender uma parte fundamental da história da computação.

Se você já trabalha há muitos anos com mainframe...

Espero que ele tenha reforçado algo que talvez você já soubesse intuitivamente.

Sua experiência continua extremamente valiosa.

O mundo mudou.

Mas princípios como confiabilidade, integridade, disponibilidade, segurança e responsabilidade tornaram-se ainda mais importantes.

Se você trabalha com Inteligência Artificial...

Espero que tenha percebido que a tecnologia mais revolucionária do século XXI ainda possui muito a aprender com décadas de engenharia construídas antes dela.

E se você simplesmente gosta de tecnologia...

Espero que continue curioso.

Porque curiosidade é o combustível de toda inovação.


O Último Registro do Diário de Bordo

Data Estelar: Futuro Indefinido.

A USS Enterprise permanece em velocidade de dobra.

Novas galáxias surgem no horizonte.

A Inteligência Artificial ocupa parte da ponte de comando.

Os sistemas do computador principal continuam processando milhões de decisões.

O núcleo de dobra opera dentro dos parâmetros.

Os bancos de dados permanecem íntegros.

Os motores respondem perfeitamente.

No convés de engenharia, um velho engenheiro observa um jovem Padawan analisando um programa COBOL escrito décadas atrás.

O rapaz sorri.

Fecha o editor.

Abre uma ferramenta de Inteligência Artificial.

Conecta ambos por meio de uma API.

Executa os testes.

Tudo funciona.

O veterano apenas balança a cabeça positivamente.

Porque entende algo que somente o tempo ensina.

As linguagens mudam.

As arquiteturas evoluem.

As ferramentas aparecem e desaparecem.

As empresas nascem e morrem.

As bolhas financeiras vêm e vão.

Mas a missão do engenheiro permanece exatamente a mesma desde os primeiros computadores:

Construir sistemas confiáveis que melhorem a vida das pessoas.

Enquanto houver alguém disposto a fazer isso com ética, curiosidade e paixão por aprender...

Sempre existirá uma nova fronteira para explorar.

Fim da missão.

RC = 0000

JOB COMPLETED SUCCESSFULLY. ☕🚀


quinta-feira, 27 de maio de 2021

Dotcom : Capítulo XVII — O Legado da Bolha da Internet: As 50 Lições que Todo Programador COBOL Padawan Deve Levar para o Futuro Uma última conversa antes de embarcar na próxima revolução tecnológica

 

Bellacosa Mainframe e o estouro da bolha dotcom capitulo xvii

Capítulo XVII — O Legado da Bolha da Internet: As 50 Lições que Todo Programador COBOL Padawan Deve Levar para o Futuro

Uma última conversa antes de embarcar na próxima revolução tecnológica

"A experiência é uma biblioteca escrita com erros, sucessos, noites sem dormir e sistemas que sobreviveram ao teste mais difícil de todos: o tempo."

Se você chegou até aqui...

Parabéns.

Você acabou de percorrer uma viagem de mais de quatrocentos anos.

Começamos observando comerciantes holandeses comprando tulipas.

Vimos investidores acreditarem que qualquer empresa com ".com" no nome ficaria bilionária.

Acompanhamos o nascimento da Internet comercial.

Assistimos ao colapso de Wall Street.

Observamos empresas desaparecerem.

Conhecemos os sobreviventes.

Descobrimos como nasceram o Agile, o Lean Startup, a computação em nuvem, os smartphones e, finalmente, a Inteligência Artificial.

Mas este livro nunca foi apenas sobre computadores.

Foi sobre pessoas.

Sobre escolhas.

Sobre engenharia.

Sobre bom senso.

E sobre algo que nenhuma tecnologia consegue substituir.

A capacidade de aprender.

Antes de encerrarmos esta jornada, gostaria de deixar cinquenta pequenas lições.

Não são regras absolutas.

São princípios.

Daqueles que atravessam gerações.

Assim como um bom programa COBOL.


As 50 Lições da Bolha da Internet

1. Tecnologia não é negócio.

Uma excelente tecnologia pode fracassar comercialmente.

Um negócio sólido utiliza tecnologia para resolver problemas.

Nunca o contrário.


2. Resolver problemas sempre vale mais do que seguir modismos.

As empresas que sobreviveram resolveram dores reais.

As que desapareceram frequentemente resolveram problemas imaginários.


3. Receita importa.

Lucro importa.

Mas fluxo de caixa continua sendo rei.

Sem caixa não existe inovação.


4. Crescimento sem sustentabilidade é apenas velocidade rumo ao precipício.


5. Nem todo hype representa uma revolução.

Mas quase toda revolução vem acompanhada por hype.

Aprenda a separar os dois.


6. Marketing chama atenção.

Engenharia mantém clientes.


7. Um produto bonito não substitui uma arquitetura sólida.


8. Escalar um erro apenas produz um erro maior.


9. Disponibilidade é uma funcionalidade.

Se o sistema está fora do ar...

Nenhuma outra característica importa.


10. Segurança nunca deve ser instalada depois.

Ela deve nascer junto com o sistema.


11. Dados são patrimônio.

Proteja-os como protegeria dinheiro.

Porque, em muitos casos, eles valem ainda mais.


12. A melhor documentação continua sendo código bem escrito.


13. Nenhuma Inteligência Artificial substitui pensamento crítico.


14. O cliente raramente compra tecnologia.

Ele compra soluções.


15. Um sistema simples costuma sobreviver mais do que um sistema "genial".


16. Toda arquitetura precisa admitir que falhas acontecerão.


17. Backup que nunca foi restaurado é apenas uma esperança.


18. Monitorar é importante.

Entender o monitoramento é ainda mais importante.


19. Toda decisão técnica também é uma decisão financeira.


20. A infraestrutura invisível costuma ser a mais importante.


21. Grandes sistemas raramente nascem grandes.

Eles evoluem.


22. Refatorar não significa reescrever tudo.

Significa melhorar continuamente.


23. A experiência reduz riscos.

Nunca elimina todos eles.


24. O primeiro projeto dificilmente será o melhor.

Mas será aquele que ensinará mais.


25. Nunca aposte toda sua carreira em apenas uma tecnologia.

Aposte em princípios.


26. Frameworks mudam.

Algoritmos mudam.

Fundamentos permanecem.


27. Quem compreende arquitetura aprende novas linguagens rapidamente.


28. Bons profissionais fazem perguntas antes de oferecer respostas.


29. Métricas de vaidade impressionam investidores.

Indicadores operacionais salvam empresas.


30. Confiabilidade demora anos para ser construída.

E minutos para ser destruída.


31. Automatize tudo aquilo que você não gostaria de fazer pela centésima vez.


32. O maior custo de um software costuma ser sua manutenção.

Não seu desenvolvimento.


33. Nenhum sistema é melhor do que os dados que ele recebe.

Garbage In.

Garbage Out.

Essa regra continua absolutamente atual.


34. IA amplifica processos.

Ela não corrige processos ruins.


35. O futuro pertence à integração.

Não ao isolamento.


36. APIs aproximam sistemas.

Pessoas aproximam empresas.

Nunca esqueça da parte humana.


37. Aprender uma nova linguagem é fácil.

Mudar a forma de pensar leva anos.


38. O melhor momento para estudar uma tecnologia é antes que ela vire moda.


39. Nunca ridicularize tecnologias antigas.

Algumas delas sustentam o mundo moderno.


40. Nunca idolatre tecnologias novas.

Elas também envelhecerão.


41. Todo sistema legado já foi inovação um dia.


42. O verdadeiro legado não é o código.

É o conhecimento transmitido.


43. Grandes engenheiros constroem pontes entre gerações tecnológicas.

Não muros.


44. Curiosidade é mais importante do que idade.


45. Humildade acelera aprendizado.

Arrogância acelera obsolescência.


46. O maior diferencial profissional continuará sendo aprender continuamente.


47. Nenhuma certificação substitui experiência prática.

Mas ambas juntas tornam-se extremamente poderosas.


48. A tecnologia evolui.

A responsabilidade também deve evoluir.

Principalmente na era da Inteligência Artificial.


49. Nunca deixe que uma ferramenta pense por você.

Utilize-a para pensar melhor.


50. A maior lição da bolha da Internet

A Internet venceu.

O mainframe venceu.

A computação em nuvem venceu.

A Inteligência Artificial provavelmente também vencerá.

O que perde, repetidamente, não é a tecnologia.

É a ilusão de que qualquer revolução elimina a necessidade de boa engenharia.


A Jornada Continua

Se existe algo que a história da computação ensina, é que nenhuma geração presencia o "capítulo final" da tecnologia.

Quem viveu a era dos cartões perfurados acreditava estar vendo o auge da informática.

Depois vieram os terminais.

Depois os computadores pessoais.

Depois a Internet.

Depois os smartphones.

Depois a nuvem.

Agora a Inteligência Artificial.

E daqui a vinte anos?

Talvez estejamos discutindo computação quântica distribuída.

Interfaces neurais.

Biocomputação.

Computadores fotônicos.

Ou tecnologias que ainda nem receberam um nome.

Mas uma coisa permanecerá.

Sempre haverá um jovem Padawan entrando pela primeira vez em um Centro de Processamento de Dados.

Sempre haverá alguém olhando para um código COBOL escrito décadas antes e perguntando:

Como isso ainda funciona tão bem?

E sempre haverá um velho engenheiro respondendo com um sorriso discreto:

Porque alguém, muitos anos atrás, decidiu fazer o trabalho da maneira correta.


A Última Mensagem do Bellacosa Mainframe

Meu jovem Padawan...

Nunca permita que a velocidade do mercado faça você esquecer a beleza da engenharia.

Aprenda todas as linguagens que puder.

Experimente toda nova tecnologia.

Construa agentes de IA.

Automatize processos.

Desenvolva APIs.

Implemente microsserviços.

Trabalhe com Kubernetes.

Explore computação em nuvem.

Mas reserve sempre um espaço na sua mochila para carregar algo que nenhuma revolução tecnológica conseguiu substituir.

Bom senso.

Porque, no final das contas, o verdadeiro diferencial nunca foi dominar COBOL, Java, Python ou Inteligência Artificial.

O verdadeiro diferencial sempre foi compreender que computadores existem para servir pessoas.

E sistemas existem para resolver problemas.

Todo o restante...

São apenas versões diferentes da mesma jornada.


Encerrando o Diário de Bordo

A USS Enterprise está pronta para partir.

Os motores de dobra estão estabilizados.

Os sistemas principais respondem normalmente.

Os bancos de dados permanecem íntegros.

As rotinas batch terminaram com RC=0000.

Os logs não registram erros.

O operador sorri.

O Programador COBOL Padawan observa o painel principal pela última vez.

O veterano aproxima-se e entrega um pequeno holocron de dados.

Na capa existe apenas uma inscrição:

"Nunca tenha medo do futuro. Tenha medo apenas de parar de aprender."

A nave acelera.

As estrelas transformam-se em longos feixes de luz.

E uma nova aventura tecnológica começa.

Fim... ou melhor... EXEC CICS RETURN. 🚀☕


domingo, 4 de abril de 2021

DotCom : Capítulo XVI — A Caixa-Preta da Bolha da Internet: Os 25 Maiores Erros que Destruíram Milhares de Empresas e Como Evitá-los na Era da Inteligência Artificial

Bellacosa Mainframe e o estouro da bolha dotcom capitulo xvi

 

Capítulo XVI — A Caixa-Preta da Bolha da Internet: Os 25 Maiores Erros que Destruíram Milhares de Empresas e Como Evitá-los na Era da Inteligência Artificial

Toda queda deixa destroços. Mas também deixa uma caixa-preta cheia de informações preciosas para quem deseja não repetir os mesmos acidentes.

"Na aviação, cada acidente melhora os aviões. Na engenharia de software, cada grande fracasso melhora toda uma geração de sistemas."

Durante toda esta jornada analisamos empresas que desapareceram.

Investidores que perderam fortunas.

Profissionais que precisaram recomeçar suas carreiras.

Tecnologias que amadureceram.

Mercados que aprenderam.

Mas existe um exercício extremamente útil que engenheiros costumam fazer após grandes incidentes.

Chama-se Post-Mortem.

No universo da aviação existe algo semelhante.

Quando um avião sofre um acidente, investigadores procuram imediatamente a caixa-preta.

Ela registra tudo.

Cada comando.

Cada decisão.

Cada falha.

Cada alerta.

O objetivo não é encontrar culpados.

É aprender.

Na computação deveria acontecer exatamente o mesmo.

Se pudéssemos abrir a caixa-preta da bolha da Internet...

Quais seriam os maiores erros registrados?

E, mais importante...

Quais deles continuam acontecendo hoje na corrida pela Inteligência Artificial?

Vamos abrir essa caixa-preta.


Erro 1 — Confundir Tecnologia com Modelo de Negócio

A Internet era extraordinária.

Isso não significava que qualquer empresa da Internet seria extraordinária.

Hoje acontece algo parecido.

A IA é revolucionária.

Mas isso não transforma automaticamente qualquer startup de IA em um bom investimento.

Lição: tecnologia cria oportunidades; modelo de negócios cria empresas.


Erro 2 — Crescer Antes de Saber para Onde

Muitas Dot-Com contrataram milhares de funcionários antes de descobrir se realmente possuíam mercado.

Escalaram rapidamente.

Na direção errada.

Hoje algumas empresas treinam modelos gigantescos antes mesmo de validar a necessidade do cliente.

Lição: primeiro encontre o caminho. Depois acelere.


Erro 3 — Gastar Como se o Dinheiro Nunca Acabasse

Escritórios luxuosos.

Campanhas milionárias.

Eventos extravagantes.

Contratações exageradas.

Tudo parecia justificável.

Até o dinheiro acabar.

A história mostrou que caixa sempre vence apresentações bonitas.


Erro 4 — Ignorar Custos Operacionais

Durante a bolha poucos prestavam atenção ao custo de manter sistemas funcionando.

Hoje ocorre algo semelhante em alguns projetos de IA.

Treinar modelos.

Executar inferências.

Armazenar vetores.

Consumir energia.

Tudo possui custo.

Lição: inovação precisa caber no orçamento.


Erro 5 — Construir Produtos que Ninguém Pediu

Diversas startups criaram soluções impressionantes.

O problema?

Pouquíssimas pessoas realmente precisavam delas.

Essa continua sendo uma das principais causas de fracasso.


Erro 6 — Confundir Usuários com Clientes

Ter milhões de usuários não significa possuir receita.

Essa diferença destruiu inúmeras empresas.

Até hoje muitas startups descobrem tarde demais que audiência e faturamento não são sinônimos.


Erro 7 — Acreditar que Crescimento Resolve Todos os Problemas

Existe uma frase famosa entre arquitetos de software.

"Escalar um sistema ruim apenas produz um sistema ruim maior."

Empresas seguem exatamente a mesma lógica.


Erro 8 — Subestimar Engenharia

Durante a euforia, marketing frequentemente recebia mais investimentos do que engenharia.

A crise mostrou rapidamente a consequência.

Promessas sobrevivem poucos meses.

Arquiteturas sobrevivem décadas.


Erro 9 — Esquecer Segurança

Muitas empresas cresceram rapidamente sem investir em proteção.

Quando incidentes ocorreram...

A confiança desapareceu.

Hoje, na era da IA, segurança tornou-se ainda mais importante.


Erro 10 — Ignorar Governança

Quem toma decisões?

Quem aprova mudanças?

Quem responde por falhas?

Essas perguntas raramente apareciam durante a bolha.

Hoje são fundamentais.


Erro 11 — Acreditar Demais nas Próprias Projeções

Planilhas suportam praticamente qualquer cenário otimista.

Mercados reais não.

Toda previsão precisa conviver com a possibilidade de estar errada.


Erro 12 — Não Ouvir Clientes

Diversas empresas ouviam apenas investidores.

Os clientes permaneciam em segundo plano.

Esse erro continua surpreendentemente comum.


Erro 13 — Esquecer a Concorrência

Durante períodos de euforia muitos acreditam ser únicos.

Raramente são.

Sempre existe alguém tentando resolver o mesmo problema.


Erro 14 — Subestimar Infraestrutura

A infraestrutura costuma parecer cara.

Até o dia em que ela falha.

Foi exatamente isso que levou muitas empresas a investir posteriormente em cloud, observabilidade e automação.


Erro 15 — Acreditar que a Tecnologia Elimina Administração

Software não substitui gestão.

Inteligência Artificial também não.

Empresas continuam precisando de estratégia.

Planejamento.

Liderança.

Execução.


Erro 16 — Ignorar Pessoas

Nenhuma revolução tecnológica acontece sem profissionais preparados.

Treinamento sempre produz retorno.


Erro 17 — Pensar Apenas no Curto Prazo

Empresas sobreviventes quase sempre possuíam visão de longo prazo.

As demais estavam preocupadas apenas com a próxima rodada de investimentos.


Erro 18 — Não Medir

Aquilo que não é medido dificilmente pode ser melhorado.

Esse princípio vale para software.

Vale para negócios.

Vale para Inteligência Artificial.


Erro 19 — Não Preparar Planos de Contingência

Toda empresa acredita que continuará crescendo.

Poucas planejam crises.

As sobreviventes normalmente fazem ambos.


Erro 20 — Esquecer a Ética

Quando dinheiro entra rapidamente, decisões apressadas tornam-se tentadoras.

A história mostra que ética nunca deve ser tratada como acessório.

Principalmente quando lidamos com IA.


Erro 21 — Não Aprender com a História

Talvez o erro mais curioso.

Cada geração acredita estar vivendo algo completamente novo.

Raramente está.

Conhecer a história reduz enormemente a probabilidade de repetir erros antigos.


Erro 22 — Desprezar Sistemas Legados

Muitas startups acreditavam que poderiam reconstruir completamente tudo do zero.

Décadas depois descobriram que integrar costuma ser muito mais inteligente do que substituir.


Erro 23 — Subestimar Complexidade

Soluções simples frequentemente escondem enorme complexidade operacional.

Quem trabalha com mainframe conhece essa realidade muito bem.


Erro 24 — Confundir Velocidade com Direção

É possível correr muito rapidamente...

Na direção errada.

Esse talvez seja um dos maiores ensinamentos da bolha.


Erro 25 — Esquecer que Toda Revolução se Torna Infraestrutura

Poucas pessoas falam hoje sobre TCP/IP.

DNS.

HTTP.

Cloud.

Porque deixaram de ser novidades.

Passaram a ser infraestrutura.

O mesmo provavelmente acontecerá com a Inteligência Artificial.

Quando uma tecnologia realmente vence...

Ela deixa de chamar atenção.

Passa simplesmente a fazer parte do cotidiano.


O Que Todas Essas Falhas Possuem em Comum?

Observe cuidadosamente esses vinte e cinco erros.

Quase nenhum deles é tecnológico.

A maioria envolve:

expectativas;

gestão;

liderança;

planejamento;

engenharia;

psicologia;

economia.

Isso explica por que tantas revoluções tecnológicas apresentam padrões semelhantes.

Os computadores mudam.

As pessoas mudam muito menos.


Enquanto Isso... O Mainframe Continuava Ensinando

Existe um motivo pelo qual ambientes IBM Z valorizam tanto:

controle de mudanças;

gestão de configuração;

auditoria;

backup;

planejamento;

recuperação;

capacidade;

documentação;

testes.

Esses processos não existem para burocratizar.

Existem porque alguém já pagou muito caro pela ausência deles.

A história da computação é, em grande parte, uma história de lições aprendidas.


O Maior Aprendizado

Depois de abrir a caixa-preta da bolha percebemos algo surpreendente.

As empresas não fracassaram porque utilizavam Internet.

Fracassaram porque ignoraram princípios fundamentais de administração e engenharia.

Isso muda completamente a interpretação da história.

Não devemos temer novas tecnologias.

Devemos apenas evitar antigos erros.


Lições para o Padawan COBOL

Imagine que a USS Enterprise sofreu uma pane durante uma missão.

Os motores de dobra desligaram.

Os escudos falharam.

A tripulação conseguiu sobreviver.

Dias depois, engenheiros analisam cuidadosamente todos os registros da nave.

Ninguém pergunta:

"Quem devemos culpar?"

Todos perguntam:

"O que podemos aprender para que isso nunca mais aconteça?"

Esse é o verdadeiro espírito da engenharia.

A bolha da Internet foi uma gigantesca caixa-preta da história da tecnologia.

Ela registrou erros extremamente caros.

Mas também produziu conhecimento que hoje protege toda uma nova geração de empresas.

Talvez essa seja a maior vantagem do Programador COBOL Padawan.

Ele inicia sua carreira não apenas estudando linguagens modernas ou Inteligência Artificial.

Ele começa carregando consigo décadas de experiências acumuladas por milhares de engenheiros que vieram antes.

E isso representa uma vantagem competitiva impossível de comprar.

No próximo capítulo encerraremos nossa jornada reunindo as cinquenta maiores lições que atravessam toda esta história, formando uma espécie de Holocron do Programador COBOL Padawan: princípios atemporais capazes de orientar qualquer profissional, independentemente da próxima revolução tecnológica que venha a surgir.


sábado, 13 de março de 2021

DotCom : Capítulo XV — Vinte Anos Depois: O Veredito da História Sobre a Bolha da Internet

 

Bellacosa Mainframe e o estouro da bolha dotcom capitulo xv

Capítulo XV — Vinte Anos Depois: O Veredito da História Sobre a Bolha da Internet

O que realmente aconteceu com as previsões feitas em 2000 e por que a História absolveu a Internet, mas condenou a especulação

"O tempo é o melhor arquiteto de software e o juiz mais imparcial da economia. Ele remove o código desnecessário, elimina as ilusões e preserva apenas aquilo que realmente cria valor."

Chegamos ao último capítulo desta jornada.

Foram mais de quatrocentos anos de história.

Da Tulipomania às criptomoedas.

Das ferrovias à Inteligência Artificial.

Dos cartões perfurados aos agentes autônomos.

Da bolha das Dot-Com ao renascimento da economia digital.

Mas ainda falta responder uma pergunta.

Afinal... quem estava certo?

Os otimistas?

Ou os pessimistas?

A Internet foi realmente uma bolha?

Ou foi a maior revolução tecnológica da história?

A resposta, como quase tudo na engenharia, não é um simples "sim" ou "não".

Ela é muito mais interessante.


A Internet Nunca Foi a Bolha

Este talvez seja o maior equívoco histórico.

Quando alguém diz:

"A bolha da Internet estourou."

A frase está incompleta.

O que estourou nunca foi a Internet.

O que explodiu foi a expectativa financeira construída ao redor dela.

A Internet continuou funcionando.

Os protocolos TCP/IP continuaram evoluindo.

Os servidores continuaram processando requisições.

Os cabos continuaram transmitindo dados.

Os engenheiros continuaram desenvolvendo software.

As universidades continuaram pesquisando.

A tecnologia permaneceu.

Quem desapareceu foi a especulação.

Essa diferença muda completamente a interpretação da história.


Os Pessimistas Erraram

Após o colapso de 2000 surgiram inúmeras manchetes.

"O fim da Nova Economia."

"A Internet fracassou."

"As empresas digitais foram uma moda."

Hoje sabemos que essas previsões estavam profundamente equivocadas.

A Internet tornou-se a infraestrutura mais importante da economia mundial.

Ela conecta bilhões de pessoas.

Movimenta trilhões de dólares.

Transformou praticamente todos os setores da sociedade.

O problema nunca foi a tecnologia.

Foi o exagero.


Os Otimistas Também Erraram

Curiosamente...

Os maiores entusiastas também cometeram erros.

Eles acreditavam que qualquer empresa ligada à Internet se tornaria automaticamente bem-sucedida.

Isso jamais aconteceu.

A maioria desapareceu.

Não porque a Internet fosse ruim.

Mas porque administrar uma empresa continua sendo extremamente difícil.

Tecnologia reduz barreiras.

Não elimina os desafios fundamentais dos negócios.


A História Escolheu os Construtores

Quando observamos os sobreviventes percebemos um padrão muito claro.

Google.

Amazon.

PayPal.

Salesforce.

Netflix.

Eles não venceram porque eram os mais barulhentos.

Nem porque possuíam os maiores escritórios.

Nem porque faziam mais propaganda.

Venceram porque construíram.

Infraestrutura.

Engenharia.

Processos.

Pessoas.

Conhecimento.

Enquanto outros vendiam sonhos...

Eles construíam fundações.


O Tempo Elimina o Ruído

Existe algo fascinante quando analisamos tecnologia sob uma perspectiva de vinte anos.

O marketing desaparece.

As manchetes desaparecem.

As apresentações desaparecem.

As promessas desaparecem.

O que permanece?

Produtos úteis.

Clientes satisfeitos.

Infraestrutura funcionando.

Empresas sustentáveis.

É como observar um grande sistema legado.

Após décadas, apenas o código realmente importante continua sendo executado.

Todo o restante foi removido.


A Engenharia Sempre Vence

Ao longo deste livro encontramos uma conclusão repetidas vezes.

Marketing chama atenção.

Engenharia sustenta negócios.

A história da Internet comprova isso.

Empresas que investiram apenas em publicidade desapareceram rapidamente.

Empresas que investiram em arquitetura sobreviveram.

Essa continua sendo uma das maiores lições para qualquer profissional de tecnologia.


O Mainframe Nunca Precisou Provar Nada

Existe uma ironia interessante.

Enquanto jornais anunciavam diariamente "o fim do mainframe", milhões de pessoas utilizavam serviços processados justamente por ele.

Compravam.

Vendiam.

Recebiam salários.

Pagavam impostos.

Realizavam transferências.

Utilizavam cartões.

Tudo isso acontecia silenciosamente.

O IBM Z nunca precisou vencer debates na Internet.

Precisava apenas continuar funcionando.

E continuou.

Talvez essa seja uma das maiores demonstrações de maturidade tecnológica.


A Revolução Não Acontece na Superfície

Quando pensamos em inovação normalmente imaginamos aquilo que aparece.

Aplicativos.

Interfaces.

Sites.

Inteligência Artificial.

Mas as maiores revoluções frequentemente acontecem onde poucos observam.

Data centers.

Protocolos.

Bancos de dados.

Infraestrutura.

Redes.

Segurança.

Mainframes.

Cloud.

APIs.

São esses elementos invisíveis que sustentam toda a economia digital.

Sem eles...

Nenhuma inovação permaneceria em pé.


O Futuro Também Será Invisível

Provavelmente ocorrerá exatamente o mesmo com a Inteligência Artificial.

Hoje falamos muito sobre chatbots.

Geradores de imagens.

Agentes inteligentes.

Mas daqui a vinte anos talvez a IA esteja tão integrada ao cotidiano que quase ninguém falará sobre ela.

Assim como ninguém diz atualmente:

"Estou utilizando TCP/IP."

Ou:

"Estou usando DNS."

Ou:

"Acabei de fazer uma requisição HTTPS."

Essas tecnologias desapareceram da conversa.

Não porque falharam.

Mas porque tiveram sucesso.

A verdadeira inovação deixa de ser novidade.

Torna-se infraestrutura.


O Ciclo Nunca Termina

Talvez daqui a quinze ou vinte anos outra tecnologia ocupe todas as manchetes.

Talvez alguém afirme novamente:

"Agora tudo será diferente."

Novos investidores aparecerão.

Novas startups surgirão.

Novas promessas serão feitas.

E, muito provavelmente...

Alguns repetir-se-ão os mesmos erros.

Porque computadores evoluem rapidamente.

Mas o comportamento humano evolui muito mais devagar.


O Que Nunca Mudará

Independentemente da próxima revolução tecnológica, algumas perguntas continuarão fundamentais.

Existe valor para o cliente?

A solução resolve um problema real?

O sistema é confiável?

Pode crescer?

É seguro?

É sustentável financeiramente?

Existe boa engenharia?

Se essas perguntas forem respondidas positivamente...

As chances de sucesso aumentam enormemente.


O Programador COBOL do Século XXI

Chegamos então ao personagem central desta obra.

O Programador COBOL Padawan.

Durante muito tempo disseram que ele representava o passado.

Hoje percebemos que ele carrega conhecimentos extremamente valiosos para o futuro.

Pensamento estruturado.

Integridade de dados.

Transações.

Disponibilidade.

Confiabilidade.

Governança.

Esses princípios tornaram-se ainda mais importantes na era da Inteligência Artificial.

Talvez o maior diferencial do profissional moderno não seja abandonar o passado.

Mas utilizá-lo como alicerce para construir o futuro.


O Verdadeiro Significado da Bolha

Depois de toda esta análise podemos finalmente responder à pergunta inicial.

O que foi, afinal, a bolha da Internet?

Não foi um fracasso.

Não foi um sucesso.

Foi um processo de seleção.

Uma gigantesca prova de resistência.

Ela eliminou empresas frágeis.

Fortaleceu as sólidas.

Acelerou a maturidade da engenharia.

Transformou investidores.

Mudou universidades.

Preparou profissionais.

Construiu infraestrutura.

Criou gigantes.

E abriu caminho para praticamente todas as revoluções digitais das décadas seguintes.

Poucos acontecimentos produziram consequências tão profundas.


Uma Última Reflexão no Centro de Processamento de Dados

Voltemos uma última vez ao velho CPD.

Os enormes gabinetes continuam funcionando.

As luzes piscam discretamente.

O relógio marca três horas da manhã.

Milhões de transações atravessam silenciosamente os canais de comunicação.

Do lado de fora, pessoas utilizam smartphones.

Conversam com Inteligência Artificial.

Compram pela Internet.

Assistem filmes em streaming.

Realizam Pix.

Chamam carros por aplicativos.

Tudo parece extremamente moderno.

Poucos imaginam que, em algum lugar daquele enorme ecossistema, um programa COBOL escrito anos atrás continua executando exatamente aquilo para que foi criado.

Recebendo novos módulos.

Novas APIs.

Novas integrações.

Novas camadas de Inteligência Artificial.

Mas preservando aquilo que sempre foi sua maior qualidade.

Confiabilidade.

Talvez essa seja a metáfora perfeita para toda a computação.

A inovação não substitui completamente o passado.

Ela constrói novos andares sobre fundações que já provaram seu valor.


Epílogo — O Conselho do Velho Engenheiro

Se este livro pudesse terminar com apenas uma única mensagem para um Programador COBOL Padawan, talvez fosse esta.

Não tenha medo das novas tecnologias.

Aprenda Inteligência Artificial.

Aprenda Python.

Aprenda Cloud.

Aprenda Kubernetes.

Aprenda Agentes.

Aprenda Computação Quântica quando ela chegar.

Mas nunca abandone aquilo que transforma um simples programador em um verdadeiro engenheiro.

Pensar antes de programar.

Projetar antes de implementar.

Testar antes de entregar.

Documentar antes de esquecer.

Medir antes de otimizar.

Questionar antes de acreditar.

No universo da Frota Estelar, existe uma antiga tradição.

Quando um engenheiro conclui sua formação, recebe um pequeno distintivo com uma frase gravada na parte interna, invisível para todos.

Ela diz:

"Tecnologias passam. Princípios permanecem."

Talvez essa seja também a maior lição da bolha da Internet.

E talvez seja exatamente essa lição que continuará guiando os engenheiros que construirão os próximos cinquenta anos da computação.

Porque, no final de toda grande revolução tecnológica, aquilo que realmente permanece não são as manchetes, nem as avaliações bilionárias ou as modas passageiras.

Permanecem as pessoas que aprenderam a construir sistemas capazes de atravessar o tempo.


sábado, 6 de fevereiro de 2021

DotCom : Capítulo XIV — Os Próximos 20 Anos: O Que um Programador COBOL Pode Aprender com a Bolha da Internet para Não Ser Surpreendido pela Próxima Revolução

 

Bellacosa Mainframe e o estouro da bolha dotcom capitulo xiv

Capítulo XIV — Os Próximos 20 Anos: O Que um Programador COBOL Pode Aprender com a Bolha da Internet para Não Ser Surpreendido pela Próxima Revolução

Por que a verdadeira competência do futuro não será dominar uma tecnologia específica, mas compreender os princípios que sobrevivem a todas elas

"A melhor maneira de prever o futuro não é adivinhar qual tecnologia vencerá. É entender quais fundamentos nunca deixam de funcionar."

Imagine por um instante que estamos em 2046.

Você acabou de sair de uma conferência internacional sobre computação.

No palco, pesquisadores discutem tecnologias que hoje talvez nem existam.

Computação quântica comercial.

Agentes autônomos negociando contratos entre empresas.

Robôs colaborativos em praticamente todas as profissões.

Interfaces neurais maduras.

Modelos de Inteligência Artificial capazes de desenvolver outros modelos.

Sistemas distribuídos entre satélites, data centers terrestres e computação espacial.

Um jovem profissional olha para você e pergunta:

— Como vocês conseguiam trabalhar em 2021?

Você sorri.

E percebe que essa é exatamente a mesma pergunta que fazemos hoje para quem programava em cartões perfurados nos anos 1960.

A tecnologia muda.

Muito.

Mas algo continua surpreendentemente estável.

Os princípios.

E talvez essa seja a maior herança que a bolha da Internet pode deixar para um Programador COBOL Padawan.


O Futuro Nunca Chega da Forma Como Imaginamos

Em 1995 imaginava-se que, em vinte anos, viveríamos em um mundo completamente virtual.

Algumas previsões acertaram.

Outras falharam completamente.

Ninguém previu com precisão:

o smartphone;

as redes sociais;

o streaming;

a computação em nuvem;

os influenciadores digitais;

o Pix;

os carros dirigidos por software;

os modelos generativos de IA.

Isso ensina uma lição importante.

Prever tecnologias específicas é extremamente difícil.

Compreender tendências é muito mais útil.


A Velocidade da Mudança Está Aumentando

Existe outro fenômeno curioso.

Cada revolução tecnológica parece acontecer mais rapidamente que a anterior.

A eletricidade levou décadas para tornar-se comum.

O computador pessoal espalhou-se em aproximadamente vinte anos.

A Internet comercial conquistou o planeta em pouco mais de uma década.

Os smartphones transformaram hábitos em menos de dez anos.

A Inteligência Artificial Generativa alcançou centenas de milhões de usuários em poucos meses.

A velocidade aumenta.

Mas isso não significa que os fundamentos mudem na mesma velocidade.


A Carreira Também Mudou

Durante boa parte do século XX, um profissional aprendia uma tecnologia.

Trabalhava com ela durante praticamente toda a vida.

Hoje isso é quase impossível.

Em uma única carreira podemos acompanhar:

mainframe;

computadores pessoais;

Internet;

Web;

Cloud Computing;

Virtualização;

Containers;

DevOps;

Open Source;

Microserviços;

Blockchain;

Inteligência Artificial.

A capacidade mais importante deixou de ser memorizar ferramentas.

Passou a ser aprender continuamente.


Aprender Tornou-se a Principal Competência

Existe uma habilidade que praticamente nunca aparece em descrições de vagas.

Aprender.

No entanto, talvez ela seja a mais valiosa de todas.

Quem aprende rapidamente adapta-se.

Quem adapta-se permanece relevante.

Quem permanece relevante continua criando valor.

É exatamente isso que diferencia profissionais veteranos que continuam ativos daqueles que ficaram presos ao passado.


O Conhecimento Está Deixando de Ser Escasso

Durante décadas, possuir conhecimento técnico era um enorme diferencial.

Hoje qualquer pessoa possui acesso imediato a:

documentação;

vídeos;

artigos;

cursos;

laboratórios;

assistentes de IA.

O conhecimento bruto tornou-se abundante.

Então...

O que passa a diferenciar um profissional?

Capacidade de interpretar.

Relacionar.

Questionar.

Validar.

Aplicar.

Criar.

Conhecimento deixou de ser acumulação.

Passou a ser integração.


A Inteligência Artificial Não Elimina a Engenharia

Existe um medo recorrente.

A IA substituirá programadores?

Talvez substitua algumas tarefas repetitivas.

Assim como compiladores substituíram programação em linguagem de máquina.

Assim como bancos de dados reduziram a necessidade de manipular arquivos manualmente.

Assim como frameworks simplificaram inúmeras atividades.

Mas engenharia continua existindo.

Porque alguém ainda precisa decidir:

o problema;

a arquitetura;

os riscos;

a integração;

a segurança;

a governança;

a manutenção;

a evolução.

Ferramentas mudam.

Responsabilidade permanece.


O Valor Está Migrando para o Pensamento Sistêmico

Quanto mais sofisticadas tornam-se as ferramentas, mais importante passa a ser enxergar sistemas completos.

Não basta conhecer uma linguagem.

É preciso compreender:

negócio;

infraestrutura;

dados;

segurança;

custos;

experiência do usuário;

operações;

governança.

É exatamente essa visão sistêmica que sempre caracterizou profissionais de ambientes corporativos.

Talvez por isso tantas empresas estejam novamente valorizando arquitetos de soluções.


O Mainframe Nunca Foi Apenas uma Máquina

Existe uma ideia que atravessa todo este livro.

Mainframe não representa apenas um computador.

Representa uma filosofia.

Planejamento.

Disciplina.

Resiliência.

Disponibilidade.

Integridade.

Responsabilidade.

Esses princípios podem ser aplicados em qualquer tecnologia.

Inclusive na Inteligência Artificial.

Talvez principalmente nela.


O Mundo Caminha para Ecossistemas

Outra transformação importante.

As empresas deixaram de funcionar isoladamente.

Hoje praticamente tudo conversa com tudo.

APIs.

Microsserviços.

Eventos.

Cloud.

Mainframe.

Aplicativos móveis.

IoT.

IA.

Blockchain.

Parceiros.

Fornecedores.

Clientes.

Estamos construindo enormes ecossistemas digitais.

Nesse ambiente, integração torna-se mais importante do que especialização extrema.


O Profissional Híbrido

Nos próximos vinte anos veremos crescer um perfil bastante diferente.

O profissional híbrido.

Alguém capaz de conversar com diversas áreas.

Negócio.

Tecnologia.

Dados.

Segurança.

IA.

Cloud.

Mainframe.

UX.

Gestão.

Ele não precisa ser o maior especialista em tudo.

Mas precisa compreender como todas essas peças se conectam.

Essa visão será extremamente valorizada.


A Próxima Bolha Também Virá

Existe algo praticamente inevitável.

Haverá outra bolha.

Não sabemos quando.

Nem qual tecnologia será protagonista.

Pode ser computação quântica.

Biotecnologia.

Robótica.

Interfaces cérebro-computador.

Energia.

Computação espacial.

Ou algo que ainda nem imaginamos.

Mas uma nova onda de entusiasmo provavelmente surgirá.

E quando isso acontecer...

As lições da bolha da Internet continuarão extremamente atuais.


Os Fundamentos Permanecerão

Independentemente da tecnologia dominante em 2046, algumas perguntas continuarão existindo.

Resolve um problema real?

Existe modelo econômico sustentável?

Os dados são confiáveis?

A arquitetura suporta crescimento?

A segurança foi planejada?

Há governança?

Existe continuidade operacional?

O cliente realmente precisa disso?

Essas perguntas atravessam gerações.


A Maior Mudança Não Será Tecnológica

Talvez a transformação mais profunda dos próximos vinte anos não seja produzida pelos computadores.

Mas pelas pessoas.

Aprenderemos a trabalhar ao lado da Inteligência Artificial.

Da mesma forma que aprendemos a trabalhar com computadores.

Depois com a Internet.

Depois com smartphones.

A tecnologia altera ferramentas.

Mas também altera cultura.

E cultura costuma ser muito mais difícil de transformar do que software.


O Legado da Bolha da Internet

Depois de analisar vinte anos de história percebemos algo extraordinário.

A bolha da Internet não foi apenas um desastre financeiro.

Foi um gigantesco laboratório.

Ela ensinou investidores.

Empreendedores.

Governos.

Universidades.

Engenheiros.

Arquitetos.

Programadores.

Executivos.

Consumidores.

Poucos acontecimentos produziram tantas lições em tão pouco tempo.

Talvez por isso continue sendo estudada até hoje.


A Jornada do Padawan Nunca Termina

Existe um detalhe fascinante sobre a filosofia Jedi.

Um Jedi nunca considera seu aprendizado concluído.

Sempre existe algo novo para estudar.

Uma nova missão.

Uma nova civilização.

Uma nova tecnologia.

No universo da computação acontece exatamente o mesmo.

Quem acredita já saber tudo começa a ficar ultrapassado no mesmo instante.

Quem permanece curioso continua evoluindo.


Uma Última Conversa no CPD

Imagine um antigo Centro de Processamento de Dados.

O relógio marca duas horas da manhã.

As luzes do salão refletem nos gabinetes metálicos do mainframe.

O som constante dos sistemas de refrigeração lembra que milhares de transações continuam sendo processadas enquanto a maior parte da cidade dorme.

Um jovem Programador COBOL Padawan observa fascinado aquele ambiente.

Ao seu lado está um veterano com décadas de experiência.

O rapaz pergunta:

— Depois de tudo o que aconteceu... da bolha da Internet, da computação em nuvem, dos smartphones, da Inteligência Artificial... qual foi a maior mudança que o senhor viu?

O veterano permanece alguns segundos em silêncio.

Olha para os painéis luminosos do sistema.

Sorri.

E responde:

Nenhuma dessas tecnologias mudou aquilo que realmente importa.

O jovem parece confuso.

O veterano continua.

— As linguagens mudam.

Os computadores mudam.

As empresas mudam.

Os frameworks mudam.

Os nomes da moda mudam.

Mas sempre continuaremos precisando construir sistemas confiáveis para resolver problemas reais de pessoas reais.

É isso que fazemos desde os primeiros computadores.

É isso que continuaremos fazendo daqui a cinquenta anos.


Lições Finais para o Padawan COBOL

Se você chegou até aqui, talvez tenha percebido que este livro nunca foi apenas sobre a bolha da Internet.

Foi sobre algo muito maior.

Foi sobre como a humanidade reage diante da inovação.

Foi sobre entusiasmo.

Ganância.

Medo.

Aprendizado.

Resiliência.

Engenharia.

E evolução.

No universo da Frota Estelar existe uma tradição entre os oficiais mais experientes.

Quando um novo cadete recebe seu primeiro uniforme, alguém sempre lhe diz:

"Aprenda todas as tecnologias que puder. Mas nunca permita que elas substituam seu julgamento."

Essa frase resume perfeitamente a história da computação.

A bolha das Dot-Com passou.

A Internet permaneceu.

A Inteligência Artificial transformará o mundo.

Mas também passará por seu processo de amadurecimento.

E quando a próxima grande revolução chegar, os profissionais que permanecerão relevantes não serão necessariamente aqueles que conhecem a ferramenta mais recente.

Serão aqueles que compreenderem os princípios que atravessam todas as gerações da tecnologia.

Porque, no fim das contas, os computadores evoluem... mas a boa engenharia é atemporal.


sábado, 9 de janeiro de 2021

DotCom : Capítulo XIII — A Nova Corrida do Ouro: A Inteligência Artificial Está Repetindo a Bolha da Internet?

 

Bellacosa Mainframe e o estouro da bolha dotcom capitulo xiii

Capítulo XIII — A Nova Corrida do Ouro: A Inteligência Artificial Está Repetindo a Bolha da Internet?

Como separar o verdadeiro nascimento de uma revolução tecnológica da inevitável onda de exageros, promessas e especulação que sempre acompanha grandes transformações

"A história nunca se repete exatamente. Mas costuma rimar de maneira impressionante." — Frase frequentemente atribuída a Mark Twain

Chegamos ao ponto em que passado e presente finalmente se encontram.

Durante toda esta jornada analisamos como a bolha das Dot-Com nasceu.

Como cresceu.

Como explodiu.

Como destruiu empresas.

Como transformou carreiras.

Como mudou definitivamente a engenharia de software.

Agora surge a pergunta inevitável.

Estamos vivendo outra bolha?

A resposta não é simples.

Nem deveria ser.

Porque quando falamos em Inteligência Artificial estamos diante de um fenômeno muito mais complexo do que simplesmente comparar gráficos de bolsas de valores.

Existe tecnologia real.

Existe inovação verdadeira.

Existe transformação econômica.

Mas também existe entusiasmo exagerado.

Existe marketing.

Existe FOMO.

Existe especulação.

E, principalmente...

Existe um comportamento humano que já vimos diversas vezes ao longo da história.

Para entender o presente, precisamos primeiro aprender a separar tecnologia de narrativa.


A IA Não É Apenas Mais uma Moda

Existe um erro que alguns analistas cometem.

Comparar a Inteligência Artificial com modismos passageiros.

Não é.

Assim como a Internet não foi apenas uma moda.

A IA representa uma mudança estrutural.

Ela altera a maneira como produzimos conhecimento.

Como escrevemos software.

Como pesquisamos.

Como atendemos clientes.

Como fazemos diagnósticos.

Como descobrimos medicamentos.

Como automatizamos processos.

Como ensinamos.

Como aprendemos.

Seu impacto provavelmente será comparável ao surgimento da eletricidade, da Internet ou do computador pessoal.

O problema não está na tecnologia.

O problema está nas expectativas.


A Primeira Semelhança: Todo Mundo Quer Estar Dentro

Voltemos para 1999.

Empresas adicionavam ".com" ao nome.

Suas ações valorizavam imediatamente.

Pouco importava se possuíam um modelo de negócios consistente.

Bastava parecer parte da revolução.

Agora observe o cenário atual.

Empresas anunciam:

"Utilizamos Inteligência Artificial."

"Nossos produtos possuem IA."

"Somos AI First."

Muitas vezes isso representa inovação genuína.

Em outras...

É apenas marketing.

Existe até um termo para isso.

AI Washing.

Assim como existiu o "Dot-Com Washing" vinte e cinco anos atrás.


O Capital Está Fluindo Novamente

Outro paralelo impressionante.

Nunca se investiu tanto dinheiro em IA.

Grandes empresas anunciam investimentos bilionários.

Startups captam recursos recordes.

Novos fundos surgem constantemente.

Infraestruturas gigantescas estão sendo construídas.

Data centers.

GPUs.

TPUs.

NPUs.

Redes ópticas.

Usinas de energia dedicadas.

Cabos submarinos.

Tudo isso lembra bastante a corrida pela infraestrutura da Internet durante os anos 1990.

Existe uma diferença importante, porém.

Hoje sabemos que infraestrutura demora anos para mostrar todo seu valor.

Essa lição veio justamente das Dot-Com.


A Escassez Mudou de Lugar

Na bolha da Internet, o recurso mais disputado era largura de banda.

Servidores.

Programadores Web.

Hoje...

O recurso escasso é diferente.

GPUs.

Energia elétrica.

Dados de qualidade.

Especialistas em IA.

Pesquisadores.

Engenheiros de Machine Learning.

Especialistas em MLOps.

Especialistas em Governança.

Arquitetos de infraestrutura.

Toda revolução tecnológica cria novos gargalos.

A IA não é diferente.


A Corrida Pelos Talentos

Durante os anos da bolha, empresas disputavam programadores Java, administradores Unix e especialistas em redes.

Hoje ocorre algo semelhante.

Pesquisadores recebem ofertas milionárias.

Engenheiros especializados tornam-se extremamente disputados.

Universidades ampliam cursos.

Empresas criam academias internas.

Governos começam a investir em formação.

O mercado percebeu que tecnologia não se constrói apenas com dinheiro.

Ela depende principalmente de pessoas.


O Marketing Está Novamente Acelerado

Outro elemento familiar.

Promessas grandiosas.

Mudanças revolucionárias.

Apresentações impressionantes.

Demonstrações cuidadosamente preparadas.

Não há nada de errado nisso.

Toda inovação precisa ser apresentada.

O problema surge quando demonstrações começam a ser confundidas com produtos prontos.

Essa diferença tornou-se famosa recentemente.

Uma demonstração impressionante não significa que existe um sistema escalável por trás dela.

Foi exatamente esse erro que destruiu inúmeras Dot-Com.


O Dinheiro Está Mais Inteligente

Existe, entretanto, uma diferença importante entre 1999 e hoje.

Os investidores atuais carregam a memória da bolha.

Eles ainda financiam inovação.

Mas fazem perguntas muito mais difíceis.

Quanto custa cada inferência?

Qual é o consumo energético?

Existe vantagem competitiva sustentável?

Como será monetizado?

Qual o custo operacional?

Como proteger propriedade intelectual?

Como evitar vazamento de dados?

Essas perguntas dificilmente apareciam durante a primeira corrida da Internet.


O Cliente Também Mudou

Os consumidores atuais são muito mais exigentes.

Não basta impressionar.

É preciso funcionar.

Se um chatbot responde incorretamente.

O usuário abandona.

Se um agente de IA demora demais.

O cliente procura outro.

Se um sistema alucina frequentemente.

A confiança desaparece.

Na era da IA, qualidade tornou-se tão importante quanto inovação.


O Maior Desafio Não É Tecnológico

Curiosamente...

Os principais obstáculos da Inteligência Artificial talvez nem sejam técnicos.

São organizacionais.

Governança.

Segurança.

Privacidade.

Aspectos legais.

Direitos autorais.

Viés algorítmico.

Explicabilidade.

Auditoria.

Conformidade regulatória.

Integração com sistemas existentes.

Exatamente como aconteceu após a bolha da Internet.

Quando a tecnologia amadurece...

Os desafios passam a ser empresariais.


O Mainframe Volta ao Centro do Palco

Existe uma ironia fascinante.

Quanto mais avançamos na IA...

Mais importantes tornam-se os sistemas corporativos.

Por quê?

Porque eles armazenam os dados.

Os modelos aprendem com informações.

E onde estão as informações mais valiosas?

Nos bancos.

Nas seguradoras.

Nos governos.

Nas indústrias.

Nos sistemas ERP.

Nos programas COBOL.

Nos bancos de dados Db2.

Nos arquivos VSAM.

Nos sistemas IMS.

A IA não substitui esses ambientes.

Ela amplia seu valor.


Os Custos Começam a Aparecer

Outro paralelo extremamente interessante.

Durante a bolha da Internet, muitas empresas ignoravam custos.

Hoje acontece algo semelhante em alguns projetos de IA.

Treinar modelos gigantescos custa milhões.

Executar inferências continuamente também.

Consumir energia.

Armazenar dados.

Manter infraestrutura.

Tudo possui custo.

Mais cedo ou mais tarde, toda empresa precisa responder à mesma pergunta.

Quem paga essa conta?

Foi exatamente essa pergunta que separou sobreviventes e desaparecidos das Dot-Com.

Provavelmente acontecerá novamente.


Os Vencedores Talvez Ainda Nem Tenham Nascido

Essa talvez seja a reflexão mais fascinante.

Em 1997 ninguém imaginava que Google dominaria buscas.

Em 1998 poucos acreditavam na Amazon.

Em 2003 quase ninguém conhecia Facebook.

Em 2005 o YouTube era apenas uma startup.

Em 2006 a AWS ainda parecia um experimento.

Talvez os maiores vencedores da revolução da Inteligência Artificial ainda nem existam.

Ou talvez estejam neste momento funcionando em uma pequena sala de pesquisa.

Exatamente como aconteceu há vinte e cinco anos.


O Que Realmente Aprendemos

A maior lição da bolha da Internet nunca foi:

"Não invista em tecnologia."

Foi exatamente o contrário.

Invista.

Mas compreenda profundamente aquilo em que está investindo.

Separe inovação de propaganda.

Separe engenharia de marketing.

Separe crescimento de sustentabilidade.

Essa diferença vale para empresas.

Vale para investidores.

Vale para profissionais.

Vale para governos.


O Padawan COBOL Possui Uma Vantagem Inesperada

Muitos acreditam que profissionais experientes em sistemas legados possuem dificuldade para compreender novas tecnologias.

A realidade frequentemente mostra o oposto.

Quem passou anos desenvolvendo sistemas críticos aprende algo extremamente valioso.

Pensar em confiabilidade.

Pensar em disponibilidade.

Pensar em integridade.

Pensar em continuidade.

Esses princípios tornam-se ainda mais importantes na era da Inteligência Artificial.

Talvez o maior diferencial do Programador COBOL Padawan não seja conhecer uma linguagem antiga.

Seja compreender fundamentos que continuam absolutamente modernos.


A Última Grande Comparação

A corrida pela Inteligência Artificial lembra muito a corrida da Internet.

Mas existe uma diferença decisiva.

Na década de 1990 estávamos aprendendo pela primeira vez.

Hoje carregamos décadas de experiência.

Conhecemos bolhas anteriores.

Conhecemos erros anteriores.

Conhecemos armadilhas anteriores.

Isso não impede novas crises.

Mas aumenta significativamente nossa capacidade de enfrentá-las.

É como um capitão da Frota Estelar que já atravessou diversas tempestades espaciais.

Ele continua respeitando cada nova missão.

Mas já sabe interpretar sinais que um cadete ainda não percebe.


Lições para o Padawan COBOL

Imagine que você acaba de ser designado para servir na USS Enterprise durante o lançamento de uma tecnologia revolucionária de propulsão quântica.

Todos estão entusiasmados.

Os jornais afirmam que as antigas naves se tornarão obsoletas.

Empresas investem fortunas.

Novos fabricantes aparecem diariamente.

Alguns prometem viagens instantâneas entre galáxias.

Outros garantem velocidade infinita.

Um engenheiro veterano, porém, observa tudo com serenidade.

Ele não rejeita a nova tecnologia.

Pelo contrário.

Estuda cuidadosamente seus benefícios.

Mas também pergunta:

Ela é confiável?

É segura?

Pode ser mantida durante décadas?

Quanto consome de energia?

Como reage em caso de falha?

Essas perguntas não diminuem a inovação.

Elas tornam a inovação sustentável.

É exatamente esse o papel do Programador COBOL Padawan no século XXI.

Abraçar a Inteligência Artificial.

Aprender continuamente.

Experimentar.

Construir.

Mas nunca abandonar os fundamentos que mantêm sistemas críticos funcionando há mais de meio século.

No próximo e último capítulo desta jornada, faremos uma reflexão sobre o futuro dos próximos vinte anos, explorando quais tecnologias provavelmente sobreviverão, quais desaparecerão e quais competências transformarão os profissionais de tecnologia na próxima geração. Afinal, a história da bolha da Internet não termina em 2000 — ela continua sendo escrita todos os dias, inclusive por nós.


sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

DotCom: Capítulo XII — O Encontro de Dois Universos: Como as Startups Acabaram Descobrindo Tudo Aquilo que o Mainframe Já Sabia

 

Bellacosa Mainframe e o estouro da bolha dotcom capitulo xii 

Capítulo XII — O Encontro de Dois Universos: Como as Startups Acabaram Descobrindo Tudo Aquilo que o Mainframe Já Sabia

Por que, vinte anos depois da bolha da Internet, a computação moderna passou a redescobrir conceitos que os grandes sistemas corporativos utilizam desde as décadas de 1960 e 1970

"Às vezes, inovar significa caminhar durante vinte anos para finalmente reencontrar uma ideia que já existia."

Existe uma cena curiosa que poderia perfeitamente acontecer em uma convenção de tecnologia.

De um lado, um jovem desenvolvedor de startup.

Fala sobre microsserviços.

Containers.

Observabilidade.

Alta disponibilidade.

Escalabilidade horizontal.

Zero downtime.

Automação.

Do outro lado...

Um veterano de mainframe, com quarenta anos de experiência em COBOL e z/OS.

Ele escuta atentamente.

Sorri discretamente.

E pensa:

"Interessante... estamos fazendo algo parecido desde antes de você nascer."

Não é arrogância.

Nem saudosismo.

É apenas uma constatação histórica.

Ao longo das últimas duas décadas, boa parte da indústria de software percorreu um caminho que acabou redescobrindo muitos dos princípios que sempre estiveram presentes no universo dos grandes sistemas corporativos.

Não porque o mainframe fosse perfeito.

Mas porque problemas complexos frequentemente levam às mesmas soluções.


O Mundo das Startups Cresceu

Nos anos 1990, muitas startups possuíam apenas alguns servidores.

Poucos usuários.

Bases de dados relativamente pequenas.

Falhas ocasionais eram aceitáveis.

Se um site saísse do ar durante algumas horas...

Não era agradável.

Mas também não era o fim do mundo.

Hoje a realidade é completamente diferente.

Milhões de pessoas dependem continuamente de serviços digitais.

Bancos.

Hospitais.

Transporte.

Energia.

Comércio.

Educação.

Comunicação.

Quando esses sistemas falham...

O impacto é imediato.

A consequência?

As startups passaram a enfrentar exatamente os mesmos desafios que bancos enfrentavam há décadas.


Disponibilidade Deixou de Ser Luxo

Existe uma frase clássica na computação corporativa.

"O sistema deve estar disponível quando o cliente precisar. Não quando for conveniente para a equipe técnica."

Durante muitos anos essa preocupação parecia exclusiva dos grandes bancos.

Hoje...

Ela vale para praticamente qualquer plataforma digital.

Imagine:

Pix indisponível.

Uber fora do ar.

WhatsApp inacessível.

Amazon parada.

Netflix indisponível durante uma estreia.

A tolerância dos usuários tornou-se extremamente pequena.

O conceito de 24x7x365, tão comum no universo IBM Z, passou a fazer parte da realidade de praticamente toda empresa digital.


Escalabilidade: O Mesmo Problema, Novas Ferramentas

Outro conceito redescoberto foi a escalabilidade.

Nos anos 1970 um banco precisava processar milhões de transações.

Hoje uma rede social também.

Mudou o tipo de aplicação.

Não mudou o desafio.

Como atender milhões de usuários simultaneamente?

Como evitar gargalos?

Como distribuir carga?

Como manter consistência?

As respostas modernas utilizam containers, Kubernetes e computação em nuvem.

Os grandes sistemas utilizavam LPARs, Parallel Sysplex, Workload Manager (WLM), filas de processamento e balanceamento inteligente muito antes disso.

As tecnologias mudaram.

O problema permaneceu exatamente o mesmo.


A Redescoberta da Resiliência

Durante os primeiros anos da Web, muitas empresas aceitavam falhas frequentes.

Era quase esperado.

"Vamos reiniciar o servidor."

"Depois volta."

Hoje isso é impensável em diversos setores.

A computação moderna passou a investir fortemente em:

redundância;

replicação;

failover;

recuperação automática;

balanceamento de carga;

distribuição geográfica.

Curiosamente...

Esses conceitos sempre fizeram parte da cultura dos sistemas críticos.

O vocabulário mudou.

A filosofia permaneceu.


Observabilidade: Um Nome Novo para uma Necessidade Antiga

Hoje fala-se muito sobre observabilidade.

Logs.

Métricas.

Tracing distribuído.

Dashboards.

Alertas inteligentes.

OpenTelemetry.

Grafana.

Prometheus.

Tudo isso representa enorme evolução tecnológica.

Mas o princípio é antigo.

Um ambiente de produção precisa ser observado continuamente.

Administradores de mainframe fazem isso há décadas utilizando:

SMF.

RMF.

OMEGAMON.

NetView.

Tivoli.

Relatórios estatísticos.

Planejamento de capacidade.

Mais uma vez...

Mudaram as ferramentas.

Não mudou a necessidade.


DevOps e a Cultura Operacional

Durante muito tempo acreditou-se que DevOps representava algo totalmente novo.

Na realidade...

Ele trouxe enorme inovação.

Mas também recuperou práticas tradicionais.

Automação.

Controle de mudanças.

Padronização.

Gestão de configuração.

Monitoramento.

Integração entre desenvolvimento e operações.

Em ambientes IBM Z esses conceitos sempre estiveram profundamente presentes.

A diferença é que agora eles passaram a ser aplicados também ao restante da indústria.


Segurança Nunca Foi um Acessório

Durante os anos 1990 era relativamente comum adicionar segurança apenas no final dos projetos.

Hoje isso seria considerado extremamente perigoso.

Surgiu então o conceito de Security by Design.

Projetar segurança desde o início.

Curiosamente...

Mainframes sempre seguiram essa filosofia.

RACF.

SAF.

ACEE.

Controle de acesso.

Auditoria.

Segregação de funções.

Privilégios mínimos.

Proteção de datasets.

Tudo isso fazia parte da arquitetura.

Não era um complemento.

Era a fundação.

Hoje chamamos essa abordagem de Zero Trust em muitos ambientes distribuídos.

O princípio continua surpreendentemente parecido.


APIs Aproximaram Dois Mundos

Durante muitos anos existiu um mito.

Mainframes eram fechados.

A Internet era aberta.

Essa visão tornou-se rapidamente ultrapassada.

Hoje encontramos:

REST.

SOAP.

GraphQL.

gRPC.

MQ.

Kafka.

Eventos.

Web Services.

z/OS Connect.

IMS Connect.

CICS Web Services.

Os sistemas corporativos passaram a conversar naturalmente com aplicações modernas.

A fronteira praticamente desapareceu.

Hoje um aplicativo instalado em um smartphone frequentemente consulta informações processadas por programas COBOL executando em um IBM Z.

O usuário sequer percebe.

E talvez esse seja o maior elogio possível para uma arquitetura.

Ela funciona de forma transparente.


Cloud e Mainframe Deixaram de Ser Rivais

Outro mito importante desapareceu.

Durante anos criou-se a falsa ideia de que nuvem substituiria completamente os mainframes.

A realidade mostrou algo muito mais interessante.

Eles passaram a trabalhar juntos.

Hoje encontramos arquiteturas híbridas onde:

IBM Z processa transações críticas.

Cloud executa aplicações escaláveis.

Containers hospedam microsserviços.

APIs integram tudo.

A Inteligência Artificial analisa informações produzidas pelos sistemas corporativos.

Não existe competição.

Existe complementaridade.

Cada ambiente faz aquilo em que é melhor.


A Inteligência Artificial Reforçou Essa Aproximação

A chegada da IA acelerou ainda mais essa convergência.

Modelos precisam de dados.

Os dados mais importantes das empresas continuam armazenados em sistemas corporativos.

Bancos.

Seguradoras.

Hospitais.

Indústrias.

Governos.

Grande parte dessas informações permanece em plataformas tradicionais.

Assim, a IA não substitui o mainframe.

Ela depende dele.

É uma mudança de perspectiva extremamente importante.


O Que as Startups Ensinaram ao Mainframe

Essa história também possui o movimento inverso.

Não foram apenas as startups que aprenderam com os sistemas corporativos.

O universo mainframe também absorveu diversas ideias vindas da cultura startup.

Interfaces mais amigáveis.

Experiência do usuário.

Entrega contínua.

Git.

DevOps.

Open Source.

Containers.

Kubernetes.

APIs.

Automação.

Cloud híbrida.

Ferramentas modernas de desenvolvimento.

Hoje um desenvolvedor COBOL pode trabalhar utilizando Visual Studio Code, GitHub, pipelines CI/CD, testes automatizados e inteligência artificial para auxílio na programação.

O encontro aconteceu dos dois lados.


A Grande Convergência

Talvez este seja um dos acontecimentos mais importantes da computação nas últimas décadas.

Os dois mundos deixaram de competir.

Começaram a convergir.

Startups aprenderam robustez.

Mainframes incorporaram agilidade.

Cloud trouxe elasticidade.

IBM Z trouxe confiabilidade.

Open Source acelerou inovação.

Enterprise Computing trouxe governança.

Inteligência Artificial conectou todos esses elementos.

O resultado é um ecossistema muito mais rico do que qualquer um desses mundos isoladamente.


O Padawan COBOL Vive um Momento Único

Talvez nenhum momento da história tenha sido tão interessante para um novo profissional de tecnologia.

Hoje é possível estudar:

COBOL.

Python.

Java.

REST.

Docker.

OpenShift.

Git.

Ansible.

Cloud.

Kubernetes.

Machine Learning.

IA Generativa.

Tudo isso sem abandonar os fundamentos construídos ao longo de décadas.

Na verdade...

Quem compreende fundamentos aprende novas tecnologias muito mais rapidamente.


O Futuro Não Escolheu um Lado

Durante muitos anos parecia existir uma guerra.

Mainframe versus servidores.

COBOL versus Java.

Cloud versus IBM Z.

Legacy versus moderno.

Hoje percebemos que essas disputas eram artificiais.

Os sistemas mais sofisticados do mundo utilizam praticamente todas essas tecnologias ao mesmo tempo.

Cada uma resolve um tipo diferente de problema.

A verdadeira maturidade tecnológica consiste justamente em escolher a ferramenta adequada para cada situação.


Lições para o Padawan COBOL

Quando um jovem oficial entra pela primeira vez na sala de engenharia da USS Enterprise, costuma ficar impressionado com os motores de dobra, os painéis holográficos e a tecnologia futurista.

Mas o engenheiro-chefe sabe de um segredo.

Nenhuma nave permanece em operação durante décadas apenas porque possui equipamentos modernos.

Ela continua voando porque respeita princípios fundamentais de engenharia.

Redundância.

Monitoramento.

Segurança.

Planejamento.

Disciplina.

Melhoria contínua.

Foi exatamente isso que aconteceu com a computação.

As startups trouxeram velocidade.

O mainframe trouxe estabilidade.

A nuvem trouxe elasticidade.

A Inteligência Artificial trouxe uma nova forma de interação.

Nenhuma dessas revoluções anulou a anterior.

Cada uma acrescentou uma nova camada ao edifício da tecnologia.

Talvez essa seja a maior lição de toda esta jornada.

O futuro raramente destrói completamente o passado.

Na maioria das vezes...

Ele é construído sobre ele.

No próximo capítulo faremos uma última grande conexão com o presente, analisando por que a corrida da Inteligência Artificial lembra tanto os anos que antecederam a bolha das Dot-Com, quais sinais devemos observar, o que realmente mudou em vinte anos e como um profissional de tecnologia pode se preparar para aproveitar essa nova revolução sem repetir os erros do passado.