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sexta-feira, 13 de junho de 2025

☕💣 FUNÇÕES SEM SUBPROGRAMAS? O DIA EM QUE O COBOL APRENDEU A CRIAR SUAS PRÓPRIAS APIs — E QUASE NINGUÉM PERCEBEU

 

Bellacosa Mainframe apresenta as funçoes criadas em cobol modo api on

☕💣 FUNÇÕES SEM SUBPROGRAMAS? O DIA EM QUE O COBOL APRENDEU A CRIAR SUAS PRÓPRIAS APIs — E QUASE NINGUÉM PERCEBEU

Existe um momento na carreira de todo profissional de Mainframe em que ele descobre algo e pensa:

"Como ninguém me contou isso antes?"

Foi exatamente essa sensação que muitos desenvolvedores tiveram quando conheceram as User Defined Functions (UDFs) introduzidas nas versões modernas do COBOL Enterprise da IBM.

Durante décadas, quando precisávamos reutilizar lógica em COBOL, a solução era sempre a mesma:

  • CALL de subprograma

  • COPYBOOK

  • Macro

  • Módulos compartilhados

Funcionava.

Ainda funciona.

Mas o COBOL evoluiu.

E hoje o programador pode criar suas próprias funções, utilizá-las dentro de expressões e fazer chamadas tão elegantes quanto as funções nativas do compilador.

Sim.

Da mesma forma que você usa:

FUNCTION CURRENT-DATE

ou

FUNCTION UPPER-CASE(...)

você pode criar:

FUNCTION CALCULA-IR(...)

ou

FUNCTION VALIDA-CPF(...)

ou qualquer outra regra de negócio.

Para quem passou décadas trabalhando apenas com programas e subprogramas, isso parece quase magia.

Mas não é.

É apenas COBOL moderno.


Um Pouco de História

Nas versões clássicas do COBOL:

  • COBOL VS COBOL II

  • COBOL/370

  • COBOL for MVS

não existia conceito de função definida pelo usuário.

Tudo precisava ser feito através de:

CALL "ROTINA01"

O compilador não conhecia o conceito de retorno funcional.

Quando surgiram:

  • Enterprise COBOL V5

  • Enterprise COBOL V6

a IBM passou a suportar recursos alinhados ao padrão ISO COBOL moderno.

Entre eles:

User Defined Functions

ou simplesmente:

Funções Definidas pelo Usuário


O Que é Uma User Defined Function?

É um módulo COBOL especial que:

  • recebe parâmetros

  • processa dados

  • retorna um único valor

exatamente como uma função matemática.

Exemplo:

RESULTADO =
    FUNCTION DOBRO(VALOR)

Ao invés de:

CALL "DOBRO"

Quando Vale a Pena Utilizar?

Imagine uma regra utilizada em centenas de programas.

Por exemplo:

  • cálculo de imposto

  • cálculo de juros

  • validação de CPF

  • mascaramento de dados LGPD

  • formatação de código interno

Criar uma função centralizada reduz:

  • duplicação

  • manutenção

  • erros

e aumenta a legibilidade.


Estrutura de Uma Função COBOL

O segredo está na identificação.

Observe:

IDENTIFICATION DIVISION.

FUNCTION-ID. DOBRO.

Perceba:

Não usamos:

PROGRAM-ID

Usamos:

FUNCTION-ID

Isso transforma o módulo em uma função.


Exemplo Completo

Função DOBRO

       IDENTIFICATION DIVISION.
       FUNCTION-ID. DOBRO.

       DATA DIVISION.

       LINKAGE SECTION.

       01 LK-VALOR      PIC S9(9) COMP-5.

       01 RESULTADO     PIC S9(9) COMP-5.

       PROCEDURE DIVISION
            USING LK-VALOR
            RETURNING RESULTADO.

           COMPUTE RESULTADO =
                   LK-VALOR * 2

           GOBACK.

Simples.

Recebe:

LK-VALOR

Retorna:

RESULTADO

O RETURNING

A palavra-chave fundamental é:

RETURNING

Ela define o valor devolvido pela função.

Exemplo:

PROCEDURE DIVISION
    USING ENTRADA
    RETURNING SAIDA

Sem RETURNING não existe função.


Como Chamar a Função

Agora imagine um programa principal.

IDENTIFICATION DIVISION.
PROGRAM-ID. TESTE.

Working Storage

01 WS-NUMERO       PIC 9(4).
01 WS-RESULTADO    PIC 9(5).

Chamada

MOVE 10 TO WS-NUMERO

COMPUTE WS-RESULTADO =
        FUNCTION DOBRO(WS-NUMERO)

DISPLAY WS-RESULTADO

Resultado:

20

O Que o Compilador Faz?

Quando encontra:

FUNCTION DOBRO(...)

o compilador procura um módulo com:

FUNCTION-ID. DOBRO

e gera a ligação automaticamente.

É semelhante ao que acontece com:

FUNCTION CURRENT-DATE

Em Qual Biblioteca Deve Ser Gravado?

Aqui existe uma dúvida muito comum.

A função compilada gera um módulo objeto exatamente como qualquer outro programa COBOL.

Normalmente:

OBJETO

Vai para:

&&OBJ
SYSLIN

durante a compilação.


LOAD MODULE

Após o Link Edit:

LOADLIB

ou

STEPLIB

ou

USER.LOADLIB

dependendo dos padrões da empresa.

Exemplo:

PROD.COBOL.LOAD

ou

DEV.COBOL.LOAD

Que Tipo de Objeto é Criado?

Fisicamente o compilador gera:

Object Deck

OBJETO

e depois:

Program Object

ou

Load Module

dependendo da configuração do Binder.

Ou seja:

não existe um tipo especial de dataset para funções.

A função é armazenada como um módulo executável normal.

O diferencial está no:

FUNCTION-ID

Passo a Passo Completo

Passo 1

Criar o fonte.

Exemplo:

USER.COBOL(FDOBRO)

Passo 2

Codificar:

FUNCTION-ID. DOBRO.

Passo 3

Compilar.

Exemplo de JCL:

//COBOL EXEC IGYWCL

ou

//COB EXEC PROC=IGYWCLG

Dependendo do ambiente.


Passo 4

Gerar módulo em LOADLIB.

Exemplo:

USER.LOADLIB

Passo 5

Adicionar a LOADLIB na STEPLIB.

//STEPLIB DD DSN=USER.LOADLIB,

Passo 6

Compilar os programas consumidores.

O compilador localizará a função.


Funções Com Múltiplos Parâmetros

Exemplo:

FUNCTION-ID. SOMA2.

Linkage:

01 LK-N1 PIC S9(9).
01 LK-N2 PIC S9(9).

01 RETORNO PIC S9(9).

Procedure:

PROCEDURE DIVISION
    USING LK-N1 LK-N2
    RETURNING RETORNO.

    COMPUTE RETORNO =
        LK-N1 + LK-N2

    GOBACK.

Uso:

COMPUTE TOTAL =
        FUNCTION SOMA2(10,20)

Resultado:

30

Funções Podem Chamar Outras Funções

Sim.

Exemplo:

FUNCTION DOBRO(
    FUNCTION SOMA2(5,5))

Primeiro:

SOMA2 = 10

Depois:

DOBRO = 20

Muito parecido com linguagens modernas.


Funções Podem Ser Recursivas?

Sim.

Desde que o compilador permita:

RECURSIVE

e que a lógica esteja preparada.

Mas normalmente regras de negócio não exigem isso.


Diferença Entre CALL e FUNCTION

CALL

CALL "CALCULO"

Características:

  • múltiplos parâmetros

  • sem retorno obrigatório

  • paradigma tradicional


FUNCTION

FUNCTION CALCULO(...)

Características:

  • retorno explícito

  • pode participar de expressões

  • sintaxe mais elegante


Exemplo Real de Negócio

Imagine validar CPF.

Em vez de:

CALL "CPFVAL"

você pode escrever:

IF FUNCTION CPF-VALIDO(CPF)

Muito mais legível.

A regra passa a parecer uma instrução nativa da linguagem.


Opções de Compilação Recomendadas

Nas versões atuais do Enterprise COBOL V6.x é comum utilizar:

OPT(2)
ARCH(13)
RENT
LIST
MAP
XREF
SSRANGE

Em desenvolvimento:

SSRANGE

ajuda bastante na identificação de erros.

Em produção:

NOSSRANGE

para melhor desempenho.


Compatibilidade

As User Defined Functions fazem parte das versões modernas do COBOL Enterprise.

São suportadas nas famílias atuais:

  • Enterprise COBOL V5

  • Enterprise COBOL V6

  • z/OS modernos

Sempre confirme a versão instalada junto ao time de sistemas.


Ganho Arquitetural

O maior benefício não é técnico.

É arquitetural.

Você passa a criar uma verdadeira biblioteca corporativa de regras.

Imagine uma empresa com funções:

CALCULA-IR
CALCULA-IOF
VALIDA-CPF
VALIDA-CNPJ
FORMATA-CEP

Todas reutilizadas por centenas de programas.

O resultado é:

  • menos código duplicado

  • manutenção centralizada

  • maior padronização

  • menor risco operacional


A Grande Sacada

Durante quarenta anos aprendemos que reutilização em COBOL significava:

CALL

Mas o COBOL moderno adicionou uma camada muito mais elegante.

Hoje podemos construir verdadeiras APIs corporativas diretamente dentro da linguagem usando:

FUNCTION-ID

e consumi-las com:

FUNCTION nome-da-funcao(...)

Para o desenvolvedor que ainda programa como em 1995, isso parece um detalhe.

Para quem projeta sistemas corporativos gigantescos, isso é uma mudança de paradigma.

Porque, pela primeira vez, o COBOL permite encapsular regras de negócio reutilizáveis com a mesma simplicidade com que usamos CURRENT-DATE, UPPER-CASE ou LENGTH.

E é justamente aí que mora a ironia: milhares de profissionais continuam criando subprogramas para tudo, enquanto o compilador moderno já oferece uma forma muito mais elegante de transformar regras de negócio em funções reutilizáveis.

Em outras palavras, o COBOL não virou uma linguagem nova.

Mas aprendeu um truque que muitos veteranos ainda não descobriram. ☕💣🚀


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Entendendo Mainframe Datasets (PS, PDS e PDSE)

 

Bellacosa Mainframe e os datasets ps pds e pdse no z/os

Entendendo Mainframe Datasets (PS, PDS e PDSE)

Uma análise aprofundada para desenvolvedores COBOL Jr.

A imagem resume um dos conceitos mais importantes do ecossistema z/OS: datasets. Se você está iniciando em COBOL, JCL, DB2, CICS ou suporte Mainframe, compreender datasets não é apenas importante — é obrigatório.

Muitos iniciantes vêm do mundo Windows, Linux ou Cloud e tentam enxergar o Mainframe usando a lógica de diretórios, arquivos e pastas tradicionais. Esse é um dos primeiros erros.

No Mainframe, a unidade fundamental de armazenamento não é o arquivo ("file"), mas sim o dataset.


1. O que é um Dataset?

Um dataset é uma estrutura lógica utilizada para armazenar informações dentro do z/OS.

Ele pode conter:

  • Programas COBOL

  • Fontes Assembler

  • Membros JCL

  • Procedures

  • Relatórios

  • Arquivos de entrada

  • Arquivos de saída

  • Dados transacionais

  • Bibliotecas de Load Modules

Em ambientes distribuídos você pensa:

Windows/Linux

Diretório
 ├── arquivo1.txt
 ├── arquivo2.txt
 └── arquivo3.txt

No Mainframe:

Dataset

ou

Dataset
 ├── membro1
 ├── membro2
 └── membro3

Dependendo do tipo.


2. Por que o Mainframe usa Datasets?

Quando o OS/360 foi criado nos anos 60, não existia o conceito moderno de sistemas de arquivos hierárquicos como conhecemos hoje.

O Mainframe foi projetado para:

  • Processamento em lote (Batch)

  • Alta performance

  • Baixo overhead

  • Grandes volumes de dados

Por isso surgiu o conceito de datasets.

Até hoje ele continua porque funciona extremamente bem.


3. Os Três Tipos Fundamentais

A imagem apresenta:

PS

Physical Sequential

PDS

Partitioned Dataset

PDSE

Partitioned Dataset Extended

Esses três tipos aparecem diariamente em qualquer ambiente corporativo.


4. PS – Physical Sequential Dataset

Imagine uma folha de papel.

Você escreve:

Linha 1
Linha 2
Linha 3
Linha 4

Você lê exatamente nessa sequência.

Isso é um PS.


Estrutura

Registro 1
Registro 2
Registro 3
Registro 4
Registro 5

Sem divisões internas.

Sem membros.

Sem pastas.

É um único bloco de informação.


Analogia Bellacosa

Imagine um PDF.

Você abre.

Existe apenas um documento.

Não existe:

Capítulo como arquivo separado

Tudo está dentro dele.

PS é exatamente isso.


Exemplos reais

Arquivo de clientes:

CLIENTES.DIARIO

Arquivo de vendas:

VENDAS.MENSAL

Relatório batch:

RELATORIO.FINANCEIRO

Arquivo de entrada:

INPUT.ARQ001

5. Como um programa COBOL lê um PS?

Exemplo:

SELECT CLIENTES
ASSIGN TO CLIENTES.

FD:

FD CLIENTES.

01 REG-CLIENTE.
   05 ID-CLIENTE PIC 9(5).
   05 NOME       PIC X(30).

O COBOL irá:

Read registro 1
Read registro 2
Read registro 3
...
EOF

Sequencialmente.


6. Características do PS

Vantagens

Muito rápido.

Baixo overhead.

Excelente para batch.

Menos controle interno.


Desvantagens

Não possui membros.

Difícil organizar múltiplos objetos.

Pouca flexibilidade.


7. Onde um COBOL Jr vê PS?

Todos os dias.

Arquivos:

INPUT
OUTPUT
SORTWK
EXTRACT
REPORT

Normalmente são PS.

Exemplo JCL:

//INFILE DD DSN=USER.CLIENTES,
// DISP=SHR

Esse dataset costuma ser PS.


8. PDS – Partitioned Dataset

Agora imagine um armário de arquivos.


Estrutura:

Armário
 ├── Gaveta A
 ├── Gaveta B
 ├── Gaveta C

O armário é o dataset.

As gavetas são membros.


Estrutura real

USER.COBOL.SOURCE

Contendo:

PROG001
PROG002
PROG003
PROG004

Cada membro é um programa.


Analogia Bellacosa

Imagine uma pasta Windows:

COBOL
 ├── PROG001.CBL
 ├── PROG002.CBL
 └── PROG003.CBL

No Mainframe:

USER.COBOL.SOURCE

com membros:

PROG001
PROG002
PROG003

9. O Diretório do PDS

O segredo do PDS está no diretório.

Ele mantém a lista dos membros.

Exemplo:

PROG001
PROG002
PROG003
PROG004

Toda vez que você abre:

USER.COBOL.SOURCE

o sistema consulta esse diretório.


10. O Problema Histórico do PDS

Aqui aparece uma questão clássica de entrevista.

O PDS sofre com:

Directory Full

ou

Space Fragmentation


Imagine:

PROG001
PROG002
PROG003

Você apaga:

PROG002

O espaço não é totalmente reaproveitado.

Com o tempo:

Espaço livre espalhado

começa a existir dentro do dataset.


Consequências:

  • desperdício de espaço

  • lentidão

  • necessidade de manutenção


11. Compress do PDS

Por isso surgiu o famoso:

IEBCOPY COMPRESS

ou

3.1 Compress

no ISPF.


O processo reorganiza:

Membro 1
Membro 2
Membro 3

removendo os buracos.


Analogia:

Desfragmentação de disco.


12. Onde o PDS é usado?

Muito comum para:

JCL

USER.JCL

COBOL Sources

USER.COBOL

PROC Libraries

USER.PROCLIB

Copybooks

USER.COPYLIB

13. Como acessar um membro?

Sintaxe:

USER.COBOL(PROG001)

Dataset:

USER.COBOL

Membro:

PROG001

14. JCL utilizando membro

//SYSIN DD DSN=USER.JCL(MYJOB),
 // DISP=SHR

ou

EXEC PROC=PROC001

onde:

USER.PROCLIB(PROC001)

contém a procedure.


15. PDSE – A Evolução do PDS

IBM percebeu:

"PDS gera manutenção demais."

Resultado:

PDSE.

Partitioned Dataset Extended.


O que mudou?

Praticamente tudo internamente.

Externamente parece igual.


Você continua acessando:

USER.COBOL(PROG001)

Mas internamente o gerenciamento mudou completamente.


16. PDSE é um Sistema Inteligente

PDS:

Gerenciamento manual

PDSE:

Gerenciamento automático

Analogia Bellacosa:

PDS:

Arquivo de aço dos anos 80

PDSE:

Google Drive

17. Eliminação do Compress

Maior vantagem.

PDS:

Compress obrigatório

PDSE:

Compress não existe

O próprio sistema gerencia.


18. Espaço Dinâmico

PDS:

Diretório fixo

PDSE:

Diretório expansível

Isso resolve:

Directory Full

19. Melhor Performance

PDSE utiliza estruturas modernas.

Possui cache.

Melhor gerenciamento interno.

Menor contenção.


Em ambientes grandes:

Milhares de acessos simultâneos

a diferença é perceptível.


20. PDSE para Load Libraries

Muito importante.

Bibliotecas de programas compilados:

LOADLIB
STEPLIB
LINKLIB

normalmente são PDSE.


Exemplo:

USER.LOADLIB

Membros:

PROGA
PROGB
PROGC

Cada membro é um módulo executável.


21. Geração de Objetos COBOL

Fluxo clássico:

Source
 ↓
Compile
 ↓
Object
 ↓
Link Edit
 ↓
Load Module

Onde ficam?

Source:

PDS/PDSE

Objeto:

PDS/PDSE

Load:

PDSE

22. Fluxo Completo de Desenvolvimento COBOL

Imagine:

USER.COBOL

Membro:

PGMCLI01

Compilação:

IGYCRCTL

gera:

USER.OBJLIB

Depois:

USER.LOADLIB

Finalmente:

EXEC PGM=PGMCLI01

executa o módulo armazenado na LOADLIB.


23. O que um Dev COBOL Jr precisa decorar?

PS

Pergunta:

"Possui membros?"

Resposta:

Não

PDS

Pergunta:

"Precisa compress?"

Resposta:

Sim

PDSE

Pergunta:

"Precisa compress?"

Resposta:

Não

PDS

Pergunta:

"Directory fixo?"

Resposta:

Sim

PDSE

Pergunta:

"Directory expansível?"

Resposta:

Sim

24. Perguntas Clássicas de Entrevista

Qual a diferença entre PDS e PDSE?

Resposta curta:

PDS utiliza diretório fixo e requer compressão periódica. PDSE possui gerenciamento automático de espaço, diretório dinâmico e não necessita compressão.


O que é um membro?

Resposta:

Uma subdivisão lógica dentro de um PDS ou PDSE.


Um PS possui membros?

Resposta:

Não.


Como referenciar um membro?

Resposta:

DSN(MEMBER)

Exemplo:

USER.COBOL(PROG001)

Onde ficam os fontes COBOL?

Resposta:

Normalmente:

PDS ou PDSE

25. Visão Arquitetural que Poucos Iniciantes Entendem

A maioria dos juniores pensa:

PS = ruim
PDS = melhor
PDSE = moderno

Mas isso é simplificação excessiva.

A verdade é:

Cada um resolve um problema diferente.


PS

Especialista em:

Grande volume sequencial

PDS

Especialista em:

Organização de membros

PDSE

Especialista em:

Organização moderna de membros

Portanto:

PS ≠ PDS
PDS ≠ PDSE

Eles não competem diretamente.


26. Como enxergar isso como um profissional Mainframe

Visualize uma aplicação bancária:

Fontes COBOL
     ↓
USER.COBOL (PDSE)

Copybooks
     ↓
USER.COPYLIB (PDSE)

Objetos
     ↓
USER.OBJLIB (PDSE)

Executáveis
     ↓
USER.LOADLIB (PDSE)

Arquivo de clientes
     ↓
CLIENTE.MESTRE (PS)

Arquivo de transações
     ↓
TRANSACOES.DIA (PS)

Relatório
     ↓
RELATORIO.FINAL (PS)

Perceba a lógica:

  • Código → PDS/PDSE

  • Dados → PS

Essa separação é um dos pilares da arquitetura Mainframe.


Conclusão

A imagem apresenta apenas a superfície do assunto. Para um desenvolvedor COBOL Jr., o entendimento profundo é que datasets são a espinha dorsal do z/OS. Quase tudo que você fará no Mainframe envolverá abrir, criar, catalogar, alocar, ler, gravar, copiar, compactar ou referenciar datasets.

Guarde a regra mental mais importante:

PS   = Arquivo único (Single File)

PDS  = Biblioteca com membros (Folder)

PDSE = Biblioteca inteligente (Smart Folder)

E, no dia a dia profissional:

Dados de negócio     → PS
Fontes COBOL         → PDSE
Copybooks            → PDSE
JCLs                 → PDSE
PROCs                → PDSE
Load Modules         → PDSE

Quando você dominar datasets, começará a enxergar o Mainframe da forma correta: não como um "Linux antigo", mas como um sistema operacional projetado para processar bilhões de transações com confiabilidade, organização e desempenho que continuam sendo referência mundial décadas depois de sua criação.


sábado, 31 de dezembro de 2022

COBOL, QSAM e Db2 sem Mistérios: a Jornada do Arquivo Sequencial até o INSERT na Tabela

 

Bellacosa Mainframe executando cobol com db2 e qsam

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

COBOL, QSAM e Db2 sem Mistérios: a Jornada do Arquivo Sequencial até o INSERT na Tabela

Imagine a cena: madrugada no datacenter, luzes azuis refletindo nos corredores, o IBM Z trabalhando silenciosamente e, diante da tela 3270, um programador COBOL padawan observa um pequeno JCL.

À primeira vista, são poucas linhas:

//EXECDB2 EXEC PGM=IKJEFT01,DYNAMNBR=20
//STEPLIB DD DSN=DSN910.SDSNLOAD,DISP=SHR
//LISTCOPAC DD DSN=INFEF00.COPIA.MUNDO,DISP=SHR
//SYSTSPRT DD SYSOUT=*
//SYSOUT   DD SYSOUT=*
//SYSTSIN  DD *
  DSN SYSTEM(DB9G)
  RUN PROGRAM(COBDB501) PLAN(HERP0001) -
      LIB('ADCD.Z112.USERLOAD')
/*

Mas o verdadeiro mainframe nunca entrega todos os seus segredos de imediato.

Por trás dessas linhas existe uma cadeia completa de tecnologias:

JES2
  ↓
JCL
  ↓
IKJEFT01
  ↓
TSO Batch
  ↓
DSN Command Processor
  ↓
Db2 Attachment Facility
  ↓
PLAN
  ↓
PACKAGE
  ↓
Programa COBOL
  ↓
QSAM
  ↓
Arquivo sequencial
  ↓
INSERT no Db2
  ↓
COMMIT ou ROLLBACK

O JCL é pequeno, mas representa o último estágio de uma fábrica inteira de software. Antes de chegar a essa execução, alguém escreveu um programa COBOL, processou SQL pelo precompiler, compilou, linkeditou, gerou um load module, criou um DBRM, executou BIND PACKAGE, criou ou atualizou um PLAN e autorizou o usuário.

Vamos abrir cada porta desse templo tecnológico.


Bellacosa Mainframe executando um programa cobol db2 e qsam

1. Qual é a missão deste programa?

O próprio comentário do JCL entrega a missão:

//* PROGRAMA LE QSAM E INSERE TABELAS DB2

Em linguagem simples, o programa deverá:

  1. abrir um arquivo sequencial;

  2. ler cada registro;

  3. separar os campos;

  4. validar os dados;

  5. executar um INSERT em uma tabela Db2;

  6. tratar registros inválidos;

  7. realizar COMMIT;

  8. fechar o arquivo;

  9. retornar um código ao sistema operacional.

Um fluxo provável seria:

Abrir arquivo LISTCOPAC
        ↓
Ler primeiro registro
        ↓
Registro válido?
   ┌────┴────┐
   │         │
  Sim       Não
   │         │
INSERT      Registrar erro
   │         │
   └────┬────┘
        ↓
Atingiu intervalo de COMMIT?
        ↓
Executar COMMIT
        ↓
Ler próximo registro
        ↓
Fim do arquivo?
   ┌────┴────┐
   │         │
  Não       Sim
   │         │
Repetir     COMMIT final
             ↓
        Fechar arquivo
             ↓
           GOBACK

Esse tipo de programa é muito comum em sistemas corporativos.

Ele pode carregar:

  • clientes;

  • contas;

  • pagamentos;

  • movimentações;

  • produtos;

  • contratos;

  • dados de interfaces;

  • informações recebidas de outros sistemas;

  • arquivos produzidos por plataformas distribuídas.

É uma ponte entre o mundo dos arquivos batch e o mundo relacional do Db2.


2. O papel do JES

Antes que qualquer programa seja executado, o job precisa ser entregue ao JES.

JES significa Job Entry Subsystem.

Em muitos ambientes z/OS utiliza-se o JES2. Ele recebe o JCL, analisa as instruções, prepara os recursos, controla a execução e organiza as saídas no spool.

Quando o programador digita:

SUB

no ISPF Edit, não está executando o COBOL diretamente.

Na realidade, está entregando um pedido ao JES:

“JES, aceite este conjunto de instruções, valide o JCL, encontre os recursos e execute os steps na ordem indicada.”

O JES então:

  1. atribui um JOBID;

  2. lê o JCL;

  3. faz a conversão;

  4. verifica procedimentos;

  5. coloca o job na fila;

  6. seleciona uma initiator;

  7. executa os steps;

  8. recolhe as mensagens;

  9. grava os resultados no spool.

O nome mostrado na tela:

CATPGM1

é o nome do job.

O identificador:

JOB00056

é o JOBID atribuído pelo JES.

Esses dois nomes parecem semelhantes, mas representam coisas diferentes:

CATPGM1  = nome lógico fornecido no cartão JOB
JOB00056 = número atribuído pelo JES

3. A biblioteca JOBLIB

Na imagem existe:

//JOBLIB DD DSN=IBMUSER.CBL.LOADLIB,DISP=SHR

A JOBLIB define uma biblioteca de módulos executáveis para o job inteiro.

É como dizer:

“Ao procurar programas deste job, inclua esta biblioteca na busca.”

A biblioteca:

IBMUSER.CBL.LOADLIB

deve ser uma PDS ou PDSE contendo load modules ou program objects.

Um programa COBOL não é executado diretamente a partir do fonte:

IBMUSER.CBL.SOURCE(COBDB501)

O fonte precisa atravessar um processo:

Fonte COBOL
     ↓
Precompile Db2
     ↓
Compilação COBOL
     ↓
Object module
     ↓
Binder ou Link-edit
     ↓
Load module

O resultado final pode estar armazenado como:

IBMUSER.CBL.LOADLIB(COBDB501)

Um detalhe importante

No step da imagem também existe uma STEPLIB:

//STEPLIB DD DSN=DSN910.SDSNLOAD,DISP=SHR

Quando um step possui STEPLIB, ela normalmente substitui a JOBLIB para a busca de módulos naquele step.

Portanto, a existência de JOBLIB não significa que ela será usada pelo step EXECDB2.

Essa é uma daquelas curiosidades que derrubam muitos padawans.

O programador pensa:

“Meu programa está na JOBLIB, portanto será encontrado.”

Mas o sistema responde:

“Existe uma STEPLIB neste step. Minha busca seguirá outro caminho.”

No caso do JCL apresentado, o programa da aplicação é localizado por meio da cláusula:

LIB('ADCD.Z112.USERLOAD')

Isso evita que ele dependa da JOBLIB.


4. O step EXECDB2

//EXECDB2 EXEC PGM=IKJEFT01,DYNAMNBR=20

Essa linha cria um step chamado:

EXECDB2

O nome do step é escolhido pelo desenvolvedor.

Ele poderia ser:

//STEP01
//RUNCOB
//DB2RUN
//CARREGA

Um bom nome melhora a análise do spool.

Ao observar:

EXECDB2

já sabemos que aquele step provavelmente executará alguma coisa em um ambiente Db2.

A instrução:

EXEC PGM=IKJEFT01

determina o programa que o z/OS carregará inicialmente.

E aqui surge uma pergunta importante:

Por que o JCL não executa diretamente COBDB501?

Porque COBDB501 contém SQL estático e precisa executar conectado ao subsistema Db2. O IKJEFT01 cria o ambiente TSO batch, dentro do qual o command processor DSN estabelece essa conexão.

Assim, a sequência real é:

IKJEFT01
   ↓
Comando DSN
   ↓
DSN SYSTEM(DB9G)
   ↓
RUN PROGRAM(COBDB501)

5. O que é o IKJEFT01?

O IKJEFT01 é um programa do z/OS utilizado para executar comandos TSO em batch.

O TSO é normalmente associado ao trabalho interativo:

READY

O usuário digita comandos e recebe respostas.

Com IKJEFT01, não existe uma pessoa digitando os comandos. Eles são fornecidos por um dataset ou por dados instream no DD SYSTSIN.

Uma analogia Bellacosa:

  • TSO interativo é o Jedi no terminal;

  • IKJEFT01 é o droide que repete os comandos durante a madrugada;

  • SYSTSIN é o pergaminho com as ordens;

  • SYSTSPRT é o diário da missão.

O IKJEFT01 pode executar:

  • comandos TSO;

  • CLISTs;

  • execuções REXX;

  • comandos do Db2;

  • utilitários que dependem do ambiente TSO.


6. O parâmetro DYNAMNBR=20

DYNAMNBR=20

Esse parâmetro está relacionado ao número de alocações dinâmicas que o ambiente TSO pode utilizar.

Durante a execução, o IKJEFT01, o command processor DSN ou programas chamados podem precisar alocar datasets dinamicamente.

Exemplos:

  • bibliotecas;

  • arquivos temporários;

  • arquivos de controle;

  • mensagens;

  • datasets de trabalho.

O valor:

20

costuma ser suficiente para execuções simples.

Em ambientes maiores aparecem valores como:

DYNAMNBR=50

ou:

DYNAMNBR=100

Não significa que o sistema abrirá imediatamente 20 datasets. É uma capacidade reservada para o ambiente.

Um valor insuficiente pode provocar falhas de alocação em execuções mais complexas.


7. A STEPLIB do Db2

//STEPLIB DD DSN=DSN910.SDSNLOAD,DISP=SHR

A STEPLIB informa as bibliotecas usadas na procura dos programas daquele step.

A biblioteca:

DSN910.SDSNLOAD

contém módulos relacionados ao Db2.

Entre eles podem existir componentes necessários para:

  • iniciar o command processor DSN;

  • usar o TSO Attachment Facility;

  • conectar-se ao subsistema;

  • carregar rotinas internas;

  • interagir com os serviços Db2.

O nome DSN910 pode indicar uma instalação antiga, uma versão ou apenas uma convenção local.

Não devemos presumir que o nome da biblioteca representa exatamente a versão atual do Db2. Muitas instalações mantêm nomes históricos para evitar alterar centenas de JCLs.

Contudo, é essencial que essa biblioteca seja compatível com o subsistema usado.

O subsistema do exemplo é:

DB9G

Se a SDSNLOAD não for a correta, podem surgir:

  • mensagens de conexão;

  • módulo não encontrado;

  • falhas no attachment;

  • abends;

  • incompatibilidade de nível.


8. DISP=SHR

Tanto a JOBLIB quanto a STEPLIB e o arquivo de entrada utilizam:

DISP=SHR

O parâmetro DISP descreve o estado e o tratamento do dataset.

SHR significa que o dataset já existe e pode ser compartilhado.

Exemplo:

//STEPLIB DD DSN=DSN910.SDSNLOAD,DISP=SHR

Essa biblioteca poderá ser usada simultaneamente por vários jobs.

Isso é normal para load libraries, pois dezenas ou centenas de aplicações podem carregar módulos da mesma biblioteca.

No arquivo de entrada:

//LISTCOPAC DD DSN=INFEF00.COPIA.MUNDO,DISP=SHR

o SHR indica leitura compartilhada.

Se o programa estivesse atualizando diretamente um dataset, talvez fosse necessário:

DISP=OLD

Mas para leitura QSAM, SHR é a escolha mais comum.


9. O DD LISTCOPAC

//LISTCOPAC DD DSN=INFEF00.COPIA.MUNDO,DISP=SHR

Essa linha liga um nome lógico a um dataset físico.

O nome lógico é:

LISTCOPAC

O dataset físico é:

INFEF00.COPIA.MUNDO

No programa COBOL provavelmente existe:

SELECT ARQUIVO-COPAC
    ASSIGN TO LISTCOPAC
    ORGANIZATION IS SEQUENTIAL
    ACCESS MODE IS SEQUENTIAL
    FILE STATUS IS WS-FILE-STATUS.

O COBOL conhece o arquivo pelo nome lógico. O JCL informa qual dataset real será usado.

Essa separação é poderosa.

O mesmo programa pode processar arquivos diferentes sem precisar ser recompilado.

Hoje:

//LISTCOPAC DD DSN=INFEF00.COPIA.MUNDO,DISP=SHR

Amanhã:

//LISTCOPAC DD DSN=INFEF00.COPIA.MUNDO.NOVO,DISP=SHR

O programa continua igual.

É o JCL que conecta a aplicação ao dado certo.


10. O que é QSAM?

QSAM significa Queued Sequential Access Method.

É um método de acesso para datasets sequenciais.

O programa COBOL executa comandos simples:

OPEN INPUT
READ
CLOSE

Mas o QSAM trabalha nos bastidores com:

  • buffers;

  • blocos;

  • movimentação de dados;

  • controle de fim de arquivo;

  • tratamento de registros;

  • acesso ao dispositivo;

  • otimização de entrada e saída.

Imagine um arquivo com registros de 100 bytes:

LRECL=100

O sistema não precisa necessariamente ler um registro físico por operação de disco.

Ele pode ler um bloco contendo vários registros:

BLKSIZE=27900

Nesse caso, um bloco pode conter 279 registros de 100 bytes.

O programa continua pedindo um registro por vez, mas o QSAM já trouxe vários registros para a memória.

Essa é a magia silenciosa do buffering.


11. Exemplo de definição COBOL

Um arquivo poderia ter esta estrutura:

ENVIRONMENT DIVISION.
INPUT-OUTPUT SECTION.
FILE-CONTROL.

    SELECT ARQ-COPAC
        ASSIGN TO LISTCOPAC
        ORGANIZATION IS SEQUENTIAL
        ACCESS MODE IS SEQUENTIAL
        FILE STATUS IS WS-FS-COPAC.

DATA DIVISION.
FILE SECTION.

FD  ARQ-COPAC
    RECORDING MODE IS F.

01  REG-COPAC.
    05 CP-CODIGO           PIC 9(05).
    05 CP-NOME             PIC X(40).
    05 CP-PAIS             PIC X(30).
    05 CP-POPULACAO        PIC 9(11).
    05 FILLER              PIC X(14).

O tamanho total seria:

5 + 40 + 30 + 11 + 14 = 100 bytes

Logo, o dataset deveria ter:

RECFM=FB
LRECL=100

Se o arquivo tiver LRECL=80, a definição estará incompatível.

O resultado pode ser:

  • erro de abertura;

  • registros truncados;

  • campos deslocados;

  • dados inválidos;

  • abend;

  • inserções incorretas no banco.


12. File Status: o sensor do arquivo

Todo programa COBOL profissional deveria usar FILE STATUS.

Exemplo:

01  WS-FS-COPAC         PIC XX.

Após o OPEN:

OPEN INPUT ARQ-COPAC

IF WS-FS-COPAC NOT = '00'
    DISPLAY 'ERRO NO OPEN DO ARQUIVO: ' WS-FS-COPAC
    MOVE 12 TO RETURN-CODE
    GOBACK
END-IF

Alguns estados comuns:

00 = operação concluída
10 = fim de arquivo
35 = arquivo não encontrado
39 = conflito de atributos
41 = arquivo já aberto
42 = arquivo não aberto
46 = tentativa inválida de READ

O status 39 merece atenção especial.

Ele pode ocorrer quando a definição física do arquivo não combina com o que o programa espera.

É o mainframe dizendo:

“Padawan, o arquivo existe, mas sua descrição não corresponde à realidade.”


13. O DD SYSTSPRT

//SYSTSPRT DD SYSOUT=*

O SYSTSPRT recebe mensagens do TSO e do command processor DSN.

É uma das saídas mais importantes para análise.

Ali podem aparecer:

  • início do DSN;

  • conexão com o subsistema;

  • processamento do comando RUN;

  • mensagens sobre PLAN;

  • falha na localização do programa;

  • retorno do ambiente Db2;

  • encerramento do command processor.

Quando o job falhar antes de entrar no programa COBOL, o SYSTSPRT deve ser uma das primeiras saídas examinadas.


14. O significado de SYSOUT=*

DD SYSOUT=*

Isso não significa “um arquivo chamado SYSOUT”.

SYSOUT=* envia a saída ao spool, usando normalmente a classe de saída definida pelo job.

Exemplo:

//SYSTSPRT DD SYSOUT=*

As mensagens poderão ser vistas no SDSF.

O asterisco significa, em termos práticos:

“Use a classe de saída padrão associada ao job.”

Também seria possível especificar uma classe:

//SYSTSPRT DD SYSOUT=X

A classe depende das regras da instalação.


15. O problema dos DDs duplicados

Na imagem aparecem duas linhas:

//SYSOUT DD SYSOUT=*
//SYSOUT DD SYSOUT=*

Esse é um provável erro.

Dentro do mesmo step, dois DD statements não devem possuir o mesmo DDNAME dessa maneira.

Se o programa precisa de duas saídas, use nomes diferentes:

//SYSOUT   DD SYSOUT=*
//SYSPRINT DD SYSOUT=*

Ou:

//RELATORI DD SYSOUT=*
//ERROS    DD SYSOUT=*

Os nomes devem corresponder ao que o programa espera.

Exemplo no COBOL:

SELECT ARQ-RELATORIO
    ASSIGN TO RELATORI.

SELECT ARQ-ERROS
    ASSIGN TO ERROS.

O JCL seria:

//RELATORI DD SYSOUT=*
//ERROS    DD SYSOUT=*

E se a intenção era concatenar?

A concatenação correta seria:

//ENTRADA  DD DSN=ARQUIVO.PARTE1,DISP=SHR
//         DD DSN=ARQUIVO.PARTE2,DISP=SHR

Observe que apenas a primeira linha possui DDNAME.

Portanto:

//SYSOUT DD SYSOUT=*
//SYSOUT DD SYSOUT=*

não é a maneira adequada de concatenar.


16. O DD SYSTSIN

//SYSTSIN DD *

O SYSTSIN fornece comandos ao ambiente TSO batch.

Tudo entre:

//SYSTSIN DD *

e:

/*

será entregue ao IKJEFT01.

No exemplo:

DSN SYSTEM(DB9G)
RUN PROGRAM(COBDB501) PLAN(HERP0001) -
    LIB('ADCD.Z112.USERLOAD')

Essas linhas não são JCL.

São comandos processados dentro do ambiente TSO/Db2.

Essa diferença é fundamental.

JCL:

//SYSTSIN DD *

Comando TSO:

DSN SYSTEM(DB9G)

Subcomando Db2:

RUN PROGRAM(COBDB501)

17. O comando DSN SYSTEM(DB9G)

DSN SYSTEM(DB9G)

O comando DSN inicia o command processor do Db2.

O parâmetro:

SYSTEM(DB9G)

identifica o subsistema desejado.

O nome de quatro caracteres:

DB9G

é o subsystem ID.

Em outros ambientes poderíamos encontrar:

DB2D
DB2T
DB2H
DB2P
D91A
DSN1

A convenção varia.

Por exemplo:

DB2D = desenvolvimento
DB2T = teste
DB2H = homologação
DB2P = produção

Mas essa nomenclatura não é uma regra do Db2. É apenas uma convenção possível.

Quando o comando é executado, o sistema tenta:

  1. localizar o subsistema;

  2. estabelecer o attachment;

  3. criar uma thread;

  4. validar o ambiente;

  5. preparar a execução do programa.

Se o subsistema estiver parado, o programa nem chegará a ser carregado.


18. O comando RUN PROGRAM

RUN PROGRAM(COBDB501)

O DSN recebe a ordem para executar o programa:

COBDB501

Esse nome deve corresponder ao load module ou program object gerado no link-edit.

O DSN não executa o fonte COBOL.

Ele procura algo como:

ADCD.Z112.USERLOAD(COBDB501)

O membro deve ser um executável válido.

Se o membro não existir, pode ocorrer uma mensagem de programa não encontrado ou até um abend S806, dependendo do ponto da falha.


19. A cláusula PLAN(HERP0001)

PLAN(HERP0001)

O PLAN representa o contexto de execução Db2 da aplicação.

Historicamente, o PLAN continha diretamente os DBRMs.

Nos ambientes modernos, é comum o PLAN apontar para PACKAGES:

PLAN
  ↓
PKLIST
  ↓
COLLECTION
  ↓
PACKAGE
  ↓
Seções SQL

O PLAN:

HERP0001

deve existir no subsistema DB9G.

Também precisa estar autorizado para o usuário que executa o job.

Caso contrário, podem surgir erros relacionados a:

  • autorização;

  • PLAN inexistente;

  • PACKAGE não localizado;

  • collection incorreta;

  • inconsistência entre programa e PACKAGE.


20. DBRM, PACKAGE e PLAN

Quando um programa COBOL contém SQL:

EXEC SQL
    INSERT INTO TB_COPAC
           (CODIGO, NOME, PAIS)
    VALUES (:CP-CODIGO, :CP-NOME, :CP-PAIS)
END-EXEC

o compilador COBOL não entende sozinho esse SQL.

Antes da compilação, ocorre o precompile Db2.

O precompiler produz dois resultados:

1. Fonte COBOL modificado
2. DBRM

O fonte modificado contém chamadas à interface Db2.

O DBRM contém as instruções SQL extraídas.

Fluxo completo:

COBOL + SQL
    ↓
PRECOMPILE
    ├── COBOL modificado
    └── DBRM
          ↓
      BIND PACKAGE
          ↓
       PACKAGE

Enquanto isso:

COBOL modificado
    ↓
COMPILER
    ↓
OBJECT MODULE
    ↓
LINK-EDIT
    ↓
LOAD MODULE

Na execução, o load module e o PACKAGE precisam pertencer à mesma geração lógica.


21. O clássico SQLCODE -818

O -818 ocorre quando o programa executável e o DBRM ou PACKAGE não possuem o mesmo consistency token.

Em linguagem Bellacosa:

O sabre de luz e o cristal kyber vieram de treinamentos diferentes.

Isso acontece quando:

  1. o programa é precompilado;

  2. é gerado um novo DBRM;

  3. o COBOL é compilado;

  4. o load module é atualizado;

  5. o PACKAGE antigo continua no Db2.

Ou o contrário:

  1. um novo PACKAGE é criado;

  2. o load module antigo continua na loadlib.

Resultado:

SQLCODE -818

A correção normalmente exige refazer o ciclo com os mesmos artefatos:

PRECOMPILE
COMPILE
LINK-EDIT
BIND PACKAGE

22. O SQLCODE -805

O -805 também é extremamente comum.

Ele indica que o Db2 não encontrou o PACKAGE necessário.

Possíveis causas:

  • PACKAGE não bindado;

  • collection errada;

  • PLAN não contém a collection;

  • nome do programa diferente;

  • ambiente errado;

  • PACKAGE removido;

  • load module promovido sem o BIND correspondente.

A mensagem geralmente fornece informações sobre:

  • localização;

  • collection;

  • package;

  • consistency token.

Esses dados devem ser analisados cuidadosamente.


23. A cláusula LIB

LIB('ADCD.Z112.USERLOAD')

A cláusula LIB informa a biblioteca onde o programa deve ser localizado.

Portanto:

RUN PROGRAM(COBDB501)
    PLAN(HERP0001)
    LIB('ADCD.Z112.USERLOAD')

significa:

Execute o programa COBDB501, utilizando o PLAN HERP0001, procurando o módulo na biblioteca ADCD.Z112.USERLOAD.

Essa instrução é importante porque a STEPLIB contém apenas a biblioteca Db2.

Sem a cláusula LIB, o programa da aplicação talvez não fosse encontrado.

Atenção à biblioteca antiga

A imagem também mostra:

//JOBLIB DD DSN=IBMUSER.CBL.LOADLIB,DISP=SHR

Temos então duas bibliotecas que podem conter o programa:

IBMUSER.CBL.LOADLIB
ADCD.Z112.USERLOAD

É importante confirmar onde está a versão correta.

Talvez exista:

IBMUSER.CBL.LOADLIB(COBDB501)

e também:

ADCD.Z112.USERLOAD(COBDB501)

Se a versão nova foi gravada na primeira biblioteca, mas o comando RUN aponta para a segunda, o job continuará executando o programa antigo.

Esse é um easter egg clássico do mainframe:

O código está correto, a compilação terminou com RC 0, mas o comportamento não mudou porque o job está carregando outra cópia do programa.

Para investigar, use ISPF 3.4 e compare:

  • data;

  • hora;

  • tamanho;

  • atributos;

  • usuário da última alteração.


24. O hífen de continuação

PLAN(HERP0001) -

O hífen informa que o comando continua na linha seguinte.

A continuação é:

LIB('ADCD.Z112.USERLOAD')

Sem o hífen, o DSN poderia tratar a primeira linha como um comando completo e a segunda como outro comando.

Uma versão bem formatada seria:

RUN PROGRAM(COBDB501) -
    PLAN(HERP0001)     -
    LIB('ADCD.Z112.USERLOAD')

O estilo depende do padrão da empresa, mas a legibilidade melhora bastante.


25. O comando END

O JCL da imagem não apresenta explicitamente:

END

É recomendável encerrar a sessão DSN:

//SYSTSIN DD *
  DSN SYSTEM(DB9G)
  RUN PROGRAM(COBDB501) PLAN(HERP0001) -
      LIB('ADCD.Z112.USERLOAD')
  END
/*

O fim do arquivo de comandos pode encerrar o command processor, mas o END deixa a intenção explícita.

É uma boa prática.


26. Exemplo completo de JCL corrigido

//CATPGM1 JOB (ACCT),'CARGA COBOL DB2',
//             CLASS=A,
//             MSGCLASS=X,
//             MSGLEVEL=(1,1),
//             NOTIFY=&SYSUID
//*
//*-------------------------------------------------------------------*
//* PROGRAMA COBOL LE ARQUIVO QSAM E INSERE DADOS NO DB2
//*-------------------------------------------------------------------*
//EXECDB2 EXEC PGM=IKJEFT01,DYNAMNBR=20
//*
//* MODULOS DO DB2
//*
//STEPLIB DD DSN=DSN910.SDSNLOAD,DISP=SHR
//*
//* ARQUIVO SEQUENCIAL DE ENTRADA
//*
//LISTCOPAC DD DSN=INFEF00.COPIA.MUNDO,DISP=SHR
//*
//* SAIDAS DO AMBIENTE E DO PROGRAMA
//*
//SYSTSPRT DD SYSOUT=*
//SYSPRINT DD SYSOUT=*
//SYSOUT   DD SYSOUT=*
//SYSUDUMP DD SYSOUT=*
//CEEDUMP  DD SYSOUT=*
//*
//* COMANDOS TSO E DB2
//*
//SYSTSIN DD *
  DSN SYSTEM(DB9G)
  RUN PROGRAM(COBDB501) PLAN(HERP0001) -
      LIB('ADCD.Z112.USERLOAD')
  END
/*
//

27. Explicação do cartão JOB

//CATPGM1 JOB (ACCT),'CARGA COBOL DB2',

CATPGM1 é o nome do job.

(ACCT)

representa informações contábeis da instalação.

'CARGA COBOL DB2'

é uma descrição.


CLASS=A

CLASS=A

Define a classe de execução.

A classe pode determinar:

  • prioridade;

  • initiator;

  • limites;

  • ambiente;

  • políticas de scheduling.

O significado de A varia conforme a instalação.


MSGCLASS=X

MSGCLASS=X

Define a classe das mensagens de saída.

Ela influencia onde e como o spool será tratado.


MSGLEVEL=(1,1)

MSGLEVEL=(1,1)

Controla o nível de detalhes registrado no spool.

O primeiro valor controla a impressão das instruções JCL.

O segundo controla mensagens de alocação e execução.


NOTIFY=&SYSUID

NOTIFY=&SYSUID

Solicita que o usuário que submeteu o job seja notificado quando ele terminar.

&SYSUID é substituído pelo ID do usuário.


28. Exemplo de programa COBOL

       IDENTIFICATION DIVISION.
       PROGRAM-ID. COBDB501.

       ENVIRONMENT DIVISION.
       INPUT-OUTPUT SECTION.
       FILE-CONTROL.

           SELECT ARQ-COPAC
               ASSIGN TO LISTCOPAC
               ORGANIZATION IS SEQUENTIAL
               ACCESS MODE IS SEQUENTIAL
               FILE STATUS IS WS-FS-COPAC.

       DATA DIVISION.
       FILE SECTION.

       FD  ARQ-COPAC
           RECORDING MODE IS F.

       01  REG-COPAC.
           05 CP-CODIGO           PIC 9(05).
           05 CP-NOME             PIC X(40).
           05 CP-PAIS             PIC X(30).
           05 CP-POPULACAO        PIC 9(11).
           05 FILLER              PIC X(14).

       WORKING-STORAGE SECTION.

       01  WS-FS-COPAC            PIC XX.
       01  WS-FIM-ARQUIVO         PIC X VALUE 'N'.
           88 FIM-ARQUIVO               VALUE 'S'.

       01  WS-CONTADORES.
           05 WS-LIDOS            PIC 9(09) COMP-3 VALUE ZERO.
           05 WS-INSERIDOS        PIC 9(09) COMP-3 VALUE ZERO.
           05 WS-REJEITADOS       PIC 9(09) COMP-3 VALUE ZERO.
           05 WS-COMMIT           PIC 9(05) COMP-3 VALUE ZERO.

       01  WS-SQLCODE-AUX         PIC -9(09).

           EXEC SQL
               INCLUDE SQLCA
           END-EXEC.

       PROCEDURE DIVISION.

       0000-PRINCIPAL.

           PERFORM 1000-INICIALIZAR

           PERFORM 2000-PROCESSAR
               UNTIL FIM-ARQUIVO

           PERFORM 9000-FINALIZAR

           GOBACK.

29. Inicialização do programa

       1000-INICIALIZAR.

           DISPLAY 'INICIO DO PROGRAMA COBDB501'

           OPEN INPUT ARQ-COPAC

           IF WS-FS-COPAC NOT = '00'
               DISPLAY 'ERRO NO OPEN LISTCOPAC: ' WS-FS-COPAC
               MOVE 12 TO RETURN-CODE
               GOBACK
           END-IF

           PERFORM 2100-LER-ARQUIVO.

A primeira leitura é realizada na inicialização.

Esse padrão evita que o programa execute o processamento com um registro não carregado.


30. Leitura e processamento

       2000-PROCESSAR.

           ADD 1 TO WS-LIDOS

           PERFORM 3000-VALIDAR-REGISTRO

           IF CP-CODIGO IS NUMERIC
               PERFORM 4000-INSERIR-DB2
           ELSE
               ADD 1 TO WS-REJEITADOS
               DISPLAY 'CODIGO INVALIDO: ' CP-CODIGO
           END-IF

           PERFORM 2100-LER-ARQUIVO.

A leitura:

       2100-LER-ARQUIVO.

           READ ARQ-COPAC
               AT END
                   SET FIM-ARQUIVO TO TRUE
               NOT AT END
                   CONTINUE
           END-READ

           IF WS-FS-COPAC NOT = '00'
              AND WS-FS-COPAC NOT = '10'
               DISPLAY 'ERRO DE LEITURA: ' WS-FS-COPAC
               PERFORM 8000-ROLLBACK
               MOVE 12 TO RETURN-CODE
               GOBACK
           END-IF.

O status 10 representa fim de arquivo e não deve ser tratado como erro.


31. O INSERT Db2

       4000-INSERIR-DB2.

           EXEC SQL
               INSERT INTO TB_COPAC
               (
                   CODIGO,
                   NOME,
                   PAIS,
                   POPULACAO
               )
               VALUES
               (
                   :CP-CODIGO,
                   :CP-NOME,
                   :CP-PAIS,
                   :CP-POPULACAO
               )
           END-EXEC

           EVALUATE SQLCODE
               WHEN ZERO
                   ADD 1 TO WS-INSERIDOS
                   ADD 1 TO WS-COMMIT

               WHEN -803
                   ADD 1 TO WS-REJEITADOS
                   DISPLAY 'CHAVE DUPLICADA: ' CP-CODIGO

               WHEN OTHER
                   MOVE SQLCODE TO WS-SQLCODE-AUX
                   DISPLAY 'ERRO SQL: ' WS-SQLCODE-AUX
                   DISPLAY 'REGISTRO: ' CP-CODIGO
                   PERFORM 8000-ROLLBACK
                   MOVE 12 TO RETURN-CODE
                   GOBACK
           END-EVALUATE

           IF WS-COMMIT >= 1000
               PERFORM 7000-COMMIT
           END-IF.

32. Por que não fazer apenas um COMMIT no final?

Imagine uma carga de dez milhões de registros.

Se o programa executar um único COMMIT, poderá manter durante horas:

  • locks;

  • espaço de log;

  • páginas modificadas;

  • recursos;

  • unidade de trabalho gigantesca.

Se ocorrer erro no registro 9.999.999, o rollback poderá desfazer tudo.

Uma estratégia mais segura é:

COMMIT a cada 1.000 registros

Ou:

COMMIT a cada 5.000 registros

O valor ideal depende do ambiente.

Não existe um número mágico.

É preciso considerar:

  • volume;

  • concorrência;

  • log;

  • índices;

  • tempo de recuperação;

  • SLA;

  • restart;

  • regras de negócio.

Rotina:

       7000-COMMIT.

           EXEC SQL
               COMMIT
           END-EXEC

           IF SQLCODE NOT = ZERO
               DISPLAY 'ERRO NO COMMIT: ' SQLCODE
               MOVE 12 TO RETURN-CODE
               GOBACK
           END-IF

           MOVE ZERO TO WS-COMMIT.

33. ROLLBACK

       8000-ROLLBACK.

           EXEC SQL
               ROLLBACK
           END-EXEC

           DISPLAY 'ROLLBACK EXECUTADO'.

O rollback desfaz alterações realizadas desde o último commit.

Mas atenção: ele não desfaz tudo desde o início do programa se já ocorreram commits intermediários.

Exemplo:

1.000 registros → COMMIT
1.000 registros → COMMIT
500 registros → erro → ROLLBACK

Nesse caso:

  • os primeiros 2.000 permanecem;

  • os últimos 500 são desfeitos.


34. Finalização

       9000-FINALIZAR.

           IF WS-COMMIT > ZERO
               PERFORM 7000-COMMIT
           END-IF

           CLOSE ARQ-COPAC

           DISPLAY '--------------------------------'
           DISPLAY 'REGISTROS LIDOS     : ' WS-LIDOS
           DISPLAY 'REGISTROS INSERIDOS : ' WS-INSERIDOS
           DISPLAY 'REGISTROS REJEITADOS: ' WS-REJEITADOS
           DISPLAY 'FIM DO PROGRAMA COBDB501'
           DISPLAY '--------------------------------'.

Esses totais serão enviados ao SYSOUT ou à saída padrão do Language Environment, dependendo da configuração.

Eles são fundamentais para auditoria.


35. Códigos de retorno

O programa pode usar:

MOVE 0 TO RETURN-CODE

para sucesso.

Outros códigos comuns:

RC 0  = sucesso
RC 4  = sucesso com aviso
RC 8  = erro de aplicação
RC 12 = erro grave
RC 16 = falha crítica

Esses valores são convenções. A empresa pode definir outros padrões.

Um scheduler pode usar o retorno:

RC <= 4  → continuar
RC >= 8  → interromper fluxo

36. Possíveis falhas

JCL ERROR

Causa provável:

//SYSOUT DD SYSOUT=*
//SYSOUT DD SYSOUT=*

Correção: usar DDNAMEs distintos.


S806

O programa não foi encontrado.

Verificar:

ADCD.Z112.USERLOAD(COBDB501)

S013

Pode estar relacionado à incompatibilidade de atributos do dataset.

Verificar:

  • RECFM;

  • LRECL;

  • BLKSIZE;

  • modo de abertura;

  • definição FD.


SQLCODE -803

Chave duplicada.

O programa tentou inserir um valor único já existente.


SQLCODE -805

PACKAGE não encontrado.

Verificar:

  • collection;

  • BIND PACKAGE;

  • PLAN;

  • consistency token.


SQLCODE -818

Load module e PACKAGE incompatíveis.

Refazer compilação e BIND de forma sincronizada.


SQLCODE -904

Recurso indisponível.

Pode existir:

  • tablespace parado;

  • utility pendente;

  • objeto em estado restritivo;

  • problema de storage.


SQLCODE -911

Deadlock ou timeout com rollback.

A aplicação precisa registrar:

  • chave;

  • SQLCODE;

  • unidade de trabalho;

  • momento do erro.


SQLCODE -922

Problema de autorização ou conexão.

Verificar permissões para:

  • PLAN;

  • PACKAGE;

  • tabela;

  • operação INSERT;

  • subsistema.


37. Como investigar no SDSF

Depois de submeter o job, abra:

SDSF

Depois:

ST

Localize o job e abra com S.

Analise na seguinte ordem:

JESJCL

Mostra o JCL interpretado.

Útil para detectar:

  • erro de sintaxe;

  • DD duplicado;

  • PROC expandida;

  • símbolos substituídos.

JESYSMSG

Mostra mensagens do sistema.

Procure por prefixos:

IEF
IEC
IGD
ICH

SYSTSPRT

Mostra mensagens do TSO e DSN.

SYSOUT

Mostra os DISPLAY do COBOL.

CEEDUMP

Mostra informações de falhas do Language Environment.

SYSUDUMP

Pode conter detalhes de abend e registradores.


38. Easter egg: o programa antigo que nunca morre

Um dos problemas mais misteriosos do mainframe ocorre assim:

  1. o programador altera o fonte;

  2. compila com RC 0;

  3. submete o job;

  4. o comportamento antigo continua;

  5. compila novamente;

  6. nada muda;

  7. começa a desconfiar do compilador, do Db2 e talvez da própria realidade.

A causa:

O load module foi gravado em uma biblioteca,
mas o RUN está usando outra.

Exemplo:

Novo:
IBMUSER.CBL.LOADLIB(COBDB501)

Executado:
ADCD.Z112.USERLOAD(COBDB501)

O mainframe não está errado.

Ele apenas obedeceu exatamente ao que foi pedido.

Essa é uma das grandes lições do IBM Z:

O sistema raramente faz o que imaginamos. Ele faz o que realmente declaramos.


39. O grande mapa da missão

INFEF00.COPIA.MUNDO
          │
          │ LISTCOPAC
          ▼
     Programa COBOL
       COBDB501
          │
          │ EXEC SQL INSERT
          ▼
      PLAN HERP0001
          │
          ▼
        PACKAGE
          │
          ▼
       Db2 DB9G
          │
          ▼
       TB_COPAC

Ao redor dessa execução, estão:

JES2
IKJEFT01
SDSNLOAD
TSO Attachment
Language Environment
QSAM
RACF
SDSF
Logs do Db2

Nada acontece isoladamente.


Conclusão: poucas linhas, muitas engrenagens

O JCL apresentado é um excelente exemplo da filosofia mainframe: comandos pequenos podem coordenar estruturas gigantescas.

Uma linha como:

RUN PROGRAM(COBDB501) PLAN(HERP0001)

carrega décadas de evolução tecnológica.

Ela conecta:

  • um executável COBOL;

  • um ambiente TSO batch;

  • um subsistema Db2;

  • um PLAN;

  • PACKAGES;

  • SQL estático;

  • um arquivo sequencial;

  • QSAM;

  • segurança;

  • logging;

  • controle transacional.

Para o programador COBOL padawan, a principal lição é não observar o JCL como uma simples receita de execução.

Cada DD representa um contrato.

LISTCOPAC → contrato com o arquivo
STEPLIB   → contrato com as bibliotecas
SYSTSIN   → contrato com o TSO
SYSTSPRT  → contrato com as mensagens
PLAN      → contrato com o Db2
LIB       → contrato com o executável
COMMIT    → contrato com a integridade

Quando esses contratos estão alinhados, milhões de registros podem ser processados com precisão.

Quando um deles está errado, o sistema pode responder com um JCL ERROR, um S806, um -805, um -818 ou um silencioso arquivo lido com layout incorreto.

O verdadeiro domínio do mainframe não vem apenas de decorar comandos.

Ele nasce quando entendemos a jornada completa:

Fonte
  → Precompile
  → Compile
  → Link-edit
  → DBRM
  → BIND PACKAGE
  → BIND PLAN
  → JCL
  → IKJEFT01
  → DSN
  → COBOL
  → QSAM
  → Db2
  → COMMIT
  → SDSF

E assim, diante da tela verde, com uma caneca de café ao lado, o padawan percebe que aquele pequeno JCL não é apenas um arquivo de comandos.

É a porta de entrada para uma das arquiteturas de processamento corporativo mais robustas já construídas.