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sábado, 4 de julho de 2026

Projeto IBM - MSA 2025/2026

 ,

Bellacosa Mainframe conclui o programa IBM MSA 2025

Hoje encerro um ciclo muito especial da minha carreira como instrutor do MSA 2025/2026 (Mainframe Skills Academy).

Durante essa jornada, tive a honra de conduzir mais de 30 encontros, totalizando aproximadamente 50 horas de treinamento, além da produção de vídeos, laboratórios e materiais de apoio voltados à formação de profissionais em IBM Mainframe, com foco em System Programmers (SysProg) e System Administrators (SysAdmin).

Mais do que transmitir conhecimento, foi uma oportunidade de compartilhar experiências construídas ao longo de anos trabalhando com o ecossistema IBM Z e, ao mesmo tempo, aprender com o entusiasmo, a dedicação e as perguntas de cada participante.

Meus parabéns a todos os alunos que concluíram essa jornada. A evolução demonstrada ao longo do programa confirma que o Mainframe continua formando profissionais altamente qualificados para sustentar os sistemas mais críticos do mundo.

Também deixo meu reconhecimento aos organizadores, coordenadores, empresas parceiras e a todos os profissionais que trabalharam nos bastidores para tornar este projeto uma realidade. O sucesso do programa é resultado do esforço coletivo de muitas pessoas comprometidas com a formação de novos talentos.

Um agradecimento especial à IBM pela confiança, pelo convite para atuar como instrutor e pela oportunidade de contribuir com uma iniciativa que fortalece o ecossistema IBM Z e investe no crescimento profissional da comunidade técnica.

Foi uma grande satisfação fazer parte deste projeto.

Que esta seja apenas mais uma etapa de uma longa jornada de aprendizado, inovação e colaboração.

Parabéns a todos os envolvidos!

#IBM #IBMZ #IBMMainframe #Mainframe #SystemProgrammer #SysProg #SysAdmin #zOS #z17 #CICS #DB2 #IMS #JCL #COBOL #RACF #JES2 #TSO #ISPF #Automation #MainframeModernization #Infrastructure #EnterpriseComputing #BellacosaMainframe #MSA

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Conclusão da formação MSA 2025/2026 em IBM Mainframe. Uma jornada dedicada à formação de SysProgs e SysAdmins.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Quality Engineering sem Mistérios

 

Bellacosa Mainframe e a engenharia de qualidade sem misterios para a Stack Mainframe

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Quality Engineering sem Mistérios

O Guia Definitivo do Programador COBOL Padawan para Entender a Engenharia da Qualidade Aplicada ao IBM Z — Inspirado em Star Trek

"Em qualquer missão da Frota Estelar, sobreviver não depende apenas de tecnologia. Depende de processos bem definidos, verificações constantes e disciplina operacional."

— Adaptado da filosofia do Sr. Spock


Introdução — O que um Programador COBOL tem a ver com Engenharia da Qualidade?

Quando um programador COBOL iniciante escuta palavras como FMEA, PPAP, MSA, SPC, CAPA ou APQP, normalmente pensa:

"Isso deve ser coisa do pessoal da fábrica..."

Na verdade...

Não.

Esses conceitos nasceram na manufatura, principalmente na indústria automobilística japonesa e americana, mas seus princípios são praticamente universais.

Na IBM, por exemplo, boa parte da cultura de engenharia que permitiu que o IBM System/360, depois o System/370, o zSeries, o IBM Z e atualmente o IBM z16/z17 alcançassem níveis absurdos de disponibilidade foi construída exatamente sobre esses fundamentos.

Aliás...

Existe uma curiosidade interessante.

A indústria automotiva mede defeitos em peças.

O mundo mainframe mede defeitos em informações.

Ambos perseguem exatamente o mesmo objetivo:

Zero defeito.

No universo de Star Trek isso fica ainda mais evidente.

Imagine a USS Enterprise.

Ela possui:

  • motores

  • computadores

  • sensores

  • bancos de dados

  • replicadores

  • sistemas médicos

  • controle de voo

Agora imagine se cada módulo fosse desenvolvido sem controle de qualidade.

A Enterprise nunca sairia do estaleiro de Utopia Planitia.

No IBM Z acontece exatamente a mesma coisa.


Engenharia da Qualidade não é encontrar erros

Este é um dos maiores equívocos dos iniciantes.

Muita gente acredita que qualidade significa:

"Encontrar bugs."

Na verdade...

Encontrar bugs é apenas uma pequena parte.

A Engenharia da Qualidade tenta impedir que o bug exista.

Essa filosofia pode ser resumida assim:

Inspecionar
↓
Encontrar defeitos

Prevenir
↓
Eliminar defeitos antes que apareçam

É exatamente a diferença entre apagar incêndios e construir um prédio que não pega fogo.


A Jornada Completa da Qualidade

No mundo automotivo existe praticamente uma sequência lógica.

Planejamento

↓

Projeto

↓

Análise de Riscos

↓

Plano de Controle

↓

Validação

↓

Produção

↓

Monitoramento

↓

Correção

↓

Melhoria Contínua

Curiosamente...

Essa sequência lembra muito o ciclo de desenvolvimento de um sistema COBOL.

Levantamento

↓

Análise

↓

Codificação

↓

Compilação

↓

Teste

↓

Homologação

↓

Produção

↓

Monitoramento

↓

Correções

Nada mudou.

Mudou apenas o produto.


APQP — O Planejamento da Missão

Imagine o Capitão Kirk recebendo uma nova missão.

Spock pergunta:

Capitão... já sabemos os riscos?

McCoy pergunta:

O suporte médico foi planejado?

Scotty pergunta:

Os motores suportam essa missão?

Uhura pergunta:

As comunicações foram testadas?

Todos estão fazendo APQP.


O que significa?

Advanced Product Quality Planning.

É um planejamento extremamente detalhado.

Seu objetivo é garantir que o produto nascerá corretamente.

No mundo mainframe seria equivalente ao momento em que uma nova aplicação bancária começa.

Antes da primeira linha de COBOL já precisamos definir:

  • requisitos

  • banco de dados

  • segurança RACF

  • interfaces MQ

  • jobs

  • SLAs

  • backups

  • monitoramento

  • capacidade

  • rollback

Perceba...

Nenhuma linha de código foi escrita.

Mesmo assim boa parte do sucesso do projeto já foi decidida.


FMEA — O Dr. Spock prevê o futuro

Esta talvez seja minha ferramenta favorita.

Failure Mode and Effects Analysis.

Traduzindo:

Análise dos Modos de Falha.

Ela faz uma pergunta simples:

O que pode dar errado?

Depois:

Qual será o impacto?

Depois:

Como impedir?

Imagine um programa COBOL.

READ CLIENTE

IF NOT FOUND

O que pode acontecer?

Arquivo vazio.

Dataset inexistente.

Erro de autorização.

Registro inválido.

VSAM corrompido.

Todas essas possibilidades deveriam aparecer no FMEA.

No universo Star Trek...

Spock faria exatamente isso antes da missão começar.


Exemplo Mainframe

Programa realiza TED bancária.

Possíveis falhas:

Saldo insuficiente.

Abend S0C7.

Deadlock DB2.

Timeout CICS.

Fila MQ cheia.

Sistema remoto indisponível.

Agora imagine cada um deles recebendo:

Severidade.

Probabilidade.

Facilidade de detecção.

Esse é exatamente o FMEA.


SPC — O RMF da Indústria

SPC significa Statistical Process Control.

Aqui entra estatística.

Imagine acompanhar diariamente:

CPU

Tempo de resposta

IOPS

Uso de DASD

Quantidade de ABENDs

Tempo de Batch

Tudo isso pode ser colocado em gráficos.

É exatamente isso que o SPC faz.

No mundo industrial mede:

temperatura

pressão

espessura

diâmetro

peso

No IBM Z mede:

CPU

Paging

EXCP

Response Time

Storage

Buffer Pools

Locks

Tudo baseado em estatística.


Easter Egg

RMF é praticamente um gigantesco SPC para sistemas operacionais.


MSA — Posso confiar na minha medição?

Imagine dois operadores.

Um diz:

CPU = 60%

Outro diz:

CPU = 85%

Quem está certo?

Antes de confiar no número...

Precisamos confiar na ferramenta.

MSA faz exatamente isso.

No mundo industrial analisa:

paquímetro

micrômetro

scanner

laser

No mainframe seria equivalente a validar:

RMF

SMF

OMEGAMON

Grafana

Instana

Zabbix

Se a ferramenta mede errado...

Todas as decisões seguintes estarão erradas.


QA x QC

Essa pergunta aparece praticamente em todas as entrevistas.

QA

Quality Assurance.

Garante o processo.

QC

Quality Control.

Verifica o produto.

Imagine uma compilação COBOL.

QA seria:

Padronizar coding standards.

Checklist.

Code Review.

Pipeline.

Testes obrigatórios.

QC seria:

Executar o programa.

Validar saída.

Comparar resultados.

Encontrar erros.

QA evita.

QC detecta.


PPAP — A Homologação Definitiva

Imagine entregar um novo sistema para produção.

O gerente pergunta:

Você testou?

Sim.

Documentou?

Sim.

Backup?

Sim.

Rollback?

Sim.

Plano B?

Sim.

Plano C?

Sim.

Aprovação?

Sim.

Esse "pacote de confiança" é praticamente um PPAP.

Na indústria significa provar que a linha inteira consegue fabricar corretamente.

No mainframe seria provar que:

o sistema inteiro está pronto para produção.


Control Plan

Depois que tudo foi planejado...

Como garantir que ninguém saia do padrão?

Control Plan responde isso.

No desenvolvimento COBOL poderia conter:

Toda alteração passa por Git.

Build automático.

Compilação Enterprise COBOL.

Testes ZUnit.

Code Review.

Deploy via DBB.

Homologação.

Produção.

Tudo documentado.


CAPA

Corrective and Preventive Action.

Imagine ocorreu um ABEND S0C4.

Correção:

ajustar ponteiro.

Prevenção:

criar regra de inspeção para ponteiros.

Outro exemplo.

Deadlock DB2.

Correção:

alterar ordem dos UPDATE.

Prevenção:

documentar padrão corporativo.

Perceba.

A prevenção vale muito mais.


Root Cause Analysis

A pergunta mais importante da engenharia.

Por quê?

Imagine:

Programa caiu.

Por quê?

Arquivo indisponível.

Por quê?

Storage cheio.

Por quê?

Job anterior não apagou temporários.

Por quê?

PROC estava errada.

Agora encontramos a verdadeira causa.

Não era o COBOL.

Era o processo.


Os famosos 5 Porquês

Toyota popularizou essa técnica.

Pergunte cinco vezes:

Por quê?

Até chegar na raiz.

No mundo mainframe isso resolve inúmeros incidentes.


8D — A Investigação da Frota Estelar

Imagine um incidente gravíssimo.

Sistema bancário parado.

Kirk convoca uma força-tarefa.

Cada disciplina representa uma etapa.

D1

Equipe.

D2

Problema.

D3

Conter.

D4

Descobrir causa.

D5

Corrigir.

D6

Validar.

D7

Evitar repetição.

D8

Registrar aprendizado.

É praticamente um Post Mortem moderno.


Poka-Yoke — O Idiot Proof

Talvez o conceito japonês mais genial.

Impedir o erro antes que aconteça.

No COBOL:

Obrigar CPF com 11 dígitos.

Obrigar DATA AAAAMMDD.

Obrigar código de agência válido.

Obrigar commit antes do término.

Tudo isso é Poka-Yoke.


Kaizen — O Espírito Vulcano

Kaizen significa:

Melhoria contínua.

Todos os dias.

Pouco.

Mas sempre.

No IBM Z isso significa:

Melhor SQL.

Menor consumo de CPU.

Menos EXCP.

Menos SORT.

Mais cache.

Mais paralelismo.

Nenhuma mudança isolada faz milagre.

Mil pequenas melhorias mudam uma organização inteira.


Process Flow Diagram

É literalmente desenhar o processo.

No COBOL:

Cliente

↓

Tela CICS

↓

Programa COBOL

↓

DB2

↓

MQ

↓

Sistema Externo

↓

Resposta

↓

Tela

Quanto melhor o diagrama...

Mais fácil identificar gargalos.


Cp e Cpk

São indicadores estatísticos.

Na indústria medem:

Capacidade do processo.

No IBM Z poderiam representar:

Capacidade de throughput.

Capacidade do Batch.

Capacidade do CICS.

Capacidade do DB2.

Embora não sejam usados formalmente dessa forma, a filosofia é semelhante.


GD&T

Geometric Dimensioning and Tolerancing.

Pode parecer distante do COBOL.

Mas existe uma analogia.

Na indústria define tolerâncias.

No software definimos:

Layout Copybook.

Formato JSON.

API Contract.

Record Layout.

Todos precisam seguir exatamente o padrão.


5S no Mainframe

Seiri

Eliminar datasets inúteis.

Seiton

Organizar bibliotecas.

Seiso

Eliminar jobs antigos.

Seiketsu

Padronizar nomenclaturas.

Shitsuke

Disciplina operacional.

O ISPF agradece.


OEE

Overall Equipment Effectiveness.

Na indústria mede:

Disponibilidade

Performance

Qualidade

No IBM Z seria algo como:

Disponibilidade do Sysplex.

Performance do Batch.

Qualidade dos serviços.


LPA

Layered Process Audit.

Imagine auditorias periódicas.

Operador.

Supervisor.

Gerente.

Arquiteto.

Todos verificam o mesmo processo sob perspectivas diferentes.


QMS

Quality Management System.

É o "sistema operacional" da qualidade.

No IBM seria equivalente ao conjunto de:

ITIL

COBIT

ISO 9001

Políticas internas

Procedimentos

Fluxos

Normas


IATF 16949

É a principal norma automotiva.

Ela integra praticamente tudo o que vimos.

Pode ser comparada, conceitualmente, a grandes frameworks de governança utilizados em ambientes corporativos de TI, onde processos, auditorias, gestão de riscos e melhoria contínua precisam funcionar de forma integrada.


Como tudo isso conversa com o IBM Z?

A maior lição deste artigo é perceber que o IBM Z sempre foi uma plataforma orientada à qualidade.

Quando você utiliza:

  • RACF

  • WLM

  • RMF

  • SMF

  • JES2

  • GDGs

  • DB2

  • CICS

  • IMS

  • ZUnit

  • Git

  • DBB

  • Ansible

  • Jenkins

você está, na prática, aplicando muitos dos mesmos princípios da Engenharia da Qualidade: prevenção, padronização, rastreabilidade, medição, auditoria e melhoria contínua.

A tecnologia muda, mas os fundamentos permanecem.


Curiosidades para impressionar em uma entrevista

☕ A Toyota foi uma das grandes responsáveis por popularizar FMEA, 5S, Kaizen, Poka-Yoke e os 5 Porquês, influenciando metodologias de qualidade em diversos setores.

☕ O conceito de melhoria contínua inspirou práticas modernas como Lean Manufacturing, Lean Software Development e parte da cultura DevOps.

☕ O ciclo Planejar → Executar → Medir → Corrigir aparece em praticamente todas as áreas da engenharia, da manufatura ao desenvolvimento de software.

☕ Em ambientes IBM Z, métricas provenientes de RMF, SMF e ferramentas de observabilidade cumprem papel semelhante ao SPC, permitindo identificar tendências antes que se transformem em incidentes.

☕ O famoso Post Mortem adotado por empresas como Google, Microsoft e IBM segue princípios muito próximos do RCA (Root Cause Analysis) e do método 8D: entender profundamente a causa raiz, implementar ações corretivas permanentes e compartilhar o aprendizado para evitar recorrências.


O Conselho Final do Sr. Spock

Ao terminar sua conversa com o capitão Kirk, Spock olha para um jovem engenheiro recém-chegado à Enterprise e diz:

"Um excelente engenheiro não é aquele que resolve problemas rapidamente. É aquele que projeta sistemas onde os problemas raramente acontecem."

Essa frase resume toda a Engenharia da Qualidade.

Seja em uma linha de montagem produzindo milhões de componentes automotivos ou em um IBM Z processando bilhões de transações financeiras, o verdadeiro objetivo nunca foi apenas corrigir defeitos. O objetivo é construir processos tão robustos, previsíveis e bem controlados que a qualidade deixe de ser uma inspeção no final do caminho e passe a fazer parte da própria essência do sistema.

E essa é uma lição que todo Programador COBOL Padawan leva consigo ao iniciar sua jornada rumo ao nível de Mestre. Afinal, como diria Spock:

"A lógica constrói sistemas. A qualidade garante que eles permaneçam funcionando quando toda a galáxia depende deles."

 

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Os 5 Core Quality Tools na Stack IBM Mainframe

 

Bellacosa Mainframe e as 5 core quality tools

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Os 5 Core Quality Tools na Stack IBM Mainframe

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre Como Construir Sistemas Bancários que Não Podem Falhar

"A qualidade não nasce durante o teste. Ela nasce muito antes da primeira linha de código ser compilada."

Quando um desenvolvedor COBOL inicia sua jornada no mundo do IBM Mainframe, normalmente acredita que qualidade significa apenas "o programa compilou sem erro" ou "o teste passou".

Essa visão funciona para pequenos projetos.

Mas desaparece completamente quando você entra em uma instituição financeira, seguradora, empresa aérea ou governo.

Ali, uma única linha de COBOL pode movimentar bilhões de reais diariamente.

Uma alteração aparentemente simples em um programa de cálculo de juros pode impactar milhões de clientes.

Uma mudança em um COPYBOOK pode afetar centenas de programas.

Um campo alterado em um registro VSAM pode quebrar integrações com CICS, DB2, MQ, IMS e dezenas de aplicações.

É por isso que grandes empresas não dependem apenas da habilidade do programador.

Elas dependem de processos.

Esses processos são conhecidos mundialmente como Core Quality Tools.

Embora tenham surgido na indústria automotiva através da AIAG (Automotive Industry Action Group) e hoje façam parte da IATF 16949, seus princípios são universais.

Na prática, eles representam exatamente aquilo que faz um ambiente IBM Z operar durante décadas com níveis de disponibilidade próximos de 99,9999%.

E talvez você nunca tenha percebido...

Grande parte da cultura de desenvolvimento Mainframe já segue esses princípios há décadas.

Vamos descobrir como.


O verdadeiro significado de qualidade

Existe uma diferença enorme entre:

"Meu programa funciona."

e

"Meu sistema continuará funcionando pelos próximos vinte anos."

Essa diferença chama-se engenharia de qualidade.

O Mainframe sempre foi pioneiro nisso.

Enquanto muitas plataformas modernas seguem o famoso:

"Deploy rápido e corrige depois."

O Mainframe tradicionalmente segue outra filosofia:

"Planeje tanto que quase não seja necessário corrigir."

Parece exagero?

Pense em um banco.

Imagine que durante o fechamento financeiro do mês:

  • um JOB falha

  • uma transação CICS trava

  • um cálculo de imposto gera valores incorretos

  • um débito é executado duas vezes

Agora multiplique isso por:

  • dez milhões de clientes.

A qualidade deixa de ser uma característica técnica.

Ela passa a ser um requisito de sobrevivência.


A fábrica de software também é uma fábrica

Quando olhamos para uma montadora, vemos:

  • matéria-prima

  • máquinas

  • operadores

  • inspeções

  • manutenção

  • produção

Agora olhe para um ambiente Mainframe.

Temos praticamente a mesma estrutura.

Na indústriaNo Mainframe
Matéria-primaRequisitos
ProjetoArquitetura
Linha de produçãoPipeline DevOps
MáquinasLPARs IBM Z
FerramentasCOBOL, JCL, DB2, CICS
InspeçãoTestes
Controle estatísticoMonitoramento SMF/RMF
Produto finalAplicação em produção

Mudam os nomes.

A engenharia continua exatamente igual.


APQP

Planejamento Avançado da Qualidade

O primeiro erro de um desenvolvedor júnior é acreditar que programação começa no editor COBOL.

Não começa.

Começa muito antes.

Imagine que o banco deseja criar uma nova modalidade de PIX internacional.

Antes de alguém escrever:

MOVE VALOR TO WS-TOTAL.

centenas de decisões já foram tomadas.

Será utilizado DB2?

VSAM?

MQ?

CICS?

Batch?

Online?

REST?

z/OS Connect?

Quais campos serão adicionados?

Quem fará rollback?

Como será a auditoria?

Qual será o SLA?

Como será a recuperação após desastre?

Tudo isso faz parte do equivalente Mainframe do APQP.


O APQP na prática

Em grandes empresas essa etapa envolve:

  • levantamento de requisitos

  • arquitetura corporativa

  • análise de impacto

  • padrões COBOL

  • convenções JCL

  • segurança RACF

  • definição de índices DB2

  • planejamento de backup

  • definição de monitoramento

  • cronograma

Observe algo interessante.

Nenhuma linha de código foi escrita.

Mesmo assim já existe enorme trabalho.

É exatamente isso que reduz defeitos.


Um exemplo real

Imagine alterar um programa responsável pelo cálculo do FGTS.

Sem planejamento:

"É só incluir um campo."

Na prática:

Esse campo pode existir em:

  • COPYBOOK

  • DB2

  • VSAM

  • MQ

  • CICS

  • telas BMS

  • APIs REST

  • batch noturno

  • relatórios

  • ETL

  • Data Warehouse

Uma alteração pode atingir centenas de programas.

O APQP identifica isso antes.


FMEA

Failure Mode and Effects Analysis

Se existe uma ferramenta que todo desenvolvedor deveria aprender, é esta.

O FMEA faz uma pergunta simples:

"O que pode dar errado?"

Mas a resposta nunca é simples.


Exemplo COBOL

Programa:

PAGTO001

Função:

Efetuar pagamento.

O programador pensa:

"O código está certo."

O FMEA pergunta:

E se o arquivo VSAM estiver cheio?

E se ocorrer DEADLOCK no DB2?

E se o MQ estiver indisponível?

E se o cliente enviar CPF inválido?

E se faltar espaço no SORTWK?

E se ocorrer S0C7?

E se houver rollback?

E se duas transações atualizarem o mesmo registro?

Percebe?

O FMEA obriga a pensar como um arquiteto.


Exemplo prático

Modo de falha

Registro duplicado.

Efeito

Cliente recebe pagamento em dobro.

Consequência

Prejuízo financeiro.

Severidade

10

Ocorrência

4

Detecção

3

Risco elevado.

Ação recomendada

Implementar chave única.

Controle transacional.

Logs.

Rollback.

Auditoria.


O FMEA e os ABENDs

Os ABENDs representam excelente fonte para alimentar um FMEA.

Por exemplo:

S0C7

Pode indicar:

dados inválidos.

S806

Programa inexistente.

SB37

Dataset sem espaço.

S322

Timeout.

Cada um desses eventos deveria gerar perguntas:

Como evitar?

Como detectar antes?

Como recuperar automaticamente?


MSA

Measurement System Analysis

Imagine um gerente perguntar:

"Nosso sistema está rápido?"

Resposta:

"Mais ou menos."

Isso não serve.

No Mainframe tudo precisa ser medido.

Mas...

Quem garante que a medição está correta?

Esse é exatamente o papel do MSA.


No mundo IBM Z

O equivalente do MSA inclui:

SMF

RMF

OMEGAMON

IBM Z IntelliMagic

IBM Instana

Grafana

Prometheus

Z APM Connect

Todos precisam fornecer dados confiáveis.


Imagine.

Uma ferramenta informa:

CPU 95%.

Outra:

CPU 52%.

Qual está correta?

Sem confiabilidade na medição não existe gerenciamento.


Gage R&R aplicado ao Mainframe

Na indústria mede-se paquímetro.

No Mainframe mede-se observabilidade.

Por exemplo:

Tempo CICS.

Tempo DB2.

Tempo MQ.

Tempo Batch.

Latência API.

Precisamos validar:

  • consistência

  • repetibilidade

  • precisão


SPC

Statistical Process Control

Esta talvez seja a ferramenta mais próxima do universo dos operadores Mainframe.

Imagine acompanhar diariamente:

Quantidade de JOBs.

Tempo médio Batch.

CPU.

IOPS.

Locks DB2.

Tempo CICS.

Uso DASD.

Uso de memória.

Esses indicadores possuem comportamento normal.

Quando começam a fugir do padrão...

Algo está acontecendo.


Exemplo

Um JOB sempre executa em:

7 minutos.

Durante semanas.

Depois:

8

9

10

11

13

15 minutos.

Ainda termina.

Mas existe tendência.

SPC detecta.

O operador investiga.

Descobre:

Novo índice DB2.

Plano alterado.

RUNSTATS desatualizado.

Sem SPC isso só seria descoberto quando o batch atrasasse horas.


PPAP

Production Part Approval Process

Agora imagine o momento mais temido.

Deploy em produção.

O desenvolvedor diz:

"Funciona na homologação."

O gerente pergunta:

"Você tem evidências?"

Entra o equivalente Mainframe do PPAP.


Antes do Go Live

São revisados:

Código COBOL.

Resultados dos testes.

Testes unitários.

Testes integrados.

Performance.

Planos DB2.

EXPLAIN.

SCAN de segurança.

Revisão RACF.

Validação CICS.

JCL.

Rollback.

Documentação.

Plano de retorno.

Checklist CAB.

Aprovação do negócio.

Somente depois ocorre o deploy.


O PPAP moderno

Hoje muitas empresas automatizam esse processo.

Ferramentas:

Git

Jenkins

UrbanCode Deploy

Endevor

Changeman

ISPW

SonarQube

Zowe CLI

Ansible

Cada etapa produz evidências.

O pipeline torna-se um PPAP digital.


A relação entre os cinco

Observe como cada ferramenta depende da anterior.

Sem planejamento...

não existe análise de risco.

Sem análise de risco...

não sabemos o que medir.

Sem medição...

não sabemos controlar.

Sem controle...

não existe aprovação.

É uma cadeia.


Os Core Tools dentro do ciclo de vida do software

Imagine um projeto para modernizar um sistema COBOL de empréstimos.

Durante o planejamento (APQP), arquitetos definem requisitos, integração com APIs via z/OS Connect, impactos em DB2, VSAM e CICS, requisitos de segurança RACF e critérios de desempenho.

Na sequência, realiza-se o FMEA, identificando riscos como indisponibilidade de serviços externos, deadlocks em tabelas DB2, falhas de comunicação com IBM MQ, concorrência entre transações CICS, erros de conversão de dados e possíveis ABENDs. Para cada risco são propostas ações preventivas.

Com o projeto definido, entram em cena as práticas equivalentes ao MSA. Ferramentas como SMF, RMF, OMEGAMON, Instana e Grafana são configuradas para garantir que CPU, I/O, tempos de resposta e utilização de recursos sejam medidos de forma consistente e confiável.

Durante testes e homologação, aplica-se o conceito de SPC. A equipe monitora métricas como tempo médio de execução de jobs, consumo de CPU, quantidade de locks DB2, latência de transações CICS e volume de mensagens em filas MQ. O objetivo é identificar tendências antes que se transformem em incidentes.

Por fim, o PPAP se materializa no processo de aprovação para produção. Revisões de código, testes automatizados, análise estática, validação de planos DB2, documentação, plano de rollback, aprovação da CAB (Change Advisory Board) e conformidade com normas corporativas garantem que o software esteja apto para operar em produção com segurança.


A Qualidade como Cultura

O maior ensinamento dos Core Tools não é preencher formulários.

É desenvolver uma forma de pensar.

Um bom programador pergunta:

"Como faço isso funcionar?"

Um excelente engenheiro pergunta:

  • Como isso pode falhar?

  • Como detectarei a falha?

  • Como evitarei que ela ocorra novamente?

  • Como monitorarei esse comportamento ao longo do tempo?

  • Como demonstrarei, com evidências, que o sistema é confiável?

Essa mudança de mentalidade transforma desenvolvedores em arquitetos de soluções resilientes.


O que Todo COBOL Padawan Deve Levar para a Carreira

Se existe uma lição que atravessa décadas de evolução tecnológica, do COBOL ao DevOps, do batch ao cloud híbrido, é que qualidade nunca é um evento; é um processo contínuo.

Os 5 Core Quality Tools mostram que sistemas robustos não são fruto de sorte ou de programadores "geniais". Eles são resultado de planejamento disciplinado, análise de riscos, medições confiáveis, monitoramento estatístico e processos rigorosos de aprovação.

No universo IBM Mainframe, essa filosofia sempre esteve presente. É por isso que aplicações escritas há 30 ou 40 anos continuam processando milhões de transações diariamente com níveis extraordinários de disponibilidade e confiabilidade.

Ao estudar APQP, FMEA, MSA, SPC e PPAP, o COBOL Padawan percebe que essas ferramentas não pertencem apenas à indústria automotiva. Elas representam uma forma universal de construir sistemas críticos: pensar antes de programar, prevenir antes de corrigir, medir antes de decidir, controlar antes que o problema aconteça e liberar para produção apenas quando houver evidências objetivas de que o software está pronto.

No fim das contas, o maior legado da Stack IBM Mainframe talvez não seja apenas sua tecnologia, mas sua cultura de engenharia. Uma cultura em que cada linha de código, cada JCL, cada tabela DB2, cada transação CICS e cada job batch fazem parte de um ecossistema projetado para entregar confiança. E confiança, em sistemas que movimentam bilhões de reais todos os dias, é a mais valiosa das qualidades. Afinal, como costumo dizer aos novos Padawans do Mainframe:

"No IBM Z, qualidade não é um departamento. É uma característica da arquitetura, do processo e da mentalidade de quem escreve cada linha de código."

 

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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