| Bellacosa Mainframe em uma visita ao Parque do Ibirapuera |
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🌳 O Ibirapuera — Meu Imenso Quintal de Adolescência
Amigos, encontros, planetas, livros e memórias espalhadas por um dos maiores parques de São Paulo
Tenho uma ligação histórica com o Parque do Ibirapuera.
Quando olho para essas fotografias de 1997, percebo que elas não registram simplesmente mais uma visita ao parque. O Ibirapuera já fazia parte da minha vida havia muitos anos.
Minha primeira lembrança vem de 1987 ou 1988 — a data exata se perdeu em algum lugar da memória. Fui até lá por causa de uma Bienal do Livro e descobri aquele lugar gigantesco no meio de São Paulo.
Para um jovem curioso, aquilo parecia não ter fim.
Havia o Pavilhão da Bienal, a Oca, o Planetário, os museus, o lago, enormes áreas verdes, caminhos que desapareciam entre as árvores e sempre alguma coisa nova esperando depois da próxima curva.
Depois vieram outras visitas.
Em 1994, passei uma tarde extremamente agradável por ali com a Patricia, do Enigma. Em outra ocasião daquele mesmo período fui ao Planetário com a Cristiani e, por uma dessas coincidências que transformam um passeio comum em memória, acabei encontrando o Maelo.
Anos mais tarde voltei com a Paty de Interlagos.
Pessoas diferentes.
Momentos diferentes.
O mesmo Ibirapuera.
Talvez seja por isso que gosto de pensar nele como meu imenso quintal de adolescência.
Não era preciso existir um grande planejamento para aproveitar o parque.
Podíamos simplesmente caminhar.
Comprar uma água de coco.
Comer pipoca.
Seguir alguma trilha em meio ao verde.
Parar diante do lago.
Observar os cisnes, gansos, marrecos e garças.
Entrar no Planetário e, durante alguns minutos, deixar São Paulo para viajar pelo Universo.
Depois sair novamente para o sol e continuar andando.
O parque permitia essas pequenas viagens dentro de uma viagem.
Havia também o Pavilhão da Bienal, a Oca e tantos outros espaços que faziam o Ibirapuera parecer uma pequena cidade dedicada à cultura, à ciência, à arte e ao lazer.
E havia a presença da história.
Do outro lado daquele universo verde ergue-se o imponente Obelisco, guardando a memória dos que morreram na Revolução Constitucionalista de 1932.
Quando somos jovens, muitas vezes passamos diante desses monumentos sem compreender completamente o peso das histórias que carregam.
Décadas depois, olhamos novamente e enxergamos outras coisas.
Talvez seja isso que também aconteça com nossas próprias fotografias.
Em 1997, quando registrei mais uma tarde no Ibirapuera, provavelmente não estava pensando em construir um documento histórico da minha juventude.
Estava apenas vivendo.
Fotografando.
Caminhando.
Observando os animais.
Visitando lugares que já conhecia e descobrindo outros detalhes.
Mas o tempo fez seu trabalho.
Hoje aquelas fotografias não mostram somente o Parque do Ibirapuera.
Elas carregam todas as outras visitas que não aparecem dentro do enquadramento.
Em algum lugar entre aquelas árvores ainda consigo imaginar o jovem que chegou ali pela primeira vez para conhecer uma Bienal do Livro.
Em outro caminho está a tarde com Patricia.
Perto do Planetário aparecem Cristiani e o encontro inesperado com Maelo.
Em outra época surge Paty de Interlagos.
E então aparece o Vagner de 1997, novamente caminhando com uma câmera pela mão, fotografando o lago e seus habitantes.
É curioso perceber como determinados lugares tornam-se marcadores físicos da nossa própria linha do tempo.
As pessoas mudam.
Os relacionamentos mudam.
Nós mudamos.
Mas o lago continua ali.
A Oca continua ali.
O Pavilhão continua ali.
O Planetário continua apontando para as estrelas.
E o velho Ibirapuera continua recebendo novas gerações que compram pipoca, tomam água de coco e caminham sem destino entre suas árvores.
Talvez algum jovem esteja fazendo exatamente isso agora.
Sem imaginar que aquela tarde aparentemente comum poderá tornar-se, trinta ou quarenta anos depois, uma de suas melhores lembranças.
Foi assim comigo.
Por isso, quando digo que conheço o Parque do Ibirapuera, não estou falando apenas de conhecer seus caminhos.
Existem pedaços da minha juventude espalhados por eles.
E talvez essa seja a verdadeira razão pela qual determinados lugares nunca deixam completamente de nos pertencer.
O Ibirapuera foi parque, museu, planetário, biblioteca de lembranças, ponto de encontro e cenário de pequenas aventuras.
Durante alguns dos melhores anos da juventude, foi também algo muito mais simples.
Foi meu quintal.