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sábado, 9 de julho de 2016

A bagunça do formiga vendo os peixes frescos

Bellacosa Mainframe no mercado municipal de campinas entre peixes e caranguejos na velha estação ferroviaria

Um Café no Bellacosa Mainframe

🐟 A Bagunça do Formiga Vendo os Peixes — Uma Viagem Dentro da Viagem

O Formiga enxergava peixes, caranguejos e uma enorme brincadeira. Eu enxergava também uma antiga estação, mercadorias chegando, homens trabalhando, carroças, trilhos desaparecidos e mais de um século de Campinas continuando silenciosamente ao nosso redor.

Existem centenas de pequenas aventuras com o Formiga espalhadas por este blog.

Algumas parecem importantes no momento em que acontecem. Outras parecem apenas fragmentos do cotidiano: um passeio, uma brincadeira, uma tarde qualquer, alguns minutos de vídeo.

Só muitos anos depois percebemos que aquelas pequenas gravações eram backups.

Backups de pessoas.

Backups de lugares.

Backups de uma época.

Este pequeno vídeo de julho de 2016 é um deles.

Naquele dia fomos passear pelo Mercado Municipal de Campinas. Para quem está com pressa, o Mercadão é simplesmente um lugar para comprar alguma coisa.

Para nós, não.

Nós estávamos explorando.

E explorar um mercado com uma criança é uma experiência completamente diferente.

🐜 Para o Formiga, cada banca podia esconder uma aventura.


🐟 Um oceano no meio de Campinas

Chegamos às bancas de pescado.

Peixes inteiros repousavam sobre o gelo. Havia espécies diferentes, tamanhos diferentes, formatos estranhos para os olhos de uma criança acostumada a encontrar peixe já transformado em comida.

E havia os caranguejos.

Vivos.

Aquilo imediatamente chamou a atenção do pequeno explorador.

Para um adulto passando rapidamente pela banca, eram produtos.

Para o comerciante, eram mercadoria.

Para alguém pensando no almoço, talvez já fossem mentalmente uma receita.

Para o Formiga...

eram bichos.

E isso muda completamente a perspectiva.

Quando surgiu a explicação de que aqueles caranguejos seriam preparados e comidos, incluindo suas pernas, o pequeno não pareceu particularmente satisfeito com a humanidade.

😂

Talvez naquele instante ele tenha concluído que os adultos eram criaturas bastante suspeitas.

Mas aquela brincadeira diante da peixaria escondia uma aula gigantesca.

O peixe estava contando uma história.

O caranguejo estava contando outra.

E o próprio prédio contava uma terceira.


🚂 Espere... este mercado já viu trens

É aqui que nosso passeio começa a fazer uma viagem dentro da viagem.

Porque aquele edifício não apareceu simplesmente no centro de Campinas para abrigar bancas de alimentos.

A história daquele espaço está profundamente ligada à Campinas ferroviária.

O Mercado Municipal foi inaugurado no início do século XX, em um edifício associado à história da antiga Estrada de Ferro Funilense e projetado por Francisco de Paula Ramos de Azevedo.

Sim.

Ramos de Azevedo.

O mesmo universo arquitetônico de uma São Paulo e de uma Campinas que cresciam rapidamente impulsionadas pelo café, pelo comércio, pela indústria e pelas ferrovias.

Onde o Formiga enxergava uma banca de peixes, eu podia imaginar outra paisagem.

Trilhos.

Vagões.

Carroças.

Homens carregando mercadorias.

Produtos agrícolas chegando das propriedades.

Volumes sendo descarregados.

Gente embarcando.

Gente desembarcando.

O apito de uma locomotiva.

E uma ferrovia seguindo em direção ao interior.

O mundo que existia ali antes de nós.



🚂 Quando os trilhos eram a internet das mercadorias

Para explicar isso ao Formiga seria necessário começar pelo princípio.

Hoje apertamos alguns botões e uma mercadoria atravessa o país.

Naquela época, a logística tinha rodas de ferro.

Imagine um agricultor produzindo longe do centro urbano.

Sua produção precisava chegar ao consumidor.

Primeiro poderia existir uma carroça.

Depois uma estação.

Então o trem.

O produto entrava numa rede.

Quem trabalha com computadores talvez já tenha percebido onde quero chegar.

😁

A ferrovia era uma espécie de backbone físico da economia.

As pequenas estradas e carroças funcionavam como redes de acesso.

As estações eram nós.

Os entroncamentos eram grandes roteadores.

Os armazéns funcionavam como buffers.

Os horários dos trens eram nossos schedulers.

E os vagões transportavam os pacotes.

Só que os pacotes podiam ser café, frutas, verduras, animais, ferramentas, correspondência e pessoas.

Nenhum TCP/IP.

Muito vapor, carvão, suor e graxa.

🥬 A ferrovia desapareceu. A função sobreviveu.

E talvez esta seja a parte mais bonita dessa história.

Os trens desapareceram daquele lugar.

Os trilhos foram embora.

As locomotivas deixaram de apitar.

Mas observe o que continua acontecendo dentro do velho edifício.

Alimentos chegam.

Alimentos são organizados.

Alimentos são comercializados.

Pessoas chegam para buscá-los.

E alimentos partem novamente para abastecer famílias.

O modal mudou.

A escala mudou.

A tecnologia mudou.

Mas alguma coisa da antiga missão permaneceu viva.

Aquilo continua sendo um ponto de convergência.

Uma espécie de hub.

Só que agora os vagões foram substituídos por caminhões, utilitários, automóveis, motocicletas e sacolas carregadas por pessoas.

O mainframe continua funcionando.

Trocaram apenas alguns periféricos.

😁

🦀 E o caranguejo veio de muito longe

Enquanto penso em ferrovias desaparecidas, o Formiga continua interessado no caranguejo.

E aquele pequeno animal oferece outra aula.

Como ele chegou até Campinas?

Não apareceu magicamente dentro daquela banca.

Existe uma cadeia antes daquele balcão.

Mangue.

Captura.

Seleção.

Acondicionamento.

Transporte.

Distribuição.

Comerciante.

Mercado.

Consumidor.

Há trabalhadores invisíveis em cada etapa.

Da mesma maneira, aquele peixe vindo do litoral percorreu centenas de quilômetros até terminar sobre uma camada de gelo diante de um menino curioso no interior paulista.

O Formiga não precisava conhecer naquele momento palavras como cadeia logística, perecibilidade, distribuição, cadeia de frio ou abastecimento urbano.

Ele precisava apenas perguntar:

— Vaguinho, que peixe é esse?

E brincar.

O conhecimento viria depois.

Primeiro vem a curiosidade.

🏪 As pequenas lojas são parte da máquina

Outra coisa fascinante no Mercadão são suas pequenas lojas.

Quitandas.

Boxes.

Empórios.

Peixarias.

Temperos.

Grãos.

Carnes.

Doces.

Produtos que talvez você nem estivesse procurando até passar diante deles.

Cada comerciante ocupa alguns metros quadrados.

Mas todos juntos formam um organismo.

Pessoas entram e saem continuamente.

Uma senhora conhece exatamente a banca onde compra determinado produto.

O comerciante reconhece clientes antigos.

Alguém pergunta o preço.

Outro escolhe uma fruta.

Outro está pensando no almoço de domingo.

Alguém carrega sacolas.

Outro corre porque estacionou onde não deveria.

😂

E no meio dessa multidão apressada estavam dois indivíduos completamente improdutivos.

Eu e o Formiga.

Enquanto todos estavam tentando comprar alguma coisa...

nós estávamos tentando descobrir coisas.

🐜 A vantagem de explorar com uma criança

Crianças possuem uma característica maravilhosa que muitos adultos perdem.

Elas não respeitam nossa classificação de importância.

Uma placa histórica pode ser ignorada.

Um caranguejo mexendo uma perninha pode se tornar o acontecimento mais importante do universo.

E talvez elas estejam certas.

Porque enquanto nós procuramos grandes monumentos, elas encontram pequenas histórias.

Foi assim em centenas de aventuras com o Formiga.

Parques.

Trens.

Mercados.

Circos.

Quermesses.

Animais.

Comidas.

Pequenas caminhadas.

Coisas aparentemente banais.

Nunca precisei transformar cada passeio numa aula formal.

Não havia PowerPoint.

Não havia prova.

Não havia certificado.

Não havia badge.

Havia curiosidade.

💾 O vídeo era um backup e eu não sabia

Em julho de 2016 publiquei aquele pequeno vídeo praticamente como uma brincadeira.

"A bagunça do Formiga vendo os peixes frescos."

Era isso.

Dez anos depois, percebo que havia muito mais informação armazenada naquele arquivo.

Ali está o Formiga pequeno.

Ali está sua voz.

Sua reação.

Nossa conversa.

A banca.

Os peixes.

Os caranguejos.

O Mercado Municipal.

Campinas naquele momento.

E, invisíveis atrás das paredes, mais de cem anos de outras pessoas que passaram por aquele mesmo espaço.

Talvez essa seja uma das razões pelas quais gosto tanto desses pequenos registros.

Um vídeo aparentemente sem importância pode tornar-se uma máquina do tempo.

🥚 Easter egg — procure os trilhos que não aparecem

Existe um easter egg gigantesco naquele vídeo.

Você pode assistir várias vezes e nunca vê-lo.

São os trilhos.

Eles não aparecem.

Mas estão lá.

Não fisicamente.

Historicamente.

Enquanto o Formiga olha os peixes, imagine por alguns segundos outra Campinas.

Retire mentalmente os carros.

Retire as motocicletas.

Retire os celulares.

Retire algumas construções modernas.

Agora coloque carroças.

Homens carregando caixas.

Mercadorias agrícolas.

Passageiros.

Funcionários ferroviários.

E ao fundo...

uma locomotiva.

Talvez seja essa uma das grandes maravilhas de conhecer a história de um lugar.

Depois que aprendemos a enxergar o passado, algumas coisas desaparecidas tornam-se impossíveis de deixar de ver.

☕ Uma viagem dentro da viagem

Naquele dia fomos ao Mercado Municipal.

Mas também fomos ao litoral através dos peixes.

Fomos aos manguezais através dos caranguejos.

Voltamos ao início do século XX através do edifício.

Viajamos pela antiga ferrovia sem embarcar em nenhum trem.

Conhecemos trabalhadores que nunca vimos através dos produtos que chegaram às bancas.

E tudo isso aconteceu enquanto um pequeno Formiga fazia bagunça diante de alguns peixes.

Talvez ele não tivesse ideia da cadeia logística.

Talvez não soubesse quem foi Ramos de Azevedo.

Talvez não soubesse que trens estiveram ligados à história daquele lugar.

E não precisava saber.

Naquele momento bastava uma coisa.

Estar curioso.

Eu podia fornecer o resto.

Essa talvez seja a melhor definição das centenas de pequenas aventuras que tivemos juntos:

eu mostrava lugares ao Formiga — e o Formiga fazia com que eu voltasse a olhar para esses lugares como se também estivesse vendo tudo pela primeira vez.

🐜🐟🚂☕

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O formiguinha se assustou com os caranguejos...


Em nossa voltinha pelo mercado municipal de Campinas, o formiguinha esta encantado com os peixes e se assustou com os caranguejos.



Estamos fazendo a maior bagunça vendo os peixes e comentando os diversos tipos de peixe que tem nesta banca... peixe fresco e suculento para um delicioso almoço de final de semana.

Eca... o formiga nao curtiu nada a ideia de comer caranguejos, detestou imaginar que se arranca as perninhas e come o bicho.
Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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