✨ Bem-vindo ao meu espaço! ✨ Este blog é o diário de um otaku apaixonado por animes, tecnologia de mainframe e viagens. Cada entrada é uma mistura única: relatos de viagem com fotos, filmes, links, artigos e desenhos, sempre buscando enriquecer a experiência de quem lê. Sou quase um turista profissional: adoro dormir em uma cama diferente, acordar em um lugar novo e registrar tudo com minha câmera sempre à mão. Entre uma viagem e outra, compartilho também reflexões sobre cultura otaku/animes
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quinta-feira, 7 de setembro de 2017
Biodiversidade Marinha no aquário de Genova
sábado, 9 de julho de 2016
A bagunça do formiga vendo os peixes frescos
| Bellacosa Mainframe no mercado municipal de campinas entre peixes e caranguejos na velha estação ferroviaria |
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
🐟 A Bagunça do Formiga Vendo os Peixes — Uma Viagem Dentro da Viagem
O Formiga enxergava peixes, caranguejos e uma enorme brincadeira. Eu enxergava também uma antiga estação, mercadorias chegando, homens trabalhando, carroças, trilhos desaparecidos e mais de um século de Campinas continuando silenciosamente ao nosso redor.
Existem centenas de pequenas aventuras com o Formiga espalhadas por este blog.
Algumas parecem importantes no momento em que acontecem. Outras parecem apenas fragmentos do cotidiano: um passeio, uma brincadeira, uma tarde qualquer, alguns minutos de vídeo.
Só muitos anos depois percebemos que aquelas pequenas gravações eram backups.
Backups de pessoas.
Backups de lugares.
Backups de uma época.
Este pequeno vídeo de julho de 2016 é um deles.
Naquele dia fomos passear pelo Mercado Municipal de Campinas. Para quem está com pressa, o Mercadão é simplesmente um lugar para comprar alguma coisa.
Para nós, não.
Nós estávamos explorando.
E explorar um mercado com uma criança é uma experiência completamente diferente.
🐜 Para o Formiga, cada banca podia esconder uma aventura.
🐟 Um oceano no meio de Campinas
Chegamos às bancas de pescado.
Peixes inteiros repousavam sobre o gelo. Havia espécies diferentes, tamanhos diferentes, formatos estranhos para os olhos de uma criança acostumada a encontrar peixe já transformado em comida.
E havia os caranguejos.
Vivos.
Aquilo imediatamente chamou a atenção do pequeno explorador.
Para um adulto passando rapidamente pela banca, eram produtos.
Para o comerciante, eram mercadoria.
Para alguém pensando no almoço, talvez já fossem mentalmente uma receita.
Para o Formiga...
eram bichos.
E isso muda completamente a perspectiva.
Quando surgiu a explicação de que aqueles caranguejos seriam preparados e comidos, incluindo suas pernas, o pequeno não pareceu particularmente satisfeito com a humanidade.
😂
Talvez naquele instante ele tenha concluído que os adultos eram criaturas bastante suspeitas.
Mas aquela brincadeira diante da peixaria escondia uma aula gigantesca.
O peixe estava contando uma história.
O caranguejo estava contando outra.
E o próprio prédio contava uma terceira.
🚂 Espere... este mercado já viu trens
É aqui que nosso passeio começa a fazer uma viagem dentro da viagem.
Porque aquele edifício não apareceu simplesmente no centro de Campinas para abrigar bancas de alimentos.
A história daquele espaço está profundamente ligada à Campinas ferroviária.
O Mercado Municipal foi inaugurado no início do século XX, em um edifício associado à história da antiga Estrada de Ferro Funilense e projetado por Francisco de Paula Ramos de Azevedo.
Sim.
Ramos de Azevedo.
O mesmo universo arquitetônico de uma São Paulo e de uma Campinas que cresciam rapidamente impulsionadas pelo café, pelo comércio, pela indústria e pelas ferrovias.
Onde o Formiga enxergava uma banca de peixes, eu podia imaginar outra paisagem.
Trilhos.
Vagões.
Carroças.
Homens carregando mercadorias.
Produtos agrícolas chegando das propriedades.
Volumes sendo descarregados.
Gente embarcando.
Gente desembarcando.
O apito de uma locomotiva.
E uma ferrovia seguindo em direção ao interior.
O mundo que existia ali antes de nós.
🚂 Quando os trilhos eram a internet das mercadorias
Para explicar isso ao Formiga seria necessário começar pelo princípio.
Hoje apertamos alguns botões e uma mercadoria atravessa o país.
Naquela época, a logística tinha rodas de ferro.
Imagine um agricultor produzindo longe do centro urbano.
Sua produção precisava chegar ao consumidor.
Primeiro poderia existir uma carroça.
Depois uma estação.
Então o trem.
O produto entrava numa rede.
Quem trabalha com computadores talvez já tenha percebido onde quero chegar.
😁
A ferrovia era uma espécie de backbone físico da economia.
As pequenas estradas e carroças funcionavam como redes de acesso.
As estações eram nós.
Os entroncamentos eram grandes roteadores.
Os armazéns funcionavam como buffers.
Os horários dos trens eram nossos schedulers.
E os vagões transportavam os pacotes.
Só que os pacotes podiam ser café, frutas, verduras, animais, ferramentas, correspondência e pessoas.
Nenhum TCP/IP.
Muito vapor, carvão, suor e graxa.
🥬 A ferrovia desapareceu. A função sobreviveu.
E talvez esta seja a parte mais bonita dessa história.
Os trens desapareceram daquele lugar.
Os trilhos foram embora.
As locomotivas deixaram de apitar.
Mas observe o que continua acontecendo dentro do velho edifício.
Alimentos chegam.
Alimentos são organizados.
Alimentos são comercializados.
Pessoas chegam para buscá-los.
E alimentos partem novamente para abastecer famílias.
O modal mudou.
A escala mudou.
A tecnologia mudou.
Mas alguma coisa da antiga missão permaneceu viva.
Aquilo continua sendo um ponto de convergência.
Uma espécie de hub.
Só que agora os vagões foram substituídos por caminhões, utilitários, automóveis, motocicletas e sacolas carregadas por pessoas.
O mainframe continua funcionando.
Trocaram apenas alguns periféricos.
😁
🦀 E o caranguejo veio de muito longe
Enquanto penso em ferrovias desaparecidas, o Formiga continua interessado no caranguejo.
E aquele pequeno animal oferece outra aula.
Como ele chegou até Campinas?
Não apareceu magicamente dentro daquela banca.
Existe uma cadeia antes daquele balcão.
Mangue.
Captura.
Seleção.
Acondicionamento.
Transporte.
Distribuição.
Comerciante.
Mercado.
Consumidor.
Há trabalhadores invisíveis em cada etapa.
Da mesma maneira, aquele peixe vindo do litoral percorreu centenas de quilômetros até terminar sobre uma camada de gelo diante de um menino curioso no interior paulista.
O Formiga não precisava conhecer naquele momento palavras como cadeia logística, perecibilidade, distribuição, cadeia de frio ou abastecimento urbano.
Ele precisava apenas perguntar:
— Vaguinho, que peixe é esse?
E brincar.
O conhecimento viria depois.
Primeiro vem a curiosidade.
🏪 As pequenas lojas são parte da máquina
Outra coisa fascinante no Mercadão são suas pequenas lojas.
Quitandas.
Boxes.
Empórios.
Peixarias.
Temperos.
Grãos.
Carnes.
Doces.
Produtos que talvez você nem estivesse procurando até passar diante deles.
Cada comerciante ocupa alguns metros quadrados.
Mas todos juntos formam um organismo.
Pessoas entram e saem continuamente.
Uma senhora conhece exatamente a banca onde compra determinado produto.
O comerciante reconhece clientes antigos.
Alguém pergunta o preço.
Outro escolhe uma fruta.
Outro está pensando no almoço de domingo.
Alguém carrega sacolas.
Outro corre porque estacionou onde não deveria.
😂
E no meio dessa multidão apressada estavam dois indivíduos completamente improdutivos.
Eu e o Formiga.
Enquanto todos estavam tentando comprar alguma coisa...
nós estávamos tentando descobrir coisas.
🐜 A vantagem de explorar com uma criança
Crianças possuem uma característica maravilhosa que muitos adultos perdem.
Elas não respeitam nossa classificação de importância.
Uma placa histórica pode ser ignorada.
Um caranguejo mexendo uma perninha pode se tornar o acontecimento mais importante do universo.
E talvez elas estejam certas.
Porque enquanto nós procuramos grandes monumentos, elas encontram pequenas histórias.
Foi assim em centenas de aventuras com o Formiga.
Parques.
Trens.
Mercados.
Circos.
Quermesses.
Animais.
Comidas.
Pequenas caminhadas.
Coisas aparentemente banais.
Nunca precisei transformar cada passeio numa aula formal.
Não havia PowerPoint.
Não havia prova.
Não havia certificado.
Não havia badge.
Havia curiosidade.
💾 O vídeo era um backup e eu não sabia
Em julho de 2016 publiquei aquele pequeno vídeo praticamente como uma brincadeira.
"A bagunça do Formiga vendo os peixes frescos."
Era isso.
Dez anos depois, percebo que havia muito mais informação armazenada naquele arquivo.
Ali está o Formiga pequeno.
Ali está sua voz.
Sua reação.
Nossa conversa.
A banca.
Os peixes.
Os caranguejos.
O Mercado Municipal.
Campinas naquele momento.
E, invisíveis atrás das paredes, mais de cem anos de outras pessoas que passaram por aquele mesmo espaço.
Talvez essa seja uma das razões pelas quais gosto tanto desses pequenos registros.
Um vídeo aparentemente sem importância pode tornar-se uma máquina do tempo.
🥚 Easter egg — procure os trilhos que não aparecem
Existe um easter egg gigantesco naquele vídeo.
Você pode assistir várias vezes e nunca vê-lo.
São os trilhos.
Eles não aparecem.
Mas estão lá.
Não fisicamente.
Historicamente.
Enquanto o Formiga olha os peixes, imagine por alguns segundos outra Campinas.
Retire mentalmente os carros.
Retire as motocicletas.
Retire os celulares.
Retire algumas construções modernas.
Agora coloque carroças.
Homens carregando caixas.
Mercadorias agrícolas.
Passageiros.
Funcionários ferroviários.
E ao fundo...
uma locomotiva.
Talvez seja essa uma das grandes maravilhas de conhecer a história de um lugar.
Depois que aprendemos a enxergar o passado, algumas coisas desaparecidas tornam-se impossíveis de deixar de ver.
☕ Uma viagem dentro da viagem
Naquele dia fomos ao Mercado Municipal.
Mas também fomos ao litoral através dos peixes.
Fomos aos manguezais através dos caranguejos.
Voltamos ao início do século XX através do edifício.
Viajamos pela antiga ferrovia sem embarcar em nenhum trem.
Conhecemos trabalhadores que nunca vimos através dos produtos que chegaram às bancas.
E tudo isso aconteceu enquanto um pequeno Formiga fazia bagunça diante de alguns peixes.
Talvez ele não tivesse ideia da cadeia logística.
Talvez não soubesse quem foi Ramos de Azevedo.
Talvez não soubesse que trens estiveram ligados à história daquele lugar.
E não precisava saber.
Naquele momento bastava uma coisa.
Estar curioso.
Eu podia fornecer o resto.
Essa talvez seja a melhor definição das centenas de pequenas aventuras que tivemos juntos:
eu mostrava lugares ao Formiga — e o Formiga fazia com que eu voltasse a olhar para esses lugares como se também estivesse vendo tudo pela primeira vez.
🐜🐟🚂☕
O formiguinha se assustou com os caranguejos...
Em nossa voltinha pelo mercado municipal de Campinas, o formiguinha esta encantado com os peixes e se assustou com os caranguejos.
Estamos fazendo a maior bagunça vendo os peixes e comentando os diversos tipos de peixe que tem nesta banca... peixe fresco e suculento para um delicioso almoço de final de semana.
Eca... o formiga nao curtiu nada a ideia de comer caranguejos, detestou imaginar que se arranca as perninhas e come o bicho.
sábado, 16 de junho de 2012
Aquario de Genova Parque da Expo
Parque da Expo em Génova
Historicamente Génova foi a capital de uma republica marítima que durante muitos anos, dominou esta parte do Mar Mediterraneo, com um grande porto é actualmente uma das cidades mais ricas da Itália.Em 1992 foi escolhida para abrigar a EXPO, foi então criado um parque com diversas atracões que fariam parte desta exposição: dessa iniciativa surgiram o Submarino Museu U 518 Nazário Sauro, o museu marítimo, o navio pirata Neptuno, o aquário de Génova e varias outras pequenas iniciativas.
Para quem ama ver peixes, este aquário é fantástico construído na forma de um barco, anda-se por diversos ambientes, vendo de forma didática aquários com espécies representativas do globo todo.
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segunda-feira, 22 de agosto de 2011
O dia em que o mini Oni perdeu para o cãozinho do apocalipse
| Bellacosa Mainframe e o pequeno cao do inferno |
📜 El Jefe Midnight Lunch – Bellacosa Mainframe Logs
O dia em que o mini Oni perdeu para o cãozinho do apocalipse
Voltemos à Pirassununga, 1983 — aquele ambiente rural-urbano onde o asfalto não era bem asfalto, o silêncio não era bem silêncio, e as crianças não eram exatamente crianças… eram unidades autônomas de caos, equipadas com energia infinita, pés ligeiros e zero bom senso.
E no meu caso específico:
um pequeno Oni em modo provocação contínua.
🐕💀 O cruz-credo em miniatura – 30 cm de ódio puro
No caminho da escola, existia um ser.
Um daemon canídeo.
Uma criatura saída diretamente do IBM Hell Center, versão 30 centímetros de altura, perninhas finas, latência zero e latido com volume de sirene de teste de descompressão.
Eu tentava passar no modo stealth.
Mas a peste me detectava a 100 metros de distância, como se tivesse um RACF EXIT escrito só para identificar Bellacosa.
E começava o ataque sonoro.
Latido atrás de latido…
Um log interminável de aborrecimento.
A antipatia era mútua:
eu achava ele insuportável,
e ele achava que minha existência era uma ofensa pessoal.
🥢 A guerra fria Bellacosa vs. Mini-Cão
Em certos dias, eu no modo Oni provocador:
-
batia o pé no chão
-
arrastava galhos na grade
-
fazia tec-tec-tec-tec só pra irritar
-
e ainda olhava com cara de “chama no x1, coragem!”
Todo santo dia tinha algum episódio.
E nenhum de nós queria perder.
Mas… toda guerra tem um dia decisivo.
☠ A vingança canina – O ataque surpresa
Lá vou eu caminhando com um pote de peixinhos (não lembro por quê, mas a vida do Bellacosa é um RDD cheio de registros bizarros).
Um adolescente estava com o portão aberto e pediu para ver os peixes.
Eu, educado, entreguei o pote.
Foi quando, do fundo do inferno, saiu ele:
o mini Cavaleiro do Apocalipse, versão toy, vindo na velocidade de um I/O mal configurado.
Eu, com o dono ali do lado, não podia reagir como de costume.
Então fiz o que qualquer Oni covarde, desesperado e consciente da própria mortalidade faria:
fugi e trepei numa árvore.
E foi por pouco.
Mas o ódio canino daquele demônio de 30 cm era maior que seu tamanho.
Ele deu um salto.
Um salto digno de Olimpo canino.
E abocanhou minha panturrilha.
Não foi profundo.
Não foi sério.
Mas doeu…
e pior…
feriu o orgulho.
Meu log interno registrou:
“Erro crítico: mini-cão venceu o embate. Orgulho comprometido. Reiniciar?”
O dono capturou a fera, pediu desculpas, prendeu o mini-cerberus e quase se ajoelhou de vergonha.
Eu respondi:
— “Tá tudo bem… não foi nada…”
Por dentro?
Eu queria formatar aquele cachorro.
Com baixa densidade.
E sem backup.
🐦 Sobre animais… cada um com seu bicho
Esse episódio reforçou algo que me acompanha até hoje:
nunca fui fã de cachorros, principalmente os barulhentos.
A Vivi sempre foi o oposto: ama cães, gatos, tudo que tenha pelo e quatro patas.
Os bichinhos sempre foram dela — eu só convivia.
Eu?
Sou do time das aves.
Mas não curto gaiolas.
Gosto de liberdade.
Gosto do som de asas.
Da ideia de voar.
Mas essa conversa fica para outro capítulo.
📌 E assim termina o dia em que o Oni foi derrotado…
Derrotado por um canino de bolso.
Um microserviço do caos.
Um processo zombie cheio de dentes.
Mas faz parte da vida.
Nem sempre o herói vence.
Às vezes, quem ganha é o monstrinho de 30 cm com complexo de Napoleão.
Quando quiser, puxo mais um registro desse data set da infância.
É só mandar o comando:
CALL RARIDADE,MODE=NOSTALGIA
Bellacosa out. 🐕🔥🕶️
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Aventura do Barbinha no Aquário da Expo
| Bellacosa Mainframe em uma tarde no Oceanario de Lisboa |
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
🐠 Aventura do Barbinha no Oceanário de Lisboa — Quando o Mundo Cabia Atrás de um Vidro
Ele tinha apenas dois anos. Para mim, aqueles enormes aquários já eram fascinantes. Para o pequeno Barbinha, porém, cada vidro parecia uma janela para outro mundo. Peixes, cores, movimentos e criaturas estranhas transformavam uma simples visita de fim de semana em uma verdadeira expedição entre pai e filho.
O Barbinha era — e continua sendo — um dos apelidos carinhosos que dei ao meu filho, Luís Renato. Às vezes também o chamava de Luigi.
Nesta gravação ele tinha apenas dois anos.
Morávamos em Portugal e uma das coisas que eu procurava fazer nos finais de semana era justamente sair com ele para conhecer alguma coisa diferente. Não precisava ser uma grande viagem ou uma aventura extraordinária.
A aventura podia estar ali mesmo, em Lisboa.
E poucas coisas eram tão fascinantes para nós dois quanto uma visita ao Oceanário de Lisboa.
Eu sempre gostei de peixes, aquários e vida marinha. Portanto, confesso que havia uma excelente desculpa paternal envolvida:
— Vamos levar o Barbinha ao Oceanário!
Claro.
Pelo desenvolvimento cultural da criança.
Absolutamente.
O fato de o pai também adorar aquilo era apenas uma feliz coincidência. 😄
🌊 Um pedaço da Expo 98 que continuava vivo
O Oceanário era um daqueles lugares especiais que Lisboa havia herdado da Expo 98.
A exposição terminou, os visitantes foram embora, o calendário avançou, mas aquele fabuloso edifício permaneceu como uma espécie de portal para os oceanos.
E nós aproveitávamos.
Sempre que podíamos, voltávamos.
Para um adulto, retornar ao mesmo lugar poderia parecer repetitivo.
Para uma criança de dois anos, não.
Naquela idade, praticamente tudo ainda estava sendo descoberto pela primeira vez.
E mesmo aquilo que já havia sido visto anteriormente podia ser novamente extraordinário.
Um peixe que na visita anterior passou despercebido agora chamava atenção.
Uma criatura escondida atrás de uma pedra aparecia.
Uma cor diferente surgia.
Um movimento inesperado acontecia.
E lá estava o Barbinha, pequenino diante daqueles enormes vidros, tentando compreender aquele universo líquido.
🐟 "Olha aquele!"
Uma das coisas mais divertidas era simplesmente acompanhar suas reações.
Os peixinhos.
Os peixões.
As criaturas estranhas.
Os movimentos dentro da água.
Cada tanque podia nos prender durante vários minutos.
Eu mostrava alguma coisa.
Ele encontrava outra.
Eu tentava explicar.
Ele observava.
Nós brincávamos.
Explorávamos.
Aprendíamos juntos.
Talvez seja justamente aí que esteja uma das minhas lembranças mais importantes desses passeios.
Eu não queria simplesmente entretê-lo.
Queria alimentar aquela pequena curiosidade que estava começando a aparecer.
Uma criança de dois anos não precisa saber o nome científico de um peixe.
Não precisa decorar espécies.
Não precisa compreender ecossistemas.
Mas pode descobrir algo muito mais importante:
que o mundo é interessante.
🧠 Expandindo uma pequena mente
Eu procurava aproveitar aqueles momentos para expandir sua pequena mente.
Não no sentido de transformar cada passeio em uma aula formal.
Muito pelo contrário.
A aprendizagem acontecia justamente porque estávamos nos divertindo.
Era:
olhar, perguntar, apontar, descobrir, rir e procurar novamente.
A curiosidade vinha antes da explicação.
E acredito que isso faça uma diferença enorme.
Quando uma criança descobre que aprender pode ser divertido, qualquer lugar pode se transformar em uma sala de aula.
Um aquário.
Uma estação ferroviária.
Um museu.
Uma praça.
Uma floresta.
Uma rua.
Até uma poça d'água.
Na postagem original escrevi justamente sobre isso: o Barbinha parecia querer explorar cada pequena "pocinha de água".
E havia algo muito bonito naquele comportamento.
Para mim talvez fosse apenas mais um tanque.
Para ele, havia alguma coisa lá dentro.
E isso bastava para investigar.
👨👦 Pai e filho diante do oceano
Hoje, olhando novamente essas gravações, percebo que existe outra história acontecendo silenciosamente nas imagens.
Na época eu estava simplesmente vivendo aquilo.
Pegava a câmera e filmava meu filho.
Só isso.
Não imaginava necessariamente o valor que aqueles minutos teriam muitos anos depois.
Mas o vídeo acabou capturando algo que não aparece em nenhum guia turístico.
Capturou uma fase da nossa vida.
Um menino de dois anos.
Seu pai.
Um final de semana em Lisboa.
E algumas horas disponíveis para descobrir o mundo juntos.
Talvez por isso esses vídeos espalhados pelo blog tenham se tornado tão interessantes para mim.
Individualmente parecem pequenos registros.
Quando colocados juntos, porém, começam a formar uma espécie de arqueologia afetiva.
Aqui está o Barbinha no Oceanário.
Em outro vídeo estamos em outro passeio.
Depois existe outra aventura.
E mais outra.
Pequenos fragmentos de uma infância que continuou avançando enquanto a câmera registrava alguns segundos aqui e alguns minutos ali.
🐠 O aquário nunca era exatamente o mesmo
Visitamos o Oceanário outras vezes.
E isso também fazia parte da graça.
Eu gostava daquele lugar.
Luís gostava daquele lugar.
Então voltávamos.
Mas nunca fazíamos exatamente a mesma visita.
Essa talvez seja uma das coisas curiosas sobre aquários.
Você pode ficar olhando para o mesmo tanque durante dez minutos e ele nunca será exatamente igual.
Os animais estão se movimentando.
Um peixe desaparece.
Outro surge.
Alguma criatura que estava escondida resolve aparecer.
A luz muda.
Seu próprio olhar muda.
E quando você está acompanhado de uma criança, existe ainda outra variável:
ela enxerga coisas que você deixou de procurar.
O adulto entra em um ambiente e rapidamente classifica:
— Aquário.
A criança entra e pergunta silenciosamente:
— O que será que existe ali?
Existe uma diferença gigantesca entre as duas coisas.
👀 Talvez os adultos desaprendam a olhar
Foi algo que já me chamou atenção naquela época.
Nós, adultos, nos acostumamos com o extraordinário.
Um enorme tanque cheio de criaturas marinhas está diante de nós e, depois de alguns minutos, nosso cérebro começa a tratá-lo como cenário.
Uma criança ainda não desenvolveu completamente essa terrível habilidade.
Ela continua olhando.
Aproxima o rosto do vidro.
Segue um peixe.
Perde o peixe.
Procura novamente.
Encontra outro.
Aponta.
Chama o pai.
E recomeça tudo.
Talvez eu estivesse tentando ensinar coisas ao Barbinha.
Mas, pensando agora, provavelmente ele também estava me ensinando a olhar novamente.
🔎 Sempre havia um detalhe novo
Essa era uma das razões pelas quais gostávamos de voltar.
Sempre havia alguma coisa que não tínhamos percebido anteriormente.
Isso transformava cada visita numa pequena expedição.
Não existia aquela obrigação adulta de:
"Já fomos, portanto já conhecemos."
Conhecer não funciona assim.
Você pode visitar um lugar dez vezes e encontrar alguma coisa diferente na décima primeira.
Aliás, talvez isso também explique meu fascínio por exploração até hoje.
Existe sempre mais uma porta.
Mais um corredor.
Mais uma história.
Mais um detalhe.
Mais um peixe escondido atrás daquela pedra que ninguém tinha percebido.
🐡 A verdadeira aventura do Barbinha
Olhando hoje para o título que coloquei naquela postagem em 2010 — "Aventura do Barbinha no Aquário da Expo" — percebo que a palavra mais importante talvez seja justamente aventura.
Porque para uma criança de dois anos aquilo realmente era uma aventura.
Não havia monstros.
Não havia mapas secretos.
Não havia tesouros enterrados.
Mas havia um oceano inteiro atrás de enormes paredes de vidro.
E, quando se tem dois anos, isso é mais do que suficiente.
Talvez nós adultos compliquemos demais o significado da palavra aventura.
Às vezes aventura é simplesmente sair de casa segurando a mão do pai sem saber exatamente o que vai aparecer depois da próxima porta.
❤️ O que ficou daquela visita
A Expo 98 terminou.
Os anos passaram.
O Barbinha cresceu.
Luigi deixou de ser aquele pequenino de dois anos diante do aquário.
E eu também mudei.
Mas aquele menino continua existindo por alguns minutos dentro daquela gravação.
Continua olhando os peixes.
Continua explorando.
Continua descobrindo.
E eu continuo ali com ele.
É justamente por isso que gosto de recuperar essas antigas postagens do blog.
Não estou apenas recuperando vídeos.
Estou encontrando pequenos pedaços da nossa vida que ficaram estacionados no tempo.
Naquele final de semana em Lisboa, provavelmente achei que estava apenas levando meu filho para passear no Oceanário.
Hoje percebo que estava fazendo outra coisa.
Estávamos construindo memória.
Eu procurava cultivar nele a curiosidade, a apreciação pelas coisas, a vontade de descobrir, observar e aprender.
Queria mostrar ao meu pequeno Barbinha que havia um mundo gigantesco esperando para ser explorado.
E talvez essa seja uma das melhores coisas que um pai possa oferecer a um filho:
não todas as respostas,
mas a vontade de continuar fazendo perguntas.
Porque, quando você tem dois anos, um aquário pode conter um oceano.
E quando você aprende a conservar um pouco dessa curiosidade depois de adulto...
o mundo inteiro continua sendo um lugar enorme para explorar.
🥚 Easter egg Bellacosa
Anos depois eu passaria horas olhando telas cheias de jobs, programas COBOL, dumps, datasets e sistemas tentando encontrar aquele pequeno detalhe que ninguém tinha percebido.
Talvez a origem do método fosse muito mais antiga.
Talvez estivesse ali.
No Oceanário de Lisboa.
Ao lado de um menino de dois anos que olhava atentamente para uma "pocinha de água" porque tinha certeza de que ainda havia alguma coisa escondida lá dentro.
E quase sempre havia.