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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Quadrilha e o forro do São João

Bellacosa Mainframe e lembranças da Festa Junina no Colégio São José

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🌽 Quadrilha e o Forró do São João — Uma Festa Perdida no Tempo

Voltamos ao Colégio São José, naquela animada Festa Junina em que os verdadeiros protagonistas eram o pequeno Formiga e seus colegas.

Era uma daquelas quermesses escolares feitas para reunir todo mundo. Crianças, professores, papais, mamães, irmãos, avós e convidados dividiam o mesmo espaço entre bandeirinhas coloridas, música, barracas e os inevitáveis comes e bebes de uma boa festa junina.

Mas a grande atração eram mesmo as crianças.

Ao longo da festa, cada turma, cada classe e cada série tinha preparado sua própria apresentação. A cada hora, aproximadamente, um novo grupo ocupava o espaço da dança para mostrar a coreografia ensaiada durante os dias anteriores.

E começava novamente aquele pequeno ritual.

Os pais procuravam um bom lugar.

Celulares e câmeras apareciam.

Alguém chamava:

— Olha aqui!

Outro tentava descobrir onde estava o próprio filho no meio daquele pequeno exército de chapéus de palha, vestidos coloridos e rostos pintados.

E então começava a música.



🎶 Cada turma contava sua própria história

Não era simplesmente colocar todas as crianças para repetir a mesma quadrilha.

Cada grupo havia preparado sua apresentação, criando coreografias diferentes e enriquecendo ainda mais aquela tarde de festa.

Em uma delas, as crianças formavam círculos. Em outro momento, os meninos ficavam agachados enquanto as meninas circulavam ao redor deles. Depois os papéis se invertiam.

Tudo acompanhado pelo ritmo alegre do forró e pela atenção absoluta dos familiares.

Para as crianças provavelmente era principalmente uma grande brincadeira.

Para os pais havia outra coisa acontecendo.

Era orgulho.

Aquele instante em que você procura seu filho no meio de dezenas de crianças e, quando finalmente o encontra, praticamente esquece todo o restante da apresentação.

Ali está ele.

E pronto.

Durante alguns minutos, aquele pequeno dançarino torna-se a pessoa mais importante de toda a festa.

Naquele dia, para mim, esse pequeno protagonista era o Formiga.



📹 Na época era apenas um vídeo

Talvez esta seja uma das coisas mais interessantes de manter um blog durante tantos anos.

Em 2017 eu estava simplesmente registrando o presente.

Peguei a câmera, filmei alguns minutos, publiquei o vídeo e escrevi sobre aquilo que estava acontecendo diante dos meus olhos.

Não parecia História.

Era apenas sábado.

Era apenas uma Festa Junina.

Era apenas uma apresentação das crianças.

Era apenas mais um daqueles pequenos acontecimentos do cotidiano que imaginamos que estarão disponíveis para sempre.

Mas não estão.

O tempo passou.

E aquele pequeno vídeo começou silenciosamente a mudar de significado.



⏳ As crianças cresceram

Hoje, ao rever essas imagens tantos anos depois, existe uma sensação completamente diferente.

Aquelas crianças cresceram.

Muitas são hoje adolescentes. Outras já estão entrando na vida adulta.

Possivelmente algumas delas nem se lembram mais espontaneamente daquela Festa Junina do Colégio São José.

Vieram outras escolas, outros professores, provas, amizades, namoros, vestibulares, empregos e milhares de acontecimentos que foram sendo empilhados sobre aquela memória.

Talvez alguém que aparece durante poucos segundos naquele vídeo jamais tenha pensado novamente naquele dia.

Até apertar PLAY.

Então acontece uma coisa maravilhosa.

A música começa.

A imagem se movimenta.

Aparecem os colegas.

Surge um rosto conhecido.

— Nossa! Fulano!

Depois outro.

— Olha eu ali!

E, subitamente, uma tarde aparentemente perdida de 2017 reaparece.

Não apenas intelectualmente.

A memória começa a reconstruir detalhes que a pessoa nem sabia que ainda guardava.

Talvez se lembre da roupa.

Do professor.

Do amigo que estava ao lado.

Do ensaio.

Da vergonha de dançar.

Da mãe filmando.

Do pai assistindo.

Do cheiro da comida.

Da música.

De alguma pequena confusão ocorrida minutos antes da apresentação.

É o poder curioso de uma fotografia ou de alguns segundos de vídeo: eles funcionam como índices para arquivos que o nosso cérebro acreditava ter apagado.

🏮 Uma festa perdida no tempo

É justamente por isso que hoje gosto ainda mais deste pequeno registro.

Ele deixou de ser apenas o vídeo de uma quadrilha.

Transformou-se numa espécie de cápsula do tempo do Colégio São José.

Ali estão roupas, músicas, brincadeiras, professores, famílias e principalmente crianças congeladas em determinado ponto de suas vidas.

Durante alguns minutos ninguém precisava pensar no que aconteceria dez anos depois.

Não existiam vestibulares.

Não existiam currículos.

Não existiam boletos.

Não existiam chefes.

Não existia a pergunta sobre qual profissão seguir.

Existia apenas:

— Agora é a nossa turma!

E lá iam eles.

Dançar.

Errar um passo.

Olhar para o colega.

Tentar lembrar a coreografia.

Procurar os pais no meio da multidão.

E continuar dançando.

❤️ O verdadeiro valor aparece depois

Talvez ninguém naquela tarde tivesse consciência de que estava construindo uma memória.

É justamente isso que torna esses registros cotidianos tão preciosos.

As grandes ocasiões nós sabemos que devemos fotografar.

Casamentos, formaturas, aniversários importantes e viagens recebem centenas de fotografias.

Mas são esses pequenos momentos aparentemente banais que frequentemente adquirem um valor gigantesco décadas depois.

Uma Festa Junina escolar.

Uma quadrilha.

Um prato de alguma coisa comprado numa barraca.

Uma criança usando chapéu de palha.

Uma música tocando.

Um pai segurando uma câmera.

Nada disso parecia extraordinário naquele momento.

Hoje é impossível repetir exatamente aquela tarde.

Podemos fazer outra festa.

Podemos montar as mesmas barracas.

Podemos tocar as mesmas músicas.

Podemos até reunir algumas das mesmas pessoas.

Mas jamais conseguiremos reunir novamente aquelas crianças, com aquelas idades, naquele Colégio São José, naquele instante de suas vidas.

Essa festa existe agora somente nas lembranças de quem esteve lá — e nos pequenos fragmentos que tivemos a sorte de guardar.

Por isso este vídeo continua aqui.

Para o Formiga.

Para seus antigos colegas.

Para os papais e mamães que estavam orgulhosos assistindo às apresentações.

E talvez para algum daqueles pequenos dançarinos que, muitos anos depois, encontre esta página por acaso, aperte PLAY e reconheça a si mesmo correndo ou dançando no fundo da imagem.

Nesse momento talvez venha um sorriso involuntário.

E aquela sensação tão estranha e gostosa:

— Meu Deus... eu lembro disso.

Então, durante alguns minutos, aquela Festa Junina perdida no tempo estará acontecendo novamente.

As bandeirinhas voltarão a balançar.

O forró voltará a tocar.

As crianças voltarão para suas posições.

E o pequeno Formiga e seus colegas serão crianças outra vez.

Nem que seja apenas enquanto durar o vídeo.

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Forro do São João no São José


Chapéu de palha, vestidinho de chita e sardinhas nos rostos rosados estas caipirinhas estão todas paramentadas prontas para a festa.

As crianças da Quadrilha não param de aprontar, agora estão dançando um forro de São João todas as crianças estão em círculos: os meninos agachados e as meninas em rodando os círculos, depois os meninos circulando as rodinhas e aproveitando para fazer a maior farra... você já dançou a quadrilha?




quarta-feira, 5 de julho de 2017

Uma pescaria dos miúdos na quermesse

Bellacosa Mainframe e a pescaria na quermesse


Um Café no Bellacosa Mainframe

🎣 Uma Pescaria dos Miúdos na Quermesse — Quando o Formiga Recarregou a Bateria

No Colégio São José de Campinas havia quadrilha, sanfona, comes e bebes — mas nenhuma boa festa junina estaria completa sem aquele pequeno universo de pescarias, argolas, latas, bingo, cadeia e brincadeiras onde o prêmio importava muito menos que a aventura.

Há pequenos vídeos que parecem registrar quase nada.

Algumas crianças brincando.

Uma barraca.

Uma vara de pescaria.

Adultos observando.

Barulho de festa ao fundo.

Talvez alguns segundos.

Mas quase dez anos depois, quando voltamos a assistir, descobrimos que a câmera estava gravando muito mais.

Ela estava fazendo backup de uma tarde inteira.

E voltamos novamente àquele nosso dia mágico no Colégio São José, em Campinas.

🌽 Muito além da quadrilha

Já contei em outros pequenos fragmentos dessa festa sobre as apresentações, as quadrilhas, o forró, o sanfoneiro, as crianças fantasiadas e aquele pequeno personagem que naquele dia parecia possuir energia suficiente para alimentar metade de Campinas:

o Formiga.

Mas uma festa junina brasileira não vive apenas de dança.

Também não vive apenas de comida — embora seja bastante difícil explicar isso diante de uma mesa contendo pastel, cachorro-quente, pipoca, bolo, paçoca, milho, doces e outras maravilhas capazes de transformar qualquer tentativa de dieta em ficção científica.

Existe outro elemento fundamental da velha quermesse:

as barracas de jogos.

E talvez seja justamente nelas que sobreviva uma das partes mais antigas e bonitas dessas festas.

Não precisamos de videogame.

Não precisamos de realidade virtual.

Não precisamos de uma GPU monstruosa.

Precisamos apenas de algumas latas, uma bola feita de meia, argolas, garrafas, varinhas improvisadas, papel, barbante e...

imaginação.

O resto as crianças fazem.



🎣 A pescaria que não precisa de rio

Uma das barracas mais tradicionais é a pescaria.

Pequenos peixes ficam escondidos ou espalhados em uma área decorada, normalmente com números que correspondem aos prêmios.

A criança recebe uma pequena vara.

Na ponta, algum mecanismo simples permite “pescar” o peixe.

E começa a operação.

Olhos atentos.

Mão tentando ficar firme.

A vara balançando.

— Aquele!

Não.

— O outro!

Quase.

— Vai, Formiga!

Até que finalmente...

PESCAMOS!

Para um adulto é apenas uma brincadeira.

Para uma criança, naquele instante, provavelmente estamos diante de uma operação de pesca comercial no Atlântico Norte.

O peixinho é levantado como se tivesse quinze quilos.

Descobre-se o número.

Procura-se o prêmio correspondente.

E nasce aquele sorriso.

O objeto recebido pode ser simples.

Mas existe uma diferença gigantesca entre ganhar alguma coisa e conquistar alguma coisa.

O brinquedinho agora possui uma história.

Eu pesquei.

E isso muda tudo.



🔋 Formiga.exe voltou com CPU em 100%

Antes dessa etapa da festa, naturalmente existiu uma operação extremamente importante:

abastecimento.

O Formiga havia passado pelos comes e bebes.

Comeu.

Bebeu.

Recuperou energia.

E retornou para a festa aparentemente com a bateria novamente em:

100%.

Se existisse SDSF para crianças, provavelmente veríamos algo semelhante:

JOBNAME   CPU%   STATUS
FORMIGA   99.9   RUNNING
VAGUINHO  47.2   FOLLOWING
JULIANA   63.8   FOLLOWING

E lá fomos nós.

Eu e Juliana acompanhando o pequeno em sua peregrinação pelas barracas.

Para ele, cada uma representava uma aventura diferente.

Para nós, existia outro espetáculo acontecendo simultaneamente:

ver a alegria dele.




🎯 O parque de diversões construído pela comunidade

Essas barracas possuem algo que sempre achei fascinante.

Elas são simples.

Muito simples.

A famosa brincadeira de derrubar latas, por exemplo, pode utilizar literalmente:

latas vazias + bola de meia.

Hardware praticamente gratuito.

Mas o software?

Esse está instalado na imaginação.

De repente aquelas latas tornam-se um grande desafio de precisão.

O jogo de argolas transforma algumas garrafas em alvos disputadíssimos.

A pescaria transforma papelão e plástico em um lago cheio de tesouros.

O bingo transforma números sorteados em suspense coletivo.

E cada escola, igreja, bairro ou comunidade acaba inventando suas próprias variações.

Essa talvez seja uma das grandes características da quermesse:

ela é hackeável.

Cada geração modifica alguma coisa.

Alguém inventa uma brincadeira.

Outro professor acrescenta uma regra.

Um grupo de pais constrói uma barraca.

Os alunos ajudam.

E no ano seguinte alguém copia a ideia.

É quase um software open source cultural.


💌 Correio elegante

Existe ainda aquele clássico absolutamente maravilhoso:

o correio elegante.

Alguém escreve um bilhetinho.

Um mensageiro atravessa a festa.

Procura o destinatário.

Entrega.

Às vezes existe assinatura.

Às vezes não.

Às vezes é declaração.

Às vezes brincadeira.

Às vezes alguém passa os próximos vinte minutos tentando descobrir:

QUEM MANDOU ISSO?!

Muito antes de WhatsApp, Instagram, mensagens instantâneas e notificações, a quermesse já possuía sua própria rede social.

Só que o protocolo de transporte era um aluno correndo pelo pátio.


🚔 Você está preso!

Outra brincadeira clássica, hoje menos comum em algumas festas, era a famosa cadeia.

A lógica era maravilhosamente absurda.

Você pagava ao “delegado” para prender alguém.

Dois voluntários apareciam.

A vítima era conduzida para a cadeia da festa.

E precisava cumprir alguma condição da brincadeira para sair.

Era inevitável.

Amigos prendiam amigos.

Namorados prendiam namoradas.

Crianças queriam prender os pais.

Pais conspiravam contra outros pais.

Durante algumas horas surgia no meio da quermesse um sistema jurídico paralelo administrado provavelmente por alguém usando um chapéu de xerife comprado numa loja de fantasias.

E funcionava perfeitamente.

Ou quase.



🎁 De onde vinham os prêmios?

Existe ainda uma história escondida atrás das barracas.

Os prêmios não apareciam magicamente.

Durante os preparativos da festa, alunos e famílias ajudavam a arrecadar brindes.

Havia doações.

Pequenos presentes.

Objetos oferecidos por comerciantes.

Colaborações de pais.

Doações de verdadeiros mecenas da quermesse.

Depois tudo aquilo era organizado e distribuído pelas diferentes brincadeiras.

Um pequeno ecossistema comunitário começava a funcionar semanas antes de a primeira música tocar.

É fácil chegar à festa pronta e enxergar somente bandeirinhas.

Mas existe muito trabalho escondido ali.

Professores.

Funcionários.

Pais.

Alunos.

Voluntários.

Gente carregando mesa.

Gente montando barraca.

Gente separando prêmio.

Gente preparando comida.

Gente testando brincadeira.

Quando finalmente os portões abrem, toda aquela infraestrutura desaparece atrás da festa.

Como deve acontecer com uma boa infraestrutura.



🇧🇷🇯🇵 Espera... eu já vi isso em algum anime

Anos depois comecei a perceber uma coisa curiosa assistindo aos meus animes.

Especialmente os slice of life.

Chega determinado episódio e os personagens vão para algum festival.

Barracas.

Comida.

Jogos.

Prêmios.

Amigos caminhando juntos.

Crianças tentando ganhar alguma coisa.

Casais tímidos.

Luzes.

Música.

Gente circulando.

E inevitavelmente pensei:

peraí... isso é uma quermesse!

Naturalmente existem diferenças culturais enormes entre uma festa junina brasileira e os diversos festivais tradicionais japoneses.

Mas a lógica social por trás de muitos desses momentos é surpreendentemente familiar.

A comunidade se reúne.

Existem comidas características.

Existem brincadeiras.

Existem barracas.

Existem pequenos prêmios.

Existe o prazer de caminhar sem muita pressa.

E existe principalmente aquela sensação de que, durante algumas horas, aquele lugar pertence às pessoas que estão ali juntas.

Talvez seja por isso que essas cenas de anime pareçam tão familiares mesmo acontecendo do outro lado do planeta.

Troque algumas lanternas por bandeirinhas.

Troque determinadas comidas por pastel, milho e paçoca.

Coloque uma sanfona tocando ao fundo.

E talvez algum brasileiro olhe para aquilo e pense:

— Rapaz... conheço esse ambiente.


🧠 A brincadeira é maior que o prêmio

Talvez esteja aí uma coisa que os adultos frequentemente esquecem.

Nós avaliamos o prêmio pelo valor.

Uma criança avalia pela história.

Um brinquedinho barato comprado numa loja pode ser apenas um brinquedinho.

Mas aquele mesmo objeto conquistado depois de três tentativas para derrubar uma pilha de latas torna-se:

O PRÊMIO QUE EU GANHEI.

Existe esforço.

Existe expectativa.

Existe ritual.

Existe testemunha.

— Olha, Juju!

— Olha, Vaguinho!

E então o pequeno prêmio entra no inventário afetivo daquela criança.

Alguns desaparecem dias depois.

Outros quebram.

Outros ficam esquecidos numa gaveta.

Mas curiosamente a lembrança pode sobreviver ao próprio objeto.


🐜 E o Formiga?

O Formiga estava exatamente onde uma criança deveria estar naquela tarde.

Correndo.

Brincando.

Experimentando.

Gastando toda a energia recém-adquirida nos comes e bebes.

Descobrindo cada barraca.

Provavelmente pensando muito pouco sobre memória, tradição, cultura brasileira ou antropologia das festas populares.

Ainda bem.

Essa parte ficou conosco.

Ele tinha uma tarefa muito mais importante:

divertir-se.

Eu e Juliana simplesmente acompanhávamos a farra.

Naquele momento talvez não percebêssemos que estávamos armazenando algo.

Hoje percebo.


🥚 Easter egg — o prêmio verdadeiro estava fora da barraca

Existe um pequeno easter egg escondido nesse vídeo.

Durante toda a pescaria, naturalmente olhamos para a criança tentando pegar o peixe.

Depois olhamos para o prêmio.

Qual número saiu?

O que ele ganhou?

Mas quase uma década depois o objeto já não importa muito.

Talvez nem consigamos lembrar qual foi.

O verdadeiro prêmio estava fora da barraca.

Era aquela tarde.

Era Juliana.

Era o Formiga.

Era eu.

Era a música ao fundo.

Eram dezenas de famílias circulando.

Era aquele pequeno mundo do Colégio São José funcionando durante algumas horas como se nada mais existisse.

A pescaria era apenas a interface.

O prêmio era estar lá.


💾 Um backup chamado vídeo

Talvez seja por isso que gosto tanto desses pequenos vídeos aparentemente banais.

Não são grandes acontecimentos.

Não existe monumento.

Não existe viagem internacional.

Não existe acontecimento histórico.

Existe uma criança brincando numa quermesse.

Mas são justamente essas coisas que o tempo destrói primeiro.

O jeito de falar.

A altura da criança.

A voz.

A roupa.

O movimento.

As pessoas passando ao fundo.

Uma decoração que nunca mais será montada exatamente daquela maneira.

Até aquele pequeno brinquedo desaparecido.

Então apertamos REC sem imaginar muito.

Anos depois apertamos PLAY.

E acontece uma coisa extraordinária.

Por alguns segundos...

o Formiga volta a estar com a bateria em 100%.

Juliana está ali.

Eu estou acompanhando.

A pescaria continua funcionando.

A quadrilha ainda não terminou.

O sanfoneiro continua tocando em algum outro fragmento daquele dia.

As barracas continuam cheias.

E a festa junina do Colégio São José ainda não acabou.

Talvez essa seja uma das funções mais bonitas desses velhos vídeos.

Eles não registram simplesmente o passado.

São pequenos RESTORE POINTS da nossa vida.

E enquanto conseguirmos apertar PLAY...

aquele JOB ainda pode rodar novamente.

//FORMIGA JOB (SAOJOSE),'FESTA JUNINA'
//STEP01 EXEC PGM=MEMORIA
//SYSIN DD *
PESCAR
BRINCAR
RIR
GUARDAR
/*

MAXCC = 0000

Bellacosa Mainframe — porque algumas das rotinas mais importantes da nossa vida nunca foram documentadas. Apenas vividas.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Aspectos lúdicos da Festa Junina


Uma festa junina digna desse nome não pode deixar de ter as famosas barraquinhas que fazem a alegria da criançada, jogos sociais típicos das Festas Populares tais como pescaria, roleta, tiro ao alvo com bolas, bingo e outras barracas.

Na quermesse do São José teve barraca de pescaria, da cadeia, de acertar o alvo, chutar bolo no gol....

O formiga adorou a pescaria e ficou ali um bom tempo lutando para conseguir apanhar seus peixinhos.


Formiga e o Sanfoneiro na Quadrilha

Bellacosa Mainframe e o sanfoneiro da festa junina do colégio são Jose

Um Café no Bellacosa Mainframe

🪗 Formiga e o Sanfoneiro na Quadrilha — Quando o Vaguinho Saiu das Histórias

Uma festa junina no Colégio São José, um sanfoneiro tocando, dezenas de pequenos caipiras correndo pelo pátio e um analista de sistemas descobrindo que, para os amigos do Formiga, ele não era exatamente um adulto: era um personagem das histórias.

Existem vídeos que registram acontecimentos importantes.

Casamentos.

Formaturas.

Viagens.

Aniversários.

E existem aqueles pequenos vídeos que aparentemente não registram absolutamente nada de extraordinário.

São justamente esses que, anos depois, tornam-se extraordinários.

Este é um deles.

Estamos novamente na Festa Junina do Colégio São José, em Campinas.

O pátio está tomado por crianças vestidas de caipirinhas, famílias observando as apresentações, professores tentando manter alguma organização no meio daquela maravilhosa confusão e, nos bastidores de tudo isso, a festa continua acontecendo.

Barracas.

Comes e bebes.

Conversas.

Risadas.

Crianças correndo.

Pais fotografando.

E música.

Muita música.

No meio daquele pequeno universo junino havia um personagem fundamental:

o sanfoneiro.

🪗

Sentado com seu instrumento, ele fazia aquilo que gerações de músicos fizeram antes dele nas festas populares brasileiras.

Abriu a sanfona.

Fechou a sanfona.

E deixou o ar atravessar os foles transformando movimento em música.

Ao redor dele, a festa acontecia.

Mas havia outro personagem naquela história.



🐜 O Formiga estava impossível

Nosso pequeno Formiga encontrava-se em estado de absoluta euforia.

E quem conhece criança em festa escolar sabe exatamente o que isso significa.

Ele queria correr.

Brincar.

Conversar.

Encontrar os amigos.

Mostrar alguma coisa.

Sumir durante alguns segundos.

Aparecer do outro lado.

Voltar correndo.

Contar uma história começando pelo final.

E imediatamente desaparecer novamente porque alguma coisa muito mais importante acabara de acontecer a cinco metros dali.

Era o processamento paralelo infantil funcionando em sua capacidade máxima.

Se colocássemos aquilo num monitor de performance, provavelmente encontraríamos:

CPU: 100%

Threads: incontáveis

Prioridade: todas

Tempo de resposta: imediato

Controle de mudanças: inexistente

😂

Mas naquele dia aconteceu uma coisa particularmente divertida.

O Formiga resolveu apresentar o Vaguinho aos amigos.


👨‍💻 "Esse é o Vaguinho!"

E aqui a história fica interessante.

Porque existe o Vagner que eu conheço.

Analista de sistemas.

Programador.

Homem dos bits.

Um sujeito que já havia atravessado aeroportos, cidades, países e continentes.

Um sujeito que trabalhou com computadores enormes, sistemas corporativos e aquelas maravilhosas geringonças tecnológicas que fazem bancos, empresas e governos continuarem funcionando enquanto praticamente ninguém percebe.

Um brasileiro que já havia percorrido uma boa parte deste planeta.

Mas nada disso tinha muita importância naquele pátio.

Para aquelas crianças eu possuía uma credencial muito mais importante:

eu era o Vaguinho.

😂

O personagem das histórias do Formiga.

De repente aqueles pequenos seres humanos vestidos de caipirinhas estavam conhecendo em carne e osso aquele adulto meio amalucado que aparecia nas histórias contadas por ele.

Provavelmente alguma coisa como:

— Esse é o Vaguinho!

E pronto.

Currículo apresentado.

Não precisava de LinkedIn.

Não precisava de crachá.

Não precisava explicar profissão.

Muito menos mostrar certificados.

Para aquela turma, minha reputação profissional era construída sobre qualificações muito mais importantes.

🎮 Um adulto suspeitamente incompatível com o cargo

Eu era o adulto que jogava videogame.

Montava LEGO.

Assistia desenhos animados.

Inventava brincadeiras.

Fazia zoeira.

Contava histórias.

E, principalmente, não parecia considerar que brincar fosse uma atividade exclusiva das crianças.

Isso provavelmente causava certa incompatibilidade lógica.

Adultos deveriam fazer coisas de adultos.

Conversar sobre assuntos incompreensíveis.

Mandar crianças não correrem.

Perguntar sobre notas.

Dizer:

— Cuidado para não sujar a roupa!

O Vaguinho aparentemente tinha recebido outro manual de operação.

Se havia LEGO:

vamos montar.

Se havia videogame:

liga isso aí.

Se havia desenho animado:

qual episódio?

E entre os desenhos que faziam parte daquele nosso pequeno universo estava uma criatura que se tornaria praticamente patrimônio cultural da casa:



🐑 Shaun the Sheep

Ou, como ficou eternamente registrada em nosso vocabulário:

a famosa Ovelha Xone.

😂

A maravilhosa Shaun the Sheep.

Aquela ovelha extremamente inteligente, cercada por outras ovelhas nem sempre tão inteligentes, vivendo aventuras absurdas enquanto o pobre cachorro Bitzer tenta desesperadamente impedir que a fazenda entre em colapso.

Pensando bem...

Talvez fosse um treinamento precoce para trabalhar com sistemas corporativos.

Shaun cria o incidente.

As outras ovelhas ampliam o incidente.

Bitzer tenta administrar o incidente.

O fazendeiro não sabe que existe um incidente.

E no final todos trabalham desesperadamente para que o ambiente volte ao normal antes que o responsável descubra.

Isso é praticamente um War Room rural.

🐑💻

Talvez por isso eu gostasse tanto.



🪗 Enquanto isso, a sanfona continuava tocando

No fundo daquele pequeno caos perfeitamente organizado, estava o sanfoneiro.

E isso hoje chama minha atenção muito mais do que provavelmente chamou naquele momento.

Porque ele não era simplesmente alguém fornecendo música ambiente.

Era parte essencial daquela experiência.

A festa poderia ter caixas de som.

Poderia ter músicas gravadas.

Poderia simplesmente apertar PLAY.

Mas havia ali um músico.

Uma pessoa.

Um instrumento.

Um fole respirando.

Dedos percorrendo teclas e botões.

A música sendo criada naquele instante.

Cada execução era ligeiramente diferente da anterior.

Nenhum algoritmo.

Nenhum MP3.

Nenhum streaming.

Nenhum buffer.

Apenas músico e instrumento.

Uma tecnologia maravilhosamente analógica.

E ao som daquela sanfona, as crianças realizavam suas coreografias.

🌽 Os pequenos caipiras entram em produção

Cada turma havia preparado sua apresentação.

Durante semanas professores provavelmente organizaram passos, músicas, posições e entradas.

Crianças ensaiaram.

Erraram.

Riram.

Esqueceram.

Tentaram novamente.

Até chegar o grande momento.

Os pequenos entravam vestidos de caipirinhas.

Camisas xadrez.

Vestidos coloridos.

Chapéus de palha.

Pintinhas no rosto.

Bigodes desenhados.

Trancinhas.

Remendos propositalmente costurados nas roupas.

Então começava a música.

E do outro lado estava uma plateia completamente parcial.

Os genitores maravilhados.

😂

Não importava se uma criança virasse para o lado errado.

Se outra esquecesse a coreografia.

Se duas começassem a conversar durante a apresentação.

Se alguém simplesmente parasse no meio da dança procurando a mãe na plateia.

Para os pais aquilo era Broadway.

Era o Scala de Milão.

Era uma apresentação histórica.

Celulares e câmeras eram levantados.

Fotografias eram tiradas.

Vídeos eram gravados.

E aplausos surgiam ao final.

📹 E eu também estava fazendo meu pequeno backup

Naquele momento eu apenas registrava cenas.

Um pequeno vídeo aqui.

Outro ali.

Sem qualquer grande pretensão documental.

Era simplesmente:

REC.

Alguns minutos.

STOP.

Próxima cena.

O que eu não percebia era que estava executando um backup.

Não de arquivos.

Não de programas.

Não de bancos de dados.

Estava fazendo backup de uma época.

Da voz das crianças.

Das roupas.

Das brincadeiras.

Do sanfoneiro.

Do pátio.

Daquele Formiga pequeno e eufórico.

E até daquele Vagner que existia naquele momento.

Porque ele também mudou.

💾 O backup contém versões antigas de nós mesmos

Existe uma coisa curiosa nos vídeos antigos.

Quando assistimos novamente, normalmente prestamos atenção nas pessoas que filmamos.

Mas existe alguém invisível dentro de todo vídeo:

a pessoa que segurava a câmera.

Ela também ficou gravada ali.

Não aparece necessariamente na imagem.

Mas está presente.

Na escolha do enquadramento.

Naquilo que chamou sua atenção.

Na risada atrás da câmera.

Na voz.

Na maneira como observava o mundo.

Por isso, quando revejo um fragmento como este, não estou apenas vendo o Formiga criança.

Estou encontrando uma versão anterior de mim mesmo.

O Vagner daquele dia.

O Vaguinho.

🐜 O personagem aparece em carne e osso

Talvez este seja meu detalhe favorito dessa lembrança.

Para mim, eu simplesmente estava acompanhando o Formiga numa festa escolar.

Para ele, entretanto, havia outra coisa acontecendo.

Ele estava apresentando um pedaço do mundo dele aos amigos.

As crianças provavelmente já tinham ouvido histórias.

O Vaguinho que jogava.

O Vaguinho que brincava.

O Vaguinho que montava LEGO.

O Vaguinho das zoeiras.

O adulto que assistia Ovelha Xone.

Então, subitamente:

lá estava o sujeito.

Materializado no pátio.

😂

É quase como encontrar pessoalmente um personagem sobre o qual alguém vive contando histórias.

E existe algo muito bonito nisso.

Porque significa que, naquele pequeno universo infantil, eu havia conquistado uma categoria diferente de adulto.

Não era simplesmente:

"um adulto".

Era:

"o Vaguinho".



🥚 Easter egg — quem estava apresentando quem?

Durante muitos anos pensei naquela cena como:

o Formiga apresentando o Vaguinho aos amigos.

Hoje não tenho tanta certeza.

Talvez estivesse acontecendo exatamente o contrário.

Talvez o Formiga estivesse me apresentando ao mundo dele.

Aqueles eram os amigos dele.

A escola dele.

As brincadeiras dele.

Os códigos sociais dele.

As histórias dele.

Eu era o visitante.

Por alguns minutos recebi uma credencial temporária para entrar naquele universo.

E o responsável pelo meu acesso era um pequeno administrador chamado Formiga.

USERID: VAGUINHO

ACCESS: FRIENDS

RESOURCE: FESTA.JUNINA.SAOJOSE

PERMISSION: READ / PLAY / ZOEIRA

RACF emocional: ACCESS GRANTED

😂

🕰️ E então o tempo executou seu JOB

A festa terminou.

As barracas foram desmontadas.

O sanfoneiro guardou sua sanfona.

As roupas caipiras voltaram para armários e caixas.

Professores foram para casa.

Pais descarregaram centenas de fotografias.

As crianças cresceram.

Aquelas pequenas figuras que aparecem correndo pelo vídeo hoje são adolescentes ou jovens adultos.

Algumas talvez ainda sejam amigas.

Outras provavelmente nunca mais se encontraram.

Talvez algumas nem se lembrem daquele dia.

Mas existe um pequeno arquivo perdido num canto do universo digital.

E quando apertamos PLAY...

a sanfona toca novamente.

As crianças voltam a dançar.

Os pais voltam a olhar maravilhados.

O Formiga volta a ficar eufórico.

E durante alguns minutos aquele pátio do Colégio São José volta a existir exatamente como era.

Até o Vaguinho retorna.

Um pouco mais jovem.

Provavelmente fazendo alguma zoeira.

🐜🪗

E talvez seja exatamente para isso que servem esses pequenos vídeos aparentemente sem importância.

Eles não impedem que o tempo passe.

Mas deixam alguns checkpoints pelo caminho.

Lugares onde podemos voltar ocasionalmente e dizer:

"Caramba... nós estivemos aqui."

E estivemos mesmo.

O Formiga.

Seus amigos.

Os pequenos caipirinhas.

Os pais orgulhosos.

O sanfoneiro.

E aquele estranho analista de sistemas que percorreu meio mundo para descobrir que, naquele pequeno pátio de Campinas, sua credencial mais importante era simplesmente:

Vaguinho.

☕🐜🪗

Bellacosa Mainframe

Porque algumas memórias não precisam de milhões de bytes.

Precisam apenas sobreviver ao próximo backup.

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Sanfoneiro começou a festa.

O sanfoneiro iniciou a festa, o acordeão dá suas iniciais, afinando o instrumento e  chamando os dançarinos para o centro da quadra e as crianças obedecem preparando-se para a dança.

As crianças do primeiro ano dançando ao ritmo do sanfoneiro e fazendo a maior festa quando o sanfoneiro da roça só tocava isso.... batendo palmas, batendo o pé e fazendo o balanceeeee.

A diversão  esta correndo solta e dançam para la e dançam para cá...



sexta-feira, 16 de junho de 2017

Formiga no Skate e suas voltinhas no parque

Bellacosa Mainframe e o formiga skatista

🛹 Formiga no Skate — As Primeiras Voltinhas no Parque Luís Latorre

Era uma tarde tranquila no Parque Luís Latorre, em Itatiba, e naquele dia o grande desafio do Formiga estava sobre quatro pequenas rodas.

O skate ainda parecia ter vontade própria.

Subir, procurar o equilíbrio, empurrar o chão com o pé, avançar alguns metros, balançar os braços desesperadamente para não cair... e, algumas vezes, cair mesmo. 😄

Nada de grandes manobras, ollies perfeitos ou aventuras radicais. Eram apenas as primeiras voltinhas de quem estava começando a descobrir como permanecer em cima de uma prancha com rodas.

E talvez seja justamente isso que torne este pequeno registro tão especial.

Aprender a andar de skate é uma sucessão de pequenas conquistas. Primeiro conseguimos ficar parados. Depois avançamos um pouco. Descobrimos como colocar os pés, como distribuir o peso do corpo e, principalmente, aprendemos que cair também faz parte da brincadeira.

Naquela tarde, o Parque Luís Latorre tornou-se nossa pequena pista de treinamento.

Entre tentativas, corridas, desequilíbrios e algumas quedas, Formiga continuava tentando. Não havia competição nem obrigação de aprender rapidamente. O importante era brincar, experimentar e aproveitar aquele domingo no parque.

Anos depois, rever essas imagens dá outro significado ao vídeo.



Aquilo que naquele momento era simplesmente uma criança aprendendo a andar de skate tornou-se uma pequena cápsula do tempo: um registro de Itatiba, do parque, da infância e de uma tarde comum que ficou guardada para sempre.

Porque crescer talvez seja exatamente assim.

A gente sobe sem saber direito como funciona, tenta encontrar equilíbrio, começa a andar, cai algumas vezes e levanta novamente.

E então, quase sem perceber...

já estamos dando nossas próprias voltinhas pelo mundo. 🛹🐜🌳



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Treino de Skate


Domingo a tarde nosso amigo Formiga resolveu treinar novamente  suas habilidades no skate, dando voltas e se preparando melhor sobre as rodinhas.

Nada como iniciar o pequeno Formiga em uma atividade esportiva, subindo, andando, correndo e caindo, mas o importante é participar, dedicar um tempinho para aproveitar e ver o crescimento do pequeno.





sábado, 9 de julho de 2016

A bagunça do formiga vendo os peixes frescos

Bellacosa Mainframe no mercado municipal de campinas entre peixes e caranguejos na velha estação ferroviaria

Um Café no Bellacosa Mainframe

🐟 A Bagunça do Formiga Vendo os Peixes — Uma Viagem Dentro da Viagem

O Formiga enxergava peixes, caranguejos e uma enorme brincadeira. Eu enxergava também uma antiga estação, mercadorias chegando, homens trabalhando, carroças, trilhos desaparecidos e mais de um século de Campinas continuando silenciosamente ao nosso redor.

Existem centenas de pequenas aventuras com o Formiga espalhadas por este blog.

Algumas parecem importantes no momento em que acontecem. Outras parecem apenas fragmentos do cotidiano: um passeio, uma brincadeira, uma tarde qualquer, alguns minutos de vídeo.

Só muitos anos depois percebemos que aquelas pequenas gravações eram backups.

Backups de pessoas.

Backups de lugares.

Backups de uma época.

Este pequeno vídeo de julho de 2016 é um deles.

Naquele dia fomos passear pelo Mercado Municipal de Campinas. Para quem está com pressa, o Mercadão é simplesmente um lugar para comprar alguma coisa.

Para nós, não.

Nós estávamos explorando.

E explorar um mercado com uma criança é uma experiência completamente diferente.

🐜 Para o Formiga, cada banca podia esconder uma aventura.


🐟 Um oceano no meio de Campinas

Chegamos às bancas de pescado.

Peixes inteiros repousavam sobre o gelo. Havia espécies diferentes, tamanhos diferentes, formatos estranhos para os olhos de uma criança acostumada a encontrar peixe já transformado em comida.

E havia os caranguejos.

Vivos.

Aquilo imediatamente chamou a atenção do pequeno explorador.

Para um adulto passando rapidamente pela banca, eram produtos.

Para o comerciante, eram mercadoria.

Para alguém pensando no almoço, talvez já fossem mentalmente uma receita.

Para o Formiga...

eram bichos.

E isso muda completamente a perspectiva.

Quando surgiu a explicação de que aqueles caranguejos seriam preparados e comidos, incluindo suas pernas, o pequeno não pareceu particularmente satisfeito com a humanidade.

😂

Talvez naquele instante ele tenha concluído que os adultos eram criaturas bastante suspeitas.

Mas aquela brincadeira diante da peixaria escondia uma aula gigantesca.

O peixe estava contando uma história.

O caranguejo estava contando outra.

E o próprio prédio contava uma terceira.


🚂 Espere... este mercado já viu trens

É aqui que nosso passeio começa a fazer uma viagem dentro da viagem.

Porque aquele edifício não apareceu simplesmente no centro de Campinas para abrigar bancas de alimentos.

A história daquele espaço está profundamente ligada à Campinas ferroviária.

O Mercado Municipal foi inaugurado no início do século XX, em um edifício associado à história da antiga Estrada de Ferro Funilense e projetado por Francisco de Paula Ramos de Azevedo.

Sim.

Ramos de Azevedo.

O mesmo universo arquitetônico de uma São Paulo e de uma Campinas que cresciam rapidamente impulsionadas pelo café, pelo comércio, pela indústria e pelas ferrovias.

Onde o Formiga enxergava uma banca de peixes, eu podia imaginar outra paisagem.

Trilhos.

Vagões.

Carroças.

Homens carregando mercadorias.

Produtos agrícolas chegando das propriedades.

Volumes sendo descarregados.

Gente embarcando.

Gente desembarcando.

O apito de uma locomotiva.

E uma ferrovia seguindo em direção ao interior.

O mundo que existia ali antes de nós.



🚂 Quando os trilhos eram a internet das mercadorias

Para explicar isso ao Formiga seria necessário começar pelo princípio.

Hoje apertamos alguns botões e uma mercadoria atravessa o país.

Naquela época, a logística tinha rodas de ferro.

Imagine um agricultor produzindo longe do centro urbano.

Sua produção precisava chegar ao consumidor.

Primeiro poderia existir uma carroça.

Depois uma estação.

Então o trem.

O produto entrava numa rede.

Quem trabalha com computadores talvez já tenha percebido onde quero chegar.

😁

A ferrovia era uma espécie de backbone físico da economia.

As pequenas estradas e carroças funcionavam como redes de acesso.

As estações eram nós.

Os entroncamentos eram grandes roteadores.

Os armazéns funcionavam como buffers.

Os horários dos trens eram nossos schedulers.

E os vagões transportavam os pacotes.

Só que os pacotes podiam ser café, frutas, verduras, animais, ferramentas, correspondência e pessoas.

Nenhum TCP/IP.

Muito vapor, carvão, suor e graxa.

🥬 A ferrovia desapareceu. A função sobreviveu.

E talvez esta seja a parte mais bonita dessa história.

Os trens desapareceram daquele lugar.

Os trilhos foram embora.

As locomotivas deixaram de apitar.

Mas observe o que continua acontecendo dentro do velho edifício.

Alimentos chegam.

Alimentos são organizados.

Alimentos são comercializados.

Pessoas chegam para buscá-los.

E alimentos partem novamente para abastecer famílias.

O modal mudou.

A escala mudou.

A tecnologia mudou.

Mas alguma coisa da antiga missão permaneceu viva.

Aquilo continua sendo um ponto de convergência.

Uma espécie de hub.

Só que agora os vagões foram substituídos por caminhões, utilitários, automóveis, motocicletas e sacolas carregadas por pessoas.

O mainframe continua funcionando.

Trocaram apenas alguns periféricos.

😁

🦀 E o caranguejo veio de muito longe

Enquanto penso em ferrovias desaparecidas, o Formiga continua interessado no caranguejo.

E aquele pequeno animal oferece outra aula.

Como ele chegou até Campinas?

Não apareceu magicamente dentro daquela banca.

Existe uma cadeia antes daquele balcão.

Mangue.

Captura.

Seleção.

Acondicionamento.

Transporte.

Distribuição.

Comerciante.

Mercado.

Consumidor.

Há trabalhadores invisíveis em cada etapa.

Da mesma maneira, aquele peixe vindo do litoral percorreu centenas de quilômetros até terminar sobre uma camada de gelo diante de um menino curioso no interior paulista.

O Formiga não precisava conhecer naquele momento palavras como cadeia logística, perecibilidade, distribuição, cadeia de frio ou abastecimento urbano.

Ele precisava apenas perguntar:

— Vaguinho, que peixe é esse?

E brincar.

O conhecimento viria depois.

Primeiro vem a curiosidade.

🏪 As pequenas lojas são parte da máquina

Outra coisa fascinante no Mercadão são suas pequenas lojas.

Quitandas.

Boxes.

Empórios.

Peixarias.

Temperos.

Grãos.

Carnes.

Doces.

Produtos que talvez você nem estivesse procurando até passar diante deles.

Cada comerciante ocupa alguns metros quadrados.

Mas todos juntos formam um organismo.

Pessoas entram e saem continuamente.

Uma senhora conhece exatamente a banca onde compra determinado produto.

O comerciante reconhece clientes antigos.

Alguém pergunta o preço.

Outro escolhe uma fruta.

Outro está pensando no almoço de domingo.

Alguém carrega sacolas.

Outro corre porque estacionou onde não deveria.

😂

E no meio dessa multidão apressada estavam dois indivíduos completamente improdutivos.

Eu e o Formiga.

Enquanto todos estavam tentando comprar alguma coisa...

nós estávamos tentando descobrir coisas.

🐜 A vantagem de explorar com uma criança

Crianças possuem uma característica maravilhosa que muitos adultos perdem.

Elas não respeitam nossa classificação de importância.

Uma placa histórica pode ser ignorada.

Um caranguejo mexendo uma perninha pode se tornar o acontecimento mais importante do universo.

E talvez elas estejam certas.

Porque enquanto nós procuramos grandes monumentos, elas encontram pequenas histórias.

Foi assim em centenas de aventuras com o Formiga.

Parques.

Trens.

Mercados.

Circos.

Quermesses.

Animais.

Comidas.

Pequenas caminhadas.

Coisas aparentemente banais.

Nunca precisei transformar cada passeio numa aula formal.

Não havia PowerPoint.

Não havia prova.

Não havia certificado.

Não havia badge.

Havia curiosidade.

💾 O vídeo era um backup e eu não sabia

Em julho de 2016 publiquei aquele pequeno vídeo praticamente como uma brincadeira.

"A bagunça do Formiga vendo os peixes frescos."

Era isso.

Dez anos depois, percebo que havia muito mais informação armazenada naquele arquivo.

Ali está o Formiga pequeno.

Ali está sua voz.

Sua reação.

Nossa conversa.

A banca.

Os peixes.

Os caranguejos.

O Mercado Municipal.

Campinas naquele momento.

E, invisíveis atrás das paredes, mais de cem anos de outras pessoas que passaram por aquele mesmo espaço.

Talvez essa seja uma das razões pelas quais gosto tanto desses pequenos registros.

Um vídeo aparentemente sem importância pode tornar-se uma máquina do tempo.

🥚 Easter egg — procure os trilhos que não aparecem

Existe um easter egg gigantesco naquele vídeo.

Você pode assistir várias vezes e nunca vê-lo.

São os trilhos.

Eles não aparecem.

Mas estão lá.

Não fisicamente.

Historicamente.

Enquanto o Formiga olha os peixes, imagine por alguns segundos outra Campinas.

Retire mentalmente os carros.

Retire as motocicletas.

Retire os celulares.

Retire algumas construções modernas.

Agora coloque carroças.

Homens carregando caixas.

Mercadorias agrícolas.

Passageiros.

Funcionários ferroviários.

E ao fundo...

uma locomotiva.

Talvez seja essa uma das grandes maravilhas de conhecer a história de um lugar.

Depois que aprendemos a enxergar o passado, algumas coisas desaparecidas tornam-se impossíveis de deixar de ver.

☕ Uma viagem dentro da viagem

Naquele dia fomos ao Mercado Municipal.

Mas também fomos ao litoral através dos peixes.

Fomos aos manguezais através dos caranguejos.

Voltamos ao início do século XX através do edifício.

Viajamos pela antiga ferrovia sem embarcar em nenhum trem.

Conhecemos trabalhadores que nunca vimos através dos produtos que chegaram às bancas.

E tudo isso aconteceu enquanto um pequeno Formiga fazia bagunça diante de alguns peixes.

Talvez ele não tivesse ideia da cadeia logística.

Talvez não soubesse quem foi Ramos de Azevedo.

Talvez não soubesse que trens estiveram ligados à história daquele lugar.

E não precisava saber.

Naquele momento bastava uma coisa.

Estar curioso.

Eu podia fornecer o resto.

Essa talvez seja a melhor definição das centenas de pequenas aventuras que tivemos juntos:

eu mostrava lugares ao Formiga — e o Formiga fazia com que eu voltasse a olhar para esses lugares como se também estivesse vendo tudo pela primeira vez.

🐜🐟🚂☕

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O formiguinha se assustou com os caranguejos...


Em nossa voltinha pelo mercado municipal de Campinas, o formiguinha esta encantado com os peixes e se assustou com os caranguejos.



Estamos fazendo a maior bagunça vendo os peixes e comentando os diversos tipos de peixe que tem nesta banca... peixe fresco e suculento para um delicioso almoço de final de semana.

Eca... o formiga nao curtiu nada a ideia de comer caranguejos, detestou imaginar que se arranca as perninhas e come o bicho.

Pagodão no mercado municipal de Campinas

Bellacosa Mainframe e o pagodão no mercadão de campinas

Um Café no Bellacosa Mainframe

🥁 O Pagodão no Mercadão — Quando uma Viagem Perdida Virou Aventura

Eu só precisava passar numa escola. O problema é que era feriado. Algumas das melhores aventuras começam justamente quando o plano original dá errado.

Voltamos a 9 de julho de 2016.

Naquele dia eu estava com a Ana Paula quando me lembrei de uma pequena missão que precisava cumprir no centro de Campinas.

Eu estava pensando em fazer um curso básico de mecânica de motocicletas e queria passar em uma escola para conhecer o lugar, pegar informações e entender melhor como funcionava o curso.

Nada extraordinário.

Era apenas uma dessas pequenas tarefas que colocamos no meio do dia.

Então fomos até lá.

Cheguei diante da escola e...

Fechado.

Olhei para o lugar, provavelmente tentando entender o que havia acontecido, até que finalmente caiu a ficha.

Era 9 de julho.

Feriado no Estado de São Paulo.

Eu simplesmente havia esquecido.

Missão fracassada.

Viagem perdida.

Ou talvez não.

🏍️ O curso de mecânica que nunca aconteceu naquele dia

Essa é uma das coisas curiosas da vida.

Você sai de casa imaginando que o objetivo do dia será uma coisa e algumas horas depois percebe que aquela era apenas a desculpa utilizada pelo universo para colocá-lo em outro lugar.

Já estávamos em Campinas.

Já havíamos gasto tempo e combustível.

Voltar simplesmente para casa parecia um desperdício ainda maior.

Foi quando me lembrei:

O Formiga estava por perto.

E quando existe um Formiga disponível nas proximidades, existe sempre a possibilidade de iniciar uma missão secundária.

Passei na casa da Juliana e fiz aquilo que poderíamos chamar tecnicamente de:

empréstimo temporário de criança para fins recreativos.

Peguei o pequenino “emprestado”.

😂

E lá fomos nós.

Sem reservas.

Sem roteiro turístico.

Sem horário.

Sem objetivo.

Apenas uma palavra definia perfeitamente o planejamento:

Zanzar.



🧭 Destino: lugar nenhum

Decidimos seguir para o Mercado Municipal de Campinas.

Eu gosto desse tipo de passeio.

Não é necessário existir uma grande atração esperando no final.

O próprio ato de caminhar, observar vitrines, entrar em corredores, descobrir lojas, olhar pessoas e encontrar pequenas coisas diferentes já faz parte da diversão.

Com criança isso fica ainda melhor.

Porque aquilo que para um adulto é apenas um mercado pode se transformar em um pequeno universo.

Temperos.

Frutas.

Carnes.

Doces.

Peixes.

Cheiros.

Barulhos.

Gente passando.

Comerciantes gritando.

Sacolas.

Conversas.

Um mercado municipal é quase um organismo vivo.

E naquele dia ele estava especialmente vivo.

🥁 Tem alguma coisa acontecendo ali...

Enquanto caminhávamos pelos corredores percebemos uma movimentação diferente.

Barulho.

Música.

Gente reunida.

Alguma coisa estava acontecendo.

Fomos chegando mais perto.

E então veio a surpresa.

Um dos açougues havia contratado músicos.

E estava rolando simplesmente...



O MAIOR PAGODÃO DENTRO DO MERCADÃO.

😂

No meio dos corredores.

Entre comerciantes, clientes, balcões e pessoas que provavelmente tinham ido até ali simplesmente comprar alguma coisa.

Música ao vivo.

Pagode.

Samba.

Gente reunida.

Uma verdadeira bagunça organizada.

Evidentemente fomos investigar.

👦 Formiga encontra o pagodão

O Formiga ficou imediatamente interessado naquela confusão.

Nos aproximamos da multidão e ficamos ali durante algum tempo simplesmente curtindo.

Não precisávamos fazer mais nada.

Não havia ingresso.

Não havia planejamento.

Não havíamos pesquisado na internet.

Nem sequer sabíamos que aquilo estaria acontecendo.

Estávamos apenas no lugar certo, na hora certa.

E talvez justamente por isso tenha sido tão divertido.

Para mim era uma surpresa.

Para o Formiga aquilo representava algo ainda melhor.

Era uma quebra completa da rotina.

Casa.

Escola.

Horários.

Compromissos.

As estruturas normais da vida de uma criança desapareciam por algumas horas.

Naquele momento ele estava no meio do Mercado Municipal de Campinas, cercado de gente, ouvindo um pagodão ao vivo ao lado de seu companheiro de aventuras.

O seu...

parça doido Vaguinho.

😂

🤝 O parça doido

Pensando hoje, talvez essa fosse uma das coisas que tornavam nossas pequenas aventuras tão divertidas para ele.

Eu não precisava necessariamente levá-lo para parques caríssimos ou organizar grandes viagens.

Às vezes bastava aparecer.

— Vamos comigo?

E pronto.

Alguma coisa aconteceria.

Talvez um parque.

Talvez uma estação ferroviária.

Talvez uma caminhada.

Talvez um mercado.

Talvez absolutamente nada.

Mas existia sempre a possibilidade de alguma coisa diferente aparecer no caminho.

Naquele sábado apareceu um pagode.

Dentro de um açougue.

No meio de um mercado.

Como explicar antecipadamente uma coisa dessas?

Não explica.

É preciso estar lá.

❤️ A viagem perdida que não foi perdida

Olhando tantos anos depois, percebo uma ironia maravilhosa naquele dia.

Eu havia começado a aventura pensando:

“Perdi a viagem.”

A escola estava fechada.

O curso de mecânica teria que esperar.

O objetivo original havia fracassado completamente.

Mas se a escola estivesse aberta, provavelmente teríamos entrado, pedido informações e seguido normalmente com o restante do dia.

Não existiria esta história.

Não existiria o passeio improvisado.

Talvez não existisse o vídeo.

E eu provavelmente não estaria, tantos anos depois, lembrando daquele pequeno Formiga olhando divertido para uma roda de pagode dentro do Mercado Municipal.

O erro criou a oportunidade.

O feriado esquecido abriu uma porta que eu nem sabia que existia.

☕ Epílogo — Algumas memórias não precisam de grandes acontecimentos

Talvez seja exatamente por isso que gosto de guardar esses pequenos vídeos.

Quando foram gravados, pareciam registros banais.

Alguns minutos de câmera.

Um mercado.

Um pagode.

Uma criança.

Nada que fosse mudar a história da humanidade.

Dez anos depois, porém, o vídeo guarda coisas que nenhuma câmera estava tentando registrar.

Guarda uma época.

Guarda pessoas.

Guarda relações.

Guarda aquele Formiga pequenininho.

Guarda o barulho do mercado.

Guarda um Vaguinho alguns anos mais jovem.

E principalmente guarda a lembrança de uma época em que bastava pegar o pequeno “emprestado” e dizer:

— Bora zanzar?

O resto nós descobríamos pelo caminho.

Naquele 9 de julho de 2016 descobrimos um pagodão.

E pensar que tudo começou porque eu simplesmente...

esqueci que era feriado.

Bellacosa Mainframe

Algumas das melhores rotas da vida começam com um erro de planejamento.

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no açougue do Mercadão.


Tinha ido ate a escola de mecânica, porem por esquecimento afinal hoje era feriado (09 de Julho), então sem aula e já na rua.



Aproveito para buscar o Formiga e vamos explorar o Mercadão Municipal de Campinas, que sábado esta lotado, todas as lojas apinhadas.

Explorando os corredores damos de cara com algo bacana, um grupo de pagode, tocando samba de roda em um dos corredores, o publico vai e vem, mas ao mesmo tempo para um bocadinho para assistir a performance.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Transformers no game

Bellacosa Mainframe e o Transofrmers no Game

🤖 Transformers no Game

Formiga e Ju entram em combate para salvar a humanidade

Era um fim de tarde de 2016, em Jundiaí, daqueles passeios tranquilos que aparentemente não prometem grandes acontecimentos. Tudo seguia normalmente até que surgiu uma emergência de proporções interplanetárias: a humanidade estava em perigo!

E quando o planeta precisa de heróis, alguém precisa assumir a missão.

Foi assim que Formiga e Ju entraram em ação.

Diante de um game dos Transformers, não havia mais shopping, passeio ou tranquilidade. Naquele momento existia apenas uma batalha gigantesca entre máquinas, explosões, inimigos e dois jogadores tentando descobrir como sobreviver no meio daquela confusão.

🎮 Armas preparadas.

🤖 Transformers posicionados.

💥 Inimigos chegando.

A missão começou!



O game rapidamente virou uma pequena guerra eletrônica. Tiros apareciam de todos os lados, robôs gigantes dominavam a tela e os reflexos precisavam funcionar rapidamente.

A grande questão, porém, não era exatamente salvar o planeta.

Era descobrir se Formiga e Ju conseguiriam permanecer vivos por mais de dois minutos!

E talvez esteja justamente aí a graça desses jogos de shopping e fliperama. Durante alguns minutos deixamos de ser simples espectadores. Seguramos os controles e entramos naquele universo.

De repente somos pilotos, soldados, aventureiros ou parceiros de Optimus Prime.

Dez anos depois, esse pequeno vídeo de 2016 acabou se transformando também em uma cápsula do tempo.

O jogo envelheceu. Os gráficos que pareciam incríveis ganharam sucessores muito mais sofisticados. Os Transformers continuaram recebendo filmes, desenhos, brinquedos e novos games.

Mas aquele momento permaneceu registrado.

Formiga e Ju estavam ali, diante da tela, tentando salvar a humanidade entre tiros, explosões e muitas risadas.

Talvez não tenham conseguido salvar o planeta inteiro.

Mas conseguiram algo igualmente importante:

salvar alguns minutos daquele fim de tarde para o futuro. 🤖🎮💥



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Final de tarde e a humanidade esta em perigo.


Somente o formiga e a Ju podem salvar a terra dos autobots, cada um pega sua arma e com a ajuda dos Transformers iniciam uma luta sem precedentes.



Tiros e explosoes para todos os lados, a duvida q persiste sera que estes dois iram sobreviver por mais que dois 2 minutos?

Trenzinho e mini ferrovia no Iguatemi

Bellacosa Mainframe e as aventuras do formiga no trenzinho do shopping

Um Café no Bellacosa Mainframe

Uma tarde na fazendinha do Shopping Iguatemi de Jundiai e seu trenzinho.

Aquele era um daqueles programas simples e divertidos que fazíamos juntos: eu, Juliana e o Formiga.

Juliana adorava inventar programas para quando estávamos com ele. Não precisava ser uma grande viagem, um parque gigantesco ou alguma aventura cuidadosamente planejada com semanas de antecedência. Bastava descobrir alguma coisa diferente acontecendo por perto e pronto: lá íamos nós.

E o Iguatemi Jundiaí proporcionava algumas dessas pequenas aventuras.

Naquele dia havia uma espécie de fazendinha montada dentro do shopping. Para um adulto passando apressado pelo corredor, talvez fosse apenas mais uma atração temporária: algumas cercas decorativas, bichinhos cenográficos, um moinho de vento e um pequeno trem circulando pelo cenário.

Mas tente olhar aquilo com os olhos de uma criança.

🐄 Havia vaquinhas.

🐑 Ovelhinhas.

🌾 Uma pequena fazenda.

🌬️ Um moinho de vento.

🚂 E, principalmente, havia um trem.

Pronto.

O shopping desapareceu.



🚂 Quando o trenzinho virou uma ferrovia de verdade

Para o Formiga, aquilo não era simplesmente um brinquedo dando voltas dentro de um shopping.

Era uma ferrovia.

E ferrovia precisa ser explorada.

Entrar naquele pequeno trem significava atravessar a fronteira invisível entre o mundo dos adultos e o território da imaginação.

O moinho já não era decoração.

A vaca não era apenas uma representação de plástico.

As ovelhas não estavam simplesmente colocadas ali para compor o cenário.

Tudo fazia parte daquele novo mundo.

Talvez essa seja uma das coisas mais interessantes de observar numa criança: ela não precisa que a ilusão seja perfeita para acreditar na aventura.

Nós, adultos, enxergamos os fios, as estruturas, as placas, os funcionários e os limites da atração.

Uma criança enxerga outra coisa.

Ela completa aquilo que está faltando.

Onde existe um metro de trilho, imagina quilômetros.

Onde existe uma pequena casinha cenográfica, surge uma fazenda inteira.

Onde existe um moinho de vento artificial, provavelmente existe algum lugar distante que precisa ser descoberto.

E onde existe um trenzinho...

existe uma viagem.



🐜 O Formiga atravessa o portal

Era justamente isso que tornava aqueles passeios tão divertidos.

O Formiga tinha aquela capacidade maravilhosa de entrar na brincadeira.

A atração podia ocupar apenas alguns metros quadrados do shopping, mas o território imaginário era praticamente infinito.

Ele embarcava.

O trem começava a andar.

E naquele instante acontecia alguma coisa que nenhum ingresso explicava.

O brinquedo transformava-se em portal.

Do lado de fora estávamos eu e Juliana, provavelmente enxergando um menino feliz andando num trenzinho.

Do lado de dentro, porém, quem sabe onde ele estava?

Talvez atravessando uma fazenda.

Talvez conduzindo uma locomotiva.

Talvez explorando algum lugar que somente ele conseguia enxergar.

Essa é uma diferença enorme entre a memória de um adulto e a memória de uma criança.

Eu consigo lembrar da estrutura.

Do shopping.

Da decoração.

Do moinho.

Dos animais.

Do pequeno circuito ferroviário.

Mas talvez o Formiga tenha guardado algo completamente diferente.

Ele pode ter guardado a aventura.



❤️ Juliana tinha entendido uma coisa importante

Olhando essas imagens tantos anos depois, percebo também outra personagem importante daquela história.

Juliana.

Ela gostava de criar esses programas.

Descobria uma atração, uma festa, um parque, um espetáculo ou alguma novidade e queria levar o Formiga.

Talvez porque tivesse entendido intuitivamente uma coisa que nós adultos frequentemente esquecemos:

infância não precisa necessariamente de grandes acontecimentos.

Ela precisa de acontecimentos.

Um passeio.

Uma pescaria de quermesse.

Um circo.

Um parque.

Um videogame.

Um brinquedo diferente.

Um trenzinho montado dentro de um shopping.

Separadamente, parecem coisas pequenas.

Quando colocadas umas ao lado das outras, porém, começam a formar algo gigantesco:

uma infância cheia de histórias.

🚂 Para alguns, apenas uma atração

E talvez seja justamente por isso que resolvi recuperar esta pequena postagem de 2016.

Porque alguém poderia olhar para aquelas fotografias e dizer:

— Ah, era um trenzinho no shopping.

Sim.

Era.

Para quem estava passando pelo corredor, talvez fosse exatamente isso.

Uma atração infantil.

Alguns minutos de diversão.

Um cenário desmontável que provavelmente desapareceria alguns dias depois para dar lugar a outra coisa.

Mas memória funciona de maneira diferente.

O cenário desaparece.

O shopping muda.

A atração é desmontada.

As crianças crescem.

E então, dez anos depois, alguém encontra algumas fotografias antigas e percebe que aquele pequeno trem continua circulando.

Não mais sobre os trilhos da fazendinha.

Agora ele circula dentro da memória.

🥚 Easter egg — talvez o trem nunca tenha sido pequeno

Existe ainda uma ironia maravilhosa escondida nesta história.

Quem acompanha estas páginas sabe da minha antiga paixão por ferrovias, locomotivas, estações e trilhos.

Passei boa parte da vida procurando estações abandonadas, observando trens, estudando antigas ferrovias e transformando viagens em desculpas para encontrar mais um pedaço de trilho perdido.

E naquele dia lá estava eu...

vendo o Formiga embarcar numa ferrovia em miniatura.

Talvez por isso eu tenha fotografado.

Talvez por isso aquela atração aparentemente banal tenha chamado minha atenção.

Ou talvez existisse uma inversão muito mais divertida acontecendo diante de nós.

Eu poderia enxergar perfeitamente que aquele trem era pequeno.

O Formiga provavelmente não.

Para ele, durante aqueles poucos minutos, o mundo é que havia ficado maior.

E talvez seja essa uma das definições mais bonitas da infância.

Para alguns adultos que passavam pelo Iguatemi naquele dia, aquilo era somente uma atração.

Para Juliana, era mais um programa divertido que havia encontrado para fazermos juntos.

Para mim, tornou-se uma fotografia, uma postagem e, anos depois, uma memória recuperada.

Mas para o Formiga?

🚂 Aquilo era um portal mágico para a próxima aventura.

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Um  programa em família no shopping Iguatemi de Jundiai.


Este shopping tem investido pesado nas atraçoes culturais. Desta vez foi uma fazendinha com diversos atractivos para as crianças.



Inicia-se com uma carroça para tirar foto, posteriormente tem uma mini ferrovia que circula por um campo repleto de surpresas, que vai instigar a imaginação dos pequeninos.

Esquilos peraltas, vaquinhas simpáticas, moinho de vento e diversas peças saídas directo da fazenda.

Na outra parte da atracção com jogos interactivos, temos jogos de argolas e pescaria.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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