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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Você Conhece o Diretor Rooney? — OSINT Antes do Google Existir

 B

Bellacosa Mainframe e o osint 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe — Especial Red Team

“Você Conhece o Diretor Rooney?” — OSINT Antes do Google Existir

🔎 Como informação aparentemente inútil sobre pessoas, hábitos e organizações se transforma em superfície de ataque

Antes do Google.

Antes do LinkedIn.

Antes do GitHub.

Antes de alguém publicar no Instagram uma foto do crachá, da sala de reunião, do notebook corporativo, do quadro branco e, de bônus, metade da arquitetura da empresa ao fundo.

Já existia reconhecimento.

Ferris Bueller sabia disso.

Talvez não chamasse de OSINT.

Talvez não conhecesse a sigla.

Talvez jamais tivesse usado a expressão Open Source Intelligence.

Mas fazia algo muito parecido.

Ele observava.

Guardava informações.

Entendia pessoas.

Percebia relações.

Sabia quem mandava.

Sabia quem obedecia.

Sabia como as pessoas falavam.

Sabia quando alguém estava distraído.

Sabia que contexto vale tanto quanto tecnologia.

E, acima de tudo, entendia uma coisa que continua verdadeira em 2026:

antes de atacar um sistema, descubra como o sistema pensa.

Bem-vindo ao quarto episódio de:

SAVE FERRIS — Red Team para Quem Aprendeu que o Sistema Também Mata Aula

Hoje nosso alvo não é uma vulnerabilidade.

É uma organização inteira vista de fora.


🔴 Red Team não começa com nmap

Existe uma imagem muito confortável do atacante.

Ele abre o terminal.

Digita:

nmap -sV -O target

E pronto.

A aventura começa.

Só que, em operações reais, muitas vezes o passo mais importante acontece antes.

Muito antes.

Antes de descobrir portas.

Antes de descobrir versões.

Antes de tentar credenciais.

O atacante pergunta:

“Quem é você?”

Não o servidor.

A empresa.


🧠 Organizações vazam personalidade

Toda organização fala.

Mesmo quando não percebe.

Fala em:

sites;

vagas;

redes sociais;

documentos;

press releases;

apresentações;

currículos;

conferências;

repositórios;

fóruns;

notícias;

vídeos;

fotos;

PDFs;

e-mails;

linguagem.

Esses pequenos pedaços, isoladamente, parecem inofensivos.

Juntos?

Podem formar um mapa.


☕ Comece pelas pessoas

Se eu estivesse pensando como Ferris, eu não perguntaria inicialmente:

Qual versão do Apache vocês usam?

Eu perguntaria:

Quem trabalha aqui?

Depois:

Quem manda?

Depois:

Quem cuida da tecnologia?

Depois:

Quem resolve problema fora de hora?

Depois:

Quem parece confiar em quem?

Essa sequência muda tudo.

Porque tecnologia existe dentro de uma estrutura humana.


👔 Quem manda?

Organogramas são ouro.

Mesmo quando não são publicados formalmente, redes profissionais fazem boa parte do trabalho.

Você descobre:

CEO;

CIO;

CISO;

diretores;

gerentes;

líderes técnicos;

arquitetos;

administradores;

desenvolvedores;

terceirizados.

Agora você conhece hierarquia.

E hierarquia é contexto.


🎭 Quem confia em quem?

Essa é uma pergunta ainda melhor.

Um diretor aparece frequentemente em fotos com determinada equipe.

Um gerente sempre cita o mesmo fornecedor.

Um arquiteto trabalha há anos com determinado parceiro.

Uma pessoa troca mensagens públicas com outra.

Nada disso é necessariamente sensível.

Mas começa a desenhar relações.

E relações são úteis para pretexting.


📞 Como as pessoas falam?

Essa parte é deliciosamente ignorada.

Toda empresa possui dialeto.

Termos internos.

Abreviações.

Nomes de projetos.

Jeitos de chamar sistemas.

Uma empresa pode dizer:

“produção.”

Outra:

“prod.”

Outra:

“PRD.”

Outra:

“ambiente quente.”

Se você conhece o vocabulário correto, parece pertencer ao ambiente.

Ferris entenderia isso imediatamente.


🧬 Linguagem é credencial social

Imagine duas mensagens.

Primeira:

Precisamos acessar o servidor principal.

Genérica.

Agora outra:

Precisamos validar o job de fechamento antes da janela do batch porque o processo Atlas travou depois da mudança de ontem.

A segunda parece muito mais legítima.

Por quê?

Porque contém contexto.

Linguagem.

Ritmo.

Referência.

Nada disso prova identidade.

Mas tudo isso aumenta plausibilidade.


🔎 OSINT é montar quebra-cabeça

Um pedaço sozinho vale pouco.

Mas combine:

uma vaga;

um perfil de funcionário;

um repositório público;

um PDF;

uma apresentação técnica;

uma foto;

uma postagem;

Agora talvez você descubra:

stack;

fornecedor;

ferramentas;

arquitetura;

nomes internos;

cronograma;

times responsáveis.

É isso que torna OSINT tão poderoso.


💼 Vagas de emprego contam segredos demais

Empresas querem atrair candidatos.

Então publicam:

“Buscamos profissional com experiência em…”

E entregam metade do stack.

Exemplo:

z/OS
CICS
Db2
MQ
Jenkins
GitLab
Ansible
z/OS Connect
AWS

Excelente.

Para recrutamento, ótimo.

Para reconhecimento, também.


🧠 Agora inferimos arquitetura

Se a empresa pede:

z/OS Connect;

API management;

OAuth;

CICS;

COBOL;

Talvez exista algo parecido com:

Mobile
  ↓
API Gateway
  ↓
z/OS Connect
  ↓
CICS
  ↓
COBOL
  ↓
Db2

Ninguém publicou o diagrama.

Mas o diagrama começou a aparecer sozinho.


🦖 O mainframe deixa pegadas

Existe um mito divertido de que mainframe é invisível.

Não é.

Talvez o z/OS esteja magnificamente protegido.

Mas o ecossistema ao redor deixa rastros.

Vagas.

Certificações.

Posts.

Conferências.

Case studies.

Perfis de funcionários.

Documentação.

Integrações.

O atacante talvez não veja o mainframe.

Mas vê a sombra dele.


📦 GitHub: o armário que alguém esqueceu aberto

Repositórios públicos podem ser maravilhosos.

Projetos antigos.

Exemplos.

Scripts.

Templates.

Nomes de ambientes.

Padrões de configuração.

Nada necessariamente secreto.

Mas um atacante pode aprender muito.

Especialmente se alguém cometeu o clássico:

“Só vou colocar isso temporariamente.”

A palavra temporariamente possui uma longevidade impressionante em TI.


🧾 Metadata: o rodapé que fala demais

Documentos públicos também carregam pistas.

Autores.

Softwares utilizados.

Nomes internos.

Datas.

Estruturas.

Às vezes metadata revela mais do que o próprio conteúdo.

Um PDF pode dizer:

Autor: Fulano.

Aplicação: Microsoft Word.

Nome original: Projeto_X_Final_v12_CONFIDENCIAL.docx

Ops.


📸 Fotos são documentos técnicos acidentais

Uma selfie inocente no escritório pode mostrar:

crachá;

monitor;

hostname;

diagrama;

quadro branco;

telefone;

adesivo;

nome de sala;

badge de visitante.

Nada disso transforma alguém em vilão.

Mas cada item ajuda a construir contexto.


🧩 Contexto acumulado vira superfície de ataque

Pense:

Nome do gerente
+
Nome do projeto
+
Fornecedor
+
Tecnologia
+
Prazo
+
Jargão
+
Horário

Agora um pretexto começa a parecer real.

Ferris não precisa inventar o mundo.

Ele só precisa encaixar nele.


🎬 Rooney também é informação

O diretor Rooney é perfeito para essa metáfora.

Ele é previsível.

Tem cargo.

Tem autoridade.

Tem comportamento.

Tem obsessão.

Se você conhece Rooney, consegue prever parte das reações.

Isso é importante.

OSINT não serve apenas para descobrir tecnologia.

Serve para entender pessoas.


🧠 Hábitos são dados

Quem chega cedo?

Quem trabalha tarde?

Quem viaja muito?

Quem publica em conferência?

Quem responde rápido?

Quem parece resolver tudo?

Quem costuma abrir exceção?

Tudo isso pode ser relevante.

Atacantes estudam padrões.

Red Team deveria fazer o mesmo — com autorização e propósito defensivo.


⏰ Quando estão distraídos?

Timing importa.

Fechamento financeiro.

Fim do mês.

Migração.

Incidente.

Auditoria.

Feriado.

Troca de turno.

Reorganização.

A empresa inteira sob pressão muda comportamento.

Pessoas cansadas verificam menos.

Pessoas com urgência aceitam mais exceções.


🔥 Crise reduz controles

Imagine uma sexta-feira, 18h45.

Produção instável.

Diretor ligando.

Cliente reclamando.

Fornecedor em call.

Nesse ambiente, alguém diz:

— Preciso liberar isso agora.

A resistência diminui.

Não porque as pessoas são incompetentes.

Porque estão sob pressão.

OSINT pode revelar até janelas desse tipo.


🧠 Red Team procura previsibilidade

Não basta encontrar vulnerabilidade.

O atacante quer descobrir:

quando;

onde;

com quem;

em qual contexto.

Ferris é mestre nisso.

Ele não age aleatoriamente.

Ele escolhe momento.


🛠️ Ferramentas mudam, mentalidade não

Em 1986, reconhecimento era:

telefone;

observação;

conversa;

papel;

memória.

Em 2026:

mecanismos de busca;

redes sociais;

repositórios;

dados públicos;

IA;

automação.

A escala mudou brutalmente.

Mas o princípio é igual.


🤖 IA transforma OSINT em amplificador

Um humano pode ler 100 perfis.

Uma ferramenta pode resumir milhares de dados.

IA pode organizar:

nomes;

relações;

tecnologias;

projetos;

termos;

padrões.

Isso aumenta velocidade.

Mas também aumenta risco de interpretação errada.

Nem tudo que parece conexão é conexão real.

Por isso inteligência precisa de validação.


🧠 Inferência não é fato

Esse é um ponto essencial.

OSINT produz pistas.

Nem toda pista é verdade.

Uma vaga pode refletir projeto futuro.

Um perfil pode estar desatualizado.

Um GitHub pode ser pessoal.

Uma foto pode ser antiga.

Red Team profissional precisa distinguir:

OBSERVADO
INFERIDO
CONFIRMADO

Misturar os três cria erro.


☕ Ferris talvez errasse menos porque observava contexto

A graça de Ferris é que ele não apenas coleta informação.

Ele interpreta.

Sabe como cada pessoa funciona.

A inteligência útil não é acumular dados.

É entender o significado.


🧱 Ataque sem reconhecimento é desperdício

Imagine tentar engenharia social sem saber:

nomes;

estrutura;

linguagem;

processos.

Você soa genérico.

Agora imagine conhecer tudo isso.

A história fica plausível.

Por isso reconhecimento reduz ruído.


🕵️ “Você conhece o diretor Rooney?”

Essa pergunta resume muito.

Se você conhece o nome correto, parece interno.

Se sabe o cargo, melhor.

Se sabe comportamento, melhor ainda.

Se sabe quem responde a ele, seu mapa cresce.

OSINT transforma pessoas em nós de um grafo.


🕸️ Organização como grafo

Pense assim:

Rooney
  ↓
Secretaria
  ↓
Professores
  ↓
Alunos
  ↓
Pais

Agora adicione relações.

Quem reporta para quem?

Quem aprova?

Quem acessa?

Quem confia?

Quem conhece?

Essa visão de grafo é muito mais poderosa do que uma lista de nomes.


🔐 Acesso também é relação

Em ambientes técnicos, isso vira:

User
 ↓
Group
 ↓
Role
 ↓
Application
 ↓
Data

No mainframe:

USERID
 ↓
RACF GROUP
 ↓
PROFILE
 ↓
RESOURCE

No mundo humano:

Pessoa
 ↓
Confiança
 ↓
Autoridade
 ↓
Exceção
 ↓
Acesso

As duas redes se encontram.


🧨 E é aí que nasce o problema

Se uma pessoa específica pode aprovar determinada mudança e um atacante sabe:

quem ela é;

como fala;

quem é seu chefe;

qual projeto está correndo;

qual fornecedor participa;

temos contexto suficiente para tentar manipular o processo.

De novo:

não atacamos tecnologia.

Atacamos confiança.


🧾 Documentos públicos contam história operacional

Relatórios anuais.

Apresentações.

Case studies.

Whitepapers.

Slides de conferência.

Tudo isso pode revelar:

fornecedores;

plataformas;

migrações;

estratégias;

prioridades.

A empresa quer mostrar competência.

O Red Team vê arquitetura.


🎤 Conferências são maravilhosas

Profissionais técnicos adoram contar como resolveram problemas.

E devem.

Compartilhar conhecimento é ótimo.

Mas é preciso equilíbrio.

Um slide pode explicar exatamente:

como a empresa conecta sistemas;

quais produtos usa;

qual arquitetura adotou;

que problema ainda possui.

OSINT não significa impedir compartilhamento.

Significa compreender o que está sendo exposto.


🔵 Blue Team deveria fazer OSINT contra si mesmo

Essa é uma prática excelente.

Procure sua própria empresa.

Veja o que aparece.

Descubra:

quais e-mails;

quais documentos;

quais tecnologias;

quais nomes;

quais repositórios;

quais informações históricas.

É quase um espelho.


🧠 Pergunta simples: o atacante sabe mais sobre nós do que imaginamos?

Muitas vezes, sim.

E esse é o problema.

Funcionários internos supõem que certas informações são “internas” porque nunca foram oficialmente publicadas.

Mas talvez estejam espalhadas em 20 lugares.


🧩 Fragmentos públicos formam inteligência privada

Essa é a mágica.

Nenhum pedaço é secreto.

O conjunto, porém, revela algo que ninguém publicou diretamente.

Isso é inteligência.


🧪 Exemplo: reconstruindo um ambiente

Imagine encontrar:

Perfil 1:

Administrador z/OS.

Perfil 2:

Especialista CICS e MQ.

Vaga:

z/OS Connect + OAuth.

Postagem:

Migração de APIs concluída.

Apresentação:

Modernização de COBOL.

Você talvez infira uma arquitetura inteira.

Não certeza.

Mas hipótese forte.


🚪 O atacante então escolhe a porta

Talvez não ataque o mainframe.

Pode atacar:

pipeline;

API;

desenvolvedor;

fornecedor;

Help Desk;

credencial.

Reconhecimento serve para escolher caminho barato.

Atacantes são econômicos.


💰 O caminho mais fácil vence

Se quebrar criptografia custa semanas e convencer alguém custa dez minutos, adivinhe o que será tentado primeiro.

Essa é uma verdade simples.

Segurança gosta de imaginar atacantes apaixonados pela tecnologia.

Atacantes gostam de eficiência.

Ferris também.


🎩 Criatividade adversarial é combinar banalidades

Uma lista de funcionários não é exploit.

Uma vaga não é exploit.

Uma foto não é exploit.

Um PDF não é exploit.

Mas:

FUNCIONÁRIO
+
PROJETO
+
TECNOLOGIA
+
HORÁRIO
+
AUTORIDADE

pode virar pretexto.

O exploit está na combinação.


🚨 “Mas tudo isso é público”

Exatamente.

Esse é o ponto.

OSINT trabalha com o que está disponível.

O problema não é necessariamente que algo foi “vazado”.

É que informações legítimas podem ser correlacionadas.


🧠 Segurança não deve virar paranoia

Também é importante não enlouquecer.

Não dá para esconder todos os funcionários.

Apagar LinkedIn.

Parar conferências.

Proibir GitHub.

Isso seria absurdo.

A meta é entender risco.

Separar o que pode ser público do que adiciona risco desnecessário.


🧭 Classificação ajuda

Pergunte:

isso precisa ser público?

isso revela tecnologia crítica?

isso revela arquitetura?

isso entrega nomes internos?

isso ajuda um atacante a construir pretexto?

Às vezes a resposta será:

sim, vale o risco.

Tudo bem.

Segurança é gestão de risco, não invisibilidade total.


🦖 Mainframe e falsa sensação de isolamento

Em ambientes mainframe, vejo uma armadilha mental clássica:

“Nosso z/OS não está exposto.”

Ótimo.

Mas:

quem administra?

como desenvolve?

como faz deploy?

quais APIs chegam?

quais fornecedores acessam?

quais ferramentas integram?

O mainframe pode estar isolado.

O ecossistema não.


🔐 RACF aparece no LinkedIn também

Um profissional publica:

“Especialista RACF.”

Outro:

“Responsável por IAM no z/OS.”

Agora sabemos quem entende identidade.

Isso não é motivo para esconder carreira.

Mas mostra como pessoas fazem parte da superfície de informação.


🤖 Agentes de IA podem acelerar coleta

Ferris moderno poderia pedir:

“Liste tecnologias usadas por esta organização a partir de fontes públicas.”

Em minutos, teria resumo.

Isso democratiza capacidade de reconhecimento.

Mais uma razão para organizações entenderem sua pegada digital.


🛡️ Defesa começa conhecendo sua própria pegada

Um Blue Team deveria periodicamente perguntar:

o que existe sobre nós?

o que alguém pode inferir?

quais dados estão desatualizados?

quais documentos ainda estão indexados?

quais repositórios ficaram públicos?

quais contas antigas continuam ativas?

Essa higiene reduz surpresa.


☕ A pergunta Bellacosa

Eu colocaria esta na parede:

“Se eu fosse um atacante e tivesse apenas internet, o que conseguiria aprender sobre nós em uma tarde?”

Essa pergunta vale ouro.

Talvez a resposta seja:

mais do que você gostaria.


🎬 Ferris não precisava do Google

Ferris conhecia seu ambiente porque vivia nele.

Observava.

Conectava pontos.

Entendia comportamento.

Hoje temos ferramentas infinitamente melhores.

Mas muitos continuam cometendo o mesmo erro:

coletam dados e não entendem contexto.

Ferris faria o contrário.

Poucos dados.

Boa interpretação.


🧠 Reconhecimento é reduzir incerteza

Essa talvez seja a melhor definição.

Antes do recon:

você não sabe nada.

Depois:

sabe quem;

sabe o quê;

sabe quando;

sabe como;

sabe relações.

Isso reduz incerteza.

E aumenta eficiência.


🔴 Red Team começa com perguntas

Não com ferramentas.

Perguntas.

Quem trabalha aqui?

Quem manda?

Quem confia em quem?

Como as pessoas falam?

Que sistemas utilizam?

Quando estão distraídas?

Essas perguntas parecem humanas demais para cybersecurity.

E justamente por isso são poderosas.


☕ Epílogo: Rooney estava na superfície de ataque

O diretor Rooney não era servidor.

Não tinha endereço IP.

Não escutava na porta 443.

Mas fazia parte do sistema.

Seu cargo.

Seu comportamento.

Sua autoridade.

Sua obsessão.

Tudo isso era informação.

Ferris sabia.

E essa é a lição.

Uma organização não é apenas:

servidores;

firewalls;

APIs;

mainframes.

É também:

pessoas;

relações;

hábitos;

linguagem;

rotinas;

expectativas.

OSINT transforma tudo isso em mapa.

Então, antes de abrir o terminal, faça o que Ferris faria.

Olhe ao redor.

Escute.

Leia.

Conecte.

E pergunte:

“Quem conhece o diretor Rooney?”

Porque talvez você descubra que a porta mais importante da empresa não aparece no nmap.

Ela aparece no organograma.

SAVE FERRIS.

No próximo artigo:

Cameron, Atenda o Telefone — Social Engineering as a Service

Porque Ferris nunca foi perigoso sozinho.

O verdadeiro poder estava na cadeia.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Ferris Bueller Tinha um Plano de Ataque — Red Team Antes de Existir Red Team

 

Bellacosa Mainframe e o plano de ataque de ferris bueller 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe — Especial Red Team

Ferris Bueller Tinha um Plano de Ataque — Red Team Antes de Existir Red Team

🎬 Reconhecimento, criatividade adversarial e o princípio fundamental: não ataque a tecnologia; ataque as suposições de quem construiu o sistema

Chicago.

Década de 1980.

Computadores pessoais ainda tinham aquele ar de objeto mágico comprado por alguém que provavelmente também mantinha uma enciclopédia de 30 volumes na sala.

Não havia cloud.

Não havia SIEM.

Não havia EDR.

Não havia SOC 24x7.

Não havia dashboard piscando vermelho porque alguém da contabilidade tentou entrar no sistema às 03h17.

Não havia Zero Trust.

Também não havia LinkedIn dizendo exatamente onde você trabalha, qual tecnologia utiliza, qual certificação acabou de tirar, quem é seu gerente e qual projeto está colocando em produção na próxima terça-feira.

Mesmo assim, Ferris Bueller já havia entendido uma coisa que muita empresa ainda tenta aprender em 2026:

sistemas não são feitos apenas de computadores.

São feitos de pessoas.

Regras.

Rotinas.

Expectativas.

Horários.

Autoridade.

Confiança.

Telefonemas.

Burocracia.

E pequenas certezas que ninguém costuma questionar.

Ferris não precisava de um exploit de kernel.

Não precisava de malware.

Não precisava descobrir um buffer overflow.

Ele precisava apenas olhar para o mundo ao redor e perguntar:

“O que essas pessoas esperam que aconteça?”

E então fazer alguma coisa ligeiramente diferente.

Senhoras e senhores, bem-vindos ao primeiro episódio de:

SAVE FERRIS — Red Team para Quem Aprendeu que o Sistema Também Mata Aula


🔴 Antes de atacar, Ferris observa

Existe uma tendência quase infantil quando alguém começa a estudar segurança ofensiva.

A pessoa quer ferramentas.

Kali Linux.

Burp Suite.

Metasploit.

Nmap.

Hydra.

John the Ripper.

Wireshark.

E vinte abas abertas contendo comandos copiados de um tutorial.

Nada contra.

Ferramentas são importantes.

Mas Red Team começa antes.

Muito antes.

Começa com observação.

Ferris conhece o ambiente.

Ele conhece os pais.

Conhece a escola.

Conhece o diretor Rooney.

Conhece Cameron.

Conhece Sloane.

Conhece os horários.

Conhece os comportamentos esperados.

Sabe como um adolescente doente deveria parecer.

Sabe como adultos falam ao telefone.

Sabe quais histórias parecem plausíveis.

Sabe quem acredita em autoridade.

Sabe onde existe margem para improvisação.

Isso tem nome.

Reconhecimento.


🔎 Recon não é abrir o Nmap

Quando falamos em reconhecimento em segurança, muita gente imediatamente pensa:

nmap -sV -O target

Excelente.

Você descobriu portas.

Ferris descobriria pessoas.

A diferença não é pequena.

Imagine uma organização.

Você pode saber que ela possui:

443/tcp open
22/tcp open
8443/tcp open

Muito útil.

Mas imagine saber também:

que o administrador principal está de férias;

que a equipe está no meio de uma migração;

que existe uma manutenção emergencial naquela noite;

que o fornecedor externo costuma telefonar para o Service Desk;

que o diretor financeiro está viajando;

que funcionários recebem instruções urgentes pelo WhatsApp;

que um projeto específico utiliza credenciais técnicas compartilhadas.

Agora a superfície de ataque começa a parecer diferente.

Portas são tecnologia.

Contexto é poder.


☕ O primeiro exploit está na cabeça das pessoas

Uma vulnerabilidade tradicional costuma ser descrita assim:

Existe um comportamento inesperado no software que pode ser explorado.

Red Team amplia isso.

Também existe comportamento inesperado em organizações.

Um funcionário acredita que alguém falando com confiança deve saber o que está fazendo.

Um gerente acredita que um e-mail vindo de determinado endereço é confiável.

Um operador acredita que aquilo que aparece na tela corresponde à realidade.

Um administrador acredita que determinada conta nunca será usada indevidamente.

Um desenvolvedor acredita que uma API só será chamada pelo aplicativo oficial.

Essas crenças não aparecem no código.

Mas fazem parte do sistema.

Ferris é especialista nisso.


🧠 A primeira arma é a previsão

Ferris não controla tudo.

Ele prevê.

E previsão é extremamente poderosa.

Se você sabe que uma pessoa provavelmente reagirá de determinada maneira, você pode preparar o próximo movimento.

Pense como um atacante.

Se eu enviar esta solicitação, quem receberá?

Se chegar fora do horário comercial, haverá menos supervisão?

Se eu aparentar urgência, alguém pulará uma etapa?

Se eu mencionar o nome do gerente correto, minha história ficará mais convincente?

Se eu souber o jargão interno, parecerá que pertenço ao ambiente?

Perceba.

Até agora não atacamos nenhum computador.

Mas já estamos construindo um ataque.


🎯 Red Team é pensamento adversarial

Talvez essa seja uma definição melhor que muitas definições acadêmicas.

Red Team é a capacidade de olhar para um sistema e perguntar:

“Como alguém que não compartilha nossas intenções usaria isto?”

O desenvolvedor cria uma função.

O usuário utiliza a função.

O atacante pergunta:

“O que acontece se eu usar essa função para outra coisa?”

O RH cria um processo para redefinição de senha.

O funcionário legítimo usa o processo.

O atacante pergunta:

“Quais informações preciso saber para parecer o funcionário?”

A empresa cria uma API.

O aplicativo usa a API.

O atacante pergunta:

“A API sabe que sou o aplicativo?”

Essa mudança de perspectiva é gigantesca.


🧱 O sistema perfeito imaginário

Toda arquitetura nasce com premissas.

Algumas são técnicas.

Outras sociais.

Imagine este desenho:

USER
  ↓
APPLICATION
  ↓
API
  ↓
DATABASE

Simples.

Seguro.

Bonito.

Arquitetura aprovada.

Ferris olha.

E pergunta:

Quem cria o usuário?

Quem redefine sua senha?

Quem administra a aplicação?

Quem configura a API?

Quem possui acesso ao banco?

Quem aprova mudanças?

Quem lê logs?

Quem pode desabilitar alertas?

Quem possui acesso de emergência?

Quem testa restore?

Quem trabalha no fornecedor?

Subitamente nosso belo desenho fica assim:

USER
 ↓
HELP DESK
 ↓
IDENTITY SYSTEM
 ↓
APPLICATION
 ↓
API
 ↓
SERVICE ACCOUNT
 ↓
DATABASE
 ↓
BACKUP
 ↓
ADMIN
 ↓
VENDOR
 ↓
CLOUD

Agora estamos chegando perto da realidade.


🧀 Ferris descobriu o queijo suíço

Nenhum controle precisa estar completamente quebrado.

Basta que pequenas falhas se alinhem.

Imagine:

O funcionário publica demais no LinkedIn.

A empresa utiliza perguntas previsíveis para recuperação de conta.

O Help Desk trabalha sob pressão.

Existe uma conta antiga com privilégio excessivo.

O SOC não monitora determinado horário.

Separadamente?

Talvez nada aconteça.

Juntos?

OSINT
  ↓
Pretexto
  ↓
Reset de senha
  ↓
Conta legítima
  ↓
Privilégio excessivo
  ↓
Sistema crítico

Nenhuma cena cinematográfica.

Nenhuma tela verde.

Nenhum crânio piscando.

Apenas pequenas permissões fazendo amizade umas com as outras.


📞 Ferris entende interfaces humanas

Nós adoramos pensar em APIs.

Mas pessoas também possuem interfaces.

E muito menos documentação.

Uma pessoa recebe uma solicitação.

Analisa contexto.

Interpreta autoridade.

Avalia urgência.

Decide.

Essa decisão pode virar autorização.

Por isso engenharia social funciona.

Não porque humanos sejam estúpidos.

Mas porque sistemas humanos foram desenhados para colaborar.

Se toda solicitação fosse tratada como ataque, organizações parariam.

Ferris explora exatamente isso.

Ele não encontra uma pessoa burra.

Encontra uma pessoa cumprindo o papel esperado.


🏫 A escola como sistema de informação

Olhe para a escola de Ferris como uma arquitetura corporativa.

Temos:

Alunos
Professores
Secretaria
Direção
Pais
Registros
Telefone
Computadores
Procedimentos
Autoridade

Isto é um sistema.

Ferris não precisa quebrar todas as partes.

Ele precisa compreender como elas interagem.

É exatamente isso que Red Team faz.

Não se trata apenas de:

“Consigo comprometer este servidor?”

A pergunta mais interessante é:

“Consigo atingir um objetivo usando qualquer combinação disponível?”

Essa mudança de linguagem é fundamental.


🎯 Objetivo, não ferramenta

Uma operação Red Team deveria começar com um objetivo.

Por exemplo:

Obter acesso a determinado ambiente.

Não:

Usar phishing.

Phishing é técnica.

Talvez funcione.

Talvez não.

O objetivo permanece.

Então podemos tentar:

credenciais vazadas;

engenharia social;

exposição externa;

misconfiguração;

cadeia de fornecedores;

processos de recuperação;

acesso físico;

tokens;

integrações;

privilégios excessivos.

O atacante real não recebe KPI dizendo:

“Utilizar obrigatoriamente Metasploit em 37% da operação.”

Ele quer chegar ao objetivo.

Ferris também.


🚪 O atacante procura a porta que vocês esqueceram

Empresas costumam proteger aquilo que consideram importante.

Servidor principal?

Protegido.

Banco de dados?

Protegido.

Firewall?

Protegido.

Ferris pergunta:

“O que vocês não perceberam que também é uma porta?”

Uma impressora.

Um fornecedor.

Uma aplicação antiga.

Uma conta esquecida.

Uma VPN temporária.

Um endpoint de teste.

Uma integração criada durante pandemia.

Um funcionário terceirizado.

Um sistema legado.

Uma API mobile.

Um pipeline CI/CD.

Um chatbot.

Agora começamos a entender por que superfície de ataque cresce tão rápido.


🦖 E quando o alvo é mainframe?

Agora entramos no Bellacosa Mainframe propriamente dito.

Quando alguém pensa em atacar mainframe, frequentemente imagina:

HACKER
 ↓
3270
 ↓
TSO
 ↓
RACF
 ↓
z/OS

Talvez.

Mas Ferris provavelmente escolheria outra rota.

Ele perguntaria:

Quem conversa com o mainframe?

Talvez:

Mobile App
   ↓
API Gateway
   ↓
z/OS Connect
   ↓
CICS
   ↓
COBOL
   ↓
Db2

Ou:

Cloud
 ↓
MQ
 ↓
Mainframe

Ou:

Git
 ↓
Pipeline
 ↓
Build
 ↓
Deploy
 ↓
z/OS

O ambiente principal pode possuir controles extraordinários.

Mas o atacante pode preferir comprometer a confiança ao redor dele.

É mais Ferris.

Menos Hulk.


🔐 Não ataque RACF se alguém já tem permissão

Essa frase merece moldura.

Imagine que Ferris deseja acessar um dataset.

Ele pode tentar quebrar RACF.

Difícil.

Ou encontrar uma conta legítima que já possui acesso.

Muito mais interessante.

Por isso identidade é tão importante.

O atacante não quer necessariamente destruir o controle de segurança.

Muitas vezes quer ser confundido com alguém autorizado.

Quando isso acontece, o sistema funciona perfeitamente.

E esse é o problema.


🤖 Ferris Bueller em 2026 seria assustador

O Ferris de 1986 trabalhava artesanalmente.

Observação manual.

Telefone.

Computador.

Improviso.

Conhecimento social.

O Ferris moderno teria ferramentas capazes de acelerar partes desse processo.

Análise de grandes volumes de informação.

Correlação de dados públicos.

Geração de mensagens.

Automação.

Agentes.

Reconhecimento de padrões.

Isso não elimina a necessidade de criatividade adversarial.

Amplifica.

A pessoa ainda precisa fazer a pergunta certa.

IA pode encontrar cem informações.

Ferris precisa perceber quais três formam uma história convincente.


🧠 O verdadeiro ativo do Red Team

Não é ferramenta.

É imaginação disciplinada.

Veja a combinação aparentemente banal:

Informação pública
+
comportamento previsível
+
processo legítimo
+
credencial válida
+
privilégio acumulado

Pode não existir CVE para isso.

Pode não existir patch.

Pode não existir assinatura no antivírus.

Mas existe risco.

E esse tipo de coisa é exatamente onde Red Team brilha.


🚨 “Mas nosso sistema nunca foi invadido”

Uma frase adorável.

Também perigosíssima.

Não ter evidência de invasão não significa necessariamente que seu sistema é seguro.

Pode significar:

ninguém tentou;

ninguém percebeu;

ninguém registrou;

ninguém correlacionou;

o atacante desistiu;

o atacante passou despercebido.

Ferris poderia passar o dia inteiro fora da escola.

Se ninguém verificasse corretamente, o sistema permaneceria convencido de que tudo estava normal.


👨‍💼 Rooney sofre de um problema clássico

Rooney sabe que Ferris está fazendo alguma coisa.

Mas concentra-se em Ferris como pessoa.

Isso pode virar uma forma de tunnel vision.

Em segurança, acontece algo semelhante.

A equipe possui uma hipótese.

Procura evidências dessa hipótese.

Ignora caminhos alternativos.

Um Red Team serve justamente para bagunçar essas certezas.

Talvez o ataque não venha de onde imaginávamos.

Talvez o controle mais caro não seja relevante.

Talvez o problema esteja naquele processo humilde que ninguém revisa desde 2009.


🧩 O exploit é a combinação

Aqui está o coração deste artigo.

Ferris não é perigoso porque possui uma ferramenta excepcional.

Ele é perigoso porque combina coisas comuns.

Telefone.

Computador.

Conhecimento.

Pessoas.

Rotina.

Autoridade.

Timing.

Individualmente, nenhuma é suficiente.

Juntas, produzem o efeito.

Em segurança chamamos isso de attack chain.

Ou, dependendo do contexto, attack path.

O atacante percorre pequenos passos.

Reconhecimento.

Acesso inicial.

Execução.

Persistência.

Escalada.

Movimento.

Objetivo.

O cinema gosta do clique mágico.

A realidade gosta de encadeamento.


☕ A pergunta Bellacosa

Se eu estivesse numa War Room avaliando segurança de qualquer ambiente, eu faria uma pergunta simples:

“Quais suposições precisam permanecer verdadeiras para este sistema continuar seguro?”

Depois listaria.

Usuários não compartilham senha.

Administradores revisam privilégios.

Logs permanecem íntegros.

Backups funcionam.

Fornecedores não são comprometidos.

APIs validam identidade corretamente.

Credenciais técnicas não vazam.

Funcionários reconhecem tentativas de fraude.

IA não executa instruções maliciosas.

Ótimo.

Agora o Red Team começa a trabalhar.

Uma por uma.


🔴 Segurança é testar certezas

Blue Team constrói controles.

Red Team testa controles.

Mas o melhor trabalho acontece quando testamos também certezas.

Você acredita que ninguém consegue alterar determinado dado?

Teste.

Acredita que o SOC detectará um comportamento?

Teste.

Acredita que MFA bloqueará um atacante?

Teste.

Acredita que um funcionário nunca liberaria determinada informação?

Teste de forma autorizada e segura.

Acredita que o mainframe está isolado?

Mapeie integrações.

Acredita que um agente de IA não pode executar determinada ação?

Valide.

Segurança baseada em esperança é apenas esperança usando crachá corporativo.


🎬 Ferris Bueller, Red Teamer acidental

Ferris não estudou MITRE ATT&CK.

Não possui OSCP.

Não abriu Kali Linux.

Não rodou Cobalt Strike.

Mas demonstra algo anterior a todas essas ferramentas:

pensamento adversarial.

Ele observa regras.

Entende expectativas.

Identifica fragilidades.

Combina recursos.

Prevê reações.

Adapta o plano.

E busca resultado.

Quase quarenta anos depois, essa mentalidade continua no centro de qualquer bom Red Team.

Porque o melhor atacante talvez não seja quem conhece mais comandos.

Pode ser quem olha para um ambiente complexo e percebe:

“Vocês estão protegendo a coisa errada.”


☕ Epílogo: o sistema também mata aula

Talvez seja por isso que Ferris continue tão divertido.

Ele percebe que instituições possuem regras.

Mas também percebe que regras dependem de modelos mentais.

A escola acredita conhecer seus alunos.

Os pais acreditam conhecer o filho.

O diretor acredita conhecer o comportamento de Ferris.

O sistema acredita conhecer o número de faltas.

Ferris testa cada uma dessas certezas.

Isso é Red Team.

Não destruir o sistema.

Não atacar por atacar.

Mas descobrir:

onde termina a realidade e começa a confiança na representação da realidade.

Em mainframe.

Em cloud.

Em redes.

Em IA.

Em pessoas.

Em 1986.

Em 2026.

A tecnologia muda.

A pergunta permanece.

“E se alguém decidir usar isso de um jeito que você nunca imaginou?”

Se sua arquitetura não possui resposta, talvez Ferris já esteja alguns passos à frente.

Enquanto Rooney procura por ele no corredor.

Enquanto Cameron atende o telefone.

Enquanto Sloane espera.

Enquanto o computador da escola continua tranquilamente executando suas rotinas.

E enquanto seu SOC exibe, orgulhosamente:

SECURITY STATUS: GREEN
ACTIVE INCIDENTS: 0

Ferris olha para a câmera.

Sorri.

E desaparece pela porta.

SAVE FERRIS.

No próximo café:

Nove Faltas? CTRL+Z — Quando o Banco de Dados Decide o que é Verdade

Porque se o sistema diz que Ferris esteve na escola...

quem somos nós para discutir com o computador?

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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