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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O Ronin e o Castelo: por que todos enxergam a falta de COBOLzeiros, mas ninguém é dono da causa raiz

 

Bellacosa Mainframe e o ronin e o castelo 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Ronin e o Castelo: por que todos enxergam a falta de COBOLzeiros, mas ninguém é dono da causa raiz

🔴🔵 Silos, incentivos, procurement, turnover e o paradoxo das organizações onde todos batem suas metas enquanto o sistema inteiro perde conhecimento

Por Vagner Bellacosa


Existe uma reunião acontecendo no último andar do Castelo.

Uma grande mesa.

Telas enormes.

Dashboards.

Indicadores.

PowerPoint.

Café provavelmente melhor que o nosso.

Na parede aparece:

CRITICAL SKILLS REPORT

COBOL ................. SHORTAGE
CICS .................. SHORTAGE
DB2 ................... SHORTAGE
IMS ................... SHORTAGE
MAINFRAME ............. SHORTAGE

RISK LEVEL ............ HIGH

Todos concordam.

Existe um problema.

Faltam profissionais.

O representante de RH levanta a mão:

— Precisamos contratar mais.

O responsável por treinamento:

— Precisamos formar mais.

Procurement:

— Precisamos contratar fornecedores capazes de entregar profissionais.

Financeiro:

— Precisamos controlar o custo dessas contratações.

Projetos:

— Precisamos dessas pessoas ontem.

Vendor Management:

— Precisamos aumentar a competição entre fornecedores.

Todos estão certos.

Essa é justamente a parte assustadora.

Morpheus aparece discretamente no fundo da sala.

Olha para Neo.

Neo não está sentado à mesa.

Ele está alguns andares abaixo.

Provavelmente diante de um terminal.

Morpheus pergunta:

— Você percebeu?

Neo responde:

— O quê?

Morpheus aponta para a sala.

Todos estão resolvendo o problema.

Neo olha novamente.

— Então por que ele continua piorando?

Morpheus sorri.

Pegue seu café.

Hoje vamos falar sobre sistemas nos quais ninguém precisa estar errado para que o resultado esteja errado.


🏯 Bem-vindo ao Castelo

Toda grande organização precisa dividir responsabilidades.

Isso não é defeito.

É necessidade.

Imagine uma empresa com dezenas de milhares de pessoas sem departamentos, papéis, responsabilidades ou hierarquia.

Seria impossível administrar.

Então construímos torres.

              CASTELO

                 CEO
                  │
     ┌────────────┼────────────┐
     │            │            │
    RH        FINANCEIRO       TI
     │            │            │
     │        PROCUREMENT      │
     │            │            │
     └──── VENDOR MGMT ────────┘
                  │
             FORNECEDORES
                  │
             PROFISSIONAIS

Cada torre possui sua missão.

Cada torre possui seus indicadores.

Cada torre possui seus samurais.

E cada samurai tenta fazer bem seu trabalho.

Até aqui, perfeito.


🥷 O Ronin

Do lado de fora existe outra figura.

O Ronin.

Ele não pertence permanentemente a nenhum Castelo.

Passou por vários.

Banco A.

Banco B.

Seguradora.

Indústria.

Consultoria.

Fornecedor.

Projeto.

Migração.

Incidente.

Fusão.

Outsourcing.

Insourcing.

Downsizing.

Rightsizing.

Transformação digital.

Agile Transformation.

Cloud Transformation.

AI Transformation.

Ele já sobreviveu a tantas transformações que começa a desconfiar quando alguém coloca “Transformation” no nome.

🤣

O Ronin possui uma característica interessante.

Ele consegue comparar Castelos.


👀 Quem está dentro vê profundidade. Quem está fora vê padrões.

O samurai conhece profundamente sua torre.

O Ronin conhece superficialmente muitas torres.

Essas perspectivas produzem conhecimentos diferentes.

O samurai sabe:

COMO FUNCIONA ESTE CASTELO

O Ronin começa a perceber:

O QUE SE REPETE
EM TODOS OS CASTELOS

Isso é extremamente valioso.

Porque problemas sistêmicos frequentemente parecem locais para quem está dentro deles.


🧠 O conhecimento de segunda ordem

Existe conhecimento técnico.

Sei COBOL.

Existe conhecimento de negócio.

Sei como funciona pagamento.

Existe conhecimento organizacional.

Sei como esta empresa trabalha.

E existe outra categoria:

Já vi organizações tentarem isso antes.

Esse é conhecimento de segunda ordem.

O veterano não conhece apenas soluções.

Conhece padrões.

DECISÃO A
    ↓
EFEITO B

DECISÃO C
    ↓
EFEITO D

DECISÃO A NOVAMENTE
    ↓
"HUM... JÁ VI ESSE FILME."

Esse talvez seja um dos maiores valores do profissional experiente.

Não prever o futuro.

Reconhecer o passado chegando novamente usando outra gravata.


💊 A pílula azul

A explicação tradicional para o shortage de mainframe é bastante razoável.

Muitos profissionais estão envelhecendo.

Durante determinados períodos entraram menos jovens.

Universidades reduziram exposição a COBOL e mainframe.

Tecnologias distribuídas ganharam enorme atenção.

Cloud atraiu novas gerações.

Empresas possuem sistemas que permaneceram por décadas.

Tudo isso contribui.

Seria absurdo negar.

Mas Morpheus levanta a outra mão.


🔴 A pílula vermelha

Talvez parte da escassez seja produzida também pelo próprio modelo de trabalho.

Pergunta:

Quantos profissionais entraram?

Ótimo.

Agora:

Quantos ficaram?

Depois:

Quantos poderiam continuar, mas escolheram sair?

E finalmente:

Por quê?

Essa última pergunta é perigosa.

Porque talvez a resposta não esteja no mercado.

Talvez esteja no Castelo.


🧑‍💼 Torre do RH

RH olha para o dashboard.

OPEN POSITIONS ........ 73
TIME TO HIRE .......... HIGH
COBOL CANDIDATES ...... LOW

Diagnóstico:

Precisamos aumentar o pipeline.

Soluções:

bootcamp,

universidade,

recrutamento,

programas júnior,

reskilling,

campanhas,

employer branding.

Tudo perfeitamente racional.

KPI melhora.

NEW HIRES ↑

RC=00.


💰 Torre do Procurement

Procurement olha para outro dashboard.

VENDOR COST ........... HIGH
CONTRACT VALUE ........ HIGH
SAVINGS TARGET ........ 12%

Missão:

negociar.

Competição.

RFP.

Benchmark.

Renegociação.

Novo fornecedor.

Resultado:

CONTRACT COST -12%

Excelente.

RC=00.


💵 Torre Financeira

Financeiro observa:

OPEX ↑
MARGIN PRESSURE ↑

Determina:

controle de despesas,

redução de custos,

melhoria de produtividade.

Correto.

Uma empresa que ignora custos não permanece empresa durante muito tempo.

Resultado:

BUDGET = TARGET

RC=00.


📅 Torre de Projetos

Project Management olha:

PROJECTS ............... 47
DEADLINES .............. FIXED
DEPENDENCIES ........... 183
RESOURCES .............. INSUFFICIENT

Resposta:

mais capacidade.

Mais fornecedores.

Mais profissionais.

Mais velocidade.

Mais acompanhamento.

Entrega.

RC=00.


🤝 Vendor Management

Vendor Management precisa evitar dependência excessiva.

Diversifica fornecedores.

Compara desempenho.

Renegocia contratos.

Troca empresas quando necessário.

Excelente governança.

VENDOR CONCENTRATION ↓
COMPETITION ↑

RC=00.


👨‍💻 E no porão...

Neo olha para seu dashboard particular.

SALÁRIO RELATIVO ........ ↓
PRESSÃO ................. ↑
BUROCRACIA .............. ↑
AUTONOMIA ............... ↓
CONTRATO ................ 12 MESES
RENOVAÇÃO ............... ?
CARREIRA ................ ?
PLANTÃO ................. SIM
RESPONSABILIDADE ........ ALTA

Ele recebe uma proposta para continuar.

Menor.

Olha.

Pensa.

Aceita porque precisa.

Depois abre:

OPEN TO WORK = Y

Três meses depois:

EMPLOYEE STATUS = LEFT

🚨 RH recebe um alerta

CRITICAL SKILL LOST

Resposta:

Precisamos contratar outro COBOLzeiro.

E o ciclo reinicia.


🔁 O loop corporativo

Agora conseguimos enxergar o sistema completo.

FALTA PROFISSIONAL
       ↓
RH CONTRATA
       ↓
PROJETOS ALOCAM
       ↓
CUSTO AUMENTA
       ↓
FINANCEIRO PRESSIONA
       ↓
PROCUREMENT REDUZ
       ↓
FORNECEDORES COMPRIMEM
       ↓
PROFISSIONAL PERCEBE MENOR VALOR
       ↓
TURNOVER AUMENTA
       ↓
CONHECIMENTO SAI
       ↓
FALTA PROFISSIONAL

Olhe novamente.

Existe algum vilão?

Talvez não.

Isso é que torna o problema tão interessante.


🎯 Todos bateram suas metas

RH:

HIRES TARGET = ACHIEVED

Procurement:

SAVINGS TARGET = ACHIEVED

Financeiro:

BUDGET TARGET = ACHIEVED

Projetos:

DELIVERY TARGET = ACHIEVED

Vendor Management:

COMPETITION TARGET = ACHIEVED

Parabéns.

Agora olhamos para o sistema:

TURNOVER ............... ↑
KNOWLEDGE .............. ↓
SENIORITY .............. ↓
HIRING DIFFICULTY ...... ↑

Como isso é possível?

Bem-vindo à:

Otimização Local


🖥️ O mainframe já nos ensinou isso

Imagine um programa que consome muita CPU.

O desenvolvedor otimiza.

CPU cai 20%.

Excelente.

Mas para conseguir isso ele aumenta brutalmente chamadas ao Db2.

Agora:

PROGRAM CPU ........... -20%
DB2 LOAD .............. +40%
ELAPSED TIME .......... +15%

O programa ficou melhor.

O sistema ficou pior.

Se você medir apenas CPU:

RC=00.

Se medir o workload:

RC=12.

Organizações podem cometer exatamente o mesmo erro.


📏 O problema das métricas

Existe uma ideia famosa em gestão:

Quando uma medida vira alvo, ela pode deixar de ser uma boa medida.

A organização quer eficiência.

Escolhe uma métrica:

VENDOR COST

Então todos otimizam:

VENDOR COST ↓

Mas eficiência organizacional não é apenas vendor cost.

Talvez seja algo mais parecido com:

TOTAL VALUE
---------------------
TOTAL LIFECYCLE COST

E aí entram coisas muito mais difíceis de medir.


🧮 O custo que ninguém recebe numa fatura

Imagine que Procurement economizou:

R$ 2.000.000

Esse número aparece lindamente.

Agora o turnover aumenta.

Custos surgem.

RH:

RECRUITMENT +300K

Treinamento:

TRAINING +200K

Projetos:

DELAY +400K

Operações:

INCIDENTS +?

Sêniores:

MENTORING HOURS +?

Produtividade:

RAMP-UP LOSS +?

Conhecimento:

TACIT KNOWLEDGE LOSS = ???

Talvez o total ultrapasse os dois milhões.

Talvez não.

O ponto é:

alguém calculou?


👻 O custo fantasma

Custos diretos são fáceis.

Possuem nota fiscal.

Centro de custo.

Contrato.

PO.

Invoice.

Custos sistêmicos são fantasmas.

Eles aparecem espalhados.

R$ 80K aqui
R$ 120K ali
3 meses acolá
2 incidentes depois
500 horas de onboarding

Ninguém recebe:

NOTA FISCAL

FORNECEDOR:
PERDA DE CONHECIMENTO S/A

SERVIÇO:
SAÍDA DO CARA QUE SABIA
POR QUE AQUELA PROC
NÃO PODE RODAR ÀS 04:10

VALOR:
R$ 487.391,72

🤣

Se existisse, talvez administrássemos conhecimento de maneira diferente.


⏳ E existe latência

Esse talvez seja o ponto mais perverso.

Decisão:

2026:
REDUCE CONTRACT COST 15%

Resultado imediato:

SAVING = SUCCESS

Consequências possíveis:

2027:
TURNOVER ↑

2028:
SENIORITY ↓

2029:
KNOWLEDGE GAP ↑

2030:
INCIDENT RISK ↑

Agora alguém pergunta:

— Por que temos esse problema?

Quem lembrará da decisão de quatro anos atrás?

Talvez ninguém.

Sistemas complexos possuem memória.

Organogramas nem sempre.


🦋 Causa aqui, efeito lá

Mainframeiros entendem isso.

Um pequeno parâmetro alterado hoje pode produzir comportamento estranho muito depois.

Organizações também possuem dependências invisíveis.

PROCUREMENT DECISION
         ↓
SALARY PRESSURE
         ↓
ENGAGEMENT
         ↓
TURNOVER
         ↓
KNOWLEDGE LOSS
         ↓
INCIDENT RISK

Mas cada seta pode levar meses.

Isso dificulta perceber causalidade.


🥷 Por que o Ronin percebe?

Não porque seja necessariamente mais inteligente.

Isso é importante.

Ele possui outra posição de observação.

Passou por:

CASTELO A
CASTELO B
CASTELO C
CASTELO D

E viu:

PADRÃO A
PADRÃO A
PADRÃO A
PADRÃO A

Então pensa:

Talvez não seja coincidência.

A experiência transversal permite reconhecer padrões que estruturas verticais escondem.


🏯 O samurai conhece profundamente uma torre

Ele talvez passe quinze anos em Procurement.

Conhece negociação como ninguém.

Outro passa quinze anos em RH.

Outro em Finance.

Outro em TI.

Todos especialistas.

Mas o problema mora:

entre as torres.

E problemas que vivem entre departamentos possuem uma característica perigosa:

ninguém é completamente dono deles.


👤 Quem é o owner do turnover sistêmico?

RH?

Talvez.

Mas RH não controla procurement.

Procurement?

Não controla carreira.

TI?

Não controla contratos comerciais.

Financeiro?

Não controla motivação.

Vendor Management?

Não controla mercado.

Então:

PROBLEM OWNER = NULL

E todo programador sabe que NULL pode gerar resultados interessantes.


🧠 Talvez este seja o verdadeiro problema

Não falta inteligência.

Falta ownership sistêmico.

Cada área possui:

LOCAL OWNER = YES

Mas:

END-TO-END OWNER = ???

Quem responde pela pergunta:

Estamos preservando conhecimento crítico ao longo de dez anos?

Talvez ninguém.

Porque dez anos não cabem confortavelmente num trimestre.


📆 O trimestre contra a década

Esse conflito merece atenção.

Sistemas mainframe podem durar:

30,

40,

50 anos.

Contratos:

12 meses.

Metas:

trimestrais.

Orçamentos:

anuais.

Carreiras:

talvez décadas.

Temos escalas temporais completamente diferentes.

MAINFRAME ............. 40 ANOS
CARREIRA .............. 30 ANOS
ESTRATÉGIA ............. 5 ANOS
CONTRATO ............... 1 ANO
BUDGET ................. 1 ANO
KPI .................... 3 MESES

Agora tente otimizar tudo isso simultaneamente.

Boa sorte.


🏃 O curto prazo sempre corre mais rápido

Economizar R$ 1 milhão este ano é concreto.

Evitar perder conhecimento daqui a cinco anos é abstrato.

Então:

BENEFÍCIO PRESENTE
>
RISCO FUTURO PERCEBIDO

Até o futuro virar presente.

Aí abrimos um projeto chamado:

CRITICAL SKILLS
TRANSFORMATION PROGRAM

🤣

Contratamos consultoria.

Criamos steering committee.

Fazemos workshops.

E tentamos reconstruir aquilo que talvez tivéssemos conseguido preservar.


💰 O paradoxo econômico

Podemos gastar:

R$ X

para evitar dar:

R$ Y

de incentivo de retenção.

Porque X está em:

TRANSFORMATION BUDGET

e Y estava em:

PAYROLL

São caixas diferentes.

O dinheiro não sabe disso.

Mas o organograma sabe.


🧱 Silos não são apenas departamentos

Existem silos de:

informação,

tempo,

incentivo,

orçamento,

responsabilidade,

métrica.

O problema pode atravessar todos eles.

Por isso parece invisível.

Cada pessoa enxerga uma parte verdadeira.

Ninguém enxerga necessariamente a verdade completa.


🧩 É o elefante corporativo

RH toca a tromba:

Falta recrutamento.

Procurement toca a perna:

Custo alto.

TI toca a barriga:

Falta capacidade.

Finance toca a orelha:

OPEX.

Neo olha o elefante inteiro:

Talvez tenhamos um problema de retenção e proposta de valor.

Todos podem estar parcialmente certos.


🎯 Goodhart entra no CPD

Imagine que estabelecemos:

KPI:
REDUCE CONTRACTOR COST 10%

A organização conseguirá.

Pessoas são extraordinariamente criativas quando bônus dependem disso.

Mas talvez precisássemos de:

KPI:
REDUCE TOTAL COST
WHILE PRESERVING
CRITICAL KNOWLEDGE
AND SERVICE QUALITY

Muito melhor.

Também muito mais difícil de medir.

E exatamente aí mora o problema.


📊 O que é fácil medir vence

Preço/hora:

fácil.

Número de profissionais:

fácil.

Quantidade de vagas:

fácil.

Turnover:

razoavelmente fácil.

Agora:

valor do conhecimento tácito?

Difícil.

Confiança?

Difícil.

Custo de contexto perdido?

Difícil.

Capacidade de diagnóstico?

Difícil.

Valor de alguém que evita um incidente que nunca aconteceu?

Quase impossível.

Então nossa planilha possui precisão extraordinária sobre as coisas menos interessantes.


👴 Quanto vale o incidente que não aconteceu?

O veterano olha para uma mudança e diz:

— Não façam isso.

Perguntam:

— Por quê?

— Já vi dar problema.

Mudam a abordagem.

Nada acontece.

Resultado:

INCIDENTS = 0

Quanto dinheiro ele economizou?

Zero?

Talvez milhões.

Mas como o incidente nunca aconteceu, não existe número.

Esse é o paradoxo da prevenção.

O sucesso apaga a evidência do próprio valor.


🧑‍🏫 E quando ele sai...

Seis meses depois alguém repete a ideia.

Desta vez ninguém diz:

— Não façam isso.

Executam.

Produção cai.

War Room.

Executivos.

Fornecedores.

Post-mortem.

Consultoria.

Plano de ação.

Agora temos números!

INCIDENT COST:
R$ 4.700.000

Finalmente conseguimos medir o valor daquele conhecimento.

Só precisávamos perdê-lo primeiro.


🔴 Red Pill Management

Talvez precisemos de perguntas diferentes.

Não apenas:

Quantas pessoas contratamos?

Mas:

Quantas perdemos?

Não apenas:

Quanto reduzimos o contrato?

Mas:

Quanto aumentamos o custo total?

Não apenas:

Quantos profissionais temos?

Mas:

Onde está o conhecimento crítico?

Não apenas:

Quem executa?

Mas:

Quem sabe por que fazemos assim?

Não apenas:

Qual fornecedor possui o contrato?

Mas:

Quem continuará sabendo isso depois que o fornecedor sair?

Essas perguntas atravessam torres.


🧠 O WLM humano

Mainframe possui uma ideia maravilhosa.

WLM não deveria simplesmente perguntar:

Qual tarefa está consumindo CPU?

Ele pensa em:

objetivos de serviço.

O sistema tenta administrar recursos olhando para prioridades e resultados.

Talvez organizações precisem de algo semelhante.

Um:

Enterprise Knowledge WLM

Objetivo:

CRITICAL KNOWLEDGE
MUST REMAIN AVAILABLE

Agora RH, Procurement, Finance, TI e fornecedores deixam de otimizar isoladamente.

Precisam negociar recursos em torno de um objetivo comum.


🏯 O problema não é destruir as torres

Silos possuem função.

Especialização importa.

Não queremos RH fazendo tuning de Db2.

Nem queremos o DBA negociando plano odontológico.

🤣

A solução não é eliminar departamentos.

É construir mecanismos que enxerguem:

END-TO-END

Porque alguns problemas não pertencem a nenhuma torre.

Pertencem ao Castelo.


👑 Quem deveria ser dono?

Talvez a resposta varie.

CTO.

CIO.

CHRO.

Knowledge Management.

Workforce Strategy.

Um comitê transversal.

Não importa tanto o título.

Importa existir alguém capaz de perguntar:

Qual é o efeito conjunto das nossas decisões sobre a capacidade técnica daqui a cinco anos?

Essa pergunta raramente cabe num KPI trimestral.

Justamente por isso alguém precisa fazê-la.


🔵 A pílula azul novamente

Grandes empresas não são burras.

Executivos não ignoram necessariamente esses problemas.

Muitas organizações possuem excelentes programas de:

sucessão,

talentos,

retenção,

formação,

knowledge management,

workforce planning.

Além disso, shortages podem realmente resultar de demografia, tecnologia, mercado e mudanças educacionais.

Seria simplista culpar procurement ou terceirização.

Não é essa nossa tese.


🔴 A pílula vermelha novamente

Mas seria igualmente simplista acreditar que políticas internas não participam da equação.

Se profissionais:

ganham relativamente menos,

possuem contratos menores,

veem menos carreira,

enfrentam mais camadas,

recebem mais pressão,

possuem menos autonomia,

e encontram alternativas...

alguns sairão.

Depois disso, chamar todo o fenômeno simplesmente de:

SKILLS SHORTAGE

pode esconder parte da história.

Talvez seja também:

RETENTION SHORTAGE

ou até:

INCENTIVE DESIGN PROBLEM

🥷 O Ronin volta ao Castelo

Um dia convidam Neo para uma reunião.

Ele entra.

Olha os dashboards.

O slide diz:

MAINFRAME TALENT CRISIS

Perguntam:

— O que você acha que deveríamos fazer?

Neo olha para RH.

Depois Procurement.

Financeiro.

Projetos.

Vendor Management.

Respira.

E pergunta:

Quantos COBOLzeiros vocês formaram nos últimos cinco anos?

Alguém responde.

Quantos contrataram?

Resposta.

Quantos ainda estão aqui?

Silêncio.

Quantos saíram?

Mais silêncio.

Então vem a última:

Por que saíram?

A sala fica muito quieta.

Morpheus sorri no fundo.


☕ Cambio final, Torre de Controle

Talvez a pergunta:

“Por que faltam COBOLzeiros?”

seja grande demais para qualquer departamento responder sozinho.

RH enxerga recrutamento.

Procurement enxerga custo.

Financeiro enxerga orçamento.

Projetos enxergam capacidade.

TI enxerga tecnologia.

Vendor Management enxerga fornecedores.

Todos enxergam partes verdadeiras.

Mas sistemas complexos possuem uma característica inconveniente:

o comportamento do todo não é simplesmente a soma das intenções das partes.

Podemos ter:

bons profissionais,

bons gestores,

bons compradores,

bons recrutadores,

bons fornecedores,

bons processos.

E ainda assim produzir um resultado ruim.

Isso não exige conspiração.

Não exige incompetência.

Não exige maldade.

Talvez seja justamente o contrário.

Todos podem estar fazendo exatamente aquilo que foram incentivados a fazer.


Na última tela da reunião aparece:

CORPORATE WLM

HR ..................... RC=00
PROCUREMENT ............ RC=00
FINANCE ................. RC=00
PROJECT MANAGEMENT ...... RC=00
VENDOR MANAGEMENT ....... RC=00

---------------------------------

ENTERPRISE .............. RC=12

ROOT CAUSE:
LOCAL OPTIMIZATION

O executivo olha.

— Como todas as áreas podem estar verdes e a empresa vermelha?

Neo responde:

— Porque vocês mediram as áreas.

— E não a empresa?

Neo balança a cabeça.

— Exatamente.

Morpheus coloca duas pílulas sobre a mesa.

🔵 A azul:

TRAIN MORE PEOPLE

🔴 A vermelha:

FIND OUT WHY
THEY DON'T STAY

Talvez precisemos das duas.

Mas durante décadas prestamos muito mais atenção à primeira.


E essa talvez seja a conclusão mais inquietante de toda esta Matrix.

O problema pode não estar nos samurais.

Pode não estar no Ronin.

Pode não estar no COBOL.

Pode nem estar na terceirização isoladamente.

Pode estar na arquitetura que conecta tudo isso.

Porque sistemas fazem exatamente aquilo para que foram desenhados e incentivados — inclusive quando ninguém pretendia conscientemente produzir aquele resultado.

Então, antes de procurar culpados, talvez devêssemos fazer aquilo que todo velho mainframeiro aprende depois de sobreviver a alguns incidentes:

STOP BLAMING COMPONENTS.

TRACE THE FLOW.

FOLLOW THE DEPENDENCIES.

CHECK THE INCENTIVES.

MEASURE END-TO-END.

FIND THE ROOT CAUSE.

E se depois de tudo isso descobrirmos:

ROOT CAUSE:
CASTLE DESIGN

não adianta demitir o samurai.

Outro ocupará seu lugar.

Receberá os mesmos KPIs.

Responderá aos mesmos incentivos.

Tomará decisões semelhantes.

E alguns anos depois estaremos novamente naquela sala perguntando:

“Onde estão todos os COBOLzeiros?”

Enquanto, do lado de fora do Castelo, o Ronin toma seu café, olha para a estrada e talvez pense:

“Vocês continuam procurando pessoas para alimentar um sistema sem perguntar por que tantas pessoas querem sair dele.”

🔴🔵

Wake up, Neo.

Às vezes o problema não está em quem executa o programa.

Está no programa.

E, às vezes, nem mesmo no programa.

Está na arquitetura que decidiu como todos os programas deveriam trabalhar juntos.

Cambio final, Torre de Controle.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe // IT JOB MARKET RADAR

Mercado de Trabalho em TI: Quando Conhecimento Vira Commodity, Poder e Risco

Cinco leituras sobre salário, memória técnica, conhecimento legado, leilão reverso de profissionais e o êxodo de especialistas COBOL. Um pequeno mapa de um mercado em que experiência vale muito — até alguém tentar transformá-la em desconto.

> ANALYZE IT_WORKFORCE
STATUS=KNOWLEDGE_CRITICAL
SALARY_PRESSURE=HIGH
LEGACY_SKILLS=SCARCE
CORPORATE_MEMORY=VOLATILE
ACTION=READ_THE_EVIDENCE
01

O Spread do Conhecimento: Matrix, COBOL e o Valor do Saber

Quando conhecimento raro deixa de ser apenas competência técnica e passa a funcionar como ativo econômico dentro das organizações.

Knowledge Economics
02

Quanto Custa um Programador? Salário, Valor e Mercado

O preço de um profissional de tecnologia não é simplesmente salário: envolve experiência, escassez, produtividade, conhecimento acumulado e risco operacional.

Salary Economics
03

DELETE USER Não Apaga Memória: O Conhecimento que Sai da Empresa

Demitir ou perder um especialista é simples no RH. Recuperar décadas de contexto operacional depois pode ser impossível.

Corporate Memory
04

O Leilão Reverso do Conhecimento

Quando empresas tentam comprar cada vez mais experiência por cada vez menos dinheiro, o mercado pode transformar contratação em um leilão reverso de conhecimento.

Reverse Auction
05

O Êxodo dos COBOLzeiros

O que acontece quando profissionais que conhecem sistemas críticos descobrem que permanecer onde estão pode valer menos do que sair?

COBOL Exodus

🧠 O problema não é COBOL. É economia do conhecimento.

Empresas costumam tratar conhecimento técnico como se fosse um recurso facilmente substituível. Entretanto, sistemas corporativos acumulam décadas de regras de negócio, exceções, interfaces, decisões históricas e conhecimento informal que raramente aparece integralmente na documentação.

Quando o profissional sai, o USERID pode ser apagado imediatamente. O contexto que ele carregava não possui um comando equivalente.

01 Pressão salarial
02 Saída do especialista
03 Perda de contexto
04 Incidente
05 Consultoria cara

📚 Leituras sobre mercado de trabalho, COBOL e conhecimento em TI

BELLACOSA MAINFRAME // KNOWLEDGE IS NOT A REPLACEABLE RESOURCE

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Um castelo meio assombrado em São Tomé das Letras

Estamos em 31 de Dezembro na cidade de São Tomé das Letras.


Estamos nos preparando para um jantar de Ano Novo bem diferente, estamos num castelo meio assombrado nesta mistica e louca cidade no alto das montanhas.

Esta cidade tem tantas surpresas, inclusive um castelo restaurante com salas secretas, vista fabulosa da cidade e assombrações para os mais impressionáveis

Desejo a você amigo que visita este humilde canal, um feliz 2020. Que este ano bissexto traga sorte, saúde e prosperidade, bem como muita paz, afinal com tantos governantes loucos ninguém aguenta.

#MinasGerais #SaoTomedasLetras #Castelo #AnoNovo #Jantar #Ceia #Virada #Assombracao #Almeia #Ruas #FogosArtificio #Vista #Noturna #Ceu


#SaoTomeDasLetras #Piramide  #tocaFurada #mirante #cruzeiro #IGrejaAssombrada #Castelo #Trilha #Ecoturismo #ViagemAstral #Ufo #et #duende #fada #weed #hippie #bichogrilo #cachoeira #cascata #corredeira #Caverna #pedradabruxa #panorama #ChicoTaquara #Gruta #saoTome #igrejarosario #sobradinho #eubioese #shangrila #poçoazul #poçodasesmeraldas #paraiso #veudanoiva #valedasborboletas #lua #gruta


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Uma tarde de musica medieval no Castelo de São Jorge

Um musico no Castelo de São Jorge em Lisboa 


Do alto de uma das 7 colinas de Lisboa, suas muralhas protegem Lisboa há mais de 2000 anos. Diversos povos passaram por aqui, derramaram seu sangue, destruíram seus portões, repararam, ampliaram, colocaram novas torres.

Para se ter uma pequena noção, acredita-se que os fenícios construíram a primeira fortificação, celtibéricos conquistaram aos primeiros, mas perderam para os romanos, godos, visigodos, vândalos e tantos outros povos passaram aqui também. Por fim os mouros os conquistaram e iniciaram os anos dourados do Al-Andaluz, por fim os portugueses ajudados por cruzados ingleses conquistaram a cidade é iniciaram a construção de um império onde o sol nunca se punha, com cidades em todos os continentes.

Hoje o castelo de São Jorge perdeu suas funções defensivas, mas agora aberto a todos os povos de boa vontade, tornou-se um imponente monumento, onde podemos passar bons momentos, apreciando toda a paisagem, o panorama é perfeito podemos ver a cidade, o rio Tejo, a margem sul com Almada e Seixal logo a vista.

Para completar restaurado tem fontes, torres e almeias, canhões em bronze, estatuas, jardins e diversas arvores para entreter o visitante. Num dia agradável de visita havia um musico tocando melodias de tempos idos, musica medieval no castelo, remetendo-nos há uma viagem no tempo para a Lisboa medieval, conhecendo a terra dos alfacinhas do seculo XIV.
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Próximo ao castelo ainda podemos visitar as ruínas do teatro Romano, a velha Sé Catedral e seus tesouros, a casa de Santo Antônio, andar nos ícones bondes amarelos de Lisboa e se perder nas sinuosas ruas da mouraria.




sábado, 16 de dezembro de 2017

As boas vindas de Águas de Lindoia através do seu castelinho.


Estamos indo em direção ao parque aquático Water Park de Águas de Lindoia e somos recebidos por este belo portal em formato de porta de um castelo, com duas torres, nos transportando para os montes alpinos com sua característica: telhados em duas água com 30 graus de inclinação.

Esta cidade é encantadora com seus jardins, parques e praças são muitas áreas verdes para curtir a natureza e relaxar de uma semana pesada, para aqueles que gostam de banhos termais tem o Banho Publico com águas a 28 graus e levemente radioativas, ideais para problemas de pele e reumatismo.

Seguindo para os bairros existe o Water Park com muitos tobogans e uma deliciosa piscina que foi tema de um outro vídeo. Neste parque tem um navio pirata, ponte pênsil e diversas atrações, além das piscinas.

Deixo aqui um pequeno vídeo, para aqueles que não podem viajar uma pequena amostra do belo portão de acesso em Águas de Lindoia.








sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Acampamento Viking na Feira Medieval de Valinhos

Imagine entrando em um acampamento Viking.


Um lugar repleto de armas brancas, tais como lança, espada curta, espada longa, machado, punhal, faca e é claro roupas defensivas em couro, cota de malha, elmo, bracelete, botas e roupas em pele, tudo bem caracterizado e preparado.

Imagine vendo uma fogueira assando coelhos, mais a frente o ferreiro afiando armas, um grupo de guerreiro conversando animadamente, mulheres cuidado dos seus escudos e das tendas forradas com peles de ovelha.

Atrás do acampamento viking foi criado um campo de treino para arremesso de lanças, machados e arco e flecha e até mesmo martelo de combate, com muita gente fantasiada e no clima da festa, espero que goste desta viagem no tempo.



quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Um castelo no pórtico de Águas de Lindoia

As boas vindas de Águas de Lindoia através do seu castelinho.


Estamos indo em direção ao parque aquático Water Park de Águas de Lindoia e somos recebidos por este belo portal em formato de porta de um castelo, com duas torres, nos transportando para os montes alpinos com sua característica: telhados em duas água com 30 graus de inclinação.

Esta cidade é encantadora com seus jardins, parques e praças são muitas áreas verdes para curtir a natureza e relaxar de uma semana pesada, para aqueles que gostam de banhos termais tem o Banho Publico com águas a 28 graus e levemente radioativas, ideais para problemas de pele e reumatismo.

Seguindo para os bairros existe o Water Park com muitos tobogans e uma deliciosa piscina que foi tema de um outro vídeo. Neste parque tem um navio pirata, ponte pênsil e diversas atrações, além das piscinas.

Deixo aqui um pequeno vídeo, para aqueles que não podem viajar uma pequena amostra do belo portão de acesso em Águas de Lindoia.




terça-feira, 18 de julho de 2017

Trem de passageiros da Trenord circulando pelos trilhos

Trenord e a ligação regional da Lombardia.


O Castello Sforzesco é um monumental castelo em estilo Renascentista, outrora um bastião defensivo da cidade de Milão, no antigo campo de caça, hoje existe um belo parque com lago, uma torre moderna em ferro, uma arena esportiva com um passado negro, o aquário municipal e ao fundo um Arco Triunfal e cercado por bancos em formato de arena.

O castelo Sforzesco tem uma coleção de museus em seu interior, ocupando as antigas salas do castelo, feito em tijolo e com belas e imponentes torres, deixa os turistas boquiabertos com seu tamanho. Lembrando que ainda tem um enorme chafariz que refresca o ambiente em dias quentes de verão.

Andando sem rumo me deparo com trilhos da Trenord e aproveito para capturar alguns momentos da passagem do trem urbano, belos vagões com dois andares rumo a estação Garibaldi de Milão. Este é outro exemplo do rico sistema de transporte italiano. Próximo ao castelo também tem a estação de Porta Genova.







terça-feira, 5 de agosto de 2014

O complexo defensivo de AcroCorintho

O guardiao de Atenas, a muralha de AcroCorinthos


Atenas e Corinthos sempre foram cidades rivais, porem a necessidade de ser criar um sistema defensivo que protegesse a Grécia de invasores, criando bolsoes seguros, impulsionou a criação desta mega fortaleza.

Hoje as ruínas estão dispersas nas colinas, mas outrora este sistema defensivo protegia todo o Golfo de Corintho e a Atenas, pois servia como primeira linha defensiva terrestre antes das muralhas de Atenas.




Durante séculos gregos, macedónios, romanos, bizantinos e otomanos cuidaram e ampliaram estas linhas, porem as guerras e o tempo foram cruéis. Terremotos constantes danificaram enormemente as muralhas.

Para aqueles corajosos que se aventurarem a conhecer AcroCorintho, se você estiver a pé, recomendo alugar um táxi, os motoristas são super simpáticos e cobram por hora de serviço, porem paguem metade na ida, para o caso do camarada sumir, vai la saber... fica a dica.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Campinas — Quando a Vida Parecia Mais Colorida


Bellacosa Mainframe e as memorias da doce Giovanna

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Campinas — Quando a Vida Parecia Mais Colorida

Há épocas da vida em que tudo parece mais doce.

As cidades parecem mais coloridas, os dias mais compridos e até as coisas mais simples carregam uma importância que só descobrimos muitos anos depois.

Entre 1999 e 2002 namorei Giovanna, de Amparo.

Já escrevi outras vezes sobre aqueles dias, sobre Amparo e sobre as lembranças que ficaram daquele período. Mas hoje, em 2009, foi Campinas que resolveu bater à porta da memória.

Giovanna havia se mudado para a região da Andrade Neves, no Castelo, para fazer cursinho no Anglo.

E, sem percebermos, nosso pequeno mapa particular ficou maior.

Até então, nossa geografia sentimental estava mais ou menos limitada ao eixo Itatiba–Amparo. De repente, Campinas entrou novamente em minha vida.


Digo novamente porque Campinas sempre apareceu em capítulos diferentes da minha história.

Nos anos 1970, passei por ela com meus pais.

Nos anos 1980, vieram os passeios com meus tio-avós Guiomar e Francisco.

Depois, já em outra fase da vida, veio Cris.

E então Giovanna.

É curioso perceber como uma mesma cidade pode pertencer a tantas versões diferentes de nós mesmos.

Da Campinas daqueles dias, não me lembro apenas dos lugares.

Lembro-me principalmente das pequenas coisas.

De jantar com Giovanna em um restaurante japonês no Castelo.

De ir até a porta do cursinho encontrá-la.

De bater perna despreocupadamente entre a antiga rodoviária e a casa dela.

Nosso acordo era simples:

quem chegasse primeiro esperava o outro.

Só isso.

Nenhum aplicativo avisando localização. Nenhuma mensagem dizendo “estou chegando”. Nenhum pontinho se movimentando sobre um mapa.

Um esperava.

O outro aparecia.

E a vida funcionava.

Também me lembro das despedidas apressadas, quando precisava correr para apanhar o fretado e seguir para São Paulo para trabalhar.

Naquele momento aquilo era apenas rotina.

Hoje virou memória.

E existem algumas lembranças que o tempo, por algum motivo, decidiu guardar com uma nitidez quase cruel.

Fecho os olhos e ainda consigo enxergar a doce odalisca mostrando os passos que aprendera em um curso de dança em Amparo.

Uma pequena apresentação particular.

Um instante absolutamente banal para o restante do planeta.

Para mim, não.

Também me lembro, e confesso que ainda com a face um pouco corada, da doce colegial de rabo de cavalo, camisa branca e saia xadrez.

São fotografias que não precisam existir em papel.

A memória resolveu revelá-las sozinha.

Talvez seja isso que chamamos de saudade.

Não necessariamente vontade de voltar.

Não necessariamente arrependimento pelos caminhos que cada um escolheu.

É simplesmente perceber que existiu um tempo que não existe mais — e que fomos felizes dentro dele sem saber que, um dia, sentiríamos falta até das caminhadas mais comuns.

Hoje Campinas é outra.

Eu também sou outro.

Giovanna certamente seguiu seus próprios caminhos.

Mas existe uma Campinas que nenhuma reforma urbana conseguirá modificar.

Aquela Campinas continua parada em algum lugar entre 1999 e 2002.

Nela, existe um rapaz caminhando da antiga rodoviária em direção ao Castelo.

Existe uma garota saindo do cursinho.

Existe um restaurante japonês esperando pelos dois.

Existe um fretado que ainda precisa ser alcançado.

E existe aquele velho combinado:

quem chegar primeiro espera o outro.

Talvez seja justamente isso que a memória esteja fazendo todos esses anos depois.

Esperando.

Saudosa Giovanna.

Seguimos por caminhos diferentes, como tantas pessoas que um dia dividiram um pedaço da vida.

Mas algumas pessoas não desaparecem completamente quando partem de nossa história.

Elas permanecem associadas a uma rua, uma música, uma estação, um restaurante, uma roupa, um perfume, uma cidade.

E basta fechar os olhos para que tudo volte por alguns segundos.

Campinas.

Castelo.

Andrade Neves.

O Anglo.

A antiga rodoviária.

A caminhada.

O restaurante japonês.

A odalisca.

A colegial de rabo de cavalo.

O fretado esperando.

Há épocas da vida em que tudo realmente parece mais doce e mais colorido.

Talvez não fossem.

Talvez nós é que fôssemos.

E quando uma dessas lembranças atravessa inesperadamente décadas para nos visitar, o coração aperta um pouquinho.

A gente sorri.

E deixa aquela inevitável lagriminha aparecer no canto do olho.





 

sexta-feira, 20 de agosto de 2004

Óbidos e a riqueza do seu castelo

Se não gosta de castelos,  de meia volta e pule para outro site.


Amigos não sei se repararam mas eu sou um aficionado, viciado, louco, maluco por montes de pedra. Minha paixão por castelos e suas muralhas é antiga e desde que vim para Portugal aumentou exponencialmente, em cada virar de esquina e acaba por encontrar um mais bonito que o outro.



Óbidos com certeza esta no top 10 dos melhores castelos e muralhas de Portugal, nossa circulei pela vila inteira através das muralhas, passei por Torres, almeias, Besteiras. 

Tive a visão privilegiada dos campos e moinhos pela região,  apreciei os telhados das casas em seu vermelho barro e as casinhas caiadas.

Achei tão bela e encantadora esta vila que apenas encontrei um rival a altura, que era a cidade de Ávila em Espanha. Nossa as ruas em pedra, a estrutura defensiva em formato de labirinto das ruas.

A porta da traição, as portas interiores que estrutura tão bela, tão fascinante. Escadas, caminhos, vielas, becos, linhas defensivas internas e externas, reservatórios de agua, silos de grãos,Venham conhecer Óbidos e sinta-se como um cavaleiro medieval.

sábado, 15 de maio de 2004

Ermesinde e as casas tipica do norte de Portugal

Castelo e mais castelos


Quem viaja pelo Alentejo tem uma overdose de castelos, fortes, fortalezas, torres, fortins, muralhas e fossos, para isso existe uma explicação bem lógica.



Devido a geografia do terreno, grandes planícies sem grandes formações rochosas ou rios para servirem de proteçao, era um caminho fácil para exércitos invasores e mesmo brigantes/bandoleiros agirem.

Para evitar este problema qualquer pequena elevação era utilizado para construir um sistema de defesa. 

E Evoramonte foi coroado com um forte bem diferente, tanto que desta terriola somente me lembrarei do seu castelo que realmente chamou minha atenção, que ate hoje não entendo por que foi reconstruido com este formato, qual era intenção foi erro ou proposital?

sábado, 17 de janeiro de 2004

Tomar e o antigo casttelo Templario

A defesa de Portugal


Portugal tem uma ligação histórica muito forte com os templários, desde a queda do Castelo Mouro de Lisboa que graças a ajuda dos templários ingleses que iam rumo a terra santa.



Numa manobra de génio, os meninos de Afonso Henriques convenceram o mestre templário que chefiava a expedição rumo a terra Santa. 

Numa negociação rápida foram convencidos que matar mouros em Portugal era o mesmo que matar na Terra Santa, afinal estavam livrando um reino cristão dos malefícios dos pagoes.

E assim Lisboa foi conquistada e iniciou uma amizade que nunca mais terminou com os Templários, mesmo quando em outros lugares da Europa foram dadas ordens de extermínio da ordem, em Portugal todo aquele que procurou refugio foi salvo.

domingo, 2 de novembro de 2003

Vila Viçosa entre palácios e castelos

Uma vila dedicada a caça-real


Vila Viçosa na época da monarquia era o lugar predilecto da família real e da alta nobreza para virem a caça.



Graças esta vocação natural foram edificados diversos palácios e edifícios belos para abrigar essa cambada de caçadores, inclusive foi numa dessas viagens de caça, ou melhor retorno, que Portugal perdeu seu rei e o príncipe sucessor.

Tirando detalhes trágicos, esta posição estratégica do território foi escolhida para abrigar diversos castelos e fortalezas, que sobreviveram aos nossos dias, inclusive possui um museu militar muito bacana.

Passear por aqui é ver como a cidade era querida dos monarcas, tantas coisas boas e belas foram edificadas, provando o carinho do monarca.

domingo, 26 de outubro de 2003

Sintra e o castelo dos Mouros

Um castelo de verdade.


Para proteger a região de Sintra existiu uma fortificação militar, conhecida vulgarmente como o Castelo dos Mouros, sobre uma colina com vista para o Atlântico, Tejo e vale de Sintra.



Tem uma historia triste sobre esta edificação que remonta a época da reconquistas. Tinha fama de ser inexpugnável, por estar em uma posição estratégica que dificultava o uso de maquina de cerco.

As forças de Afonso Henriques calculando as perdas em soldados e tempo, resolveram não atacar este castelo, contornando a região e indo directo a Lisboa.

Com a queda da cidade de Lisboa, o xerife de Sintra e toda sua guarnição perderam a guerra, sem terem travado uma única batalha. Segundo cronistas a chave do forte foi entregue a Afonso Henriques e as tropas partiram para o exílio.

sexta-feira, 22 de agosto de 2003

Montemor-o-Velho o guardiao do Mondego

Um castelo na foz do Mondego.


Quem visitou Montemor-o-velho dificilmente acredita que ali, num passado distante era a foz do rio Mondego, junto ao Atlântico, protegendo a costa portuguesa contra vikings, piratas, mouros e oportunistas.



Essa linha defensiva foi durante 200 anos, alvo de um troca troca intenso ora pertencia a uma facção, ora a outra, sendo pilhado e destroçado. Para depois ser reerguido e começar tudo de novo.

Hoje vendo pelas estruturas que sobreviveram ao tempo, percebe-se a importância militar deste castelo, a grossura de suas paredes, o tamanho da aérea cercada e a visão do horizonte.

Tornavam este castelo  um dos mais importantes da linha defensiva/ofensiva do Mondego, devendo ser protegido a todo custo. O equilíbrio somente foi quebrado e a conquista definitiva para os lusitanos ocorreu somente com o auxilio dos castelhanos na conquista de Coimbra.

Falando de comida, almocei rojões de porco com batatas aos cubinhos acompanhado de um vinho verde frisante e bem fresquinho....

domingo, 20 de julho de 2003

Montemor o Novo e o castelo do Miau

Estranhas historias de um castelo.


Estamos no distrito de Évora, indo em Direcção a Santiago do Escoural e sempre passamos as portas de Montemor-o-Novo, hoje resolvemos subir e explorar a cidade.



Existe na colina as ruínas de um castelo de grandes proporções, outrora devia ter uma grande guarnição para proteger estas terras, com a pacificação do sul de Portugal, perdeu importância e foi sendo abandonado.

O tempo cruel como sempre tratou de ir apagando seus registro, com a ajuda de terremotos e da mão humana que ao necessitar de pedras, sempre vinha ate o castelo apanhar algumas muitas casas e cercas foram construídas como este material.

Agora ouvi um causo muito engraçado a respeito deste castelo, segundo os antigos, existia uma turbe de alegres que vinham fazer festinhas na área do castelo, gerando muito ruído que incomodava a população la embaixo. Que tratava de chamar a GNR porem ate chegar a patrulha a rapaziada já tinha ido embora.

Devido a estes estranhos barulhos, que diziam parecer gatos miando, o castelo ganhou a alcunha de Castelo Do Miau. Verdade ou não, eu achei muito divertida esta historia e sempre que aqui passo, me vem a cabeça a historia do castelo.

sábado, 31 de maio de 2003

Sesimbra e seu castelo no Alto da Serra

Nova visita ao Castelo de Sesimbra.

Esta é minha segunda visita ao castelo e de certeza não será ultima, e fácil saber o porque? Minha casa ficava bem no máximo 13 quilómetros do castelo e a vista era fantástica, o cheiro da brisa do mar, a oportunidade de tomar um solzinho em dias frios. Tudo isso tornam o castelo um lugar irresistível.



Depois a oportunidade de passar em Azeitão e comer uns pasteis, andar pelas pequenas vilas da margem sul e aproveitar o dia para passear.

Sem contar que o castelo tem seus encantos, são tantos vestígios para estudar e apreciar e a cada nova visita temos uma nova perspectiva, as luzes são diferentes o sol e o tempo também. Cada visita é como se fosse um castelo diferente.

sábado, 8 de fevereiro de 2003

A Vila Nova da Barquinha, Rio Tejo e o castelo de Almourol

O castelo em meio as brumas (melhorias)


Anteriormente havia publicado sobre o castelo do Almourol, mas as fotos estavam ruins e não gostei do resultado final, refiz e desta vez melhorei um pouco a qualidade da imagem.



Passeando pelo Ribatejo acompanhando o Rio Tejo em um dia de inverno, nos deliciamos com a paisagem "assustadora", lembrando aqueles filmes assustadores da década de 60.

Em que tudo ocorria em meio as brumas, e a Vila Nova da Barquinha tem um cenário especial, se acompanharem pelas fotos poderão ver o rio, depois la longe escondido uma grande construção, que ao aproximar-se percebemos que é o castelo de Almourol.

O conjunto rio + brumas + castelo realmente é impressionante e faz a imaginação voar bem longe, pensando que a qualquer momento irei topar com um lobisomem ou vampiro.

terça-feira, 5 de novembro de 2002

O castelo de Almourol em Vila Nova da Barquinha

O castelo das brumas.


Andando pelo interior do Ribatejo esta escondido uma pequena fortaleza militar construída em uma ilha, bem ao meio do rio Tejo. Em dias de inverno tem um efeito único, vê-se surgir o castelo em meio do rio coberto pelas Brumas.



Evocando uma paisagem que evoca contos de fadas, em que ficamos a qualquer momento encontrar com Elfos do Rio, foi a primeira visita a esta fabulosa fortaleza e me apaixonei.

Existem tantas lendas a respeito desta fortaleza, desde que é assombrada por fantasmas, que tem uma princesa moura que apaixonada por um cavaleiro cristão e ate que tem ouro templário em alguma passagem secreta.

No verão com o nível do Tejo mais baixo,  costuma-se ter ligação entre a Vila e o Castelo através de um barco turístico.

sábado, 26 de outubro de 2002

A cidade de Santa Tereza de Avila e suas muralhas medievais

Ávila em Castela e Leão 


Estamos passeando na cidade de Santa Teresa de Jesus, a freira fundadora da ordem das Carmelitas de descalças, uma jóia de cidade medieval.



Esta cidade esta cercada de muralhas lindamente conservadas que protegem toda a cidade velha, para completar a imponência do lugar existem 80 torres de guarda instaladas nas muralhas. Deixando este complexo defensivo ainda mais belo e imponente.

Mas a coisa que mais me marcou e que ainda hoje as vezes me vêem a mente. Foi andando pelas muralhas existe um ponto onde tem uma placa comemorativa, bem que de comemorativa tem nada. Dizendo que a cidade sentia vergonha que numa determinada data centenas de famílias tiveram que emigrar para a  França devido a ruína económica da região.

Os ciclos económicos são cruéis atingindo todos de maneira indiscriminadamente.

Outra coisa bacana que vi, uma igreja extramuros que contem , segundo o pároco, a historia em quadrinhos mais velha da Espanha, quiçá da Europa. São passagem da Bíblia feita como uma HQ para evangelizar os analfabetos.
Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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