| Bellacosa Mainframe e a viagem sem visibilidade na SP 065 |
SP 065: Viagem sem visibilidade
✨ Bem-vindo ao meu espaço! ✨ Este blog é o diário de um otaku apaixonado por animes, tecnologia de mainframe e viagens. Cada entrada é uma mistura única: relatos de viagem com fotos, filmes, links, artigos e desenhos, sempre buscando enriquecer a experiência de quem lê. Sou quase um turista profissional: adoro dormir em uma cama diferente, acordar em um lugar novo e registrar tudo com minha câmera sempre à mão. Entre uma viagem e outra, compartilho também reflexões sobre cultura otaku/animes
| Bellacosa Mainframe e a viagem sem visibilidade na SP 065 |
Durante muitos anos, morar em Itatiba e trabalhar em São Paulo fazia sentido.
A distância era grande, o deslocamento cansativo, mas existia uma compensação importante: a diferença salarial era brutal.
Os salários oferecidos na capital, principalmente para profissionais especializados em tecnologia, justificavam acordar cedo, pegar o fretado e percorrer diariamente dezenas de quilômetros. Morávamos no interior, com um custo de vida relativamente menor, enquanto recebíamos salários do mercado paulistano.
A conta fechava.
Só que o tempo passou.
Entre o começo dos anos 2000 e aquela segunda-feira fria de 2016, muita coisa mudou.
Os salários sofreram um verdadeiro arrocho. O ganho real diminuiu enquanto praticamente todo o resto ficou mais caro.
E São Paulo ficou cada vez mais distante.
Não geograficamente.
Distante em horas.
A Rodovia dos Bandeirantes, que durante muito tempo representou uma ligação relativamente rápida com a capital, começou a encontrar seus próprios gargalos. Depois vinham as Marginais, onde aquilo que já era ruim conseguiu ficar ainda pior.
Mas apareceu outro complicador: as restrições impostas aos ônibus fretados.
Foram criadas áreas onde eles não podiam mais circular livremente. Para quem vinha do interior, isso significava descer antes do destino e procurar outra maneira de completar a viagem.
Metrô.
Ônibus.
Táxi.
Caminhada.
Mais dinheiro.
Mais tempo.
Mais uma conexão em uma viagem que já era longa.
E então comecei a perceber que havia algo errado naquela velha equação.
Porque trabalhar em São Paulo nunca custou apenas o fretado.
Havia o almoço.
O café.
O lanche.
Uma refeição que no interior custava determinado valor facilmente podia custar duas ou três vezes mais na Vila Olímpia.
Havia também outro custo quase invisível: vestir-se para trabalhar em São Paulo.
Camisa adequada.
Calça social.
Sapatos impecáveis e engraxados.
Um guarda-roupa compatível com aquele ambiente corporativo também fazia parte do preço de estar ali.
E ainda faltava colocar na planilha o item mais caro de todos:
tempo.
O Vilão Kassab como uma canetada afetou milhares de trabalhadores e piorou o transito em Sampa
Duas horas para ir.
Duas horas para voltar.
Quatro horas do meu dia que jamais apareceram no holerite.
Quatro horas que não eram consideradas jornada de trabalho, mas também não eram exatamente minhas.
Naquela segunda-feira de abril de 2016 fazia frio.
Chovia.
Eu estava cansado.
Dentro do fretado aquecido ainda existia algum conforto. Talvez alguns minutos de sono enquanto observava São Paulo despertar através da janela.
Mas inevitavelmente a porta se abriria.
Era preciso colocar o gorro, enfrentar a chuva e completar o caminho até o escritório.
Naquele momento talvez eu não estivesse fazendo todas essas contas conscientemente.
Hoje, olhando para trás, consigo enxergá-las.
O problema nunca foi apenas uma segunda-feira braba.
Era uma equação econômica que lentamente deixava de funcionar.
Salário da capital.
Alimentação da capital.
Roupa da capital.
Trânsito da capital.
E o custo de morar longe sendo pago todos os dias.
Talvez a pergunta correta nunca tenha sido:
“Quanto posso ganhar trabalhando em São Paulo?”
A pergunta deveria ser:
“Quanto São Paulo precisa me pagar para comprar quatro horas da minha vida todos os dias?”
Naquela segunda-feira fria e chuvosa, a resposta começava a ficar evidente.
A conta já não fechava como antigamente.
E ainda era preciso trabalhar o dia inteiro antes de enfrentar todo o caminho de volta para casa.
| Bellacosa Mainframe e a tempestade no final de tarde em Sorocaba |
Existem viagens que ficam na memória por causa do destino. Outras, por causa de alguma grande aventura planejada.
E existem aquelas que simplesmente acontecem.
Naquela época, Juliana adorava dirigir e vez ou outra pegávamos a estrada sem precisar de grandes justificativas. Sorocaba era um desses destinos. Algumas vezes ficávamos na casa de sua irmã Daniela e do marido, Pedrinho.
Eram momentos simples e muito divertidos.
Piscina, conversa, comida, família e, é claro, uma missão praticamente obrigatória quando estávamos em Sorocaba: comer a famosa Coxinha Real.
Nada de roteiro turístico elaborado.
Era simplesmente viver.
Naquele final de março de 2016 estávamos novamente por lá. O verão terminava e, junto dele, aproximava-se também o fim da estação das grandes chuvas.
Então o céu mudou.
E mudou rápido.
O vento começou a soprar com uma força impressionante.
Uivava.
As árvores balançavam e gemiam sob as rajadas. O céu escureceu e os primeiros relâmpagos começaram a transformar aquela tarde em um gigantesco espetáculo de luz e som.
Clarões.
Estrondos.
Mais clarões.
E então veio a água.
Não aquela chuva tranquila de verão que convida a ficar olhando pela janela.
Era uma pancada brutal.
Durante aproximadamente trinta minutos, Sorocaba parecia estar debaixo de uma daquelas tempestades cinematográficas em que você olha pela janela e pensa:
— WTF... agora chegou o Apocalipse Final.
A chuva despencava, os trovões faziam a casa estremecer e os relâmpagos assustavam as crianças.
Por alguns minutos, a diversão deu lugar à preocupação.
Quando você conhece a capacidade que uma tempestade tropical tem de transformar ruas em rios em poucos minutos, a brincadeira acaba rapidamente. O medo de uma nova inundação estava presente.
Felizmente, da mesma maneira repentina como chegou, a tempestade começou a perder força.
Foram cerca de 30 minutos.
Meia hora.
Pouquíssimo tempo no relógio.
Mas tempo suficiente para transformar uma visita comum à família em uma memória que sobreviveria por uma década.
Hoje, olhando novamente para esse pequeno registro publicado originalmente em 26 de março de 2016, percebo que ele não era apenas sobre uma tempestade.
Era também sobre aquela época.
Sobre pegar a estrada com Juliana.
Sobre chegar a Sorocaba.
Sobre Daniela e Pedrinho.
Sobre ficar na piscina.
Sobre comer coxinha.
Sobre conversar sem olhar para o relógio.
E sobre estar reunido em família quando, inesperadamente, o céu resolveu mostrar quem realmente mandava naquela tarde.
Talvez seja justamente por isso que gosto tanto desses pequenos registros.
Não fotografamos apenas grandes acontecimentos.
Às vezes registramos uma piscina, uma estrada, uma refeição ou uma tempestade.
Naquele momento parecem coisas aleatórias.
Dez anos depois percebemos que eram pequenos fragmentos de uma vida inteira.
E naquela tarde em Sorocaba, durante trinta minutos, tivemos camarote para assistir ao céu apresentar seu próprio espetáculo.
A última grande chuva daquele março.
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👨💻 Perfil no LinkedIn 📚 Assinar "Aprenda mais no Bellacosa Mainframe" ☕ Acompanhar "Um Café no Bellacosa Mainframe"IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe
Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.