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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Mainframe History : O Guia - Muito Antes do IBM Z Existia Outro "Z"

 

Bellacosa Mainframe e o outro computador z indice 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Histórias com Cheiro de Naftalina

O Guia do Viajante do Tempo

Muito Antes do IBM Z Existia Outro "Z"

"Nenhum Mainframe nasceu pronto. Antes dos bilhões de transações por segundo, antes dos processadores Telum, antes do z/OS, antes mesmo da IBM entrar definitivamente na computação eletrônica, existiram homens e mulheres que ousaram imaginar máquinas impossíveis."

Se você chegou até aqui procurando apenas a história do Z1 ou do IBM Z, prepare-se para uma surpresa.

Esta série não fala apenas sobre computadores.

Ela fala sobre pessoas.

Sobre engenheiros.

Sobre matemáticos.

Sobre inventores.

Sobre oficinas improvisadas.

Sobre laboratórios secretos.

Sobre universidades.

Sobre guerras.

Sobre cafés frios esquecidos sobre bancadas repletas de desenhos técnicos.

Sobre ideias que mudaram o mundo.

Ao longo desta jornada, percorremos quase cento e cinquenta anos de evolução tecnológica.

Começamos em um apartamento de Berlim.

Passamos pelos laboratórios britânicos escondidos em Bletchley Park.

Visitamos universidades americanas.

Entramos nos primeiros centros de processamento de dados da IBM.

Terminamos diante da arquitetura que deu origem ao Mainframe moderno.

Pegue sua caneca.

Nossa máquina do tempo está pronta.

INDICE : 


☕ Parte 1

O Engenheiro que Cansou de Fazer Contas

Conhecemos Konrad Zuse, um jovem engenheiro alemão que decidiu automatizar cálculos de engenharia e transformou a sala de estar da casa de seus pais em um laboratório.

Foi ali que nasceu a ideia do primeiro computador binário programável.

Você aprenderá:


☕ Parte 2

Abrindo a Tampa do Z1

Neste capítulo desmontamos o Z1 peça por peça.

Descobrimos como milhares de pequenas barras metálicas representavam bits.

Como funcionava sua memória.

Sua CPU.

Seu sistema de ponto flutuante.

Seu relógio mecânico.

Você aprenderá:


☕ Parte 3

Quando os Bits Faziam Barulho

A mecânica atingia seus limites.

Konrad Zuse substituiu parte dela por relés telefônicos.

Nascia o Z2.

Um computador muito mais confiável.

Muito mais rápido.

Um enorme passo rumo à computação eletrônica.

Você aprenderá:


☕ Parte 4

O Computador que Desafiou a História

Chegamos ao lendário Z3.

O primeiro computador digital programável totalmente funcional para muitos historiadores.

Aqui entendemos por que ele ocupa um lugar tão especial na história da computação.

Você aprenderá:


☕ Parte 5

O Computador que Sobreviveu à Guerra

O Z4 escapou dos bombardeios, cruzou montanhas e tornou-se um dos primeiros computadores científicos utilizados regularmente na Europa.

Você aprenderá:


☕ Parte 6

Plankalkül

Muito antes de COBOL.

Muito antes de FORTRAN.

Muito antes de ALGOL.

Konrad Zuse imaginou uma linguagem de programação.

Décadas à frente do seu tempo.

Você aprenderá:


☕ Parte 7

IBM, Hollerith e os Cartões Perfurados

Enquanto Zuse construía computadores científicos, a IBM revolucionava o processamento de dados administrativos.

Descobrimos como essas duas histórias caminharam separadas até finalmente se encontrarem.

Você aprenderá:


☕ Especial 8A

Tommy Flowers e o Colossus

Um dos capítulos mais importantes da série.

Conhecemos o engenheiro britânico que acreditou em milhares de válvulas quando quase ninguém acreditava.

O Colossus ajudou a decifrar mensagens estratégicas da máquina Lorenz e permaneceu em segredo durante décadas.

Você aprenderá:


☕ Parte 8

A Guerra dos Gigantes

Quem inventou o computador?

A resposta não é simples.

Neste capítulo reunimos Babbage, Ada Lovelace, Hollerith, Zuse, Aiken, Flowers, Eckert, Mauchly e Von Neumann para mostrar que a computação moderna nasceu da contribuição de muitos pioneiros.

Você aprenderá:


☕ Parte 9

IBM System/360

Chegamos ao verdadeiro divisor de águas da computação corporativa.

O projeto que consolidou a compatibilidade entre gerações e lançou as bases dos modernos Mainframes IBM.

Você aprenderá:


☕ Parte 10

Das Engrenagens ao IBM Z

Encerramos nossa jornada mostrando que os princípios fundamentais da computação permanecem vivos até hoje.

Mudaram os materiais.

Mudou a velocidade.

Mudou a escala.

Mas os conceitos continuam surpreendentemente familiares.

Você aprenderá:


O Que Existe em Todos os Capítulos?

Ao longo da série você encontrará quadros exclusivos do Bellacosa Mainframe:

Café com Naftalina
Curiosidades, bastidores e histórias pouco conhecidas dos pioneiros da computação.

📦 Baú do Sysprog
Lições que conectam máquinas históricas aos ambientes IBM Z modernos.

🔧 Oficina do Engenheiro
Explicações técnicas detalhadas sobre hardware, arquitetura, memória, lógica digital, programação e evolução dos computadores.


O Grande Ensinamento

Talvez a maior lição desta série seja que nenhum computador nasceu do nada.

O IBM Z não surgiu apenas da genialidade da IBM.

Ele carrega um pouco de Charles Babbage.

Um pouco de Ada Lovelace.

Um pouco de Herman Hollerith.

Um pouco de Konrad Zuse.

Um pouco de Tommy Flowers.

Um pouco de Howard Aiken.

Um pouco de Eckert.

Um pouco de Mauchly.

Um pouco de John von Neumann.

E muito do trabalho silencioso de milhares de engenheiros, técnicos, operadores, matemáticos e programadores que dedicaram suas vidas a transformar ideias em máquinas capazes de processar informação com precisão absoluta.

Quando um Sysprog observa um IPL terminar com sucesso.

Quando um programa COBOL executa sem alterações após décadas.

Quando bilhões de transações financeiras são concluídas com segurança.

Quando um IBM Z permanece disponível dia após dia.

Estamos vendo o resultado de quase dois séculos de evolução contínua.

E talvez seja exatamente isso que torna a computação uma das maiores aventuras da engenharia humana.


☕ O Próximo Café

A viagem até aqui contou a origem da computação.

A próxima série contará a evolução do Mainframe IBM.

Vamos acompanhar, geração por geração:

  • IBM 701

  • IBM 704

  • IBM 7090

  • IBM Stretch

  • IBM System/360

  • IBM System/370

  • IBM 303X

  • IBM 308X

  • IBM 3090

  • ESA/370

  • ESA/390

  • System/390

  • zSeries

  • System z

  • IBM Z

  • Telum

  • Spyre

  • z17

Porque conhecer a origem dos computadores é fascinante.

Mas acompanhar a extraordinária evolução do Mainframe IBM é compreender por que, mais de sessenta anos depois, ele continua sendo a plataforma que move o mundo.

Nos encontramos no próximo café.


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Histórias com Cheiro de Naftalina

O Guia do Viajante do Tempo

Muito Antes do IBM Z Existia Outro “Z”

Viaje pelas origens da computação, conhecendo Konrad Zuse, Herman Hollerith, Tommy Flowers, John von Neumann, o Colossus, o EDVAC, o IBM System/360 e os pioneiros que construíram o caminho até o IBM Z.

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☕ Quem não conhece o passado não entende o código do futuro.

Bellacosa Mainframe — tecnologia, história, COBOL, IBM Z e memória.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Mainframe History : Parte X — Das Engrenagens ao IBM Z: O Legado dos Pioneiros

 

Bellacosa Mainframe e o outro computador z parte x

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Muito Antes do IBM Z Existia Outro "Z"

Parte X — Das Engrenagens ao IBM Z: O Legado dos Pioneiros

"O futuro não nasce do acaso. Ele é construído, geração após geração, por engenheiros que ousam resolver problemas que ninguém resolveu antes."

Chegamos ao fim da nossa viagem.

Começamos em um pequeno apartamento em Berlim, onde Konrad Zuse transformou uma sala de estar em laboratório.

Conhecemos o Z1, uma máquina construída com milhares de peças metálicas que representavam bits muito antes dos transistores.

Vimos o Z2 substituir parte da mecânica por relés telefônicos.

Descobrimos o Z3, considerado por muitos o primeiro computador digital programável totalmente funcional.

Acompanhamos o Z4 sobreviver à guerra e inaugurar uma nova fase da computação científica.

Conhecemos o Plankalkül, uma linguagem tão avançada que o mundo demorou décadas para compreender seu verdadeiro valor.

Também encontramos outros gigantes da história.

Charles Babbage sonhou com um computador quando ainda não existia tecnologia para construí-lo.

Ada Lovelace enxergou que máquinas poderiam manipular qualquer tipo de informação.

Herman Hollerith revolucionou o processamento de dados e lançou as bases da futura IBM.

Tommy Flowers demonstrou que computadores eletrônicos podiam ser confiáveis.

Eckert e Mauchly apresentaram o ENIAC ao mundo.

John von Neumann ajudou a consolidar a arquitetura de programa armazenado.

Finalmente, vimos a IBM reunir muitas dessas ideias no System/360, criando uma arquitetura compatível que redefiniu a computação corporativa.

Nenhum deles construiu o computador moderno sozinho.

Cada um acrescentou uma peça ao quebra-cabeça.


O Que Nunca Mudou

Ao longo de quase um século, a tecnologia mudou completamente.

Saíram as engrenagens.

Vieram os relés.

Depois as válvulas.

Os transistores.

Os circuitos integrados.

Os processadores multicore.

A inteligência artificial.

Mesmo assim, alguns princípios continuam exatamente os mesmos.

Todo computador ainda precisa:

  • representar informações em bits;

  • armazenar dados;

  • executar instruções;

  • mover informações entre memória e processador;

  • produzir resultados corretos.

A essência da computação continua surpreendentemente parecida com aquela imaginada pelos pioneiros.


☕ Café com Naftalina

Se Konrad Zuse pudesse visitar um datacenter moderno, certamente ficaria impressionado com a velocidade de um IBM z17.

Mas, poucos minutos depois, provavelmente faria um comentário simples:

"A ideia continua a mesma."

E estaria absolutamente certo.


O Que um Sysprog Pode Aprender?

Para quem trabalha diariamente com IBM Mainframe, estudar a história da computação não é um exercício de nostalgia.

É compreender por que a plataforma foi construída da maneira que conhecemos hoje.

Compatibilidade.

Confiabilidade.

Redundância.

Disponibilidade.

Escalabilidade.

Esses conceitos não surgiram por acaso.

Foram refinados ao longo de décadas por engenheiros que aprenderam, muitas vezes da forma mais difícil, o preço de uma falha em um sistema crítico.

Quando administramos um ambiente z/OS, não estamos apenas operando um computador moderno.

Estamos dando continuidade a uma tradição de engenharia iniciada muito antes da palavra "mainframe" existir.


🔧 Oficina do Engenheiro

Toda inovação tecnológica responde a uma pergunta.

Zuse perguntou:

"Como eliminar cálculos repetitivos?"

Hollerith perguntou:

"Como organizar milhões de registros?"

Von Neumann perguntou:

"Como tornar computadores mais fáceis de programar?"

A IBM perguntou:

"Como proteger o investimento dos clientes durante décadas?"

Essas perguntas moldaram a computação moderna.

Talvez a próxima grande revolução comece com uma pergunta feita por você.


📦 Baú do Sysprog

Existe uma frase muito conhecida atribuída a Isaac Newton:

"Se vi mais longe, foi por estar sobre os ombros de gigantes."

A computação segue exatamente essa lógica.

Todo processador moderno, inclusive um IBM Z, carrega um pouco de Babbage, Ada Lovelace, Hollerith, Zuse, Flowers, Eckert, Mauchly, Von Neumann e dos milhares de engenheiros que vieram depois deles.


O Início de Uma Nova Jornada

Encerramos aqui a história dos pioneiros.

Mas esta não é a última xícara de café.

É apenas a troca do grão.

Na próxima série do Bellacosa Mainframe, deixaremos as oficinas da década de 1930 para entrar definitivamente nos datacenters da IBM.

Vamos acompanhar a evolução do System/360, do System/370, do System/390, do zSeries, do System z e do IBM Z, entendendo como uma arquitetura criada em 1964 continua sustentando bancos, bolsas de valores, companhias aéreas, governos e empresas que processam bilhões de transações todos os dias.

Porque conhecer o passado é fascinante.

Mas compreender como esse passado continua vivo dentro de um IBM Z é ainda mais extraordinário.

Nos vemos no próximo café.

E, como sempre...

Longa vida ao Mainframe.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Histórias com Cheiro de Naftalina

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Muito Antes do IBM Z Existia Outro “Z”

Viaje pelas origens da computação, conhecendo Konrad Zuse, Herman Hollerith, Tommy Flowers, John von Neumann, o Colossus, o EDVAC, o IBM System/360 e os pioneiros que construíram o caminho até o IBM Z.

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Bellacosa Mainframe — tecnologia, história, COBOL, IBM Z e memória.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Mainframe History : Especial VIII A — Tommy Flowers: O Pai Esquecido da Computação Eletrônica

 

Bellacosa Mainframe e outro computador z especial complemento parte viii a

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Muito Antes do IBM Z Existia Outro "Z"

Especial VIII A — Tommy Flowers: O Pai Esquecido da Computação Eletrônica

O Homem que Acendeu 2.500 Válvulas, Encurtou a Segunda Guerra Mundial e Depois Voltou para Casa Como um Anônimo

"A História costuma celebrar quem aparece nos jornais. A Engenharia costuma ser construída por aqueles que permanecem escondidos nos laboratórios."

Se você perguntar a um grupo de profissionais de TI quem foi Konrad Zuse, alguns responderão corretamente.

Se perguntar quem foi John von Neumann, muitos lembrarão da famosa arquitetura que domina praticamente todos os computadores modernos.

Se mencionar Alan Turing, provavelmente ouvirá referências à Enigma, à inteligência artificial e ao famoso Teste de Turing.

Agora faça outra pergunta.

Quem foi Tommy Flowers?

É bem provável que boa parte das pessoas permaneça em silêncio.

E isso é profundamente injusto.

Porque, sem Tommy Flowers, talvez a computação eletrônica tivesse demorado muito mais para conquistar a confiança da comunidade científica e da indústria.

Hoje vamos conhecer um engenheiro que nunca buscou fama.

Nunca escreveu autobiografias.

Nunca apareceu em campanhas publicitárias.

Nunca recebeu o reconhecimento proporcional ao tamanho de sua contribuição.

Mesmo assim, ajudou a mudar o destino da Segunda Guerra Mundial e da própria computação.


Um Engenheiro dos Correios

Thomas Harold Flowers nasceu em Londres, em 1905.

Sua formação não aconteceu em uma universidade famosa de matemática.

Nem em um laboratório de física.

Flowers era engenheiro de telecomunicações.

Trabalhava no General Post Office (GPO), o serviço postal britânico, que também era responsável pela infraestrutura telefônica do país.

Hoje isso pode parecer estranho.

Mas, naquela época, telefonia e telecomunicações estavam entre as áreas mais avançadas da engenharia.

Ali, Flowers aprendeu algo que mudaria sua vida.

Como construir equipamentos eletrônicos capazes de funcionar continuamente.


O Mundo das Centrais Telefônicas

Imagine uma central telefônica da década de 1930.

Milhares de ligações.

Relés abrindo e fechando contatos.

Operadoras conectando chamadas manualmente.

Depois, sistemas automáticos assumindo essa função.

A confiabilidade era essencial.

Uma falha interrompia centenas de comunicações.

Flowers especializou-se justamente em tornar esses sistemas mais rápidos e mais confiáveis.

Enquanto muitos engenheiros ainda confiavam apenas em mecanismos eletromecânicos, ele acreditava que o futuro estava nas válvulas eletrônicas.

Essa convicção seria colocada à prova poucos anos depois.


☕ Café com Naftalina

Quando hoje falamos em "alta disponibilidade", pensamos em clusters, replicação síncrona, Parallel Sysplex ou GDPS.

Na década de 1930, alta disponibilidade significava manter milhares de chamadas telefônicas funcionando sem interrupção.

Os princípios são os mesmos.

Mudaram apenas as tecnologias.


Um Convite para Bletchley Park

Com o início da Segunda Guerra Mundial, o governo britânico reuniu cientistas, matemáticos e engenheiros em um lugar que permaneceria secreto por décadas.

Seu nome era Bletchley Park.

Ali trabalhavam alguns dos maiores talentos da época.

Entre eles estava Alan Turing.

O objetivo era simples de explicar e extremamente difícil de executar:

Ler mensagens inimigas sem que o inimigo percebesse.

No início, os esforços concentraram-se na famosa máquina Enigma.

Mas havia um desafio ainda maior.

O sistema criptográfico Lorenz SZ40/42, utilizado para comunicações do alto comando alemão.

Era muito mais complexo que a Enigma.

Resolver esse problema manualmente era praticamente impossível.

Era necessário construir uma máquina.


"Isso Nunca Vai Funcionar"

Quando Tommy Flowers apresentou sua proposta, muitos colegas foram céticos.

Sua ideia era utilizar cerca de 2.500 válvulas eletrônicas.

Na época, isso parecia absurdo.

O argumento era sempre o mesmo.

"As válvulas queimam o tempo todo."

"Uma máquina com milhares delas jamais será confiável."

Flowers discordava.

Com base em sua experiência nas centrais telefônicas, sabia que a maior parte das falhas ocorria justamente durante o aquecimento e o resfriamento dos componentes.

Sua solução era surpreendentemente simples.

Nunca desligar a máquina.

As válvulas permaneceriam energizadas continuamente.

Hoje essa estratégia parece familiar.

Datacenters modernos evitam ciclos desnecessários de desligamento justamente para reduzir estresse térmico em diversos componentes.

Mais uma vez, uma boa ideia atravessou décadas.


🔧 Oficina do Engenheiro

Uma válvula termiônica controla o fluxo de elétrons em um ambiente de vácuo. Ela cumpre funções de amplificação e chaveamento semelhantes às que mais tarde seriam desempenhadas pelos transistores.

Embora fossem grandes, consumissem muita energia e gerassem calor, as válvulas permitiam operações muito mais rápidas que os relés eletromecânicos.

O Colossus demonstrou, na prática, que sistemas eletrônicos complexos podiam operar continuamente com alta confiabilidade quando bem projetados.


Nasce o Colossus

Em dezembro de 1943, o primeiro Colossus começou a operar.

Era uma máquina impressionante.

  • Cerca de 2.400 válvulas eletrônicas (na primeira versão).

  • Leitura óptica de fita perfurada em alta velocidade.

  • Processamento eletrônico.

  • Configuração por chaves e painéis.

  • Operação praticamente contínua.

Poucos meses depois surgiu o Colossus Mark II, ainda mais rápido e sofisticado.

Ao final da guerra, havia várias unidades em operação.


Enigma? Não.

Existe um dos maiores equívocos da história da computação.

Muita gente acredita que o Colossus foi construído para quebrar a Enigma.

Na realidade, sua principal missão era analisar mensagens produzidas pela máquina Lorenz, utilizada pelo alto comando alemão.

A Enigma era extremamente importante.

Mas o Lorenz protegia comunicações estratégicas entre Hitler e seus principais comandantes.

Quebrar esse sistema fornecia informações de enorme valor militar.


O Computador Invisível

O Colossus funcionou.

E funcionou muito bem.

Contribuiu para acelerar significativamente o trabalho dos criptanalistas britânicos.

Entretanto, quando a guerra terminou, aconteceu algo extraordinário.

As máquinas foram desmontadas.

Projetos destruídos.

Documentos classificados.

Os engenheiros assinaram compromissos de confidencialidade.

Durante décadas, praticamente ninguém podia comentar sua existência.

Enquanto isso, livros de história apresentavam o ENIAC como a grande revolução eletrônica.

Não porque o ENIAC não fosse extraordinário.

Mas porque quase ninguém sabia que o Colossus havia existido.


📦 Baú do Sysprog

Imagine participar do desenvolvimento de um sistema revolucionário e passar quase trinta anos proibido de mencionar esse trabalho, até mesmo para amigos ou familiares.

Foi exatamente isso que aconteceu com Tommy Flowers e muitos integrantes da equipe de Bletchley Park.


O Que um Sysprog IBM Z Aprende com Tommy Flowers?

Mais do que velocidade, Tommy Flowers nos ensina sobre confiabilidade.

Ele enfrentou um problema que qualquer Sysprog reconhece imediatamente:

Como manter um sistema complexo funcionando continuamente?

Sua resposta foi engenharia.

Testes.

Redundância.

Conhecimento profundo dos componentes.

Operação disciplinada.

É exatamente essa cultura que encontramos hoje nos ambientes IBM Z.

Não basta processar milhões de transações por segundo.

É preciso fazer isso todos os dias, durante anos, com disponibilidade próxima de 100%.


Um Herói Silencioso

Tommy Flowers não buscou reconhecimento.

Depois da guerra voltou ao trabalho em telecomunicações.

Não ficou rico.

Não fundou uma grande empresa de computadores.

Não se tornou uma celebridade.

Mas deixou uma herança extraordinária.

Demonstrou que computadores eletrônicos podiam ser rápidos, robustos e confiáveis.

Essa certeza influenciou toda a evolução posterior da computação.


O Legado

Konrad Zuse mostrou que computadores programáveis eram possíveis.

Tommy Flowers provou que computadores eletrônicos eram viáveis em larga escala.

Eckert e Mauchly levaram essa tecnologia ao conhecimento do público.

Von Neumann organizou seus princípios arquiteturais.

A IBM transformou tudo isso em plataformas comerciais confiáveis.

Quando um IBM Z processa bilhões de transações por dia, há um pouco de cada um desses pioneiros trabalhando silenciosamente dentro dele.

Inclusive de um engenheiro dos Correios britânicos que acreditou em 2.500 válvulas quando quase ninguém acreditava.

Talvez essa seja a maior lição de Tommy Flowers.

A inovação nem sempre nasce do consenso.

Às vezes, ela nasce da coragem de um engenheiro que insiste em provar que todos os outros estavam errados.

E, de vez em quando...

Ele realmente consegue.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

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Muito Antes do IBM Z Existia Outro “Z”

Viaje pelas origens da computação, conhecendo Konrad Zuse, Herman Hollerith, Tommy Flowers, John von Neumann, o Colossus, o EDVAC, o IBM System/360 e os pioneiros que construíram o caminho até o IBM Z.

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☕ Quem não conhece o passado não entende o código do futuro.

Bellacosa Mainframe — tecnologia, história, COBOL, IBM Z e memória.