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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Mainframe History : Parte VIII a — Afinal, Quem Inventou o Primeiro Computador?

 

Bellacosa Mainframe e o outro computador z parte viii a

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Muito Antes do IBM Z Existia Outro "Z"

Parte VIII a — Afinal, Quem Inventou o Primeiro Computador?

A Guerra dos Gigantes (Parte I)

"A História raramente é escrita por um único gênio. Ela costuma ser construída por dezenas deles, trabalhando ao mesmo tempo, em lugares diferentes, tentando resolver problemas completamente distintos."

Existe uma pergunta que acompanha praticamente todos os cursos de Ciência da Computação.

Quem inventou o computador?

Parece uma pergunta simples.

Mas qualquer historiador sério provavelmente responderá com outra pergunta.

"O que você chama de computador?"

Pode parecer uma tentativa de fugir da resposta.

Não é.

É justamente aí que começa uma das discussões mais fascinantes da engenharia moderna.

Ao longo desta série conhecemos Konrad Zuse.

Vimos nascer o Z1.

Acompanhamos a evolução para o Z2.

Celebramos o Z3.

Assistimos ao Z4 sobreviver à Segunda Guerra Mundial.

Descobrimos que Zuse também imaginou uma linguagem de programação décadas antes do restante do mundo.

Naturalmente surge a dúvida.

Se ele fez tudo isso...

Por que durante tantos anos aprendemos que o ENIAC foi o primeiro computador?

A resposta nos leva a uma verdadeira reunião de gigantes.

Hoje faremos algo diferente.

Vamos visitar um grande salão imaginário.

Nele estão reunidos alguns dos maiores nomes da História da Computação.

Cada um reivindica um pedaço da mesma invenção.

Curiosamente...

Todos têm razão.


O Avô de Todos Eles

Nossa viagem começa muito antes da eletricidade.

Muito antes dos relés.

Muito antes das válvulas.

Muito antes da IBM.

Muito antes de Konrad Zuse.

Voltamos ao ano de 1822.

Londres.

Um matemático chamado Charles Babbage observava um problema que incomodava cientistas da época.

As tabelas matemáticas utilizadas por engenheiros possuíam inúmeros erros.

Esses erros custavam dinheiro.

Provocavam acidentes.

Comprometiam projetos.

Babbage imaginou então uma máquina capaz de produzir essas tabelas automaticamente.

Nascia a ideia da Difference Engine.

Alguns anos depois ele foi ainda mais longe.

Projetou a Analytical Engine.

E foi nesse momento que a história mudou para sempre.


Um Computador no Século XIX

A Analytical Engine nunca foi concluída.

Mas seu projeto possuía conceitos impressionantes.

Memória.

Unidade de processamento.

Entrada.

Saída.

Controle de execução.

Programação por cartões perfurados.

Parece familiar?

Claro que parece.

A arquitetura conceitual já estava praticamente pronta.

Faltava apenas uma tecnologia capaz de construí-la.

Às vezes a Engenharia tem esse comportamento curioso.

As ideias chegam antes da indústria.


Ada Lovelace

Ao lado de Charles Babbage surgiu outra personagem extraordinária.

Augusta Ada King.

Mais conhecida como Ada Lovelace.

Enquanto muitos enxergavam a máquina apenas como uma enorme calculadora, Ada fez uma observação revolucionária.

Ela escreveu que, caso números representassem outras coisas além de valores matemáticos, aquela máquina poderia manipular música, texto e símbolos.

Em outras palavras.

Ada compreendeu que computadores processariam informação.

Não apenas cálculos.

Hoje parece óbvio.

Em 1843 era quase ficção científica.

Por esse motivo, muitos historiadores a consideram a primeira programadora da História.


☕ Café com Naftalina

Se Charles Babbage projetou o primeiro "hardware" moderno, Ada Lovelace foi provavelmente a primeira pessoa a compreender o verdadeiro potencial do "software".

Mais de um século antes do IBM Z.


Herman Hollerith

Pulamos agora para o final do século XIX.

Enquanto Babbage sonhava com computadores universais, Herman Hollerith resolvia um problema completamente diferente.

Como processar milhões de registros do Censo norte-americano?

Sua resposta ficou famosa.

Cartões perfurados.

Leitores eletromecânicos.

Classificadores.

Tabuladores.

Essas máquinas não eram computadores de propósito geral.

Mas inauguraram a era do processamento automatizado de grandes volumes de dados.

Décadas depois, dariam origem à IBM.


Konrad Zuse

Chegamos novamente ao nosso protagonista.

Entre 1936 e 1941, Konrad Zuse construiu:

Z1.

Z2.

Z3.

Cada um representando um enorme avanço.

O Z3 reunia características impressionantes.

Era:

  • digital;

  • binário;

  • programável;

  • automático;

  • baseado em ponto flutuante.

Para muitos pesquisadores, isso basta para considerá-lo o primeiro computador programável funcional da História.

Mas ele não estava sozinho.


Howard Aiken

Enquanto Zuse trabalhava em Berlim, outro engenheiro também perseguia um sonho.

Howard Aiken.

Nos Estados Unidos.

Seu projeto ficou conhecido como Harvard Mark I.

Concluído em 1944.

Era gigantesco.

Mais de quinze metros de comprimento.

Centenas de quilômetros de fios.

Milhares de componentes eletromecânicos.

Assim como o Z3, utilizava relés.

Era extremamente confiável.

Muito utilizado para cálculos científicos e militares.

A IBM participou diretamente de sua construção.

Foi uma das primeiras grandes colaborações entre universidade e indústria na área de computação.


🔧 Oficina do Engenheiro

Embora o Harvard Mark I e o Z3 utilizassem relés, existiam diferenças importantes.

O Z3 trabalhava em binário.

O Mark I utilizava representação decimal.

Essa decisão influenciava toda a arquitetura interna da máquina.

Mais uma vez percebemos que não existia um único caminho para construir computadores.


Tommy Flowers

Enquanto Alemanha e Estados Unidos desenvolviam computadores programáveis, outra revolução acontecia silenciosamente na Inglaterra.

O engenheiro Tommy Flowers liderava um projeto extremamente secreto.

Seu objetivo não era calcular folhas de pagamento.

Nem resolver equações diferenciais.

Era ajudar a decifrar mensagens criptografadas produzidas pelo alto comando alemão.

O resultado recebeu o nome de Colossus.

Durante décadas sua existência permaneceu praticamente desconhecida.

Era segredo de Estado.


O Computador Invisível

O Colossus utilizava milhares de válvulas eletrônicas.

Durante muito tempo acreditou-se que válvulas seriam pouco confiáveis para operação contínua.

Flowers demonstrou exatamente o contrário.

Mantendo-as permanentemente aquecidas, a taxa de falhas diminuía drasticamente.

Esse conhecimento influenciaria gerações futuras de computadores eletrônicos.

Entretanto, havia uma limitação.

O Colossus era especializado.

Não era um computador de propósito geral.

Sua missão era extremamente específica.

Quebrar códigos criptográficos.

Cumpriu essa missão com enorme sucesso.

Mas não podia simplesmente ser reprogramado para executar qualquer algoritmo.


📦 Baú do Sysprog

Na computação corporativa ainda convivemos com essa distinção.

Existem equipamentos de propósito geral, como o IBM Z.

E existem aceleradores especializados, como criptoprocessadores, NPUs e processadores dedicados à Inteligência Artificial.

A especialização continua sendo uma poderosa estratégia arquitetural.


Então... Quem Vence?

Até aqui conhecemos cinco candidatos.

Charles Babbage.

Ada Lovelace.

Herman Hollerith.

Konrad Zuse.

Howard Aiken.

Tommy Flowers.

Cada um resolveu um problema diferente.

Cada um inaugurou uma tecnologia diferente.

Cada um merece um capítulo próprio na História.

E ainda nem chegamos ao ENIAC.

Nem ao EDVAC.

Nem a John von Neumann.

Mas isso ficará para o próximo café.

Porque a verdadeira revolução eletrônica ainda está prestes a começar...

No próximo capítulo entraremos no ENIAC, EDVAC e na Arquitetura de Von Neumann, mostrando por que esses nomes dominaram os livros durante décadas e como eles se conectam diretamente ao IBM System/360 e, finalmente, ao IBM Z. É nesse ponto que todas as linhas da história começam a convergir.

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O Guia do Viajante do Tempo

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Viaje pelas origens da computação, conhecendo Konrad Zuse, Herman Hollerith, Tommy Flowers, John von Neumann, o Colossus, o EDVAC, o IBM System/360 e os pioneiros que construíram o caminho até o IBM Z.

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