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quarta-feira, 29 de outubro de 2025

☕💣 Lab: SEU PRIMEIRO PLANTÃO NO MAINFRAME — LABORATÓRIO COMPLETO DE LÓGICA DE PROGRAMAÇÃO IBM Z PARA INICIANTES 💣☕

 

Bellacosa Mainframe Laboratorio de Logica de Programação Mainframe

☕💣 “SEU PRIMEIRO PLANTÃO NO MAINFRAME” — LABORATÓRIO COMPLETO DE LÓGICA DE PROGRAMAÇÃO IBM Z PARA INICIANTES 💣☕

Aprenda a pensar como um programador de alta plataforma antes mesmo de dominar COBOL


🔥 OBJETIVO DO LABORATÓRIO

Neste laboratório você irá aprender:

✅ Como pensar em lógica Mainframe
✅ Como funciona o raciocínio batch
✅ Variáveis
✅ Validações
✅ Estruturas de repetição
✅ Sections e Paragraphs
✅ Procedures
✅ Subrotinas
✅ Modularização
✅ Boas práticas de alta plataforma
✅ Erros clássicos de iniciantes
✅ Como programadores IBM Z organizam sistemas reais


☕ CENÁRIO DO LABORATÓRIO

Você foi contratado para trabalhar em um banco.

Sua missão:

💣 PROCESSAR UM ARQUIVO DE CLIENTES

Cada registro possui:

NOME
IDADE
SALDO
STATUS

O programa deve:

  1. Ler registros

  2. Validar dados

  3. Calcular bônus

  4. Gerar relatório

  5. Exibir totais


🔥 PRIMEIRA LIÇÃO — PENSAR COMO MAINFRAME

Antes do código:

☕ O PROGRAMADOR MAINFRAME PENSA EM FLUXO


Entrada

Arquivo de clientes

Processamento

Validar
Calcular
Atualizar
Contabilizar

Saída

Relatório
Arquivo atualizado
Totais

💣 ISSO É O DNA DO BATCH

No Mainframe:

  • entrada

  • processamento

  • saída

são sagrados.


☕ ETAPA 1 — DECLARANDO VARIÁVEIS

No Mainframe tudo precisa ser previsível.


🔥 TIPOS MAIS COMUNS

Texto

01 WS-NOME            PIC X(30).

Número inteiro

01 WS-IDADE           PIC 9(03).

Valores monetários

01 WS-SALDO           PIC 9(07)V99.

Indicadores lógicos

01 WS-FIM-ARQUIVO     PIC X VALUE 'N'.

☕ DICA BELLACOSA MAINFRAME

🔥 Nome de variável precisa explicar a intenção

RUIM:

01 A PIC 9(5).

BOM:

01 WS-TOTAL-CLIENTES PIC 9(5).

💣 O MAINFRAME SOBREVIVE POR LEGIBILIDADE

Quem mantém sistemas bancários precisa entender rápido o código.


☕ ETAPA 2 — ESTRUTURA DO PROGRAMA

O COBOL corporativo normalmente segue:

IDENTIFICATION DIVISION
ENVIRONMENT DIVISION
DATA DIVISION
PROCEDURE DIVISION

🔥 O CORAÇÃO DA LÓGICA

PROCEDURE DIVISION

Aqui vive:

  • fluxo

  • validação

  • cálculos

  • repetições


☕ ETAPA 3 — SECTIONS E PARAGRAPHS

SECTION

Agrupa grandes áreas do programa.


PARAGRAPH

Divide tarefas menores.


💣 EXEMPLO CORPORATIVO

PROCESSAMENTO-SECTION.

    PERFORM LE-ARQUIVO
    PERFORM VALIDA-DADOS
    PERFORM CALCULA-BONUS
    PERFORM GRAVA-RELATORIO.

☕ VANTAGEM DISSO

✅ Organização
✅ Manutenção
✅ Reuso
✅ Facilidade de debugging
✅ Clareza


🔥 ETAPA 4 — LEITURA DE REGISTROS

Todo batch gira em torno disso.


💣 MODELO CLÁSSICO MAINFRAME

PERFORM UNTIL WS-FIM-ARQUIVO = 'S'

    PERFORM LE-REGISTRO

    IF WS-FIM-ARQUIVO NOT = 'S'
       PERFORM PROCESSA-REGISTRO
    END-IF

END-PERFORM.

☕ O QUE O INICIANTE PRECISA ENTENDER

O batch:

  • processa

  • repete

até acabar o arquivo.


🔥 ETAPA 5 — LAÇOS DE REPETIÇÃO

☕ 1. PERFORM UNTIL

Mais usado em batch.


Exemplo

PERFORM UNTIL WS-FIM = 'S'

Repete até condição ser verdadeira.


☕ 2. PERFORM VARYING

Semelhante ao FOR.


Exemplo

PERFORM VARYING WS-INDICE FROM 1 BY 1
UNTIL WS-INDICE > 10

☕ 3. PERFORM TIMES

Executa quantidade fixa.


Exemplo

PERFORM 5 TIMES
   DISPLAY 'MAINFRAME'
END-PERFORM.

💣 ERRO CLÁSSICO DE INICIANTE

Criar loop infinito.

Exemplo perigoso:

PERFORM UNTIL WS-FIM = 'S'

Sem alterar WS-FIM.

Resultado:

  • CPU presa

  • JOB travado

  • consumo absurdo


☕ ETAPA 6 — VALIDAÇÕES

🔥 MAINFRAME AMA VALIDAÇÃO

Sistemas bancários precisam ser paranoicos.


☕ TIPOS DE VALIDAÇÃO


Campo vazio

IF WS-NOME = SPACES

Número inválido

IF WS-IDADE IS NUMERIC

Faixa permitida

IF WS-IDADE >= 18

Status permitido

IF WS-STATUS = 'A'

💣 DICA CORPORATIVA

Sempre valide:

  • entrada

  • arquivo

  • cálculo

  • retorno

  • integração


☕ ETAPA 7 — CÁLCULO DE BÔNUS

Regra:

Se saldo > 1000:

  • bônus = 10%


🔥 EXEMPLO

IF WS-SALDO > 1000
   COMPUTE WS-BONUS = WS-SALDO * 0.10
ELSE
   MOVE 0 TO WS-BONUS
END-IF.

☕ ETAPA 8 — MODULARIZAÇÃO

💣 O SEGREDO DOS SISTEMAS GIGANTES

Separar responsabilidades.


🔥 EXEMPLO

LEITURA
VALIDAÇÃO
PROCESSAMENTO
RELATÓRIO
FINALIZAÇÃO

☕ ISSO REDUZ

✅ Bugs
✅ Retrabalho
✅ Confusão
✅ Dependência de pessoas


☕ ETAPA 9 — SUBROTINAS

Grandes empresas usam MUITO isso.


🔥 O QUE É SUBROTINA?

Programa auxiliar reutilizável.


Exemplo

CALCULA-JUROS
VALIDA-CPF
FORMATA-DATA

💣 VANTAGEM

Um único módulo pode ser usado por:

  • banco

  • cartão

  • seguros

  • investimentos


☕ CHAMADA DE SUBROTINA

CALL 'CALCJURO'

☕ ETAPA 10 — FUNÇÕES

Funções retornam valores.


🔥 EXEMPLO

FUNCTION CURRENT-DATE

☕ MUITAS FUNÇÕES MODERNAS COBOL

  • data

  • matemática

  • string

  • conversão


💣 O QUE O INICIANTE PRECISA EVITAR


🔥 1. GOTO EM EXCESSO

Código vira espaguete.


🔥 2. NOMES RUINS

Dificultam manutenção.


🔥 3. DUPLICAÇÃO

Mesmo código repetido.


🔥 4. FALTA DE VALIDAÇÃO

Causa bugs perigosos.


🔥 5. TENTAR FAZER TUDO NUM BLOCO

Divida em procedures.


☕ LABORATÓRIO PRÁTICO — FLUXO COMPLETO

💣 OBJETIVO

Processar 3 clientes.


🔥 PASSO 1 — INICIALIZAÇÃO

MOVE 0 TO WS-TOTAL
MOVE 'N' TO WS-FIM

🔥 PASSO 2 — LOOP PRINCIPAL

PERFORM UNTIL WS-FIM = 'S'

🔥 PASSO 3 — LEITURA

READ CLIENTE-ARQ

🔥 PASSO 4 — VALIDAÇÃO

IF WS-SALDO IS NUMERIC

🔥 PASSO 5 — PROCESSAMENTO

COMPUTE WS-BONUS = WS-SALDO * 0.10

🔥 PASSO 6 — ACUMULADOR

ADD WS-BONUS TO WS-TOTAL

🔥 PASSO 7 — RELATÓRIO

DISPLAY WS-TOTAL

☕ RESULTADO FINAL ESPERADO

O programa:

  • processa clientes

  • valida dados

  • calcula bônus

  • gera total


💣 ISSO É O INÍCIO DA ENGENHARIA MAINFRAME

Você acabou de praticar:

✅ lógica imperativa
✅ lógica procedural
✅ lógica estruturada


☕ COMO PROGRAMADORES MAINFRAME PENSAM?

Eles perguntam:

O dado entrou correto?
O arquivo está íntegro?
A rotina está modularizada?
O batch aguenta milhões de registros?
O operador conseguirá diagnosticar erro?

🔥 ISSO É ALTA PLATAFORMA

Não é apenas programar.

É:

  • previsibilidade

  • confiabilidade

  • rastreabilidade

  • engenharia


☕ CURIOSIDADES DO MUNDO REAL


💣 Muitos bancos ainda usam lógica escrita nos anos 80

E continuam funcionando.


💣 Um erro de loop pode consumir milhões em CPU

Por isso revisão é levada extremamente a sério.


💣 COBOL foi desenhado para manutenção humana

Legibilidade sempre foi prioridade.


💣 Grandes batches processam bilhões de registros

Tudo baseado nessa lógica.


☕ DESAFIO FINAL PARA O ALUNO

Tente adicionar:

✅ validação de idade
✅ tratamento de saldo negativo
✅ contador de clientes inválidos
✅ relatório final formatado
✅ cálculo de média


🔥 MISSÃO CONCLUÍDA

Você deu os primeiros passos no raciocínio que move:

  • bancos

  • governos

  • cartões

  • seguradoras

  • bolsas financeiras


💣 A GRANDE VERDADE DO MAINFRAME

Antes de aprender comandos…

☕ O PROGRAMADOR IBM Z PRECISA APRENDER A PENSAR COMO ENGENHEIRO.


quinta-feira, 29 de maio de 2025

COMP-4 e COMP-5 : Quando um Programador Cobol Padawan Descobre que um Número Pode Parecer Pequeno no PICTURE... Mas Ocupar um Universo Inteiro de Bits nos Bastidores

Bellacosa Mainframe apresenta o comp-4 e comp-5 no cobol

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

COMP-4 e COMP-5 sem Mistérios para Programadores COBOL

Quando um Programador Padawan Descobre que um Número Pode Parecer Pequeno no PICTURE... Mas Ocupar um Universo Inteiro de Bits nos Bastidores

Existe um momento inevitável na formação de todo programador COBOL.

Ele aprende PIC 9(5), entende COMP-3, consegue ler um arquivo sequencial sem provocar um SOC7 e começa a acreditar que finalmente domina o reino numérico do mainframe.

Então aparece isto:

05 WS-CONTADOR       PIC S9(9) COMP-4.
05 WS-CODIGO-RETORNO PIC S9(4) COMP-5.

O padawan olha para a tela verde e pergunta:

— Mestre, qual é a diferença entre COMP-4 e COMP-5?

O mestre COBOL respira fundo, olha para o teto do data center e responde:

— A diferença está em quem manda no número: o PICTURE ou o recipiente binário.

E desaparece misteriosamente para uma reunião de mudança emergencial.

Neste artigo, entraremos no interior dessas duas representações numéricas, entenderemos sua origem, formato interno, funcionamento, vantagens, riscos, opções de compilação e usos práticos. Também veremos por que dois campos aparentemente iguais podem reagir de maneira diferente ao receber o mesmo valor.


Bellacosa Mainframe e uma visão sobre numericos comp

1. Antes de tudo: o que significa COMP?

Em COBOL, a cláusula USAGE informa como um dado será representado internamente na memória.

Quando declaramos:

05 WS-IDADE PIC 9(3).

o uso padrão normalmente é DISPLAY. Isso significa que cada dígito é armazenado como um caractere.

O valor 123, em ambiente EBCDIC, poderá ocupar três bytes:

F1 F2 F3

Cada byte representa um caractere numérico.

Porém, computadores não realizam sua aritmética interna pensando em caracteres. O processador trabalha com bits, palavras, registradores e representações binárias.

As formas COMP, abreviação de COMPUTATIONAL, foram criadas justamente para permitir representações internas mais apropriadas ao processamento.

No universo IBM COBOL, encontramos tradicionalmente:

COMP ou COMP-4  = binário
COMP-1          = ponto flutuante de precisão simples
COMP-2          = ponto flutuante de precisão dupla
COMP-3          = decimal compactado
COMP-5          = binário nativo

No Enterprise COBOL para z/OS, BINARY, COMP e COMP-4 são sinônimos. Já COMP-5 representa o chamado native binary, ou binário nativo. (IBM)

Essa semelhança entre COMP-4 e COMP-5 é precisamente a origem de boa parte da confusão.

Ambos guardam números em formato binário.

Ambos podem ocupar 2, 4 ou 8 bytes.

Ambos podem ser usados em cálculos rápidos.

Mas eles não obedecem exatamente às mesmas regras de capacidade e truncamento.


Bellacosa Mainframe comp-4 versus comp-5

2. O que é COMP-4?

COMP-4, também escrito como COMPUTATIONAL-4, é sinônimo de BINARY no COBOL da IBM.

Estas declarações têm essencialmente o mesmo significado:

05 WS-VALOR PIC S9(9) BINARY.
05 WS-VALOR PIC S9(9) COMP.
05 WS-VALOR PIC S9(9) COMP-4.

No z/OS, os dados binários são armazenados em complemento de dois, com organização big-endian. O bit de sinal operacional fica associado ao lado mais significativo da representação. (IBM)

O tamanho físico do campo depende da quantidade de dígitos declarada no PICTURE:

Dígitos no PICTURETamanho
1 a 42 bytes
5 a 94 bytes
10 a 188 bytes

Portanto:

05 WS-A PIC S9(4) COMP-4.

ocupa 2 bytes.

05 WS-B PIC S9(9) COMP-4.

ocupa 4 bytes.

05 WS-C PIC S9(18) COMP-4.

ocupa 8 bytes. (IBM)

2.1 A grande característica do COMP-4

Embora o campo seja armazenado em binário, a cláusula PICTURE continua participando de sua semântica COBOL.

Veja:

05 WS-NUMERO PIC 9(4) COMP-4.

Fisicamente, o compilador reserva 2 bytes.

Dois bytes sem sinal poderiam representar valores de:

0 até 65535

Entretanto, o PICTURE 9(4) descreve formalmente um número de quatro dígitos:

0 até 9999

Aqui começa o drama.

O recipiente físico possui capacidade maior que a capacidade decimal descrita no PICTURE.

O que acontece quando tentamos armazenar 12345?

A resposta depende da operação realizada e, principalmente, da opção de compilação TRUNC.

É por isso que COMP-4 não deve ser entendido apenas como “um inteiro de 16 bits”. Ele é um item binário COBOL cujo comportamento também pode ser influenciado pela descrição decimal do PICTURE.


3. O que é COMP-5?

COMP-5 é o formato chamado pela IBM de native binary.

Exemplo:

05 WS-RETORNO PIC S9(4) COMP-5.

Fisicamente, esse campo também ocupa 2 bytes.

A diferença fundamental é que um item COMP-5 pode utilizar toda a capacidade de seu recipiente binário, em vez de ficar limitado à magnitude sugerida pela quantidade de noves do PICTURE.

A documentação da IBM explica que os itens COMP-5 podem armazenar valores até a capacidade da representação nativa de 2, 4 ou 8 bytes. Quando um valor é movido para um COMP-5, o truncamento ocorre conforme o tamanho físico binário, e não conforme o limite decimal indicado pelo PICTURE. (IBM)

Considere:

05 WS-NUMERO PIC 9(4) COMP-5.

O PICTURE tem quatro noves, mas o campo ocupa 2 bytes sem sinal.

Assim, sua capacidade binária é:

0 até 65535

E não apenas:

0 até 9999

Para um campo com sinal:

05 WS-NUMERO PIC S9(4) COMP-5.

os 2 bytes em complemento de dois permitem:

-32768 até +32767

O campo tornou-se, na prática, um inteiro binário de 16 bits.

O PICTURE ainda existe e continua sendo importante para regras sintáticas, edição, escalas decimais e operações COBOL, mas ele não limita a magnitude armazenável da mesma forma que ocorre com um binário comum submetido às regras tradicionais de truncamento.


4. A diferença em uma frase

Podemos resumir assim:

COMP-4 é um campo binário que normalmente respeita a semântica decimal definida pelo PICTURE; COMP-5 é um campo binário que utiliza a capacidade física inteira de seus 2, 4 ou 8 bytes.

Ou, no dialeto Bellacosa Mainframe:

No COMP-4, o gerente funcional chamado PICTURE ainda tenta controlar o orçamento. No COMP-5, o hardware assume a operação e utiliza todos os bits disponíveis.


5. Origem e história

O uso de representações computacionais acompanha o COBOL há décadas. Termos como COMPUTATIONAL, COMP-1, COMP-2, COMP-3 e COMP-4 surgiram em implementações históricas para representar dados em formatos adequados às arquiteturas dos computadores.

COMP-4 consolidou-se no COBOL IBM como sinônimo de BINARY.

COMP-5 surgiu posteriormente no COBOL de host IBM como uma forma explícita de representar um inteiro binário nativo, especialmente útil em interoperabilidade, interfaces de sistema e situações em que a capacidade completa da palavra binária deveria ser preservada.

A documentação de migração da IBM identifica COMP-5 como um tipo que foi novo no COBOL de host e as tabelas de palavras reservadas mostram COMP-5 e COMPUTATIONAL-5 como palavras reservadas a partir do COBOL for OS/390 & VM Version 2 Release 2, produto disponibilizado em 2000. (IBM)

Isso não significa que o conceito de inteiro nativo tenha nascido no ano 2000. Sistemas, linguagens e APIs já trabalhavam com inteiros binários muito antes disso.

O que aconteceu foi a formalização de uma maneira específica e explícita de declarar esse comportamento no COBOL de host IBM.

Antes disso, programadores dependiam mais fortemente de opções como NOTRUNC, comportamentos particulares de compiladores antigos ou convenções locais. Na migração para compiladores modernos, esses detalhes tornaram-se perigosos, pois códigos antigos às vezes armazenavam no campo binário valores maiores do que o PICTURE aparentemente permitia.

COMP-5 oferece uma declaração mais clara:

— Este campo não é apenas um número COBOL com representação binária. Ele é um recipiente binário nativo, e todos os seus bits importam.


6. Formato interno

6.1 Complemento de dois

Campos binários com sinal usam normalmente complemento de dois.

Em 16 bits:

0000 0000 0000 0001 = +1
0000 0000 0000 0010 = +2
0111 1111 1111 1111 = +32767
1000 0000 0000 0000 = -32768
1111 1111 1111 1111 = -1

A vantagem do complemento de dois é que o processador consegue realizar adições e subtrações com circuitos relativamente simples.

Não existe um caractere separado para o sinal. O sinal está incorporado ao próprio padrão binário.

6.2 Big-endian no IBM Z

O IBM Z utiliza organização big-endian para esses dados.

O byte mais significativo aparece primeiro.

Por exemplo, o valor decimal 1000 é hexadecimal:

03E8

Em dois bytes big-endian:

03 E8

Já em uma máquina little-endian, a memória poderia aparecer como:

E8 03

Essa diferença é importantíssima ao trocar estruturas binárias entre plataformas.

Enviar diretamente um campo binário de um mainframe para um servidor Intel sem definir corretamente formato, tamanho e ordem dos bytes é uma excelente forma de transformar o número 1000 em alguma criatura matemática não autorizada pelo Banco Central.


7. Tamanhos e faixas práticas

7.1 Campos com sinal

PICTURE aproximadoBytesFaixa física do COMP-5
S9(1) a S9(4)2-32.768 a 32.767
S9(5) a S9(9)4-2.147.483.648 a 2.147.483.647
S9(10) a S9(18)8-9.223.372.036.854.775.808 a 9.223.372.036.854.775.807

7.2 Campos sem sinal

PICTURE aproximadoBytesFaixa física do COMP-5
9(1) a 9(4)20 a 65.535
9(5) a 9(9)40 a 4.294.967.295
9(10) a 9(18)80 a 18.446.744.073.709.551.615

Versões modernas do COBOL IBM passaram a permitir que itens COMP-5 sem sinal utilizem todos os 16, 32 ou 64 bits. A IBM registra que esse suporte completo está disponível no COBOL for OS/390 & VM V2R2 e nos compiladores Enterprise COBOL posteriores. (IBM)

Contudo, existe um cuidado importante: nem toda operação COBOL, literal, função ou campo receptor conseguirá manipular confortavelmente toda a faixa de um inteiro de 64 bits sem sinal.

O campo pode possuir a capacidade física, mas o restante do programa também precisa estar preparado para ela.

Um hangar pode comportar um dragão. Isso não significa que a porta da cozinha também comporte.


8. Exemplo passo a passo

Considere o programa:

       IDENTIFICATION DIVISION.
       PROGRAM-ID. TESTEC45.

       DATA DIVISION.
       WORKING-STORAGE SECTION.

       01  WS-COMP4-SIGNED       PIC S9(4) COMP-4 VALUE ZERO.
       01  WS-COMP5-SIGNED       PIC S9(4) COMP-5 VALUE ZERO.

       01  WS-COMP4-UNSIGNED     PIC 9(4) COMP-4 VALUE ZERO.
       01  WS-COMP5-UNSIGNED     PIC 9(4) COMP-5 VALUE ZERO.

       01  WS-VALOR-ENTRADA      PIC 9(5) VALUE 30000.

       01  WS-EDICAO             PIC -ZZ,ZZZ,ZZ9.

       PROCEDURE DIVISION.

           DISPLAY 'TESTE COMP-4 E COMP-5'.

           MOVE WS-VALOR-ENTRADA TO WS-COMP4-SIGNED
           MOVE WS-VALOR-ENTRADA TO WS-COMP5-SIGNED

           MOVE WS-COMP4-SIGNED TO WS-EDICAO
           DISPLAY 'COMP-4 SIGNED  : ' WS-EDICAO

           MOVE WS-COMP5-SIGNED TO WS-EDICAO
           DISPLAY 'COMP-5 SIGNED  : ' WS-EDICAO

           MOVE 60000 TO WS-COMP4-UNSIGNED
           MOVE 60000 TO WS-COMP5-UNSIGNED

           MOVE WS-COMP4-UNSIGNED TO WS-EDICAO
           DISPLAY 'COMP-4 UNSIGNED: ' WS-EDICAO

           MOVE WS-COMP5-UNSIGNED TO WS-EDICAO
           DISPLAY 'COMP-5 UNSIGNED: ' WS-EDICAO

           GOBACK.

Passo 1: observe o tamanho

Todos os quatro campos têm PIC 9(4) ou PIC S9(4).

Logo, todos ocupam 2 bytes.

Porém, sua interpretação não é idêntica.

Passo 2: campo com sinal

O valor 30000 cabe em um inteiro de 16 bits com sinal:

máximo = 32767

Ele também possui cinco dígitos decimais, apesar de o campo ter sido declarado como S9(4).

No COMP-5, o valor pode ser armazenado porque cabe nos 2 bytes.

No COMP-4, o comportamento poderá ser influenciado pela opção TRUNC porque o valor ultrapassa a magnitude de quatro dígitos descrita no PICTURE.

Passo 3: campo sem sinal

O valor 60000 cabe em 16 bits sem sinal:

máximo = 65535

Mas não cabe em PIC 9(4) se interpretarmos apenas a quantidade decimal de noves:

máximo decimal descrito = 9999

O COMP-5 utiliza a capacidade binária do campo e pode armazenar 60000.

O COMP-4 pode sofrer truncamento segundo a semântica COBOL e a opção de compilação utilizada.


9. O papel da opção TRUNC

A opção TRUNC é um dos pontos mais importantes para compreender campos binários no Enterprise COBOL.

As formas mais conhecidas são:

TRUNC(STD)
TRUNC(OPT)
TRUNC(BIN)

9.1 TRUNC(STD)

Procura preservar o comportamento definido pelo padrão COBOL, considerando a quantidade de dígitos do PICTURE.

Se um resultado armazenado em um campo binário ultrapassar a quantidade decimal descrita, poderá haver truncamento para aquela precisão.

Exemplo conceitual:

05 WS-NUM PIC 9(4) COMP-4.

Ao receber:

12345

o resultado poderá ser reduzido à capacidade decimal de quatro dígitos, dependendo da operação:

2345

9.2 TRUNC(OPT)

Permite otimizações, partindo da expectativa de que os valores usados pelo programa respeitam o PICTURE.

É normalmente uma boa escolha quando o código está corretamente definido e os campos não recebem valores maiores que os declarados.

Entretanto, não deve ser usado como desculpa para depender de conteúdo fora do contrato do campo.

9.3 TRUNC(BIN)

Faz com que itens binários sejam tratados de maneira mais próxima à sua capacidade física integral.

Um campo binário comum passa a se comportar, em diversos contextos, de forma semelhante a um COMP-5.

Porém, TRUNC(BIN) é uma opção global de compilação e pode gerar código adicional, afetando desempenho. A própria IBM recomenda, quando possível, manter TRUNC(OPT) e declarar especificamente como COMP-5 os campos que realmente precisam receber valores além da precisão decimal indicada no PICTURE. (IBM)

Essa é uma decisão arquitetural importante.

Compare:

TRUNC(BIN)

Pode alterar o tratamento dos itens binários do programa inteiro.

Enquanto:

05 WS-API-RETURN-CODE PIC S9(9) COMP-5.

declara explicitamente que apenas aquele campo precisa de semântica binária nativa.

É a diferença entre reforçar uma porta e transformar o prédio inteiro em um bunker.


10. Exemplo de compilação em JCL

Um JCL simplificado poderia ser:

//COBOL    EXEC PGM=IGYCRCTL,
// PARM='LIB,OBJECT,LIST,MAP,XREF,OPT(2),TRUNC(OPT)'
//STEPLIB  DD DISP=SHR,DSN=IGY.V6R5M0.SIGYCOMP
//SYSIN    DD DISP=SHR,DSN=USER.COBOL(TESTEC45)
//SYSLIN   DD DISP=SHR,DSN=&&OBJ,
//            UNIT=SYSDA,SPACE=(TRK,(1,1)),
//            DCB=(RECFM=FB,LRECL=80,BLKSIZE=0)
//SYSPRINT DD SYSOUT=*
//SYSUT1   DD UNIT=SYSDA,SPACE=(CYL,(1,1))
//SYSUT2   DD UNIT=SYSDA,SPACE=(CYL,(1,1))
//SYSUT3   DD UNIT=SYSDA,SPACE=(CYL,(1,1))
//SYSUT4   DD UNIT=SYSDA,SPACE=(CYL,(1,1))
//SYSUT5   DD UNIT=SYSDA,SPACE=(CYL,(1,1))
//SYSUT6   DD UNIT=SYSDA,SPACE=(CYL,(1,1))
//SYSUT7   DD UNIT=SYSDA,SPACE=(CYL,(1,1))

A opção relevante é:

TRUNC(OPT)

Se todos os campos binários precisassem utilizar a capacidade física integral, poderia ser usado:

TRUNC(BIN)

Entretanto, a prática recomendável é analisar o contrato dos dados.

Campos internos comuns, contadores e valores de negócio podem continuar como COMP, COMP-4 ou BINARY.

Campos provenientes de APIs, C, estruturas do sistema operacional ou interfaces externas podem ser declarados como COMP-5.


11. Onde COMP-4 costuma ser usado?

COMP-4 é útil em:

  • contadores;

  • índices auxiliares;

  • acumuladores inteiros;

  • cálculos sem casas decimais;

  • campos cuja faixa respeita claramente o PICTURE;

  • variáveis internas de desempenho;

  • estruturas legadas que já utilizam COMP ou BINARY.

Exemplo:

05 WS-CONTADOR-REGISTROS PIC 9(9) COMP-4 VALUE ZERO.

Incremento:

ADD 1 TO WS-CONTADOR-REGISTROS

Como o campo ocupa 4 bytes, o processador pode trabalhar eficientemente com operações binárias.


12. Onde COMP-5 costuma ser usado?

COMP-5 é especialmente útil em integração com:

  • programas escritos em C;

  • APIs do sistema operacional;

  • Language Environment;

  • CICS;

  • Db2;

  • estruturas binárias;

  • códigos de retorno;

  • tamanhos de buffers;

  • comprimentos;

  • ponteiros auxiliares;

  • interfaces entre linguagens;

  • copybooks gerados por ferramentas;

  • valores que utilizam toda a capacidade de 16, 32 ou 64 bits.

A documentação de interoperabilidade entre C e COBOL recomenda COMP-5 ou TRUNC(BIN) quando um parâmetro inteiro vindo de C puder conter um valor maior do que o permitido pela quantidade de dígitos do PICTURE COBOL. (IBM)

Exemplo:

01  LK-C-PARAMETERS.
    05 LK-BUFFER-LENGTH PIC 9(9) COMP-5.
    05 LK-RETURN-CODE   PIC S9(9) COMP-5.

Em C, campos equivalentes poderiam ser:

int buffer_length;
int return_code;

O objetivo é preservar a correspondência física com o inteiro utilizado pela outra linguagem.


13. COMP-4 e COMP-5 com casas decimais

É possível declarar:

05 WS-TAXA PIC S9(5)V99 COMP-4.

ou:

05 WS-TAXA PIC S9(5)V99 COMP-5.

Não existe ponto decimal armazenado.

O V é um ponto decimal implícito.

O valor:

123.45

é armazenado internamente como o inteiro escalado:

12345

O compilador sabe que existem duas casas decimais implícitas.

Entretanto, para valores monetários, COMP-3 costuma ser mais natural, previsível e compatível com a matemática decimal de negócios.

Exemplo:

05 WS-VALOR-MONETARIO PIC S9(9)V99 COMP-3.

Valores financeiros são expressos em base decimal. Usar decimal compactado reduz certas surpresas de conversão e preserva a precisão decimal esperada.

COMP-4 e COMP-5 brilham principalmente com inteiros, contadores, comprimentos, flags numéricas e interfaces de baixo nível.


14. Vantagens do COMP-4

Uso eficiente de memória

Um PIC S9(9) DISPLAY ocupa nove bytes.

Um PIC S9(9) COMP-4 ocupa quatro bytes.

Em milhões de registros ou grandes tabelas internas, essa diferença pode ser relevante.

Aritmética eficiente

Processadores trabalham naturalmente com valores binários. Contadores e cálculos inteiros podem ser executados eficientemente.

Compatibilidade histórica

COMP, COMP-4 e BINARY aparecem em uma enorme quantidade de sistemas COBOL existentes.

Intenção clara

A declaração mostra que o campo foi criado para processamento, e não para apresentação direta.


15. Desvantagens do COMP-4

Dependência das regras de truncamento

O campo físico pode armazenar um valor, mas o PICTURE pode declarar uma capacidade decimal menor.

Influência da opção TRUNC

Uma recompilação com opções diferentes pode revelar dependências escondidas no código legado.

Não é legível diretamente

Abrir um arquivo binário em um editor de texto não mostrará os dígitos de maneira compreensível.

Portabilidade

Tamanho, endianness e comportamento podem variar entre plataformas e implementações COBOL.

Risco em interfaces

Um programa externo pode preencher todos os bits, enquanto o programa COBOL espera um valor limitado pelo PICTURE.


16. Vantagens do COMP-5

Utiliza toda a capacidade binária

É ideal quando 2, 4 ou 8 bytes devem ser tratados como um verdadeiro inteiro binário.

Excelente para interoperabilidade

Facilita o mapeamento com inteiros de C, APIs, estruturas de sistema e interfaces técnicas.

Intenção explícita

O programador que lê o código entende que aquele campo pode ultrapassar a magnitude decimal indicada pelos noves do PICTURE.

Evita o uso global de TRUNC(BIN)

É possível aplicar a semântica de binário nativo apenas aos campos necessários.

Preserva valores externos

Reduz o risco de perder dígitos de um valor recebido por interface.


17. Desvantagens do COMP-5

Pode surpreender quem confia apenas no PICTURE

Um campo declarado como:

PIC 9(4) COMP-5

pode conter 60000.

Para um iniciante, isso parece uma violação das leis naturais do COBOL.

Pode causar problemas ao mover para DISPLAY

Considere:

05 WS-NATIVO PIC 9(4) COMP-5.
05 WS-TEXTO  PIC 9(4).

Se WS-NATIVO contiver 60000:

MOVE WS-NATIVO TO WS-TEXTO

o receptor possui apenas quatro posições.

O problema não estava no COMP-5. Estava no contrato inadequado do campo receptor.

Pode esconder incompatibilidades

Duas plataformas podem usar tamanhos ou ordem de bytes diferentes.

Não é a escolha padrão para dinheiro

Valores monetários e cálculos decimais normalmente ficam mais claros em COMP-3.


18. Como visualizar o conteúdo hexadecimal

Um pequeno programa pode redefinir o campo:

01  WS-BINARIO.
    05 WS-VALOR PIC S9(4) COMP-5.

01  WS-BINARIO-X REDEFINES WS-BINARIO.
    05 WS-BYTES PIC X(2).

Em compiladores modernos, funções intrínsecas podem ajudar:

MOVE 1000 TO WS-VALOR

DISPLAY 'VALOR: ' WS-VALOR
DISPLAY 'HEX  : ' FUNCTION HEX-OF(WS-BYTES)

A representação esperada para 1000 em dois bytes big-endian é:

03E8

Para -1, em complemento de dois:

FFFF

Esse tipo de teste é excelente para compreender copybooks, dumps e integrações.


19. Cuidados ao usar REDEFINES

Nunca presuma que um campo binário pode ser interpretado como texto.

Isto:

01 WS-CAMPO.
   05 WS-NUMERO PIC S9(9) COMP-5.

01 WS-TEXTO REDEFINES WS-CAMPO.
   05 WS-CARACTERES PIC X(4).

não converte o número em texto.

Ele apenas oferece outra visão dos mesmos quatro bytes.

Se WS-NUMERO contém 123, WS-CARACTERES não conterá os caracteres:

"0123"

Ele conterá os bytes binários:

00 00 00 7B

REDEFINES não converte.

REDEFINES não formata.

REDEFINES não pergunta se você tem certeza.

Ele apenas remove a tampa do reator nuclear.


20. Boas práticas para o programador padawan

20.1 Escolha o tipo pela função

Use DISPLAY quando o dado for principalmente texto, entrada ou saída humana.

Use COMP-3 para dinheiro e cálculos decimais exatos.

Use COMP-4 ou BINARY para contadores e números inteiros que respeitam a faixa declarada.

Use COMP-5 para inteiros nativos e interfaces que exigem toda a capacidade binária.

20.2 Declare a faixa real quando possível

Embora isto seja permitido:

05 WS-LENGTH PIC 9(4) COMP-5.

pode ser mais claro declarar:

05 WS-LENGTH PIC 9(5) COMP-5.

se o valor esperado pode alcançar 65535.

A declaração deve comunicar a intenção humana, não apenas satisfazer o compilador.

20.3 Conheça a opção TRUNC

Nunca analise um programa com campos binários sem verificar as opções de compilação.

Procure no listing:

TRUNC(STD)
TRUNC(OPT)
TRUNC(BIN)

20.4 Não copie binário diretamente entre plataformas

Defina:

  • número de bytes;

  • presença de sinal;

  • ordem dos bytes;

  • escala decimal;

  • faixa permitida;

  • tratamento de overflow.

20.5 Use campos de edição no DISPLAY

Evite:

DISPLAY WS-COMP5

Prefira:

MOVE WS-COMP5 TO WS-EDITADO
DISPLAY WS-EDITADO

Exemplo:

05 WS-EDITADO PIC -ZZZ,ZZZ,ZZ9.

20.6 Teste os limites

Para 2 bytes com sinal, teste:

-32768
-32767
-1
0
1
32766
32767
32768

Para 2 bytes sem sinal, teste:

0
1
9999
10000
32767
32768
65535
65536

Os bugs mais interessantes não moram no valor médio.

Eles vivem na fronteira, fumando cigarro e esperando o batch de fechamento.


21. Curiosidades

COMP nem sempre significa binário em todas as plataformas

No Enterprise COBOL para z/OS, COMP é equivalente a BINARY.

Entretanto, em outras famílias e ambientes históricos, aliases podem variar. No IBM i, por exemplo, a documentação tradicional associa COMP-4 a BINARY, enquanto outros nomes computacionais podem refletir convenções específicas da plataforma. (IBM)

Portanto, nunca transporte conhecimento entre compiladores sem consultar a documentação daquele ambiente.

O PICTURE não determina sozinho o tamanho em bytes

Nos campos binários, faixas de dígitos são agrupadas:

1 a 4 dígitos  = 2 bytes
5 a 9 dígitos  = 4 bytes
10 a 18 dígitos = 8 bytes

Assim:

PIC 9(5) COMP-4

e:

PIC 9(9) COMP-4

ocupam ambos quatro bytes.

Um único nove pode custar dois bytes extras

Compare:

PIC 9(4) COMP-4

Dois bytes.

PIC 9(5) COMP-4

Quatro bytes.

Apenas um nove adicional fez o campo atravessar a fronteira entre halfword e fullword.

COMP-5 é comum em código gerado

Tradutores, preprocessadores e ferramentas de integração podem gerar campos COMP-5 porque precisam mapear tamanhos, comprimentos e códigos de retorno de maneira previsível.

A própria IBM informa que o coprocessador CICS usa tipos COMP-5 em situações nas quais o truncamento não deve ocorrer. (IBM)


22. Easter egg do data center

Diz a lenda que, em algum sistema bancário criado em 1997, existe a seguinte declaração:

05 WS-TAMANHO PIC 9(4) COMP.

Durante vinte anos, o campo recebeu valores menores que 9999.

Então uma modernização aumentou o buffer para 32000.

O programa continuou funcionando porque o compilador antigo, as opções históricas e os caminhos de execução permitiam que o valor sobrevivesse dentro dos 2 bytes.

Anos depois, alguém recompilou o programa com um compilador moderno e outra opção TRUNC.

O valor 32000 voltou da operação transformado em algo inesperado.

Sete reuniões foram marcadas.

Três fornecedores foram acusados.

Uma API REST foi criada sem necessidade.

Um arquiteto sugeriu Kubernetes.

Até que uma programadora júnior abriu o listing e perguntou:

— Por que este campo é PIC 9(4) se recebe 32000?

O silêncio que se seguiu foi registrado pelo SMF como consumo anormal de CPU emocional.


23. Comparação final

CaracterísticaCOMP-4COMP-5
Nome conceitualBinárioBinário nativo
Sinônimo de BINARYSimNão exatamente
RepresentaçãoComplemento de doisComplemento de dois
Tamanhos comuns2, 4 ou 8 bytes2, 4 ou 8 bytes
Capacidade ligada ao PICTURENormalmente, simCapacidade física do campo
Influência de TRUNCSimNão da mesma maneira
Bom para contadoresSimSim
Bom para integração com CPossível, com cuidadosRecomendado
Usa todos os bitsDepende das regras e opçõesSim
Clareza para valores nativosMenorMaior
Melhor escolha para dinheiroNormalmente nãoNormalmente não
Risco principalTruncamento inesperadoValor maior que o receptor espera

24. Conclusão

COMP-4 e COMP-5 não são apenas dois nomes misteriosos encontrados em copybooks antigos.

Eles representam dois contratos diferentes entre o programa COBOL e a memória.

COMP-4, equivalente a BINARY, armazena números em formato binário, mas continua ligado à descrição decimal do PICTURE e às regras de truncamento escolhidas na compilação.

COMP-5 declara que o campo deve ser tratado como um inteiro binário nativo, utilizando toda a capacidade física de seus 2, 4 ou 8 bytes.

O padawan precisa guardar cinco ensinamentos:

  1. COMP-4 é sinônimo de BINARY.

  2. COMP-5 utiliza a capacidade integral do recipiente binário.

  3. O tamanho depende da quantidade de dígitos do PICTURE.

  4. A opção TRUNC pode alterar o comportamento de campos binários comuns.

  5. Nunca escolha um tipo apenas porque ele “parece mais rápido”.

Escolha-o porque compreende o contrato, a origem do dado, sua faixa, seu destino e a forma como será processado.

No mainframe, um campo numérico nunca é apenas um campo numérico.

Ele é um acordo diplomático entre o COBOL, o compilador, o processador, o copybook, a plataforma externa e aquele programa de 1998 que ninguém recompila porque o último profissional que entendia o código se aposentou e agora cria orquídeas no interior de Minas Gerais.

E essa, jovem padawan, é a verdadeira diferença entre conhecer a sintaxe e compreender o sistema.


quinta-feira, 26 de setembro de 2024

O Guia Definitivo de Boas Práticas para Declarar Variáveis em COBOL Mainframe como os Grandes Bancos Fazem

 

Bellacosa Mainframe e o data division sem misterios

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Data Division sem Mistérios

O Guia Definitivo de Boas Práticas para Declarar Variáveis em COBOL Mainframe como os Grandes Bancos Fazem

"Um programa COBOL raramente falha porque alguém escreveu um IF errado. Ele costuma falhar porque alguém declarou uma variável errada há vinte anos."


Introdução

Existe um velho ditado entre programadores de mainframe:

"O Procedure Division executa. A Data Division pensa."

Pode parecer exagero, mas basta passar alguns meses trabalhando em um grande banco para perceber que isso é verdade.

Quando um programa COBOL possui milhares de linhas, dezenas de interfaces, centenas de arquivos VSAM, tabelas DB2, chamadas CICS e APIs REST, o verdadeiro segredo não está apenas na lógica.

Está na organização dos dados.

É justamente por isso que os maiores bancos brasileiros possuem padrões extremamente rígidos para a Data Division.

Em muitos lugares, uma variável mal declarada simplesmente não passa pela revisão de código.

Neste artigo vamos aprender como profissionais experientes organizam suas variáveis, entender o motivo dessas regras existirem e descobrir como escrever programas que continuam fáceis de manter mesmo depois de décadas.

Pegue seu café.

Vamos organizar nossa memória principal.


Antes de falar de variáveis...

Imagine construir um prédio.

Você pode contratar o melhor pedreiro do mundo.

Se o engenheiro desenhar uma planta ruim, o prédio será um caos.

No COBOL acontece exatamente isso.

A Data Division é a planta do edifício.

A Procedure Division apenas utiliza aquilo que foi planejado.

Quanto melhor for sua estrutura de dados, mais simples será escrever toda a lógica do programa.


A filosofia dos grandes bancos

Em bancos, normalmente existem padrões semelhantes a estes:

  • nomes padronizados

  • agrupamentos claros

  • nenhuma variável "solta"

  • documentação implícita

  • facilidade para debug

  • facilidade para manutenção

  • reaproveitamento

O objetivo nunca é escrever menos.

É escrever melhor.


A estrutura clássica

Normalmente encontramos algo parecido.

WORKING-STORAGE SECTION.

01 WS-CONTROLE.

01 WS-ENTRADA.

01 WS-SAIDA.

01 WS-CALCULOS.

01 WS-INDICADORES.

01 WS-CONSTANTES.

01 WS-TABELAS.

01 WS-AREAS-DE-TRABALHO.

Só olhando os nomes já sabemos onde procurar qualquer informação.

Essa organização economiza horas de manutenção.


Prefixos fazem diferença

Um dos maiores erros de iniciantes é escrever:

01 NOME.
01 CPF.
01 IDADE.
01 TOTAL.

Imagine um programa com 8.000 variáveis.

Boa sorte.

Os grandes bancos normalmente utilizam prefixos.

WS-NOME
WS-CPF
WS-IDADE
WS-TOTAL

WS significa:

Working Storage.

Quando existem outras áreas:

LK-
DFHCOMMAREA
LS-
CS-
SQL-

Exemplo:

WS-CLIENTE

LK-CLIENTE

LS-CLIENTE

SQL-CLIENTE

Cada uma pertence a uma área diferente.

O nome já explica sua origem.


Nunca use nomes genéricos

Evite:

WS-AUX

WS-TEMP

WS-X

WS-DADOS

WS-AREA

WS-TESTE

Isso não explica absolutamente nada.

Prefira:

WS-SALDO-ATUAL

WS-VALOR-LIMITE

WS-TOTAL-PARCELAS

WS-QTD-CLIENTES

WS-DATA-PROCESSAMENTO

Quem ler o programa daqui a vinte anos agradecerá.


O padrão VERBO + OBJETO

Muitos bancos gostam de indicar o significado da variável.

Exemplo:

WS-QTD-PRODUTOS

WS-VLR-TOTAL

WS-DT-NASCIMENTO

WS-HR-PROCESSAMENTO

WS-FL-ATIVO

WS-CD-AGENCIA

WS-NR-CONTA

Observe as abreviações.

PrefixoSignificado
DTData
HRHora
FLFlag
CDCódigo
NRNúmero
QTDQuantidade
VLRValor
INDIndicador
TPTipo
DESCDescrição

Essas abreviações praticamente viraram um idioma próprio do mercado financeiro.


Os níveis da Data Division

Agora chegamos ao coração do COBOL.

Os famosos Levels.


Level 01

Representa um registro completo.

01 WS-CLIENTE.

Pense nele como uma pasta.

Dentro dela existirão documentos.


Level 05

Representa divisões principais.

01 WS-CLIENTE.

   05 WS-NOME.

   05 WS-CPF.

   05 WS-ENDERECO.

É o nível mais utilizado.


Level 10

Subdivisão.

05 WS-ENDERECO.

   10 WS-RUA.

   10 WS-NUMERO.

   10 WS-BAIRRO.

Level 15, 20, 25...

São apenas níveis hierárquicos.

01 CLIENTE

   05 ENDERECO

      10 CIDADE

         15 CEP

O COBOL não exige números específicos.

Apenas respeita a hierarquia.

Na prática, porém, muitos bancos adotam:

01

05

10

15

20

para manter um padrão visual.


Quando usar Level 77?

No passado era comum.

77 WS-CONTADOR PIC 9(4).

Hoje praticamente todos utilizam:

01 WS-CONTADOR PIC 9(4).

Ou agrupam dentro de áreas.

O uso do 77 tornou-se raro em novos projetos.


O poderoso Level 88

Um dos recursos mais elegantes do COBOL.

Imagine isso.

05 WS-STATUS PIC X.

88 WS-ATIVO VALUE "A".

88 WS-INATIVO VALUE "I".

Depois:

IF WS-ATIVO

Muito melhor que:

IF WS-STATUS = "A"

O código praticamente se transforma em português.

Outro exemplo.

88 WS-SIM VALUE "S".

88 WS-NAO VALUE "N".

Ou ainda:

88 WS-CONTA-CORRENTE VALUE "01".

88 WS-CONTA-POUPANCA VALUE "02".

Esse recurso é amplamente utilizado em bancos.


Agrupe informações relacionadas

Errado:

WS-NOME

WS-CPF

WS-RUA

WS-SALDO

WS-IDADE

WS-CIDADE

Correto.

01 WS-CLIENTE.

   05 WS-NOME.

   05 WS-CPF.

   05 WS-ENDERECO.

      10 WS-RUA.

      10 WS-CIDADE.

   05 WS-SALDO.

A estrutura fica muito mais intuitiva.


REDEFINES

Poucos recursos são tão poderosos.

Imagine um arquivo.

1234567890

Pode representar:

CPF

ou

Código interno

Não faz sentido duplicar memória.

Usamos:

01 WS-AREA.

   05 WS-DADOS PIC X(10).

01 WS-CPF REDEFINES WS-DADOS.

   05 WS-NUMERO PIC 9(10).

A memória é exatamente a mesma.

Apenas muda a interpretação.


Onde bancos usam REDEFINES?

Muito frequentemente em:

  • layouts CNAB

  • buffers CICS

  • mensagens MQ

  • áreas de comunicação

  • protocolos

  • APIs

  • conversões numéricas

  • interpretação de bytes


Cuidados com REDEFINES

Nunca faça isso sem entender o layout.

Porque alterar uma redefinição altera todas.

É literalmente a mesma memória.


RENAMES

Pouca gente conhece.

Exemplo.

01 WS-REGISTRO.

   05 WS-NOME.

   05 WS-ENDERECO.

   05 WS-CIDADE.

66 WS-DADOS-CADASTRAIS
RENAMES WS-NOME THRU WS-CIDADE.

Agora podemos manipular todo esse trecho como um único grupo lógico.

Hoje aparece menos que REDEFINES, mas ainda existe em sistemas legados e alguns frameworks internos.


CONSTANTES

Nunca escreva:

IF WS-TIPO = "A"

Prefira:

78 ATIVO VALUE "A".

IF WS-TIPO = ATIVO

Ou

01 WS-CONSTANTES.

   05 WS-TP-ATIVO VALUE "A".

   05 WS-TP-INATIVO VALUE "I".

O significado fica explícito.


PIC correto faz diferença

Texto.

PIC X(30)

Numérico.

PIC 9(5)

Decimal.

PIC S9(9)V99 COMP-3

Valor monetário.

PIC S9(11)V99 COMP-3

Nunca utilize texto para armazenar números quando eles serão calculados.


COMP, COMP-3 e DISPLAY

Nos bancos é comum encontrar a seguinte estratégia:

DISPLAY

para entrada e saída.

COMP

para cálculos inteiros.

COMP-3

para valores financeiros.

Exemplo.

05 WS-SALDO
PIC S9(11)V99 COMP-3.

Além de economizar espaço, melhora desempenho e precisão decimal.


Inicialização

Sempre inicialize.

VALUE ZERO.

VALUE SPACES.

VALUE LOW-VALUES.

VALUE HIGH-VALUES.

Ou utilize

INITIALIZE

Evite depender do conteúdo anterior da memória.


Um erro clássico

05 WS-NOME PIC X(30).

Depois.

MOVE "JOAO" TO WS-NOME

Comparação.

IF WS-NOME = "JOAO"

Pode funcionar.

Pode não funcionar.

Por quê?

Porque existem espaços restantes.

Muitos bancos utilizam:

FUNCTION TRIM

ou

INSPECT

para evitar problemas.


Tabelas OCCURS

Sempre nomeie corretamente.

05 WS-CLIENTES OCCURS 100 TIMES.

   10 WS-NOME.

   10 WS-SALDO.

Índices separados.

77 WS-IDX PIC S9(4) COMP.

Ou

INDEXED BY IDX-CLIENTE

Muito mais eficiente.


Evite mágicas

Nunca faça:

MOVE 1 TO WS-X.

Depois.

IF WS-X = 1

Prefira.

88 WS-PROCESSADO VALUE 1.

Muito mais legível.


Organização visual

Bancos normalmente alinham tudo.

05 WS-NOME            PIC X(40).

05 WS-CPF             PIC 9(11).

05 WS-SALDO           PIC S9(09)V99 COMP-3.

05 WS-DATA-NASC       PIC 9(08).

Pode parecer detalhe.

Mas melhora muito a leitura.


Comentários úteis

Evite.

* Nome.

Prefira.

* Dados recebidos do cadastro central.

* Área utilizada para integração com PIX.

* Buffer utilizado pelo CICS.

Explique o motivo.

Não o óbvio.


╔══════════════════════════════════════════════════════════════════════╗
║                     COBOL DATA DIVISION                             ║
║               "Tudo começa pelos dados."                            ║
╚══════════════════════════════════════════════════════════════════════╝

                       PROGRAMA COBOL
                             │
                             ▼
                  WORKING-STORAGE SECTION
                             │
        ┌────────────────────┼────────────────────┐
        │                    │                    │
        ▼                    ▼                    ▼
   WS-CONTROLE          WS-ENTRADA          WS-SAÍDA
        │                    │                    │
        ▼                    ▼                    ▼
     Variáveis           Arquivos           Resultados
     de Trabalho         Entrada            Processados



              Hierarquia dos Levels (Níveis)

01 WS-CLIENTE
│
├──05 WS-DADOS-PESSOAIS
│    ├──10 WS-NOME
│    ├──10 WS-CPF
│    └──10 WS-DATA-NASCIMENTO
│
├──05 WS-ENDERECO
│    ├──10 WS-RUA
│    ├──10 WS-NUMERO
│    ├──10 WS-CIDADE
│    └──10 WS-CEP
│
└──05 WS-DADOS-BANCARIOS
     ├──10 WS-AGENCIA
     ├──10 WS-CONTA
     └──10 WS-SALDO


             Quanto maior o nível...
                   menor o detalhe.

        01  → Registro completo
        05  → Grupo principal
        10  → Campo
        15  → Subcampo
        20+ → Especializações



                Organização Recomendada

                 +-------------------+
                 |   01 WS-CLIENTE   |
                 +-------------------+
                          │
          ┌───────────────┼───────────────┐
          ▼               ▼               ▼
     IDENTIFICAÇÃO    ENDEREÇO       FINANCEIRO
          │               │               │
          ▼               ▼               ▼
     CPF / Nome      Rua / CEP     Conta / Saldo



                Prefixos Mais Utilizados

WS-  → Working Storage
LK-  → Linkage Section
LS-  → Local Storage
DFH- → CICS
SQL- → DB2
IX-  → Índice
CT-  → Constante
FL-  → Flag
TP-  → Tipo
DT-  → Data
HR-  → Hora
NR-  → Número
CD-  → Código
VLR- → Valor
QTD- → Quantidade



            REDEFINES (Mesma memória)

          +-------------------------+
          |      WS-DADOS           |
          |        X(20)            |
          +-------------------------+
                    ▲
                    │
         REDEFINES  │
                    │
          +-------------------------+
          |       WS-CPF            |
          |        9(20)            |
          +-------------------------+

      Uma única área de memória.
      Duas interpretações diferentes.



             RENAMES (Grupo Lógico)

01 WS-REGISTRO
│
├──05 WS-NOME
├──05 WS-ENDERECO
├──05 WS-CIDADE
└──05 WS-CEP

          │
          ▼

66 WS-DADOS-CADASTRAIS
   RENAMES WS-NOME THRU WS-CEP



             Nível 88 (Legibilidade)

        +-------------------+
        | WS-STATUS    PIC X|
        +-------------------+
               │
        ┌──────┴──────┐
        ▼             ▼
88 WS-ATIVO      88 WS-INATIVO
 VALUE "A"         VALUE "I"

Ao invés de:

IF STATUS = "A"

Escrevemos:

IF WS-ATIVO



              O Fluxo de uma Variável

 Declaração
      │
      ▼
 Inicialização
      │
      ▼
 Validação
      │
      ▼
 Processamento
      │
      ▼
 Saída
      │
      ▼
 Encerramento



      O que um iniciante costuma fazer...

WS-X
WS-AUX
WS-TEMP
WS-AREA
WS-DADOS

                 😢



      O que um profissional faz...

WS-VLR-SALDO-ATUAL
WS-DT-PROCESSAMENTO
WS-QTD-CLIENTES
WS-FL-CONTA-ATIVA
WS-CD-AGENCIA

                 😎



╔════════════════════════════════════════════════════════════╗
║ "Programas envelhecem. Dados permanecem."                 ║
║                                                           ║
║ Quanto melhor a Data Division...                          ║
║ ...mais simples será todo o restante do programa.         ║
╚════════════════════════════════════════════════════════════╝ .


Os erros mais comuns dos iniciantes

  • Variáveis com nomes sem significado.

  • Misturar entrada, saída e trabalho na mesma área.

  • Não utilizar grupos.

  • Declarar tudo como PIC X.

  • Ignorar COMP-3 para valores monetários.

  • Não utilizar nível 88.

  • Criar dezenas de variáveis AUX.

  • Usar REDEFINES sem conhecer o layout.

  • Não inicializar variáveis.

  • Declarar estruturas sem padronização.

  • Copiar layouts diferentes para a mesma área.

  • Esquecer alinhamento e organização.


O estado da arte em 2024

Embora o COBOL tenha mais de seis décadas, a Data Division continua evoluindo.

Nos ambientes modernos do IBM Enterprise COBOL 6.x e z/OS 3.1, as melhores práticas incluem:

  • nomes semânticos e consistentes;

  • estruturas alinhadas a modelos de negócio;

  • uso intensivo de COPYBOOKs compartilhados para evitar duplicação;

  • integração com JSON, XML e APIs REST preservando tipos corretos;

  • preferência por COMP-3 para valores financeiros e COMP/BINARY para cálculos;

  • uso de USAGE INDEX, 88-level, INITIALIZE e funções intrínsecas;

  • validação por ferramentas de análise estática como IBM Application Delivery Foundation, SonarQube (quando integrado) e padrões internos de qualidade.

Em muitos bancos, nenhuma variável nasce por acaso. Ela segue convenções documentadas, passa por revisão técnica e, frequentemente, é reutilizada por dezenas ou centenas de programas por meio de copybooks corporativos. Isso reduz erros, facilita integrações e garante consistência entre sistemas.


Curiosidades

  • O COBOL foi criado em 1959, e sua estrutura hierárquica de dados influenciou diversas linguagens posteriores.

  • Muitos layouts bancários brasileiros (CNAB 240 e 400 posições) dependem diretamente de grupos de níveis (01, 05, 10...) para mapear registros.

  • REDEFINES foi um dos primeiros mecanismos eficientes de reutilização de memória da história das linguagens comerciais.

  • Grandes bancos possuem programas com mais de 40 anos em produção cujas declarações de variáveis permanecem praticamente inalteradas, justamente porque foram bem projetadas desde o início.


A Filosofia Bellacosa Mainframe

Imagine uma biblioteca.

Cada livro possui uma prateleira.

Cada prateleira possui uma categoria.

Cada categoria possui uma etiqueta.

Agora imagine uma biblioteca onde todos os livros estão jogados no chão.

Ambas funcionam.

Mas apenas uma continua funcionando depois de cinquenta anos.

A Data Division é essa biblioteca.

Cada variável é um livro.

Cada nível é uma prateleira.

Cada nome é uma etiqueta.

Quando você declara uma variável pensando apenas no programa de hoje, escreve código.

Quando a declara pensando no colega que fará manutenção daqui a vinte anos, constrói engenharia de software.

E é exatamente essa mentalidade que diferencia um programador COBOL de um verdadeiro profissional de mainframe.

No fim das contas, programas mudam, regras de negócio evoluem e tecnologias se renovam. Uma Data Division bem organizada, porém, continua sendo uma das maiores demonstrações de maturidade técnica que um desenvolvedor pode deixar como legado.


terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Variáveis COBOL: COMP-1, COMP-2, COMP-3, COMP-4, COMP-5, Tipos Numéricos, LEVEL 01, 66, 77, 88

 

Bellacosa Mainframe e a estrutura do cobol com suas variaveis 

Variáveis COBOL: COMP-1, COMP-2, COMP-3, COMP-4, COMP-5, Tipos Numéricos, LEVEL 01, 66, 77, 88

Uma das partes mais importantes do COBOL é o:

tratamento de dados.

O COBOL foi criado para:

  • negócios;

  • bancos;

  • contabilidade;

  • processamento financeiro.

Por isso ele possui um sistema extremamente rico de:

  • variáveis;

  • formatos;

  • níveis;

  • tipos numéricos.


O que é uma variável no COBOL?

Variável é:

uma área de memória usada para armazenar dados.


Exemplo simples

01 WS-NOME PIC X(30).
01 WS-SALDO PIC 9(9)V99.

Estrutura básica de variável COBOL

LEVEL  NOME      PIC

Exemplo

01 WS-IDADE PIC 9(3).

LEVEL NUMBER

O número inicial indica:

nível hierárquico.


Exemplo

01 CLIENTE.
   05 NOME PIC X(30).
   05 IDADE PIC 9(3).

Hierarquia visual

01 CLIENTE
   ↓
05 NOME
05 IDADE

Tipos básicos de dados COBOL


Numérico

Usa:

PIC 9

Exemplo

01 WS-VALOR PIC 9(5).

Aceita:

12345

Alfanumérico

Usa:

PIC X

Exemplo

01 WS-NOME PIC X(20).

Aceita:

  • letras;

  • números;

  • símbolos.


Alfabético

Usa:

PIC A

Exemplo

01 WS-LETRAS PIC A(10).

Aceita:

apenas letras e espaços.


O que é PIC?

Picture Clause

Define:

formato da variável.


Exemplos importantes


PIC X(10)

Texto.


PIC 9(5)

Número inteiro.


PIC 9(5)V99

Decimal implícito.


O que significa V?

Vírgula decimal implícita.


Exemplo

PIC 9(5)V99

Valor:

1234567

Interpretado como:

12345,67

Tipos COMP no COBOL

Os COMP representam:

formatos internos de armazenamento.

Usados para:

  • performance;

  • economia memória;

  • cálculos rápidos.


COMP

Também chamado:

binário.


Exemplo

01 WS-VALOR PIC S9(4) COMP.

Muito usado para:

  • contadores;

  • índices;

  • performance.


COMP-1

Floating Point Simples Precisão


Usa ponto flutuante


Exemplo

01 WS-REAL PIC S9(5)V99 COMP-1.

Muito usado em:

  • cálculos científicos;

  • engenharia.


COMP-2

Floating Point Dupla Precisão


Mais precisão que COMP-1


Exemplo

01 WS-DOUBLE PIC S9(10)V99 COMP-2.

COMP-3

O mais famoso do COBOL.

Packed Decimal


Armazena números compactados

Muito usado em:

  • bancos;

  • financeiro;

  • batch.


Exemplo

01 WS-SALDO PIC S9(7)V99 COMP-3.

Vantagens

  • economiza espaço;

  • excelente precisão decimal.


Muito importante em:

  • dinheiro;

  • contabilidade.


O que causa S0C7?

Frequentemente:

erro em COMP-3 inválido.


COMP-4

Representação:

binária.

Dependente compilador/plataforma.


Exemplo

01 WS-CONTADOR PIC S9(4) COMP-4.

COMP-5

Binário nativo

Mais próximo da arquitetura máquina.


Muito usado em:

  • integração;

  • performance;

  • chamadas sistema.


Exemplo

01 WS-INDICE PIC S9(9) COMP-5.

Diferença simplificada

TipoCaracterística
COMP-1Float simples
COMP-2Float dupla
COMP-3Decimal compactado
COMP-4Binário
COMP-5Binário nativo

O que é VARCHAR no COBOL?

COBOL tradicional não possui VARCHAR nativo como SQL.

Mas pode simular usando:

  • tamanho;

  • conteúdo variável.


Exemplo comum

01 WS-NOME.
   49 WS-NOME-LEN PIC S9(4) COMP.
   49 WS-NOME-TXT PIC X(100).

Muito usado com DB2

Especialmente em:

VARCHAR DB2.


LEVEL NUMBERS no COBOL


LEVEL 01

Maior estrutura lógica.


Exemplo

01 CLIENTE.

LEVEL 05

Subcampo.


LEVEL 49

Muito usado em VARCHAR.


LEVEL 66

RENAMES

Cria nome alternativo para grupo.


Exemplo

66 DADOS-CLIENTE RENAMES NOME THRU SALDO.

LEVEL 77

Variável independente simples.


Exemplo

77 WS-TOTAL PIC 9(5).

Não possui subníveis


LEVEL 88

Condition Name

Muito poderoso no COBOL.

Cria:

condições legíveis.


Exemplo

01 WS-STATUS PIC X.

   88 STATUS-OK VALUE 'S'.
   88 STATUS-ERRO VALUE 'N'.

Uso

IF STATUS-OK

Muito mais legível.


Sem 88 seria:

IF WS-STATUS = 'S'

Vantagens do LEVEL 88

  • legibilidade;

  • manutenção;

  • semântica negócio.


Exemplo real completo

01 CLIENTE.
   05 NOME        PIC X(30).
   05 SALDO       PIC S9(7)V99 COMP-3.
   05 STATUS      PIC X.

      88 ATIVO    VALUE 'A'.
      88 BLOQUEADO VALUE 'B'.

Como isso aparece no dia a dia?

Praticamente em:

  • bancos;

  • PIX;

  • cartões;

  • DB2;

  • batch;

  • CICS.


Curiosidades incríveis

1. COMP-3 é um dos formatos mais famosos do mundo mainframe


2. Muitos sistemas financeiros dependem fortemente de packed decimal


3. LEVEL 88 é amado por programadores COBOL experientes


4. Grande parte dos ABEND S0C7 envolve COMP-3


Erros comuns de iniciantes


1. Confundir PIC X com PIC 9


2. Não entender decimal implícito


3. Usar COMP inadequadamente


4. Ignorar LEVEL 88


Dicas importantes

Use COMP-3 para valores monetários


Use LEVEL 88 para regras negócio


Organize variáveis hierarquicamente


Entenda packed decimal


Resumo rápido

ElementoFunção
PIC XTexto
PIC 9Numérico
PIC AAlfabético
COMP-1Float simples
COMP-2Float dupla
COMP-3Packed decimal
COMP-4Binário
COMP-5Binário nativo
01Estrutura principal
66RENAMES
77Variável isolada
88Condição lógica

Conclusão

O sistema de variáveis do COBOL é extremamente poderoso e foi projetado para suportar processamento corporativo de alta confiabilidade.

Tipos COMP, níveis hierárquicos e estruturas como LEVEL 88 tornam o COBOL ideal para sistemas financeiros críticos no ambiente mainframe IBM Z.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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