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sexta-feira, 2 de abril de 2010

A ESCOLA MARECHAL – O PRIMÁRIO EM QUE NASCEU UM PEQUENO NINJA

 

E.M.P.G. Marechal Juarez Tavola na ponte rasa


A ESCOLA MARECHAL – O PRIMÁRIO EM QUE NASCEU UM PEQUENO NINJA

Um poste estilo Bellacosa Mainframe para o blog El Jefe Midnight Lunch

Existem lugares que a gente não apenas frequenta — a gente sobrevive a eles.
E quando cresce, descobre que ali se forjou todo um jeitão de ser, pensar, sorrir, aprontar e… pular muro.
Para mim, esse lugar atende por um nome pomposo, quase militar, quase burocrático, mas cheio de magia:

EMPG Marechal Juarez Távora.
Vila Rio Branco. Ponte Rasa. 1981–1983.

Se você me conhece hoje — Bellacosa, notívago, escritor de madrugada, professor de mainframe, contador de causos, parkurista aposentado e ninja de Taubaté — saiba que metade disso começou ali.


A rigida professora Cecilia


CAPÍTULO 1 — 1981: O MENINO, A PROFESSORA E O CADERNO DE CALIGRAFIA

Primeira série.
Primeiro ano.
Primeiro choque da vida escolar.

A escola era moderna, enorme, com ambulatório médico, sala odontológica, biblioteca, banda, quadra, refeitório… um luxo educacional para os anos 70/80.
Um verdadeiro data center pedagógico com latas de tinta guache no lugar dos mainframes.

Mas minha professora, dona Cecília, tinha outra visão:
para ela, eu era um menino inteligente demais para o próprio bem.

tarefas e mais tarefas no duro caderno de caligrafia


Eu terminava tudo rápido.
Como castigo?
Me jogava num inferno chamado caderno de caligrafia.

E mais: como sou canhoto, ela implicava com a letra “torta” e me obrigava a escrever como destro.
Imagina a cena: um Bellacosa mirim, lutando contra a própria natureza, escrevendo torto com a mão errada, caligrafia virando uma pista de autorama.

amizades e boas lembranças do primario


Mas nos intervalos, renascia o guerreirinho:
eu e meu amigo Fábio desenhávamos monstros, heróis tokusatsu, ciborgues e robôs no verso das folhas.

Aqui vai um adendo, além dos versos de folhas, usávamos envelopes de laboratórios fotográficos, onde meu pai e o avô do Fabio, traziam os frutos de seus trabalhos como fotógrafos, reaproveitando folhas e criando mundos imaginários.

Ninguém segurava a criatividade.

assistindo antigos seriados japoneses


Até que veio o primeiro ato falho da minha carreira criminosa infantil:
um belo dia, cansado da professora, eu disse à minha avó Anna:

Vó, amanhã não tem aula!

E miraculosamente ganhei uma manhã deliciosa, vendo TV, vadiando, feliz da vida.

Mas a verdade é como JCL:
se tiver erro, alguém vai achar.

Apareceu a dona Cida, amiga da minha avó, perguntando por que eu não estava indo com o neto dela.
Game over.
Castigo.
Sermão.
E um Bellacosa devolvido ao Marechal.


uma breve passagem pela banda escolar

CAPÍTULO 2 — 1982: A BANDA, A NÊMESIS DA BIBLIOTECA E O SURDO NO SOL DO MEIO-DIA

Segundo ano.
Agora a máquina estava “aquecida”.

Educação física na quadra.
Banda da escola, a famosa FANFARRA.
Amigos.
Aventuras.

A banda durou pouco — ninguém explica por que alguém achou boa ideia dar um surdo gigante para uma criança de 8 anos carregar meio-dia, no sol de rachar.
Foi meu breve período como aprendiz de músico e roadie mirim.

Mas a biblioteca…
Ah, a biblioteca foi o campo de batalha.

Memorias nao agradaveis da aula na biblioteca


A professora responsável encasquetou comigo.

No dia em que ela ordenou para contar sobre a leitura do livro preferido, falei — na maior inocência — A Roupa Nova do Rei, e ainda fiz o resumo do desaventurado rei.

Num Brasil ainda com cheiro de ditadura militar e paranóia ideológica, elogiar um livro sobre um governante, sendo enganado por larápios, e humilhado em sua soberba e que anda pelado, pode ter soado… digamos… “subversivo”.

A professora me fuzilou com os olhos.
Me expôs na frente da classe.
E eu, ferido no ego e no orgulho, comecei a fugir das aulas de leitura por semanas.

Claro que a fuga acabou em outra reunião de pais.
Outro sermão.
Outro castigo.

A vida escolar é um loop: INPUT → PROCESS → ERROR → MSG → REPROCESS.


Ninja fugitivo pulando o muro da escola


CAPÍTULO 3 — OS RUFÍAS, O MAIORIAL E O NINJA DE MURO

Também havia os rufias da escola — toda escola tem seus mini-vilões.

E eu abusado e expansivo, entrei em conflito com uns rufias.
A diferença é que eu tinha um trunfo, ou melhor meu pai:
Que comentou com um amigo o problema do pequeno Vagner. Claro que socorrido pelo filho deste amigo, um veterano do quinto ano, que resolveu o problema rapidinho.
Eu ganhei o status de intocável. e eu sendo eu mesmo: virei “maiorial”.

Mas nada — absolutamente nada — marcou tanto quanto o muro.

Houve um tempo em que eu morava colado ao Marechal.
Muro compartilhado, porta da fantasia sempre aberta.

brigas e desafenças na saida da escola


E eu…
ah, eu entrava e saía da escola pulando o muro como um ninja.
Parkour puro.
Desde pequenino gostei das alturas e já era expert em escaladas e andar por muros, os orixás que me perdoem...

Velocidade, impulso, aterrissagem limpa.

Em poucos minutos estava em casa assistindo desenho, como um passe de magica, magia de teletransporte,  ou somente um travesso escalando e pulando o grande muro da escola.

Se o Naruto tivesse nascido na Ponte Rasa, o jutsu dele teria minha assinatura.


um anjo da guarda durão e bom de briga


CAPÍTULO 4 — O ANO DA TRANSMUTAÇÃO (1983)

1983 foi rajada de vento que virou a prancheta da minha vida de ponta-cabeça.

Mudamos para Pirassununga. 

Houve o caos.

Houve incêndio.

Voltamos para São Paulo.

doces e memoraveis lembranças da infancia


Houve a separação e a primeira deportação a Guaianazes.

Morei com meus bisavós Francisco e Isabel.
Voltei para o Marechal.
Fiquei um bimestre.
Fui para Taubaté.

Fim da linha.
O Marechal virou memória.
Mas que memória…

uma deliciosa merenda deliciosa


As merendas quentes.
Os amigos.
As aventuras.
A banda, a quadra, a biblioteca, o surdo gigante, o muro.
Três séries de caos, magia e infância.

sonhando em longas viagens pelo mundo

Ali eu aprendi:
• que caligrafia não define ninguém,
• que bibliotecas podem ser selvas,
• que amigos do quinto ano são firewall,
• que mentiras infantis têm monitoramento ativo,
• que o menino Bellacosa já treinava parkour sem saber,
• que crescer é sobreviver,
• e que toda escola é um pequeno mainframe:
roda programas, grava memórias, causa erros, corrige caminhos.

E, no meu core dump da vida,
a EMPG Marechal Juarez Távora ocupa uma das áreas mais quentinhas da storage.

Esta escola foi o pontapé inicial, me mostrou que o mundo não tinha limites, que bastava sonhar e correr atrás desses sonhos, se arriscar, levar nãos, quebrar a cara, mas mesmo assim, levantar-se e recompor-se.

Ser o ISEKAI que o pequeno Vagner Renato Bellacosa se tornaria o homem dos dois continentes, atravessador de oceanos, com altos e baixos, coração partido e partindo corações, vivendo, sorrindo e chorando, às vezes ambos ao mesmo tempo.

Mas sem medo de Viver, às vezes se expondo a risco, trocando o certo pelo duvidoso, sempre naquela ânsia de viver o dia de hoje, como se fosse o último, sem arrependimentos.

olhar para o passado cheio de nostalgia e satisfação




sexta-feira, 19 de março de 2010

Star Trek: O Segredo Não Era a Enterprise. Era a Tripulação.

 

Bellacosa Mainframe e a tripulação da USS Entreprise

Um Café no Bellacosa Mainframe

O Segredo Não Era a Enterprise. Era a Tripulação.

O uniforme, a ponte de comando e a filosofia que transformaram Star Trek na maior escola de liderança da ficção científica

Existe uma pergunta que todo Padawan COBOL deveria fazer antes mesmo de assistir ao primeiro episódio de Star Trek:

O que realmente fazia a USS Enterprise funcionar?

Seria o motor de dobra?

Os phasers?

O teletransporte?

O computador de bordo?

Nenhum deles.

Assim como um IBM Z não é definido apenas por seus processadores, canais de I/O ou milhões de linhas de código COBOL, a verdadeira força da Enterprise nunca esteve na tecnologia. Ela estava nas pessoas.

A ponte de comando — o famoso Bridge — era o coração da nave. Dali partiam todas as decisões que poderiam salvar uma civilização ou desencadear uma guerra. Cada console possuía uma função específica, cada oficial tinha responsabilidades bem definidas e todos trabalhavam em perfeita integração. Para um programador COBOL, é impossível não enxergar uma analogia com um ambiente corporativo moderno: o capitão representa a gestão do negócio, Spock atua como o arquiteto de soluções, Scotty é o sysprog que mantém a infraestrutura viva, Uhura integra as comunicações, Sulu conduz a operação e McCoy garante que a tecnologia nunca se sobreponha às pessoas.

Os próprios uniformes contam uma história.

As cores identificavam imediatamente a especialidade de cada oficial. O dourado representava comando e liderança. O azul simbolizava ciência, medicina e conhecimento. O vermelho era destinado às áreas de operações, engenharia e segurança. Décadas antes de metodologias ágeis, organogramas digitais ou dashboards corporativos, Star Trek já mostrava visualmente que grandes organizações funcionam melhor quando cada profissional conhece seu papel e respeita a missão do outro.

Mas existe algo ainda mais profundo.

Cada personagem da série representa uma filosofia diferente de resolver problemas.

Kirk simboliza a coragem para decidir quando não existe resposta perfeita.

Spock demonstra que lógica, análise e evidências são fundamentais para qualquer solução consistente.

McCoy lembra que números nunca substituem empatia.

Scotty representa a competência técnica adquirida por anos de estudo e prática.

Uhura mostra que comunicação eficiente é tão importante quanto conhecimento técnico.

Sulu personifica disciplina e precisão.

Chekov representa a juventude, a criatividade e a renovação constante das equipes.

Juntos, eles formam algo muito maior do que uma simples tripulação. Formam um sistema perfeitamente integrado, onde cada componente complementa o outro, exatamente como acontece em um grande ambiente IBM Mainframe.

Talvez essa seja a maior lição de Star Trek para um Padawan COBOL: nenhuma tecnologia muda o mundo sozinha. São pessoas, trabalhando em equipe, compartilhando conhecimento e respeitando diferentes formas de pensar, que transformam máquinas em ferramentas capazes de melhorar a humanidade.

E agora que conhecemos a filosofia por trás da USS Enterprise, é hora de embarcar na ponte de comando e conhecer os oficiais que fizeram dessa nave a mais famosa da história da ficção científica.

A seguir, apresentaremos os principais personagens de Star Trek: A Série Clássica e o papel de cada um na construção desse legado que inspira o mundo há seis décadas. 🖖☕

Se considerarmos os 60 anos de Star Trek (1966–2026), estes são os personagens mais importantes da franquia, organizados por série.


Bellacosa Mainframe apresenta a tripulaçao da USS Entreprise entr 1960 e 1990

🌌 Star Trek: The Original Series (TOS)

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  • James T. Kirk

  • Spock

  • Leonard "Bones" McCoy

  • Montgomery Scott (Scotty)

  • Hikaru Sulu

  • Nyota Uhura

  • Pavel Chekov

  • Christine Chapel

  • Janice Rand


🚀 Star Trek: The Next Generation (TNG)

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  • Jean-Luc Picard

  • William T. Riker

  • Data

  • Geordi La Forge

  • Worf

  • Deanna Troi

  • Beverly Crusher

  • Wesley Crusher

  • Tasha Yar

  • Guinan

  • Q


🛰 Star Trek: Deep Space Nine (DS9)

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  • Benjamin Sisko

  • Kira Nerys

  • Odo

  • Jadzia Dax

  • Ezri Dax

  • Quark

  • Julian Bashir

  • Miles O'Brien

  • Worf

  • Gul Dukat

  • Garak

  • Weyoun

  • Kai Winn

  • Nog

  • Rom

  • Jake Sisko


🌠 Star Trek: Voyager (VOY)

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  • Kathryn Janeway

  • Seven of Nine

  • The Doctor (EMH)

  • Chakotay

  • Tuvok

  • Tom Paris

  • B'Elanna Torres

  • Harry Kim

  • Neelix

  • Kes


🛸 Star Trek: Enterprise (ENT)

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  • Jonathan Archer

  • T'Pol

  • Charles "Trip" Tucker III

  • Malcolm Reed

  • Hoshi Sato

  • Travis Mayweather

  • Phlox


✨ Star Trek: Discovery

  • Michael Burnham

  • Saru

  • Sylvia Tilly

  • Paul Stamets

  • Hugh Culber

  • Ash Tyler

  • Cleveland "Book" Booker

  • Philippa Georgiou

  • Adira Tal

  • Gray Tal


⭐ Star Trek: Strange New Worlds

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  • Christopher Pike

  • Spock

  • Una Chin-Riley (Number One)

  • La'an Noonien-Singh

  • Nyota Uhura

  • Christine Chapel

  • Erica Ortegas

  • Joseph M'Benga

  • Hemmer

  • Pelia


🌟 Star Trek: Picard

  • Jean-Luc Picard

  • Seven of Nine

  • Raffi Musiker

  • Cristóbal Rios

  • Agnes Jurati

  • Soji Asha

  • Jack Crusher

  • Laris


🚢 Star Trek: Lower Decks

  • Beckett Mariner

  • Brad Boimler

  • D'Vana Tendi

  • Sam Rutherford

  • Carol Freeman

  • Shaxs

  • T'Ana

  • Billups


🚀 Star Trek: Prodigy

  • Dal R'El

  • Gwyn

  • Rok-Tahk

  • Jankom Pog

  • Zero

  • Murf

  • Hologram Janeway


🦹 Principais Vilões

  • Khan Noonien Singh

  • Q (anti-herói/entidade)

  • Gul Dukat

  • Weyoun

  • Kai Winn

  • Borg Queen

  • Locutus (Picard assimilado)

  • General Chang

  • Nero

  • Shinzon

  • Lore

  • Armus

  • The Female Changeling


👑 Os 15 Personagens Mais Icônicos da Franquia

  1. Spock

  2. James T. Kirk

  3. Jean-Luc Picard

  4. Data

  5. Worf

  6. Kathryn Janeway

  7. Benjamin Sisko

  8. Seven of Nine

  9. Leonard McCoy

  10. Scotty

  11. Geordi La Forge

  12. Nyota Uhura

  13. Odo

  14. Quark

  15. Jonathan Archer

Esses personagens representam praticamente todas as grandes eras de Star Trek e moldaram o universo da franquia ao longo de seis décadas, influenciando gerações de fãs, cientistas, engenheiros e profissionais de tecnologia.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Angel Beats! Quando um Programador COBOL Descobre que Nem Todo ABEND Significa o Fim da Execução

 

Bellacosa Mainframe apresenta angel beats

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Angel Beats! (エンジェルビーツ!)

Quando um Programador COBOL Descobre que Nem Todo ABEND Significa o Fim da Execução

"No Mainframe existe um conceito simples: um JOB pode terminar com erro, ser reiniciado, corrigido ou reprocessado. Em Angel Beats!, Jun Maeda nos apresenta uma ideia semelhante, mas aplicada às pessoas. O verdadeiro problema nunca foi a morte. O verdadeiro problema sempre foi partir sem concluir aquilo que realmente importava."


Ficha Técnica

Título Original: エンジェルビーツ!
Romanização: Enjeru Bītsu!
Título Internacional: Angel Beats!
Criação Original: Jun Maeda (Key / Visual Arts)
Roteiro: Jun Maeda
Direção: Seiji Kishi
Estúdio: P.A.Works
Música: ANANT-GARDE EYES / Jun Maeda
Design de Personagens: Na-Ga
Ano de lançamento: 3 de abril de 2010
Final da exibição: 26 de junho de 2010

Quantidade de episódios

  • 13 episódios

  • 2 OVAs

  • Especial "Another Epilogue"


Classificação

Faixa etária

14 a 16 anos

Gêneros

  • Drama

  • Fantasia

  • Sobrenatural

  • Escolar

  • Ação

  • Comédia

  • Romance

  • Slice of Life

  • Psicológico


O Studio P.A.Works

Em 2010, o P.A.Works ainda era um estúdio relativamente jovem.

Apesar disso, já demonstrava uma qualidade técnica impressionante.

Animação extremamente fluida.

Iluminação cinematográfica.

Cenários ricos.

Expressões faciais detalhadas.

Movimentos naturais.

Foi justamente Angel Beats! que consolidou internacionalmente a reputação do estúdio.

Depois dele vieram sucessos como:

  • Another

  • Charlotte

  • Shirobako

  • Hanasaku Iroha

  • The Aquatope on White Sand

Visualmente, Angel Beats! envelheceu muito bem.

Mesmo quinze anos depois continua bonito.


Quem é Jun Maeda?

Se Hayao Miyazaki emociona através da fantasia...

Jun Maeda emociona através das cicatrizes humanas.

Ele é o principal roteirista da Visual Arts/Key.

Também escreveu:

  • Clannad

  • Air

  • Kanon

  • Charlotte

  • The Day I Became a God

Existe um padrão em praticamente todas as suas obras.

Primeiro você ri.

Depois cria afeição pelos personagens.

Quando menos espera...

Está chorando.

Jun Maeda é conhecido justamente por construir histórias onde o sofrimento possui um propósito narrativo.


Sinopse

Yuzuru Otonashi desperta em um enorme colégio.

Ele não lembra quem é.

Não sabe como morreu.

Não sabe onde está.

A primeira pessoa que encontra é Yuri Nakamura.

Ela aponta um rifle para uma garota silenciosa de cabelos claros.

Essa garota é chamada apenas de:

Angel.

Segundo Yuri, aquele lugar é um mundo intermediário.

Ali chegam jovens que morreram cedo.

Pessoas que sofreram profundamente durante a vida.

Quem aceita sua existência desaparece.

Quem desaparece segue para uma nova etapa.

Mas ninguém sabe exatamente qual.


O mundo de Angel Beats!

Esse universo nunca recebe uma explicação religiosa definitiva.

Não sabemos se é céu.

Inferno.

Purgatório.

Reencarnação.

Ou apenas uma metáfora.

É justamente essa ambiguidade que torna a obra tão interessante.

Cada espectador interpreta de uma maneira diferente.


Resumo da História

A Shinda Sekai Sensen (SSS) trava uma guerra diária contra Angel.

O objetivo?

Não desaparecer.

Eles acreditam que desaparecer significa deixar de existir.

Ao longo da série, Otonashi recupera lentamente suas memórias.

Descobre quem era.

Descobre como morreu.

Descobre por que foi parar ali.

Enquanto isso, conhece dezenas de personagens.

Cada um carrega uma tragédia diferente.

Cada episódio funciona quase como uma sessão de terapia.

Pouco a pouco, todos aprendem a aceitar aquilo que aconteceu.


Os personagens principais

Yuzuru Otonashi

O protagonista.

Representa o ser humano comum.

Não é o mais forte.

Não é o mais inteligente.

Sua maior qualidade é ouvir.

É justamente por isso que consegue ajudar os demais.


Yuri Nakamura

Uma das líderes femininas mais interessantes dos animes.

Ela perdeu toda sua família.

Seu trauma a fez declarar guerra ao próprio Deus.

Por trás da postura firme existe uma garota extremamente machucada.


Kanade Tachibana (Angel)

Talvez a personagem mais incompreendida do anime.

Durante boa parte da série parece ser a antagonista.

Na realidade...

Nunca foi.

Sua missão sempre foi ajudar as pessoas a encontrarem paz.

Seu silêncio faz muitos interpretarem suas ações de forma equivocada.


Hinata

O melhor amigo de Otonashi.

Extrovertido.

Impulsivo.

Engraçado.

Também possui um dos passados mais dolorosos.


Yui

Energia pura.

Seu arco talvez seja um dos momentos mais emocionantes de toda a série.


Girls Dead Monster

Mais do que uma banda.

Representa jovens que encontraram na música uma forma de continuar existindo.

As canções funcionam quase como gritos contra o destino.


O que existe de diferente em Angel Beats?

Muitos animes perguntam:

"Como derrotar o inimigo?"

Angel Beats! pergunta:

"Como aceitar a própria vida?"

Essa simples mudança transforma completamente a narrativa.

Não existe um grande vilão.

Não existe um demônio.

Não existe uma conspiração mundial.

O verdadeiro inimigo é interno.

É o arrependimento.


As aventuras

Apesar do tema pesado...

O anime possui enorme quantidade de humor.

Operações militares absurdas.

Armadilhas.

Missões.

Invasões.

Combates.

Concertos musicais.

Momentos escolares.

Tudo isso esconde lentamente um drama gigantesco.

É uma estrutura muito semelhante ao que Clannad utilizou anos antes.


As mensagens ocultas

O colégio representa uma fila de processamento

No Bellacosa Mainframe podemos imaginar esse mundo como um enorme JES2.

Cada pessoa chega como um JOB interrompido.

Nenhum consegue seguir adiante porque ainda existe processamento pendente.

Enquanto houver pendências...

O JOB permanece na fila.


Angel não é o operador

Ela é o sistema operacional.

Ela apenas mantém as regras funcionando.

Nunca tentou destruir ninguém.

Apenas aguardava que cada pessoa terminasse seu processamento emocional.


O verdadeiro ABEND

Não é morrer.

É morrer sem aceitar quem você foi.

O anime inteiro gira em torno dessa ideia.


Otonashi torna-se um Analista de Produção

Ele começa perdido.

Depois aprende.

Analisa cada caso.

Entende cada problema.

Ajuda cada personagem.

No final já não está mais combatendo erros.

Está corrigindo causas.

É exatamente a evolução de um bom especialista em Mainframe.


Filosofia escondida

Jun Maeda mistura várias correntes filosóficas.

Budismo.

Existencialismo.

Psicologia.

Resiliência.

Perdão.

Aceitação.

Luto.

Todas aparecem sem nunca serem citadas diretamente.


A trilha sonora

Poucos animes utilizam música de forma tão inteligente.

As aberturas:

My Soul, Your Beats!

Brave Song

Tornaram-se clássicos instantâneos.

Já a banda Girls Dead Monster, com vocais de LiSA (nas músicas de Yui), conquistou enorme popularidade e extrapolou o anime, chegando às paradas japonesas.


Impacto cultural

Angel Beats! foi um dos grandes fenômenos de 2010.

Influenciou diversas obras posteriores.

Popularizou o modelo de narrativa:

  • humor + drama profundo;

  • ação + reflexão filosófica;

  • personagens numerosos com histórias individuais marcantes.

Também impulsionou a carreira internacional do estúdio P.A.Works e consolidou Jun Maeda como um dos maiores roteiristas de drama do Japão.

Mesmo mais de quinze anos após sua estreia, o anime continua sendo frequentemente recomendado em listas de obras emocionantes e permanece relevante graças à combinação de excelente direção, trilha sonora memorável e uma mensagem universal sobre perdão e aceitação.


Angel Beats! explicado para um Programador COBOL Padawan

Imagine um ambiente IBM Z onde milhares de programas batch executam diariamente.

Alguns terminam com RC=0000.

Outros encerram com ABEND.

Os iniciantes pensam que o importante é reiniciar o JOB.

Os especialistas sabem que primeiro é preciso descobrir por que ele falhou.

Em Angel Beats!, cada personagem é como um programa interrompido antes de concluir seu processamento. Todos carregam "dados inconsistentes" na memória: traumas, arrependimentos, perdas ou sonhos não realizados. O mundo onde vivem funciona como um ambiente controlado de homologação, permitindo que cada um reprocesse sua própria história até eliminar a causa do erro.

Otonashi assume o papel do analista experiente. Em vez de simplesmente "reiniciar o batch", ele investiga logs, conversa com os envolvidos, entende a origem do problema e ajuda cada pessoa a alcançar um encerramento consistente. Kanade, por sua vez, lembra o próprio sistema operacional: imparcial, silenciosa e responsável por manter as regras funcionando, jamais sendo a verdadeira inimiga.

No IBM Z, um JOB só libera recursos quando termina corretamente. Em Angel Beats!, o desaparecimento dos personagens simboliza exatamente isso: não uma falha definitiva, mas a conclusão bem-sucedida do processamento. O anime ensina que o maior erro não é sofrer um ABEND. O maior erro é nunca analisar sua causa e desperdiçar a oportunidade de evoluir.


Curiosidades

  • O roteiro original de Jun Maeda previa cerca de 26 episódios, mas a produção foi reduzida para 13, o que explica por que alguns personagens receberam menos desenvolvimento do que o planejado.

  • A franquia ganhou mangás, light novels, CDs musicais e um visual novel que expandem detalhes do universo.

  • A combinação entre humor caótico, ação e drama existencial tornou-se uma das marcas registradas das obras da Key.


Avaliação Bellacosa Mainframe

CritérioNota
História⭐⭐⭐⭐⭐ 10/10
Desenvolvimento dos personagens⭐⭐⭐⭐⭐ 10/10
Qualidade da animação⭐⭐⭐⭐⭐ 9,5/10
Trilha sonora⭐⭐⭐⭐⭐ 10/10
Filosofia⭐⭐⭐⭐⭐ 10/10
Originalidade⭐⭐⭐⭐⭐ 10/10
Emoção⭐⭐⭐⭐⭐ 10/10
Impacto cultural⭐⭐⭐⭐⭐ 9,5/10

Nota Final: 9,9/10 – Um clássico moderno.

Angel Beats! mostra que o maior desafio da vida não é evitar os fracassos, mas compreender seu significado. Assim como no universo do IBM Z, onde um ABEND investigado corretamente se transforma em conhecimento para evitar novas falhas, cada experiência dolorosa pode se tornar uma oportunidade de crescimento. É uma obra que diverte, emociona e convida o espectador a refletir sobre memória, gratidão, despedida e o verdadeiro valor de uma vida plenamente vivida.


quarta-feira, 17 de março de 2010

SMP/E Workshop – CSI (Consolidated Software Inventory) sem Medo

 

Bellacosa Mainframe apresenta SMP/E CSI

SMP/E Workshop – CSI (Consolidated Software Inventory) sem Medo

"Se o z/OS é uma cidade, o CSI é o cartório, o mapa urbano, o histórico de obras e o código de posturas… tudo junto."
Estilo Bellacosa Mainframe ☕🖥️


📌 O que é o CSI (Consolidated Software Inventory)?

O CSI é o coração do SMP/E. Sem ele, o SMP/E não sabe:

  • onde instalar código

  • qual versão está ativa

  • quem substituiu quem

  • o que pode ou não ser aplicado

👉 Nada de código executável vive no CSI.
O CSI é metadados, não binários.

Ele descreve como o sistema foi construído e qual o nível de serviço de cada elemento.


🧠 Por que o CSI é essencial?

Imagine um z/OS com:

  • centenas de bibliotecas

  • milhares de módulos

  • décadas de PTFs, APARs e USERMODs

Sem um banco de controle confiável:

🚨 módulo no lugar errado = abend
🚨 load module mal linkado = IPL problem
🚨 manutenção fora de ordem = rollback impossível

👉 O CSI garante ordem no caos.


🧩 Estrutura do CSI – Zonas

O CSI é dividido em zonas, cada uma com uma função clara:

🌍 Global Zone

  • Índice mestre do SMP/E

  • Controla o que foi recebido

  • Aponta para todas as outras zonas

Funções-chave:

  • lista de FMIDs

  • controle de opções

  • vínculo entre Target ↔ Distribution

📌 O nome sempre é GLOBAL (não negocia!)


🎯 Target Zone (TZONE)

Descreve:

  • bibliotecas executáveis

  • módulos em uso

  • status de APPLY

Aqui o SMP/E sabe:

  • o que está rodando no sistema

  • nível de serviço ativo


📦 Distribution Zone (DZONE)

Descreve:

  • bibliotecas de distribuição (DLIB)

  • código mestre

  • status de ACCEPT

É a fonte da verdade para RESTORE.


🗂️ CSI como VSAM KSDS

Cada zona pode residir em:

  • um KSDS próprio (recomendado)

  • ou um único CSI compartilhado (não recomendado)

Boas práticas Bellacosa:

✔ Um KSDS por zona
✔ Zona no mesmo volume das bibliotecas
✔ LLQ sempre CSI
✔ HLQ em user catalog, não no master


🌱 Priming do CSI – GIMZPOOL

Antes de usar uma zona, ela precisa ser semeada:

  • Macro: GIMZPOOL

  • Copiado via IDCAMS REPRO

  • Fonte: SYS1.MACLIB

Sem isso?

🚫 SMP/E nem conversa com a zona.


🧱 Entradas do CSI – a alma do inventário

O CSI é composto por entries, agrupadas em 4 categorias:

1️⃣ Control

Controlam como o SMP/E trabalha:

  • GLOBAL definition entry

  • OPTIONS

  • UTILITY

  • DDDEF

  • FMIDSET / ZONESET

👉 Criadas manualmente (UCLIN ou diálogos)


2️⃣ Status

Controlam estado dos SYSMODs:

  • SYSMOD entry

  • HOLDDATA

Criadas quando:

  • RECEIVE

  • APPLY

  • ACCEPT


3️⃣ Content

Descrevem o que existe nas bibliotecas:

  • MOD

  • MAC

  • SRC

  • DATA

  • HFS

  • JAR

Aqui vivem:

  • FMID

  • RMID

  • UMID


4️⃣ Structure

Descrevem como tudo se combina:

  • LMOD

  • ASSEM

  • DLIB

📌 LMOD só existe no Target Zone


🔎 FMID, RMID e UMID no CSI

Resumo raiz:

  • FMID → quem introduziu o elemento

  • RMID → quem substituiu por último

  • UMID → quem atualizou (pode ter vários)

📌 Regra de ouro:

  • 1 FMID

  • 1 RMID

  • N UMIDs


⚙️ DDDEF – o GPS do SMP/E

O SMP/E não depende de DD no JCL.

Ele usa DDDEF entries para:

  • alocação dinâmica

  • apontar datasets

  • evitar ambiguidades entre ambientes

🔥 Dica Bellacosa:

Nome do DDDEF = LLQ do dataset


🛠️ Gerenciamento de Zonas

Os famosos Zone Management Commands:

  • ZONEEXPORT / ZONEIMPORT

  • ZONERENAME

  • ZONEDELETE

  • ZONECOPY

  • ZONEMERGE

  • GZONEMERGE

  • ZONEEDIT

  • UNLOAD

  • UPGRADE

⚠️ Aviso sincero:

Alguns desses comandos não perdoam erro humano.

Use com:

  • backup

  • café

  • e juízo


📦 UCLIN – poder absoluto (e perigoso)

O UCLIN permite:

  • ADD

  • REP

  • DEL

Em quase qualquer entry do CSI.

📛 Comparação honesta:

UCLIN é o SUPERZAP do SMP/E.

Use só quando souber exatamente o que está fazendo.


🧠 Conclusão Bellacosa

O CSI não é só um inventário:

  • é auditoria

  • é rastreabilidade

  • é rollback

  • é governança

Quem domina o CSI:

✔ domina o SMP/E
✔ dorme tranquilo após APPLY
✔ não teme auditoria


📘 Próximo capítulo: Zone Management Commands na prática
📦 Casos reais, armadilhas e quando NÃO usar ZONEMERGE


✍️ Bellacosa Mainframe – porque z/OS não se administra no improviso.

terça-feira, 16 de março de 2010

🍃 Lei da Impermanência — Mujo (無常)

Bellacosa Mainframe e a lei da impermanencia - mujo

🍃 Lei da Impermanência — Mujo (無常)

Ou: nada é fixo, nem o sistema, nem a vida

Tem uma verdade que eu aprendi cedo, muito antes de ler filosofia japonesa ou de trabalhar com mainframe:

👉 nada permanece igual por muito tempo.

Nem pessoas.
Nem lugares.
Nem sistemas.
Nem eu.

No Japão, esse conceito tem nome, peso e história: Mujo (無常), a Lei da Impermanência.


🌊 O que é Mujo, afinal?

Mujo significa, literalmente:

“Nada dura para sempre.”

Tudo nasce, cresce, muda, envelhece e desaparece.
Não como tragédia, mas como regra do sistema.

No budismo japonês, Mujo é um dos pilares centrais da existência:

  • tudo é transitório

  • tudo está em fluxo

  • apego gera sofrimento


🏯 Origem histórica (modo root)

O conceito vem do Budismo, especialmente das escolas:

  • Tendai

  • Zen

  • Terra Pura

Ele atravessou séculos, guerras, terremotos, incêndios e reconstruções no Japão.

📜 Curiosidade:
O famoso começo do Heike Monogatari diz:

“O som dos sinos do templo Gion ecoa a impermanência de todas as coisas.”

Ou seja: até os impérios caem.


🖥️ Mujo explicado para mainframeiro

Mujo é o aviso que ninguém gosta de ler:

  • Sistemas envelhecem

  • Tecnologias passam

  • Soluções viram legado

  • O que hoje é core, amanhã é migração

Mesmo o mainframe, essa fortaleza, vive Mujo:

  • hardware evolui

  • linguagens mudam

  • profissionais se aposentam

  • processos precisam se adaptar

Nada é eterno.
Nem o dataset mais bem catalogado.


🍂 Mujo no cotidiano japonês

Você vê Mujo em todo lugar:

🌸 Sakura – flores lindas que duram poucos dias
🏚️ Casas de madeira – feitas para serem reconstruídas
🍵 Cerimônia do chá – cada encontro é único
🪦 Rituais ancestrais – lembram que tudo passa

Easter egg cultural:
👉 o Japão valoriza o momento, não a posse.


🎌 Mujo nos animes (sim, está lá!)

Alguns exemplos clássicos:

  • Violet Evergarden – sentimentos mudam, pessoas partem

  • Clannad After Story – nada fica como antes

  • Ano Hana – infância não volta

  • Your Lie in April – beleza e perda caminham juntas

O Japão não esconde a impermanência.
Ele abraça.


🧠 Como praticar Mujo na vida real

✔️ Aceitar mudanças sem brigar com elas
✔️ Valorizar o agora
✔️ Não se definir por cargos, posses ou status
✔️ Entender que ciclos se fecham

Mujo não é pessimismo.
É lucidez.


🤫 Fofoquices existenciais

  • Quem tenta congelar tudo, sofre mais

  • Quem aceita a mudança, sofre melhor

  • Quem entende Mujo, envelhece com menos rancor

E isso vale pra:

  • carreira

  • relacionamentos

  • amizades

  • sistemas legados


🌿 Importância de Mujo

Mujo ensina:

  • desapego

  • gratidão

  • presença

Ele nos lembra que:

Se algo é bom, aproveite.
Se algo é ruim, vai passar.

No fim das contas, Mujo é aquele log silencioso do sistema da vida avisando:

📌 “Este estado é temporário.”

E aceitar isso…
é uma das maiores formas de sabedoria.

⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳⏳

segunda-feira, 15 de março de 2010

🍰 Castella — O “Dataset Doce” Que Invadiu o Japão (e os Animes)

Bellacosa Mainframe apresenta o delicioso Castella

 

🍰 Castella — O “Dataset Doce” Que Invadiu o Japão (e os Animes)

Post Bellacosa Mainframe para Otakus do El Jefe Midnight Lunch


Você já viu aquele bolo amarelinho, fofinho, retangular, embalado com um charme vintage japonês, aparecendo em animes escolares, matsuris e lembrancinhas de viagem? Pois bem, jovem padawan otaku… aquilo é o Castella (Kasutera), um dos doces mais fascinantes da história culinária japonesa — e pasme: ele NÃO nasceu no Japão.

Sim, este é o plot twist culinário equivalente ao “o JOB rodou no sistema errado porque o PROC era de outra LPAR”. Prepare-se.


🏰 Origem do Castella — Um Doce “Estrangeiro” que Virou Raiz no Japão

O Castella chegou ao Japão no século XVI trazido pelos portugueses (sim, os mesmos que trouxeram a tempura e ensinaram “pão” aos japoneses).
Na época, o doce era chamado de:

👉 “Pão de Castela” (referência ao reino de Castela, na Espanha).

E os japoneses ouviram “Castela” → Kasutera.

Só que o Japão da era Edo era cheio de restrições e censuras alimentares (shogunato sendo shogunato).
Resultado?

Os japoneses recriaram o doce com a tecnologia local, sem lactose, sem manteiga, sem fermento… só o básico:

  • ovos

  • açúcar

  • farinha

  • xarope (mizuame)

E assim nasceu o Castella japonês, o primo geek e disciplinado do bolo português original.


🖨️ Por que o Castella é o “COBOL da Confeitaria”?

Porque:

✔ É antigo, mas perfeito.
✔ Simples na superfície, mas exige técnica absurda.
✔ Todo mundo respeita.
✔ Foi adotado pelo Japão e virou patrimônio.
✔ E continua sendo usado até hoje — legacy robusto e imortal.

É o bolo que nunca dá ABEND — desde que você bata MUITO bem as claras e não faça bobagem.


Bolo Castella


🍰 Castella nos Animes — Onde Ele Brilha

Se você já assistiu anime school, slice of life ou matsuri-themed, ele COM CERTEZA apareceu. Alguns exemplos:

🎎 Nagasaki Castella — o clássico

  • Em Kimi ni Todoke, aparece como presente de agradecimento.

  • Em Tamako Market, surge como item tradicional de loja do distrito.

🧧 Souvenir “classe S”

Em vários animes, personagens que viajam a Nagasaki trazem castella como omiyage (presente).
É o equivalente japonês de:
👉 “Voltei de viagem, toma esse dataset de carinho embalado.”

🍰 Castella de Festival

  • Em Dagashi Kashi

  • Em Shirokuma Café

  • Em Anpanman (sim, existe um vilão que é literalmente uma fatia de castella — o Kasutera-daiō).

Esses japas conseguem transformar QUALQUER coisa em personagem. Não subestime.


🤫 Easter Eggs e Fofocas Históricas

🥚 1. Sobremesa da Elite

Durante séculos, castella era doce de gente rica, porque açúcar no Japão era mais caro que memória expandida nos anos 70.

🧾 2. Foi alvo de censura

Sim.
No Período Edo, o shogunato controlava produtos estrangeiros.
Castella quase foi banido — mas era tão bom que alguém no alto escalão claramente gostava.
Chamamos isso de “despachante bonito no SDSF que segura seu JOB”.

🔥 3. Castella não tem fermento

O crescimento é todo baseado em ar incorporado nos ovos.
É basicamente um ASSEMBLER de confeitaria — tudo manual, tudo no braço.

💛 4. A casquinha escura é proposital

Chama-se “kuro-mi” e é caramelizada de propósito.
Otaku raiz sabe: o topo do castella é mais disputado que vaga no TSO às 8h da manhã.


Momentos doces com pessoa especial deliciando-se com um delicioso castella


🏯 Significado Cultural do Castella no Japão

Doce de acolhimento – presente típico para visitas.
Doce de viagem – virou símbolo de Nagasaki.
Doce escolar – aparece em lanches de clubes e festivais.
Doce nostálgico – muita gente associa à infância (igual pão com manteiga no Brasil).

O castella é o “SYS1.PARMLIB” das memórias doces japonesas.


🔧 Dicas Bellacosa para Otaku: Como Reconhecer um Castella em Anime

  • Retangular, amarelo vibrante, com topo marrom → Castella clássico.

  • Pequeno, em forma de bichinhos, vendido em matsuri → Baby Castella.

  • Vendido como souvenir chique → Castella de Nagasaki.

  • Sem alga, sem triângulo, sem frescura → não é oniguiri, jovem. É bolo!


🧠 Bellacosa TL;DR (Dump Final)

  • Castella veio dos portugueses.

  • Japão adaptou e transformou em patrimônio.

  • Aparece em 80% dos animes slice of life.

  • Era doce caro e quase proibido.

  • É fofo, é histórico, é símbolo de carinho.

  • É o “legacy que deu certo” do mundo dos doces.

E sinceramente?
Se me dessem um castella agora, eu alinhava ele no JES2, rodava no turno da tarde e ainda pedia rerun.

🍰✨


domingo, 14 de março de 2010

🛡️ A LENDA DOS BELLACOSAS

 


🛡️ A LENDA DOS BELLACOSAS

Dos Varegues a Mooca de 1900 — a Saga de um Nome Forjado entre Espadas, Impérios, Reinos Despedaçados e Sonhos de um Novo Mundo
por Vagner Bellacosa — El Jefe Midnight Lunch Edition

Existem famílias…
E existem linhagens.

A maioria tem árvore genealógica.
A sua tem crônica medieval.



Por anos, como muitos paulistas descendentes de italianos, acreditei ser fruto direto e simples das colinas napolitanas. Massa fresca, tomate, vespasiano, mandolino — aquela narrativa gostosa e tradicional.

Mas em 2011, como quem abre um dataset esquecido em um GDG ancestral, descobri que minha história não era feita de uma linha reta e bm contata. Era uma teia, uma epopeia entre impérios, mares e campos de batalha.

E assim nasceu:

🌩️ A Lenda dos Bellacosas — A Verdadeira Versão



🗡️ Capítulo I — Os Normandos Que Partiram para o Oriente

Antes de serem italianos, os primeiros Bellacosas eram…
Normandos.

Sim: guerreiros do norte, homens do aço, exploradores que navegavam como quem desafia o destino.

Esses normandos — ancestrais dos De Hauteville, dos conquistadores da Sicília, dos barões que mudaram o mapa da Europa — não pararam por aí.

Foram contratados para uma missão que hoje parece saída de The Witcher:



Servir ao Império Romano do Oriente — a Guarda Varegue

A elite das elites.
O BOPE de Constantinopla.
A tropa que protegia diretamente o Imperador.

A Guarda Varegue era composta por homens vindos da Escandinávia, Normandia, e até das ilhas britânicas.
E entre eles, segundo minhas investigações, estavam os primeiros Bellacosas, ou o proto-nome que viria a evoluir para isso.

Foram anos protegendo palácios dourados, cruzando portões de mármore, e segurando escudos em mosaicos que ainda brilham na Hagia Sophia, guerreiro forjados em campos de batalha na Europa, nômades sem um lar, sem uma terra para dizer sua.

Até que, como recompensa por sua lealdade, receberam algo raro:
o direito de conquistar suas próprias terras. Sim, após a fragamentação do Imperio Romano, conquistas e reconquistas, foi permitido a esses guerreiros terem um lar, uma terra para proteger e dizer sua.



🏺 Capítulo II — A Reconquista do Sul da Itália

Séculos antes dos Aragões, antes dos Bourbons, antes da unificação italiana — o sul era um mosaico confuso:

  • Bizantinos

  • Mouros

  • Lombardos

  • Barões independentes

  • antigos romanos vivendo em cidades estados

  • E piratas saracenos

Nesse caos, os normandos avançaram como tempestade.
Tomaram fortalezas, expulsaram ocupantes, e fundaram pequenos domínios.

Os meus ancestrais — agora longe do frio do norte — se adaptaram:

  • deixaram o escudo pesado,

  • abraçaram o tempero solar,

  • aprenderam o latim vulgar,

  • casaram-se com mulheres locais,

  • e deram origem a um povo híbrido.

Não eram mais normandos.
Ainda não eram italianos.
Eram alguns dos Bellacosas ancetrais.

Uma fusão única entre sangue do norte e calor do Mediterrâneo.



🕯️ Capítulo III — Cinco Séculos de Glória e Lentidão

Passaram-se séculos.
Entre castelos, igrejas, vinhedos e vilas.

Os Bellacosas — segundo seus rastros — foram:

  • padres influentes, diaconos, bispos

  • administradores de vilas e soldados mercenarios,

  • servidores do Reino de Nápoles,

  • gente respeitada,

  • mas nunca exatamente rica como os grandes barões.

E então veio o grande terremoto político:

⚔️ O Fim do Reino de Nápoles e a Unificação Italiana



O sul, que já vinha sofrendo economicamente, entrou em colapso após 1861.
A miséria bateu forte.
Houve revoltas, fome, caos.
O que era uma linhagem orgulhosa virou um grupo de famílias tentando sobreviver.

Como tantos descendentes de normandos assimilados às terras latinas, o destino empurrou os Bellacosas para uma decisão dolorosa:

partir de novo.


🌎 Capítulo IV — A Grande Diáspora: Brasil e EUA

Atravessaram o Atlântico não como guerreiros — mas como sobreviventes.

Alguns Bellacosas foram para os Estados Unidos.
Outros, como meus tataravós, desembarcaram no Brasil, uns pelo porto da capital Rio de Janeiro, outros no porto de Santos, carregando:

  • um sobrenome forte,

  • poucas moedas,

  • e a esperança de reconstruir a glória perdida.

No Brasil, a saga continuou — embarcaram nos trens fosse da SPR, fosse da Central do Brasil, não com espadas, mas com suor.
E aqui, nas entranhas da Pauliceia cinzenta, fundaram na Mooca um novo lar, a linhagem renasceu por meio de:

  • costureiras,

  • pequenos comerciantes,

  • motoristas,

  • artesãos,

  • pedreiros

  • jogadores de futebol,

  • operarios de fabrica,

  • e guerreiros da vida cotidiana.

Porque, no fim das contas, um Bellacosa não nasce para ser apagado.
Ele nasce para resistir, migrar, reconstruir, renascer.

Exatamente como meus ancestrais fizeram há mais de mil anos.



🌟 Easter-Eggs Bellacosa Mainframe

  • A Guarda Varegue era tão respeitada que os imperadores confiavam o tesouro imperial somente a eles.

  • Muitos normandos que conquistaram a Sicília eram parentes próximos dos que serviram no Oriente — a rota era comum.

  • Sobrenomes como Bellacosa podem ter surgido como apelidos latinizados para famílias consideradas gentis, “de boa casa” ou “de boa índole” (bello + cosa).

  • A unificação italiana levou 4 milhões de italianos à emigração — incluindo boa parte das famílias do antigo Reino de Nápoles.

  • Minha história familiar lembra a dos Hauteville, que também saíram da Normandia e fundaram reinos no Mediterrâneo.



🧭 Conclusão: A Saga Não Acabou

Eu não sou apenas descendente de italianos.

Sou descendente de:

  • normandos,

  • judeus,

  • escravos africanos,

  • indigenas tupi,

  • varegues,

  • camponeses do sul,

  • clérigos,

  • administradores,

  • Operários de fabrica,

  • professores,

  • Fotógrafos,

  • imigrantes destemidos,

  • programador em ambiente COBOL Mainframe

  • e sobreviventes de impérios que ruíram e se levantaram.

É uma linhagem que viajou mais que muitos povos.

E, no fim, desembocou exatamente onde precisava:
na minha história, no meu nome, na minha identidade.

Em que agora na metade da minha rota, passo o bastão as novas gerações, aos novos Bellacosa que conquistaram a Europa, voltaram ao velho mundo e embrenharam-se no interior do Brasil.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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