domingo, 17 de março de 2013

🍰 O Bolo de Fubá, os Peixinhos e o Amor de Terceira Série

 


🍰 O Bolo de Fubá, os Peixinhos e o Amor de Terceira Série

(por Bellacosa Mainframe — Série “Sempre um Isekai” Capítulo III)

Lembranças de Pirassununga.
Um bairro no fim da cidade, onde o asfalto se rendia ao barro e os dias eram longos como verões eternos.
Os córregos serpenteavam preguiçosos entre as pedras, e neles nadavam bagres, lebistes e outros pequenos tesouros líquidos.
Foi ali, num pedaço esquecido do mapa, que vivi um dos capítulos mais doces da minha infância.



Vindo de São Paulo, descobri um mundo novo — sem muros, sem medo, sem pressa.
A liberdade tinha cheiro de mato e som de cigarra.
O pequeno bosque atrás das casas era, aos olhos de um menino de nove anos, uma floresta inteira — densa, misteriosa e cheia de promessas.



Com peneiras, calotas de Fusca e as bacias de revelação fotográfica do meu pai, eu me tornava um caçador de peixinhos.
Levava-os para casa, criava aquários improvisados, nomeava cada um e via neles a mesma curiosidade que eu sentia pelo mundo.



🏫 A sala mágica da professora Maria

Na escola, a professora Maria do 3º ano era uma espécie de arquiteta de sonhos.
Tinha conquistado o privilégio de ter uma sala só sua — uma raridade naquela época.
Transformou o espaço num jardim de ideias: flores, cartazes, livros, desenhos, e um aquário que se tornou o coração pulsante da turma.

Eu trouxe os primeiros peixinhos.
Alimentávamos juntos, trocávamos a água, observávamos suas danças silenciosas.
Entre risadas, descobri algo novo: a amizade, o encanto e aquela leve confusão no peito que, mais tarde, aprenderia a chamar de amor.




💕 Luciana e o bolo de fubá

Havia a Mércia, pela qual eu tinha uma quedinha discreta… mas quem roubou de vez minha atenção foi Luciana, uma menina loirinha, simpática, com olhos curiosos e um sorriso que parecia entender todos os meus segredos.

Um dia, ela me pediu peixinhos — e eu, cavaleiro de nove anos e alma de explorador, prometi levar.
“Mas leva na minha casa, tá?”, disse ela, com medo de derrubar os bichinhos no caminho.

Cheguei com o coração acelerado, segurando o pote com cuidado.
A mãe dela me recebeu com um sorriso que parecia o próprio sol.
Nos deixou brincando no quintal.
E então o ar se encheu de um cheiro inconfundível — bolo de fubá assando no forno.

Foi ali, entre risadas, peixinhos e farelo doce, que ganhei minha primeira namoradinha escolar.
Cada visita era um ritual: ela me esperava, a mãe servia o bolo, e o mundo parecia simples e perfeito.


🌧️ O vento muda

Foram meses felizes, cheios de risadas, sol e inocência.
Mas o destino, caprichoso como sempre, preparava a tempestade de 1983 — mudanças, despedidas e o início de outra jornada.

Antes que tudo mudasse, vivi intensamente cada dia em Pirassununga.
E hoje, décadas depois, basta sentir o cheiro de bolo de fubá para que o tempo se dobre, e eu volte a ser o menino de calças curtas, segurando um vidro com peixinhos e o coração batendo rápido.


☕ Epílogo Bellacosa

Nem todo código é feito de bits.
Alguns são feitos de memórias, sabores e afetos.
Pirassununga foi meu primeiro “sistema” fora do grande centro — um ambiente simples, mas com dados preciosos gravados na alma.

E o bolo de fubá é meu checkpoint de ternura, meu restore point para quando a vida fica pesada.
Porque, no fim, cada lembrança é um backup daquilo que fomos…
E toda infância bem vivida é um programa que ainda roda — mesmo depois de tantos reboots.

#bolofuba #pirassununga #peixinhos 

Ps: Qual caminho a vida da jovem Luciana tomou? O que será dela no século XXI?


domingo, 10 de março de 2013

Atraves do espelho: TSO / ISPF Login Process

 


Através do Espelho: TSO / ISPF Login Process

A porta, o cofre e a sala de controle do IBM z/OS

“Antes de rodar um JOB,
antes de editar um COBOL,
antes de caçar MIPS…
todo mainframeiro passa pelo mesmo ritual.”

O login TSO/ISPF não é apenas um passo técnico.
Ele é o controle de acesso ao coração financeiro do planeta.

Vamos destrinchar esse processo como ele realmente funciona, e por que ele existe desse jeito há décadas — e continua absolutamente atual em 2026.


🧠 Por que o login no mainframe é diferente?

Porque o mainframe não é um notebook pessoal.

Estamos falando de um ambiente:

  • Multiusuário

  • Multiempresa

  • Missão crítica

  • 24x7x365

  • Onde um erro pode parar um país

Logo:

Nada começa sem identidade, autorização e controle.


👤 Passo 1 — User ID: quem é você no mundo z/OS

No IBM z/OS, ninguém é anônimo.

Cada usuário recebe um User ID, que é muito mais do que um “login”.

O User ID define:

👤 Quem você é
🛂 O que você pode ou não acessar
📁 Quais datasets são seus
🗂️ Quais JOBs você pode submeter
🛡️ Quais recursos do sistema você enxerga

Em linguagem Bellacosa:

O User ID é sua identidade civil no mainframe.

Sem ele:

  • Não existe sessão

  • Não existe ISPF

  • Não existe batch

  • Não existe nada


🔐 Passo 2 — Password: provando que você é você

O password valida sua identidade.

Mas aqui não estamos falando de senha fraca de rede social.

No mainframe, o password:

🔐 Protege bilhões em dados
🛡️ Trabalha junto com RACF (ou ACF2 / Top Secret)
📜 Atende políticas rígidas de segurança corporativa
🚨 Bloqueia tentativas indevidas automaticamente

Dica El Jefe:

Errou senha demais?
Bem-vindo ao bloqueio automático e à ligação para o suporte.

Segurança aqui não é opcional, é contrato social.


🧱 Entre o password e o ISPF existe o TSO

Após User ID + Password válidos, acontece algo fundamental:

👉 Uma sessão TSO é criada.

Isso significa:

  • O sistema aloca recursos

  • Controla prioridade

  • Define limites

  • Registra auditoria

Sem TSO:

Não existe interação com o z/OS.

TSO é o ambiente base, invisível para muitos, essencial para todos.


📋 Passo 3 — ISPF Panels: onde o trabalho começa

Só depois disso o usuário entra no ISPF.

ISPF não é login.
ISPF é produtividade.

Os painéis ISPF oferecem:

📋 Menus estruturados
🔢 Navegação clara
✍️ Editores robustos
⚙️ Gestão de datasets, JCL, programas

Em linguagem Bellacosa:

ISPF é a sala de controle.

É ali que:

  • O COBOL nasce

  • O JCL roda

  • O erro aparece

  • O padawan vira mainframeiro


🔁 O fluxo completo, sem romantização

O login real funciona assim:

User ID ↓ Password ↓ Sessão TSO criada ↓ Entrada no ISPF

Ou, resumindo:

Identidade → Autenticação → Sessão → Produtividade


🏗️ Analogia Bellacosa (clássica)

  • User ID → Quem você é

  • Password → Prova que é você

  • TSO → Portaria + controle de acesso

  • ISPF → Sala de operações

Sem portaria:

  • ninguém entra

Sem sala de operações:

  • ninguém trabalha


⚠️ Erros clássicos de padawan

❌ Achar que ISPF faz login
❌ Ignorar o papel do TSO
❌ Não entender RACF
❌ Tratar User ID como “só um login”

Dica de veterano:

Quem entende login entende segurança.
Quem entende segurança nunca é pego de surpresa.


🥚 Easter-eggs do cotidiano z/OS

  • Todo mundo já ficou preso no painel de login

  • Todo mundo já teve User ID revogado

  • Todo mundo já decorou PF3 para sair

  • Todo mundo já respeitou o cadeado 🔐 no RACF


☕ Palavra final do El Jefe

No mainframe, nada começa sem controle.

O processo de login TSO/ISPF não é burocracia.
É engenharia de segurança em escala planetária.

Se TSO é o portão,
e ISPF é a sala de controle…

Então lembre-se:

Só entra quem pode.
Só trabalha quem entende.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Quando a televisão era um altar doméstico, não um catálogo infinito

📺 El Jefe Midnight Lunch – Bellacosa Mainframe Chronicles
Quando a televisão era um altar doméstico, não um catálogo infinito

Há memórias que têm cheiro, têm som, têm textura.
E essa aqui… essa tem chiado de sintonia e luz azulada de tubo aquecendo devagar.

Sim, meu amigo…
teve uma época em que a televisão brasileira era uma entidade única, um monolito sagrado que morava na sala e reinava absoluto.
E reinava porque só existia UM aparelho por casa.
Um.
Único.
Indivisível.
Um verdadeiro mainframe doméstico.



📡 Quatro canais. Quatro universos. E só.

Anos 1970.
Você aí com 300 streams, 500 canais, 12 telinhas e 18 perfis de usuário pode até achar exagero…
mas nós tínhamos quatro canais.

Quatro.
Não quatro páginas de catálogo.
Quatro ofertas de mundo.

E ainda era assim:

  • cada canal com seu próprio humor,

  • sua própria grade fixa,

  • seus horários sagrados.

Nada daquele “vejo depois”.
Nada de on demand.
Nada de maratonar.

A TV é que mandava em nós.
Ela era o scheduler.
Nós éramos o batch.





🔥 A televisão a válvula – a arte da paciência forjada no calor

Você ligava o aparelho e não acontecia…
nada.

Primeiro surgia aquele pontinho branco no meio da tela.
Depois um brilho tímido expandindo.
E aí…
devagarinho
a imagem ia nascendo, como um universo pixelado se formando após o Big Bang.

Demorava.
Demorava MUITO.
Era tipo fazer IPL em mainframe com storage lento.

Mas quando a imagem surgia…
ah, meu amigo…
era como receber o login no TSO depois de dez tentativas.




🔧 Sintonizar era mais difícil que ajustar PARM no JCL

Tinha o chiado.
Tinha a perda de sintonia.
Tinha a antena interna em forma de bigode de gato.
Tinha a antena externa que virava parábola de rádio pirata.
Tinha o clássico:

“Vaguininho, vai lá fora girar a antena!”
— “Assim?”
“Assim não! Volta!”

Até que por milagre — a imagem estabilizava.

E ninguém mais ousava respirar.




🎨 A primeira TV colorida – um portal para outra dimensão

E aí veio a revolução.

Me lembro até hoje da primeira vez que entrei na casa da minha avó e vi uma TV colorida brilhando na sala.

Meu cérebro de criança deu abend S0C7 na hora.

A imagem parecia mais viva, mais quente, mais… impossível.

Mas aí acontecia a parte engraçada:

Metade da programação ainda era em preto e branco.
A TV era colorida…
O conteúdo, não.

Era como comprar um mainframe novo e só rodar programas COBOL escritos em 1962.
Funciona, mas dá uma vontade danada de ver o resto alcançar o hardware.




📼 A guerra da sala – o maior conflito do Brasil pré-Internet

Com um único aparelho na casa inteira, surgia a batalha diária:

  • quem ia ver o desenho,

  • quem ia ver o futebol,

  • quem ia ver a novela,

  • quem tinha prioridade,

  • quem chorava,

  • quem perdia,

  • quem descascava a cabeça do pai até ele mandar todo mundo dormir.

Era a democracia da força, da argumentação, da sorte e, às vezes, da chinelada.



⚡ O dia em que meu pai instalou um transformador

Aí veio o milagre técnico.

Meu pai — o eterno inventor autodidata — comprou um transformador para a TV.
De repente, ligava e…
PÁ!
Imagem instantânea.

Foi como passar de disco rígido para memória flash.

A gente se sentiu vivendo o futuro.


🖥️ Do tubo CRT ao celular – a TV virou trilha

E o tempo passou.
A TV a válvula virou transistor.
O preto e branco virou cor.
O tubo virou plasma.
O plasma virou LCD, que virou LED.
Que virou um monstro de 80 polegadas ocupando metade da sala.

E agora...
a sala está vazia.

Porque a televisão não reina mais.
Ela é só mais um ícone entre os apps.
O trono passou para os tablets e celulares, pequenos oráculos pessoais que cada um leva no bolso.


📌 E eu?

Eu guardo um carinho enorme daquele mundo limitado, chiado, preto e branco…
Porque nele, mesmo com tão pouco, a gente se maravilhava com tudo.

Era como rodar sistema operacional inteiro em 32K de memória:

pouco recurso,
muita imaginação.

Bellacosa out. 📺✨


domingo, 3 de março de 2013

O Dia em que Enfrentamos o Final Boss dos Cabelos Pirassununga, 1983 — “A Guerra dos Piolhos”

 


🪖 El Jefe Midnight Lunch — Crônicas Bellacosa Mainframe

Capítulo: O Dia em que Enfrentamos o Final Boss dos Cabelos
Pirassununga, 1983 — “A Guerra dos Piolhos”

Voltamos a Pirassununga, 1983 — um ano que só pode ter sido escrito por um roteirista bêbado no turno da madrugada, com acesso liberado ao dataset SYS1.RNG. Foi um período cheio, imprevisível, aleatório… um dump completo de caos emocional, social e doméstico.

A casa estava virada de ponta-cabeça.
A infidelidade do meu pai com a jovem Almerinda estourando como bomba no meio da sala. Brigas, choros, portas batendo, tensão no ar… e a grana ficando curta. Minha mãe lutando como podia, numa cidade estranha, sem suporte familiar, tentando segurar as pontas, cuidar da casa, de três pequenos onis e ainda manter a sanidade.



E quando o caos instala-se… o inimigo perfeito encontra brechas.

Foi assim que, sem perceber, fomos invadidos.
Um inimigo discreto, sorrateiro, genuíno profissional do modo stealth.
E quando dei por mim — estávamos em guerra.



Sim, meu caro El Jefe: piolhos.
A invasão dos guerreiros gordinhos com seis garrinhas prontas pra agarrar fio por fio como se escalassem a Torre Negra de Sauron.



Minha mãe, em condições normais, teria percebido na primeira coçadinha suspeita. Ela era quase uma SIEM humana: detectava ameaça antes do log ser gerado. Mas naquela situação… piolho era o menor dos problemas. Até que fomos apanhados na temida revista escolar.

E, ah… a revista escolar dos anos 80.
A metodologia era digna de auditoria militar:

  1. põe as crianças enfileiradas sob o sol;

  2. pente fino manual na cabeça de cada uma;

  3. detectou piolho → GAME OVER, vá pra casa.

Não tinha LGPD, não tinha privacidade, não tinha nada.
Era exposição pública nível console.log na praça.

E quando acharam o pequeno zoológico instalado em nossas cabeças… pronto: fomos despachados com um bilhete gigante recomendando desinfestação imediata, sob pena da humilhação suprema:
raspar a cabeça.

SIM.
A maldita máquina zero.
O boss secreto da aventura.
Aquele que nenhum pequeno oni queria enfrentar.

Voltamos pra casa em pânico.
Ali eu percebi que aqueles insetos eram mais hardcore do que qualquer vilão de desenho japonês: as lendeas presas ao cabelo como se fossem soldadas com superbonder. Coisa de final boss mesmo.

Minha mãe, guerreira do século XX, iniciou o ritual de preparação para a batalha:


🛒 na farmácia: pente fino (arma branca), remédio anti-lêndea (poção rara);
🛒 na mercearia: a arma proibida, a relíquia lendária: a latinha amarela de DDT em pó.



Hoje, século XXI, a ONU, a OMS, o FBI, a NASA e o Vaticano proibiriam tocar nisso.
Mas a infância dos anos 70 e 80 era feita de uma liga mítica, criada antes da queda de Atlântida.
Sobrevivíamos à base de:

  • telhados sem proteção,

  • não usar cinto de segurança em veículos,

  • dormir na traseira da Brasilia ou viajar dentro do cubiculo porta treco do valente volkswagen Fusca azul remendado.

  • andar de bicicleta sem capacete, cotoveleiras e joelheiras.

  • comer frutas duvidosas apanhadas diretamente do pé

  • alimentos não tinham prazo de validade, era tentativa e erro, deu caganeira não pode comer mais.

  • lagos cheios de lodo estilo “slime verde neon”,

  • casinhas de marimbondo,

  • venenos letais,

  • gambiarras elétricas que fariam engenheiros chorar.

  • pediatra era uma vez por ano e olha lá.

E ainda assim… crescíamos rindo.

A operação militar começou.
Minha mãe, com a precisão de um JCL limpo e sem warnings, penteava, passava remédio, aplicava pó, caçava lendea por lendea. Era quase uma raid de MMORPG. Ela era o RAID LEADER. Nós éramos os DPS desesperados. Os piolhos eram o boss com regeneração.

Mas guerreira que é guerreira não falha.
A batalha foi dura, intensa, quase cinematográfica — mas ela venceu.



E os três pequenos onis preservaram suas gloriosas madeixas.
A Máquina Zero não foi usada.
A honra da party foi mantida.

E até hoje, quando lembro daquela epopeia, penso:





Em 1983, a vida era difícil, sim… mas também era épica.

E cada coceira virou história. Cada lendea virou memória.
E cada guerra doméstica absurda virou capítulo do Midnight Lunch.

Até a próxima missão, El Jefe.
E lembre-se:
no mainframe da vida, até piolho vira log importante. 💾🪖✨



Ps: Essa foi a primeira vez contra o Boss Piolhão, esse carinha era o Chuck Norris dos insetos, em outros anos e outras situações. Ele voltou a atacar e dona Merdeces, sempre atenta pronta para o combate, protegendo os seus tesouros ao melhor estilo Dona Florinda, ah esses pequenos onis tem historias para contarem.

sábado, 2 de março de 2013

🧠 Erros Clássicos que Só Aparecem em Produção COBOL IBM Mainframe

 


🧠 Erros Clássicos que Só Aparecem em Produção 

COBOL IBM Mainframe – Manual de Sobrevivência do Padawan

“Em DEV tudo funciona.
Em HOMO quase tudo funciona.
Em PROD… a verdade aparece.”


☠️ 1. S0C7 Fantasma (o mais famoso)

🔥 Sintoma

  • Job rodou meses sem erro

  • Um belo dia: S0C7

🎯 Causa real

  • Campo numérico não inicializado

  • Registro vazio vindo de PROD

  • Arquivo com dado “zoado” (espaço onde deveria ser número)

💀 Por que só em PROD?

  • DEV não tem dados sujos

  • PROD tem histórico de 20 anos

🛠️ Dica Bellacosa™

INITIALIZE WS-AREA

☑️ Nunca confie em dados externos.


☠️ 2. S0C4 Intermitente (o assassino silencioso)

🔥 Sintoma

  • Programa roda 9 vezes

  • Na 10ª, S0C4

🎯 Causa real

  • Ponteiro inválido

  • PERFORM mal fechado

  • Índice fora do limite

💀 Por que só em PROD?

  • Volume alto

  • Caminhos de código raros

🛠️ Dica Bellacosa™

PERFORM VARYING IDX FROM 1 BY 1 UNTIL IDX > MAX

☑️ Nunca confie em índice implícito.



☠️ 3. Loop Infinito que Só Existe à Noite

🔥 Sintoma

  • Job nunca termina

  • CPU sobe

  • Operação liga

🎯 Causa real

  • Condição de saída depende de dado real

  • Arquivo maior que o previsto

  • Flag nunca setada

💀 Por que só em PROD?

  • Volume real

  • Dado fora do padrão “bonitinho”

🛠️ Dica Bellacosa™

☑️ Sempre logar:

  • Contadores

  • Último registro processado


☠️ 4. Abend de Espaço (SB37 / SD37 / SE37)

🔥 Sintoma

  • Job cai por espaço

  • Ontem rodou, hoje não

🎯 Causa real

  • Arquivo cresceu

  • SORT maior

  • Layout mudou

💀 Por que só em PROD?

  • Crescimento orgânico de dados

🛠️ Dica Bellacosa™

☑️ Nunca confie em:

SPACE=(CYL,(5,5))

📌 Produção cresce, sempre.


☠️ 5. Erro de Data “Impossível”

🔥 Sintoma

  • 31/02

  • Ano 0000

  • Data negativa (!)

🎯 Causa real

  • Campo mal definido

  • MOVE sem validação

  • Dado legado podre

💀 Por que só em PROD?

  • Histórico antigo

  • Migrações mal feitas

🛠️ Dica Bellacosa™

IF WS-DATA IS NUMERIC

☑️ Valide sempre datas externas.


☠️ 6. Deadlock DB2 da Madrugada

🔥 Sintoma

  • SQLCODE -911 / -913

  • Job aborta aleatoriamente

🎯 Causa real

  • Concorrência real

  • Lock longo

  • Commit mal posicionado

💀 Por que só em PROD?

  • DEV não tem 200 jobs rodando juntos

🛠️ Dica Bellacosa™

☑️ COMMIT frequente
☑️ Ordem consistente de acesso


☠️ 7. Arquivo Vazio que Ninguém Testou

🔥 Sintoma

  • S0C4

  • S0C7

  • Relatório errado

🎯 Causa real

  • Arquivo esperado com dados… veio vazio

💀 Por que só em PROD?

  • Erro operacional

  • Falha em job anterior

🛠️ Dica Bellacosa™

IF EOF PERFORM TRATAR-ARQUIVO-VAZIO

☑️ Arquivo vazio é cenário obrigatório.


☠️ 8. Codificação EBCDIC vs ASCII

🔥 Sintoma

  • Caracteres estranhos

  • Comparações falham

🎯 Causa real

  • Arquivo vindo de sistema externo

  • Conversão inexistente

💀 Por que só em PROD?

  • Integrações reais

  • DEV usa massa fake

🛠️ Dica Bellacosa™

☑️ Conheça a origem do dado
☑️ Converta explicitamente


☠️ 9. Parâmetro Errado no JCL

🔥 Sintoma

  • Programa certo

  • Resultado errado

🎯 Causa real

  • DDNAME trocado

  • Dataset errado

  • Parâmetro esquecido

💀 Por que só em PROD?

  • JCL é copiado e colado há anos

🛠️ Dica Bellacosa™

☑️ Validar SYSIN
☑️ Logar parâmetros recebidos


☠️ 10. Warning Ignorado Vira Incidente

🔥 Sintoma

  • “Sempre funcionou”

  • Agora não funciona

🎯 Causa real

  • Warning ignorado na compilação

  • Nova versão do compilador

💀 Por que só em PROD?

  • Volume + tempo

🛠️ Dica Bellacosa™

☑️ Warning ≠ inofensivo
☑️ Warning é dívida técnica


🧠 Mandamentos Bellacosa™ do Padawan COBOL

1️⃣ Inicialize tudo
2️⃣ Valide tudo
3️⃣ Logue o essencial
4️⃣ Teste cenário ruim
5️⃣ Não confie em dados
6️⃣ Não confie em DEV
7️⃣ Nunca diga “isso nunca acontece”


🏁 Conclusão

“Produção não testa código.
Produção testa premissas erradas.”

 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

TSO vs ISPF: porta de entrada ou bancada de trabalho?

 



TSO vs ISPF: porta de entrada ou bancada de trabalho?

“Todo mainframeiro entra pela mesma porta.
Mas nem todo mundo entende onde realmente trabalha.”

Quem começa no IBM z/OS costuma ouvir a pergunta clássica:

👉 “Você usa TSO ou ISPF?”

E a resposta correta é:

Os dois — porque um não vive sem o outro.

Vamos decodificar isso do jeito certo.


🧠 Antes de tudo: por que essa confusão existe?

Porque:

  • Ambos aparecem logo após o login

  • Ambos “parecem” ambientes de trabalho

  • Ambos aceitam comandos

Mas TSO e ISPF não são concorrentes.
Eles são camadas diferentes da mesma experiência.


⌨️ TSO — o contato direto com o z/OS

TSO (Time Sharing Option) é o ambiente base de interação entre usuário e sistema.

Em linguagem Bellacosa:

TSO é o chão de fábrica.

O que o TSO faz de verdade:

🔐 Gerencia login seguro e sessões de usuário
⌨️ Recebe comandos digitados manualmente
🛡️ Controla acesso via RACF (ou ACF2 / Top Secret)
🧱 Serve como fundação para tudo que vem depois

Sem TSO:

  • Não existe usuário logado

  • Não existe comando

  • Não existe ISPF

👉 TSO funciona sozinho.
Pode ser cru, seco e pouco amigável — mas funciona.


📋 ISPF — produtividade com método

ISPF (Interactive System Productivity Facility) não substitui o TSO.
Ele roda em cima dele.

Em linguagem Bellacosa:

ISPF é a bancada organizada, com ferramentas no lugar certo.

O que o ISPF entrega:

📋 Menus estruturados e painéis claros
🔢 Navegação por opções numeradas
✍️ Editor poderoso para COBOL, JCL, REXX
⚙️ Produtividade no dia a dia

ISPF:

  • Não faz login

  • Não gerencia sessão

  • Não existe sem TSO

👉 ISPF depende do TSO para viver.


⚖️ Comparativo direto: TSO vs ISPF

DimensãoTSOISPF
Tipo de interfaceLinha de comandoMenus e painéis
FacilidadeExige conhecimentoAmigável ao iniciante
IndependênciaFunciona sozinhoDepende do TSO
Uso principalComandos diretosDesenvolvimento e gestão
PúblicoOperadores, sysprog, power usersDesenvolvedores e analistas

🔗 Como eles trabalham juntos no mundo real

O fluxo real é simples:

1️⃣ Usuário faz login via TSO
2️⃣ TSO valida identidade e cria sessão
3️⃣ Usuário digita ISPF
4️⃣ ISPF assume como interface produtiva

👉 TSO dá acesso.
👉 ISPF dá eficiência.


🏗️ Analogia Bellacosa (obrigatória)

  • TSO → Porta de entrada do prédio

  • ISPF → Escritório onde você trabalha

Sem porta:

  • Você não entra

Sem escritório:

  • Você entra, mas não produz


⚠️ Erros clássicos de padawan

❌ Achar que ISPF “substitui” TSO
❌ Usar TSO para tarefas que ISPF faz melhor
❌ Não entender que ISPF é só uma camada
❌ Ignorar comandos TSO básicos

Dica El Jefe:

Quem entende TSO sobrevive quando ISPF cai.


🥚 Easter-eggs do cotidiano mainframe

  • Todo mundo já digitou TSO ISPF por reflexo

  • Quando ISPF trava, o TSO continua vivo

  • Sysprog raiz prefere TSO puro

  • Padawan vive feliz no ISPF… até o dia do problema sério


🧭 Conselho final para quem está aprendendo

👉 Comece no ISPF para ganhar produtividade
👉 Estude TSO para ganhar independência
👉 Domine ambos para ganhar respeito

Porque no mainframe:

Interface muda. Fundamento permanece.


☕ Palavra final do El Jefe

TSO não é opcional.
ISPF não é luxo.
Ambos são essenciais.

Se o TSO é a porta,
o ISPF é a oficina onde o trabalho acontece.

E todo verdadeiro mainframeiro…

sabe usar os dois.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

🌱 Usagi Drop — A Doçura e o Peso de Ser Adulto



 🌱 Usagi Drop — A Doçura e o Peso de Ser Adulto

Alguns animes não gritam, não têm batalhas, nem poderes místicos — apenas histórias humanas contadas com delicadeza.
Usagi Drop é um desses raros retratos da vida que fazem a alma respirar devagar.
Um slice of life sobre amadurecimento, amor silencioso e a inesperada beleza de cuidar de alguém.




📖 Sinopse

Daikichi Kawachi, um homem solteiro de 30 anos, descobre que seu falecido avô deixou uma filha ilegítima de 6 anos — a pequena Rin.
Ignorada pela família, a menina desperta em Daikichi algo que ele mesmo desconhecia: a vontade de proteger, amar e crescer.
Ele decide criá-la, e o que começa como uma decisão impulsiva se transforma em uma jornada sobre paternidade, responsabilidade e ternura.

Em cada manhã apressada e cada lanche compartilhado, Usagi Drop revela que o amor mais puro nasce das pequenas rotinas.




👨‍👧 Personagens Principais

  • Daikichi Kawachi — Um adulto comum, trabalhador, sincero e um pouco perdido. Aprende que ser responsável é também aprender a ser vulnerável.

  • Rin Kaga — Uma criança madura e reservada, mas cheia de sensibilidade. Sua presença transforma o mundo de Daikichi.

  • Kouki & Yukari Nitani — Mãe e filho que se tornam espelhos e apoio na nova vida de Daikichi e Rin.


🧠 Mensagem Filosófica

Usagi Drop não é sobre a paternidade em si — é sobre crescer através do amor.
A série desmonta o mito do adulto completo, mostrando que maturidade é algo que se aprende ao cuidar de outro ser humano.
No fundo, é uma história sobre encontrar sentido na simplicidade — um lembrete de que a vida não precisa ser grandiosa para ser bonita.


🎬 Ficha Técnica

  • Autor: Yumi Unita

  • Ano de Lançamento: 2011

  • Estúdio: Production I.G

  • Gênero: Slice of Life / Drama / Cotidiano

  • Episódios: 11


💡 Dicas Bellacosa

  • Repare nas cores suaves e na trilha sonora minimalista — cada acorde é uma extensão da serenidade de Rin.

  • É um anime perfeito para assistir em dias de chuva, acompanhado de chá ou café — o tipo de obra que abraça em silêncio.

  • Não espere drama exagerado: o impacto está nas entrelinhas, nos gestos e nas pausas.


🔍 Curiosidades

  • O mangá original tem um salto temporal polêmico, mas o anime encerra antes dessa parte — focando apenas na relação pura e paterna.

  • O título “Usagi Drop” (うさぎドロップ) faz alusão à leveza e à vulnerabilidade de Rin — como um pequeno coelho deixado aos cuidados de um adulto desajeitado.

  • A produção do estúdio Production I.G foi elogiada pela fidelidade emocional e pela estética aquarelada das cenas domésticas.


Reflexão Bellacosa

Em Usagi Drop, o herói não empunha espada — ele segura uma lancheira.
Não há batalhas épicas, apenas o esforço silencioso de acordar cedo, preparar o café e chegar a tempo na escola.
E é ali, entre os gestos cotidianos, que o anime nos mostra o que é amor real: aquele que não promete eternidade, mas presença.

Porque, às vezes, o ato mais revolucionário é simplesmente cuidar de alguém — e, nesse processo, descobrir quem você é.


Assista devagar. Sinta. E talvez perceba que, no fundo, todos nós temos uma pequena Rin dentro de nós — esperando ser acolhida.