Uma noite de rock alternativo no Garage Bar
Com um cover do Linkin Park e mais uma salada russa de rock desdes os primórdios até o rock nacional, este pequeno e humilde vídeo apresenta o Garage Bar na Avenida Brasil em Campinas.
✨ Bem-vindo ao meu espaço! ✨ Este blog é o diário de um otaku apaixonado por animes, tecnologia de mainframe e viagens. Cada entrada é uma mistura única: relatos de viagem com fotos, filmes, links, artigos e desenhos, sempre buscando enriquecer a experiência de quem lê. Sou quase um turista profissional: adoro dormir em uma cama diferente, acordar em um lugar novo e registrar tudo com minha câmera sempre à mão. Entre uma viagem e outra, compartilho também reflexões sobre cultura otaku/animes
Série: Crônicas de um Office-Boy Mainframe
Entre uma ida ao banco e outra, eu já não era mais o mesmo.
O garoto que carregava pastas começou a carregar também uma curiosidade sem fim.
Naquela época, os computadores ainda tinham cheiro de tinta, poeira e novidade.
E bastava um terminal 3270 piscando na tela para que o coração batesse diferente.
O 3270 era o portal para o sistema central — o grande cérebro da empresa.
Eu via os analistas digitando comandos enigmáticos, telinhas cheias de números, mensagens que pareciam falar com outro mundo.
E pensava comigo:
“Como será que eles fazem isso acontecer?”
Foi então que o XT entrou de vez na minha história.
Aquele micro que chegou em uma caixa, e que ninguém sabia montar, agora estava em pleno funcionamento.
E o office-boy curioso virou seu “operador não-oficial”.
💡 Eu aprendia no instinto — sem curso, sem internet, sem manual.
Descobria as funções por tentativa e erro.
Comandos do MS-DOS, teclas de função, diretórios…
Era o nascimento do meu alfabeto digital.
Comecei a anotar tudo em um caderninho surrado:
DIR, COPY, DEL, FORMAT, CLS — cada comando era um pequeno feitiço.
O XT virou minha escola silenciosa.
Durante os intervalos, eu ficava observando o comportamento do sistema.
Quando dava erro, tentava entender o porquê.
Sem perceber, estava pensando como programador — ainda que o cargo dissesse “office-boy”.
Alguns colegas achavam estranho aquele garoto preferir o teclado à conversa.
Outros riam, dizendo que “computador era coisa de engenheiro”.
Mas algo dentro de mim dizia que aquele era o meu caminho.
⚙️ Foi ali, entre o 3270 e o XT, que despertei.
Descobri que máquinas podiam obedecer ideias, que lógica podia virar ação.
E que, no fundo, programar era uma forma de conversar com o invisível —
de transformar curiosidade em código, e código em futuro.
Anos depois, quando entrei no mundo do mainframe, percebi que tudo começou ali:
Naquele micro empoeirado da Avenida Paulista,
com um garoto da Zona Leste digitando seus primeiros comandos
sem saber que estava escrevendo, linha por linha, o roteiro da própria vida.
🎎 PIXELS, TABUS E ESCAPISMOS — O UNIVERSO OCULTO DOS ANIMES E A MENTE JAPONESA
por Bellacosa Mainframe – edição El Jefe Midnight
Há algo curioso e quase hipnótico na cultura japonesa: uma capacidade de misturar o puro e o proibido, o poético e o exagerado, o sagrado e o nonsense — tudo em um mesmo frame.
Quem mergulha nos animes pela primeira vez logo se pergunta:
“Por que tantas situações estranhas, reações exageradas e temas tão… diferentes?”
Calma, padawan otaku, não é só você. Há um motivo — e ele está profundamente ligado à alma japonesa, à história social do arquipélago e à maneira como o Japão equilibra o que sente e o que mostra.
A sociedade japonesa é conhecida por um traço central: o tatemae, a fachada pública.
É a arte de conter o que se sente para manter a harmonia do grupo.
Já o honne, o eu verdadeiro, fica escondido, silencioso, reprimido.
Durante séculos, o japonês aprendeu a ser socialmente polido e emocionalmente discreto.
O resultado? Uma psique coletiva que, quando encontra o terreno seguro da ficção, explode em liberdade criativa total.
Nos animes, mangás e games, o tatemae se desfaz — e o honne corre livre como um processo batch sem restrições de segurança.
“O que o japonês não pode dizer na vida real, ele desenha.”
Enquanto o Ocidente muitas vezes usa a ficção para imitar a realidade, o Japão usa a ficção para escapar dela.
É uma forma socialmente aceita de lidar com o tédio, o estresse e as pressões da vida moderna — o salaryman cansado, o estudante sobrecarregado, o isolamento urbano.
Por isso, os mundos de anime são tão intensos, coloridos, cheios de exagero e situações extremas.
Eles canalizam a energia emocional reprimida de uma cultura onde o autocontrole é regra.
O anime é o dump emocional do Japão.
No passado, o Japão teve períodos de abertura e de repressão moral alternados.
Durante o período Edo (1603–1868), por exemplo, a arte erótica (shunga) era comum e até admirada — pintada por mestres como Hokusai.
Mas com a ocidentalização do país, no final do século XIX, veio uma onda de moralidade importada — censura, pudor e o desejo de se mostrar “civilizado”.
O resultado foi uma sociedade dividida entre tradição e aparência, onde temas de desejo e fantasia migraram para o subsolo cultural — e, mais tarde, floresceram nos animes e mangás, sob formas simbólicas e estilizadas.
Nos animes, tudo é amplificado: os olhos, as emoções, os dramas.
É um código cultural.
O japonês comum dificilmente expressa raiva ou amor em público, mas o personagem animado pode gritar, chorar, explodir de paixão.
Esse exagero não é só estética — é catarse coletiva.
É o equivalente emocional de uma reinicialização de sistema: descarrega a tensão que o cotidiano acumula.
“A vida real é contida. O anime é a alma sem firewall.”
💡 Em Evangelion, as cenas lentas e os silêncios longos representam o vazio psicológico da juventude japonesa pós-industrial.
💡 Em Spirited Away, os pais que viram porcos simbolizam a transformação do consumo e da gula moderna.
💡 One Piece e Naruto exaltam o grupo, a lealdade e o esforço — valores centrais no ethos japonês.
💡 A recorrência de colegiais? É o último período da vida japonesa em que há liberdade antes da engrenagem social adulta.
Quando o Ocidente vê “estranheza”, o Japão vê subjetividade.
O anime é o espelho invertido da cultura japonesa: quanto mais reprimido o cotidiano, mais intensa é a ficção.
O que para nós parece “fetiche” é, muitas vezes, metáfora emocional — um símbolo, um exagero poético, um pedido de espaço interior.
“O que o Japão não fala, ele anima. O que não mostra, ele sonha em traços e cores.”
Afinal, talvez o anime não seja sobre mundos distantes, mas sobre um país tentando se entender dentro da própria mente.
Um universo que mistura infância e melancolia, rigidez e fantasia, dever e desejo — tudo no mesmo frame.
O Japão não é estranho.
É apenas um espelho que mostra o que o Ocidente esconde com outras palavras.
“Enquanto o mundo tenta parecer normal, o Japão transforma sua anormalidade em arte.” 🎨🇯🇵