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terça-feira, 9 de maio de 2023

Memex: A Máquina dos Sonhos de Vannevar Bush que Plantou as Sementes da Internet, da Wikipédia, dos Hiperlinks e da Inteligência Artificial

 

Bellacosa Mainframe o MEMEX antes da internet google wikipedia e ia

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Memex: A Máquina dos Sonhos de Vannevar Bush que Plantou as Sementes da Internet, da Wikipédia, dos Hiperlinks e da Inteligência Artificial

"Muito antes da primeira página da Web, antes do Google, antes do Wikipedia, antes dos SSDs, antes dos bancos de dados relacionais e até antes do COBOL existir, um cientista imaginou uma máquina capaz de guardar todo o conhecimento humano e conectá-lo através de associações de ideias. Seu nome era Vannevar Bush. Sua invenção nunca foi construída exatamente como ele sonhou... mas mudou o mundo para sempre."



Prólogo – A Expedição Perdida

Imagine que você é um jovem Indiana Jones.

Não está procurando um templo maia.

Nem a Arca da Aliança.

Nem o Santo Graal.

Sua missão é encontrar uma ideia perdida.

Uma única ideia.

Uma ideia esquecida em um artigo científico publicado durante a Segunda Guerra Mundial.

Uma ideia tão poderosa que décadas depois inspiraria:

  • a Internet;

  • a World Wide Web;

  • o hipertexto;

  • a Wikipédia;

  • os mecanismos de busca;

  • o Google;

  • os sistemas de documentação modernos;

  • e, de certa forma, até as inteligências artificiais.

Essa aventura começa em 1945.

O mundo ainda comemorava o fim da guerra.

Enquanto engenheiros desmontavam tanques e aviões...

Um homem pensava em outra batalha.

A batalha contra o esquecimento.

Esse homem era Vannevar Bush.

E sua invenção imaginária chamava-se...

MEMEX.


Quem foi Vannevar Bush?

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Poucas pessoas conhecem seu nome.

Mas praticamente todo mundo utiliza diariamente ideias que nasceram em sua cabeça.

Vannevar Bush nasceu em 1890, em Massachusetts.

Era engenheiro.

Inventor.

Professor.

Pesquisador.

Administrador científico.

Visionário.

Durante décadas trabalhou no MIT.

Mais tarde tornou-se um dos maiores responsáveis pela organização da pesquisa científica americana.

Durante a Segunda Guerra Mundial liderou o Office of Scientific Research and Development (OSRD).

Sob sua coordenação milhares de cientistas desenvolveram tecnologias fundamentais para o esforço de guerra.

Entre elas:

  • radares;

  • sistemas eletrônicos;

  • novos materiais;

  • computadores analógicos;

  • pesquisas que contribuíram para o Projeto Manhattan.

Bush não era apenas um cientista.

Era um organizador de cérebros.

Ele entendia que o conhecimento cresce quando pessoas conseguem compartilhar descobertas.

Essa visão mudaria completamente sua forma de enxergar bibliotecas.


O Problema que o Incomodava

Bush observava um fenômeno curioso.

A ciência crescia rápido demais.

Todos os dias eram publicados milhares de documentos.

Livros.

Relatórios.

Pesquisas.

Patentes.

Artigos.

Nenhum pesquisador conseguia acompanhar tudo.

Quanto mais conhecimento existia...

Mais difícil era encontrá-lo.

Curiosamente...

Esse é exatamente o problema que ainda enfrentamos hoje.


A Grande Pergunta

Bush começou a refletir.

"E se existisse uma máquina capaz de guardar absolutamente tudo?"

Mas havia outro detalhe.

Guardar não bastava.

Precisava ser fácil encontrar.

E mais importante:

Precisava seguir a forma como o cérebro humano pensa.


O Cérebro Não Funciona Como um Índice

Livros usam capítulos.

Bibliotecas usam classificação decimal.

Arquivos usam pastas.

Computadores usam diretórios.

Mas o cérebro?

Não.

O cérebro lembra por associação.

Você pensa em café.

Lembra do escritório.

Depois do primeiro emprego.

Depois daquele colega.

Depois de COBOL.

Depois do mainframe.

Depois de um terminal 3270.

Depois de um operador.

Depois de um livro.

Depois de outro assunto completamente diferente.

Uma ideia leva naturalmente à outra.

Bush percebeu isso décadas antes da neurociência moderna aprofundar esse entendimento.


Nascia o MEMEX

MEMEX significa:

Memory Extender

Ou...

"Extensor da Memória."

Não era exatamente um computador.

Também não era uma biblioteca.

Era uma mistura de ambos.

Bush imaginou um móvel elegante.

Parecia uma mesa de trabalho.

Com telas.

Botões.

Teclas.

Microfilmes.

Leitores ópticos.

Controles mecânicos.

Tudo extremamente futurista para 1945.


O Artigo que Mudou a História

Em julho de 1945, Bush publicou um artigo histórico chamado:

As We May Think

Poucos artigos científicos influenciaram tanto a computação.

Curiosamente...

O texto praticamente não falava sobre computadores.

Falava sobre pessoas.

Sobre conhecimento.

Sobre memória.

Sobre criatividade.

Sobre como conectar ideias.

Foi uma verdadeira mudança de paradigma.


Como Funcionaria o MEMEX?

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Imagine um enorme arquivo pessoal.

Dentro dele estariam:

  • livros;

  • cartas;

  • fotografias;

  • mapas;

  • pesquisas;

  • jornais;

  • anotações;

  • desenhos.

Tudo armazenado em microfilmes.

O usuário digitava.

Girava controles.

Selecionava documentos.

Consultava rapidamente qualquer informação.

Até aqui parece apenas uma biblioteca eletrônica.

Mas então surge a genialidade.


Trilhas Associativas

Bush propôs algo revolucionário.

Ele chamou de:

Associative Trails

Ou...

Trilhas Associativas.

Em vez de organizar tudo por assunto...

Você poderia ligar documentos entre si.

Por exemplo:

Livro A

Artigo B

Mapa C

Fotografia D

Anotação E

Relatório F

Outro Livro G

Não por categoria.

Mas porque fazem sentido juntos.

Hoje chamamos isso de:

Hiperlinks.


Sim...

O Hiperlink Nasceu Aqui

Décadas antes da Web.

Décadas antes do HTML.

Décadas antes do HTTP.

Décadas antes de Tim Berners-Lee.

Bush já descrevia exatamente o conceito.

Você seguiria um documento...

Que levaria naturalmente a outro.

Como fazemos hoje clicando em um link azul.


Wikipédia Antes da Wikipédia

Imagine criar uma trilha:

Roma Antiga

Império Romano

Estradas Romanas

Pontes

Engenharia

Concreto

Aquedutos

Arquitetura Moderna

Grandes Barragens

Hidrelétricas

Energia.

Não é uma árvore.

É uma rede.

Exatamente como navegamos hoje.


Google Antes do Google

Bush não imaginou um buscador baseado em algoritmos.

Mas imaginou algo igualmente poderoso.

Guardar tudo.

Encontrar tudo.

Relacionar tudo.

Isso é metade do trabalho dos motores de busca modernos.


Um Ancestral dos Bancos de Dados

Para nós, profissionais de mainframe, é impossível não fazer uma associação.

Quando criamos relacionamentos entre tabelas Db2...

Quando usamos chaves...

Quando navegamos entre registros...

Quando acessamos VSAM por índices...

Estamos organizando informações para facilitar descobertas.

Bush pensava exatamente nisso.

Embora usando microfilmes.


O Sonho Não Morreu

O MEMEX nunca foi construído.

Pelo menos...

Não exatamente.

Mas inspirou gerações.

Entre elas:

Douglas Engelbart.

Ted Nelson.

Tim Berners-Lee.

Cada um pegou um pedaço da ideia.

E levou adiante.


Douglas Engelbart

Inventou:

  • o mouse;

  • interfaces gráficas pioneiras;

  • colaboração digital;

  • sistemas de hipertexto.

Seu famoso sistema NLS bebe diretamente das ideias do MEMEX.


Ted Nelson

Criou o termo:

Hypertext

Foi ele quem transformou o conceito de Bush em uma arquitetura digital.


Tim Berners-Lee

Quando criou a World Wide Web...

Fez algo extremamente semelhante ao MEMEX.

Documentos.

Links.

Navegação.

Conexões.

A diferença?

Agora tudo estava conectado mundialmente.


O MEMEX e a Inteligência Artificial

Aqui a aventura fica ainda mais interessante.

Hoje perguntamos algo ao ChatGPT.

Ou ao Claude.

Ou ao Gemini.

Ou a outro modelo.

Eles não apenas armazenam informação.

Relacionam conceitos.

Conectam ideias.

Encontram associações improváveis.

Bush talvez sorrisse ao ver isso.

Seu sonho nunca foi apenas guardar conhecimento.

Era ampliar a capacidade humana de pensar.


Curiosidade de Arqueólogo Digital

Quando Bush escreveu o artigo...

O transistor ainda não existia.

O disco rígido não existia.

O circuito integrado não existia.

A memória RAM moderna não existia.

O COBOL ainda demoraria anos para nascer.

Mesmo assim...

Ele descreveu uma forma completamente nova de navegar pelo conhecimento.


O Jovem Indiana Jones Encontra o MEMEX

Imagine agora nossa aventura.

Depois de atravessar bibliotecas empoeiradas...

Encontramos um velho exemplar da revista Atlantic.

Ali está o artigo.

As páginas estão amareladas.

Mas as ideias continuam novas.

Cada parágrafo parece uma profecia.

É impossível não sentir aquele arrepio que todo explorador sente quando percebe que encontrou algo extraordinário.

Não um tesouro de ouro.

Mas um tesouro de ideias.

E, como acontece nas melhores histórias, o maior prêmio não é possuir o artefato.

É compreender seu significado.


O Reconhecimento Tardio

Durante muitos anos, "As We May Think" foi conhecido principalmente em círculos acadêmicos.

Com o surgimento do hipertexto, da Web e da informática pessoal, historiadores passaram a olhar para trás e perceber que Bush havia antecipado conceitos fundamentais da era digital.

Hoje, seu nome aparece em praticamente toda boa história da computação, da ciência da informação e da Internet. Seu legado não está em uma máquina específica, mas na maneira como imaginou que seres humanos poderiam ampliar sua inteligência por meio da tecnologia.


Uma Lição para Quem Trabalha com Mainframe

Quem administra sistemas corporativos sabe que informação sem organização vira caos.

Um catálogo de datasets.

Um repositório Git.

Um catálogo Db2.

Um sistema de documentação.

Uma biblioteca de JCLs.

Tudo isso só tem valor quando conseguimos encontrar rapidamente aquilo de que precisamos.

O MEMEX nos lembra que tecnologia não serve apenas para armazenar dados.

Ela serve para construir conhecimento.

Cada relacionamento entre tabelas, cada documentação bem escrita, cada comentário útil em um programa COBOL, cada manual preservado para a próxima geração é uma pequena "trilha associativa" criada para alguém que virá depois de nós.


Gratidão

Existe uma frase atribuída a Isaac Newton que diz:

"Se vi mais longe, foi por estar sobre ombros de gigantes."

Vannevar Bush é um desses gigantes.

Nunca veremos sua fotografia ao abrir um navegador.

Seu nome não aparece quando clicamos em um hiperlink.

Poucos estudantes o conhecem.

Mas sua visão ajudou a moldar o mundo digital em que vivemos.

Cada busca que fazemos.

Cada página que abrimos.

Cada artigo que escrevemos.

Cada referência cruzada que seguimos.

Tudo isso carrega um pouco daquela ideia nascida em 1945.

Por isso, este artigo termina com um sincero sentimento de gratidão.

Gratidão a Vannevar Bush por ter ousado imaginar um futuro que ainda não existia.

Gratidão aos pesquisadores que transformaram suas ideias em realidade.

Gratidão aos engenheiros, matemáticos, bibliotecários, programadores, arquitetos de sistemas e cientistas da informação que, geração após geração, expandiram esse sonho.

E gratidão também aos profissionais anônimos dos bastidores — aqueles que organizam bases de dados, preservam acervos, documentam sistemas, mantêm servidores, escrevem programas COBOL, administram mainframes e garantem que o conhecimento continue acessível. São eles que, silenciosamente, mantêm viva a essência do MEMEX.


Epílogo – O Tesouro Verdadeiro

No fim da nossa aventura, o jovem Indiana Jones percebe que o maior artefato já encontrado não estava escondido em uma tumba.

Não brilhava como ouro.

Não concedia poderes mágicos.

Era apenas um conjunto de páginas datilografadas por um cientista visionário.

Mas, dentro delas, havia algo muito mais valioso:

A convicção de que o conhecimento humano cresce quando as ideias podem ser preservadas, conectadas e compartilhadas.

O MEMEX nunca foi construído exatamente como Vannevar Bush imaginou.

Na verdade, ele se tornou algo muito maior.

Hoje ele vive em cada hiperlink da Web, em cada wiki colaborativa, em cada banco de dados corporativo, em cada repositório de código, em cada mecanismo de busca, em cada grafo de conhecimento e, de certo modo, em cada conversa entre pessoas e inteligências artificiais.

Talvez essa seja a maior lição dessa expedição: algumas invenções mudam o mundo não porque foram construídas, mas porque inspiraram milhares de outras. Vannevar Bush nos mostrou que imaginar o futuro também é uma forma de engenharia — e, às vezes, a mais poderosa de todas.

segunda-feira, 8 de maio de 2023

A Nova Amélia – O Retorno da Mulher Submissa e a Guerra Cultural nas Redes

A Nova Amélia – O Retorno da Mulher Submissa e a Guerra Cultural nas Redes
Por Bellacosa 




🌹 A Amélia voltou — e o debate pegou fogo

De tempos em tempos, o imaginário coletivo brasileiro revive a figura da Amélia, aquela mulher “que era mulher de verdade”, símbolo da canção de 1942. Durante décadas, ela representou a esposa dócil, dedicada, que vivia em função do marido. Para muitos, uma caricatura de um Brasil machista e rural; para outros, a nostalgia de um tempo em que os papéis eram claros.

Pois bem — em pleno século XXI, a Amélia voltou.
Não mais como dona de casa invisível, mas como um movimento consciente de “feminilidade tradicional” que se espalha por redes como TikTok, YouTube e X. Jovens mulheres, algumas com discurso cristão, outras apenas céticas quanto ao feminismo moderno, declaram com orgulho: “Quero ser submissa — por escolha.”

E é aí que o caldeirão cultural ferve.


⚖️ Liberdade ou retrocesso?

A raiz do debate é filosófica:
O que é liberdade?
Se uma mulher deseja ser submissa ao marido, e o faz por vontade própria, isso é exercício da liberdade ou sintoma de uma cultura ainda moldada pelo patriarcado?

Para as feministas liberais, a liberdade feminina inclui o direito de escolher qualquer papel — até mesmo o mais tradicional.
Para as feministas estruturais, essa “escolha” é ilusória, pois ainda se dá dentro de um contexto social que valoriza a mulher submissa e penaliza a independente.

Em suma: enquanto uma vê empoderamento na escolha, a outra vê alienação internalizada.
Ambas, no fundo, discutem quem define o significado de ser livre.


🧠 A nova geração e o cansaço da independência

Nas redes, muitas jovens expressam uma espécie de fadiga existencial moderna: trabalham demais, estão sozinhas, sentem-se desconectadas. Ao observarem o ideal feminista de “mulher independente e forte”, algumas sentem que isso se traduziu em solidão e sobrecarga.
Daí surge a narrativa contrária:

“Quero um homem que me lidere, quero paz, não quero provar nada a ninguém.”

Essa estética da soft life (vida suave) e da trad wife (esposa tradicional) cresce justamente em um mundo hipercompetitivo, onde a feminilidade vira resistência à exaustão urbana.


💥 O confronto nas redes

Do outro lado, o feminismo digital reage com fúria.
Influenciadoras e pensadoras veem nesse movimento um romantismo perigoso, que reempacota desigualdade com estética retrô e filtro de Instagram.
O embate se intensifica porque ambos os lados falam a partir da dor:

  • umas, da dor histórica da submissão forçada;

  • outras, da dor contemporânea da solidão e do excesso de responsabilidade.

E nas redes sociais — onde o algoritmo adora o conflito —, o debate vira espetáculo.


🎭 Entre Amélia e autonomia

A figura da “nova Amélia” não é sobre um retorno literal ao passado, mas sobre uma busca por identidade em meio ao caos moderno.
Enquanto algumas desejam recuperar o sentido de cuidado e entrega, outras lembram que a liberdade feminina não pode retroceder à servidão.

Talvez o futuro não esteja em escolher entre Amélia ou empoderada, mas em conciliar autonomia com afeto, força com suavidade, razão com ternura.
Afinal, o verdadeiro empoderamento é poder escolher — e compreender o peso dessa escolha.


Bellacosa  observando o mundo com olhos de filósofo e coração de sociólogo, um café por vez.

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Goblin Slayer — Parte V : A Evolução Cronológica Completa da Franquia Goblin Slayer

 

Bellacosa Mainframe apresenta Goblin Slayer

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Goblin Slayer — Parte V : A Evolução Cronológica Completa da Franquia Goblin Slayer

Quando um Programador COBOL Descobre que Grandes Sistemas e Grandes Histórias Nunca Nascem Prontos... Eles Evoluem Release Após Release

"Nenhum grande sistema corporativo surgiu completo na versão 1.0. Nenhuma grande obra da literatura também."


Introdução — A Jornada de uma Pequena Web Novel que Conquistou o Mundo

Quando Goblin Slayer estreou no anime em outubro de 2018, muita gente acreditou que aquela era uma criação repentina.

Parecia que Kumo Kagyu havia simplesmente aparecido do nada, lançado uma obra polêmica e desaparecido novamente atrás de seu misterioso pseudônimo.

Mas a realidade foi muito diferente.

Goblin Slayer levou anos para chegar à televisão.

Sua evolução lembra muito o desenvolvimento de um grande software corporativo.

Primeiro surge um protótipo.

Depois uma versão experimental.

Em seguida aparecem melhorias.

Novos módulos.

Novos usuários.

Novas funcionalidades.

Até que um dia o projeto torna-se referência mundial.

A história da franquia Goblin Slayer segue exatamente essa lógica.

Pegue seu café.

Vamos viajar por mais de uma década de evolução.


2013 — O nascimento silencioso

Todo grande projeto começa pequeno.

Por volta de 2013, Kumo Kagyu começa a publicar Goblin Slayer como Web Novel em plataformas japonesas voltadas para escritores independentes.

Na época, esse mercado estava em plena transformação.

A internet havia criado algo revolucionário.

Qualquer pessoa poderia publicar uma história.

Sem editora.

Sem contrato.

Sem marketing.

Sem investimento.

Era praticamente o GitHub da literatura japonesa.

Centenas de autores disponibilizavam capítulos diariamente.

Milhares de leitores avaliavam.

Pouquíssimos sobreviviam.

Goblin Slayer foi um deles.


O laboratório das ideias

Na Web Novel, Kumo Kagyu experimentava conceitos.

Algumas ideias seriam alteradas.

Outras refinadas.

Personagens amadureceriam.

A narrativa ganharia ritmo.

Assim como acontece durante o desenvolvimento de software.

A primeira versão raramente é a definitiva.


2014–2015 — Crescimento orgânico

Durante esse período, Goblin Slayer constrói sua primeira comunidade de leitores.

Não havia propaganda.

Não existia anime.

Não existia mangá.

Tudo acontecia através do famoso "boca a boca" digital.

Um leitor indicava para outro.

Os comentários aumentavam.

As avaliações melhoravam.

Editoras começaram a perceber aquele fenômeno.


15 de fevereiro de 2016 — A primeira grande promoção

Finalmente chega o grande momento.

A editora SB Creative, através do selo GA Bunko, publica oficialmente o Volume 1 da Light Novel Goblin Slayer.

As ilustrações ficam sob responsabilidade de Noboru Kannatsuki.

Essa data muda completamente o destino da obra.

Ela deixa de ser um projeto independente.

Agora torna-se uma franquia profissional.


O casamento perfeito

Uma curiosidade interessante.

Grande parte do sucesso visual de Goblin Slayer também deve ser creditada ao trabalho de Kannatsuki.

Seu traço consegue equilibrar dois extremos.

Personagens extremamente expressivos.

E um mundo brutal.

Poucos ilustradores conseguem criar esse contraste.


Maio de 2016 — O mangá

O sucesso da Light Novel abre rapidamente uma nova porta.

Em 25 de maio de 2016, começa a serialização do mangá desenhado por Kōsuke Kurose.

Agora Goblin Slayer alcançava um público completamente diferente.

Nem todos gostam de Light Novels.

Mas milhões de japoneses acompanham mangás semanalmente.

A franquia começava a acelerar.


O primeiro grande teste

O mangá apresentou um enorme desafio.

Como adaptar cenas extremamente violentas sem perder o propósito narrativo?

Kōsuke Kurose conseguiu um equilíbrio notável.

A violência permanecia presente.

Mas sempre a serviço da construção do mundo.

Nunca como simples espetáculo.


2017 — Nasce Year One

Em 15 de setembro de 2017, inicia-se a publicação do mangá Goblin Slayer: Year One.

Poucos meses depois, em 15 de março de 2018, também chega sua versão em Light Novel.

Esse talvez seja o spin-off mais importante de toda a franquia.

Por quê?

Porque responde uma pergunta que muitos fãs faziam.

Como aquele aventureiro tornou-se tão eficiente?

A resposta não era talento.

Era experiência.


O nascimento do profissional

Year One mostra algo extremamente raro.

Goblin Slayer erra.

Muito.

Ele calcula errado.

Escolhe equipamentos inadequados.

Confia demais.

Confia de menos.

Improvisa.

Sobrevive por pouco.

Cada erro transforma-se numa futura regra.

É exatamente assim que nasce um especialista.


Maio de 2018 — Brand New Day

Em 25 de maio de 2018, surge Goblin Slayer: Brand New Day.

Enquanto a obra principal mantém ritmo intenso, Brand New Day oferece algo diferente.

Respiração.

Cotidiano.

Personagens convivendo.

Conversando.

Vivendo.

É como observar um sistema durante sua operação normal, entre grandes incidentes.


Outubro de 2018 — O mundo descobre Goblin Slayer

7 de outubro de 2018.

Esta talvez seja a data mais importante de toda a franquia.

O estúdio White Fox estreia oficialmente o anime.

São apenas doze episódios.

Mas bastaram poucas horas para a internet explodir.


O episódio que mudou tudo

O primeiro episódio tornou-se um divisor de águas.

Redes sociais.

YouTube.

Fóruns.

Blogs.

Todos discutiam Goblin Slayer.

Alguns criticavam.

Outros elogiavam.

Mas praticamente ninguém permaneceu indiferente.

E existe uma regra antiga do mercado editorial.

Uma obra que provoca debate raramente desaparece rapidamente.


2018 — A franquia amadurece

Nesse momento Goblin Slayer deixa de ser apenas uma Light Novel.

Agora passa a existir simultaneamente em vários formatos.

  • Web Novel

  • Light Novel

  • Mangá

  • Spin-offs

  • Anime

Era oficialmente uma franquia multimídia.


2019 — O universo se expande

Durante 2019, a principal novidade é a reorganização da publicação de Goblin Slayer Side Story II: Dai Katana.

Essa obra retorna aproximadamente dez anos na cronologia.

Ali conhecemos melhor a geração da Sword Maiden.

É interessante porque mostra que o mundo de Goblin Slayer sempre foi muito maior do que acompanhávamos na série principal.

Enquanto nosso protagonista limpava cavernas...

Outros aventureiros enfrentavam ameaças completamente diferentes.


Fevereiro de 2020 — Goblin's Crown

Em 1º de fevereiro de 2020, estreia Goblin Slayer: Goblin's Crown.

Embora muitos o chamem simplesmente de filme...

Na prática ele funciona como continuação direta da primeira temporada.

Assistir à segunda temporada sem conhecer Goblin's Crown significa perder parte importante do desenvolvimento dos personagens.


Um formato inteligente

Ao invés de transformar aquele arco em diversos episódios...

Optou-se por condensá-lo num longa-metragem.

A decisão dividiu opiniões.

Mas permitiu manter excelente ritmo narrativo.


2021–2022 — A expansão silenciosa

Enquanto muitos aguardavam uma terceira adaptação animada...

A franquia continuava crescendo.

Novos volumes da Light Novel eram publicados.

Mangás avançavam.

Spin-offs recebiam novos capítulos.

Em 23 de dezembro de 2022, surge Goblin Slayer: A Day in the Life.

Mais uma obra voltada ao cotidiano.

Mostrando que mesmo num universo brutal ainda existe espaço para amizade.

Humor.

Rotina.

Esperança.


Outubro de 2023 — A Segunda Temporada

Finalmente.

Em 6 de outubro de 2023, estreia Goblin Slayer II.

Agora sob responsabilidade do estúdio LIDENFILMS.

Foram novamente doze episódios.

A troca de estúdio gerou comparações inevitáveis.

Alguns espectadores preferiram White Fox.

Outros elogiaram a nova direção artística.

Mas havia um consenso.

Era ótimo voltar a acompanhar Goblin Slayer.


A evolução da Light Novel

Enquanto o anime caminhava lentamente...

A obra original continuava avançando.

Volume após volume.

Novas aventuras.

Novos personagens.

Novos desafios.

Até alcançar 16 volumes publicados.

Isso significa algo muito importante.

O anime ainda adaptou apenas uma parte relativamente pequena da história criada por Kumo Kagyu.


O universo expandido

Hoje Goblin Slayer possui um ecossistema impressionante.

Série principal

  • Web Novel

  • Light Novel

  • Mangá

  • Anime

  • Filme


Obras paralelas

  • Year One

  • Brand New Day

  • Dai Katana

  • A Day in the Life

Cada uma amplia um aspecto diferente daquele universo.


A engenharia de uma franquia

Observando essa evolução, percebemos algo interessante.

Nada aconteceu por acaso.

Primeiro veio a ideia.

Depois a validação.

Depois a profissionalização.

Depois a expansão.

Depois a internacionalização.

É praticamente o ciclo de vida de um grande software corporativo.

Versão alfa.

Versão beta.

Release.

Atualizações.

Novos módulos.

Integrações.

Melhorias contínuas.


O que ainda pode acontecer?

Como existe bastante material original ainda não adaptado, a franquia possui espaço para novas temporadas, filmes ou OVAs. Até o momento desta homenagem, porém, uma terceira temporada do anime ainda não foi oficialmente anunciada.

Isso significa que Goblin Slayer continua sendo uma história em evolução.

E talvez isso seja a melhor notícia para seus fãs.


O olhar de um programador COBOL

Existe uma curiosa semelhança entre Goblin Slayer e sistemas de missão crítica.

Eles nunca ficam realmente "prontos".

Sempre existe uma melhoria.

Um novo módulo.

Uma atualização.

Uma correção.

Um refinamento.

Grandes sistemas vivem.

Grandes franquias também.


Conclusão — A Obra que Cresceu Como um Mainframe

Quando observamos apenas o anime, parece que Goblin Slayer surgiu repentinamente em 2018.

Mas agora sabemos a verdade.

Sua história começou anos antes.

Foi construída lentamente.

Capítulo após capítulo.

Livro após livro.

Volume após volume.

Exatamente como os grandes sistemas corporativos que sustentam bancos, governos e companhias aéreas.

Ninguém constrói um mainframe em um único dia.

Ninguém cria uma grande saga em uma única noite.

Ambos exigem arquitetura.

Disciplina.

Planejamento.

Melhoria contínua.

E uma enorme dose de paciência.

Talvez seja justamente essa a maior lição da evolução cronológica de Goblin Slayer.

As obras que permanecem por muitos anos raramente nascem perfeitas.

Elas evoluem.

Aprendem.

Adaptam-se.

Sobrevivem.

Assim como seu próprio protagonista.

Assim como os grandes sistemas COBOL.

Assim como todo verdadeiro arquiteto de longo prazo.

Porque, no fim das contas, as melhores histórias — assim como os melhores programas — nunca terminam realmente. Elas continuam sendo escritas a cada nova versão.

Um Café no Bellacosa Mainframe

ARQUIVOS DA GUILDA • CLASSIFICAÇÃO: DARK FANTASY

Goblin Slayer sem Mistérios

O Guia Definitivo da Série Completa

Uma jornada por cronologia, psicologia, biologia, estratégia, engenharia militar, referências culturais, simbolismos e os segredos escondidos de Goblin Slayer.

“Quando um Programador COBOL Descobre que Grandes Obras Também Precisam de um Mapa para Não se Perder na Dungeon.”
Explorar a série
RELATÓRIO DE MISSÃO

Uma série construída como uma campanha de RPG

Goblin Slayer sem Mistérios é uma coleção especial do Bellacosa Mainframe dedicada à análise profunda da obra criada por Kumo Kagyu. Cada capítulo investiga uma camada diferente da franquia, relacionando fantasia sombria, RPG de mesa, estratégia, trauma, sobrevivência, engenharia militar e arquitetura de sistemas.

A coleção foi organizada em ordem cronológica para facilitar a leitura. Você pode começar pela Parte I, seguir capítulo após capítulo ou utilizar os filtros para selecionar assuntos como psicologia, goblins, táticas, história da franquia e cultura otaku.

Todos os títulos abaixo são links HTML reais e permanecem acessíveis mesmo quando o JavaScript estiver desativado. Isso facilita a navegação dos leitores e a descoberta das páginas por mecanismos de busca.

Progresso da campanha 0 de 14 missões visitadas
14 capítulos encontrados
I
Introdução

Goblin Slayer sem Mistérios — Parte I

O ponto de entrada da campanha. Uma análise sobre o herói invisível que não salva o mundo em uma única batalha, mas impede silenciosamente que ele desmorone todos os dias.

Heroísmo Disciplina Mainframe
II
Disciplina

Goblin Slayer sem Mistérios — Parte II

O verdadeiro poder não está na espada, mas na constância de levantar, preparar os equipamentos e executar diariamente o trabalho que quase ninguém deseja assumir.

Rotina Dever Persistência
III
Missão crítica

Goblin Slayer sem Mistérios — Parte III

Nem todo herói enfrenta o Rei Demônio. Alguns garantem que na segunda-feira existirão sistema, salários, luz e uma aldeia inteira ainda de pé.

Disponibilidade Proteção Responsabilidade
IV
Arquitetura

Parte IV — O Arquiteto Invisível de Goblin Slayer

Uma reflexão sobre profissionais que projetam soluções, previnem desastres e permanecem atrás do terminal enquanto o restante do mundo apenas percebe que tudo continua funcionando.

Arquitetura COBOL Prevenção
V
Cronologia

Parte V — A Evolução Cronológica Completa da Franquia

Da publicação original às light novels, mangás, adaptações, spin-offs, filme e temporadas do anime: a evolução de uma história que cresceu release após release.

Web Novel Light Novel Anime
VI
Biologia

Parte VI — A Biologia dos Goblins

Anatomia, comportamento, adaptação, hierarquia e ecologia dos goblins analisados como uma espécie invasora capaz de explorar brechas e evoluir rapidamente.

Ecologia Adaptação Worldbuilding
VII
Referências

Parte VII — As Referências Escondidas de Goblin Slayer

Conan, Berserk, Tolkien, Dungeons & Dragons, Sword World RPG, literatura fantástica, mitologia e cultura pop escondidos entre as linhas da obra de Kumo Kagyu.

RPG Literatura Cultura pop
VIII
Psicologia

Parte VIII — A Psicologia Profunda de Goblin Slayer

Trauma, hipervigilância, isolamento, necessidade de controle, resiliência e reconstrução emocional por meio das relações que lentamente devolvem humanidade ao protagonista.

Trauma Memória Resiliência
IX
Engenharia militar

Parte IX — A Engenharia Militar de Goblin Slayer

Reconhecimento, suprimentos, redundância, controle do terreno, fortificação, retirada e arquitetura operacional transformam batalhas perigosas em vitórias planejadas.

Logística Terreno Contingência
X
Estratégia

Parte X — A Estratégia de Goblin Slayer

Uma análise sobre informação, iniciativa, especialização, probabilidades, redundância e a capacidade de pensar diversos movimentos à frente do adversário.

Planejamento Inteligência Antecipação
XI
100 segredos

Parte XI — Os 100 Segredos de Goblin Slayer

Cem detalhes sobre personagens, mundo, goblins, equipamentos, narrativa, simbolismos, RPG, produção, psicologia e estratégia que podem passar despercebidos até pelos fãs.

Easter eggs Simbolismos Curiosidades
XII
Guia completo

Parte XII — Goblin Slayer sem Mistérios

O mapa da campanha: introdução, sequência recomendada, resumo dos capítulos e orientação para explorar todas as camadas da coleção sem se perder na dungeon.

Índice Mapa Ordem de leitura
FINAL
Síntese definitiva

Por Que Goblin Slayer É uma das Melhores Obras de Dark Fantasy

A conclusão da jornada, reunindo cronologia, psicologia, estratégia, engenharia militar, simbolismos, referências culturais, construção de mundo e impacto na cultura otaku.

Dark Fantasy Síntese Conclusão
BÔNUS
Dossiê militar

A Composição do Exército Goblin em The Fate of an Adventurer

Rei Goblin, estado-maior, Champions, Shamans, arqueiros, infantaria, Riders, logística e cadeia de comando analisados como componentes de uma força militar organizada.

Exército Goblin Hierarquia Ordem de batalha
ROTA RECOMENDADA

Como percorrer esta dungeon

Comece pelas três primeiras partes para compreender a proposta da série. Depois visite o Arquiteto Invisível, conheça a evolução da franquia e aprofunde-se em biologia, referências, psicologia, engenharia militar e estratégia.

  1. 01 Fundamentos do herói invisível
  2. 02 História e evolução da franquia
  3. 03 Biologia e organização dos goblins
  4. 04 Psicologia e simbolismos
  5. 05 Engenharia militar e estratégia
  6. 06 Segredos, guia completo e síntese final
Bellacosa Mainframe Dark Fantasy • Anime • RPG • COBOL • Estratégia

“A vitória não é improviso. É arquitetura.”

sexta-feira, 21 de abril de 2023

Agile sem Mistérios no IBM Z : O Guia Definitivo do Programador COBOL Padawan para Sobreviver ao Mundo Ágil sem Esquecer as Lições da Tela Verd

 

Bellacosa Mainframe agile sem misterios no ibm z

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Agile sem Mistérios no IBM Z

O Guia Definitivo do Programador COBOL Padawan para Sobreviver ao Mundo Ágil sem Esquecer as Lições da Tela Verde

"Um Jedi não luta contra a mudança. Ele aprende a usá-la a seu favor."

Existe um momento na vida de praticamente todo programador COBOL em que alguém entra na sala e anuncia:

"A partir da próxima semana vamos trabalhar em Agile."

Imediatamente surgem dezenas de pensamentos.

"Mas COBOL não é batch?"

"Como fazer Sprint se meu programa roda quatro horas?"

"Quem inventou Daily Meeting?"

"O Product Owner entende o que é um SQLCODE -904?"

"Como colocar DevOps num ambiente onde existe Change Management, CAB, RACF, CICS, Db2, IMS e três ambientes de homologação?"

Respire.

A boa notícia é que praticamente todos os grandes bancos do planeta trabalham hoje utilizando alguma adaptação de Agile sobre IBM Z.

Na verdade...

Existe uma ironia curiosa.

O mainframe já fazia diversas coisas "ágeis" muito antes do Manifesto Ágil existir.

Vamos descobrir por quê.


A Grande Mentira Sobre Agile

Muitos iniciantes acreditam que Agile significa:

trabalhar rápido.

Não.

Outros acreditam que significa:

fazer reuniões.

Também não.

Outros imaginam:

não existe documentação.

Errado novamente.

Agile significa algo muito mais simples.

Reduzir o custo da mudança.

Essa é a verdadeira definição.

Quanto mais cedo você descobrir um erro...

...mais barato ele fica.


O Mundo Antes do Agile

Imagine desenvolver um sistema bancário em 1988.

O fluxo era mais ou menos assim:

Levantamento

↓

Análise

↓

Especificação

↓

Projeto

↓

Programação

↓

Testes

↓

Homologação

↓

Produção

Tudo parecia organizado.

O problema?

O cliente só via o sistema depois de um ano.

Quando via...

Descobria que queria outra coisa.

Dinheiro perdido.


O Manifesto Ágil

Em 2001, dezessete especialistas reuniram-se nas montanhas de Utah.

Eles perceberam algo curioso.

Os projetos que davam certo...

...quase nunca seguiam o processo enorme definido nos livros.

Então criaram quatro valores famosos.

Pessoas acima de processos.

Software funcionando acima de documentos gigantes.

Colaboração acima de contratos.

Adaptabilidade acima de seguir planos cegamente.

Observe.

Eles nunca disseram que documentação é ruim.

Disseram apenas que ela não pode ser mais importante que entregar valor.


O IBM Z Sempre Foi Mais Ágil do Que Parece

Aqui vem um dos primeiros easter eggs.

Muito antes do Scrum existir...

o operador de produção já fazia ciclos extremamente curtos.

Imagine.

Executa Job

↓

Analisa JESMSGLG

↓

Corrige JCL

↓

Executa novamente

Isso é um loop.

Agile adora loops.


Outro exemplo.

Compile

↓

Linkedit

↓

Teste

↓

Erro

↓

Corrige

↓

Compile novamente

Outro Sprint.

Sem ninguém perceber.


O Backlog no Mainframe

Imagine um banco.

Backlog:

Novo PIX

Nova TED

Mudança no boleto

Correção fiscal

Nova regra do BACEN

Mudança LGPD

Novo relatório

Integração Open Finance

Atualização cambial

Tudo isso entra numa única fila.

Essa fila é o Product Backlog.

Ela muda diariamente.


Quem Decide?

No mundo COBOL existe uma figura curiosa.

O usuário de negócio.

Ele normalmente conhece:

  • contas

  • empréstimos

  • cartões

  • seguros

Mas talvez nunca tenha ouvido falar em:

DSNHLI

SQLCA

RACF

IMS

CICS

VSAM KSDS

É exatamente por isso que existe o Product Owner.

Ele traduz o negócio.

Você traduz tecnologia.


Sprint

Agora imagine um Sprint de duas semanas.

Objetivo:

Permitir PIX Agendado.

Não é:

Modificar programa COBOL.

Observe a diferença.

O Sprint entrega valor.

Não código.


O Trabalho do Padawan COBOL

Durante o Sprint você pode receber tarefas como:

Modificar programa COBOL.

Criar novo COPYBOOK.

Alterar tabela Db2.

Criar PACKAGE.

Executar BIND.

Modificar CICS.

Atualizar MQ.

Criar API via z/OS Connect.

Tudo isso pertence ao mesmo Sprint.


A Daily Meeting

Aqui nasce uma das maiores lendas do Agile.

A Daily NÃO existe para o gerente descobrir quem trabalhou.

Ela serve para sincronizar conhecimento.

Imagine dez desenvolvedores.

Sem Daily.

Todos alteram o mesmo COPYBOOK.

Caos.

Com Daily.

Todos sabem quem está mexendo em quê.


User Story

No Agile quase tudo começa assim.

Como cliente

Quero agendar um PIX

Para realizar pagamentos futuros.

Isso parece simples.

Mas escondido existem dezenas de tarefas.

COBOL.

Db2.

MQ.

Logs.

SMF.

Segurança.

RACF.

Auditoria.

Rollback.

Monitoramento.

Performance.


Definition of Done

Esse conceito salva projetos.

Pronto significa:

Compila?

Sim.

Testado?

Sim.

Code Review?

Sim.

Documentado?

Sim.

Pipeline passou?

Sim.

Deploy aprovado?

Sim.

Agora sim.


Agile no Batch

Muitos acreditam:

"Batch não combina com Agile."

Grande engano.

Imagine um processamento noturno.

Antes:

8 horas

↓

ABEND S0C7

↓

Descobre de manhã.

Hoje:

Testes automatizados.

Validação.

Mock.

Datasets de teste.

Pipeline.

Muito menos risco.


Agile e CICS

Imagine uma transação bancária.

Sprint:

Criar nova tela BMS

↓

Modificar COBOL

↓

Atualizar MAPSET

↓

Testar CEDF

↓

Publicar

Tudo acontece dentro de um Sprint.


Agile e Db2

Outro exemplo.

Nova tabela

↓

DDL

↓

RUNSTATS

↓

BIND PACKAGE

↓

BIND PLAN

↓

Testes

↓

Deploy

Observe.

Não existe "programar".

Existe entregar uma funcionalidade.


Agile e DevOps

Hoje praticamente todo ambiente moderno IBM Z trabalha próximo disso:

Git

↓

Commit

↓

Pipeline

↓

Compile COBOL

↓

DBB

↓

Testes

↓

Code Review

↓

Deploy automático

↓

Validação

↓

Produção

Isso é Agile em estado puro.


O Grande Inimigo

O maior inimigo do Agile não é o waterfall.

É o multitasking.

Imagine.

Você começa:

Projeto A.

Parou.

Projeto B.

Parou.

Projeto C.

Parou.

Projeto D.

No fim...

Nada termina.


O Custo da Mudança

Existe um gráfico famoso.

Quanto mais tarde um erro aparece...

Mais caro fica.

No mainframe isso é ainda mais verdadeiro.

Imagine descobrir em produção:

MOVEs invertidos

↓

Saldo incorreto

↓

Milhões de contas afetadas

Quanto custou?

Muito.


Testes Automatizados

O Padawan moderno aprende rapidamente:

Testar manualmente não escala.

Hoje temos:

ZUnit.

Galasa.

IBM Z Virtual Test Platform.

Frameworks internos.

Tudo isso reduz riscos.


Integração Contínua

O velho fluxo:

sexta-feira

↓

deploy

↓

rezar

Foi substituído por:

Commit

↓

Pipeline

↓

Testes

↓

Deploy

Muito menos adrenalina.


Easter Egg nº 1

Você sabia?

O conceito de Sprint lembra muito os ciclos usados pela NASA durante o Projeto Apollo.

Os engenheiros entregavam pequenas evoluções sucessivas em vez de esperar a conclusão de todo o sistema.

Embora o Scrum moderno tenha outra origem, essa abordagem iterativa já aparecia em grandes projetos décadas antes.


Easter Egg nº 2

O próprio JES2 já trabalha em filas priorizadas.

Jobs possuem classes.

Prioridades.

Filas.

Dependências.

Curiosamente...

Muito parecido com um Backlog.


Easter Egg nº 3

O famoso ciclo

Editar

↓

Compile

↓

Execute

↓

Corrija

Existe desde os primeiros compiladores FORTRAN dos anos 1950.

Agile apenas expandiu essa filosofia para toda a organização.


Curiosidade

O maior Sprint do mundo provavelmente acontece diariamente.

Milhões de transações bancárias.

Bilhões de SQLs.

Milhares de Jobs.

Tudo funcionando continuamente.

O cliente nem percebe.


Dicas do Mestre Bellacosa

Nunca comece programando.

Leia a User Story.

Entenda o problema.


Converse com o usuário.

Cinco minutos de conversa economizam cinco dias de retrabalho.


Faça pequenas alterações.

Grandes mudanças geram grandes ABENDs.


Compile frequentemente.

Esperar três dias para compilar é receita para desastre.


Automatize tudo.

Quanto menos trabalho manual...

Menos erro humano.


Faça Code Review.

Quatro olhos encontram erros que dois ignoram.


Conheça o fluxo inteiro.

Não seja apenas "o programador COBOL".

Entenda:

JCL.

Db2.

MQ.

CICS.

IMS.

RACF.

SMF.

JES2.

Quanto maior sua visão...

Maior seu valor.


Perigos do Agile

Daily infinita

Se durar uma hora...

Não é Daily.


Sprint sem objetivo

"Vamos fazer algumas tarefas."

Isso não é Sprint.


Product Owner ausente

Sem prioridades...

Tudo vira prioridade.


Backlog gigante

Cinco mil histórias.

Ninguém consegue administrar isso.


Dívida técnica

"Depois corrigimos."

Depois nunca chega.


Falta de testes

Agile sem testes automatizados vira loteria.


Deploy manual

Copiar Load Module na mão em pleno século XXI aumenta o risco operacional.


Mudanças durante o Sprint

Se tudo muda todos os dias...

Nada termina.


Vantagens

✔ Feedback constante.

✔ Menor risco.

✔ Cliente participa.

✔ Correções rápidas.

✔ Maior qualidade.

✔ Melhor previsibilidade.

✔ Integração entre equipes.

✔ Evolução contínua.

✔ Entregas frequentes.

✔ Melhor moral da equipe.


Desvantagens

Também existem.

Nem tudo são flores.

Agile pode sofrer quando:

  • a organização não dá autonomia ao time;

  • o Product Owner não consegue priorizar;

  • a equipe é constantemente interrompida por demandas urgentes;

  • a documentação é negligenciada em nome da velocidade;

  • há dependências fortes de sistemas legados sem planejamento adequado.

Além disso, ambientes regulados — comuns no setor financeiro — exigem controles formais de auditoria, segregação de funções e aprovação de mudanças. O desafio não é abandonar essas práticas, mas integrá-las ao fluxo ágil com automação, pipelines e governança.


O Caminho do Programador COBOL Padawan

No universo Bellacosa Mainframe, Agile não é um modismo nem uma desculpa para fazer reuniões. É uma maneira de reduzir riscos, aprender continuamente e entregar valor sem comprometer a estabilidade do IBM Z.

O Padawan que domina apenas COBOL escreve bons programas. O que compreende Agile, DevOps, testes automatizados, observabilidade, integração contínua, arquitetura e o ciclo de vida completo do software torna-se um profissional capaz de dialogar com desenvolvedores distribuídos, arquitetos, analistas de negócio, DBAs, administradores CICS e equipes de operações.

No fim da jornada, a maior lição é simples: o verdadeiro poder do Agile não está nos Sprints, nas Dailies ou nos quadros Kanban. Está na capacidade de transformar conhecimento em melhoria contínua. É exatamente isso que mantém o IBM Z relevante há mais de seis décadas: evoluir constantemente sem abrir mão da confiabilidade.

Como diria um velho Mestre Jedi do datacenter:

"O código pode ser legado. A forma de pensar nunca deve ser."

 

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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