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domingo, 7 de maio de 2023

Micky Rosa Entra na Sala de Planning — O Dia em que o Time COBOL Descobriu que Estimar Não É Apostar no Prazo

 

Bellacosa Mainframe e o planning em agile

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Micky Rosa Entra na Sala de Planning — O Dia em que o Time COBOL Descobriu que Estimar Não É Apostar no Prazo

Ou: por que uma carta “8” não significa oito horas, como uma alteração de três linhas pode esconder um S0C7 internacional e por que o verdadeiro blefe da TI é prometer data antes de entender o programa

Há dois tipos de reuniões que fazem um programador COBOL iniciante olhar para a tela verde e pensar: “eu devia ter aberto uma padaria”.

A primeira é a reunião em que alguém diz:

“É só acrescentar um campo.”

A segunda é a reunião em que alguém responde:

“Quanto tempo leva?”

As duas frases podem parecer inocentes. As duas podem também acordar um monstro adormecido entre uma copybook de 1998, uma tabela Db2 com quarenta colunas, um job noturno que ninguém documentou e um arquivo enviado a uma empresa parceira que só descobre a mudança quando o lote volta com RC=12.

É aqui que entra Agile Estimation: estimativa ágil. Não como ritual para encher um mural de post-its ou como uma competição de quem escolhe o número mais baixo. Estimativa é uma ferramenta para tornar o trabalho visível antes de ele virar incidente.

E, para conduzir esta mesa, chamamos Micky Rosa, o professor de pôquer de Quebrando a Banca.

Micky não entra no CPD usando gravata de gerente e apresentando um cronograma colorido de PowerPoint. Ele olha para o backlog, vê uma história escrita como “adequar sistema à nova regra”, pede um café, olha para o time e pergunta:

“Vocês estão lendo as cartas ou só torcendo para que a próxima seja boa?”

No Agile, estimar é ler as cartas que já estão sobre a mesa: tamanho, incerteza, dependências, risco técnico, conhecimento do time e valor de negócio. Não é prever o futuro com precisão de vidente. É diminuir a chance de entrar em produção sem saber onde fica a saída de emergência.



Prólogo — “Só uma pequena alteração”, disse alguém que nunca abriu uma copybook

Imagine a solicitação:

“Incluir o campo PERCENTUAL-DESCONTO no cadastro de clientes.”

Para uma pessoa que está começando em COBOL, parece uma mudança modesta:

01  WS-PERCENTUAL-DESCONTO      PIC 9(3)V99.

Pronto. Uma linha nova. Talvez duas, se houver edição. Cinco minutos, certo?

Micky Rosa baixa as cartas. O analista experiente abre o ISPF. A história começa a revelar suas cartas escondidas.

O campo precisa:

  • aparecer na tela CICS;

  • receber validação;

  • ser gravado na tabela Db2;

  • entrar no SELECT, no INSERT e no UPDATE;

  • talvez exigir alteração de DCLGEN;

  • aparecer em relatórios;

  • ser enviado para um arquivo de integração;

  • ser lido pelo batch noturno;

  • afetar cálculo de faturamento;

  • ser registrado para auditoria;

  • passar por teste integrado;

  • ser promovido por uma cadeia de homologação;

  • ter plano de retorno caso a mudança cause erro.

Aquela “linha nova” deixou de ser uma linha. Ela agora é uma alteração transversal.

No universo mainframe, o programa COBOL raramente vive sozinho. Ele mora num condomínio antigo, muito eficiente, com regras, vizinhos e portaria.

Usuário
  ↓
Tela CICS
  ↓
Programa COBOL
  ↓
Copybook / validações
  ↓
Db2 ou VSAM
  ↓
JCL batch / arquivos / MQ / sistemas parceiros
  ↓
Auditoria, operação e reconciliação

A estimativa boa não pergunta apenas “quanto código será escrito?”. Ela pergunta:

“Quais sistemas, regras, dados, pessoas e riscos acordam quando mexemos nesta parte?”




1. Estimativa não é prazo, não é promessa e não é produtividade individual

Essa é a primeira regra que Micky escreveria na parede da sala de planning.

Uma estimativa é uma avaliação de tamanho ou esforço provável. Um prazo é uma data no calendário. Um compromisso é uma decisão explícita de entrega. Produtividade é outra conversa ainda.

Misturar tudo cria a clássica tragédia corporativa:

  1. o time dá uma estimativa;

  2. alguém transforma a estimativa em data;

  3. alguém transforma a data em promessa;

  4. alguém transforma a promessa em cobrança;

  5. o time aprende a inflar números para sobreviver;

  6. a empresa conclui que “Agile não funciona”.

Não foi o Agile que falhou. Foi o uso da estimativa como arma contratual.

Pontos não são horas

Muitas equipes usam Story Points, pontos de história. Eles representam tamanho relativo, não tempo exato.

Se uma pequena correção conhecida vale 1 ponto e uma mudança com impacto em COBOL, Db2 e batch parece cinco vezes mais complexa, ela pode receber 5 pontos.

Isso não significa:

5 pontos = 5 horas

Nem:

8 pontos = 8 dias

Pontos são como fichas de pôquer: seu valor é compreendido pela mesa, não por quem chega de fora querendo converter tudo para reais.

Uma equipe pode concluir, após algumas sprints, que normalmente entrega cerca de 20 a 25 pontos por sprint. Isso é sua velocidade histórica. Ajuda a fazer previsões coletivas.

Mas cuidado: velocidade não é placar individual.

Comparar desenvolvedores por pontos é como avaliar um cirurgião pela quantidade de pontos que ele deu no paciente. A métrica pode até crescer; o resultado que importa pode piorar muito.




2. O que o time realmente estima?

Uma boa estimativa mistura pelo menos quatro cartas.


Esforço

Quanto trabalho será necessário: análise, código, testes, documentação, implementação, acompanhamento.

Complexidade

Quantas partes interagem? Há regras de cálculo? Há várias tabelas? Existem caminhos alternativos? O fluxo CICS chama outros módulos?

Risco

O que pode falhar? Há mudança em tabela crítica? Existe janela batch apertada? A alteração afeta folha, crédito, PIX, cobrança ou relatório regulatório?

Incerteza

O que ainda não sabemos? Há documentação? O dono de negócio confirmou a regra? O fornecedor respondeu? Alguém sabe quem consome aquele arquivo?

Uma história com pouco código pode ser grande porque tem alto risco ou alta incerteza. É por isso que a estimativa feita apenas olhando o número de linhas COBOL costuma ser uma armadilha.

Um MOVE pode ser simples. Um MOVE dentro de um programa que alimenta liquidação financeira às 2h da manhã talvez seja um convite para conhecer a equipe de operação antes do café.


3. Antes de estimar: refinamento, o detector de blefe

Em Quebrando a Banca, ninguém deveria entrar numa mesa sem observar o jogo. Em Agile, ninguém deveria estimar uma história que ainda é uma névoa poética.

Veja este item:

“Modernizar o sistema de cadastro.”

Isso não é uma história pronta. É uma declaração de intenções, talvez um pedido de socorro, talvez o começo de uma tese de doutorado.

Compare com:

“Como analista de atendimento, quero visualizar o percentual de desconto aprovado no cadastro CICS para conferir a regra aplicada antes de confirmar a operação.”

Agora já existe usuário, necessidade e contexto. Ainda faltam detalhes, mas existe algo conversável.

Antes da estimativa, faça perguntas simples e devastadoras.

  • Qual problema de negócio será resolvido?

  • Quem usa a função?

  • Qual é o critério de aceite?

  • Onde o dado nasce?

  • Onde ele é validado?

  • Onde ele é persistido?

  • Que programas o leem?

  • Há impacto em Db2, VSAM, CICS, IMS, MQ ou arquivos?

  • Há batch noturno?

  • Existe integração externa?

  • Quem testa?

  • Como a alteração será desfeita se algo der errado?

  • Há requisito de auditoria, segurança ou LGPD?

  • Qual é a dependência mais perigosa?

Se ninguém sabe responder, não chute um número. Crie uma spike.

Spike: a investigação com crachá e prazo

Uma spike é uma tarefa curta de descoberta. Ela não entrega a funcionalidade final; ela reduz incerteza.

Exemplo:

“Em até dois dias, mapear programas COBOL, tabelas Db2, layouts de arquivo e jobs afetados pelo novo percentual de desconto.”

No fim da spike, a equipe deve produzir algo útil:

  • lista de componentes impactados;

  • riscos encontrados;

  • opções técnicas;

  • protótipo;

  • decisão de arquitetura;

  • nova história mais clara e estimável.

A spike é o momento em que o time deixa de perguntar “quanto custa?” e passa a perguntar “o que estamos comprando?”.


4. As oito técnicas de estimativa — e o que elas fazem de verdade

A imagem original apresenta oito técnicas úteis. Algumas são excelentes para estimar; outras funcionam melhor para organizar ou priorizar. A diferença importa.

Vamos percorrê-las como se Micky Rosa estivesse ensinando uma equipe COBOL a perceber que não existe “uma técnica mágica”, apenas ferramentas adequadas para cada mesa.


4.1 Affinity Mapping — agrupar antes de numerar

No Affinity Mapping, o time coloca várias histórias lado a lado e agrupa itens que parecem ter tamanho parecido.

Você pode começar com colunas como:

Muito pequeno | Pequeno | Médio | Grande | Muito grande | Incerto

Depois, caso necessário, converte para Story Points:

1 | 2 | 3 | 5 | 8 | 13

Imagine estas solicitações:

  • corrigir texto de mensagem CICS;

  • ajustar máscara de data;

  • incluir validação de CPF;

  • acrescentar campo em tabela Db2;

  • criar novo extrato batch;

  • alterar cálculo de juros e reprocessar histórico.

Mesmo antes de discutir números, o grupo enxerga que as duas primeiras são pequenas, a alteração Db2 é média ou grande, e o reprocessamento histórico pode ser uma criatura de 13 pontos ou maior.

Quando usar

Use Affinity Mapping quando houver muitas histórias e pouco tempo. É excelente para organizar backlog antes de um planejamento de release.

Cuidado mainframe

Não agrupe apenas pelo “tipo de tecnologia”. Duas histórias que mexem em Db2 podem ter tamanhos totalmente diferentes:

  • adicionar um índice pode ser previsível;

  • mudar uma chave de negócio pode afetar integridade, performance, batch, replicação e reconciliação.

O nome da tecnologia não informa o risco sozinho.


4.2 Big, Small, Unclear — a triagem que salva a sprint

Esta técnica é quase um raio-X do backlog. Em vez de fingir precisão, o time separa itens em três grupos:

  • Big: grande demais, provavelmente precisa ser quebrado;

  • Small: entendido e manejável;

  • Unclear: ainda não sabemos o suficiente.

É simples e poderoso porque normaliza uma frase que deveria ser mais comum em TI:

“Ainda não sabemos.”

Isso não é incompetência. É honestidade operacional.

Exemplo:

SolicitaçãoClassificaçãoPor quê?
Corrigir título de tela CICSSmallEscopo local e claro
Implantar nova tabela de tarifasBigRegras, dados, telas, batch e integração
Adequar à norma regulatóriaUnclearNorma, escopo e impactos precisam ser entendidos

O erro mais comum é tratar “Unclear” como “8 pontos”. Não. “Unclear” pode virar 2, 13 ou uma iniciativa inteira. Primeiro investigue.


4.3 Ordering Protocol — colocando as cartas em ordem

No Ordering Protocol, o grupo ordena itens do menor para o maior. Não começa discutindo se algo é 3 ou 5. Começa perguntando:

“Esta história é maior ou menor que aquela?”

A equipe move os cartões até formar uma sequência coerente.

Exemplo:

Ajustar texto
↓
Validar data
↓
Incluir campo em tela e COBOL
↓
Alterar tabela Db2 e batch
↓
Reprocessar histórico financeiro

Por que funciona?

Porque seres humanos costumam comparar melhor do que medir em absoluto. É mais fácil dizer que um cachorro é maior que um gato do que definir precisamente seu “índice universal de cachorridade”.

No desenvolvimento, comparar reduz discussões artificiais. Se todos concordam que uma história é maior que outra, a escala final fica mais natural.

Dica Bellacosa

Mantenha algumas histórias de referência, conhecidas e já entregues:

  • “Alteração simples em CICS” = 2 pontos;

  • “Novo campo Db2 com batch” = 5 pontos;

  • “Nova regra financeira com integração” = 8 pontos.

Elas funcionam como marcos de quilometragem para a equipe.


4.4 Bucket System — o facilitador organiza, o time decide

O Bucket System acelera a estimativa de uma grande lista de itens. Colocam-se “baldes” de tamanho:

0 | 1 | 2 | 3 | 5 | 8 | 13 | 21 | ?

O facilitador organiza a dinâmica, mas não deveria sair distribuindo pontos sozinho como professor corrigindo prova. A equipe posiciona as histórias, depois revisa os casos controversos.

É ótimo para uma sessão de planejamento trimestral, quando há dezenas de demandas.

Regra de sobrevivência

Quando uma história cai em 21, XL ou “maior que isto”, ela está mandando um recado:

“Quebre-me antes que eu quebre a sprint.”

Uma história grande deve ser fatiada por valor e por fluxo de negócio, não simplesmente por camada técnica.

Ruim:

  • criar tabela;

  • criar programa;

  • criar tela.

Melhor:

  • permitir registrar desconto manual até determinado limite;

  • permitir consultar desconto aplicado;

  • gerar desconto aprovado no arquivo de faturamento.

O segundo corte produz partes testáveis e úteis. O primeiro cria uma sequência técnica que só entrega valor no final.


4.5 Planning Poker — a técnica em que a divergência é ouro

Planning Poker é o clássico. Cada pessoa escolhe sua carta em silêncio, todos revelam ao mesmo tempo e as diferenças são discutidas.

Uma escala comum é Fibonacci:

0, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, ?

Por que Fibonacci? Porque a incerteza cresce junto com o tamanho. A diferença entre 1 e 2 é pequena; entre 13 e 14 quase ninguém conseguiria justificar com seriedade.

Imagine a história:

“Adicionar desconto especial ao cadastro e usar o valor no faturamento.”

O desenvolvedor A escolhe 3. O desenvolvedor B escolhe 13.

Antes de escolher “8, para fazer média”, Micky Rosa interrompe:

“Por que 3? Por que 13?”

Talvez o A tenha pensado apenas na tela e no programa online. B talvez saiba que o faturamento é batch, que existe reprocessamento, que o arquivo vai para uma parceira externa e que a alteração exige homologação regulatória.

A divergência revelou conhecimento que não estava no ticket.

Essa é a verdadeira função do Planning Poker: transformar conhecimento individual em consciência coletiva.

Como conduzir bem

  1. Leia a história e os critérios de aceite.

  2. Tire dúvidas essenciais.

  3. Cada pessoa escolhe uma carta sem mostrar.

  4. Todos revelam ao mesmo tempo.

  5. Quem escolheu o menor e o maior número explica o raciocínio.

  6. Discuta impactos, riscos e suposições.

  7. Vote novamente.

  8. Registre decisões e pendências.

Não é necessário unanimidade religiosa. É necessário entendimento suficiente para trabalhar com responsabilidade.


4.6 Three-Point Estimation — otimismo, realidade e o fantasma do pior caso

A estimativa de três pontos é útil quando risco e prazo precisam ser discutidos de forma mais explícita.

Você calcula três cenários:

  • Otimista (O): tudo ocorre bem;

  • Mais provável (M): cenário normal;

  • Pessimista (P): problemas realistas acontecem.

Uma fórmula PERT bastante usada é:

E=O+4M+P6E = \frac{O + 4M + P}{6}

Exemplo: descobrir impacto de uma mudança em arquivo bancário.

  • O = 2 dias, se houver documentação e nenhum consumidor oculto;

  • M = 5 dias, se for necessário validar programas e testes;

  • P = 12 dias, se houver fornecedor, layout antigo e reconciliação histórica.

E=2+4(5)+126=346≈5,7E = \frac{2 + 4(5) + 12}{6} = \frac{34}{6} \approx 5{,}7

A conclusão não é “prometa 5,7 dias”. A conclusão é:

“A previsão central é próxima de seis dias, mas existe risco considerável. Precisamos tratar as causas que levam ao cenário de doze.”

Talvez a ação correta seja envolver o fornecedor cedo, recuperar layout oficial do arquivo ou fazer uma spike.

Curiosidade

A técnica vem de ideias usadas em PERT, método criado para lidar com projetos complexos e incertos. Ela continua relevante porque reconhece algo que alguns cronogramas tentam esconder: o futuro não vem em linha reta.


4.7 Dot Voting — escolha o que vem antes, não o que “dá mais trabalho”

Dot Voting é uma ótima técnica, mas é frequentemente colocada no lugar errado.

Ela é mais útil para priorização do que para estimativa.

Cada pessoa recebe, por exemplo, três pontos adesivos e vota nas iniciativas que acredita terem maior valor, urgência ou redução de risco.

Você pode perguntar:

  • qual item reduz maior risco operacional?

  • qual atende obrigação legal?

  • qual elimina maior volume de trabalho manual?

  • qual beneficia mais usuários?

  • qual precisa ser descoberto primeiro?

Considere este backlog:

ItemValorEsforço
Corrigir falha RACFAltoMédio
Modernizar cores de telaBaixoPequeno
Adequar obrigação legalMuito altoGrande
Automatizar conciliação manualAltoMédio

Os votos ajudam a escolher o que vem primeiro. A estimativa ajuda a entender quanto custa. As duas coisas não são iguais.

O item mais urgente pode ser o maior. O item mais fácil pode ter valor mínimo. Confundir prioridade com tamanho é como escolher uma rota de avião apenas pela distância, ignorando tempestade, combustível e aeroporto de destino.


4.8 T-shirt Sizing — o roadmap de camiseta

T-shirt Sizing usa tamanhos:

XS | S | M | L | XL

É uma maneira rápida de discutir tamanho em níveis altos, antes de existir detalhe suficiente para Planning Poker.

TamanhoInterpretação prática
XSmudança local, muito conhecida
Salteração pequena e previsível
Mvários pontos de impacto, caminho claro
Lregra complexa ou integração relevante
XLgrande demais; dividir ou investigar

É especialmente bom em conversas de roadmap com negócio e gestão. Ninguém precisa fingir que já sabe o número de horas de uma iniciativa que será feita daqui a seis meses.

Micky Rosa diria:

“Você não precisa saber a carta exata antes de ela ser virada. Mas precisa saber se está apostando uma ficha ou a mesa inteira.”


5. Como estimar uma história COBOL: passo a passo

Vamos usar uma história completa:

“Como analista de crédito, quero aplicar percentual de desconto autorizado ao cálculo da parcela, para que clientes elegíveis recebam a condição comercial aprovada.”

Passo 1 — Entenda o fluxo de negócio

Antes de abrir o código, descubra:

  • quem autoriza o desconto;

  • qual limite é permitido;

  • o desconto vale para todas as parcelas?

  • existe validade?

  • há necessidade de trilha de auditoria?

  • é permitido alterar desconto depois de faturado?

Passo 2 — Mapeie os componentes técnicos

Procure:

  • programa COBOL online;

  • BMS map e tela CICS;

  • copybooks;

  • tabelas Db2;

  • SQL embutido;

  • DCLGEN;

  • jobs JCL;

  • arquivos de interface;

  • programas batch;

  • relatórios;

  • rotinas de auditoria;

  • testes existentes.

A ferramenta pode mudar — ISPF, IDz, VS Code com extensões, busca em repositório —, mas a pergunta é a mesma: “onde esse dado vive e para onde ele viaja?”

Passo 3 — Liste riscos e dependências

Por exemplo:

  • alteração de tabela exige DBA;

  • mudança no arquivo exige acordo com parceiro;

  • o batch tem janela curta;

  • não existe ambiente de teste representativo;

  • o cálculo é usado por vários produtos;

  • há massa histórica que precisa ser preservada.

Passo 4 — Quebre a história, se necessário

Talvez ela seja grande demais. Você pode separar:

  1. cadastrar e consultar o desconto;

  2. validar limites e registrar auditoria;

  3. usar desconto em novo faturamento;

  4. avaliar necessidade de reprocessamento histórico.

Não esconda o reprocessamento dentro da história principal como se fosse uma nota de rodapé. Reprocessamento financeiro é quase sempre uma carta que merece ser vista.

Passo 5 — Escolha a técnica

  • poucas histórias importantes: Planning Poker;

  • muitas histórias parecidas: Affinity Mapping ou Buckets;

  • muita incerteza: Spike e Three-Point Estimation;

  • roadmap inicial: T-shirt Sizing.

Passo 6 — Registre suposições

Uma estimativa sem suposição documentada vira discussão de memória seletiva depois.

Exemplo:

Estimativa de 8 pontos, assumindo que não haverá alteração retroativa de parcelas já faturadas e que o layout externo não muda.

Se a regra mudar, a estimativa muda. Não é “o time errou”. O escopo foi alterado.


6. Os erros que fazem a estimativa virar cassino sem Micky Rosa

Estimar sem critério de aceite

“Criar relatório” pode significar qualquer coisa entre um DISPLAY em batch e um documento regulatório com reconciliação, assinatura, distribuição e retenção.

Usar estimativa para pressionar pessoas

Quando a estimativa vira cobrança individual, todos aprendem a se defender, não a colaborar.

Transformar pontos em horas

Pontos são comparativos. Horas são calendário e disponibilidade. Ambas podem coexistir, mas não são sinônimos.

Esquecer trabalho invisível

Análise, testes, revisão, documentação, deploy, acompanhamento pós-produção e correção de falhas fazem parte da entrega.

Se um time estima apenas “tempo de codar”, está tratando o desenvolvimento como se COBOL compilasse, sorrisse e se promovesse sozinho.

Aceitar histórias XL dentro da sprint

Uma história gigante diminui previsibilidade, dificulta teste e costuma terminar com a frase “está 90% pronto” durante três semanas.

Em sistemas críticos, 90% pronto pode significar 0% entregável.

Confundir estimativa com adivinhação

Uma estimativa muda quando aparece informação nova. Isso é esperado.

O erro não é atualizar a previsão; erro é fingir que a informação nova não existe para proteger uma data antiga.


7. O verdadeiro poder escondido da estimativa Agile

A maior entrega de uma boa sessão de estimativa não é o número 5, 8 ou 13.

É o time descobrir, antes da produção:

  • que há uma copybook compartilhada;

  • que o campo também precisa existir no arquivo;

  • que a tabela Db2 possui dependências;

  • que existe uma regra de auditoria;

  • que o batch usa uma lógica diferente da tela;

  • que outro sistema consome o dado;

  • que a regra de negócio ainda não foi decidida.

A estimativa cria conversa técnica. A conversa técnica cria entendimento. O entendimento diminui retrabalho, incidentes e aquela famosa reunião de crise em que todos dizem “ninguém avisou”.

No mundo COBOL, em que décadas de regra de negócio podem estar preservadas dentro de programas, JCL, CICS e Db2, isso vale ouro.


Epílogo — a lição de Micky Rosa para o programador iniciante

O programador iniciante muitas vezes acha que estimar é uma tarefa de gerente, Scrum Master ou analista. Não é. Sua visão técnica é parte essencial do processo.

Quando você pergunta:

“Esse campo também entra no arquivo de fechamento?”

ou:

“Há programas batch que leem esta tabela?”

ou ainda:

“Como vamos testar o retorno se a atualização Db2 falhar no meio?”

você não está “complicando”. Está evitando que a mesa inteira aposte sem ver as cartas.

Agile não pede que você prometa o impossível com um sorriso e um post-it. Ele pede que o time enxergue o trabalho com clareza suficiente para tomar decisões melhores.

Então, na próxima vez que alguém disser “é só uma alteração pequena”, faça como Micky Rosa: observe a mesa, confira o histórico, pergunte o que está escondido e só então coloque sua ficha.

Porque, no mainframe, a alteração pequena quase sempre começa pequena.

O restante da história costuma estar escondido em alguma copybook.




sexta-feira, 21 de abril de 2023

Agile sem Mistérios no IBM Z : O Guia Definitivo do Programador COBOL Padawan para Sobreviver ao Mundo Ágil sem Esquecer as Lições da Tela Verd

 

Bellacosa Mainframe agile sem misterios no ibm z

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Agile sem Mistérios no IBM Z

O Guia Definitivo do Programador COBOL Padawan para Sobreviver ao Mundo Ágil sem Esquecer as Lições da Tela Verde

"Um Jedi não luta contra a mudança. Ele aprende a usá-la a seu favor."

Existe um momento na vida de praticamente todo programador COBOL em que alguém entra na sala e anuncia:

"A partir da próxima semana vamos trabalhar em Agile."

Imediatamente surgem dezenas de pensamentos.

"Mas COBOL não é batch?"

"Como fazer Sprint se meu programa roda quatro horas?"

"Quem inventou Daily Meeting?"

"O Product Owner entende o que é um SQLCODE -904?"

"Como colocar DevOps num ambiente onde existe Change Management, CAB, RACF, CICS, Db2, IMS e três ambientes de homologação?"

Respire.

A boa notícia é que praticamente todos os grandes bancos do planeta trabalham hoje utilizando alguma adaptação de Agile sobre IBM Z.

Na verdade...

Existe uma ironia curiosa.

O mainframe já fazia diversas coisas "ágeis" muito antes do Manifesto Ágil existir.

Vamos descobrir por quê.


A Grande Mentira Sobre Agile

Muitos iniciantes acreditam que Agile significa:

trabalhar rápido.

Não.

Outros acreditam que significa:

fazer reuniões.

Também não.

Outros imaginam:

não existe documentação.

Errado novamente.

Agile significa algo muito mais simples.

Reduzir o custo da mudança.

Essa é a verdadeira definição.

Quanto mais cedo você descobrir um erro...

...mais barato ele fica.


O Mundo Antes do Agile

Imagine desenvolver um sistema bancário em 1988.

O fluxo era mais ou menos assim:

Levantamento

↓

Análise

↓

Especificação

↓

Projeto

↓

Programação

↓

Testes

↓

Homologação

↓

Produção

Tudo parecia organizado.

O problema?

O cliente só via o sistema depois de um ano.

Quando via...

Descobria que queria outra coisa.

Dinheiro perdido.


O Manifesto Ágil

Em 2001, dezessete especialistas reuniram-se nas montanhas de Utah.

Eles perceberam algo curioso.

Os projetos que davam certo...

...quase nunca seguiam o processo enorme definido nos livros.

Então criaram quatro valores famosos.

Pessoas acima de processos.

Software funcionando acima de documentos gigantes.

Colaboração acima de contratos.

Adaptabilidade acima de seguir planos cegamente.

Observe.

Eles nunca disseram que documentação é ruim.

Disseram apenas que ela não pode ser mais importante que entregar valor.


O IBM Z Sempre Foi Mais Ágil do Que Parece

Aqui vem um dos primeiros easter eggs.

Muito antes do Scrum existir...

o operador de produção já fazia ciclos extremamente curtos.

Imagine.

Executa Job

↓

Analisa JESMSGLG

↓

Corrige JCL

↓

Executa novamente

Isso é um loop.

Agile adora loops.


Outro exemplo.

Compile

↓

Linkedit

↓

Teste

↓

Erro

↓

Corrige

↓

Compile novamente

Outro Sprint.

Sem ninguém perceber.


O Backlog no Mainframe

Imagine um banco.

Backlog:

Novo PIX

Nova TED

Mudança no boleto

Correção fiscal

Nova regra do BACEN

Mudança LGPD

Novo relatório

Integração Open Finance

Atualização cambial

Tudo isso entra numa única fila.

Essa fila é o Product Backlog.

Ela muda diariamente.


Quem Decide?

No mundo COBOL existe uma figura curiosa.

O usuário de negócio.

Ele normalmente conhece:

  • contas

  • empréstimos

  • cartões

  • seguros

Mas talvez nunca tenha ouvido falar em:

DSNHLI

SQLCA

RACF

IMS

CICS

VSAM KSDS

É exatamente por isso que existe o Product Owner.

Ele traduz o negócio.

Você traduz tecnologia.


Sprint

Agora imagine um Sprint de duas semanas.

Objetivo:

Permitir PIX Agendado.

Não é:

Modificar programa COBOL.

Observe a diferença.

O Sprint entrega valor.

Não código.


O Trabalho do Padawan COBOL

Durante o Sprint você pode receber tarefas como:

Modificar programa COBOL.

Criar novo COPYBOOK.

Alterar tabela Db2.

Criar PACKAGE.

Executar BIND.

Modificar CICS.

Atualizar MQ.

Criar API via z/OS Connect.

Tudo isso pertence ao mesmo Sprint.


A Daily Meeting

Aqui nasce uma das maiores lendas do Agile.

A Daily NÃO existe para o gerente descobrir quem trabalhou.

Ela serve para sincronizar conhecimento.

Imagine dez desenvolvedores.

Sem Daily.

Todos alteram o mesmo COPYBOOK.

Caos.

Com Daily.

Todos sabem quem está mexendo em quê.


User Story

No Agile quase tudo começa assim.

Como cliente

Quero agendar um PIX

Para realizar pagamentos futuros.

Isso parece simples.

Mas escondido existem dezenas de tarefas.

COBOL.

Db2.

MQ.

Logs.

SMF.

Segurança.

RACF.

Auditoria.

Rollback.

Monitoramento.

Performance.


Definition of Done

Esse conceito salva projetos.

Pronto significa:

Compila?

Sim.

Testado?

Sim.

Code Review?

Sim.

Documentado?

Sim.

Pipeline passou?

Sim.

Deploy aprovado?

Sim.

Agora sim.


Agile no Batch

Muitos acreditam:

"Batch não combina com Agile."

Grande engano.

Imagine um processamento noturno.

Antes:

8 horas

↓

ABEND S0C7

↓

Descobre de manhã.

Hoje:

Testes automatizados.

Validação.

Mock.

Datasets de teste.

Pipeline.

Muito menos risco.


Agile e CICS

Imagine uma transação bancária.

Sprint:

Criar nova tela BMS

↓

Modificar COBOL

↓

Atualizar MAPSET

↓

Testar CEDF

↓

Publicar

Tudo acontece dentro de um Sprint.


Agile e Db2

Outro exemplo.

Nova tabela

↓

DDL

↓

RUNSTATS

↓

BIND PACKAGE

↓

BIND PLAN

↓

Testes

↓

Deploy

Observe.

Não existe "programar".

Existe entregar uma funcionalidade.


Agile e DevOps

Hoje praticamente todo ambiente moderno IBM Z trabalha próximo disso:

Git

↓

Commit

↓

Pipeline

↓

Compile COBOL

↓

DBB

↓

Testes

↓

Code Review

↓

Deploy automático

↓

Validação

↓

Produção

Isso é Agile em estado puro.


O Grande Inimigo

O maior inimigo do Agile não é o waterfall.

É o multitasking.

Imagine.

Você começa:

Projeto A.

Parou.

Projeto B.

Parou.

Projeto C.

Parou.

Projeto D.

No fim...

Nada termina.


O Custo da Mudança

Existe um gráfico famoso.

Quanto mais tarde um erro aparece...

Mais caro fica.

No mainframe isso é ainda mais verdadeiro.

Imagine descobrir em produção:

MOVEs invertidos

↓

Saldo incorreto

↓

Milhões de contas afetadas

Quanto custou?

Muito.


Testes Automatizados

O Padawan moderno aprende rapidamente:

Testar manualmente não escala.

Hoje temos:

ZUnit.

Galasa.

IBM Z Virtual Test Platform.

Frameworks internos.

Tudo isso reduz riscos.


Integração Contínua

O velho fluxo:

sexta-feira

↓

deploy

↓

rezar

Foi substituído por:

Commit

↓

Pipeline

↓

Testes

↓

Deploy

Muito menos adrenalina.


Easter Egg nº 1

Você sabia?

O conceito de Sprint lembra muito os ciclos usados pela NASA durante o Projeto Apollo.

Os engenheiros entregavam pequenas evoluções sucessivas em vez de esperar a conclusão de todo o sistema.

Embora o Scrum moderno tenha outra origem, essa abordagem iterativa já aparecia em grandes projetos décadas antes.


Easter Egg nº 2

O próprio JES2 já trabalha em filas priorizadas.

Jobs possuem classes.

Prioridades.

Filas.

Dependências.

Curiosamente...

Muito parecido com um Backlog.


Easter Egg nº 3

O famoso ciclo

Editar

↓

Compile

↓

Execute

↓

Corrija

Existe desde os primeiros compiladores FORTRAN dos anos 1950.

Agile apenas expandiu essa filosofia para toda a organização.


Curiosidade

O maior Sprint do mundo provavelmente acontece diariamente.

Milhões de transações bancárias.

Bilhões de SQLs.

Milhares de Jobs.

Tudo funcionando continuamente.

O cliente nem percebe.


Dicas do Mestre Bellacosa

Nunca comece programando.

Leia a User Story.

Entenda o problema.


Converse com o usuário.

Cinco minutos de conversa economizam cinco dias de retrabalho.


Faça pequenas alterações.

Grandes mudanças geram grandes ABENDs.


Compile frequentemente.

Esperar três dias para compilar é receita para desastre.


Automatize tudo.

Quanto menos trabalho manual...

Menos erro humano.


Faça Code Review.

Quatro olhos encontram erros que dois ignoram.


Conheça o fluxo inteiro.

Não seja apenas "o programador COBOL".

Entenda:

JCL.

Db2.

MQ.

CICS.

IMS.

RACF.

SMF.

JES2.

Quanto maior sua visão...

Maior seu valor.


Perigos do Agile

Daily infinita

Se durar uma hora...

Não é Daily.


Sprint sem objetivo

"Vamos fazer algumas tarefas."

Isso não é Sprint.


Product Owner ausente

Sem prioridades...

Tudo vira prioridade.


Backlog gigante

Cinco mil histórias.

Ninguém consegue administrar isso.


Dívida técnica

"Depois corrigimos."

Depois nunca chega.


Falta de testes

Agile sem testes automatizados vira loteria.


Deploy manual

Copiar Load Module na mão em pleno século XXI aumenta o risco operacional.


Mudanças durante o Sprint

Se tudo muda todos os dias...

Nada termina.


Vantagens

✔ Feedback constante.

✔ Menor risco.

✔ Cliente participa.

✔ Correções rápidas.

✔ Maior qualidade.

✔ Melhor previsibilidade.

✔ Integração entre equipes.

✔ Evolução contínua.

✔ Entregas frequentes.

✔ Melhor moral da equipe.


Desvantagens

Também existem.

Nem tudo são flores.

Agile pode sofrer quando:

  • a organização não dá autonomia ao time;

  • o Product Owner não consegue priorizar;

  • a equipe é constantemente interrompida por demandas urgentes;

  • a documentação é negligenciada em nome da velocidade;

  • há dependências fortes de sistemas legados sem planejamento adequado.

Além disso, ambientes regulados — comuns no setor financeiro — exigem controles formais de auditoria, segregação de funções e aprovação de mudanças. O desafio não é abandonar essas práticas, mas integrá-las ao fluxo ágil com automação, pipelines e governança.


O Caminho do Programador COBOL Padawan

No universo Bellacosa Mainframe, Agile não é um modismo nem uma desculpa para fazer reuniões. É uma maneira de reduzir riscos, aprender continuamente e entregar valor sem comprometer a estabilidade do IBM Z.

O Padawan que domina apenas COBOL escreve bons programas. O que compreende Agile, DevOps, testes automatizados, observabilidade, integração contínua, arquitetura e o ciclo de vida completo do software torna-se um profissional capaz de dialogar com desenvolvedores distribuídos, arquitetos, analistas de negócio, DBAs, administradores CICS e equipes de operações.

No fim da jornada, a maior lição é simples: o verdadeiro poder do Agile não está nos Sprints, nas Dailies ou nos quadros Kanban. Está na capacidade de transformar conhecimento em melhoria contínua. É exatamente isso que mantém o IBM Z relevante há mais de seis décadas: evoluir constantemente sem abrir mão da confiabilidade.

Como diria um velho Mestre Jedi do datacenter:

"O código pode ser legado. A forma de pensar nunca deve ser."

 

sábado, 5 de setembro de 2009

📉 Por que o MS Project caiu em desuso nas equipes modernas?

Bellacosa Mainframe apresenta o fim do Ms Project


Ao estilo Bellacosa Mainframe — direto, pragmático e sem romantizar ferramenta legada:


📉 Por que o MS Project caiu em desuso nas equipes modernas?

O MS Project nasceu em um mundo onde planejar era mais importante do que aprender.
Projetos eram previsíveis, lineares e comandados por um Project Manager centralizador.
Esse mundo acabou.

Hoje, projetos mudam toda semana.
E o MS Project não lida bem com mudança constante.


⚙️ O que mudou no jogo

1️⃣ Do Plano Fixo para o Fluxo Contínuo

  • MS Project → cronograma fechado, dependências rígidas

  • Mundo atual → backlog vivo, prioridades dinâmicas

Atualizar um Gantt a cada mudança:

  • consome tempo

  • não gera valor

  • cria falsa sensação de controle


2️⃣ Do Comando e Controle para Times Autônomos

  • MS Project pressupõe:

    • um dono do plano

    • tarefas atribuídas de cima para baixo

  • Agile / DevOps exigem:

    • auto-organização

    • visibilidade compartilhada

    • decisão no nível do time

O MS Project não conversa com times auto-geridos.


3️⃣ Planejamento por Datas vs Planejamento por Valor

  • MS Project pergunta: “quando termina?”

  • Agile pergunta: “qual valor entregamos agora?”

Hoje, valor entregue > cronograma perfeito.


🔁 Quem ocupou o lugar do MS Project?

O MS Project não teve um substituto direto.
Ele foi desmontado em partes.

🔹 Planejamento e Backlog

  • Jira

  • Azure DevOps

  • Rally

👉 substituíram o planejamento detalhado por backlog priorizado


🔹 Fluxo de Trabalho

  • Kanban Boards

  • Trello

  • Jira Boards

👉 substituíram o Gantt por fluxo visual em tempo real


🔹 Roadmap e Visão

  • Product Roadmap

  • Product Vision

  • OKRs

👉 substituíram o cronograma mestre por direção estratégica flexível


🔹 Execução e Métricas

  • Velocity

  • Lead Time

  • Cycle Time

  • Burnup / Burndown

👉 substituíram o % completo do MS Project, que nunca refletiu a realidade


🧠 O verdadeiro motivo do desuso

O MS Project não é ruim.
Ele só resolve um problema que quase não existe mais.

Projetos previsíveis, estáveis, com escopo fechado.

Hoje temos:

  • produto em evolução

  • requisitos emergentes

  • integração contínua

  • entrega contínua

MS Project não acompanha ritmo de pipeline.


🧾 Onde o MS Project ainda sobrevive

Ele não morreu.
Virou ferramenta de exceção:

  • Engenharia pesada

  • Construção civil

  • Infraestrutura tradicional

  • Projetos regulatórios com escopo fechado

👉 Onde mudança é inimiga, não aliada.


🔚 Conclusão Bellacosa

MS Project planeja projetos.
Agile gerencia incerteza.

Quando a incerteza virou regra,
o MS Project virou peça de museu corporativo.


👉 Resumo para ir mais longe

Durante muitos anos, o Microsoft Project (MS Project) foi uma das principais ferramentas de gerenciamento de projetos do mercado. Seu foco em cronogramas detalhados, dependências complexas, diagramas de Gantt e planejamento de longo prazo refletia a realidade de projetos conduzidos por metodologias tradicionais, especialmente o modelo cascata (waterfall).

Com o crescimento das metodologias ágeis, muitas empresas passaram a enxergar limitações nesse modelo. Em ambientes onde requisitos mudam constantemente, criar planejamentos extremamente detalhados para meses ou anos à frente tornou-se cada vez mais difícil. O problema não era necessariamente a ferramenta, mas a mudança na forma como os projetos passaram a ser conduzidos.

Frameworks como Scrum, Kanban e práticas de Agile priorizam adaptação contínua, entregas frequentes e revisão constante das prioridades. Nesse contexto, ferramentas mais leves e colaborativas, como Jira, Trello, Azure DevOps e outras plataformas digitais, ganharam espaço por facilitarem o gerenciamento dinâmico de backlogs, sprints e fluxos de trabalho.

Mesmo assim, o MS Project não desapareceu. Ele continua sendo amplamente utilizado em áreas como engenharia, construção civil, infraestrutura, projetos governamentais e iniciativas que exigem forte controle de cronograma e recursos.

A grande transformação ocorreu na cultura de gestão. O foco deixou de ser apenas prever todo o futuro do projeto e passou a incluir adaptação rápida, colaboração entre equipes e resposta eficiente às mudanças constantes do mercado.


terça-feira, 17 de março de 2009

🧠 Agile de Verdade: Por que Planejar Tudo no Início Falha (e o que Fazer em Vez Disso)

 

Bellacosa Mainframe agile kanbam estouro de prazo

🧠 Agile de Verdade: Por que Planejar Tudo no Início Falha (e o que Fazer em Vez Disso)

Por El Jefe — Estilo Bellacosa Mainframe


Introdução: o som dos prazos passando voando

Douglas Adams resumiu melhor do que qualquer framework:

“Eu amo prazos. Adoro o som que eles fazem quando passam voando. Whoosh!”

Se você trabalha com projetos — especialmente em TI, mainframe, DevOps ou software corporativo — já ouviu esse som.
Planejamos tudo no início, cravamos uma data… e erramos.

A pergunta não é se isso vai acontecer.
A pergunta é: por que insistimos em fazer isso?


O erro clássico: decidir tudo quando você sabe o mínimo

No início de um projeto, sabemos quase nada:

  • Requisitos ainda são hipóteses

  • Sistemas dependentes mudam

  • Patches surgem

  • Prioridades do negócio se ajustam

Mesmo assim, é exatamente nesse momento que:

  • Criamos cronogramas longos

  • Estimamos prazos fixos

  • Prometemos entregas distantes

📌 Bellacosa rule #1

Não decida tudo no ponto em que você sabe menos sobre o problema.


A analogia dos pinguins (e por que ela funciona)

Imagine atravessar um campo cheio de pinguins em movimento.

  • No início, você escolhe os primeiros passos

  • No meio do caminho, o cenário já mudou

  • Quanto mais avança, melhor é sua visão

Agora troque:

  • Pinguins por dependências

  • Campo por projeto

  • Movimento por mudança constante

Isso é desenvolvimento de software.
Isso é modernização de sistemas.
Isso é Agile.


Planejamento iterativo: navegar, não adivinhar

Agile não elimina planejamento.
Ele elimina planejamento ilusório.

A ideia é simples:

  • Planeje o que você conhece agora

  • Avance um pouco

  • Aprenda

  • Ajuste

  • Repita

🎯 Precisão real:

  • Planejar 3 meses à frente → ~50% de acurácia

  • Planejar 2 semanas → quase 100%

📌 Bellacosa rule #2

Agile não tenta ser onisciente. Agile aprende rápido.


O segundo grande erro: trocar cargos sem mudar mentalidade

Quando empresas “viram Agile”, algo perigoso costuma acontecer:

  • Product Manager vira Product Owner

  • Project Manager vira Scrum Master

  • Time de desenvolvimento vira “Scrum Team”

Tudo isso sem treinamento.

Resultado? Fracasso previsível.


Product Manager ≠ Product Owner

  • Product Manager

    • Cargo

    • Foco em orçamento e operação

  • Product Owner

    • Papel do Scrum

    • Visionário

    • Conecta negócio e tecnologia

    • Define valor e experimentos

📌 Podem ser a mesma pessoa? Sim.
📌 Devem ser automaticamente? Não.


Project Manager ≠ Scrum Master

Aqui mora o choque cultural.

Project Manager

  • Controla tarefas

  • Cobra plano

  • Documenta riscos

Scrum Master

  • Atua como coach

  • Remove impedimentos

  • Protege o time

  • Incentiva auto-organização

📌 Diferença brutal
O Project Manager pergunta:

“Como você vai se destravar?”

O Scrum Master diz:

“Deixa comigo. Vai produzir.”


Development Team ≠ Scrum Team

  • Development Team: só desenvolvedores

  • Scrum Team: time cross-functional

Inclui:

  • Dev

  • Teste

  • Ops

  • Segurança

  • Negócio

📌 Agile sem time multidisciplinar é teatro corporativo.


Sem apoio da gestão, Agile não escala

Essa é a verdade que dói.

Gestão tradicional pergunta:

  • “O que você entrega até o fim do ano?”

Gestão ágil pergunta:

  • “O que você entrega nas próximas duas semanas?”

  • “Qual valor chega ao cliente neste sprint?”

📌 Bellacosa rule #3

Agile só funciona quando a liderança muda as perguntas.


Ferramentas não tornam ninguém ágil

Kanban, Jira, ZenHub, GitHub…
Ferramentas não criam mindset.

Elas apenas:

  • Dão visibilidade

  • Sustentam o processo

  • Reduzem ruído

Se o processo é Waterfall, o Kanban vira um Gantt disfarçado.


Kanban sem frescura: simples, visual e honesto

Kanban é só isso:

  • O que preciso fazer

  • O que estou fazendo

  • O que já fiz

Trabalho flui da esquerda para a direita.
Sem mágica. Sem burocracia.


Pipelines: uma visão clara do fluxo

Um Kanban típico tem:

  • New Issues – entrada

  • Icebox – longo prazo

  • Product Backlog – tudo que queremos

  • Sprint Backlog – próximas duas semanas

  • In Progress – trabalho ativo

  • Review / QA – validação

  • Done – concluído

📌 Uma única fonte da verdade.
📌 Atualizada automaticamente onde o dev já trabalha.


Conclusão: Agile não é moda, é sobrevivência

Agile não é sobre:

  • Framework

  • Cerimônia

  • Ferramenta

Agile é sobre:

  • Aprender rápido

  • Planejar melhor

  • Entregar valor continuamente

  • Aceitar que o desconhecido faz parte do jogo

📌 Bellacosa final rule

Quem tenta controlar o futuro perde o presente.
Quem aprende continuamente constrói o futuro.



📌 Resumo para ir mais longe

 Um dos princípios mais importantes do movimento Agile é reconhecer uma realidade que muitos projetos tentam ignorar: é impossível planejar tudo com precisão absoluta. Mercados mudam, clientes alteram prioridades, tecnologias evoluem e novos desafios surgem constantemente. Por isso, metodologias ágeis não eliminam o planejamento; elas transformam o planejamento em um processo contínuo.

Durante décadas, muitas organizações acreditaram que documentos extensos e cronogramas detalhados seriam suficientes para prever todo o futuro de um projeto. Na prática, porém, quanto maior o prazo, maior a probabilidade de mudanças. O Agile surgiu justamente para lidar com essa incerteza de forma estruturada.

Em vez de definir todos os detalhes antecipadamente, equipes ágeis trabalham com objetivos claros e ciclos curtos de entrega. A cada sprint, novas informações são analisadas, permitindo ajustes rápidos e redução de riscos. O aprendizado contínuo passa a ser parte integrante do processo.

Outro conceito fundamental é o feedback constante. Clientes, usuários e equipes colaboram para identificar melhorias antes que pequenos problemas se transformem em grandes falhas. Essa abordagem aumenta a capacidade de adaptação e melhora a qualidade das entregas.

O verdadeiro Agile não promete prever o futuro. Ele oferece mecanismos para responder às mudanças de maneira eficiente, permitindo que pessoas, equipes e organizações evoluam continuamente em um ambiente cada vez mais dinâmico e imprevisível.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

🧭 Agile na Prática: Planejamento, Pessoas e Kanban

 

Bellacosa Mainframe apresenta Agile Kanban

🧭 Agile na Prática: Planejamento, Pessoas e Kanban

(Guia Navegável – Estilo Bellacosa Mainframe)


1️⃣ Por que o planejamento inicial leva à perda de prazos

“Não decida tudo quando você sabe o mínimo.”

Planejar tudo no início de um projeto quase sempre leva a prazos estourados porque:

  • No começo do projeto, sabemos muito pouco

  • Requisitos mudam

  • Tecnologias são atualizadas

  • Dependências externas se movem

📌 Analogia dos pinguins
Planejar um projeto é como atravessar um campo cheio de pinguins em movimento:

  • No início, você enxerga pouco

  • No meio, sua visão muda

  • Conforme avança, você aprende e ajusta o caminho

👉 Moral da história:
Planejar tudo no começo é decidir no pior momento possível.


2️⃣ Planejamento iterativo: navegar pelo desconhecido

O Agile propõe planejar conforme o conhecimento aumenta.

  • Planeje apenas o que você conhece agora

  • Avance um pouco

  • Aprenda

  • Ajuste o plano

  • Repita 🔁

🎯 Precisão realista

  • Planejamento de 3 meses → ~50% de precisão

  • Planejamento de 2 semanas → ~100% de precisão

📌 Frase Bellacosa-style

Agile não tenta ser onisciente. Agile aceita que aprender faz parte do plano.


3️⃣ Por que trocar cargos sem treinamento leva ao fracasso

❌ Erro comum nas organizações

“Vamos virar Agile, mas sem mudar as pessoas nem o mindset.”

Isso gera falhas graves.


4️⃣ Product Manager ≠ Product Owner

  • Product Manager

    • Cargo

    • Foco em orçamento e operação

  • Product Owner

    • Papel do Scrum

    • Visionário

    • Conecta stakeholders ao time

    • Define experimentos e objetivos do sprint

📌 Nem todo Product Manager é um bom Product Owner.
E está tudo bem — desde que isso seja reconhecido.


5️⃣ Project Manager ≠ Scrum Master

Diferenças fundamentais:

Project ManagerScrum Master
Gerencia tarefasAtua como coach
Controla planoProtege o time
Documenta riscosRemove impedimentos
Cobra prazosFomenta autonomia

📌 Choque cultural clássico
O Project Manager pergunta:

“Como você vai se desbloquear?”

O Scrum Master responde:

“Deixa comigo. Vai trabalhar em algo produtivo.”


6️⃣ Development Team ≠ Scrum Team

  • Development Team

    • Apenas desenvolvedores

  • Scrum Team

    • Desenvolvedores

    • Testers

    • Ops

    • Segurança

    • Analistas de negócio

📌 Scrum Team é cross-functional
Tudo o que é necessário para gerar um incremento de valor.


7️⃣ O papel crítico da gestão no Agile

“Sem apoio da liderança, Agile vira teatro.”

Gestão tradicional pergunta:

  • “O que você vai entregar até o fim do ano?”

Gestão ágil pergunta:

  • “O que você vai entregar nas próximas duas semanas?”

  • “Como vamos encantar o cliente no próximo sprint?”

📌 Citação-chave

Enquanto líderes insistirem em prazo, escopo e custo fixos, Agile não funciona como foi projetado.


8️⃣ Ferramentas não tornam ninguém ágil

  • Kanban

  • ZenHub

  • Jira

  • GitHub

👉 Nenhuma ferramenta cria mindset ágil sozinha

📌 Primeiro vem o processo
📌 Depois vem a ferramenta


9️⃣ O que é um Kanban Board (sem complicar)

Kanban é apenas:

  • 📝 O que precisa ser feito

  • ⚙️ O que está sendo feito

  • ✅ O que já foi feito

Visual. Simples. Transparente.


🔟 Pipelines do Kanban (ZenHub como exemplo)

🔹 New Issues

  • Caixa de entrada

  • Tudo começa aqui

❄️ Icebox

  • Armazenamento de longo prazo

  • Ideias futuras

📦 Product Backlog

  • Tudo o que queremos fazer algum dia

🏃 Sprint Backlog

  • O que será feito nos próximos 14 dias

⚙️ In Progress

  • Trabalho em execução

  • Dono visível (avatar)

🔍 Review / QA

  • Pull Requests

  • Revisão de código

✅ Done

  • Trabalho concluído pelo desenvolvedor

  • Aceitação ocorre depois, no Sprint Review


🔄 Fluxo do trabalho no Kanban

➡️ Sempre da esquerda para a direita

  • Entrada → Execução → Entrega

  • Visual

  • Atualizado

  • Uma única fonte da verdade

📌 Desenvolvedor não atualiza vários sistemas
📌 Tudo acontece onde ele já trabalha: GitHub


🧠 Conclusão Bellacosa Mainframe

Agile não é sobre prever o futuro.
É sobre aprender mais rápido,
planejar melhor,
e entregar valor continuamente.

📦Resumo para ir mais longe

Implementar Agile na prática vai muito além de adotar cerimônias ou ferramentas. O verdadeiro diferencial das metodologias ágeis está na combinação equilibrada entre planejamento, pessoas e resultados. Embora o Agile valorize a adaptação às mudanças, isso não significa ausência de planejamento. Pelo contrário, o planejamento acontece de forma contínua, permitindo ajustes rápidos conforme surgem novas necessidades do negócio.

Nesse contexto, as pessoas ocupam papel central. Equipes multidisciplinares, comunicação transparente e colaboração constante tornam-se elementos fundamentais para o sucesso dos projetos. Frameworks como Scrum incentivam a participação ativa de todos os envolvidos, promovendo responsabilidade compartilhada e melhoria contínua.

Outro aspecto importante é o foco nos resultados. Em vez de medir sucesso apenas pelo cumprimento de cronogramas, o Agile busca entregar valor real ao cliente por meio de incrementos frequentes e funcionais. Cada sprint representa uma oportunidade de aprendizado, validação e refinamento das prioridades.

A prática ágil também estimula a identificação rápida de riscos, gargalos e oportunidades de melhoria. Reuniões como Daily Scrum, Sprint Review e Retrospective ajudam a manter alinhamento e transparência ao longo do projeto.

Quando bem aplicado, o Agile cria ambientes mais adaptáveis, produtivos e inovadores, permitindo que organizações respondam com maior velocidade às mudanças do mercado sem abrir mão da qualidade e da satisfação dos clientes.

 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

🧠 Agile e Scrum : Do batch noturno ao sprint quinzenal

 

Bellacosa Mainframe em um projeto Agile Scrum 

🧠 Agile e Scrum

Do batch noturno ao sprint quinzenal — uma conversa franca de mainframeiro

“Agile não nasceu para matar o mainframe.
Nasceu para sobreviver ao mundo fora dele.”

— Bellacosa (provavelmente reclamando de um status meeting)


📜 Origem: quando o Waterfall começou a dar abend

Antes de Agile virar buzzword em slide corporativo, o mundo vivia sob o Waterfall:
analisa tudo → projeta tudo → codifica tudo → testa tudo → entrega tudo.

Funcionava…
👉 até o requisito mudar no meio do caminho.

No mainframe, isso era tolerável porque:

  • sistemas eram estáveis

  • mudanças eram raras

  • o batch rodava à noite e ninguém mexia

Fora do CPD, o mundo começou a mudar rápido demais.

📅 2001 – O nascimento oficial do Agile

Em fevereiro de 2001, 17 desenvolvedores se reuniram em Utah (EUA) e escreveram o Manifesto Ágil.

📌 Easter egg histórico:
Nenhum deles falava em ferramenta, framework ou certificado.
Falavam de pessoas, colaboração e adaptação.


🔁 Scrum: o JES2 do Agile

Scrum não é metodologia.
Scrum é framework.

Assim como:

  • JCL não é aplicação

  • JES não é programa

  • ISPF não escreve código

Scrum organiza o fluxo, mas não faz o trabalho por você.

📅 Scrum “oficial”

  • Conceito inicial: 1986 (Takeuchi & Nonaka)

  • Consolidação moderna: anos 1990

  • Popularização absurda: 2010+ (quando começaram a estragar)


👥 Papéis do Scrum (tradução para mainframeiro)

  • Product Owner
    👉 Dono do requisito, como o usuário que assina o change

  • Scrum Master
    👉 Um misto de operador experiente + analista que tira impedimento do caminho

  • Time
    👉 Quem realmente faz o sistema funcionar (igual sempre foi)

📌 Fofoquinha:
Em muitas empresas, o Scrum Master vira “chefe disfarçado”.
Isso quebra o Scrum mais rápido que DELETE sem backup.


🧩 User Story: o novo requisito funcional

User Story é simples:

Como <usuário>, quero <objetivo>, para <valor>.

Se você já escreveu:

  • especificação funcional

  • descrição de programa

  • comentário de COBOL bem feito

👉 você já sabe escrever user story.

💡 Dica Bellacosa

User story grande demais é como JOB com 200 steps:
ninguém entende, ninguém testa, ninguém confia.


📊 Story Points: estimar sem mentir

Story Point não é hora, não é dia, não é prazo.

É:

  • complexidade

  • risco

  • esforço relativo

📌 Easter egg Agile:
Times ruins transformam story point em hora escondida.
Times bons usam para prever, não para cobrar.


🗂️ Backlog e Kanban: o SDSF do projeto

O Product Backlog é a fila do sistema.
O Kanban Board é o painel:

  • To Do

  • In Progress

  • Done

👉 Igual SDSF:

  • você vê o que está rodando

  • o que está esperando

  • o que terminou

💡 Dica prática

Se tudo fica em “In Progress”, o problema não é Agile.
É falta de limite de WIP (Work in Progress).


📉 Burndown Chart: o SMF do Sprint

Burndown chart mostra:

  • quanto trabalho falta

  • se o sprint fecha

  • se alguém mentiu na estimativa

📌 Curiosidade:
Scrum não manda “bater meta”.
Ele apenas mostra a realidade.
Quem não gosta do gráfico geralmente não gosta da verdade.


🧪 Execução diária: o batch agora é contínuo

Daily Stand-up

  • Não é reunião de status

  • Não é para gerente

  • Não passa de 15 minutos

👉 É para sincronizar o time, como um checkpoint lógico.

Sprint Review

  • Mostra o que foi entregue

  • Não é teatro

Retrospective

  • Onde o time melhora

  • Onde a política costuma atrapalhar


🛠️ Ferramentas modernas (com cheiro de CPD)

  • GitHub
    Versionamento, issues, colaboração
    👉 o novo Librarian/Endevor

  • ZenHub
    Agile sobre o GitHub
    👉 backlog, sprint, burndown

  • Boards nativos do GitHub
    Simples, mas funcionais

📌 Fofoquinha de bastidor:
Empresa que compra ferramenta antes de mudar cultura
só troca Waterfall por Agile fake.


🎓 Curso IBM – Quando a teoria encontra a prática

O curso Introduction to Agile Development and Scrum (IBM):

📅 Lançamento: década de 2020
🎯 Público: iniciantes
🧠 Abordagem: prática, direta, sem romantismo

Inclui:

  • Agile

  • Scrum

  • Kanban

  • GitHub

  • ZenHub

  • Projeto final completo

Faz parte do IBM DevOps and Software Engineering Professional Certificate.


🧠 Dicas Bellacosa (aprendidas na dor)

✔ Agile não acelera time ruim
✔ Scrum não salva projeto sem dono
✔ Ferramenta não substitui disciplina
✔ Daily não resolve problema estrutural
✔ Retrospective ignorada vira reunião inútil


🥚 Easter Eggs para quem veio do mainframe

  • Agile é iterativo como release de sistema legado

  • Sprint é mini-release controlado

  • Burndown é SMF emocional do time

  • Kanban é SDSF com post-it

  • Waterfall é batch eterno sem restart


🎯 Conclusão: Agile não é moda, é sobrevivência

O mainframe sobreviveu porque:

  • era estável

  • era disciplinado

  • evoluía sem quebrar

Agile sobrevive pelo mesmo motivo.

👉 Quem entende mainframe entende Agile mais rápido do que imagina.

No fim, muda a ferramenta.
Muda o ritmo.
Mas a verdade continua a mesma:

Sistema bom é aquele que entrega valor
sem acordar ninguém de madrugada.

— Bellacosa Mainframe ☕💾


💾 Resumo Para ir mais longe

A evolução do desenvolvimento de software pode ser comparada à transição do tradicional batch noturno dos mainframes para os modernos ambientes de entrega contínua. Durante décadas, projetos eram conduzidos por modelos rígidos, com longos ciclos de análise, desenvolvimento, testes e implantação. Embora eficientes para sua época, essas abordagens tinham dificuldades para lidar com mudanças frequentes de requisitos.

Foi nesse cenário que surgiram os conceitos de Agile e, posteriormente, o framework Scrum. Baseados no Manifesto Ágil de 2001, esses métodos priorizam colaboração, adaptação, entregas frequentes e foco no valor para o cliente. Em vez de esperar meses ou anos por uma versão completa, as equipes passam a trabalhar em ciclos curtos chamados sprints, entregando incrementos funcionais do produto regularmente.

O Scrum organiza o trabalho por meio de elementos como Product Backlog, Sprint Backlog, Daily Meeting, Sprint Review e Retrospective, promovendo transparência e melhoria contínua. Curiosamente, muitos profissionais de mainframe percebem que conceitos como planejamento rigoroso, controle de mudanças e confiabilidade operacional continuam relevantes mesmo no universo ágil.

Hoje, Agile e Scrum são amplamente utilizados em empresas de todos os portes, integrando-se a práticas como DevOps, automação e cloud computing. O objetivo permanece o mesmo: entregar software de qualidade com rapidez, eficiência e capacidade de adaptação às necessidades do negócio.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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