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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

🔥 CICS TS 5.5 — O CICS que Chegou para Misturar Linguagens, Node.js e APIs Modernas

 

Bellacosa Mainframe anuncia o CICS 5.5

🔥 CICS TS 5.5 — O CICS que Chegou para Misturar Linguagens, Node.js e APIs Modernas



☕ Midnight Lunch em dezembro de 2018 — a versão que virou referência

Se o CICS TS 5.4 trouxe suporte sólido a Java EE e APIs assíncronas, o CICS TS 5.5 fez algo maior: converteu o CICS em uma plataforma verdadeiramente mixed-language, oficialmente abrindo as portas não só para Java, mas também para Node.js, GraphQL, segurança forte, melhores ferramentas de gestão e integração com o mundo moderno.

📌 Em 2018, o CICS deixou de ser “servidor transacional legado” e virou hub de aplicações corporativas modernas.


📅 Datas de marca

📌 Data de Lançamento (GA): dezembro de 2018
📌 Fim de Vida (EOS): CICS TS 5.5 já passou por ciclos de suporte padrão e hoje muitos sites operam em versões posteriores (5.6, 6.x).

💬 Bellacosa comenta:

“5.5 é o release que diz ‘vem com tudo’ para linguagens que não sejam só COBOL e Java — e ele não disse isso timidamente.”


CICS 5.5

🆕 O que há de novo nas entranhas do CICS 5.5

🟡 Suporte oficial a Node.js

Agora o CICS pode hospedar aplicações Node.js diretamente — sem encanação, sem plugin extra — abrindo caminho para arquiteturas full stack modernas rodando no mainframe.
💬 Bellacosa:

“Antes era Java, depois era JSON… agora é asynchronous JavaScript you can call from TN3270 to Web.”


🟡 Enhancements no CICS Explorer

O CICS Explorer ficou ainda mais capaz e produtivo, com visualizações ampliadas, melhores gráficos de dependências e interfaces que facilitam desde a configuração até a análise de métricas.
📌 Uma IDE CICS amigável que reduz aquele medo clássico do terminal 3270.


🟡 GraphQL API integrado

Uma API moderna que permite consultar relações de recursos CICS — ícones, vínculos de workload, Estados de containers, topologia — com consultas expressivas e instantâneas.
🐣 Easteregg: GraphQL no mainframe? Parece coisa da nuvem… mas é real e é útil aqui!


🟡 Segurança reforçada

✔ Default mínimo TLS elevado para 1.2
✔ Keyrings compartilháveis entre regiões
✔ Novos parâmetros de senha e phrases
✔ Suporte SNI em conexões HTTP
💬 Bellacosa:

“Segurança hoje não é detalhe — é exigência regulatória e 5.5 entendeu isso.”


🟡 Desempenho e Performance

✔ Acesso threadsafe às tabelas de coupling facility
✔ Buffers 64-bit para clientes web
✔ CICS-MQ bridge e trigger monitor melhorados
📌 Performance não é só mais rápido — é mais estável, resiliente e observável.


🟡 Linguagens & Runtime Modernos

✔ Node.js
✔ Java EE 8 / Jakarta EE
✔ Spring Boot chamável via LINK
✔ Mapas e containers exploráveis por EXCI
💬 Bellacosa comenta:

“Aqui o mainframe diz: ‘Scripts também têm lugar na festa’.”


🧠 Melhoria contínua e APARs

O CICS TS 5.5 também coleta APARs de entrega contínua, incluindo melhorias em:

  • JWT e OpenID Connect (OIDC) no Liberty JVM server

  • XML e JSON mapping levels avançados

  • Enhanced policy rule types

  • Db2 thread management

  • GraphQL, enhanced inter-resource relationships

Esses ajustes mostram uma filosofia de evolução sem precisar esperar uma nova major release.


🧠 Curiosidades e Eastereggs Bellacosa

🍺 Compuware e suporte Day One — ferramentas como CAFC deram suporte já no dia do lançamento, o que é sinal claro de parceria e maturidade do ecossistema.
🍺 Node.js e CICS — você pode ter aplicações JS servindo dados corporativos direto do mainframe.
🍺 GraphQL — no universo tradicional, consultas eram pesadas e verbosas; aqui são expressivas e rápidas.


🧪 Exemplo prático — “O Portal que Nasceu no Mainframe”

Uma empresa de seguros tinha:

  • Back-end em COBOL + DB2

  • APIs REST servindo clientes móveis

  • Uma camada Web pesada em Linux

Trasnformação com CICS TS 5.5:

  1. Subiram serviços Node.js rodando em CICS

  2. Configuraram GraphQL para consultar recursos e estados

  3. Integraram APIs modernas com JSON direto dos programas tradicionais

  4. Liberaram dashboards internos sem precisar de middlewares extras

💬 Bellacosa resume:

“De servidor transacional para hub de APIs e serviços mistos — tudo em uma só plataforma.”


🧠 Dicas Bellacosa para Explorar o 5.5

✔ Aproveite Node.js para novas aplicações sem descartar legado.
✔ Amarre GraphQL para inspeções profundas de recursos.
✔ Reforçe TLS, criptografia e keyrings compartilháveis para segurança corporativa.
✔ Use CICS Explorer e atualize para as versões mais novas para visualizar métricas completas.


🎯 Conclusão Bellacosa

CICS TS 5.5 não foi apenas um release.
Foi o ponto onde o mainframe se rebelou contra a estagnação e gritou: “Eu sou moderno, escalável, seguro e ágil!”

✔ Node.js prático
✔ GraphQL explorável
✔ JVM / Java EE atualizado
✔ Segurança reforçada
✔ APIs modernas

🔥 5.5 é o CICS que prova — transacional e moderno podem andar de mãos dadas.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

O Caso do Registro que Não Podia Ser Tocando : Quando um Jovem Programador COBOL Descobriu que Dois Usuários Podiam Roubar Dinheiro Sem Serem Ladrões

 

Bellacosa Mainframe e o caso do registro que nao podia ser tocando

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Caso do Registro que Não Podia Ser Tocando

Quando um Jovem Programador COBOL Descobriu que Dois Usuários Podiam Roubar Dinheiro Sem Serem Ladrões

"Existem crimes que deixam impressões digitais. Outros deixam apenas inconsistências no VSAM."


A chuva caía sobre o Centro de Processamento de Dados.

As luzes verdes do IBM Z piscavam lentamente, como se respirassem na escuridão.

Era quase meia-noite.

No monitor 3270, uma única mensagem chamava a atenção do jovem programador COBOL.

RESP = 14

Nenhum ABEND.

Nenhum dump.

Nenhum S0C7.

Nenhum S0C4.

Apenas um simples código de retorno.

Mas, como todo bom investigador sabe, às vezes o menor detalhe esconde o maior dos mistérios.

Foi então que o velho administrador de CICS aproximou-se segurando uma caneca de café.

Sem olhar para o monitor, apenas perguntou:

— Você tentou fazer REWRITE sem entender quem estava segurando a chave do cofre?

O rapaz respondeu:

— Eu só queria alterar um telefone...

O veterano sorriu.

— É exatamente assim que começam todos os grandes mistérios do CICS.

Hoje vamos investigar um dos mecanismos mais importantes de toda a arquitetura CICS: READ UPDATE e REWRITE, dois comandos aparentemente simples, mas responsáveis por proteger bilhões de registros VSAM diariamente em bancos, seguradoras, bolsas de valores, companhias aéreas e órgãos governamentais.

Prepare seu café.

Acenda a luminária verde da mesa.

Porque esta investigação vai muito além de um simples comando COBOL.


O verdadeiro problema nunca foi gravar um registro

Todo programador iniciante pensa assim:

"Quero alterar um cliente."

Então imagina algo parecido com:

Ler

↓

Modificar

↓

Gravar

Parece simples.

E realmente seria...

...se apenas uma pessoa utilizasse o sistema.

Mas o CICS nasceu para outro mundo.

Um mundo onde milhares de pessoas utilizam o mesmo arquivo ao mesmo tempo.

Imagine um banco.

Enquanto você lê este artigo...

Milhares de clientes estão:

  • pagando boletos;

  • transferindo PIX;

  • alterando endereço;

  • consultando saldo;

  • contratando empréstimos;

  • desbloqueando cartão.

Tudo isso pode atingir exatamente o mesmo registro VSAM.

Agora surge a pergunta que assombra arquitetos desde os anos 1970:

Quem ganha quando duas pessoas querem alterar o mesmo registro ao mesmo tempo?


O nascimento do maior vilão dos sistemas online

Seu nome é:

Lost Update

Ele não gera ABEND.

Não trava o CICS.

Não derruba o sistema.

Pior.

Ele produz dados errados.

Imagine o seguinte registro.

Cliente

Saldo

R$ 1.000,00

Agora entram dois caixas.

Caixa A deposita:

+R$ 100,00

Caixa B faz um saque.

-R$ 200,00

Os dois executam:

READ

Ambos recebem:

R$ 1.000,00

Caixa A calcula:

1.100

Grava.

Logo depois...

Caixa B calcula:

800

Também grava.

Resultado final:

R$ 800,00

Mas espere.

O correto seria:

R$ 900,00

Onde desapareceram os R$ 100,00?

Ninguém roubou.

Ninguém fraudou.

Nenhum operador errou.

Foi apenas um clássico caso de Lost Update, um problema de concorrência em que uma atualização sobrescreve a outra por ambas terem partido de uma mesma versão antiga do registro.

É exatamente para impedir esse tipo de situação que o CICS criou um dos mecanismos mais elegantes da computação transacional.


A filosofia do READ UPDATE

Muitos iniciantes acreditam que UPDATE significa:

"Atualize o registro."

Na verdade...

Não.

O UPDATE não grava absolutamente nada.

Ele apenas comunica ao CICS:

"Vou precisar modificar este registro. Reserve-o para mim."

É quase como chegar à biblioteca e colocar um marcador sobre um livro dizendo:

"Estou usando."

Enquanto esse marcador existir...

Ninguém mais pode pegar aquele livro.

No CICS acontece exatamente isso.

EXEC CICS READ
     FILE('CLIENTE')
     RIDFLD(WS-CHAVE)
     INTO(WS-REGISTRO)
     UPDATE
END-EXEC

Observe.

Não houve alteração alguma.

O registro continua exatamente igual.

A única diferença é invisível.

Agora existe um cadeado.

Registro Cliente

──────────────

Saldo

Telefone

Endereço

──────────────

🔒

Esse pequeno cadeado é um dos maiores responsáveis pela confiabilidade dos sistemas bancários modernos.


O cadeado invisível

Esse bloqueio é chamado de lock exclusivo.

Enquanto ele existir:

✔ outro programa pode consultar outros registros;

✔ outras transações continuam funcionando normalmente;

✔ outros clientes continuam utilizando o banco.

Mas aquele registro...

Aquele especificamente...

Pertence temporariamente à sua transação.

É como um investigador isolando a cena do crime.

Até que a perícia termine...

Ninguém entra.


O segundo investigador chega

Imagine agora.

Programa A faz:

READ UPDATE

Registro bloqueado.

Cinco milissegundos depois...

Programa B também tenta atualizar o mesmo cliente.

READ UPDATE

O que acontece?

O CICS responde algo semelhante a:

RESP = 14

Registro bloqueado.

Dependendo da configuração da aplicação, a segunda transação poderá:

  • aguardar a liberação do lock;

  • receber imediatamente a indicação de bloqueio;

  • ou seguir outra estratégia definida pelo sistema.

Perceba a genialidade.

O CICS prefere atrasar uma operação por alguns milissegundos a permitir corrupção dos dados.


REWRITE: a hora da verdade

Depois de alterar a Working-Storage...

Chega o momento mais importante.

EXEC CICS REWRITE
     FILE('CLIENTE')
     FROM(WS-REG)
END-EXEC

Agora sim.

O VSAM grava novamente o registro.

Muitos iniciantes perguntam:

"Ele grava somente o telefone?"

Não.

O REWRITE grava o registro inteiro.

Mesmo que apenas um campo tenha mudado.

Imagine um cadastro.

Nome

CPF

Telefone

Cidade

Saldo

Limite

Nascimento

Endereço

Estado Civil

Você modifica somente:

Telefone

Mesmo assim...

Todo o registro volta ao disco.

Isso acontece porque o VSAM trabalha com registros completos, e o REWRITE substitui a imagem inteira do registro originalmente lido.


O segredo da chave imutável

Existe uma regra quase sagrada.

O REWRITE mantém a mesma chave do registro.

Você pode alterar:

  • telefone;

  • saldo;

  • limite;

  • endereço;

  • e-mail;

  • profissão.

Mas não pode alterar a chave primária.

Se precisar mudar a chave...

O caminho normalmente envolve excluir o registro antigo e gravar outro com a nova chave.

É uma mudança de identidade.

E identidades novas exigem um novo registro.


A importância do COMMIT

Um detalhe frequentemente esquecido pelos iniciantes é imaginar que o REWRITE já libera o registro.

Nem sempre.

Enquanto a unidade lógica de trabalho não termina, o lock pode continuar ativo.

É por isso que o fluxo clássico é:

READ UPDATE

↓

Modificar memória

↓

REWRITE

↓

SYNCPOINT (COMMIT)

↓

Lock liberado

O COMMIT confirma a alteração e encerra aquela etapa da transação.

Se ocorrer um erro antes disso, o sistema pode desfazer a operação, preservando a consistência dos dados.


O perigo dos formulários longos

Imagine esta situação.

Você faz:

READ UPDATE

Depois envia uma tela.

O usuário vai atender o telefone.

Conversar.

Tomar café.

Voltar vinte minutos depois.

Só então pressiona ENTER.

Durante todo esse tempo...

O registro permaneceu bloqueado.

Resultado?

Filas.

Esperas.

Outros usuários impedidos de alterar aquele mesmo cliente.

Por isso existe uma regra de ouro no desenvolvimento CICS:

Nunca mantenha um lock por mais tempo do que o estritamente necessário.

Uma estratégia comum é:

  1. Fazer um READ simples para exibir os dados.

  2. Receber as alterações do usuário.

  3. Executar um READ UPDATE pouco antes da gravação.

  4. Validar novamente.

  5. Fazer o REWRITE.

  6. Finalizar a unidade de trabalho.

Assim, o bloqueio dura apenas alguns milissegundos.


RESP e RESP2: os investigadores silenciosos

Nunca ignore os códigos de retorno.

Um programa robusto verifica cuidadosamente o resultado de cada comando CICS.

Alguns exemplos comuns:

RESPSignificado
00Operação realizada com sucesso
02Registro não encontrado
14Registro bloqueado
20Arquivo ou recurso não encontrado
30Requisição inválida
91Atualização não concluída; investigar a causa

Quando disponível, RESP2 complementa o diagnóstico, fornecendo informações adicionais específicas sobre a condição encontrada.

Um bom programador COBOL não apenas trata o erro; ele entende por que ele ocorreu.


Curiosidade: por que não existe UPDATE como no SQL?

Quem vem do mundo relacional estranha.

No SQL basta escrever:

UPDATE CLIENTE
SET TELEFONE = '11999999999'
WHERE ID = 100;

No VSAM, a lógica é diferente.

Primeiro você obtém o registro.

Depois altera sua cópia em memória.

Só então grava o registro inteiro novamente.

Essa diferença vem da própria natureza do VSAM, que trabalha com registros físicos completos, enquanto o banco de dados relacional manipula colunas e linhas sob um mecanismo diferente de armazenamento.


Curiosidade histórica

Os conceitos por trás de READ UPDATE e REWRITE surgiram muito antes da popularização da internet.

Décadas antes de existirem smartphones, APIs REST ou microsserviços, grandes bancos já processavam milhões de transações simultâneas graças a mecanismos sofisticados de bloqueio, sincronização e recuperação.

Grande parte dessas ideias continua válida até hoje.

Muitas tecnologias modernas reinventaram princípios que os mainframes já utilizavam há décadas.


Passo a passo para atualizar um registro com segurança

Um fluxo típico em uma aplicação COBOL/CICS pode ser resumido assim:

  1. Receber a chave do registro.

  2. Executar READ UPDATE.

  3. Verificar RESP e, quando aplicável, RESP2.

  4. Alterar apenas os campos necessários na Working-Storage.

  5. Executar REWRITE.

  6. Confirmar a unidade lógica de trabalho (SYNCPOINT) ou realizar rollback em caso de falha.

  7. Encerrar a transação.

Parece simples.

E realmente é.

A dificuldade não está na sequência.

Está em compreender por que ela existe.


Dicas de ouro para quem está aprendendo CICS

✔ Nunca execute REWRITE sem um READ UPDATE bem-sucedido.

✔ Mantenha o tempo de bloqueio o menor possível.

✔ Sempre trate RESP e RESP2.

✔ Não altere a chave do registro antes do REWRITE.

✔ Pense em concorrência desde o primeiro programa que escrever.

✔ Lembre-se de que o usuário nunca está sozinho no sistema.

✔ Teste cenários com duas transações tentando atualizar o mesmo registro.

Esses testes ensinam mais sobre CICS do que centenas de exemplos puramente teóricos.


Easter Egg Bellacosa Mainframe 🕵️

Os veteranos do CPD contam uma velha história.

Durante uma madrugada de processamento, um programador jurava que o VSAM "perdia dinheiro".

Após horas analisando dumps, SMF e logs do CICS, nada parecia explicar o problema.

Foi então que um analista aposentado, conhecido apenas como O Guardião do 3270, pediu para ver apenas uma linha do código.

Ali estava:

EXEC CICS READ

Sem a palavra:

UPDATE

O veterano fechou o terminal, tomou um gole de café e disse:

— "O culpado nunca foi o VSAM. O registro estava falando com duas pessoas ao mesmo tempo."

Dizem que, desde então, quem programa CICS nas madrugadas presta mais atenção aos quatro caracteres que mudam completamente o destino de uma transação:

UPDATE


O verdadeiro mistério nunca esteve no REWRITE

Ao final desta investigação, descobrimos que o REWRITE não é o protagonista.

Ele apenas grava o resultado.

O verdadeiro herói é o READ UPDATE, que protege o registro enquanto a alteração está sendo preparada.

É ele quem impede que duas transações sobrescrevam o trabalho uma da outra.

É ele quem preserva a integridade dos dados.

É ele quem garante que milhões de operações bancárias possam acontecer simultaneamente com segurança.

Na superfície, parecem apenas dois comandos COBOL.

Nas sombras do CPD, porém, eles são os guardiões silenciosos da consistência, da concorrência e da confiança que sustentam alguns dos sistemas mais críticos do planeta.

E, como em toda boa revista noir dos anos 1950, o maior mistério nunca foi quem escreveu o código.

Foi descobrir quem estava segurando a chave do cofre quando ninguém mais podia tocá-lo.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

🥛 Yakult — o probiótico que conquistou o Brasil antes da internet

 


🥛 Yakult — o probiótico que conquistou o Brasil antes da internet

Por Vagner Bellacosa ☕ — El Jefe Midnight Lunch Edition




Se existe um líquido que atravessou gerações, refrigeradores e lancheiras, esse é o Yakult — o elixir branco-leitoso que promete saúde intestinal, disciplina japonesa e uma dose diária de nostalgia.
Mas por trás daquela garrafinha de 80 ml há uma história que mistura ciência, guerra, fé na biotecnologia e o mais eficiente sistema de distribuição já criado: as Yakult Lady.




🧫 Origem: o bacteriólogo que queria curar o mundo pelo intestino

Tudo começa no Japão dos anos 1930, quando o cientista Minoru Shirota, formado na Universidade Imperial de Kyoto, desenvolveu o Lactobacillus casei Shirota — uma cepa resistente de bactéria boa, capaz de sobreviver ao ácido estomacal e chegar viva ao intestino.
Shirota acreditava que a saúde começava pelo intestino, e que equilibrar a flora intestinal significava fortalecer o corpo todo.
Nascia ali o conceito de “Yakult”, do termo jah-keruto, uma adaptação de “jahurto”, que vem do turco yoğurt — iogurte.

Mas Shirota foi além do laboratório:

Ele não queria vender leite fermentado. Queria vender esperança líquida em tempos de escassez e guerra.




🚴‍♀️ A Yakult Lady — o marketing mais humano do Japão

Nos anos 1950, a Yakult criou algo revolucionário: um exército feminino de distribuição porta a porta.
As “Yakult Lady” — mulheres de uniforme, bicicleta e sorriso treinado — se tornaram ícones urbanos do Japão.
Levavam Yakult nas casas, nos escritórios, nos hospitais, criando vínculo direto com o consumidor.

Quando o modelo chegou ao Brasil em 1968, funcionou como um relógio suíço tropicalizado:
No calor paulistano, entre pães na chapa e sucos de laranja, lá vinha ela — a moça do Yakult — com sua caixa de isopor e o líquido milagroso da infância.
E o Brasil se apaixonou.


🇧🇷 O Yakult brasileiro — sabor de infância e disciplina japonesa

O Yakult chegou oficialmente ao Brasil em 1966, com a primeira fábrica em São Bernardo do Campo (SP).
Nos anos 1970 e 1980, a bebida virou sinônimo de saúde e “comida de criança bem cuidada”.
Comercial icônico, musiquinha chiclete e embalagem inconfundível — o Yakult era o firmware do café da manhã infantil.

E, curiosamente, o sabor brasileiro é diferente do japonês: mais doce, mais suave e um pouco menos ácido, adaptado ao paladar tropical.
Enquanto o japonês é mais “médico”, o nosso é mais “afetivo”.


⚙️ Curiosidades dignas de laboratório Bellacosa:

  • 🧬 O Lactobacillus casei Shirota é uma das cepas mais estudadas do mundo: sobrevive a 10⁹ células por dose!

  • 🍼 A garrafinha de 80 ml é padronizada desde 1955 — um design pensado para ser consumido em três goles exatos, e caber na mão de uma criança.

  • 🌎 O Yakult é vendido em mais de 40 países, mas só no Brasil existe uma versão de 100 ml, criada “porque o brasileiro gosta de repetir o gole final”.

  • 🚲 Há mais de 40 mil Yakult Ladies no mundo, 10 mil só no Brasil.

  • 🧊 Muitos brasileiros bebem Yakult geladíssimo — erro clássico. O ideal é temperatura ambiente, onde as bactérias estão mais ativas.


Bellacosa comenta:

O Yakult é o CICS da nutrição: roda invisível, estável e há décadas sustentando o sistema sem ninguém perceber.
Enquanto refrigerantes vieram e foram, o Yakult manteve uptime de 99,999%, com interface simples e performance constante.

O sabor?
Uma mistura de ciência japonesa, açúcar paulista e carinho de infância.
Beber Yakult é tipo rodar um job JCL de memória afetiva: três goles, e tudo volta ao normal.


💡 Dica do El Jefe Midnight Lunch:

Abra um Yakult gelado numa madrugada de trabalho, sente-se no escuro e ouça o som da tampa estalando.
É o som da infância te dizendo:

“Calma. Ainda dá tempo de consertar o mundo — comece pelo intestino.”

domingo, 9 de dezembro de 2018

Cortejo Elesbão Vive o crime o auto a fuga e a execução de um escravo na Campinas colonial. Parte Ii

O jovem sinhozinho foi morto com requintes de crueldade. Apos muita tortura dois escravos foram acusados pelo crime, julgados foram enviados a Sao Paulo de onde fogem, apos a captura um deles foi enforcado. 

ELESBÃO continua foragido por dois anos, uns dizem que escondido em Itatiba no Quilombo de Brotas outros que foi ao interior. Por fim foi capturado perto de seu antigo lar, enviado ao campo da forca no largo de Santa Cruz, acampamento de quarentena de escravos... foi enforcado e martirizado. 

Mas nossa historia nao termina assim, servindo para curar antigas feridas e incentivar a integracao entre os povos, valorizando a memoria, a cultura e a hamonia entre os povos.

#Campinas #teatroamador #elesbao #elesbantho #elesbaovive #historia #afro #escravo #julgamento


sábado, 8 de dezembro de 2018

Cortejo Elesbão Vive o crime o auto a fuga e a execução de um escravo na Campinas colonial

Primeira parte.

Temos os primordios da historia de Campinas com os bandeirantes invadindo o interior, seguindo os caminhos de peabiru chegam a Mato Grosso de Goias em aprasiveis campinas para capturar indios e procurarem riquezas naturais. 

Passamos pela fundação da vila, os primeiros habitantes, a elevacao, as primeiras eleicoes, a cana de acucar e o primeiros engenhos a chegada dos escravos africano, o ouro verde, ou seja o cafe e as senzalas. 

Por fim chegamos ao assassinato do Sinhozinho. Com a dor de uma mae que perdeu seu filho de maneira tão cruel... a perseguicao aos escravos... com diversas cenas cotidiano da Campinas colonial. Estamos na praca Bento Quirino o local onde surgiu e cresceu esta bela cidade.

#Campinas #teatroamador #elesbao #elesbantho #elesbaovive #historia #afro #escravo #julgamento


O auto de Elesbão... preparativos do Cortejo caminho pelo centro de Campinas.

Estamos no Centro de Campinas com o grupo Elesbantho partindo do antigo predio Museu da Cidade e caminhamos rumo a Praca Bento Quirino. Apregando ao povo a peça que sera exibida em breve.

E todos muitos animados cantam e batem palmas caminhando pelas ruas da cidade. Estamos no Centro de Campinas com o grupo Elesbantho partindo do antigo predio Museu da Cidade e caminhamos rumo a Praca Bento Quirino.

E todos muitos animados cantam e batem palmas caminhando pelas ruas da cidade. Estamos no Centro de Campinas com o grupo Elesbantho partindo do antigo predio Museu da Cidade e caminhamos rumo a Praca Bento Quirino.

E todos muitos animados cantam e batem palmas caminhando pelas ruas da cidade. Passamos pela Estaçao Ferroviaria, pelas diversas ruas, pela Catedral e rumamos para o antigo nucleo urbano da Vila de Sao Carlos.

No proximo video apresento alguns momentos da peca que seguiu rumo ao largo de Santa Cruz

#Campinas #teatroamador #elesbao #elesbantho #elesbaovive #historia #afro #escravo #julgamento


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

A História da Censura: do Shogunato aos Streamings

 

Bellacosa Mainframe apresenta a historia da censura em terras niponicas

A História da Censura: do Shogunato aos Streamings

A censura não nasceu com a internet nem com o anime. Ela é tão antiga quanto o próprio medo do pensamento livre. Mas o Japão e o Ocidente trilharam caminhos bem diferentes até chegar na mesma conclusão: o poder de uma ideia é o que mais assusta quem tem poder.


🏯 Japão Feudal – o início do controle simbólico

Durante o período Tokugawa (1603–1868), o Japão vivia sob um regime militar e profundamente hierarquizado.
A arte, o teatro kabuki e até os livros eram rigidamente supervisionados.

  • Obras que retratassem sensualidade, crítica social ou zombassem de samurais eram proibidas.

  • Havia censura até para certos penteados e roupas que indicavam rebeldia.

  • Curiosidade: o governo chegou a proibir ilustrações de beijos, pois eram “indecorosas” — algo que influenciou o modo como o romance é mostrado nos animes até hoje.

Essa forma de censura moldou uma estética japonesa discreta e simbólica: insinuar virou arte.
A sensualidade e a crítica passaram a se esconder em metáforas e gestos sutis.


📜 Era Meiji e Segunda Guerra – o nacionalismo molda o discurso

Com a modernização do Japão no fim do século XIX, veio a censura ideológica.
Durante o período imperial e a Segunda Guerra Mundial, tudo que não servia ao orgulho nacional era suprimido.

  • Filmes, livros e até canções tinham que reforçar o espírito japonês.

  • O anime Momotaro: Umi no Shinpei (1945) foi o primeiro longa de animação japonês — e também uma obra de propaganda militar.

Curiosidade Bellacosa:
Os animadores que fariam Astro Boy anos depois aprenderam sua arte… criando desenhos para o exército.


💥 Pós-Guerra – o renascimento sob censura americana

Após a derrota, o Japão foi ocupado pelos EUA (1945–1952).
Agora, a censura mudou de dono.
Os americanos proibiram referências militaristas, nacionalistas ou antiocidentais — mas, curiosamente, permitiram erotismo e comédia, contanto que não houvesse crítica política.

Foi o nascimento da cultura manga-anime moderna.
Os artistas aprenderam a usar humor, ficção científica e fantasia como escudo para falar de coisas sérias.
👉 Astro Boy, Akira e Evangelion são filhos diretos dessa herança: críticas sociais disfarçadas de ficção.


🌍 Ocidente – censura moral e midiática

Enquanto isso, na Europa e nos EUA, a censura seguiu outro caminho: o moralismo.

  • Nos anos 1930, o Código Hays de Hollywood impedia beijos longos, saias curtas e qualquer referência sexual.

  • Nos anos 1950, os Comics Code Authority proibiram sangue, terror e política nos quadrinhos.

  • E na TV dos anos 80–90, desenhos precisavam ser “educativos” e “seguros” para as crianças.

Quando o anime chegou ao Ocidente, ele bateu de frente com essa barreira moral.
O choque cultural foi inevitável.


🎥 Era dos Streamings – liberdade com vigilância

Hoje, a censura mudou de forma.
Ninguém mais queima livros ou corta fitas — agora, os algoritmos escolhem o que você vê.
Plataformas decidem o que é “adequado” para sua região, faixa etária ou “sensibilidade”.
E o curioso é que, muitas vezes, a censura vem disfarçada de preocupação social ou correção política.

Ou seja:

“Não estamos censurando — estamos te protegendo.”

Soa familiar, não?
A velha lógica paternalista, apenas com filtros digitais.


☕ Comentário Bellacosa

O Japão aprendeu a falar o indizível com poesia.
O Ocidente aprendeu a vender o proibido com moralidade.
E o público moderno vive entre esses dois extremos — o da expressão simbólica e o do controle invisível.

Censura, no fundo, é uma batalha entre quem confia na maturidade humana e quem acredita que somos frágeis demais para pensar sozinhos.


💡 Dica Bellacosa Final:
Assista seus animes na versão original, leia as notas de tradução e pesquise o contexto histórico.
Entender o que foi cortado — e por quê — é um ato de liberdade intelectual.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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