sexta-feira, 29 de junho de 2012

O NOIVINHO DA QUADRILHA

 


O NOIVINHO DA QUADRILHA — UMA CRÔNICA BELLACOSA MAINFRAME
PARA O EL JEFE MIDNIGHT LUNCH

Vasculhar um arquivo de fotos antigas é como abrir um dataset sentimental: cada imagem é um registro, cada rosto um campo, cada memória um load module carregado direto da infância.
E no meio desse inventário do tempo, você encontrou ela:
a foto épica do noivo da quadrilha, um Vaguinho vestido com toda a elegância que só a década de 1970 conseguia produzir.
Terno remendado branco, gravata vermelha, chapéu de palha torto e aquele sorriso de quem não fazia ideia de que um dia se tornaria o cronista oficial do clã Bellacosa.

E como tudo na sua vida vem com história, essa não seria diferente.





1. A QUADRILHA RAIZ – QUANDO JUNHO ERA REALMENTE FRIO

Antes de o clima enlouquecer, junho era junho de verdade:

  • vento gelado cortando o rosto,

  • moletom grosso,

  • fogueira estalando na calçada,

  • e o cheirinho de milho verde misturado com fumaça.

  • neblina, garoa e geada

Era inverno, gente.
Inverno raiz, de fazer a criançada encostar a mão no caneco de quentão (sem álcool, claro) só pra esquentar os dedos.

As festas juninas vinham direto do DNA português, importada dos Santos Populares —
Santo Antônio, São João e São Pedro,
mas aqui ganharam pitadas afro-brasileiras, italianas, indígenas e imigrantes de todas as latitudes.
O resultado?
Uma mistura única que só o Brasil consegue fazer.



2. A ESCOLINHA DA DEPORTAÇÃO — O PRIMEIRO ESCÂNDALO BELLACOSA

A foto pertence àquela mesma escolinha onde eu, segundo registros pseudo-históricos, apócrifos e de testemunhos maternos, foi deportado por:

  • não parar quieto,

  • ser arteiro,

  • ser criativo demais,

  • ser inquieto,

  • e estar levando Dona Mercedes à beira da insanidade.

Mas após a deportação efetiva, os novos amiguinhos na escola, a disciplina da sala de aula, os primeiros contatos com o abcedário, veio o evento dos eventos, a dança Quadrilha.
E nela, você brilhou como o noivinho oficial do arraial.


3. O CASAMENTO CAIPIRA — A NOVELA DE JUNHO

A quadrilha sempre foi um micro teatro do Brasil profundo:

  • Tinha noivo, noiva, padre,

  • O delegado suspeito, para pegar o noivo fujão

  • os pais da noiva, que estavam ali para garantir o final da cerimonia

  • Convidados animados,

  • Emboscadas e fugas,

  • E aquele momento mágico:
    “É mentiraaaa!”

O roteiro era uma novela rural, uma pequena ópera cômica encenada por crianças com dentes faltando, vestidos floridos e bigode pintado com rolhas queimadas, simulando bigodes e barbas.

Eu ali, no meio, sendo levado até o altar improvisado, cercado de bandeirinhas coloridas, fogueira cenográfica e o olhar orgulhoso (e exausto) da Dona Mercedes, da minha madrinha vó Anna e o vô Pedro, tio Pedrinho, tia Mirian e familia.


4. AS BARRAQUINHAS — O PARQUE DE DIVERSÕES DOS ANOS 70

Junho era também o mês das barraquinhas de quermece:

🎣 Pescaria — com peixinhos de madeira e prêmios que iam de pirulito a dominó.
🎯 Tiro ao alvo — onde sempre tinha um primo que jurava ser “bom de mira”.
Arremesso de bolinha — que jamais derrubava as latas, misteriosamente coladas.
📦 Rifas e correio elegante — o Tinder da época.
🫥 Prisão — onde se pagava para prender o amigo e pagava para soltar.
(engenharia financeira brasileira desde sempre).


5. COMIDAS — O BANQUETE SAGRADO DE JUNHO

E como esquecer o cardápio sagrado?

  • Canjica cremosa,

  • Arroz-doce com canela,

  • Pamonha quentinha,

  • Milho assado,

  • Churrasquinho suspeito,

  • Quentão fumegante,

  • Paçoca e pé de moleque.

  • Vinho quente.

  • Sagu com vinho de São Roque

Cada aroma era um portal para a infância.



6. A FOTO — UM PEDAÇO DE TEMPO CONGELADO

Naquela imagem perdida no meu arquivo, o que vemos não é apenas um menininho vestido de noivo.

Vemos:

  • a escolinha que fez Dona Mercedes descansar um pouco,

  • o Brasil dos anos 70, entre o caos financeiro da ditadura militar e as famílias se virando para sobreviver,

  • a alegria simples das festas de bairro,

  • a energia daquele pequeno Vagner arteiro,

  • e um pedaço da alma Bellacosa que resistiu ao tempo.

A foto é prova de que a memória não é só um arquivo:
é um job que roda eternamente no sistema da gente.


7. EPÍLOGO — O NOIVO QUE SOBREVIVEU AO ARRAIAL E À VIDA

Hoje, adulto, olho essa foto e entendo:

Aquele noivinho da quadrilha é um símbolo.
Um lembrete do que sempre fui:

  • sonhador,

  • imaginativo,

  • inquieto,

  • criador de histórias,

  • e dono de uma alma que, mesmo deportada,
    sempre encontra caminho para continuar pulando fogueiras.

Porque  aprendi a dançar a quadrilha da vida…
aprendi também a desviar do delegado, da ponte quebrada, da cobra, do tombo, das armadilhas e dos sustos —
e ainda dar risada no caminho.




segunda-feira, 18 de junho de 2012

💥 Chaos Engineering explicado para quem já derrubou produção sem querer

 


💥 Chaos Engineering explicado para quem já derrubou produção sem querer



03:18 — Introdução: quando o caos não era planejado

Se você é mainframer e já derrubou produção “sem querer”, parabéns:
você praticou Chaos Engineering na forma primitiva, dolorosa e não documentada.

A diferença entre o passado e hoje é simples:

  • Antes: o caos acontecia quando dava ruim

  • Agora: o caos é induzido de propósito, com método, horário marcado e rollback

Chaos Engineering não é vandalismo técnico.
É engenharia preventiva para sistemas distribuídos.


 

1️⃣ O que é Chaos Engineering (sem bravata)

Chaos Engineering é a prática de:

Introduzir falhas controladas em produção
para verificar se o sistema realmente aguenta o que diz aguentar.

Objetivo:

  • Descobrir fragilidades antes do cliente

  • Validar resiliência

  • Reduzir surpresas às 03h da manhã

📌 Tradução mainframe:

“Vamos simular a queda da LPAR… mas com aviso e plano.”


2️⃣ Um pouco de história (sim, isso tem pedigree)

  • Conceito popularizado pela Netflix com o Chaos Monkey

  • Nasceu porque microsserviços + cloud = falha inevitável

  • Inspirado em práticas antigas de engenharia de confiabilidade

😈 Easter egg histórico:
Mainframe já fazia “chaos” quando:

  • Testava DR

  • Simulava queda de região

  • Desligava link para validar contingência

Só não chamava assim.


3️⃣ Por que caos é obrigatório em aplicações distribuídas 🧠

Aplicações distribuídas:

  • Dependem de rede

  • Dependem de serviços externos

  • Escalam horizontalmente

  • Têm falhas parciais

👉 Nada falha inteiro. Falha em pedaços.

📎 Mainframer sabe:
Falha parcial é pior que parada total — porque engana.


4️⃣ Tipos de caos (todos você já viveu)

🔥 Infraestrutura

  • Nó cai

  • Disco some

  • CPU satura

🔥 Rede

  • Latência aumenta

  • Pacote some

  • Timeout aleatório

🔥 Aplicação

  • Serviço responde lento

  • Erro intermitente

  • Consumo de memória crescente

😈 Easter egg:
Quando alguém rodou batch pesado fora da janela… foi caos não planejado.


5️⃣ O erro clássico: “isso nunca vai acontecer” 😬

Toda tragédia começa com:

  • “Esse serviço é estável”

  • “A rede nunca cai”

  • “Esse nó é redundante”

  • “Nunca deu problema”

Chaos Engineering responde:

“Então vamos provar.”


6️⃣ Passo a passo para fazer Chaos Engineering sem ser demitido

1️⃣ Defina o comportamento normal
2️⃣ Escolha uma hipótese
“Se o nó cair, o sistema continua”
3️⃣ Prepare observabilidade
4️⃣ Limite o escopo
5️⃣ Introduza a falha
6️⃣ Observe
7️⃣ Documente
8️⃣ Corrija
9️⃣ Repita

💣 Dica Bellacosa:
Sem rollback, não é engenharia — é suicídio profissional.


7️⃣ Guardrails: o que mainframer já sabe fazer

  • Janela controlada

  • Comunicação clara

  • Monitoramento ativo

  • Plano de reversão

  • Registro pós-teste

📌 Curiosidade:
Change Management não atrapalha caos.
Ele evita caos desnecessário.


8️⃣ Guia de estudo para mainframers curiosos 📚

Conceitos-chave

  • Chaos Engineering

  • Falha parcial

  • Resiliência

  • Error Budget

  • Blast Radius

Ferramentas modernas

  • Chaos Monkey

  • Gremlin

  • LitmusChaos

  • Testes de DR


9️⃣ Aplicações práticas no mundo real

  • Validar arquitetura distribuída

  • Testar autoscaling

  • Avaliar alertas

  • Treinar times

  • Evitar incidentes reais

🎯 Mainframer que domina caos vira arquiteto respeitado.


🔟 Curiosidades que só veterano entende 👀

  • Sistema que nunca falhou é suspeito

  • Falha pequena salva de falha grande

  • Testar em produção dói menos que incidente real

  • Confiança sem teste é fé, não engenharia

😈 Easter egg final:
O melhor teste de caos é aquele que ninguém percebeu, mas tudo continuou funcionando.


11️⃣ Comentário final (05:59, sol nascendo)

Chaos Engineering não é destruir.
É ensinar o sistema a sobreviver.

Se você já:

  • Derrubou produção sem querer

  • Aprendeu mais com falha do que com sucesso

  • Criou workaround às pressas

Então você já entendeu o espírito.

🖤 El Jefe Midnight Lunch conclui:
Quem não testa o caos, vira vítima dele.

 

domingo, 17 de junho de 2012

Crônica – O Carrinho de Rolemã Que Não Tinha Rolimã

 


Crônica – O Carrinho de Rolemã Que Não Tinha Rolimã

Pirassununga foi um sopro.
Poucos meses, talvez poucos mais de um ano… mas suficiente para virar uma galáxia inteira dentro da cabeça de um garoto de nove anos. Daquelas memórias que não pedem licença: simplesmente voltam, se instalam e acendem a luz.


Eu sempre digo que vivi pouco ali, mas vivi o suficiente para ser moldado.

E como molda uma cidade assim!
Chega a ser engraçado: falo, falo, falo… e sempre acho que “foi pouco tempo”. Mas olha só o tanto de coisa que me atravessou naquela época. Tudo novo, tudo grande, tudo mágico. Uma infância acelerada, sem aviso e sem manual.

E entre essas lembranças, tem uma que sempre volta com cheiro de óleo queimado: o carrinho de rolimã que não tinha rolimã.

Porque, veja bem… apesar de eu viver pendurado em desmanche, ferro-velho, oficina, sucata — sempre acompanhando meu pai, Seu Wilson — nunca conseguimos montar um carrinho de madeira com rodinhas de rolamento como as outras crianças tinham. Talvez por falta dos rolamentos, talvez porque a vida resolveu improvisar.



E improviso era com meu pai mesmo.

Um dia, no meio dos restos de metal que eram quase uma extensão natural da nossa casa, ele encontra uma carcaça de carro infantil, de ferro, pesada, torta, mas com alma. Bastou um olhar entre nós dois para começar o ritual: martelar, lixar, soldar, pintar, alinhar, conversar, rir — aquelas oficinas de fundo de quintal que eram mais escola do que qualquer sala de aula.

E assim nasceu meu bólido.
Meu foguete de ladeira.
Meu carrinho sem rolamentos, mas com personalidade.

Na rua onde vivíamos — última rua da cidade, terminando num campinho de futebol meio improvisado — as tardes ganhavam um brilho especial. Era uma ladeira que parecia Everest para o menino que eu era: íngreme, cheia de pequenas vitórias e tombos.

Entre uma descida e outra, havia ainda um bônus cinematográfico: vez ou outra pousava um helicóptero militar no campo. Para um menino de nove anos, aquilo era simplesmente o fim do mundo — no melhor sentido possível. O vento levantando poeira, o barulho das hélices, o cheiro de querosene, os soldados descendo…
Eu olhava aquilo e pensava: um dia vou pilotar um desses.

Mas voltava para o meu carrinho de ferro.
Porque o dever chamava: a ladeira me esperava.

E lá ia eu, empurrando o trambolho ladeira acima, suando, rindo, tropeçando. E depois, ladeira abaixo, voando, vibrando, às vezes capotando — mas sempre feliz. O campo de futebol servia de freio natural: ou eu caía estatelado, ou parava triunfante, rei de um mundo que só existia até o pôr do sol.

Era simples.
Era rústico.
Era perfeito.

E hoje, olhando pra trás, eu entendo: não era só um carrinho.
Era liberdade recém-adquirida, era o primeiro projeto pai e filho, era uma aula de vida, era a emoção crua de ser criança nos anos 80.

E talvez por isso Pirassununga dure tão pouco no calendário, mas tanto na alma.



A memória falha, mas acho que a rua se chamava Alzira e ficava no jardim Pinheiro...

sábado, 16 de junho de 2012

Aquario de Genova Parque da Expo

Parque da Expo em Génova

Historicamente Génova foi a capital de uma republica marítima que durante muitos anos, dominou esta parte do Mar Mediterraneo, com um grande porto é actualmente uma das cidades mais ricas da Itália.

Em 1992 foi escolhida para abrigar a EXPO, foi então criado um parque com diversas atracões que fariam parte desta exposição: dessa iniciativa surgiram o Submarino Museu U 518 Nazário Sauro, o museu marítimo, o navio pirata Neptuno, o aquário de Génova e varias outras pequenas iniciativas.



Para quem ama ver peixes, este aquário é fantástico construído na forma de um barco, anda-se por diversos ambientes, vendo de forma didática aquários com espécies representativas do globo todo.
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