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sábado, 17 de junho de 2000

Rios e cachoeiras de Carrancas em 2000


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🏞️ Rios e Cachoeiras de Carrancas em 2000 — Pelos Caminhos do Sertão Mineiro

Uma pequena cidade mineira, estradas pelo sertão, rios cristalinos, cachoeiras, comida mineira e uma companheira de aventura muito especial: Dona Mercedes — ou, como eu gostava de provocar, Dona Menezes.

Existem pequenos vídeos que, décadas depois, deixam de ser simplesmente vídeos.

Transformam-se em janelas no tempo.

Este é um deles.

Estamos no ano 2000, em Carrancas, Minas Gerais, uma pequena cidade que, naquela época, ainda me parecia distante dos grandes circuitos turísticos.

E talvez justamente por isso fosse tão fascinante.

Não chegamos ali procurando resorts, restaurantes sofisticados ou atrações cuidadosamente preparadas para receber visitantes.

Queríamos explorar.

Queríamos caminhar.

Queríamos descobrir.

E Carrancas parecia ter sido construída exatamente para isso.



🚙 Uma viagem exploratória pelo interior de Minas

Carrancas revelava seus encantos aos poucos.

Era preciso seguir pelas estradas, caminhar por trilhas, atravessar áreas de vegetação e procurar aqueles pequenos caminhos que conduziam aos rios.

E então surgiam as recompensas.

Rios.

Riachos.

Ribeirões.

Corredeiras.

Cachoeiras.

Cascatinhas.

Piscinas naturais.

Grutas.

E até verdadeiros tobogãs naturais, onde a água havia passado milhares e milhares de anos trabalhando sobre as pedras.

Cada caminhada parecia terminar com alguma descoberta.

Não existia Google Maps no bolso.

Não havia smartphone indicando:

“Sua cachoeira está a 237 metros.”

Era outro mundo.

Você caminhava.

Observava.

Perguntava.

Explorava.

E descobria.

Talvez por isso cada lugar encontrado tivesse um sabor especial.



👵 Minha companheira de aventura

E naquela exploração eu não estava sozinho.

Minha mãe estava comigo.

Dona Mercedes.

Ou, como eu gostava de provocá-la:

Dona Menezes.

😂

Era uma daquelas brincadeiras familiares que provavelmente não significariam absolutamente nada para quem estivesse olhando de fora.

Mas nós sabíamos.

E é curioso perceber como, depois de tantos anos, são justamente esses pequenos detalhes que tornam uma lembrança preciosa.

Não lembro apenas das cachoeiras.

Lembro de estar ali com minha mãe.

Caminhando.

Descobrindo lugares.

Comendo.

Conversando.

Observando aquela paisagem completamente diferente da nossa rotina.

Hoje percebo que a verdadeira riqueza daquela viagem não estava apenas nos lugares que conhecemos.

Estava também em com quem eu estava quando os conheci.



🌾 As cores do sertão mineiro

Uma das imagens que ficaram gravadas na minha memória foi o contraste da paisagem.

O sertão mineiro apresentava uma vegetação que aos meus olhos possuía uma personalidade própria.

Poucas árvores realmente grandes.

Muitos arbustos.

Vegetação rasteira.

Capins.

Pedras.

Terra.

E uma predominância de tons que iam do ocre ao dourado.

Dependendo da posição do Sol, parecia que enormes trechos da paisagem haviam sido pintados com uma paleta de amarelos, marrons e dourados.

Mas então aparecia a água.

E tudo mudava.


💧 Azul no meio do dourado

No meio daquela paisagem seca e dourada surgiam rios e riachos surpreendentemente cristalinos.

Era um contraste maravilhoso.

Ocre da vegetação.

Dourado do capim.

Azul do céu.

Transparência da água.

E aquele som permanente de água correndo pelas pedras.

Carrancas parecia possuir água escondida por toda parte.

Você caminhava um pouco e encontrava um riacho.

Caminhava mais e aparecia uma corredeira.

Depois uma pequena queda.

Mais adiante, uma cachoeira.

Algumas eram grandes e impressionantes.

Outras eram pequenas.

E talvez justamente as menores fossem as mais deliciosas.


🌊 As cascatinhas

As pequenas cascatas eram um espetáculo à parte.

Depois de caminhar debaixo do Sol, encontrar uma delas era praticamente receber um convite:

— Entre.

E nós entrávamos.

Água gelada.

Pedras.

Barulho da correnteza.

Vegetação em volta.

Nenhuma piscina de hotel poderia competir com aquilo.

Era uma espécie de parque aquático construído durante milhares de anos pela própria geologia.

As pedras formavam escorregadores.

A correnteza criava pequenas piscinas.

Alguns trechos funcionavam como verdadeiros tobogãs naturais.

E lá íamos nós.

Porque exploração também precisava de diversão.

Muito banho.

Muita água.

Muita caminhada.

E provavelmente algumas decisões que hoje, aos 52 anos, eu observaria primeiro por alguns segundos antes de concluir:

“Será que eu realmente preciso escorregar por essa pedra?”

😂

Aos vinte e poucos anos a análise de risco funcionava com parâmetros ligeiramente diferentes.


🥾 Caminhar para descobrir

Grande parte do prazer estava justamente em caminhar.

Carrancas não era apenas um lugar para chegar.

Era um lugar para procurar.

Seguir uma trilha significava não saber exatamente o que estaria esperando depois da próxima curva.

Talvez uma cachoeira.

Talvez uma gruta.

Talvez apenas mais vegetação.

Ou talvez um daqueles pequenos lugares que nunca aparecem nos grandes cartões-postais, mas acabam sendo justamente aqueles dos quais nos lembramos décadas depois.

Havia uma sensação deliciosa de descoberta.

Era quase uma pequena expedição.

Sem grandes pretensões.

Sem necessidade de conquistar nada.

Apenas explorar.


🍲 E depois vinha Minas Gerais...

Mas existe uma consequência inevitável de passar horas caminhando, entrando em rios e subindo trilhas.

Fome.

E aí Minas Gerais apelava para golpes baixos.

Comida mineira.

Daquelas refeições capazes de fazer um caminhante esquecer instantaneamente qualquer promessa anterior de comer pouco.

Feijão.

Arroz.

Carnes.

Verduras.

Queijos.

Preparações simples.

Comida robusta.

Comida feita para alimentar gente que trabalha, caminha e vive no interior.

A culinária daquela região da Mantiqueira fazia parte da viagem tanto quanto os rios e as cachoeiras.

Depois de horas explorando o sertão, sentar para uma boa refeição mineira era praticamente a segunda etapa da aventura.

Primeiro alimentávamos a curiosidade.

Depois alimentávamos o explorador.

Generosamente.


🗺️ Muito antes de nós

Mas havia outra coisa que me fascinava naquela paisagem.

Nós estávamos percorrendo caminhos de uma região cuja história era muito mais antiga do que nossa pequena aventura.

Séculos antes, aqueles territórios do interior haviam sido atravessados por exploradores, sertanistas e bandeirantes.

Homens que avançavam pelo interior da América portuguesa em busca de caminhos, riquezas minerais, ouro e pedras preciosas — dentro de um processo histórico muito mais complexo, que também envolveu violência contra populações indígenas e pessoas escravizadas.

Ao avançarem pelo interior, essas expedições contribuíram para empurrar a ocupação portuguesa muito além da velha divisão imaginada entre Portugal e Espanha pelo Tratado de Tordesilhas.

E ali estávamos nós, séculos depois.

Sem procurar ouro.

Sem procurar diamantes.

Nosso tesouro era outro.

Uma cachoeira.

Uma gruta.

Um riacho cristalino.

Uma boa comida.

Uma fotografia.

Um pequeno vídeo.

E um dia agradável ao lado da minha mãe.


🎥 O pequeno vídeo que ficou

O vídeo que acompanha esta postagem é pequeno.

Provavelmente simples demais quando comparado com aquilo que qualquer celular consegue registrar atualmente.

Mas isso não importa.

Porque sua resolução verdadeira não pode ser medida em pixels.

Ela é medida em memórias.

Quando revejo essas imagens, não estou apenas olhando para Carrancas.

Estou olhando para o ano 2000.

Estou vendo aquele sertão novamente.

Estou sentindo o contraste entre o calor da caminhada e a água gelada.

Estou lembrando da vegetação dourada.

Das pedras.

Dos riachos.

Das cachoeiras.

Da comida.

Das brincadeiras.

E vejo novamente minha mãe participando daquela aventura.

Dona Mercedes.

Ou...

Dona Menezes.

Porque algumas piadas familiares merecem sobreviver até mesmo ao avanço implacável do calendário.


☕ Vinte e seis anos depois

Hoje, olhando essas imagens em 2026, percebo algo que talvez o Vagner de 2000 ainda não entendesse completamente.

Nós viajamos acreditando que estamos colecionando lugares.

Mas estamos colecionando momentos.

As cachoeiras continuam lá.

Os rios continuam correndo.

Carrancas mudou.

Eu mudei.

O mundo mudou enormemente.

A câmera virou celular.

O mapa virou GPS.

A fotografia virou arquivo digital.

As trilhas agora aparecem em aplicativos.

E lugares praticamente desconhecidos podem tornar-se famosos depois de algumas fotografias publicadas nas redes sociais.

Mas aquele dia específico não existe mais.

Existe somente aqui.

Nas fotografias.

No pequeno vídeo.

E dentro da memória.

Talvez seja justamente essa a maior utilidade de manter um blog durante tantos anos.

Não estamos apenas publicando textos.

Estamos deixando CHECKPOINTS da nossa própria existência.

Pequenos registros capazes de dizer:

EU ESTIVE AQUI.

EU VI ISSO.

EU VIVI ISSO.

E, neste checkpoint específico do ano 2000:

EU ESTAVA COM MINHA MÃE.


🏞️ Carrancas, Minas Gerais — 2000

Uma pequena cidade.

Um enorme patrimônio natural.

Rios cristalinos.

Riachos.

Ribeirões.

Grutas.

Corredeiras.

Cachoeiras.

Cascatinhas.

Tobogãs naturais.

Vegetação dourada.

Comida mineira.

Caminhadas.

Descobertas.

Diversão.

E mãe e filho explorando um pedacinho do sertão mineiro.

Não encontramos ouro.

Não encontramos pedras preciosas.

Mas, vinte e seis anos depois, descobri que trouxemos de Carrancas alguma coisa muito mais valiosa.

Uma lembrança.

E algumas lembranças, quando sobrevivem ao tempo, acabam se tornando verdadeiros tesouros.

Um Café no Bellacosa Mainframe

Carrancas, Minas Gerais — checkpoint gravado no ano 2000.

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As maravilhas das aguas em Carrancas

Nossa exploração em Carrancas nos levou a encontrar grandes quantidades de tesouros hídricos: rios, ribeiras, minas, bicas, corredeiras, cachoeiras... foi super refrescante após caminhar em trilhas sob o sol escaldante encontrar piscinas naturais para se refrescar.


Andando pelas trilhas do sertão sob o sol escaldante, não existe prazer maior que encontrar uma lagoa ou uma pequena piscina natural para relaxar. Imagine o prazer de ficar sentado em uma pequena cascata sentindo a agua caindo fazendo massagem sob o corpo.



Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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