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quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

🦋 Animais e Insetos nos Animes – a fauna simbólica do Japão!

Bellacosa Mainframe e animais e insetos em animes


 🦋 Animais e Insetos nos Animes – a fauna simbólica do Japão!

Você já reparou que em alguns animes aparecem borboletas azuis, corvos falantes ou raposas misteriosas? 🦊
Nada é por acaso! No Japão, os animais e até os insetos têm significados espirituais e emocionais muito antigos — herança do xintoísmo e do budismo, onde a natureza é viva e cheia de mensagens.

Hoje, o blog Bellacosa te convida a decifrar o que o Japão realmente quer dizer quando coloca um bicho em cena. 🌸



🦊 1. Raposa (Kitsune) – o mensageiro entre mundos

A kitsune é talvez o símbolo mais poderoso da mitologia japonesa.
Ela representa sabedoria, transformação e travessura espiritual. Pode ser um guardião divino ou um enganador, dependendo da história.

🌀 Exemplo: em Naruto, a Raposa de Nove Caudas (Kyūbi) é a força bruta e espiritual que vive dentro do herói — poder e caos coexistindo.
Já em Spirited Away, as máscaras de kitsune remetem a espíritos guardiões.

💡 Curiosidade Bellacosa: as raposas brancas estão ligadas ao deus Inari, protetor das colheitas e dos comerciantes — por isso santuários cheios de estátuas de kitsune são comuns no Japão.


🦋 2. Borboleta – a alma e o efêmero

A borboleta simboliza a transformação e a impermanência da vida.
Quando aparece, prepare-se para algo poético ou triste: o voo leve, a despedida, o renascimento.

🌸 Exemplo: em Kimetsu no Yaiba (Demon Slayer), Shinobu Kocho é a “Borboleta da Morte”, representando graça, veneno e redenção.
Em Bleach, as borboletas negras (Hell Butterflies) são mensageiras dos shinigamis — literal ponte entre a vida e a morte.

💬 Dica Bellacosa: se uma borboleta aparece silenciosa em cena, preste atenção: alguém vai morrer, mudar... ou evoluir espiritualmente.


🐸 3. Sapo (Kaeru) – retorno e sorte

No Japão, “kaeru” (sapo) também significa “voltar”.
Por isso, ele é um símbolo de retorno seguro, sorte e viagem feliz.
Mochileiros japoneses carregam mini sapos como amuletos para voltar em segurança!

🎬 Exemplo: em Spirited Away, há vários sapos no banho dos espíritos — uma metáfora sobre transformação e purificação.
E o Mestre Jiraiya, em Naruto, usa o sapo como animal espiritual: sabedoria, humor e coragem.


🐦 4. Corvo (Karasu) – presságio e proteção

O corvo é ambíguo: mensageiro dos deuses, mas também símbolo de morte e recomeço.
Na cultura xintoísta, o Yatagarasu, corvo de três patas, guia os humanos em tempos sombrios.

⚫ Exemplo: em Haikyuu!!, o time principal se chama Karasuno (Escola dos Corvos) — e não é à toa: os corvos se adaptam, sobrevivem e observam tudo do alto.
Em Naruto, Itachi Uchiha usa corvos como projeção espiritual — prenúncio de tragédia e sabedoria.


🐈 5. Gato (Neko) – sorte, mistério e travessia

Gatos são onipresentes em animes. De fofos a sobrenaturais, eles simbolizam independência, sorte e conexão espiritual.
No Japão, acredita-se que o gato vê o mundo dos espíritos.

😺 Exemplo: o Maneki Neko (gato com a patinha levantada) aparece em lojas e também em animes como Sailor Moon (Luna!) e Natsume Yuujinchou.
Eles trazem boa sorte e servem como guias entre realidades.

💡 Curiosidade: um gato com a patinha direita levantada atrai dinheiro; com a esquerda, atrai amigos.


🐍 6. Cobra (Hebi) – proteção, renascimento e medo

A cobra no Japão é vista como guardiã espiritual — mensageira de deuses, símbolo de sabedoria e renovação.
Mas também representa o medo do desconhecido e o poder oculto.

🐍 Exemplo: em Bleach, o personagem Orochimaru (nome direto da lenda da serpente branca) incorpora tudo isso: inteligência, obsessão e imortalidade.


🐦‍⬛ 7. Grilo e Cigarra – o som da vida que passa

Esses insetos têm papel poético nos animes.
O som das cigarras no verão japonês é quase um relógio emocional — marcando o tempo, o calor e o fim de ciclos.

🎐 Exemplo: em The Garden of Words e Your Name, o canto das cigarras anuncia o fim de uma era, o adeus, a mudança de estação.
O grilo, por outro lado, simboliza persistência e esperança.

💬 Dica Bellacosa: quando as cigarras cantam e o protagonista olha pro céu... não é só natureza, é o tempo dizendo “nada dura pra sempre”.


🕊️ 8. Pássaros em geral – liberdade, fuga e destino

Quando vemos pássaros voando em direção ao horizonte em um anime, é o símbolo da liberdade e da transição.
Eles aparecem para marcar o crescimento de um personagem ou o fim de um arco emocional.

🪶 Exemplo: em Anohana e Naruto Shippuden, bandos de pássaros sempre acompanham despedidas e recomeços — o ciclo da vida em forma de voo.


🐉 9. Dragão (Ryū) – poder divino e equilíbrio

Diferente do dragão ocidental, o japonês é símbolo de sabedoria, proteção e harmonia entre os elementos.
É uma figura sagrada, associada à água e ao equilíbrio do mundo.

🌊 Exemplo: em Spirited Away, Haku é literalmente um espírito-dragão do rio esquecido — força da natureza e lembrança espiritual.


🦋 Lista Bellacosa de Animais e Insetos Comuns nos Animes

AnimalSignificadoExemplo de Anime
Raposa (Kitsune)Espiritualidade, travessuraNaruto, Spirited Away
BorboletaMorte, transformaçãoDemon Slayer, Bleach
SapoRetorno, sorteNaruto, Spirited Away
CorvoPresságio, sabedoriaNaruto, Haikyuu!!
GatoSorte, mistérioSailor Moon, Natsume Yuujinchou
CobraRenovação, poder ocultoBleach, Naruto
CigarraTempo, fim de cicloYour Name, Clannad
GriloEsperança, persistênciaSummer Wars
DragãoForça espiritual, equilíbrioSpirited Away, Dragon Ball
PássaroLiberdade, despedidaAnohana, Naruto Shippuden

💡 Dica do Sensei Bellacosa

Em animes, os animais não aparecem só pra “fazer fofura”.
Eles são espelhos da alma dos personagens, metáforas vivas da jornada interior.
Se você prestar atenção, vai perceber que todo animal surge na hora certa — como um mestre silencioso. 🐾


✨ Conclusão:
A fauna dos animes é um mapa espiritual disfarçado de estética.
Cada borboleta, gato ou corvo conta uma história sobre o humano que ainda existe em nós.
Da próxima vez que vir uma raposa sorrindo no escuro... talvez ela esteja tentando te contar algo que só o Japão entende. 🦊

#BellacosaMainframe #AnimeParaPadawans #SimbolismoJapones #AnimaisNosAnimes #OtakuCultural

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

SEMI - O som que anuncia o verão

SEMI - O som que anuncia o verão

Bellacosa Mainframe e o som da cigarra que anuncia o verão


 O canto da cigarra (semi 蝉, em japonês) é um dos sons mais icônicos do verão japonês, e por isso aparece com tanta frequência em animes, filmes e dramas. Vamos destrinchar isso ao estilo Bellacosa — com cultura, filosofia e um toque de poesia cotidiana.


🌞 1. O som que anuncia o verão

No Japão, as cigarras surgem em grande número durante o verão — especialmente em julho e agosto.
Seu canto estridente e constante se mistura à paisagem urbana e rural como uma trilha sonora natural da estação.
Para um japonês, ouvir cigarras é sinônimo de verão, assim como o som do mar para um brasileiro ou o canto dos grilos no interior.

Em animes, basta ouvir o “min-min-min-min” para o espectador sentir o calor, o suor, as férias de escola, as yukatas e os festivais de fogos.
O som transporta o público — é quase um portal auditivo para o verão japonês.


🕊️ 2. O simbolismo da efemeridade — Mono no Aware

A cigarra vive poucos dias após emergir do solo (geralmente 1 a 3 semanas).
Essa vida curta, mas intensa, ecoa o conceito estético japonês de “Mono no Aware” (物の哀れ) — a melancolia pela beleza passageira das coisas.

Em animes, o som das cigarras frequentemente marca:

  • o fim de uma infância,

  • o último dia das férias de verão,

  • um adeus ou lembrança nostálgica.

Elas são um lembrete sonoro de que tudo é transitório.
O verão, os sentimentos, as pessoas — tudo passa, como o canto que logo se silencia.

🕰️ “O som das cigarras ecoa, e já é outono.”
(Provérbio japonês)


🎬 3. O uso narrativo e atmosférico

Os diretores de anime usam o som das cigarras como elemento de ambientação emocional:

  • Em cenas calmas: o canto cria uma sensação de calor, tranquilidade e tempo suspenso (Clannad, Natsume Yuujinchou).

  • Em cenas dramáticas: o contraste entre o som constante e um momento de perda amplifica a dor (Anohana, Your Name, Erased).

  • Em flashbacks: serve como “ponte” auditiva para indicar que estamos voltando a um verão do passado.


🎧 4. As diferentes espécies e seus sons

O Japão tem diversas espécies de cigarras, cada uma com um canto único — e os japoneses reconhecem isso facilmente.
Alguns exemplos que aparecem em animes:

EspécieCantoSensação típicaExemplos em anime
Minmin-zemi (ミンミンゼミ)“min-min-min…”Verão pleno, calor intensoMy Neighbor Totoro
Higurashi (ヒグラシ)“kanakana-kanakana…”Fim de tarde, melancoliaHigurashi no Naku Koro ni
Aburazemi (アブラゼミ)som contínuo e densoCalor abafado urbanoClannad, Shin Chan

Aliás, o próprio nome “Higurashi”, do anime de horror psicológico, vem da cigarra do entardecer — símbolo da transição entre luz e escuridão.


🌾 5. Filosofia do cotidiano japonês

O som da cigarra é um exemplo do que os japoneses chamam de “Kachō Fūgetsu” (花鳥風月) —
a apreciação das belezas naturais: flores, pássaros, vento e lua.

Ouvir cigarras não é apenas perceber um ruído, mas sentir o tempo passar, perceber que se está vivo naquele instante efêmero.
E isso combina perfeitamente com a alma contemplativa dos animes mais poéticos — Mushishi, Barakamon, Natsume Yuujinchou…


☀️ Em resumo

MotivoSignificado
CulturalSom tradicional do verão japonês
EmocionalEvoca nostalgia e passagem do tempo
EstéticoRepresenta mono no aware (a beleza do efêmero)
NarrativoMarca transições, lembranças e climas de cena

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

A cachoeira da Lua e o caminho a Sobradinho em São Tomé das Letras

Bellacosa Mainframe e as poeirentas estradas de terra em São Tomé das Letras 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🌙 A Cachoeira da Lua e o Caminho para Sobradinho

Quando o jovem Vagner em 1994 continuou andando e descobriu que o mundo era muito maior do que imaginava.

Existem viagens que começam quando colocamos o pé na estrada. Outras começam muito antes, quando surge aquela inquietação de descobrir o que existe depois da próxima curva.

Aquela aventura por São Thomé das Letras, seguindo pela estrada de terra em direção a Sobradinho, foi uma dessas viagens.

Para o jovem Vagner, significava aumentar mais alguns quilômetros naquele mapa invisível que vinha construindo desde menino. Cada cidade visitada empurrava um pouco mais para longe as fronteiras do mundo conhecido.

E São Thomé parecia pertencer a outro mundo. Poder voltar a essa cidade é se encher de energia e descobrir um outro mundo.

Era uma cidade cercada por histórias, lendas, cavernas, grutas, cachoeiras e formações rochosas. Havia histórias sobre a ocupação humana da região misturadas às narrativas populares, ao misticismo e aos mistérios que transformaram São Thomé das Letras em um lugar tão particular.

Mas uma das maiores descobertas estava simplesmente na paisagem.

Eu estava acostumado ao verde da Mata Atlântica, às árvores grandes, à umidade e àquela vegetação que, observada à distância, parece formar um enorme mar verde.

Ali tudo parecia diferente.

A paisagem ganhava tons amarelados, marrons e ocres. Havia muita pedra, vegetação mais baixa e menos árvores gigantescas dominando o horizonte. O céu parecia maior.

Era como descobrir que o Brasil mudava de cor conforme avançávamos pela estrada.

E nós continuávamos avançando.



Rumando sem rumo.

Essa talvez seja a melhor definição daquela aventura.

Pegávamos estradas de terra, observávamos sítios e pequenas propriedades rurais, atravessávamos caminhos desconhecidos e procurávamos cachoeiras. Nem sempre era necessário encontrar uma atração famosa.

Às vezes bastava encontrar água.

Um ribeirão.

Um córrego.

Uma pequena cachoeira escondida entre as pedras.

Depois de caminhar debaixo do sol e sentir o calor acumulado nas pedras, entrar naquela água fria era um pequeno ritual.

Primeiro os pés.

Depois as pernas.

O corpo protestava por alguns segundos contra a diferença de temperatura.

E então vinha o mergulho.

A água gelada deixava de ser inimiga e se transformava em recompensa.

Nadávamos nos ribeirões, entrávamos debaixo das pequenas quedas d'água e simplesmente aproveitávamos aquele pedaço de natureza encontrado pelo caminho. Ao redor, novos pássaros, insetos, plantas e animais reforçavam a sensação de estarmos explorando um ambiente diferente daquele que conhecíamos.

Depois era hora de continuar.

Roupa secando no próprio corpo, poeira da estrada novamente nos sapatos e mais uma curva esperando adiante.



E havia ainda outra recompensa: a comida sul-mineira.

Depois de caminhar, nadar e explorar, sentar diante daquela comida simples, generosa e cheia de sabores da terra completava a experiência. Viajar também era descobrir um lugar pelo prato.

Hoje percebo que naquela estrada para Sobradinho eu não estava apenas procurando a Cachoeira da Lua.

Estava aprendendo algo que continuaria comigo durante muitas outras viagens:

o mundo é absurdamente grande.

E uma das melhores maneiras de conhecê-lo é continuar andando.

Mesmo quando não sabemos exatamente onde a estrada vai terminar.

Porque, algumas vezes, perder-se um pouquinho é justamente a maneira de encontrar aquilo que nunca soubemos que estávamos procurando.


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Uma estrada de terra com muita poeira.


Estamos em busca de novas cachoeiras, rumando sem rumo pela estrada de Sobradinho, perdidos no interior de São Tomé. Vendo a bela paisagem, sítios e chácaras.


#SaoTomeDasLetras #Piramide #PedraDaBruca #tocaFurada #mirante #cruzeiro #IGrejaAssombrada #Castelo #Trilha #Ecoturismo #ViagemAstral #Ufo #et #duende #fada #weed #hippie #bichogrilo #cachoeira #cascata #corredeira #Caverna #pedradabruxa #panorama #ChicoTaquara #Gruta #saoTome #igrejarosario #sobradinho #eubioese #shangrila #poçoazul #poçodasesmeraldas #paraiso #veudanoiva #valedasborboletas #lua #gruta




terça-feira, 30 de maio de 2017

Formiguinha iniciando no skate


O Formiguinha aprontndo das suas no skate.


Manobras de Iniciante no Skate


Domingo a tarde estamos no parque Luis Latorre e o formiguinha esta planejando seus primeiros passos em manobras de skate, aprendendo aos poucos o dominio desta prancha e suas rodinha... e nao eh que o pequeno eh habilidoso?

sábado, 18 de junho de 2016

BR 383 de Quiririm ate Campos do Jordao

Bellacosa Mainframe passando pela br 383

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🚗 BR-383 — De Quiririm até Campos do Jordão: uma janela para a estrada

Juliana no volante, Formiga no banco de trás, o Pretinho apontado para a Mantiqueira e este seu aqui fazendo aquilo que sabe fazer muito bem: olhar pela janela.

Mais uma vez estávamos nós três.

Eu, Juliana e Formiga.

E, naturalmente, havia um quarto integrante nessa pequena expedição familiar: o famoso Pretinho, nosso New Fiesta, novamente cumprindo sua missão de nos carregar para algum lugar onde pudéssemos simplesmente passear, descobrir coisas e nos divertir.

O destino daquela vez era Campos do Jordão.

Mas quem acompanha nossas aventuras sabe que, muitas vezes, o destino é apenas uma desculpa.

A verdadeira viagem acontece no caminho.



🛣️ Saindo da SP-123

Em determinado momento da viagem, deixamos o trecho da SP-123 e seguimos pela região da BR-383, avançando pelo município de Taubaté antes de começar efetivamente a ganhar a Serra da Mantiqueira.

Ao redor aparecem nomes conhecidos da zona rural e dos arredores de Taubaté:

Quiririm, Tataúba, Pinheirinho...

Pequenos bairros, propriedades, estradas vicinais e pedaços daquele interior paulista que normalmente vemos apenas durante alguns segundos pela janela.

Para muita gente aquilo é simplesmente:

"o caminho para Campos do Jordão."

Para mim, não.

Eu gosto de olhar.



🌾 Antes da serra existe o campo

Campos do Jordão normalmente rouba toda a atenção.

Quando alguém anuncia que está indo para lá, imediatamente pensamos em montanhas, araucárias, frio, chocolate quente, restaurantes, casacos e naquela arquitetura turística tão característica da cidade.

Mas existe uma transformação muito interessante antes de chegar lá.

A paisagem vai mudando.

O terreno ainda relativamente aberto começa a apresentar as montanhas no horizonte.

As pequenas elevações tornam-se maiores.

A estrada começa a serpentear.

E aquela enorme parede natural da Serra da Mantiqueira parece aproximar-se lentamente do carro.

É quase como se a natureza estivesse avisando:

"Daqui para frente, começamos a subir."



👀 Uma pequena terapia para quem vive diante de monitores

Talvez por trabalhar tanto tempo diante de computadores eu tenha desenvolvido uma relação especial com essas paisagens.

Passamos horas olhando para monitores.

Código.

Planilhas.

Documentação.

Terminais.

Janelas.

Mensagens.

Mais janelas.

Mais código.

Mais telas.

Depois de algumas horas, nosso universo inteiro parece ter sido reduzido a algumas dezenas de polegadas.

Então você entra num carro, pega uma estrada e olha pela janela.

De repente, a resolução é infinita.

Não existe pixel.

Não existe refresh rate.

Não existe placa de vídeo.

Existe simplesmente o mundo.

🌿 O verde dos campos.

☁️ As nuvens atravessando lentamente o céu.

🌤️ O azul acima da estrada.

🌳 As árvores.

⛰️ As montanhas aparecendo no horizonte.

E aquela estrada estreita seguindo em direção à serra.

É curioso pensar que nossos olhos foram construídos para enxergar tudo isso e nós os condenamos durante boa parte do dia a olhar para um retângulo luminoso a menos de um metro de distância.


🌬️ E existe uma coisa que o vídeo não consegue gravar

O ar.

Essa é uma das limitações de qualquer registro audiovisual.

Eu consigo guardar a imagem.

Consigo registrar a estrada.

Consigo capturar um pouco do movimento.

Talvez consiga preservar os sons.

Mas ainda não inventaram um botão no YouTube que permita apertar:

[ REPRODUZIR CHEIRO DO CAMPO ]

😄

Porque parte daquela experiência estava justamente ali.

Abrir um pouco a janela e aspirar aquele delicioso ar do interior.

O cheiro da vegetação.

Da terra.

Do campo.

A mudança de temperatura conforme nos aproximávamos da serra.

São informações que a câmera simplesmente não consegue armazenar.

Por enquanto.


🚗 Um vídeo sem compromisso

E talvez seja justamente isso que eu mais goste desse pequeno vídeo.

Ele não pretende ensinar nada.

Não é documentário.

Não é guia turístico.

Não é avaliação da estrada.

Não é review do carro.

Não existe roteiro.

Não existe apresentador gritando para segurar audiência.

É simplesmente a estrada.

Um pequeno fragmento de tempo capturado durante uma viagem familiar.

Eu, Juliana e Formiga seguindo tranquilamente rumo a Campos do Jordão.

O Pretinho avançando pela estrada.

A Serra da Mantiqueira crescendo diante de nós.

E a câmera registrando aquilo que meus olhos estavam vendo.

Só isso.

E isso já era suficiente.


🏃 O mundo está sempre com pressa

Talvez seja uma das coisas que mais percebo quando viajo.

As pessoas estão sempre tentando chegar.

Chegar ao hotel.

Chegar ao restaurante.

Chegar ao parque.

Chegar à atração turística.

Chegar ao próximo compromisso.

Chegar, chegar, chegar.

E nessa obsessão pelo destino, deixam passar justamente aquilo que existe entre dois pontos.

O caminho.

Uma árvore diferente.

Uma montanha.

Uma pequena cidade.

Uma placa com um nome curioso.

Uma propriedade rural.

Um riacho.

Uma igreja perdida no meio do campo.

Uma nuvem enorme.

Uma estrada bonita.

Nada disso estava no roteiro.

Portanto, para muita gente, aparentemente não merece atenção.

Mas este seu aqui sempre teve um pequeno problema:

eu olho.

😂


📹 Então eu aperto REC

Talvez alguém que estivesse conosco perguntasse:

— Mas você está filmando o quê?

E a resposta seria extremamente simples:

A estrada.

— Mas está acontecendo alguma coisa?

Sim.

Estamos viajando.

Estamos vendo o campo.

Estamos juntos.

Estamos indo para algum lugar.

Estamos vivos.

Precisaria acontecer mais alguma coisa?

A câmera não precisa estar ligada somente quando existe uma cachoeira monumental, um acidente, uma festa ou uma atração turística famosa diante dela.

Às vezes vale a pena registrar justamente o ordinário.

Porque existe uma enorme possibilidade de que aquilo que hoje parece ordinário seja justamente o que amanhã despertará nossa memória.


❄️ Sempre imaginei alguém assistindo isso no inverno

Existe ainda outra razão pela qual gosto de deixar esses pequenos vídeos disponíveis.

Às vezes imagino uma pessoa muitos quilômetros distante dali.

Talvez durante um inverno rigoroso.

Presa dentro de casa.

Lá fora está frio.

Talvez esteja chovendo.

Talvez nevando.

O céu está cinza.

As árvores perderam as folhas.

A pessoa abre o computador, entra no YouTube e, por algum daqueles mistérios dos algoritmos, encontra um pequeno vídeo perdido:

BR-383 — de Quiririm até Campos do Jordão.

Clica.

E durante alguns minutos aparece diante dela uma estrada brasileira.

🌿 Campos verdes.

☀️ Sol.

☁️ Nuvens brancas.

🌳 Vegetação.

🚗 Uma estrada seguindo tranquilamente pelo interior de São Paulo.

Talvez essa pessoa nunca tenha ouvido falar de Quiririm.

Talvez não saiba onde fica Taubaté.

Muito menos Pinheirinho ou Tataúba.

Talvez nunca tenha visitado Campos do Jordão.

Não importa.

Durante alguns minutos, aquela tela torna-se uma janela.


🪟 Uma janela para junho de 2016

E existe algo ainda mais curioso nisso tudo.

Hoje posso assistir novamente ao vídeo.

Mas não estou simplesmente vendo uma estrada.

Estou olhando através de uma janela temporal.

Do outro lado dela estão:

Juliana.

Formiga.

Eu.

O Pretinho.

Uma estrada.

Um céu azul.

Um determinado conjunto de nuvens que existiu apenas naquele instante.

Um campo iluminado pelo Sol exatamente daquela maneira.

Nenhuma dessas coisas poderá ser reproduzida exatamente igual.

Podemos voltar à mesma estrada.

Podemos passar novamente por Quiririm.

Podemos seguir outra vez para Campos do Jordão.

Mas aquele momento específico aconteceu uma única vez.

E uma câmera estava ligada.


💾 Talvez seja por isso que continuo guardando essas coisas

Quem trabalha com computadores aprende cedo uma regra fundamental:

aquilo que não foi salvo pode desaparecer.

Talvez eu tenha transportado essa filosofia para a vida.

😂

Um vídeo aqui.

Uma fotografia ali.

Um texto no blog.

Uma lembrança.

Um comentário.

Uma pequena história aparentemente sem importância.

São pequenos backups da existência.

Não guardamos apenas grandes acontecimentos.

Guardamos também uma tarde comum.

Uma viagem de carro.

Uma estrada.

Um campo.

Uma criança no banco traseiro.

Uma conversa qualquer.

Porque ninguém sabe qual dessas pequenas coisas será preciosa daqui a dez, vinte ou trinta anos.


☕ Easter egg Bellacosa Mainframe

Se você chegou até aqui esperando encontrar COBOL numa viagem para Campos do Jordão, sinto informar:

encontrou.

       IDENTIFICATION DIVISION.
       PROGRAM-ID. ESTRADA.

       PROCEDURE DIVISION.
           PERFORM UNTIL FIM-DA-VIAGEM
               OBSERVE O-CAMINHO
               RESPIRE O-AR-DO-CAMPO
               GUARDE A-MEMORIA
               ENJOY THE RIDE
           END-PERFORM.

O programa continua executando.

E espero sinceramente que o FIM-DA-VIAGEM ainda esteja muito longe.


🌄 O destino era Campos do Jordão. A lembrança ficou no caminho.

Campos do Jordão nos esperava mais adiante.

Ainda havia serra para subir.

Curvas.

Montanhas.

Passeios.

Comida.

Diversão.

E provavelmente muitas outras pequenas histórias.

Mas este vídeo ficou dedicado àquilo que quase sempre é esquecido:

o trecho entre a partida e a chegada.

Porque viajar não significa simplesmente sair do ponto A e chegar ao ponto B.

Existe todo um mundo entre eles.

Naquele dia, esse mundo tinha campos verdes, céu azul, nuvens brancas, bairros rurais de Taubaté e a Serra da Mantiqueira surgindo lentamente diante do para-brisa.

Enquanto muita gente passava por ali preocupada apenas em chegar logo a Campos do Jordão, este seu aqui estava olhando pela janela.

E resolveu apertar REC.

Talvez justamente para que, muitos anos depois, alguém pudesse apertar PLAY.

☕ Bellacosa Mainframe — porque memória também merece backup.

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Estrada coringa SP123 ou BR383


Um pouco confusa a nomenclatura das estradas... mas esta estradinha é federal então tem prefixo BR, mas também estadual e então ja viu SP tbm...



Aqui neste trecho estamos numa região mais plana, podemos ver os montes e colinas, porem não temos grandes aclives, apenas estrada sinuosa e estreita, bem típica dos anos 50.

Gostoso para curtir um final de semana a grande, boa viagem, boa companhia e bom tempo. Tripice qualidades e o pretinho como sempre se dando bem na estrada.

sábado, 2 de abril de 2016

As arvores e a cidade de Monte Verde

Bellacosa Maifnrame e memorias de uma viagem a Monte Verde

🌲 As Árvores e a Cidade de Monte Verde

Uma cidade aconchegante entre montanhas, casas, jardins e muito verde

Era começo de outono em Monte Verde, e lá estávamos nós passeando tranquilamente pelas ruas dessa pequena cidade escondida no alto da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais.

O clima ainda estava agradável. Nada daquele frio rigoroso que normalmente imaginamos quando alguém fala de Monte Verde. Era simplesmente um belo dia para andar sem muita pressa e observar a cidade.

E havia muito para observar.

Nossa missão naquele momento era bastante simples: encontrar um lugar para almoçar.

Mas procurar restaurante também acabou virando uma pequena exploração.

Em vez de ficarmos somente nas ruas mais movimentadas e turísticas, começamos a circular por lugares mais tranquilos. Ruas onde apareciam casas, pequenos jardins, pousadas e, principalmente, muitas árvores.

🌲🌲🌲



Talvez essa seja uma das características mais interessantes de Monte Verde.

A natureza parece fazer parte da própria cidade.

As árvores surgem entre as construções, acompanham as ruas e aparecem nos terrenos e jardins. Em alguns pontos temos quase a impressão de que as casas foram cuidadosamente colocadas no meio da vegetação.

Enquanto seguíamos procurando nosso almoço, continuávamos descobrindo pequenos detalhes.

Uma casa diferente aqui.

Um jardim acolá.

Uma rua tranquila que provavelmente passaria despercebida para quem estivesse preocupado apenas com os pontos turísticos.

E justamente por isso gosto desses passeios.

Nem sempre uma viagem precisa ser uma sequência de atrações famosas, fotografias obrigatórias e lugares marcados em um mapa.

Às vezes a melhor parte é simplesmente zanzar pela cidade.

Sem roteiro.

Sem horário.

Olhando as casas, as pessoas, os jardins e as árvores.

Naquele começo de outono de 2016, Monte Verde mostrou um pouco dessa outra face.

E pensar que tudo começou porque estávamos apenas procurando um lugar para almoçar.



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Uma cidade aconchegante.


Estamos no alto da montanha, curtindo os primeiros dias do outono, esta um calorzinho estamos passeando pelas ruas desta encantadora vilazinha da serra.



Um recanto de tranquilidade estamos em busca de um lugar delicioso para almoçar, circulando pelas ruas não muito turísticas, onde vemos casas normais e ainda muito verde com arvores ocupando os jardins.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Uma libélula na janela

Bellacosa Mainframe e a libelula na janela

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🪷 Uma Libélula na Janela — Duas Crianças Separadas por Décadas

Às vezes basta uma vidraça, uma libélula e duas crianças curiosas — mesmo que uma delas já tenha crescido há algumas décadas.

Era março de 2016.

Estávamos em Sorocaba, na casa da Daniela e de seu marido, Pedro. Daniela, irmã da Juliana e tia do João, tinha uma característica que sempre achei muito especial: quando podia, inventava algum motivo para reunir a família.

E nem precisava existir motivo.

Não era aniversário.

Não era Natal.

Não era casamento.

Não havia solenidade, discurso ou obrigação.

Era simplesmente:

— Vamos nos encontrar?

E pronto.

Família reunida, comida na mesa, conversa, risadas e algumas horas juntos.

Talvez sejam justamente esses encontros aparentemente sem importância que, muitos anos depois, descobrimos terem sido alguns dos mais importantes.



🍽️ Bacalhau, vinho e sofá

Naquele dia tivemos um delicioso bacalhau.

Comemos, conversamos, rimos bastante e fizemos aquilo que normalmente acontece depois de uma boa refeição familiar: começamos lentamente a escorregar pelo sofá.

Aquela deliciosa preguiça pós-almoço.

Barriga cheia.

Conversa ficando mais lenta.

Corpo procurando a posição perfeita entre sentado e deitado.

Nenhuma aventura parecia programada para aquela tarde.

Até aparecer o Formiga.

João, nosso querido Formiga, tinha encontrado alguma coisa.

Na enorme vidraça que fazia parte da sala havia pousado um inseto diferente.

Ele não sabia exatamente o que era.

E havia aquela mistura maravilhosa que as crianças possuem diante do desconhecido:

receio e curiosidade.

Primeiro olhou de longe.

Depois resolveu chamar alguém para investigar.

E lá fui eu.



🔍 Tio, vem ver isso aqui...

Aproximamo-nos da vidraça.

Olhei para o inseto.

Uma libélula.

Para o Formiga aquilo era novidade.

Para mim, porém, aquela pequena criatura imediatamente abriu uma gaveta que estava fechada havia décadas.

De repente eu não estava apenas naquela sala em Sorocaba.

Uma parte de mim havia voltado para Quiririm.

E o Vagner adulto encontrou novamente o Vaguinho.


🌾 As libélulas da minha infância

Na minha infância em Quiririm, libélulas não eram exatamente uma raridade.

A paisagem ajudava.

Havia plantações de arroz, áreas alagadas, pântanos, riachos e muita água. Era justamente o tipo de ambiente onde esses insetos apareciam com frequência.

Para nós, crianças, faziam parte daquele pequeno universo.

E uma de nossas brincadeiras era tentar capturá-las.

Não existia Google.

Não havia celular.

Não existia aplicativo identificando espécies pela câmera.

A descoberta começava olhando.

Chegando perto.

Observando.

Tentando entender.

Às vezes tentando pegar.

A natureza era simultaneamente nosso playground, laboratório e Discovery Channel.

Enquanto olhava aquela libélula na vidraça de Sorocaba, comecei a contar essas histórias para o Formiga.

E aconteceu algo curioso.

Durante alguns minutos, desapareceram as décadas que nos separavam.

Não havia mais exatamente um adulto ensinando uma criança.

Havia duas crianças investigando uma libélula.

Uma delas apenas estava algumas décadas atrasada no calendário.

📹 Vamos filmar!

Foi quando tive a ideia de pegar a filmadora.

Se havia aprendido alguma coisa ao longo da vida era que momentos aparentemente banais desaparecem depressa demais.

Na época escrevi uma frase no blog:

“Toda oportunidade é única.”

E aquela era uma delas.

Não porque estivesse acontecendo alguma coisa extraordinária.

Justamente pelo contrário.

Era uma tarde absolutamente comum.

Uma família reunida.

Um bacalhau já devidamente devorado.

Adultos espalhados pelos sofás.

Uma criança.

Uma vidraça.

E uma libélula.

Mas a vida é construída principalmente desses momentos.

Então comecei a filmar.

🪷 Um pequeno laboratório na vidraça

Agora tínhamos um espécime para observar.

Começamos a reparar em tudo.

As asas.

O formato do corpo.

Os enormes olhos.

As pernas.

A maneira como permanecia parada.

Depois o voo.

A mudança repentina de direção.

A forma como tentava compreender aquele estranho obstáculo transparente chamado vidro.

Para qualquer outro adulto passando pela sala, provavelmente seria apenas:

— Ah, uma libélula.

Para o Vaguinho e seu parça Formiga, entretanto, aquilo havia se transformado num excelente exemplar para estudo comportamental.

Observávamos.

Comentávamos.

Criávamos hipóteses.

Comparávamos movimentos.

Tentávamos descobrir o que ela faria em seguida.

Era ciência?

Formalmente, claro que não.

Mas ali estava talvez uma das raízes mais importantes da ciência:

a curiosidade.

Antes de existir laboratório, existe uma pergunta.

Antes da resposta, alguém precisa olhar para alguma coisa e pensar:

“Que negócio é esse?”

👦 Vaguinho encontra Formiga

Talvez seja essa a parte da história de que mais gosto hoje.

A libélula conectou duas épocas.

De um lado estava o Formiga, conhecendo aquele inseto.

Do outro estava eu, recordando as libélulas que havia observado quando criança em Quiririm.

O menino diante daquela vidraça em 2016 estava descobrindo.

O menino que eu havia sido décadas antes estava lembrando.

E o adulto no meio dos dois estava tentando preservar aquele encontro.

É engraçado como nossa idade biológica às vezes perde completamente a importância.

Coloque diante de mim uma locomotiva, um aquário, uma máquina antiga, um computador, um inseto estranho ou qualquer mecanismo interessante e existe uma boa possibilidade de o Vagner desaparecer durante alguns minutos.

Quem assume é o Vaguinho.

— Como funciona?

— Por que faz isso?

— Olha aquilo!

— Você viu?

Talvez envelhecer bem tenha alguma relação com conseguir manter essa criança funcionando em algum endereço escondido da memória.

🧠 Curiosidade não deveria ter prazo de validade

Existe uma coisa fantástica nas crianças: elas ainda não aprenderam quais coisas “não são importantes”.

Uma libélula pode ser um acontecimento.

Uma pedra diferente pode parar uma caminhada.

Um besouro pode render quinze minutos de investigação.

Uma locomotiva pode consumir uma tarde inteira.

Adultos tornam-se eficientes demais.

Olham e classificam:

Inseto.

Pronto.

Resolvido.

A criança pergunta:

Que inseto?

Por que essas asas são assim?

Como ele voa?

Onde vive?

Ele morde?

O que come?

Por que veio parar aqui?

E cada resposta produz outras cinco perguntas.

Naquela tarde, resolvi participar do jogo.

🕰️ Dez anos depois...

E aqui está talvez a parte mais interessante de ter registrado tudo.

Em 2016 aquilo parecia apenas um pequeno vídeo.

Uma postagem minúscula no blog.

Um daqueles registros que fazemos quase sem pensar.

Mas os anos passam.

As crianças crescem.

As casas mudam.

As famílias mudam.

As rotinas mudam.

Nós mudamos.

E aquele pequeno arquivo permanece congelado no tempo.

Daniela criando mais um daqueles encontros familiares sem grandes objetivos.

Pedro em sua casa.

Juliana.

João ainda pequeno.

O bacalhau.

As risadas.

O sofá.

A enorme vidraça.

E uma libélula que provavelmente jamais imaginou que acabaria registrada na internet e lembrada uma década depois.

Talvez seja justamente por isso que sempre gostei de fotografar, filmar e escrever.

No momento do registro nunca sabemos realmente o valor futuro de uma memória presente.

🪷 Comunicado oficial da Sociedade Protetora das Libélulas

Antes que algum defensor dos direitos dos insetos abra uma investigação contra o Vaguinho e o Formiga, deixo registrada uma informação fundamental:

nenhuma libélula foi ferida durante a produção desta história.

O espécime foi observado, analisado, admirado e posteriormente liberado para continuar normalmente sua existência.

Ao final da experiência, cada espécie seguiu sua vida.

Os Homo sapiens ficaram com uma história para contar.

E a libélula provavelmente saiu voando enquanto pensava:

“Mas o que raios queriam aqueles dois?”

Nunca saberemos.

☕ O verdadeiro tesouro daquela tarde

Revendo essa pequena história tantos anos depois, percebo que a protagonista talvez nem fosse realmente a libélula.

Era a curiosidade compartilhada.

Eu poderia simplesmente ter dito:

— É uma libélula, Formiga.

E voltado para o sofá.

Assunto encerrado em três segundos.

Mas fomos olhar.

Depois fomos observar.

Depois veio uma história da minha infância.

Depois apareceu a filmadora.

Depois nasceu uma memória.

E dez anos mais tarde aquela memória ainda existe.

Talvez educar uma criança não seja apenas entregar respostas.

Às vezes é simplesmente aceitar o convite quando ela aparece dizendo:

— Vem ver uma coisa!

Levantar do sofá.

Ir até a janela.

Olhar junto.

E demonstrar que o mundo continua sendo um lugar suficientemente interessante para merecer nossa atenção.

Naquela tarde, uma libélula pousou numa vidraça em Sorocaba.

Para a maioria das pessoas seria apenas um inseto.

Para duas crianças curiosas separadas por algumas décadas, porém, havia acabado de chegar uma pequena aula de biologia, comportamento, memória e vida.

O Formiga ganhou uma história sobre o Vaguinho de Quiririm.

O Vaguinho ganhou alguns minutos para voltar à infância.

Eu ganhei uma lembrança.

E a libélula?

Bem...

Ela conseguiu escapar daqueles dois estranhos pesquisadores e provavelmente viveu o restante de sua vida sem jamais compreender como uma simples parada numa janela havia provocado tamanha comoção.

Toda oportunidade é única.

Ainda bem que naquele dia resolvi levantar do sofá.

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Toda a oportunidade é única.


Após um fabuloso bacalhau regado há um bom vinho branco do Minho. Estou sentando no sofá curtindo aquela preguiça das boas.



Quando o formiga em pânico vem correndo em minha Direcção com medo de uma libélula. Dizendo que a professora disse que ela era perigosa.

Levanto pego a filmadora e aqui estou eu, filmando uma aleluinha a tarde. Ela era pequenina e a vidraça deixou ela muito atrapalhada, tentando fugir mas mesmo assim presa em casa.

O registro esta aqui.

domingo, 13 de março de 2016

Os patos no Taquaral

Bellacosa Maifnrame e os patos da Lagoa do Taquaral

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🦆 Os Patos no Taquaral — Um Dia sem Relógio

Um céu azul, um pouco de pão velho e aqueles raros momentos em que ninguém precisava chegar a lugar algum

Era março de 2016.

Naquele dia, eu, Juliana e o pequeno Formiga aproveitamos um daqueles lindos dias de céu azul e sol em Campinas para simplesmente curtir alguns momentos em família no Parque Portugal, o nosso conhecido Parque do Taquaral.

Não havia uma grande missão.

Não havia horário apertado.

Não havia aquela obrigação moderna de transformar cada minuto em alguma coisa produtiva.

Era apenas um passeio.

E talvez justamente por isso tenha se transformado em memória.

Entre as inúmeras brincadeiras daquele dia, havíamos levado de casa um pouco de pão velho para alimentar os patos. Algo extremamente simples, mas que, para uma criança curiosa, podia transformar a margem da lagoa em uma verdadeira expedição.

Formiga estava encantado.

Observava os patos adultos caminhando tranquilamente pelo parque, outros nadando serenamente pela lagoa e, principalmente, os filhotes que apareciam próximos às moitas.

Olhava, acompanhava, perguntava.

Por que eles faziam aquilo?

Para onde estavam indo?

Onde estavam os pequenos?

Eram machos? Eram fêmeas?

A curiosidade infantil tem uma característica maravilhosa: ela consegue transformar aquilo que um adulto já considera parte da paisagem em alguma coisa extraordinária.

Um pato deixa de ser apenas um pato.

Passa a ser uma descoberta.

E então apareceu outro personagem daquela tarde.

O Vagner criança grande.

Porque se existe uma criança observando patos, naturalmente existe a possibilidade de um adulto perfeitamente responsável começar a andar pelo parque fazendo:

— Quá! Quá! Quá!

Formiga se divertia.

Eu imitava os patos.

E o mais engraçado é que alguns deles pareciam ficar curiosos com aquele estranho espécime humano tentando desesperadamente falar a língua deles.

Talvez estivessem pensando:

— Que pato enorme e mal-ajambrado é esse?

Ou talvez:

— Esse aí definitivamente precisa melhorar o sotaque.

Não importa.

Durante alguns minutos, funcionou.

As aves olhavam curiosas, Formiga ria e eu continuava com meu sofisticadíssimo método científico de comunicação interespecífica:

Quá, quá, quá!



Hoje, revendo esse pequeno registro tantos anos depois, percebo que existe algo muito maior escondido naquela brincadeira aparentemente insignificante.

Era um momento de absoluto relaxamento.

Não estávamos correndo contra o relógio.

Não havia compromisso esperando do outro lado do parque.

Não precisávamos terminar rapidamente aquela atividade para começar a próxima.

Podíamos simplesmente ficar ali.

Olhar os patos.

Jogar pedacinhos de pão.

Observar os filhotes.

Responder perguntas.

Inventar outras respostas.

Rir.

E fazer quá-quá para uma ave que provavelmente não estava entendendo absolutamente nada.

Talvez seja justamente esse o verdadeiro luxo que algumas fotografias e vídeos antigos acabam revelando anos depois.

Ter tempo.

Tempo para uma criança observar um pato durante vários minutos.

Tempo para um pai entrar na brincadeira.

Tempo para uma família caminhar pelo parque sem transformar o passeio numa corrida.

Naquele domingo ensolarado de março de 2016, o Parque Portugal não precisava oferecer nenhuma atração extraordinária.

O extraordinário já estava acontecendo.

Juliana estava ali.

Formiga estava descobrindo o mundo.

Eu estava fazendo palhaçada.

Os patos estavam apenas sendo patos.

E ninguém precisava estar em outro lugar.

Dez anos depois, talvez seja essa a parte mais bonita daquele pequeno vídeo.

A câmera registrou os patos.

A memória registrou o resto.
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Mais um vídeo do maluco que pensa que sabe imitar animais...


O Formiga e o seu amigo estão passeando pelo parque do Taquaral em Campinas e encontram este animado grupo de patos.



O lokinho resolve imitar uns patos e deixa o formiga bravo, querendo ir embora para achar o caminho para a orquestra.

Mas os pato lokinho não desiste e tenta com seu qua qua qua chamar a atenção dos patos. Sera que ele ira conseguir?

Lagoa do Taquaral zoeira com as aves aquáticas

Bellacosa Mainframe e as aves aquaticas da Lagoa Taquaral

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🌅 Quando os chimpanzés vão embora

Este pequeno vídeo junta-se a tantos outros fragmentos daquele dia agradável que passei com Juliana e o Formiga no Parque Portugal, nossa velha Lagoa do Taquaral.

Não aconteceu nada extraordinário.

E talvez justamente por isso tenha sido extraordinário.

Comemos pastel no lanche da tarde, bebemos água de coco e caldo de cana, caminhamos, rimos, brincamos e fizemos aquilo que às vezes esquecemos de fazer quando nos tornamos adultos:

simplesmente curtimos o momento.

Sem obrigação.

Sem horário apertado.

Sem precisar transformar cada minuto em alguma coisa produtiva.

O pequeno Formiga observava os animais, eu inventava histórias e, naturalmente, começávamos a imaginar o que aquelas aves estariam pensando sobre aquela invasão diária de seres humanos.

Porque existe outra Lagoa do Taquaral que nós quase nunca vemos.

É o Taquaral depois que vamos embora.


🦆 Finalmente os humanos foram embora!

Durante o dia somos milhares.

Crianças correndo.

Adultos conversando.

Bicicletas passando.

Gente caminhando.

Cães latindo.

Fotografias.

Música.

Gritos.

Risadas.

E, evidentemente, alguns humanos especialmente barulhentos — feito chimpanzés fugitivos de algum zoológico imaginário — acabando com a paz dos verdadeiros moradores do parque.

😄

Então chega o final da tarde.

O Sol começa a desaparecer.

Os portões fecham.

Os últimos visitantes caminham em direção à saída.

Os cachorros voltam para casa.

Os gatos procuram outros territórios.

As pessoas começam a pensar no jantar.

E finalmente...

silêncio.

Talvez seja justamente aí que comece o verdadeiro expediente dos moradores do Taquaral.



🌳 O parque depois dos humanos

Quando o ruído da cidade diminui, outros sons voltam a ocupar o espaço.

A água correndo.

As folhas farfalhando sob o vento.

Um galho balançando.

O bater de asas.

O pequeno ruído produzido por uma ave entrando na água.

Aquilo que durante o dia parece apenas cenário volta a ser um ecossistema.

As aves aquáticas deslizam tranquilamente pela superfície da lagoa.

Algumas procuram alimento.

Outras procuram abrigo.

Algumas sobem para galhos mais altos.

Outras desaparecem entre moitas rasteiras.

E certamente existem centenas de pequenos acontecimentos ocorrendo ali enquanto nós estamos em nossas casas completamente alheios a eles.

Para nós, o parque fechou.

Para eles, talvez o parque finalmente tenha aberto.



🏙️ Natureza cercada por concreto

Existe também algo curioso nessa paisagem.

Campinas já foi uma região marcada por fazendas, plantações e grandes extensões rurais.

A cidade cresceu.

Vieram ruas.

Avenidas.

Automóveis.

Prédios.

Condomínios.

E os espigões de concreto passaram a dominar boa parte do horizonte.

Mas dentro dessa enorme estrutura urbana permanecem pequenas ilhas onde fauna e flora continuam dividindo espaço conosco.

A Lagoa do Taquaral é uma delas.

Talvez por isso observar aqueles animais tenha algo de especial.

Não precisamos viajar centenas de quilômetros para encontrar natureza.

Às vezes ela está ali, diante de nós, tentando continuar sua rotina enquanto construímos uma cidade inteira ao redor dela.



💻 Um homem dos bits olhando para o céu

Talvez exista ainda uma pequena contradição pessoal nisso tudo.

Passei grande parte da vida profissional trabalhando com computadores.

Bits.

Bytes.

Memória.

Processadores.

Programas.

Mainframes.

Sistemas nos quais praticamente tudo precisa possuir uma lógica, uma sequência e um propósito.

INPUT → PROCESSAMENTO → OUTPUT

Mas coloque uma ave no céu e toda essa organização desaparece.

Eu adoro vê-las voando livres.

Uma ave cruza o céu e eu frequentemente paro para acompanhar.

Ela não possui JOB.

Não possui JCL.

Não recebeu prioridade do WLM.

Não precisa abrir chamado.

Não existe SLA determinando que esteja em determinado galho às 17h32.

Ela simplesmente...

voa.

E existe algo maravilhosamente libertador nisso.



🌕 A lagoa que continua existindo sem nós

Também gosto de imaginar aquelas aves aquáticas quando a noite chega.

O Sol desaparece atrás das árvores.

A superfície da lagoa escurece.

Em noites de lua cheia, a luz da Lua encontra a água e cria pequenos reflexos enquanto alguma ave atravessa silenciosamente a superfície.

Nenhuma plateia.

Nenhuma câmera.

Nenhum celular.

Nenhum humano dizendo:

— Olha ali!

Apenas a ave.

A água.

As árvores.

O vento.

E a Lua.

Talvez aquele seja um dos momentos mais bonitos do Taquaral.

E quase nenhum de nós está lá para assistir.


☕ O pequeno vídeo que ficou

Em 2016 eu provavelmente não estava pensando em nada disso.

Estávamos apenas nos divertindo.

Juliana, Formiga e eu.

Pastel.

Água de coco.

Caldo de cana.

Patos.

Marrecos.

Brincadeiras.

Um celular registrando alguns segundos de um domingo qualquer.

Dez anos depois, porém, aquele pequeno vídeo tornou-se outra coisa.

Virou um ponteiro para a memória.

Quando olho para ele, não vejo apenas algumas aves reunidas perto da Lagoa do Taquaral.

Consigo reconstruir pedaços daquele dia.

As caminhadas.

As brincadeiras.

As conversas.

O Formiga pequeno.

As bobagens que inventávamos.

O Sol descendo lentamente.

E aquela sensação maravilhosa de não termos absolutamente nenhum lugar mais importante para estar.

Talvez seja justamente para isso que servem esses pequenos registros.

Não para documentar os grandes acontecimentos.

Os grandes acontecimentos normalmente já possuem fotografias, datas e histórias.

São os dias comuns que desaparecem.

Um pastel.

Um copo de caldo de cana.

Uma criança rindo.

Algumas aves na água.

Um pôr do sol.

Por isso aquele vídeo aparentemente insignificante continua aqui.

É mais um pequeno fragmento de um dia que terminou há muitos anos.

O parque fechou.

Nós fomos embora.

A noite chegou.

E imagino que, alguns minutos depois, escondidos entre árvores, galhos e moitas, os verdadeiros habitantes da Lagoa do Taquaral tenham finalmente olhado uns para os outros e pensado:

— Ufa! Os chimpanzés foram embora.

🦆🌙

E então a lagoa voltou a pertencer a eles.

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O clube dos marrecos


Caminhando em Direcção a concha acústica, nos deparamos com varias aves aquáticas reunidas no clubinho... claro que o Formiguinha e seu amigo imaginário não podiam deixar de fazer piada.



Os bichos reunidos aguardando o por do sol, a espera que os humanos chatos retornem as suas casas para enfim descansarem e aproveitarem a merecida paz.

Varias espécimes convivendo e dividindo seu territórios e no jogo do Formiguinha aquilo é a festa dos Patos.

Um gato escondido.

Bellacosa Mainframe e o gato escondido

Um gato escondido.


Coitado do gato que tava na dele bem escondidinho debaixo do banco, esperando o agito passar quando de repente sua paz acabou, enquanto 2 maluquinhos ficavam espionando-o.



Este dia estava uma delicia, muitos e muitos bichinhos soltos, gatos, passaros, cisneis, gansos, patos, marrecos e capivaras. O formiguinha ficou louquinho para chegar mais perto das capivaras, mas a prudência fez-lo ficar numa distancia segura, mesmo tendo um rio entre eles.

Foi uma delicia levar o formiguinha para passear e fazer uma boa bagunça no parque :)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Passaros trollando-se em Piracicaba

Bellacosa Mainframe e um delicioso almoço em Piracicaba 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🐦 Piracicaba, o Fusquinha Vermelho e o Pequeno Gnomo de Asas

Um almoço à beira do Rio Piracicaba, memórias de infância e um passarinho endiabrado que resolveu não deixar ninguém em paz

Piracicaba tem seu encanto.

Mas, para mim, Piracicaba nunca foi apenas o nome de uma cidade do interior de São Paulo.

Piracicaba faz parte da minha vida.

Muito antes de eu dirigir pelas estradas do interior, viajar por conta própria ou carregar uma câmera para registrar essas pequenas cenas aparentemente banais, existia um homem, um Fusquinha vermelho e uma família sendo levada para descobrir o mundo.

Esse homem era meu pai.

Meu pai tinha espírito livre e gostava de viajar.

E aquele famoso Fusquinha vermelho acabou se transformando numa espécie de máquina de aventuras da família Bellacosa.

Não precisava haver aeroporto.

Não precisava haver reserva sofisticada.

Não precisava existir um grande plano.

Havia uma estrada.

Havia uma cidade para conhecer.

E isso bastava.

Piracicaba, Limeira e tantas outras cidades do interior paulista deixaram, assim, de ser simples nomes escritos nas placas das rodovias.

Viraram lembranças.



🚗 O Fusquinha vermelho

Quando somos crianças, não entendemos muito bem o que nossos pais estão construindo.

Para a criança, aquilo é apenas:

— Vamos passear!

Entramos no carro e pronto.

Mas décadas depois percebemos que aqueles passeios estavam criando uma coisa muito maior.

Estavam construindo nosso mapa afetivo.

Certas cidades ficam associadas a pessoas.

Certas estradas ficam associadas a épocas.

Certos lugares carregam lembranças que nenhuma coordenada geográfica consegue mostrar.

Meu pai provavelmente não imaginava que, muitos anos depois, eu continuaria retornando a alguns daqueles lugares.

O Fusquinha vermelho desapareceria da estrada.

Mas a estrada continuaria.

E eu também.



❤️ A viagem continua com Juliana

Anos depois, Piracicaba voltou a fazer parte da minha história de outra maneira.

Agora eu não era mais aquela criança sendo levada pelo pai.

Eu voltava com Juliana.

Fomos algumas vezes somente nós dois.

Em outras ocasiões fomos com o Formiga.

E assim aconteceu uma coisa bonita que somente percebemos quando olhamos nossa própria história de longe:

eu comecei a repetir o ritual.

Meu pai colocava a família dentro do Fusquinha e saía pelo interior.

Décadas depois, eu também colocava minha família no carro e seguia pelas mesmas estradas.

Os carros mudaram.

As décadas mudaram.

As pessoas dentro do carro mudaram.

Mas aquela curiosidade permaneceu.

Talvez meu pai tenha me deixado uma herança muito maior do que imaginava:

a vontade de ir ver.



🐟 E em Piracicaba havia um ritual

Em nossas visitas, um dos pontos altos era praticamente obrigatório:

os rodízios de peixe à beira do Rio Piracicaba.

Para quem gosta de peixe, aquilo pode ser um pequeno paraíso.

Sentar perto do rio, comer sem pressa e observar a paisagem fazia parte do passeio.

Não era apenas entrar em um restaurante, almoçar e ir embora.

O próprio entorno fazia parte da refeição.

A correnteza.

As árvores.

A brisa.

Os sons.

As aves.

As pessoas circulando.

O rio seguindo seu caminho indiferente aos pequenos dramas humanos que aconteciam às suas margens.

E foi justamente durante um desses almoços que aconteceu a cena registrada neste pequeno vídeo.


🌳 Tudo estava tranquilo...

Estávamos no meio do almoço.

Aquela tranquilidade deliciosa.

Sentindo a brisa.

Observando a correnteza.

Olhando as árvores.

Comendo peixe.

Até que alguma coisa chamou minha atenção.

Havia um pequeno grupo de pássaros.

Pela distância e pela qualidade da gravação, não consigo identificar com segurança quais eram as aves.

Mas, naquele momento, isso pouco importava.

Porque havia algo muito mais interessante acontecendo.

Entre todas aquelas aves aparentemente sossegadas, existia uma criatura endiabrada.

😂

Um pequeno agente do caos.

Um gnomo gozador com penas e asas.

Enquanto os outros pareciam satisfeitos em praticar aquela maravilhosa atividade conhecida como não fazer absolutamente nada, o nosso protagonista aparentemente tinha acordado com outro objetivo:

incomodar todo mundo.

😈 O chato do grupo

E ele não escolhia uma vítima.

Não.

Isso seria pouco.

Era um profissional.

Incomodava um.

Depois outro.

Depois outro.

Pia.

Sobe.

Desce.

Empurra.

Voa.

Volta.

Perturba outro.

Sai correndo.

Retorna.

As outras aves estavam simplesmente ali, curtindo a existência e provavelmente de olho em qualquer coisa deliciosa que pudesse cair das mesas humanas.

Nosso pequeno traquinas, porém, parecia possuir uma missão.

Ninguém terá paz enquanto eu estiver aqui.

😂

Era impossível não humanizar aquela cena.

Nós olhávamos e reconhecíamos imediatamente um personagem universal.

O chato do grupo.

Toda turma tem um.

Aquele sujeito que não consegue simplesmente ficar quieto.

Se todos estão conversando tranquilamente, ele cutuca alguém.

Se todos estão em silêncio, ele inventa alguma coisa.

Se ninguém está brigando, cinco minutos depois existe uma excelente possibilidade de alguém querer esganá-lo.

A diferença é que aquele tinha penas.

🐦 Não era um. Nem dois.

Essa era justamente a parte que tornava tudo ainda mais engraçado.

Ele não parecia ter qualquer preferência.

Não era uma briga específica entre duas aves.

O pequeno capeta parecia distribuir democraticamente sua inconveniência.

Incomodava várias.

Para nós, humanos sentados à mesa, aquilo começou a se transformar num espetáculo paralelo ao almoço.

E existe algo maravilhoso nisso.

Não pagamos ingresso.

Não havia roteiro.

Não existia narrador da National Geographic.

Nenhuma ave havia assinado contrato.

Simplesmente estávamos no lugar certo, olhando na direção certa, no momento certo.

E alguém tinha uma câmera.

🎥 Então apertei REC

Hoje estamos acostumados a produzir imagens deliberadamente.

Enquadramento.

Thumbnail.

Título.

SEO.

Publicação.

Mas muitos dos meus vídeos antigos nasceram de maneira completamente diferente.

Alguma coisa chamava minha atenção e eu simplesmente registrava.

Era quase um reflexo:

“Olha isso!”

E começava a filmar.

Foi exatamente o que preservou aquele pequeno acontecimento.

Talvez aqueles pássaros tenham permanecido ali durante horas.

Talvez o nosso gnomo alado tenha se acalmado dois minutos depois.

Talvez tenha encontrado outro grupo para atormentar.

Nunca saberemos.

Mas alguns segundos sobreviveram.

📼 Dez anos depois

E aqui começa outra história.

Porque quando publiquei aquele pequeno vídeo em janeiro de 2016, provavelmente não imaginava que, mais de uma década depois, estaria olhando novamente para aquelas imagens e reconstruindo tudo que existia fora do enquadramento.

A câmera mostra os pássaros.

Mas minha memória mostra muito mais.

Mostra Piracicaba.

Mostra o rio.

Mostra o almoço.

Mostra Juliana.

Mostra Formiga em outras viagens.

E, indo ainda mais para trás no tempo, aparece aquele Fusquinha vermelho.

Meu pai.

Minha infância.

As cidades do interior.

As estradas.

É extraordinário perceber como funciona a memória.

Começamos falando sobre um pássaro trollando outros pássaros...

e terminamos chegando ao nosso pai décadas antes.

🚗➡️🐦 O que não aparece no vídeo

Meu pai não aparece naquela gravação.

O Fusquinha vermelho também não.

Mas, de certa maneira, ambos estão ali.

Porque talvez eu estivesse naquele restaurante à margem do Rio Piracicaba justamente porque, muitos anos antes, alguém havia me ensinado que valia a pena entrar num carro e descobrir o que existia depois da próxima curva.

Essa curiosidade ficou.

Meu pai levou os filhos.

Depois levei minha família.

E lugares conhecidos durante a infância ganharam novas camadas.

Piracicaba da infância.

Piracicaba com Juliana.

Piracicaba com Formiga.

Piracicaba do peixe.

Piracicaba do rio.

E agora...

Piracicaba do passarinho FDP.

😂

Essa também merece entrar no mapa.

🐦 Mesmo na natureza os animais se trollam

Nós gostamos de romantizar a natureza.

Imaginamos os animais vivendo em equilíbrio absoluto.

Tudo perfeitamente organizado.

Cada passarinho respeitando educadamente o espaço do vizinho.

Mas basta observar durante algum tempo para perceber que o mundo animal também possui disputas, competição, hierarquias, invasões de espaço e comportamentos que, vistos através de nossos olhos humanos, parecem pura provocação.

Não sei exatamente o motivo daquele comportamento.

Poderia envolver comida.

Território.

Hierarquia.

Ou alguma dinâmica que somente aquelas aves compreendiam.

Por isso não quero transformar uma cena divertida em uma falsa explicação científica.

O que posso afirmar é aquilo que vimos:

um deles não deixava os outros em paz.

E foi divertidíssimo assistir.

💾 Pequenos vídeos, grandes backups

Existe uma lição escondida nesses arquivos antigos.

Nós normalmente sabemos que devemos fotografar os grandes acontecimentos.

Aniversários.

Casamentos.

Viagens.

Formaturas.

Monumentos.

Paisagens extraordinárias.

Mas frequentemente são os registros aparentemente inúteis que, anos depois, adquirem um valor inesperado.

Um almoço.

Uma estrada.

Uma ave.

Um Fusquinha.

Uma brincadeira.

Porque nossa memória não funciona como um banco de dados perfeitamente indexado.

Às vezes precisamos de uma chave.

Aquele pequeno vídeo é uma delas.

PLAY.

Os pássaros aparecem.

E uma cadeia inteira de memórias é recuperada.

Piracicaba.

Rio.

Peixe.

Juliana.

Formiga.

Infância.

Pai.

Fusquinha vermelho.

É praticamente um SELECT emocional executado contra décadas de memória.

E tudo começou porque um passarinho resolveu ser inconveniente.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Talvez seja justamente por isso que vale a pena recuperar essas pequenas postagens antigas.

Não para fingir que em 2016 eu pretendia escrever uma grande crônica.

Não pretendia.

Eu simplesmente achei a cena engraçada.

Filmei.

Publiquei.

E provavelmente pensei:

“Olha esse pilantra!”

Mas o tempo adiciona metadados às nossas lembranças.

Hoje percebo que aquele vídeo registra muito mais do que uma pequena confusão entre pássaros.

Registra a continuidade de uma história.

Meu pai me ensinou, talvez sem perceber, que havia um mundo esperando depois da próxima cidade.

Piracicaba tornou-se uma dessas cidades.

Depois voltei com Juliana.

Voltei com Formiga.

Comemos peixe.

Sentimos a brisa.

Olhamos o rio.

E, numa dessas tardes, enquanto uma família humana simplesmente aproveitava o almoço...

um pequeno gnomo de asas decidiu que tranquilidade demais era inadmissível.

Começou a piar.

Subir.

Empurrar.

Voar.

Perturbar um.

Perturbar outro.

Perturbar todos.

Nós assistimos.

Rimos.

E eu apertei REC.

Dez anos depois, descubro que fiz muito mais do que filmar um passarinho.

Fiz backup de uma tarde da minha vida.

E, escondido dentro desse backup, encontrei novamente um pouco do espírito livre daquele homem dirigindo seu Fusquinha vermelho pelas estradas do interior.

Meu pai não está no vídeo.

Mas agora percebo:

ele também estava naquela viagem.

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Mesmo na natureza os animais se trollam

Pensamos que apenas humanos tem rompantes de ma vizinhança, que nada na natureza as vezes encontramos uns tipinhos que são verdadeiros FDPs.

Estávamos almoçando a beira rio em Piracicaba quando notamos uma movimentação de pássaros a beira rio, nada demais, porem quando todos estavam calmos e serenos, observando nossa refeição, eis que surge....




Caricato ver a cena, um dos pilantras brigando um com os outros. Vale a pena ver o video.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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