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quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

🦋 Animais e Insetos nos Animes – a fauna simbólica do Japão!

Bellacosa Mainframe e animais e insetos em animes


 🦋 Animais e Insetos nos Animes – a fauna simbólica do Japão!

Você já reparou que em alguns animes aparecem borboletas azuis, corvos falantes ou raposas misteriosas? 🦊
Nada é por acaso! No Japão, os animais e até os insetos têm significados espirituais e emocionais muito antigos — herança do xintoísmo e do budismo, onde a natureza é viva e cheia de mensagens.

Hoje, o blog Bellacosa te convida a decifrar o que o Japão realmente quer dizer quando coloca um bicho em cena. 🌸



🦊 1. Raposa (Kitsune) – o mensageiro entre mundos

A kitsune é talvez o símbolo mais poderoso da mitologia japonesa.
Ela representa sabedoria, transformação e travessura espiritual. Pode ser um guardião divino ou um enganador, dependendo da história.

🌀 Exemplo: em Naruto, a Raposa de Nove Caudas (Kyūbi) é a força bruta e espiritual que vive dentro do herói — poder e caos coexistindo.
Já em Spirited Away, as máscaras de kitsune remetem a espíritos guardiões.

💡 Curiosidade Bellacosa: as raposas brancas estão ligadas ao deus Inari, protetor das colheitas e dos comerciantes — por isso santuários cheios de estátuas de kitsune são comuns no Japão.


🦋 2. Borboleta – a alma e o efêmero

A borboleta simboliza a transformação e a impermanência da vida.
Quando aparece, prepare-se para algo poético ou triste: o voo leve, a despedida, o renascimento.

🌸 Exemplo: em Kimetsu no Yaiba (Demon Slayer), Shinobu Kocho é a “Borboleta da Morte”, representando graça, veneno e redenção.
Em Bleach, as borboletas negras (Hell Butterflies) são mensageiras dos shinigamis — literal ponte entre a vida e a morte.

💬 Dica Bellacosa: se uma borboleta aparece silenciosa em cena, preste atenção: alguém vai morrer, mudar... ou evoluir espiritualmente.


🐸 3. Sapo (Kaeru) – retorno e sorte

No Japão, “kaeru” (sapo) também significa “voltar”.
Por isso, ele é um símbolo de retorno seguro, sorte e viagem feliz.
Mochileiros japoneses carregam mini sapos como amuletos para voltar em segurança!

🎬 Exemplo: em Spirited Away, há vários sapos no banho dos espíritos — uma metáfora sobre transformação e purificação.
E o Mestre Jiraiya, em Naruto, usa o sapo como animal espiritual: sabedoria, humor e coragem.


🐦 4. Corvo (Karasu) – presságio e proteção

O corvo é ambíguo: mensageiro dos deuses, mas também símbolo de morte e recomeço.
Na cultura xintoísta, o Yatagarasu, corvo de três patas, guia os humanos em tempos sombrios.

Exemplo: em Haikyuu!!, o time principal se chama Karasuno (Escola dos Corvos) — e não é à toa: os corvos se adaptam, sobrevivem e observam tudo do alto.
Em Naruto, Itachi Uchiha usa corvos como projeção espiritual — prenúncio de tragédia e sabedoria.


🐈 5. Gato (Neko) – sorte, mistério e travessia

Gatos são onipresentes em animes. De fofos a sobrenaturais, eles simbolizam independência, sorte e conexão espiritual.
No Japão, acredita-se que o gato vê o mundo dos espíritos.

😺 Exemplo: o Maneki Neko (gato com a patinha levantada) aparece em lojas e também em animes como Sailor Moon (Luna!) e Natsume Yuujinchou.
Eles trazem boa sorte e servem como guias entre realidades.

💡 Curiosidade: um gato com a patinha direita levantada atrai dinheiro; com a esquerda, atrai amigos.


🐍 6. Cobra (Hebi) – proteção, renascimento e medo

A cobra no Japão é vista como guardiã espiritual — mensageira de deuses, símbolo de sabedoria e renovação.
Mas também representa o medo do desconhecido e o poder oculto.

🐍 Exemplo: em Bleach, o personagem Orochimaru (nome direto da lenda da serpente branca) incorpora tudo isso: inteligência, obsessão e imortalidade.


🐦‍⬛ 7. Grilo e Cigarra – o som da vida que passa

Esses insetos têm papel poético nos animes.
O som das cigarras no verão japonês é quase um relógio emocional — marcando o tempo, o calor e o fim de ciclos.

🎐 Exemplo: em The Garden of Words e Your Name, o canto das cigarras anuncia o fim de uma era, o adeus, a mudança de estação.
O grilo, por outro lado, simboliza persistência e esperança.

💬 Dica Bellacosa: quando as cigarras cantam e o protagonista olha pro céu... não é só natureza, é o tempo dizendo “nada dura pra sempre”.


🕊️ 8. Pássaros em geral – liberdade, fuga e destino

Quando vemos pássaros voando em direção ao horizonte em um anime, é o símbolo da liberdade e da transição.
Eles aparecem para marcar o crescimento de um personagem ou o fim de um arco emocional.

🪶 Exemplo: em Anohana e Naruto Shippuden, bandos de pássaros sempre acompanham despedidas e recomeços — o ciclo da vida em forma de voo.


🐉 9. Dragão (Ryū) – poder divino e equilíbrio

Diferente do dragão ocidental, o japonês é símbolo de sabedoria, proteção e harmonia entre os elementos.
É uma figura sagrada, associada à água e ao equilíbrio do mundo.

🌊 Exemplo: em Spirited Away, Haku é literalmente um espírito-dragão do rio esquecido — força da natureza e lembrança espiritual.


🦋 Lista Bellacosa de Animais e Insetos Comuns nos Animes

AnimalSignificadoExemplo de Anime
Raposa (Kitsune)Espiritualidade, travessuraNaruto, Spirited Away
BorboletaMorte, transformaçãoDemon Slayer, Bleach
SapoRetorno, sorteNaruto, Spirited Away
CorvoPresságio, sabedoriaNaruto, Haikyuu!!
GatoSorte, mistérioSailor Moon, Natsume Yuujinchou
CobraRenovação, poder ocultoBleach, Naruto
CigarraTempo, fim de cicloYour Name, Clannad
GriloEsperança, persistênciaSummer Wars
DragãoForça espiritual, equilíbrioSpirited Away, Dragon Ball
PássaroLiberdade, despedidaAnohana, Naruto Shippuden

💡 Dica do Sensei Bellacosa

Em animes, os animais não aparecem só pra “fazer fofura”.
Eles são espelhos da alma dos personagens, metáforas vivas da jornada interior.
Se você prestar atenção, vai perceber que todo animal surge na hora certa — como um mestre silencioso. 🐾


Conclusão:
A fauna dos animes é um mapa espiritual disfarçado de estética.
Cada borboleta, gato ou corvo conta uma história sobre o humano que ainda existe em nós.
Da próxima vez que vir uma raposa sorrindo no escuro... talvez ela esteja tentando te contar algo que só o Japão entende. 🦊

#BellacosaMainframe #AnimeParaPadawans #SimbolismoJapones #AnimaisNosAnimes #OtakuCultural

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

SEMI - O som que anuncia o verão

SEMI - O som que anuncia o verão

Bellacosa Mainframe e o som da cigarra que anuncia o verão


 O canto da cigarra (semi 蝉, em japonês) é um dos sons mais icônicos do verão japonês, e por isso aparece com tanta frequência em animes, filmes e dramas. Vamos destrinchar isso ao estilo Bellacosa — com cultura, filosofia e um toque de poesia cotidiana.


🌞 1. O som que anuncia o verão

No Japão, as cigarras surgem em grande número durante o verão — especialmente em julho e agosto.
Seu canto estridente e constante se mistura à paisagem urbana e rural como uma trilha sonora natural da estação.
Para um japonês, ouvir cigarras é sinônimo de verão, assim como o som do mar para um brasileiro ou o canto dos grilos no interior.

Em animes, basta ouvir o “min-min-min-min” para o espectador sentir o calor, o suor, as férias de escola, as yukatas e os festivais de fogos.
O som transporta o público — é quase um portal auditivo para o verão japonês.


🕊️ 2. O simbolismo da efemeridade — Mono no Aware

A cigarra vive poucos dias após emergir do solo (geralmente 1 a 3 semanas).
Essa vida curta, mas intensa, ecoa o conceito estético japonês de “Mono no Aware” (物の哀れ) — a melancolia pela beleza passageira das coisas.

Em animes, o som das cigarras frequentemente marca:

  • o fim de uma infância,

  • o último dia das férias de verão,

  • um adeus ou lembrança nostálgica.

Elas são um lembrete sonoro de que tudo é transitório.
O verão, os sentimentos, as pessoas — tudo passa, como o canto que logo se silencia.

🕰️ “O som das cigarras ecoa, e já é outono.”
(Provérbio japonês)


🎬 3. O uso narrativo e atmosférico

Os diretores de anime usam o som das cigarras como elemento de ambientação emocional:

  • Em cenas calmas: o canto cria uma sensação de calor, tranquilidade e tempo suspenso (Clannad, Natsume Yuujinchou).

  • Em cenas dramáticas: o contraste entre o som constante e um momento de perda amplifica a dor (Anohana, Your Name, Erased).

  • Em flashbacks: serve como “ponte” auditiva para indicar que estamos voltando a um verão do passado.


🎧 4. As diferentes espécies e seus sons

O Japão tem diversas espécies de cigarras, cada uma com um canto único — e os japoneses reconhecem isso facilmente.
Alguns exemplos que aparecem em animes:

EspécieCantoSensação típicaExemplos em anime
Minmin-zemi (ミンミンゼミ)“min-min-min…”Verão pleno, calor intensoMy Neighbor Totoro
Higurashi (ヒグラシ)“kanakana-kanakana…”Fim de tarde, melancoliaHigurashi no Naku Koro ni
Aburazemi (アブラゼミ)som contínuo e densoCalor abafado urbanoClannad, Shin Chan

Aliás, o próprio nome “Higurashi”, do anime de horror psicológico, vem da cigarra do entardecer — símbolo da transição entre luz e escuridão.


🌾 5. Filosofia do cotidiano japonês

O som da cigarra é um exemplo do que os japoneses chamam de “Kachō Fūgetsu” (花鳥風月)
a apreciação das belezas naturais: flores, pássaros, vento e lua.

Ouvir cigarras não é apenas perceber um ruído, mas sentir o tempo passar, perceber que se está vivo naquele instante efêmero.
E isso combina perfeitamente com a alma contemplativa dos animes mais poéticos — Mushishi, Barakamon, Natsume Yuujinchou


☀️ Em resumo

MotivoSignificado
CulturalSom tradicional do verão japonês
EmocionalEvoca nostalgia e passagem do tempo
EstéticoRepresenta mono no aware (a beleza do efêmero)
NarrativoMarca transições, lembranças e climas de cena

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

A cachoeira da Lua e o caminho a Sobradinho em São Tomé das Letras

Bellacosa Mainframe e as poeirentas estradas de terra em São Tomé das Letras 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🌙 A Cachoeira da Lua e o Caminho para Sobradinho

Quando o jovem Vagner em 1994 continuou andando e descobriu que o mundo era muito maior do que imaginava.

Existem viagens que começam quando colocamos o pé na estrada. Outras começam muito antes, quando surge aquela inquietação de descobrir o que existe depois da próxima curva.

Aquela aventura por São Thomé das Letras, seguindo pela estrada de terra em direção a Sobradinho, foi uma dessas viagens.

Para o jovem Vagner, significava aumentar mais alguns quilômetros naquele mapa invisível que vinha construindo desde menino. Cada cidade visitada empurrava um pouco mais para longe as fronteiras do mundo conhecido.

E São Thomé parecia pertencer a outro mundo. Poder voltar a essa cidade é se encher de energia e descobrir um outro mundo.

Era uma cidade cercada por histórias, lendas, cavernas, grutas, cachoeiras e formações rochosas. Havia histórias sobre a ocupação humana da região misturadas às narrativas populares, ao misticismo e aos mistérios que transformaram São Thomé das Letras em um lugar tão particular.

Mas uma das maiores descobertas estava simplesmente na paisagem.

Eu estava acostumado ao verde da Mata Atlântica, às árvores grandes, à umidade e àquela vegetação que, observada à distância, parece formar um enorme mar verde.

Ali tudo parecia diferente.

A paisagem ganhava tons amarelados, marrons e ocres. Havia muita pedra, vegetação mais baixa e menos árvores gigantescas dominando o horizonte. O céu parecia maior.

Era como descobrir que o Brasil mudava de cor conforme avançávamos pela estrada.

E nós continuávamos avançando.



Rumando sem rumo.

Essa talvez seja a melhor definição daquela aventura.

Pegávamos estradas de terra, observávamos sítios e pequenas propriedades rurais, atravessávamos caminhos desconhecidos e procurávamos cachoeiras. Nem sempre era necessário encontrar uma atração famosa.

Às vezes bastava encontrar água.

Um ribeirão.

Um córrego.

Uma pequena cachoeira escondida entre as pedras.

Depois de caminhar debaixo do sol e sentir o calor acumulado nas pedras, entrar naquela água fria era um pequeno ritual.

Primeiro os pés.

Depois as pernas.

O corpo protestava por alguns segundos contra a diferença de temperatura.

E então vinha o mergulho.

A água gelada deixava de ser inimiga e se transformava em recompensa.

Nadávamos nos ribeirões, entrávamos debaixo das pequenas quedas d'água e simplesmente aproveitávamos aquele pedaço de natureza encontrado pelo caminho. Ao redor, novos pássaros, insetos, plantas e animais reforçavam a sensação de estarmos explorando um ambiente diferente daquele que conhecíamos.

Depois era hora de continuar.

Roupa secando no próprio corpo, poeira da estrada novamente nos sapatos e mais uma curva esperando adiante.



E havia ainda outra recompensa: a comida sul-mineira.

Depois de caminhar, nadar e explorar, sentar diante daquela comida simples, generosa e cheia de sabores da terra completava a experiência. Viajar também era descobrir um lugar pelo prato.

Hoje percebo que naquela estrada para Sobradinho eu não estava apenas procurando a Cachoeira da Lua.

Estava aprendendo algo que continuaria comigo durante muitas outras viagens:

o mundo é absurdamente grande.

E uma das melhores maneiras de conhecê-lo é continuar andando.

Mesmo quando não sabemos exatamente onde a estrada vai terminar.

Porque, algumas vezes, perder-se um pouquinho é justamente a maneira de encontrar aquilo que nunca soubemos que estávamos procurando.


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Uma estrada de terra com muita poeira.


Estamos em busca de novas cachoeiras, rumando sem rumo pela estrada de Sobradinho, perdidos no interior de São Tomé. Vendo a bela paisagem, sítios e chácaras.


#SaoTomeDasLetras #Piramide #PedraDaBruca #tocaFurada #mirante #cruzeiro #IGrejaAssombrada #Castelo #Trilha #Ecoturismo #ViagemAstral #Ufo #et #duende #fada #weed #hippie #bichogrilo #cachoeira #cascata #corredeira #Caverna #pedradabruxa #panorama #ChicoTaquara #Gruta #saoTome #igrejarosario #sobradinho #eubioese #shangrila #poçoazul #poçodasesmeraldas #paraiso #veudanoiva #valedasborboletas #lua #gruta




terça-feira, 30 de maio de 2017

Formiguinha iniciando no skate


O Formiguinha aprontndo das suas no skate.


Manobras de Iniciante no Skate


Domingo a tarde estamos no parque Luis Latorre e o formiguinha esta planejando seus primeiros passos em manobras de skate, aprendendo aos poucos o dominio desta prancha e suas rodinha... e nao eh que o pequeno eh habilidoso?

sábado, 2 de abril de 2016

As arvores e a cidade de Monte Verde

Bellacosa Maifnrame e memorias de uma viagem a Monte Verde

🌲 As Árvores e a Cidade de Monte Verde

Uma cidade aconchegante entre montanhas, casas, jardins e muito verde

Era começo de outono em Monte Verde, e lá estávamos nós passeando tranquilamente pelas ruas dessa pequena cidade escondida no alto da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais.

O clima ainda estava agradável. Nada daquele frio rigoroso que normalmente imaginamos quando alguém fala de Monte Verde. Era simplesmente um belo dia para andar sem muita pressa e observar a cidade.

E havia muito para observar.

Nossa missão naquele momento era bastante simples: encontrar um lugar para almoçar.

Mas procurar restaurante também acabou virando uma pequena exploração.

Em vez de ficarmos somente nas ruas mais movimentadas e turísticas, começamos a circular por lugares mais tranquilos. Ruas onde apareciam casas, pequenos jardins, pousadas e, principalmente, muitas árvores.

🌲🌲🌲



Talvez essa seja uma das características mais interessantes de Monte Verde.

A natureza parece fazer parte da própria cidade.

As árvores surgem entre as construções, acompanham as ruas e aparecem nos terrenos e jardins. Em alguns pontos temos quase a impressão de que as casas foram cuidadosamente colocadas no meio da vegetação.

Enquanto seguíamos procurando nosso almoço, continuávamos descobrindo pequenos detalhes.

Uma casa diferente aqui.

Um jardim acolá.

Uma rua tranquila que provavelmente passaria despercebida para quem estivesse preocupado apenas com os pontos turísticos.

E justamente por isso gosto desses passeios.

Nem sempre uma viagem precisa ser uma sequência de atrações famosas, fotografias obrigatórias e lugares marcados em um mapa.

Às vezes a melhor parte é simplesmente zanzar pela cidade.

Sem roteiro.

Sem horário.

Olhando as casas, as pessoas, os jardins e as árvores.

Naquele começo de outono de 2016, Monte Verde mostrou um pouco dessa outra face.

E pensar que tudo começou porque estávamos apenas procurando um lugar para almoçar.



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Uma cidade aconchegante.


Estamos no alto da montanha, curtindo os primeiros dias do outono, esta um calorzinho estamos passeando pelas ruas desta encantadora vilazinha da serra.



Um recanto de tranquilidade estamos em busca de um lugar delicioso para almoçar, circulando pelas ruas não muito turísticas, onde vemos casas normais e ainda muito verde com arvores ocupando os jardins.

domingo, 13 de março de 2016

Os patos no Taquaral

Bellacosa Maifnrame e os patos da Lagoa do Taquaral

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🦆 Os Patos no Taquaral — Um Dia sem Relógio

Um céu azul, um pouco de pão velho e aqueles raros momentos em que ninguém precisava chegar a lugar algum

Era março de 2016.

Naquele dia, eu, Juliana e o pequeno Formiga aproveitamos um daqueles lindos dias de céu azul e sol em Campinas para simplesmente curtir alguns momentos em família no Parque Portugal, o nosso conhecido Parque do Taquaral.

Não havia uma grande missão.

Não havia horário apertado.

Não havia aquela obrigação moderna de transformar cada minuto em alguma coisa produtiva.

Era apenas um passeio.

E talvez justamente por isso tenha se transformado em memória.

Entre as inúmeras brincadeiras daquele dia, havíamos levado de casa um pouco de pão velho para alimentar os patos. Algo extremamente simples, mas que, para uma criança curiosa, podia transformar a margem da lagoa em uma verdadeira expedição.

Formiga estava encantado.

Observava os patos adultos caminhando tranquilamente pelo parque, outros nadando serenamente pela lagoa e, principalmente, os filhotes que apareciam próximos às moitas.

Olhava, acompanhava, perguntava.

Por que eles faziam aquilo?

Para onde estavam indo?

Onde estavam os pequenos?

Eram machos? Eram fêmeas?

A curiosidade infantil tem uma característica maravilhosa: ela consegue transformar aquilo que um adulto já considera parte da paisagem em alguma coisa extraordinária.

Um pato deixa de ser apenas um pato.

Passa a ser uma descoberta.

E então apareceu outro personagem daquela tarde.

O Vagner criança grande.

Porque se existe uma criança observando patos, naturalmente existe a possibilidade de um adulto perfeitamente responsável começar a andar pelo parque fazendo:

— Quá! Quá! Quá!

Formiga se divertia.

Eu imitava os patos.

E o mais engraçado é que alguns deles pareciam ficar curiosos com aquele estranho espécime humano tentando desesperadamente falar a língua deles.

Talvez estivessem pensando:

— Que pato enorme e mal-ajambrado é esse?

Ou talvez:

— Esse aí definitivamente precisa melhorar o sotaque.

Não importa.

Durante alguns minutos, funcionou.

As aves olhavam curiosas, Formiga ria e eu continuava com meu sofisticadíssimo método científico de comunicação interespecífica:

Quá, quá, quá!



Hoje, revendo esse pequeno registro tantos anos depois, percebo que existe algo muito maior escondido naquela brincadeira aparentemente insignificante.

Era um momento de absoluto relaxamento.

Não estávamos correndo contra o relógio.

Não havia compromisso esperando do outro lado do parque.

Não precisávamos terminar rapidamente aquela atividade para começar a próxima.

Podíamos simplesmente ficar ali.

Olhar os patos.

Jogar pedacinhos de pão.

Observar os filhotes.

Responder perguntas.

Inventar outras respostas.

Rir.

E fazer quá-quá para uma ave que provavelmente não estava entendendo absolutamente nada.

Talvez seja justamente esse o verdadeiro luxo que algumas fotografias e vídeos antigos acabam revelando anos depois.

Ter tempo.

Tempo para uma criança observar um pato durante vários minutos.

Tempo para um pai entrar na brincadeira.

Tempo para uma família caminhar pelo parque sem transformar o passeio numa corrida.

Naquele domingo ensolarado de março de 2016, o Parque Portugal não precisava oferecer nenhuma atração extraordinária.

O extraordinário já estava acontecendo.

Juliana estava ali.

Formiga estava descobrindo o mundo.

Eu estava fazendo palhaçada.

Os patos estavam apenas sendo patos.

E ninguém precisava estar em outro lugar.

Dez anos depois, talvez seja essa a parte mais bonita daquele pequeno vídeo.

A câmera registrou os patos.

A memória registrou o resto.
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Mais um vídeo do maluco que pensa que sabe imitar animais...


O Formiga e o seu amigo estão passeando pelo parque do Taquaral em Campinas e encontram este animado grupo de patos.



O lokinho resolve imitar uns patos e deixa o formiga bravo, querendo ir embora para achar o caminho para a orquestra.

Mas os pato lokinho não desiste e tenta com seu qua qua qua chamar a atenção dos patos. Sera que ele ira conseguir?

Lagoa do Taquaral zoeira com as aves aquáticas

Bellacosa Mainframe e as aves aquaticas da Lagoa Taquaral

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🌅 Quando os chimpanzés vão embora

Este pequeno vídeo junta-se a tantos outros fragmentos daquele dia agradável que passei com Juliana e o Formiga no Parque Portugal, nossa velha Lagoa do Taquaral.

Não aconteceu nada extraordinário.

E talvez justamente por isso tenha sido extraordinário.

Comemos pastel no lanche da tarde, bebemos água de coco e caldo de cana, caminhamos, rimos, brincamos e fizemos aquilo que às vezes esquecemos de fazer quando nos tornamos adultos:

simplesmente curtimos o momento.

Sem obrigação.

Sem horário apertado.

Sem precisar transformar cada minuto em alguma coisa produtiva.

O pequeno Formiga observava os animais, eu inventava histórias e, naturalmente, começávamos a imaginar o que aquelas aves estariam pensando sobre aquela invasão diária de seres humanos.

Porque existe outra Lagoa do Taquaral que nós quase nunca vemos.

É o Taquaral depois que vamos embora.


🦆 Finalmente os humanos foram embora!

Durante o dia somos milhares.

Crianças correndo.

Adultos conversando.

Bicicletas passando.

Gente caminhando.

Cães latindo.

Fotografias.

Música.

Gritos.

Risadas.

E, evidentemente, alguns humanos especialmente barulhentos — feito chimpanzés fugitivos de algum zoológico imaginário — acabando com a paz dos verdadeiros moradores do parque.

😄

Então chega o final da tarde.

O Sol começa a desaparecer.

Os portões fecham.

Os últimos visitantes caminham em direção à saída.

Os cachorros voltam para casa.

Os gatos procuram outros territórios.

As pessoas começam a pensar no jantar.

E finalmente...

silêncio.

Talvez seja justamente aí que comece o verdadeiro expediente dos moradores do Taquaral.



🌳 O parque depois dos humanos

Quando o ruído da cidade diminui, outros sons voltam a ocupar o espaço.

A água correndo.

As folhas farfalhando sob o vento.

Um galho balançando.

O bater de asas.

O pequeno ruído produzido por uma ave entrando na água.

Aquilo que durante o dia parece apenas cenário volta a ser um ecossistema.

As aves aquáticas deslizam tranquilamente pela superfície da lagoa.

Algumas procuram alimento.

Outras procuram abrigo.

Algumas sobem para galhos mais altos.

Outras desaparecem entre moitas rasteiras.

E certamente existem centenas de pequenos acontecimentos ocorrendo ali enquanto nós estamos em nossas casas completamente alheios a eles.

Para nós, o parque fechou.

Para eles, talvez o parque finalmente tenha aberto.



🏙️ Natureza cercada por concreto

Existe também algo curioso nessa paisagem.

Campinas já foi uma região marcada por fazendas, plantações e grandes extensões rurais.

A cidade cresceu.

Vieram ruas.

Avenidas.

Automóveis.

Prédios.

Condomínios.

E os espigões de concreto passaram a dominar boa parte do horizonte.

Mas dentro dessa enorme estrutura urbana permanecem pequenas ilhas onde fauna e flora continuam dividindo espaço conosco.

A Lagoa do Taquaral é uma delas.

Talvez por isso observar aqueles animais tenha algo de especial.

Não precisamos viajar centenas de quilômetros para encontrar natureza.

Às vezes ela está ali, diante de nós, tentando continuar sua rotina enquanto construímos uma cidade inteira ao redor dela.



💻 Um homem dos bits olhando para o céu

Talvez exista ainda uma pequena contradição pessoal nisso tudo.

Passei grande parte da vida profissional trabalhando com computadores.

Bits.

Bytes.

Memória.

Processadores.

Programas.

Mainframes.

Sistemas nos quais praticamente tudo precisa possuir uma lógica, uma sequência e um propósito.

INPUT → PROCESSAMENTO → OUTPUT

Mas coloque uma ave no céu e toda essa organização desaparece.

Eu adoro vê-las voando livres.

Uma ave cruza o céu e eu frequentemente paro para acompanhar.

Ela não possui JOB.

Não possui JCL.

Não recebeu prioridade do WLM.

Não precisa abrir chamado.

Não existe SLA determinando que esteja em determinado galho às 17h32.

Ela simplesmente...

voa.

E existe algo maravilhosamente libertador nisso.



🌕 A lagoa que continua existindo sem nós

Também gosto de imaginar aquelas aves aquáticas quando a noite chega.

O Sol desaparece atrás das árvores.

A superfície da lagoa escurece.

Em noites de lua cheia, a luz da Lua encontra a água e cria pequenos reflexos enquanto alguma ave atravessa silenciosamente a superfície.

Nenhuma plateia.

Nenhuma câmera.

Nenhum celular.

Nenhum humano dizendo:

— Olha ali!

Apenas a ave.

A água.

As árvores.

O vento.

E a Lua.

Talvez aquele seja um dos momentos mais bonitos do Taquaral.

E quase nenhum de nós está lá para assistir.


☕ O pequeno vídeo que ficou

Em 2016 eu provavelmente não estava pensando em nada disso.

Estávamos apenas nos divertindo.

Juliana, Formiga e eu.

Pastel.

Água de coco.

Caldo de cana.

Patos.

Marrecos.

Brincadeiras.

Um celular registrando alguns segundos de um domingo qualquer.

Dez anos depois, porém, aquele pequeno vídeo tornou-se outra coisa.

Virou um ponteiro para a memória.

Quando olho para ele, não vejo apenas algumas aves reunidas perto da Lagoa do Taquaral.

Consigo reconstruir pedaços daquele dia.

As caminhadas.

As brincadeiras.

As conversas.

O Formiga pequeno.

As bobagens que inventávamos.

O Sol descendo lentamente.

E aquela sensação maravilhosa de não termos absolutamente nenhum lugar mais importante para estar.

Talvez seja justamente para isso que servem esses pequenos registros.

Não para documentar os grandes acontecimentos.

Os grandes acontecimentos normalmente já possuem fotografias, datas e histórias.

São os dias comuns que desaparecem.

Um pastel.

Um copo de caldo de cana.

Uma criança rindo.

Algumas aves na água.

Um pôr do sol.

Por isso aquele vídeo aparentemente insignificante continua aqui.

É mais um pequeno fragmento de um dia que terminou há muitos anos.

O parque fechou.

Nós fomos embora.

A noite chegou.

E imagino que, alguns minutos depois, escondidos entre árvores, galhos e moitas, os verdadeiros habitantes da Lagoa do Taquaral tenham finalmente olhado uns para os outros e pensado:

— Ufa! Os chimpanzés foram embora.

🦆🌙

E então a lagoa voltou a pertencer a eles.

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O clube dos marrecos


Caminhando em Direcção a concha acústica, nos deparamos com varias aves aquáticas reunidas no clubinho... claro que o Formiguinha e seu amigo imaginário não podiam deixar de fazer piada.



Os bichos reunidos aguardando o por do sol, a espera que os humanos chatos retornem as suas casas para enfim descansarem e aproveitarem a merecida paz.

Varias espécimes convivendo e dividindo seu territórios e no jogo do Formiguinha aquilo é a festa dos Patos.

Um gato escondido.

Bellacosa Mainframe e o gato escondido

Um gato escondido.


Coitado do gato que tava na dele bem escondidinho debaixo do banco, esperando o agito passar quando de repente sua paz acabou, enquanto 2 maluquinhos ficavam espionando-o.



Este dia estava uma delicia, muitos e muitos bichinhos soltos, gatos, passaros, cisneis, gansos, patos, marrecos e capivaras. O formiguinha ficou louquinho para chegar mais perto das capivaras, mas a prudência fez-lo ficar numa distancia segura, mesmo tendo um rio entre eles.

Foi uma delicia levar o formiguinha para passear e fazer uma boa bagunça no parque :)

sexta-feira, 31 de dezembro de 1999

Caminhando pelo Brasil

Bellacosa Mainframe e as viagens pelo Brasil Parte II

Caminhando pelo Brasil 


Uma década de fotografias Parte II



Continuando a serie de fotos das viagens pelo Brasil, segue o segundo video com mais paisagens deslumbrantes, porem devido ao tempo q ficou armazenado o acetato perdeu muita qualidade.




sábado, 15 de abril de 1995

Salto as margens do Tiete.

Salto uma descoberta feliz

Minha tia Maria, da Vila Alpina, segundo minha mãe, nasceu em Salto, uma cidade marcada pela forte imigração espanhola e localizada às margens do Rio Tietê, entre Itu e Sorocaba.

Ao passear por suas ruas, descobri que Salto é muito mais do que imaginava. A cidade reúne história, natureza, arqueologia, fé e patrimônio industrial em um único lugar.

Uma das experiências mais marcantes foi visitar o Santuário de Nossa Senhora do Monte Serrat, padroeira da cidade. Localizado no alto de uma colina, o santuário oferece uma vista privilegiada da região. Uma trilha em espiral conduz o visitante até um mirante, onde é possível contemplar a paisagem e compreender por que aquele ponto se tornou um símbolo da cidade.

Outro aspecto fascinante são as margens do Rio Tietê. Ali encontram-se importantes vestígios do passado industrial paulista: antigas tecelagens, ruínas arqueológicas, uma elegante ponte pênsil e a famosa Ilha dos Amores, cercada por lendas e histórias populares que atravessam gerações.

Infelizmente, a beleza do lugar contrasta com a realidade do rio. A poluição do Tietê ainda é evidente, acumulando lixo, espuma e um forte odor, lembrando que esse patrimônio natural ainda espera pela recuperação que merece.

Nos arredores da cidade existe ainda o Parque da Rocha Moutonnée, um dos mais importantes sítios geológicos do Brasil. A enorme formação rochosa preserva marcas deixadas pelas geleiras que cobriram o sul do continente durante a Era Glacial, oferecendo uma rara oportunidade de observar evidências de um passado com centenas de milhões de anos.

Salto acabou se revelando uma surpresa extremamente agradável. É uma cidade que reúne história, ciência, religiosidade, arqueologia, geologia e memória em um único roteiro, mostrando que, muitas vezes, os lugares mais interessantes estão muito mais próximos do que imaginamos.






Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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