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Buzzwords sem Mistérios
O Guia Definitivo para um Programador COBOL Padawan Entender Por Que Algumas Palavras Parecem Revolucionárias, Mas Muitas Vezes São Apenas Marketing com Roupa de Tecnologia
Existe uma cena que se repete há décadas dentro da informática.
Uma nova tecnologia aparece.
Logo depois surge uma enxurrada de apresentações, palestras, artigos, webinars e vendedores dizendo que ela vai mudar tudo.
Quem não aprender imediatamente ficará para trás.
Poucos meses depois, praticamente toda empresa começa a repetir exatamente as mesmas palavras.
Cloud.
Big Data.
Data Lake.
Blockchain.
DevOps.
Microservices.
AI-First.
Agentic AI.
Platform Engineering.
Zero Trust.
Observability.
Digital Transformation.
Parece que, de repente, todo mundo passou a falar o mesmo idioma.
Mas existe um detalhe curioso.
Nem sempre essas palavras significam aquilo que parecem significar.
Na verdade, muitas delas pertencem a uma categoria muito conhecida dentro da indústria de tecnologia.
As famosas Buzzwords.
Para quem está começando no universo COBOL e Mainframe isso pode ser extremamente confuso.
O iniciante costuma pensar:
"Será que preciso aprender tudo isso?"
Na maioria das vezes...
Não.
Primeiro é preciso entender o que realmente é uma Buzzword.
Como ela nasce.
Por que empresas adoram utilizá-la.
E principalmente como separar inovação verdadeira de puro marketing.
Pegue sua caneca de café.
Hoje vamos estudar uma palavra que, curiosamente, descreve milhares de outras palavras.
O que significa Buzzword?
Buzzword pode ser traduzida como:
palavra da moda
ou
expressão da moda
ou ainda
termo que gera entusiasmo.
A palavra é formada por duas partes:
Buzz
= zumbido, burburinho, falatório.
Word
= palavra.
Literalmente:
"palavra que faz barulho."
É exatamente isso.
Uma Buzzword é uma palavra que gera enorme repercussão, muitas vezes muito maior do que seu significado técnico.
Ela chama atenção.
Ela vende.
Ela impressiona.
Ela cria expectativa.
Nem sempre ela explica alguma coisa.
A origem da palavra Buzz
A palavra "buzz" existe há centenas de anos na língua inglesa.
Originalmente descrevia o som produzido por:
abelhas
moscas
insetos
Depois passou a representar qualquer murmúrio coletivo.
Como uma sala cheia de pessoas conversando.
Daí surgiu a ideia de:
"todo mundo está falando disso."
É exatamente daí que nasce a Buzzword.
Quando surgiu a expressão Buzzword?
Os linguistas apontam que buzzword começou a aparecer em ambientes corporativos e acadêmicos durante a primeira metade do século XX.
Os registros impressos mais antigos conhecidos aparecem por volta da década de 1940, embora o uso tenha se popularizado principalmente nos anos 1960 e 1970, quando jornais e revistas passaram a utilizar o termo para criticar jargões administrativos e tecnológicos.
Na década de 1980, com a explosão da informática corporativa, "buzzword" tornou-se parte do vocabulário de profissionais de TI, consultorias e universidades.
Curiosamente, foi justamente a indústria da computação que ajudou a transformar a palavra em um fenômeno mundial.
Antes das Buzzwords modernas
Cada época teve suas palavras mágicas.
Década de 1960
Automation
Electronic Data Processing
Década de 1970
Time Sharing
Distributed Computing
Década de 1980
Expert Systems
Artificial Intelligence (na primeira onda)
Década de 1990
Client Server
Multimedia
Information Superhighway
Anos 2000
SOA
Web 2.0
e-Business
2010
Cloud
Big Data
IoT
Blockchain
2020
Generative AI
LLM
Agentic AI
AI Factory
Digital Twin
Platform Engineering
Perceba que algumas realmente revolucionaram a tecnologia.
Outras praticamente desapareceram.
Buzzword não significa mentira
Esse é um erro muito comum.
Nem toda Buzzword é falsa.
Na verdade:
Uma Buzzword pode representar:
uma tecnologia revolucionária;
uma ideia excelente;
um conceito importante;
uma inovação legítima.
O problema acontece quando a palavra é usada sem conteúdo.
O melhor exemplo
Imagine um restaurante.
Você pergunta:
"O que tem de almoço?"
O garçom responde:
"Nossa cozinha trabalha com gastronomia experiencial de alta performance orientada por inovação disruptiva."
Você continua sem saber se existe arroz.
Nem feijão.
Nem carne.
A Buzzword fez muito barulho.
Mas informou quase nada.
O mundo corporativo adora Buzzwords
Porque elas vendem.
Imagine dois anúncios.
Primeiro:
"Software para controlar estoque."
Segundo:
"Plataforma inteligente baseada em IA Generativa com arquitetura cloud-native orientada por microsserviços."
Qual chama mais atenção?
Mesmo que ambos façam exatamente a mesma coisa.
O Mainframe também possui Buzzwords
E muitas.
Veja algumas.
Cloud Mainframe
Hybrid Cloud
Digital Transformation
AI on IBM Z
Modernization
API Economy
Hyperautomation
Open Banking
Observability
Self-Healing Systems
Nem todas são exagero.
Algumas representam mudanças reais.
Outras são apenas novos nomes para ideias antigas.
Easter Egg
O Mainframe talvez seja o computador que mais sofreu com Buzzwords.
Desde os anos 1980 ouvimos frases como:
"O Mainframe morreu."
"O futuro é totalmente distribuído."
"Agora tudo será cliente-servidor."
"Cloud substituirá IBM Z."
Décadas depois...
Os maiores bancos do planeta continuam processando bilhões de transações diárias em mainframes.
A tecnologia mudou.
O discurso mudou.
Mas o IBM Z continua executando a parte mais crítica de muitos negócios.
Às vezes a Buzzword envelhece antes da tecnologia que prometia substituir.
Um exemplo para um programador COBOL
Imagine duas reuniões.
Primeira reunião.
"Precisamos criar um programa COBOL que leia um VSAM e grave no Db2."
Todo mundo entende.
Segunda reunião.
"Precisamos implementar uma arquitetura orientada à transformação digital utilizando pipelines inteligentes baseados em IA Generativa."
O desenvolvedor pergunta:
"Tá... mas o programa faz o quê?"
Silêncio.
Buzzword pode esconder falta de conhecimento
Este é um fenômeno psicológico interessante.
Quanto menos alguém domina um assunto...
Maior tende a ser o uso de palavras impressionantes.
Especialistas normalmente fazem o contrário.
Eles simplificam.
Albert Einstein costumava defender que, se você não consegue explicar algo de forma simples, provavelmente ainda não o compreendeu profundamente.
No mundo do software, isso aparece todos os dias.
Como reconhecer uma Buzzword perigosa
Existem alguns sinais clássicos.
Primeiro.
Ninguém consegue definir exatamente o significado.
Segundo.
Cada pessoa explica de um jeito.
Terceiro.
Ela resolve absolutamente todos os problemas.
Quarto.
Todo fornecedor diz possuir aquilo.
Quinto.
Quem questiona parece estar "atrasado".
Quando esses cinco sinais aparecem juntos...
Vale investigar melhor.
O perigo para quem está aprendendo
O programador iniciante acredita que precisa decorar centenas de palavras.
Isso gera ansiedade.
Na prática, seu chefe provavelmente perguntará:
"Consegue alterar esse programa COBOL?"
Não:
"Você domina arquiteturas hiperconvergentes orientadas por ecossistemas cognitivos?"
O COBOL ensina uma grande lição
COBOL sempre valorizou nomes claros.
READ.
WRITE.
MOVE.
ADD.
SUBTRACT.
OPEN.
CLOSE.
STOP RUN.
Não existe glamour.
Existe clareza.
Essa simplicidade ajudou milhares de sistemas a sobreviverem por décadas.
Por que empresas continuam usando Buzzwords?
Existem várias razões.
Marketing.
Vendas.
Captação de investimentos.
Reposicionamento de marca.
Atrair talentos.
Criar sensação de inovação.
Nem sempre isso é negativo.
Uma Buzzword pode facilitar a divulgação de uma ideia complexa.
O problema surge quando ela substitui a engenharia.
A diferença entre conceito e Buzzword
Veja um exemplo.
Conceito:
Virtualização.
Buzzword:
Everything-as-a-Service.
Conceito:
Container.
Buzzword:
Cloud Native Revolution.
Conceito:
API REST.
Buzzword:
API Economy.
A tecnologia existe.
O nome comercial cresce muito além dela.
Como sobreviver às Buzzwords
Um bom profissional faz algumas perguntas.
O que realmente isso resolve?
Quais problemas elimina?
Como funciona internamente?
Quais limitações possui?
Qual empresa já utiliza isso?
Existe documentação técnica?
Existe padrão aberto?
Qual ganho mensurável?
Se ninguém consegue responder...
Talvez exista apenas marketing.
Buzzwords que sobreviveram
Nem todas desaparecem.
Internet.
Cloud Computing.
Virtualização.
Containers.
Machine Learning.
DevOps.
Observabilidade.
Essas começaram como palavras da moda.
Depois provaram seu valor.
Hoje fazem parte da engenharia de software.
Buzzwords que perderam força
Outras ficaram pelo caminho.
Information Superhighway.
Cyber Café.
Web 2.0.
Multimedia Revolution.
Office Automation.
Expert Systems.
Não desapareceram completamente.
Mas deixaram de dominar as conversas.
A IA também criou novas Buzzwords
Nos últimos anos surgiram dezenas.
Prompt Engineering.
AI Agent.
Copilot.
Reasoning Models.
Agentic AI.
Synthetic Data.
Foundation Models.
Nem todas permanecerão por décadas.
Mas algumas certamente entrarão para a história da computação.
O grande aprendizado para um Padawan COBOL
Quando ouvir uma palavra nova...
Não pergunte primeiro:
"Como faço isso?"
Pergunte:
"O que exatamente isso significa?"
Depois:
"Qual problema ela resolve?"
Por fim:
"Como isso funciona tecnicamente?"
Essas três perguntas eliminam boa parte do marketing.
Curiosidade histórica
Há um paralelo interessante entre Buzzwords e modismos da programação.
Nas décadas de 1970 e 1980, diversas empresas trocavam o nome de produtos existentes apenas para parecerem modernos. Um sistema de "processamento de dados" virava "plataforma de informação". Um terminal "inteligente" podia ser apenas um terminal comum com novo folheto de vendas.
Mudava o nome.
O código permanecia praticamente igual.
Um conselho de veterano
No Mainframe existe um ditado não escrito.
"Antes de acreditar na apresentação do PowerPoint, leia a documentação técnica."
A apresentação mostra a promessa.
A documentação mostra a realidade.
O código mostra a verdade.
Conclusão
Buzzwords sempre existirão.
Enquanto houver inovação, haverá novas palavras para descrevê-la.
Enquanto houver marketing, algumas dessas palavras serão exageradas.
Enquanto houver tecnologia, surgirão novos modismos.
Mas o bom engenheiro de software não se impressiona apenas com nomes bonitos.
Ele procura entender princípios, arquitetura, limitações e resultados concretos.
É exatamente por isso que um programador COBOL continua sendo tão valorizado.
Ele aprendeu, desde cedo, que computadores não executam discursos inspiradores.
Eles executam instruções precisas.
No fim das contas, um sistema bancário não processa milhões de transações por segundo porque alguém escreveu um relatório cheio de Buzzwords.
Ele funciona porque milhares de profissionais, durante décadas, escreveram código claro, consistente, testado e confiável.
E esse talvez seja o maior ensinamento deste café no Bellacosa Mainframe.
As Buzzwords passam.
As boas ideias permanecem.
O marketing muda a embalagem.
A engenharia muda o mundo.