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quinta-feira, 7 de junho de 2018

☕🖥️🔥 YUURI, O FUZIL, OS LIVROS EM CHAMAS E A VERDADE QUE NÃO GOSTAMOS DE ADMITIR SOBRE A CIVILIZAÇÃO

 

Bellacosa Mainframe e uma analise de Yuuri

☕🖥️🔥 YUURI, O FUZIL, OS LIVROS EM CHAMAS E A VERDADE QUE NÃO GOSTAMOS DE ADMITIR SOBRE A CIVILIZAÇÃO

Operador, talvez estejamos a apenas uma refeição de distância da barbárie.

Existe um momento curioso quando assistimos Shoujo Shuumatsu Ryokou.

No início, tudo parece um anime fofo.

Duas garotas.

Um veículo militar estranho.

Uma cidade gigantesca.

Conversas inocentes.

Silêncio.

Paisagens bonitas.

Mas então acontece algo desconfortável.

Yuuri aponta um fuzil.

Yuuri rouba comida.

Yuuri queima livros.

E, de repente, o anime deixa de ser apenas uma jornada pós-apocalíptica.

Ele se transforma em um espelho.

Não um espelho do futuro.

Um espelho do passado.

E, talvez mais assustador ainda, um espelho do presente.

A maioria das pessoas olha para a história da humanidade como uma linha contínua de progresso.

Civilização.

Ciência.

Tecnologia.

Direitos.

Democracia.

Internet.

Inteligência artificial.

Mainframes.

Satélites.

Computação quântica.

Mas Shoujo Shuumatsu Ryokou faz uma pergunta que quase ninguém gosta de encarar:

"E se tudo isso for muito mais frágil do que imaginamos?"


O Mito da Civilização Permanente

Vivemos cercados por estruturas tão complexas que passamos a acreditar que elas são permanentes.

Abrimos a torneira.

Sai água.

Ligamos o interruptor.

Acende a luz.

Passamos um cartão.

Uma rede global processa a transação.

Entramos em um site.

Datacenters distribuídos pelo planeta respondem em milissegundos.

Tudo parece sólido.

Tudo parece inevitável.

Mas a história mostra exatamente o contrário.

A civilização não é o estado natural da humanidade.

A civilização é uma exceção estatística.

Uma camada extremamente fina construída sobre milhões de pequenas cooperações diárias.

Quando essas cooperações desaparecem, o sistema inteiro começa a falhar.

Não muito diferente de um ambiente de produção.

O usuário vê apenas a tela.

Não vê os milhares de componentes que precisam funcionar perfeitamente para que aquele sistema continue vivo.


Yuuri e o Fuzil

Muitos espectadores ficam incomodados quando Yuuri aponta a arma.

Eu também entendo perfeitamente esse desconforto.

Porque aquele momento destrói a ilusão da inocência.

Até então, Yuuri parecia apenas distraída.

Preguiçosa.

Comilona.

Engraçada.

Mas naquele instante percebemos algo perturbador.

Ela não pensa como nós.

Ela não possui os mesmos freios morais que esperamos.

E a pergunta importante não é:

"Por que Yuuri fez isso?"

A pergunta importante é:

"Quantas pessoas fariam exatamente o mesmo?"

A maioria de nós gosta de acreditar que seria heroica.

Generosa.

Altruísta.

Mas a história humana conta uma narrativa diferente.

Em guerras.

Fomes.

Colapsos econômicos.

Desastres naturais.

Muitas vezes pessoas comuns fizeram coisas impensáveis poucos meses antes.

Não porque eram monstros.

Mas porque estavam famintas.

A fome é uma força devastadora.

Ela não destrói apenas corpos.

Ela destrói princípios.

Ela corrói ética.

Ela enfraquece valores.

Ela reduz o horizonte mental até restar apenas uma pergunta:

"Vou sobreviver até amanhã?"

Yuuri representa exatamente esse estágio.

Ela não está pensando em justiça.

Ela está pensando em calorias.


O Livro em Chamas

Mas nada me parece tão poderoso quanto a cena dos livros.

Talvez porque ela seja muito mais simbólica.

Quando uma pessoa rouba comida, entendemos a necessidade.

Quando uma pessoa queima livros, sentimos que algo maior está morrendo.

Ali não está queimando apenas papel.

Está queimando memória.

Conhecimento.

História.

Civilização.

Identidade.

É impossível não lembrar de inúmeros episódios históricos.

A Biblioteca de Alexandria.

Os livros destruídos durante guerras.

Documentos queimados por regimes autoritários.

Acervos inteiros perdidos em incêndios.

Arquivos históricos descartados por descuido.

Quantas vezes a humanidade destruiu sua própria memória?

Provavelmente mais vezes do que conseguimos contar.


Quantas Civilizações Perdemos?

Essa talvez seja a reflexão mais fascinante que o anime provoca.

Nós costumamos imaginar a história como uma linha contínua.

Mas e se não for?

E se aquilo que conhecemos for apenas o que sobreviveu?

O registro arqueológico é absurdamente incompleto.

Madeira desaparece.

Papel desaparece.

Tecidos desaparecem.

Bibliotecas desaparecem.

Civilizações costeiras desaparecem sob o mar.

A floresta engole cidades.

O deserto cobre estradas.

O tempo destrói evidências.

Talvez tenham existido culturas inteiras das quais nunca ouviremos falar.

Povos que criaram arte.

Filosofia.

Religião.

Tecnologia.

Música.

Linguagens.

E desapareceram sem deixar vestígios suficientes para serem lembrados.

A maior parte da experiência humana pode ter sido perdida para sempre.

Quando penso nisso, a fogueira de Yuuri deixa de ser apenas uma fogueira.

Ela se torna uma metáfora da própria história.


O Mainframe da Humanidade

Gosto de imaginar a civilização como um gigantesco ambiente mainframe.

Milhões de processos executando simultaneamente.

Cada geração recebe um sistema operacional herdado.

Ninguém o escreveu sozinho.

Ninguém o compreende completamente.

Mas todos dependem dele.

As leis são programas.

As tradições são programas.

A educação é um programa.

A ciência é um programa.

A cultura é um programa.

A confiança social é um programa.

A maioria das pessoas sequer percebe que esses processos estão executando.

Assim como um usuário de banco raramente pensa no CICS, no DB2 ou no COBOL que estão processando sua transação.

Mas quando um componente crítico falha, todos percebem.

A civilização funciona da mesma forma.

Ela parece invisível até começar a quebrar.


A Fragilidade dos Pilares

Uma das grandes ilusões modernas é acreditar que nossos valores são permanentes.

Não são.

Eles dependem de estabilidade.

Dependem de abundância.

Dependem de educação.

Dependem de instituições.

Dependem de memória histórica.

Remova esses elementos por tempo suficiente e coisas estranhas começam a acontecer.

A história do século XX mostrou isso repetidamente.

Países cultos produziram guerras.

Sociedades avançadas produziram genocídios.

Nações científicas produziram campos de extermínio.

Pessoas comuns participaram de atrocidades.

Não porque nasceram más.

Mas porque sistemas inteiros falharam.

Quando os trilhos desaparecem, o trem descobre sua verdadeira direção.


O Que Yuuri Realmente Representa?

Quanto mais reflito sobre a personagem, menos a vejo como uma garota.

Ela me parece uma força da natureza.

Yuuri representa algo anterior à civilização.

Anterior à filosofia.

Anterior às bibliotecas.

Anterior às universidades.

Anterior à escrita.

Ela representa o impulso primordial da sobrevivência.

O mesmo impulso que manteve nossa espécie viva durante centenas de milhares de anos.

Sem Yuuri não existiríamos.

Mas sem Chito também não.

Porque sobreviver não é suficiente.

É preciso lembrar.

Registrar.

Transmitir.

Construir.

Preservar.

A humanidade existe justamente na tensão entre essas duas forças.

Instinto e memória.

Sobrevivência e significado.

Fome e conhecimento.


O Silêncio das Ruínas

Existe algo profundamente triste em ruínas.

Não apenas porque mostram destruição.

Mas porque mostram esquecimento.

Uma ruína é uma pergunta sem resposta.

Quem viveu aqui?

O que acreditavam?

Do que tinham medo?

O que amavam?

Por que desapareceram?

Shoujo Shuumatsu Ryokou é uma coleção dessas perguntas.

Cada prédio abandonado.

Cada máquina enferrujada.

Cada corredor vazio.

Cada elevador sem usuários.

Tudo parece sussurrar:

"Alguém construiu isso."

Mas ninguém está mais lá para explicar.


O Verdadeiro Horror do Anime

O horror da obra não está no fim do mundo.

O horror está na possibilidade de que o fim do mundo seja silencioso.

Sem explosões.

Sem monstros.

Sem invasões alienígenas.

Apenas uma longa sequência de falhas acumuladas.

Menos pessoas.

Menos conhecimento.

Menos manutenção.

Menos memória.

Menos esperança.

Até que reste apenas uma fogueira alimentada por livros.

E duas garotas atravessando os últimos corredores de uma civilização morta.


A Lição Final

Talvez a maior mensagem de Shoujo Shuumatsu Ryokou seja que a civilização não é um monumento.

Ela é um processo.

Ela precisa ser executada diariamente.

Assim como um ambiente de produção.

Assim como um sistema crítico.

Assim como um mainframe.

Quando paramos de transmitir conhecimento, a civilização enfraquece.

Quando paramos de preservar memória, a civilização enfraquece.

Quando paramos de cooperar, a civilização enfraquece.

Quando paramos de valorizar a verdade, a civilização enfraquece.

E então, um dia, alguém estará queimando livros para sobreviver à noite.

Não porque odeia conhecimento.

Mas porque não restou mais nada.


Veredito Bellacosa Mainframe

☕🖥️🔥

Yuuri não é a vilã da história.

Ela é o lembrete de quem somos sem nossas bibliotecas.

Sem nossas universidades.

Sem nossos arquivos.

Sem nossos datacenters.

Sem nossos sistemas.

Sem nossos registros.

Sem nossas regras.

Ela nos lembra que a civilização não está gravada em pedra.

Está gravada em pessoas.

E pessoas são frágeis.

Talvez seja por isso que a cena do fuzil incomode.

Talvez seja por isso que a cena dos livros doa.

Porque, no fundo, sabemos que a distância entre uma biblioteca e uma fogueira pode ser muito menor do que gostaríamos de admitir.

E talvez o trabalho de cada geração seja impedir que o último backup da humanidade acabe virando combustível para atravessar mais uma noite fria.


sábado, 6 de fevereiro de 2016

Engenharia Militar : Capítulo XIV — A Civilização Invisível

Bellacosa Mainframe e a engenharia militar parte xiv

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Engenharia Militar sem Mistérios para Programadores COBOL

Capítulo XIV — A Civilização Invisível

Quando um Programador COBOL Descobre que Todo Grande Sistema Existe Apenas para Permitir que as Pessoas Vivam suas Vidas

A cidade despertava lentamente.

O padeiro acendia o forno.

O motorista ligava o ônibus.

A enfermeira iniciava mais um plantão.

Uma professora organizava sua sala de aula.

Um agricultor preparava o trator.

Uma criança caminhava para a escola segurando a mão da mãe.

Nada parecia extraordinário.

Nenhuma dessas pessoas pensava em Data Centers.

Nenhuma imaginava processadores.

Nenhuma conhecia COBOL.

Nenhuma sabia o que significavam RACF, CICS, Db2, MQ ou JCL.

Mesmo assim...

todas dependiam deles.

O velho engenheiro observava a praça silenciosamente.

O jovem comandante aproximou-se.

— Mestre...

ninguém percebe a fortaleza.

O velho sorriu.

— Isso significa que ela está cumprindo sua missão.

Séculos depois...

08h05.

Uma mulher passou seu cartão para comprar pão.

Um agricultor recebeu o pagamento de sua safra.

Um hospital autorizou uma cirurgia.

Um estudante confirmou sua matrícula.

Uma aposentadoria foi depositada.

Um caminhão recebeu autorização para descarregar mercadorias.

Tudo aconteceu em poucos segundos.

Para cada usuário...

foi apenas mais um dia comum.

Para milhares de sistemas...

foi mais uma batalha vencida.

Sirva seu café.

Hoje falaremos sobre algo maior do que software.

Falaremos sobre civilização.


1. O sucesso que ninguém percebe

Existe uma pergunta curiosa.

Quando foi a última vez que você agradeceu à rede elétrica?

Ou ao sistema de abastecimento de água?

Ou ao semáforo da esquina?

Provavelmente nunca.

Esses sistemas são tão confiáveis que se tornaram invisíveis.

A boa engenharia possui exatamente essa característica.

Ela desaparece atrás da experiência do usuário.

Quanto melhor funciona...

menos é percebida.


2. Toda sociedade repousa sobre infraestrutura

Os romanos construíram estradas.

Os egípcios criaram sistemas de irrigação.

Os japoneses ergueram castelos.

Os portugueses navegaram utilizando mapas e instrumentos.

Nossa geração constrói outra infraestrutura.

Infraestrutura digital.

Ela transporta:

dinheiro.

informações.

diagnósticos.

contratos.

conhecimento.

Assim como antigas estradas ligavam cidades...

hoje APIs ligam organizações.


3. O Código Nunca Foi o Objetivo

Durante toda a carreira muitos profissionais passam horas discutindo linguagens.

COBOL.

Java.

Python.

Rust.

Go.

Mas existe algo mais importante.

O usuário nunca compra uma linguagem.

Compra um resultado.

Ele deseja:

receber salário.

pagar contas.

comprar alimentos.

abrir uma empresa.

viajar.

estudar.

O código é apenas o caminho.

Nunca o destino.


4. O Castelo e a Cidade

Imagine um castelo perfeito.

Muralhas gigantescas.

Torres magníficas.

Soldados disciplinados.

Mas...

não existe cidade ao redor.

Qual seria sua utilidade?

Da mesma forma...

o sistema mais sofisticado do planeta não possui valor algum se não resolver problemas humanos.

A engenharia existe para servir.

Não para impressionar.


5. O Programador também constrói confiança social

Quando uma transferência bancária funciona corretamente...

a economia continua.

Quando um imposto é processado corretamente...

o governo consegue planejar políticas públicas.

Quando um hospital consulta um histórico médico...

uma vida pode ser salva.

O programador talvez nunca veja essas consequências.

Mas elas existem.

Cada linha de código participa discretamente do funcionamento da sociedade.


6. A Engenharia é uma Cadeia

Nenhuma ponte nasce pronta.

Existe quem projeta.

Quem calcula.

Quem fabrica.

Quem transporta.

Quem monta.

Quem inspeciona.

Quem faz manutenção.

Com software ocorre exatamente igual.

Analistas.

Usuários.

Arquitetos.

Desenvolvedores.

DBAs.

Sysprogs.

Operadores.

Segurança.

Auditoria.

Cada elo fortalece o próximo.


7. O Valor da Continuidade

Civilizações não sobrevivem apenas porque inovam.

Sobrevivem porque preservam.

Bibliotecas.

Leis.

Mapas.

Registros.

Experiências.

Na computação fazemos o mesmo.

Backups preservam dados.

Versionamento preserva código.

Documentação preserva conhecimento.

Mentores preservam cultura.


8. A Engenharia e o Tempo

Existe algo que o mercado frequentemente esquece.

O tempo é um requisito funcional.

Não basta um sistema funcionar hoje.

Ele precisa continuar funcionando daqui a vinte anos.

Isso exige decisões muito diferentes.

É por isso que sistemas críticos valorizam estabilidade, compatibilidade e evolução gradual.


9. O Futuro Também Precisará de Alicerces

Talvez em algumas décadas tenhamos computadores muito diferentes.

Talvez interfaces conversacionais.

Talvez agentes inteligentes administrando parte da infraestrutura.

Mas continuará existindo a necessidade de:

integridade.

segurança.

responsabilidade.

governança.

auditoria.

Esses princípios não envelhecem.


10. O Maior Sistema do Mundo

Qual é o maior sistema existente?

Não é um banco.

Nem um governo.

Nem a Internet.

É a confiança coletiva.

Milhões de pessoas realizam transações diariamente porque acreditam que outras pessoas cumprirão seu papel.

A engenharia ajuda a tornar essa confiança possível.


11. Goblin Slayer e as Aldeias

Durante toda a série, Goblin Slayer insiste em proteger pequenas aldeias.

Alguns aventureiros consideram isso pouco glorioso.

Mas aquelas aldeias representam famílias.

Crianças.

Comerciantes.

Agricultores.

Quando protegemos o pequeno...

preservamos o todo.

Na engenharia acontece igual.

Corrigir um pequeno erro hoje pode impedir uma grande crise amanhã.


12. Shogun e a Construção do Amanhã

Em Shogun, grandes líderes compreendem que governar não significa apenas vencer guerras.

Significa garantir que as próximas gerações herdem um país mais organizado.

Todo engenheiro deveria pensar da mesma forma.

O melhor sistema não é aquele que apenas funciona hoje.

É aquele que continuará evoluindo depois que seu criador partir.


13. Curiosidade Histórica

Ao longo da História, muitas obras de engenharia sobreviveram séculos porque foram continuamente mantidas por pessoas que jamais conheceram seus construtores originais. Aquedutos romanos, pontes medievais, castelos japoneses e faróis costeiros permaneceram úteis graças ao trabalho silencioso de sucessivas gerações.

Os sistemas IBM Z seguem essa tradição. Milhões de linhas de COBOL continuam processando operações críticas porque incontáveis profissionais documentaram, revisaram, modernizaram e protegeram essas aplicações ao longo de décadas, preservando o conhecimento acumulado e adaptando-o às novas necessidades.


14. Easter Egg — A Ponte

Conta uma antiga lenda que um viajante perguntou ao construtor de uma ponte:

— Quanto tempo ela permanecerá de pé?

O velho respondeu:

— Espero que tempo suficiente para que ninguém precise lembrar quem a construiu.

Décadas depois...

um jovem programador encontrou um comentário em um programa COBOL.

* Esta rotina não foi escrita para ser admirada.
* Foi escrita para que alguém possa dormir tranquilo.

Ele sorriu.

Naquele instante compreendeu que a frase descrevia muito mais do que um programa.

Descrevia toda a engenharia.


15. Manifesto da Engenharia Silenciosa

Se algum dia alguém perguntar qual foi a maior tecnologia da humanidade...

não responda:

o computador.

a Internet.

a Inteligência Artificial.

Responda:

a capacidade humana de cooperar.

Porque nenhuma tecnologia funciona sem pessoas capazes de confiar umas nas outras.


16. O Último Café

O jovem comandante voltou ao mesmo banco onde, anos antes, ouvira as primeiras lições.

Agora não havia mestre.

Nem mapas.

Nem pergaminhos.

Apenas uma xícara de café.

E a cidade funcionando.

Sentou-se em silêncio.

Percebeu que finalmente compreendia.

Durante toda a jornada acreditou que estudava castelos.

Depois pensou que estudava COBOL.

Mais tarde imaginou que estudava arquitetura.

Agora sabia a verdade.

Sempre estivera estudando pessoas.

Na sala do Data Center, um novo estagiário iniciava seu primeiro dia.

O analista veterano aproximou-se.

Entregou-lhe um café.

Sorriu.

E perguntou:

— Você sabe por que fazemos tudo isso?

O rapaz respondeu:

— Para que os sistemas funcionem?

O veterano balançou a cabeça.

— Não.

Para que as pessoas nem precisem pensar nos sistemas.

Quando conseguimos isso...

cumprimos nossa missão.


Epílogo Final — A Civilização Invisível

Talvez, daqui a cinquenta anos, quase todas as tecnologias citadas neste livro tenham mudado.

Talvez COBOL conviva com linguagens ainda não inventadas.

Talvez os Data Centers sejam diferentes.

Talvez a Inteligência Artificial escreva boa parte do código.

Mas uma coisa permanecerá.

Sempre existirá alguém acordado durante a madrugada.

Sempre existirá alguém revisando um procedimento.

Sempre existirá alguém testando um backup.

Sempre existirá alguém documentando uma decisão.

Sempre existirá alguém ensinando um aprendiz.

Enquanto isso acontecer...

a fortaleza continuará viva.

Porque a verdadeira fortaleza nunca foi feita de pedra.

Nem de aço.

Nem de silício.

Ela é construída diariamente por pessoas que acreditam que conhecimento deve ser compartilhado, responsabilidade deve ser assumida e confiança deve ser preservada.

Ao terminar este livro, talvez você não veja mais um programa COBOL da mesma maneira.

Talvez também não veja mais um Data Center apenas como uma sala cheia de equipamentos.

Talvez passe a enxergar algo maior.

Uma longa corrente de engenheiros, operadores, analistas, arquitetos, administradores, professores e estudantes que, geração após geração, continuam levantando uma muralha invisível.

Não para proteger um castelo.

Mas para proteger a própria civilização.

E enquanto houver alguém disposto a servir uma xícara de café, abrir um código antigo, ensinar um iniciante e deixar o sistema um pouco melhor do que encontrou...

a missão continuará.

Porque as maiores fortalezas do mundo não aparecem nos mapas.

Elas existem, silenciosamente, em cada decisão responsável tomada por quem escolheu dedicar sua vida à engenharia.

Fim da Saga ou não, aguarde mais novidades.

O Café continua quente. A próxima geração já está chegando.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Engenharia Militar sem Mistérios para Programadores COBOL

Uma campanha completa sobre estratégia, logística, inteligência, segurança, liderança, continuidade, sistemas críticos, IBM Z e COBOL.

Consultar arquivo
25 documentos
2014–2016 linha histórica
IBM Z fortaleza digital
COBOL linguagem da missão
Arquivo estratégico

Um Data Center analisado como uma fortaleza em guerra

A série Engenharia Militar sem Mistérios para Programadores COBOL compara castelos, exércitos, muralhas, cadeias de comando, logística, inteligência e operações militares com os ambientes IBM Z responsáveis por bancos, governos, seguros, transportes e serviços essenciais.

Cada artigo apresenta uma parte dessa arquitetura: aplicações COBOL, Jobs JCL, transações CICS, bancos Db2, filas MQ, segurança RACF, monitoramento, contingência, liderança, documentação e continuidade operacional.

Sala de operações

Índice da campanha

25 documentos localizados
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Links completos da série Engenharia Militar

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  1. Engenharia Militar sem Mistérios para Programadores COBOL
  2. Prólogo — O Chamado do Guardião
  3. Capítulo I — O Castelo, a Ponte e o Job que Não Podia Falhar
  4. Capítulo II — Estratégia, Operação e Tática
  5. Capítulo III — A Cadeia de Comando
  6. Capítulo IV — Logística
  7. Capítulo V — As Muralhas Invisíveis
  8. Capítulo VI — Inteligência, Reconhecimento e Espionagem
  9. Capítulo VII — A Arte da Guerra Aplicada ao Mainframe
  10. Capítulo VIII — Liderança, Moral e Disciplina
  11. Capítulo IX — Inovação, Evolução e o Futuro
  12. Capítulo X — O Legado do Engenheiro
  13. Capítulo XI — O Guardião Invisível
  14. Capítulo XII — A Fortaleza Invisível
  15. Capítulo XIII — Os Sentinelas da Madrugada
  16. Capítulo XIV — A Civilização Invisível
  17. Capítulo XV — Engenharia de Cerco
  18. Glossário IBM Z + Engenharia Militar
  19. Apêndice A — Correspondências Históricas e Técnicas
  20. Os 10 Animes Mais Emblemáticos Sobre Engenharia Militar
  21. Os 10 Animes Mais Emblemáticos Sobre Logística Militar
  22. Os 10 Animes Mais Emblemáticos Sobre Tática Militar
  23. Os 10 Animes Mais Emblemáticos Sobre Estratégia Militar
  24. Especial — Guerrilha Urbana
  25. Especial — Guerrilha no Campo e na Floresta
Bellacosa Mainframe — Arquivo de Engenharia Militar

Estratégia, disciplina, conhecimento, resiliência e continuidade aplicados aos sistemas que não podem parar.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988