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terça-feira, 16 de junho de 2026

IBM 115 Anos: A Empresa que Ajudou a Construir o Mundo Digital


Bellacosa Mainframe e historia da IBM em resumo


IBM 115 Anos: A Empresa que Ajudou a Construir o Mundo Digital

Uma viagem pela história, curiosidades, desafios e segredos da gigante que ainda move bilhões de transações por dia

16 de junho.

Para muitos, apenas mais um dia no calendário.

Para quem trabalha com Mainframe, COBOL, z/OS, CICS, DB2 e tecnologia corporativa, é uma data especial: o aniversário da IBM, uma das empresas mais influentes da história da humanidade.

Em 16 de junho de 1911 nasceu uma organização que sobreviveria a duas guerras mundiais, à Grande Depressão, à Guerra Fria, ao surgimento do computador pessoal, à internet, ao smartphone, à computação em nuvem e agora à Inteligência Artificial.

Poucas empresas conseguem permanecer relevantes durante cinco anos.

Algumas sobrevivem vinte.

Raríssimas chegam aos cinquenta.

A IBM chegou aos 115 anos.

E continua ajudando a processar boa parte do dinheiro que circula no planeta.

Para um Desenvolvedor COBOL Jr., compreender a história da IBM é entender a própria história da computação.


Bellacosa Mainframe e os 115 anos da IBM

Antes da IBM Existia um Problema

Imagine o mundo em 1890.

Não havia computadores.

Não havia bancos de dados.

Não havia internet.

Não havia sequer calculadoras eletrônicas.

Governos precisavam contar milhões de pessoas manualmente.

Empresas precisavam processar montanhas de documentos em papel.

Folhas de pagamento eram calculadas à mão.

Erros eram frequentes.

Processos demoravam meses.

Foi nesse cenário que apareceu Herman Hollerith.


O Homem que Criou o Conceito de Processamento de Dados

Herman Hollerith era um engenheiro americano que observou um problema gigantesco:

O censo dos Estados Unidos de 1880 demorou quase oito anos para ser concluído.

Se nada mudasse, o próximo censo demoraria mais do que o intervalo entre censos.

Era matematicamente impossível continuar daquele jeito.

Sua solução foi revolucionária.

Ele criou cartões perfurados capazes de armazenar informações.

Cada furo representava um dado.

Máquinas eletromecânicas liam esses cartões e realizavam contagens automaticamente.

Pela primeira vez na história, uma máquina processava dados em larga escala.

Nascia o conceito que décadas depois evoluiria para os computadores modernos.


O Verdadeiro Nascimento da IBM

Em 1911 várias empresas se fundiram para formar a:

Computing-Tabulating-Recording Company (CTR)

O nome era enorme.

Pouco elegante.

Pouco memorável.

Em 1924, Thomas J. Watson decidiu mudar tudo.

A empresa passou a se chamar:

International Business Machines

Ou simplesmente:

IBM

Uma mudança que parece simples, mas que carregava uma visão ousada.

Watson acreditava que as máquinas de processamento de dados teriam alcance mundial.

Na década de 1920 isso parecia exagero.

Hoje sabemos que ele estava certo.


O Primeiro Easter Egg da IBM

A famosa frase:

"THINK"

foi criada por Thomas Watson Sr.

Ela surgiu em uma reunião onde um executivo perguntou:

"Como resolveremos este problema?"

Watson respondeu:

"Think."

A palavra virou slogan oficial.

Décadas depois inspirou o nome do notebook ThinkPad.

Até hoje a cultura IBM incentiva seus profissionais a pensarem antes de agir.

Uma filosofia simples.

Mas extremamente poderosa.


A IBM e a Segunda Guerra Mundial

Durante os anos 1940 a IBM cresceu enormemente.

Suas máquinas de tabulação eram usadas para processar informações em velocidade inédita para a época.

A guerra acelerou a necessidade de automação.

Governos precisavam controlar:

  • Estoques

  • Logística

  • Produção industrial

  • Recursos militares

A IBM tornou-se referência mundial em processamento de informações.

Mas a verdadeira revolução ainda estava por vir.


O Computador Entra em Cena

Na década de 1950 o mundo testemunhou o nascimento dos computadores eletrônicos.

Grandes máquinas ocupavam salas inteiras.

Consumiam energia absurda.

Possuíam menos capacidade computacional que um relógio inteligente moderno.

Mesmo assim representavam um salto gigantesco.

A IBM rapidamente percebeu que o futuro estava nos computadores.

Surgiram máquinas históricas como:

IBM 650

IBM 701

IBM 704

IBM 7070

Cada uma delas ajudou a criar os alicerces da computação corporativa.


A Maior Aposta da História da Computação

Em 1964 a IBM tomou uma decisão considerada loucura por muitos analistas.

Ela investiu aproximadamente 5 bilhões de dólares no desenvolvimento de uma nova arquitetura.

A aposta recebeu um nome simples:

System/360

Hoje parece apenas mais um produto.

Na época foi uma revolução.


Bellacosa Mainframe e a evolução historica do logotipo IBM

Por Que o System/360 Mudou o Mundo?

Antes do System/360 cada computador era praticamente incompatível com os demais.

Trocar de equipamento significava reescrever programas.

Refazer processos.

Treinar equipes novamente.

A IBM propôs algo radical.

Uma família inteira de computadores compatíveis entre si.

O programa escrito para um modelo poderia funcionar em outro.

Esse conceito influenciou praticamente toda a indústria.

Windows.

Linux.

Unix.

Cloud.

Todos herdaram, direta ou indiretamente, ideias introduzidas pelo System/360.


O Nascimento do Mainframe Moderno

Quando um profissional fala em Mainframe hoje, está falando do descendente direto do System/360.

A linha evoluiu:

System/360

System/370

390

zSeries

System z

IBM Z

z16

z17

Existe uma linha evolutiva contínua de mais de sessenta anos.

Pouquíssimas tecnologias possuem essa continuidade.


Onde Entra o COBOL?

Em 1959 surgiu o COBOL.

Seu objetivo era simples:

Permitir que pessoas de negócios compreendessem programas.

Por isso comandos como:

ADD

SUBTRACT

MOVE

READ

WRITE

são tão próximos da linguagem humana.

A IBM adotou COBOL massivamente.

Bancos.

Seguradoras.

Governos.

Empresas aéreas.

Todos começaram a construir sistemas corporativos usando COBOL.

Muitos desses sistemas continuam funcionando até hoje.


O Grande Mito Sobre COBOL

Você provavelmente já ouviu:

"COBOL está morto."

Curiosamente essa frase existe desde os anos 1980.

Mas o COBOL continua processando:

  • Folhas de pagamento

  • Cartões de crédito

  • PIX

  • TED

  • DOC

  • Seguros

  • Aposentadorias

  • Impostos

Na prática, ele sobrevive porque resolve muito bem problemas de negócios.

Tecnologia não vence porque é nova.

Vence porque funciona.


A Curiosidade Que Surpreende Todo Iniciante

Muitos aplicativos modernos dependem de COBOL sem que seus usuários saibam.

Quando alguém usa:

  • Aplicativo bancário

  • Caixa eletrônico

  • Portal de investimentos

  • Sistema de previdência

Existe uma chance enorme de uma transação COBOL estar participando do processo.

O aplicativo bonito do smartphone frequentemente é apenas a ponta do iceberg.

A parte invisível muitas vezes roda em Mainframe.


O Mainframe Nunca Foi Embora

Existe uma narrativa popular de que Mainframes desapareceram.

Isso nunca aconteceu.

O que aconteceu foi algo diferente.

Eles ficaram invisíveis.

Ninguém vê o Mainframe.

Mas todos usam.

Quando você passa um cartão.

Quando faz PIX.

Quando compra uma passagem aérea.

Quando consulta um seguro.

Quando paga impostos.

Existe uma grande probabilidade de um Mainframe estar envolvido.


O Desafio dos Anos 2000

Um dos maiores momentos da história da IBM foi o famoso Bug do Milênio.

Muitos sistemas armazenavam anos usando apenas dois dígitos.

Exemplo:

99

00

Quando chegasse o ano 2000, milhões de programas poderiam interpretar:

00

como 1900.

O mundo inteiro entrou em pânico.

Governos contrataram milhares de programadores COBOL.

Muitos profissionais construíram carreiras inteiras trabalhando nesse projeto.

O curioso?

Grande parte do sucesso ocorreu justamente porque Mainframes eram sistemas extremamente bem documentados.


O Segundo Easter Egg

Existe uma brincadeira antiga no mundo Mainframe:

"Mainframe é a única tecnologia que os jornais só mencionam quando para."

Quando tudo funciona, ninguém fala.

Quando um banco fica indisponível por dez minutos, vira manchete nacional.

Isso mostra o quanto esses sistemas se tornaram essenciais.


A Era da Internet

Quando a internet surgiu, muitos especialistas declararam o fim do Mainframe.

Aconteceu exatamente o contrário.

A internet aumentou a demanda por processamento.

Mais acessos.

Mais transações.

Mais clientes.

Mais integrações.

O Mainframe tornou-se ainda mais importante.


O Nascimento do DB2

Outro capítulo fundamental da IBM foi o DB2.

Criado a partir das pesquisas de Edgar F. Codd sobre bancos relacionais.

O DB2 ajudou a transformar a forma como empresas armazenam dados.

Hoje conceitos como:

SELECT

JOIN

INDEX

TABLE

são comuns.

Mas houve uma época em que tudo isso era revolucionário.


A Revolução do CICS

Outro herói pouco conhecido é o CICS.

Customer Information Control System.

Ele permitiu que sistemas deixassem de ser exclusivamente batch.

Agora usuários podiam interagir online.

Em tempo real.

Caixas eletrônicos.

Terminais bancários.

Consultas instantâneas.

Tudo isso foi potencializado pelo CICS.


O Que Um COBOL Jr Deve Aprender Com a História da IBM?

Primeira lição:

Tecnologia é uma maratona.

Não uma corrida de cem metros.

A IBM não sobreviveu 115 anos perseguindo modismos.

Ela sobreviveu resolvendo problemas reais.


Segunda lição:

Confiabilidade vale ouro.

Uma aplicação pode ser bonita.

Pode usar a linguagem da moda.

Pode ter milhões de downloads.

Mas se não for confiável, não sobrevive.


Terceira lição:

Fundamentos importam.

COBOL.

JCL.

VSAM.

DB2.

CICS.

Datasets.

Esses conceitos parecem antigos.

Mas continuam sustentando operações críticas.


O Futuro Chegou

Hoje a IBM investe pesadamente em:

  • Inteligência Artificial

  • WatsonX

  • Quantum Computing

  • Cloud Híbrida

  • OpenShift

  • Red Hat

  • Automação

Mas existe algo interessante.

Ela não abandonou o Mainframe.

Pelo contrário.

Ela o integrou ao futuro.

O IBM Z moderno executa:

  • Containers

  • APIs REST

  • Java

  • Python

  • Node.js

  • COBOL

  • IA

Tudo no mesmo ecossistema.


O Maior Easter Egg de Todos

Existe uma ironia divertida na história da tecnologia.

Muitos desenvolvedores passam anos tentando criar sistemas escaláveis.

Altamente disponíveis.

Seguros.

Auditáveis.

Transacionais.

E acabam redescobrindo conceitos que o Mainframe já utilizava há décadas.

Controle transacional.

Alta disponibilidade.

Particionamento.

Segurança centralizada.

Recuperação automática.

Observabilidade.

Governança.

Tudo isso já fazia parte do universo IBM muito antes da maioria das plataformas modernas existir.


Conclusão

Quando comemoramos os 115 anos da IBM, não estamos celebrando apenas uma empresa.

Estamos celebrando uma parte importante da história da computação.

Dos cartões perfurados de Hollerith ao IBM z17.

Do COBOL ao WatsonX.

Do System/360 à Inteligência Artificial.

A IBM ajudou a construir a infraestrutura invisível que move a economia global.

E para você, Desenvolvedor COBOL Jr., existe uma mensagem importante nessa história:

Aprenda as tecnologias modernas.

Explore IA.

Conheça Cloud.

Estude APIs.

Mas nunca subestime os fundamentos.

Porque enquanto o mundo muda de linguagem a cada poucos anos, os sistemas críticos continuam exigindo aquilo que sempre importou:

Confiabilidade.

Performance.

Segurança.

Disponibilidade.

E é exatamente nesse ponto que o Mainframe e a IBM construíram um legado que atravessa gerações.

Parabéns, IBM.

115 anos conectando passado, presente e futuro.


domingo, 7 de novembro de 2021

💼 Salaryman — O Herói Triste e o Vilão Invisível do Japão Moderno

Bellacosa Maifnrame e o salaryman viver para pagar boletos

💼 Salaryman — O Herói Triste e o Vilão Invisível do Japão Moderno

Termo: Salaryman (サラリーマン)
Significado: trabalhador assalariado japonês, geralmente de escritório.
Símbolo: disciplina, estabilidade e... esgotamento.


🏢 1. Quem é o Salaryman de verdade

O salaryman é o pilar invisível da sociedade japonesa pós-guerra.
Após 1945, o Japão se reconstruiu apostando no lema:

“Trabalhe duro, obedeça, sacrifique-se — e o país vencerá.”

Esses homens eram os “samurais corporativos”:

  • entravam na empresa jovem,

  • juravam lealdade quase vitalícia,

  • e colocavam a organização acima da família, do lazer e até da saúde.

Por décadas, foram sinônimo de sucesso e honra.
Mas… o mundo mudou — e os animes perceberam isso antes da própria sociedade.


⚡ 2. O Início do Choque Cultural

A partir dos anos 1990, com o colapso da bolha econômica, o sonho ruiu.
Empresas quebraram, o emprego vitalício sumiu, e muitos salarymen descobriram que haviam dedicado a vida inteira a algo que não os retribuiria.

E os filhos — a geração que cresceu vendo o pai chegar bêbado, cansado e ausente — reagiram com rejeição silenciosa.

Nos animes, isso se traduziu assim:

  • o salaryman virou figura de rigidez, alienação e infelicidade;

  • o jovem sonhador, gamer, artista ou estudante se tornou a voz da liberdade e autenticidade.


🎬 3. O Salaryman como Antagonista em Animes

Veja como o arquétipo aparece em várias histórias:

AnimeRepresentação do SalarymanSímbolo / Crítica
EvangelionGendou Ikari, o pai ausente e frio.O “deus corporativo” que sacrifica o filho pelo projeto.
AggretsukoO chefe e colegas do escritório.Sátira ao ambiente opressivo e machista das empresas.
Salaryman KintarouO ex-motociclista rebelde que vira executivo.Choque entre espírito livre e sistema rígido.
The Tatami GalaxyO protagonista foge do destino de se tornar um salaryman.Medo de perder a individualidade.
Re:LifeUm homem frustrado que tem a chance de reviver a juventude.Arrependimento e busca por sentido.

Essas obras refletem a ansiedade de toda uma geração:
o medo de virar um salaryman é o medo de perder a própria alma.


🕯️ 4. A Nova Geração e o Rejeitar do Modelo

Os jovens de hoje — no Japão real e nos animes —
buscam um novo código de vida:

  • menos obediência, mais propósito;

  • menos hierarquia, mais conexão;

  • menos lealdade à empresa, mais lealdade a si mesmos.

Essa rebelião silenciosa gerou termos como:

  • フリーター (freeter) – jovem que prefere empregos temporários;

  • ニート (NEET) – quem não estuda nem trabalha;

  • 引きこもり (hikikomori) – quem se isola totalmente da sociedade.

Cada um deles é, de certo modo, uma resposta ao fracasso emocional do modelo salaryman.


💡 5. Curiosidades Bellacosa

  • O salaryman clássico trabalha, em média, 50–60 horas semanais.

  • Muitos participam do nomikai (bebedeira corporativa) — onde o chefe é bajulado para “manter a harmonia”.

  • O Japão possui a palavra 過労死 (karoshi), literalmente “morte por excesso de trabalho” — um fenômeno social real.

  • Alguns animes e mangás modernos tentam humanizar o salaryman, mostrando o cansaço e o vazio por trás do terno, como Shinya Shokudō (Midnight Diner) ou Hataraku Saibou BLACK.


🧘 Reflexão Bellacosa

O salaryman é o JCL humano da economia japonesa — previsível, obediente, eficiente, mas preso a scripts que ninguém ousa apagar.
E a nova geração de animes quer reescrever esse código, trocando o GOTO trabalho eterno por um IF felicidade = true THEN live freely.

O antagonismo, no fundo, não é contra o homem — é contra o sistema que o transformou em máquina.


☕ Conclusão Bellacosa

O Japão está revendo sua alma.
Os animes apenas traduzem esse processo:

  • o herói não é mais quem obedece,

  • mas quem encontra um caminho fora da engrenagem.

E talvez, quando um protagonista grita “não quero essa vida!”,
ele esteja ecoando a voz de milhões que, em silêncio,
ainda pegam o trem das 7h30 rumo a um destino que não escolheram.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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