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sábado, 5 de setembro de 2026

IBM Bob Entra no CPD — O Dia em que o Programador COBOL Parou de Pedir Código e Começou a Comandar Agentes

 

Bellacosa Mainframe e o ibm bob chegando no cpd

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

IBM Bob Entra no CPD — O Dia em que o Programador COBOL Parou de Pedir Código e Começou a Comandar Agentes

Ou: por que “eu uso IA para programar” já vale quase o mesmo que dizer “sei usar Google”, como ASK, PLAN e AGENT mudam a engenharia de software, por que um agente merece menos privilégios que um estagiário com RACF SPECIAL e como o COBOL pode ensinar uma lição ao futuro da programação




Prólogo — Bob chegou ao CPD e pediu acesso ao código

Imagine a cena.

São 22h37.

O CPD está silencioso.

O café já foi requentado duas vezes.

No canto da sala existe um programa COBOL chamado:

PAYR001

Ele tem 18 mil linhas.

Foi criado quando alguém ainda dizia:

“Internet? Isso aí não vai pegar.”

Ninguém sabe exatamente tudo o que o programa faz.

O analista que escreveu a primeira versão se aposentou.

O sujeito que conhecia metade das regras de negócio abriu uma pousada em Ubatuba.

O último programador que tentou “modernizar rapidinho” deixou três comentários no fonte:

      * NAO MEXER AQUI
      * NAO SEI PQ FUNCIONA
      * MAS FUNCIONA

Então entra Bob.

Não o operador Bob.

Não o Bob da contabilidade.

IBM Bob, o parceiro de desenvolvimento baseado em inteligência artificial.

Bob olha para PAYR001.

O programador COBOL iniciante olha para Bob.

E comete o primeiro pecado da programação assistida por inteligência artificial:

“Bob, modernize isso.”

Nesse instante, em algum lugar do universo, um sysprog derruba uma caneca de café.

Porque o problema da IA em desenvolvimento de software nunca foi apenas:

Ela consegue escrever código?

A pergunta correta é:

Você sabe o que está autorizando a IA a fazer?

Bem-vindo à próxima etapa da programação.



1. “Eu uso IA para programar” deixou de impressionar

Há alguns anos, colocar no currículo:

Experiência com inteligência artificial aplicada ao desenvolvimento.

podia chamar atenção.

Depois vieram ChatGPT, GitHub Copilot, CodeWhisperer, Claude, Gemini, IBM Bob e uma coleção cada vez maior de ferramentas.

Hoje é comum um desenvolvedor digitar:

crie uma função

e receber uma função.

Depois:

crie os testes

e receber testes.

Depois:

documente

e receber documentação.

Isso continua sendo útil.

Mas deixou de ser extraordinário.

É parecido com escrever no currículo:

“Sei pesquisar no Google.”

Parabéns.

Em 2001 talvez fosse diferencial.

Em 2026 é parte do trabalho.

O que começa a separar profissionais é outra coisa:

o que você consegue fazer com a IA depois que ela deixa de ser uma simples máquina de completar código?





2. O iniciante costuma confundir programação com digitação de programa

Essa confusão já existia muito antes da inteligência artificial.

Veja este COBOL:

       IF WS-SALDO > 0
           MOVE 'ATIVO' TO WS-STATUS
       ELSE
           MOVE 'INATIVO' TO WS-STATUS
       END-IF.

Um iniciante pode aprender essa sintaxe rapidamente.

Isso significa que ele entende o sistema?

Não.

Talvez WS-SALDO represente:

  • saldo contábil;

  • saldo disponível;

  • saldo bloqueado;

  • saldo devedor;

  • posição intraday;

  • um campo legado chamado saldo que na prática representa outra coisa.

O problema empresarial não mora na palavra MOVE.

Ele mora no significado.

Esse é um dos primeiros ensinamentos que o mainframe oferece para a era da IA:

Código é representação. Negócio é contexto.

IA ficou extraordinariamente boa na primeira parte.

A segunda continua sendo muito mais complicada.


3. O código está deixando de ser o gargalo

Durante décadas, escrever software era caro.

Você precisava transformar uma ideia em milhares de instruções.

Então nasceram linguagens de alto nível.

Depois bibliotecas.

Frameworks.

IDEs.

Stack Overflow.

Geradores.

Low-code.

E finalmente grandes modelos de linguagem.

Agora imagine que produzir código fique dez vezes mais rápido.

Excelente.

Mas surge um efeito curioso.

Antes:

REQUISITO
   ↓
ANÁLISE
   ↓
CODIFICAÇÃO     ← lento
   ↓
REVISÃO
   ↓
TESTE
   ↓
HOMOLOGAÇÃO
   ↓
PRODUÇÃO

Depois da IA:

REQUISITO
   ↓
ANÁLISE
   ↓
IA
   ↓
████████████████████
REVISÃO
TESTES
SEGURANÇA
VALIDAÇÃO
████████████████████
   ↓
PRODUÇÃO

Você não eliminou necessariamente o gargalo.

Você mudou o gargalo de lugar.

A própria documentação e comunicação recente em torno do IBM Bob refletem essa mudança de foco: Bob trabalha hoje com modos específicos para perguntar, planejar e executar, além de ferramentas, subagentes, MCP e integrações além da simples geração de texto.

Quanto mais código conseguimos produzir automaticamente, mais importante passa a ser responder:

Isto está correto?

Isto deveria existir?

Isto viola alguma regra?

Isto quebra quem?

Isto pode ir para produção?

A IA acelera a construção.

Mas alguém ainda precisa saber o que merece ser construído.



4. Conheça os três estados mentais: ASK, PLAN e AGENT

Aqui aparece uma das ideias mais educativas do IBM Bob.

Os modos nativos atuais distinguem três comportamentos fundamentais:

ASK
PLAN
AGENT

Não pense nisso apenas como botões de interface.

Pense como três níveis diferentes de relacionamento entre você e um agente.

A documentação do Bob define Ask como apropriado para explicações e análise sem modificações; Plan para investigar e elaborar estratégias antes da implementação; e Agent para tarefas que envolvem modificar código, executar comandos e implementar mudanças.

Isso deveria estar pregado na parede de todo CPD:

ENTENDER
ANTES DE
PLANEJAR

PLANEJAR
ANTES DE
ALTERAR


5. ASK — “Bob, explique essa tranqueira antes que alguém mexa nela”

Imagine que você recebeu:

PAYR001

Você não sabe o que faz.

O comportamento errado seria:

Refatore esse programa.

O comportamento inteligente começa com investigação:

Analise PAYR001.

Identifique:

- arquivos utilizados;
- copybooks;
- chamadas CALL;
- tabelas Db2;
- recursos CICS;
- acessos VSAM;
- códigos de retorno;
- possíveis dependências;
- pontos que parecem representar regras de negócio.

Não modifique nenhum arquivo.

Perceba a última frase:

Não modifique nenhum arquivo.

Essa frase vale ouro.

Estamos usando IA como analista, não como cirurgião.

Ela pode responder:

PAYR001
 |
 +-- COPY EMPREG
 |
 +-- COPY TAXAS
 |
 +-- DB2 EMPLOYEE
 |
 +-- CALL TAXCALC
 |
 +-- VSAM FUNCION
 |
 +-- CICS LINK PAYR020

Agora você começou a construir um mapa.

Esse é o papel ideal do Ask.



6. Easter egg nº 1 — Sherlock Holmes deveria ter trabalhado com legado

Uma grande parte da manutenção de sistemas antigos é investigação.

Você encontra:

       MOVE 17 TO WS-TIPO-CALCULO.

Por quê 17?

Ninguém sabe.

Você pesquisa o programa.

Depois o copybook.

Depois o JCL.

Depois uma tabela.

Depois encontra uma documentação de 1998.

E finalmente descobre:

Tipo 17 = cálculo especial utilizado durante fechamento de fevereiro.

Isso não é programação.

Isso é arqueologia industrial.

Bob pode ser um excelente Watson.

Mas ainda precisamos de Sherlock para perguntar:

“Por que fevereiro?”



7. PLAN — o momento mais importante ocorre antes da primeira alteração

Agora suponha que nossa missão seja mudar uma regra de juros.

Não diga:

Faça.

Peça:

Planeje a alteração necessária para modificar
a regra de juros do produto X.

Antes de qualquer implementação:

1. identifique os módulos afetados;
2. liste dependências;
3. identifique copybooks envolvidos;
4. localize testes existentes;
5. identifique possíveis impactos externos;
6. proponha uma estratégia;
7. liste riscos;
8. defina critérios de aceitação.

Bob pode retornar:

PLANO

1. Modificar CALCJURO.cbl
2. Alterar TAXAS.cpy
3. Revisar tabela DB2 TAXA_JUROS
4. Atualizar teste TC019
5. Executar regressão
6. Validar PAYR001 e PAYR020

O iniciante diz:

“Parece ótimo!”

O veterano grita do fundo do CPD:

“NÃO MEXE NO TAXAS.CPY!”

Por quê?

Porque o veterano sabe que aquele copybook é utilizado por 47 programas.

A IA talvez tenha identificado somente 13.

Ou talvez nem tenha acesso a todos os repositórios.

Esse momento é crucial.

Você responde:

Plano rejeitado parcialmente.

TAXAS.CPY é compartilhado por outros sistemas.

Não alterar o copybook.

Proponha uma solução local mantendo a interface atual.

Pronto.

A inteligência mais importante dessa interação talvez não tenha sido a inteligência artificial.

Foi o julgamento humano.



8. Eis o verdadeiro superpoder do profissional experiente

Muito se fala que IA diminuirá a importância da experiência.

Em sistemas empresariais antigos pode ocorrer justamente o contrário.

Porque um sistema legado é:

código
+
dados
+
procedimentos
+
infraestrutura
+
interfaces
+
regras empresariais
+
exceções
+
história
+
conhecimento tribal

IA pode ler muito código.

Mas talvez não saiba que:

“Esse job nunca deve rodar antes do fechamento da filial argentina.”

Talvez isso não esteja documentado.

Talvez esteja apenas na cabeça de alguém chamado Carlos.

Carlos trabalha ali desde 1994.

Todos chamam aquilo de:

REGRA DO CARLOS

Nenhum compilador conhece.

Nenhum modelo conhece.

Carlos conhece.

Esse tipo de contexto será extremamente valioso.



9. AGENT — agora Bob recebe a caixa de ferramentas

Depois que o plano foi investigado e aprovado, chegamos ao modo Agent.

Aqui as coisas ficam sérias.

Bob pode trabalhar com operações de leitura, edição, execução de comandos e ferramentas conectadas.

A relação passa de:

Humano pergunta
IA responde

para:

Humano define objetivo
      ↓
Agente investiga
      ↓
Agente modifica
      ↓
Agente executa
      ↓
Agente testa
      ↓
Humano revisa

Essa é uma mudança gigantesca.

Porque agora a IA não está apenas falando sobre o sistema.

Ela está fazendo coisas no sistema.



10. Programador, conheça uma palavra importante: autoridade

Considere dois agentes.

Agente A

Pode apenas ler arquivos.

Risco:

baixo

Agente B

Pode:

ler arquivos
editar arquivos
executar shell
chamar APIs
consultar serviços
abrir pull request
alterar configuração

Risco:

hmmmm...

Agora imagine:

Agente C

Pode:

acessar produção
alterar banco
ler secrets
fazer deploy
aprovar merge

O operador do mainframe desmaia.

É exatamente aqui que décadas de experiência em controle de acesso voltam a ficar modernas.


11. RACF encontra inteligência artificial

O mainframeiro olha para essa discussão e pergunta:

“Vocês descobriram autorização agora?”

🤣

No mundo z/OS aprendemos há décadas a perguntar:

QUEM É VOCÊ?
        ↓
O QUE VOCÊ PODE ACESSAR?
        ↓
PODE APENAS LER?
        ↓
PODE ALTERAR?
        ↓
PODE EXECUTAR?
        ↓
QUEM CONCEDEU?
        ↓
EXISTE LOG?

Agora substitua usuário por agente:

QUAL AGENTE?
        ↓
QUAIS FERRAMENTAS?
        ↓
QUAIS ARQUIVOS?
        ↓
QUAIS SERVIDORES MCP?
        ↓
PODE EXECUTAR COMANDOS?
        ↓
PODE ALTERAR REPOSITÓRIO?
        ↓
PODE PUBLICAR?
        ↓
QUEM APROVA?

O futuro da IA empresarial parece surpreendentemente parecido com uma conversa que um administrador RACF teria em 1995.

Easter egg:

Não dê SPECIAL para Bob.

Ele é gente boa.

Mas ninguém merece SPECIAL.


12. Least privilege — trate a IA como trataria qualquer outro ator do sistema

Uma arquitetura saudável poderia permitir:

Bob pode:

[X] ler código
[X] criar branch
[X] alterar branch de trabalho
[X] executar testes
[X] gerar documentação
[X] criar Pull Request

Bob não pode:

[ ] merge direto em main
[ ] acessar senha de produção
[ ] modificar tabela produtiva
[ ] fazer deployment produtivo
[ ] desligar JES2 porque "pareceu uma boa ideia"

Esse modelo é chamado de princípio do menor privilégio.

Não dê uma permissão porque o agente pode eventualmente precisar.

Dê somente aquilo que é necessário para a tarefa atual.


13. Human-in-the-loop — existe um humano entre a ideia e o estrago

Um fluxo simples:

IA propõe
    ↓
HUMANO REVISA
    ↓
IA EXECUTA
    ↓
HUMANO VALIDA

Esse é um modelo conhecido como:

Human in the Loop

O ser humano participa diretamente dos checkpoints.

Depois de ganhar maturidade, certas tarefas podem usar algo semelhante a:

Human on the Loop

O agente executa atividades dentro de limites predeterminados e o humano supervisiona.

Por exemplo:

Bob:
    criar teste             SIM
    rodar teste             SIM
    corrigir branch         SIM
    abrir PR                SIM
    merge em produção       NÃO

Não precisamos escolher entre:

humano faz tudo

e

robô faz tudo.

Existe uma enorme região intermediária.

É ali que provavelmente estará grande parte da engenharia empresarial dos próximos anos.


14. Subagents — quando Bob monta sua própria equipe

Agora nossa história fica ainda mais interessante.

Bob pode utilizar subagents, agentes independentes que executam tarefas focadas em janelas de contexto isoladas e devolvem um resumo ao agente principal. A documentação atual distingue inclusive subagentes explore, orientados à exploração somente-leitura, e general, capazes de usar ferramentas mais amplas. O usuário aprova a criação antes da execução.

Imagine:

                BOB
                 |
     +-----------+-----------+
     |           |           |
  AGENTE      AGENTE      AGENTE
   COBOL        DB2         TESTE
     |           |           |
 PAYR001       SQL       REGRESSÃO

O agente COBOL analisa dependências.

O agente Db2 investiga consultas.

O agente de testes verifica cobertura.

Todos retornam resumos.

Bob junta as peças.

Isso começa a parecer menos com:

“assistente de programação”

e mais com:

“equipe técnica virtual”.


15. Mas subagent não é Pokémon

Existe uma tentação:

Bob, crie 27 agentes.

Não.

Mais agentes não significam automaticamente resultado melhor.

Cada agente:

  • consome contexto;

  • executa ferramentas;

  • pode interpretar algo incorretamente;

  • aumenta custo;

  • aumenta coordenação.

O próprio Bob procura usar subagentes quando o trabalho é realmente autocontido e quando separar o contexto faz sentido, em vez de lançar agentes indiscriminadamente para qualquer leitura simples.

Regra Bellacosa:

Se uma tarefa exige dois minutos, não convoque os Vingadores.


16. MCP — Bob encontrou tomadas no CPD

Outra sigla importante:

MCP

Model Context Protocol.

De forma simplificada, MCP permite que um agente trabalhe com ferramentas e fontes externas através de uma interface padronizada.

Antes:

LLM
 |
 conversa

Depois:

              BOB
               |
              MCP
       +-------+-------+
       |       |       |
      Git     API    Sistema
       |       |       |
      Jira   Docs    Ferramentas

A documentação do Bob apresenta MCP justamente como mecanismo para estender o agente com ferramentas externas e integrações personalizadas.

Essa é uma mudança fundamental.

Porque um chatbot só poderia dizer:

“Você deveria abrir um ticket.”

Um agente conectado talvez possa:

abrir o ticket

A diferença entre conselho e ação é enorme.


17. Bob Shell — quando o polvo sai do editor

Em agosto de 2026, a IBM colocou o agente V2 também no Bob Shell, levando a arquitetura compartilhada do Bob para o terminal. A atualização também trouxe mudanças no Bobalytics, IDE e gerenciamento relacionado a MCP e revisão de edições.

Para um programador isso significa algo importante.

Antes:

IDE
 |
assistente

Agora podemos imaginar:

TERMINAL
   |
 Bob Shell
   |
   +-- build
   +-- test
   +-- git
   +-- scripts
   +-- ferramentas

E quem trabalha com mainframe sabe uma coisa:

quando algo chega ao terminal, começa a entrar no território da automação.


18. O futuro não é prompt engineering

Durante algum tempo todo mundo falava:

PROMPT ENGINEERING

Como se a habilidade definitiva fosse descobrir a frase mágica.

Algo parecido com:

“Escreva um programa extraordinário, pense passo a passo, seja genial e não erre.”

Não.

A evolução real parece mais próxima de:

PROMPT
   ↓
CONTEXTO
   ↓
PLANO
   ↓
DELEGAÇÃO
   ↓
EXECUÇÃO
   ↓
VALIDAÇÃO
   ↓
GOVERNANÇA
   ↓
OBSERVABILIDADE
   ↓
MÉTRICA

A habilidade passa de:

saber conversar com IA

para:

saber operar IA dentro de um processo de engenharia.


19. O portfólio do iniciante também precisa mudar

Imagine dois candidatos.

Candidato 1

GitHub:

CRUD de clientes
Clone do Netflix
Lista de tarefas
Calculadora

Tudo produzido parcialmente com IA.

Legal.

Agora candidato 2 cria:

cobol-modernization-lab/
 |
 +-- README.md
 +-- docs/
 |    +-- architecture.md
 |    +-- decisions.md
 |    +-- risks.md
 |
 +-- prompts/
 |    +-- analysis.md
 |    +-- plan.md
 |
 +-- src/
 |
 +-- tests/
 |
 +-- lessons-learned.md

No README:

Problema
↓
Análise inicial
↓
Plano sugerido pelo agente
↓
Plano revisado
↓
Decisões rejeitadas
↓
Implementação
↓
Testes
↓
Resultado

Quem você acha que dará mais assunto numa entrevista?


20. A melhor seção do README talvez seja: “onde Bob errou”

Sim.

Você leu corretamente.

Imagine:

## AI Recommendation Rejected

Bob sugeriu modificar COPY TAXAS.

A recomendação foi rejeitada porque o copybook
é compartilhado por múltiplas aplicações.

Decisão humana:

manter interface pública e implementar adaptação
local no programa CALCJURO.

Isso é maravilhoso.

Porque demonstra:

IA sugeriu
        ↓
VOCÊ ENTENDEU
        ↓
VOCÊ DISCORDOU
        ↓
VOCÊ EXPLICOU
        ↓
VOCÊ DECIDIU

A competência não está em aceitar a IA.

Está em saber quando não aceitar.


21. Uma entrevista técnica do futuro

Recrutador:

Você utiliza agentes de IA?

Candidato:

Sim.

Recrutador:

Conte uma decisão do agente que você rejeitou.

Silêncio.

O candidato que simplesmente gerava código morreu na praia.

Já outro responde:

O agente sugeriu alterar um contrato compartilhado. Analisei dependências, percebi risco de quebra em consumidores externos, rejeitei a solução e implementei um adapter preservando compatibilidade.

Pronto.

Temos uma conversa de engenharia.


22. O programador COBOL tem uma vantagem inesperada

COBOL ensina algo precioso:

software não existe isoladamente

Um programa está conectado a:

JCL
copybooks
VSAM
Db2
CICS
IMS
MQ
jobs
arquivos
procedimentos
controle
segurança
scheduler
processos empresariais

Por isso manutenção mainframe raramente permite a fantasia:

“Vou apenas reescrever esse módulo.”

Esse módulo talvez seja chamado às 03h17 por um job que ninguém mencionou.

Pode alimentar um arquivo que vai para outro banco.

Pode produzir uma saída utilizada por um sistema que pertence a outra diretoria.

Em sistemas corporativos:

dependência é a criatura que mora atrás da porta que ninguém abriu.


23. Passo a passo Bellacosa para usar um agente em COBOL

Vamos montar um procedimento.

Etapa 1 — Entender

Use Ask:

Explique este programa COBOL.

Mapeie:
- divisions;
- paragraphs;
- copybooks;
- CALLs;
- arquivos;
- SQL;
- CICS;
- códigos de retorno.

Não altere nada.

Etapa 2 — Mapear dependências

Pergunte:

Quais componentes externos podem ser afetados
por uma modificação neste módulo?

Não confie cegamente.

Confirme no repositório e nas ferramentas existentes.


Etapa 3 — Criar plano

Crie um plano para implementar a mudança X.

Inclua:
- arquivos afetados;
- risco;
- rollback;
- testes;
- dependências;
- critérios de sucesso.

Não implemente ainda.

Etapa 4 — Revisar manualmente

Leia tudo.

Pergunte:

Isso realmente faz sentido?

Se não entende algum item, não aprove.

Peça explicação.


Etapa 5 — Limitar escopo

Em vez de:

modernize o sistema

prefira:

altere somente o módulo CALCJURO
sem modificar interfaces públicas
nem copybooks compartilhados.

Etapa 6 — Executar

Agora sim:

Implemente o plano aprovado.

Etapa 7 — Testar

Nunca aceite:

“Parece correto.”

Use:

Compile.
Execute testes.
Analise return codes.
Compare resultados.

Em COBOL:

COMPILOU

não significa:

FUNCIONOU

e:

FUNCIONOU

não significa:

ESTÁ CORRETO

Etapa 8 — Revisar o diff

Pergunte:

O que mudou?
Por que mudou?
Quais comportamentos podem ser afetados?

Depois olhe você mesmo.


Etapa 9 — Documentar

Registre:

o que a IA sugeriu
o que foi aceito
o que foi rejeitado
por quê
quais testes foram realizados

Isso cria auditoria e aprendizado.


24. Nunca terceirize compreensão

Existe um anti-pattern perigoso:

não entendo
  ↓
pergunto IA
  ↓
IA responde
  ↓
continuo não entendendo
  ↓
mas executo mesmo assim

Isso é apenas terceirização da ignorância.

🤣

O fluxo correto:

não entendo
   ↓
IA explica
   ↓
pergunto novamente
   ↓
verifico
   ↓
entendo suficientemente
   ↓
decido

IA deveria diminuir sua ignorância.

Não escondê-la.


25. Curiosidade — COBOL já viveu uma revolução parecida

Nos anos 1950, programar significava trabalhar muito mais perto da máquina.

Linguagens de alto nível eram uma abstração revolucionária.

Algum programador Assembly poderia olhar COBOL e dizer:

“Agora qualquer incompetente escreve programa!”

Talvez dissesse:

“Esses jovens nem sabem registrador!”

Décadas depois acontece algo curioso.

Programadores modernos dizem:

“Com IA qualquer pessoa gera programa!”

A história gosta de rir.

Compiladores automatizaram a transformação:

linguagem humana-ish
        ↓
código de máquina

IA automatiza outra camada:

intenção humana
        ↓
representação técnica

Mas abstração nunca eliminou necessidade de engenharia.

Ela apenas permitiu construir sistemas maiores.


26. Quanto maior a abstração, maior o raio da explosão

Em Assembly, você poderia errar uma instrução.

Com COBOL, uma regra errada poderia afetar milhões de registros.

Com um pipeline automatizado, uma alteração pode chegar a centenas de servidores.

Com agentes:

UM OBJETIVO MAL DEFINIDO
          ↓
MÚLTIPLAS ALTERAÇÕES
          ↓
TESTES
          ↓
AUTOMAÇÃO
          ↓
PR

Velocidade amplifica coisas boas.

E coisas ruins.

Por isso:

AUTONOMIA ↑
=
GUARDRAILS ↑

27. Guardrail é a cerca elétrica em volta do robô

Guardrail é qualquer mecanismo que limita comportamento.

Exemplos:

não editar produção
não acessar determinados diretórios
não executar determinados comandos
não enviar dados sensíveis
não modificar secrets
não publicar automaticamente
exigir aprovação

Pense em uma locomotiva.

Ela é extremamente poderosa.

Mas só é útil porque existe trilho.

Um agente sem trilho não é uma locomotiva.

É um trem atravessando o estacionamento.


28. E finalmente chegamos às métricas

Depois que uma empresa compra IA para centenas de desenvolvedores, aparece o gerente financeiro.

Ele não pergunta:

“Bob é legal?”

Ele pergunta:

“Quanto custou?”

Depois:

“Quanto economizou?”

Depois:

“Como você sabe?”

E aqui começa a parte adulta.

Não basta medir:

linhas de código

Linhas de código são uma métrica terrível.

Você pode produzir 200 mil linhas de lixo.

Melhores indicadores incluem:

Lead Time
Cycle Time
Defect Rate
Change Failure Rate
MTTR
Test Coverage
Rework
Deployment Frequency
Tempo economizado
Custo por mudança

As versões atuais do ecossistema Bob incluem Bobalytics justamente como uma camada de visibilidade sobre uso e atividade; a atualização de agosto de 2026 adicionou novas visões para observar atividade diária e padrões de utilização.


29. Bobalytics encontra SMF no boteco

O mainframeiro vê analytics e novamente começa a rir.

Porque estamos acostumados com a pergunta:

“O que aconteceu?”

E alguém responde:

“Vamos olhar os registros.”

SMF.

RMF.

Logs.

Auditoria.

Accounting.

Histórico.

Agora o mesmo princípio chega à IA:

Quem utilizou?
Quanto utilizou?
Para quê?
Qual resultado?
Quanto custou?
Qual foi a produtividade?

No futuro talvez ninguém aceite:

“A IA ajudou bastante.”

Precisaremos dizer:

antes: 12 horas
depois: 5 horas

antes: 8 defeitos
depois: 3 defeitos

custo de IA: X
tempo preservado: Y

Aí temos ROI.


30. Cuidado com a “produtividade placebo”

Existe um fenômeno interessante.

Desenvolvedor:

“Estou produzindo 70% mais rápido!”

Pergunta:

“Como você mediu?”

Resposta:

“Senti.”

🤣

Isso não é métrica.

É horóscopo corporativo.

Talvez a IA realmente tenha melhorado produtividade.

Mas precisamos separar:

sensação de velocidade

de:

resultado empresarial

31. O futuro do profissional técnico

A escada provavelmente será algo semelhante a:

NÍVEL 1
"uso autocomplete"

NÍVEL 2
"gero código"

NÍVEL 3
"forneço contexto"

NÍVEL 4
"planejo com agente"

NÍVEL 5
"delego tarefas"

NÍVEL 6
"coordeno subagents"

NÍVEL 7
"conecto ferramentas"

NÍVEL 8
"governo permissões"

NÍVEL 9
"meço resultado"

NÍVEL 10
"assumo responsabilidade"

O último é o mais importante.

Porque quando alguma coisa der errado ninguém aceitará:

“Mas Bob fez.”

A pergunta será:

“Quem aprovou?”


32. O easter egg escondido no SYSOUT

Depois de terminar a alteração, nosso programador encontra no relatório:

IEF142I JOB PAYROLL STEP01 - STEP WAS EXECUTED

Tudo parece normal.

Mais abaixo aparece:

BOB0001I ARTIFICIAL INTELLIGENCE COMPLETED TASK
BOB0002I HUMAN REVIEW REQUIRED

E finalmente:

BOB9999I CAFE REQUIRED BEFORE PRODUCTION

Esse último ainda não existe.

Mas deveria.


33. O iniciante não deve abandonar fundamentos por causa da IA

Se você está começando em COBOL, ainda precisa aprender:

IDENTIFICATION DIVISION
DATA DIVISION
PROCEDURE DIVISION

PIC
MOVE
IF
EVALUATE
PERFORM
CALL
FILE STATUS
COMP
COMP-3
COPYBOOKS
JCL
VSAM
DB2
CICS

Por quê?

Porque se Bob gerar:

       MOVE WS-AMOUNT TO WS-BALANCE

você precisa entender o que aconteceu.

Se ele sugerir redefinir:

       05 WS-AMOUNT PIC S9(9)V99 COMP-3.

você precisa saber por que isso pode importar.

A IA não elimina fundamentos.

Ela aumenta a penalidade de não conhecê-los.


34. A regra do mestre Jedi do mainframe

Use IA para chegar mais rápido à pergunta difícil.

Não para fugir dela.

Se você gastava três horas procurando onde determinada regra estava implementada e Bob encontra em três minutos:

fantástico.

Use as duas horas e cinquenta e sete minutos economizadas para descobrir:

“Essa regra ainda deveria existir?”

Isso é valor.


35. Programação está mudando de escrever para dirigir

Podemos representar a mudança assim:

ONTEM

Humano
  ↓
Código
  ↓
Computador

Hoje:

Humano
  ↓
IA
  ↓
Código
  ↓
Computador

Amanhã:

              HUMANO
                 |
        arquitetura / intenção
                 |
                 ↓
              AGENTE
        +--------+--------+
        |        |        |
     subagent subagent subagent
        |        |        |
      código   testes   análise
        \        |        /
             ferramentas
                 |
              sistemas

O humano sobe um nível.

Mas não desaparece.


36. Talvez “programador” volte ao significado original

Existe uma ironia bonita aqui.

Programar significa essencialmente:

estabelecer uma sequência de ações para atingir um objetivo.

Durante décadas transformamos “programador” em:

pessoa que digita código.

Agentes podem fazer com que o programador volte a ser mais literalmente alguém que:

define objetivos
decompõe tarefas
estabelece restrições
coordena execução
verifica resultado

Ou seja:

talvez IA não esteja destruindo o conceito de programador.

Talvez esteja obrigando a palavra a recuperar seu significado.


37. Checklist Bellacosa antes de deixar Bob trabalhar

Antes:

[ ] Entendo o problema?
[ ] Sei qual é o resultado esperado?
[ ] Identifiquei o escopo?
[ ] Mapeei dependências?
[ ] Pedi um plano?
[ ] Revisei o plano?
[ ] Defini o que NÃO pode ser alterado?

Durante:

[ ] Estou acompanhando as alterações?
[ ] O agente está dentro do escopo?
[ ] Surgiu nova dependência?
[ ] Existem decisões que exigem humano?

Depois:

[ ] Compilou?
[ ] Testou?
[ ] Comparei comportamento?
[ ] Revisei diff?
[ ] Avaliei segurança?
[ ] Documentei decisões?
[ ] Existe rollback?

Se a resposta para metade for:

¯\_(ツ)_/¯

não vá para produção.


38. Epílogo — Bob pergunta se pode fazer deploy

Voltamos ao nosso CPD.

23h58.

PAYR001 foi analisado.

O plano foi criado.

Uma alteração perigosa em TAXAS.CPY foi rejeitada.

Bob modificou o módulo correto.

Os testes passaram.

O programador revisou o diff.

Bob então pergunta:

“Deseja fazer deployment?”

O programador olha para o relógio.

Olha para Bob.

Olha para o calendário.

É sexta-feira.

Ele responde:

NÃO.

Bob pergunta:

“Por quê?”

E o jovem programador finalmente demonstra que aprendeu a mais importante regra da computação corporativa:

“Porque eu posso ser iniciante, Bob, mas não sou maluco.”

☕

Na segunda-feira faremos a mudança.

Com aprovação.

Com backup.

Com rollback.

Com logs.

E com alguém responsável olhando.

Porque o futuro da programação não será decidido por quem consegue produzir mais código.

Será decidido por quem consegue comandar máquinas cada vez mais capazes sem entregar a elas aquilo que nunca deveria ter sido terceirizado: julgamento, responsabilidade e compreensão do negócio.

IBM Bob pode ser copiloto.

Pode ser investigador.

Pode ser planejador.

Pode ser executor.

Pode convocar subagentes.

Pode usar ferramentas.

Pode trabalhar pelo terminal.

Pode atravessar o MCP e conversar com outros sistemas.

Mas alguém ainda precisa ocupar a cadeira do comandante.

E se você está começando agora em COBOL, existe uma oportunidade extraordinária diante de você:

não aprenda apenas a escrever programas.

Aprenda a entender sistemas.

Aprenda por que aquele MOVE existe.

Aprenda quem chama aquele programa.

Aprenda o que acontece quando o job termina com RC=08.

Aprenda por que segurança existe.

Aprenda por que produção exige respeito.

Aprenda a perguntar.

Aprenda a planejar.

Aprenda a discordar da inteligência artificial.

Porque talvez a habilidade técnica mais valiosa da próxima década não seja saber dizer para um agente:

“Faça.”

Será saber olhar para o plano produzido por ele, apoiar a caneca de café sobre a mesa e responder:

“Não, Bob. Essa parte você não vai mexer.”

E explicar exatamente por quê.

☕ Bem-vindo ao Bellacosa Mainframe.

Artigo DIO - Bellacosa Mainframe

☕ E se amanhã um agente de IA pedir acesso ao seu código COBOL?

Leia o artigo completo publicado na DIO sobre IBM Bob, inteligência artificial, COBOL, mainframe e o futuro da engenharia de software.

☕ Carregando o artigo...

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

CSI Las Vegas — O Caso do Agente Fantasma Afinal : Onde Mora o IBM Bob?

Bellacosa Mainframe e o caso do agente fantasma onde o ibm bob habita?

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

CSI Las Vegas — O Caso do Agente Fantasma

Afinal... Onde Mora o IBM Bob?

"Toda investigação começa com uma pergunta aparentemente simples. No CSI Las Vegas aprendemos que, muitas vezes, a resposta está escondida exatamente onde ninguém pensa em procurar."

A pergunta chegou ao laboratório Bellacosa Mainframe numa tarde qualquer.

"O IBM Bob mora dentro do Mainframe?"

Silêncio.

O programador COBOL olha para o SDSF.

O operador observa a JES2.

O Sysprog abre a SYS1.PROCLIB.

O Administrador RACF consulta os Started Tasks.

Nada.

Nenhum PROC chamado BOB.

Nenhuma SYS.BOB.LIB.

Nenhum BOBLOAD.

Nenhum BOBPROC.

Nenhum STC.

Então...

Onde diabos mora esse agente?

Pegue sua lanterna.

Hoje investigaremos uma das maiores cenas do crime da Inteligência Artificial aplicada ao IBM Z.


Cena do Crime

CSI Las Vegas.

Sala escura.

Monitores iluminando o laboratório.

Na parede um enorme diagrama do z/OS.

Grissom aproxima-se.

— Catherine...

Onde está o Bob?

Nick responde:

— Não encontramos nenhum dataset.

Sara consulta o catálogo.

LISTCAT LEVEL(SYS.BOB)

Resultado:

ENTRY NOT FOUND

Brass pergunta:

— Então ele não existe?

Grissom sorri.

— Existe.

Só não mora onde vocês estão procurando.



A Primeira Hipótese

Todo programador COBOL imagina algo parecido com isto.

SYS1.PROCLIB

↓

SYS1.PARMLIB

↓

SYS1.LINKLIB

↓

USER.COBOL

↓

COPYLIB

↓

JCLLIB

↓

SYS.BOB.LIB

Seria maravilhoso.

Uma biblioteca contendo:

BOB

BOBINIT

BOBPROC

BOBLOAD

BOBCFG

Mas isso simplesmente não existe.

Pelo menos não na arquitetura atual.


O Grande Engano

Nós, profissionais de mainframe, fomos treinados durante quarenta anos para acreditar que:

"Se executa alguma coisa...

ela deve morar em algum dataset."

É natural pensar assim.

O CICS mora em bibliotecas.

O DB2 mora em bibliotecas.

O IMS mora em bibliotecas.

O MQ mora em bibliotecas.

O RACF possui módulos.

O DFSORT possui módulos.

Até o ISPF possui bibliotecas.

Então...

onde mora Bob?

A resposta muda completamente nossa forma de pensar.



Bob não mora no z/OS

Bob é um serviço.

Mais precisamente,

um AI Software Engineer Service.

Ele vive em infraestrutura moderna.

Pode estar:

  • IBM Cloud

  • Linux

  • Kubernetes

  • OpenShift

  • LinuxONE

  • Cloud privada

  • Data Center corporativo

Mas normalmente

não dentro do Address Space do z/OS.


Pense no Banco de Dados

Imagine um programa COBOL.

READ CLIENTE

Os dados não estão no COBOL.

Estão no VSAM.

Agora imagine:

EXEC SQL
SELECT *
FROM CLIENTES

O DB2 não mora no COBOL.

Ele responde ao COBOL.

Bob faz exatamente isso.



O Novo Modelo Mental

Em vez disso,

pense assim.

                 IBM Bob

             AI Service

                 │

      HTTPS / MCP / APIs

                 │

      IBM Z Open Editor

                 │

          Seu Programa

                 │

              Mainframe

O Bob está do outro lado da conversa.


Quem faz a ponte?

Aqui entra um personagem novo.

O MCP.

Model Context Protocol.

Imagine o velho VTAM.

Ele ligava terminais.

O MCP liga Inteligências Artificiais.


Antes

3270

↓

VTAM

↓

CICS


Hoje

Bob

↓

MCP

↓

Git

↓

Filesystem

↓

Mainframe

↓

Cloud

↓

SQLite

↓

Appwrite

↓

GitHub

É o mesmo conceito.

Mudou apenas o protocolo.


O Investigador encontra uma pista

Sara abre o VS Code.

Existe um programa COBOL.

CLIENTE.CBL

Bob consegue explicar.

Grissom pergunta.

Como?

Será que Bob entrou no PDS?

Não.

Quem abriu o programa foi o editor.

O editor entregou o conteúdo ao Bob.


Quem entrega os COPYBOOKs?

Outra pergunta excelente.

Imagine.

COPY CLIENTE.

COPY CONTA.

COPY BMSMAP.

O editor conhece o projeto.

Ele resolve os COPYBOOKs.

Quando Bob precisa entender o código,

ele recebe esse contexto.

Não porque entrou no Mainframe.

Mas porque alguém lhe mostrou.


A mesma lógica vale para

  • JCL

  • PROC

  • SYSIN

  • SQL

  • REXX

  • CLIST

  • HLASM

Tudo depende do contexto entregue.



Então Bob nunca acessa o Mainframe?

Aí está o detalhe interessante.

Ele pode acessar.

Mas através de portas autorizadas.

Nunca "invadindo" o z/OS.

Por exemplo.


Caminho 1

VS Code

↓

Zowe Explorer

↓

z/OSMF

↓

REST

↓

Mainframe

Caminho 2

Bob

↓

MCP

↓

Git

↓

Pipeline

↓

DBB

↓

Mainframe

Caminho 3

Bob

↓

SSH

↓

USS

↓

Linux

Tudo depende da arquitetura.


LinuxONE entra na investigação

Agora a história fica muito mais interessante.

Imagine um datacenter IBM.

Rack

↓

IBM Z

+

LinuxONE

↓

Rede interna

↓

Storage

↓

OpenShift

O LinuxONE é um monstro.

Ele roda Linux.

Mas não é um Linux qualquer.

Ele compartilha muitas características do IBM Z.

Alta disponibilidade.

Segurança.

Virtualização.

Criptografia.

Escalabilidade absurda.


E se Bob morasse no LinuxONE?

Agora estamos falando.

Imagine.

LinuxONE

↓

OpenShift

↓

Container

↓

IBM Bob

Esse cenário faz muito sentido.

Porque:

  • baixa latência

  • segurança

  • sem sair do datacenter

  • integração corporativa


Bob e OpenShift

Imagine.

Pod

↓

IBM Bob

↓

MCP Server

↓

REST APIs

Tudo rodando localmente.

O Mainframe conversa pela rede interna.

Muito parecido com:

CICS

↓

MQ

↓

Application Server


O papel do Telum

Agora entra outro personagem.

Telum.

O processador do IBM Z.

Muita gente pensa:

"O Telum roda Bob."

Não exatamente.


O que Telum realmente faz?

Telum possui IA embarcada.

Mas ela foi criada para inferência transacional.

Exemplo.

Fraude bancária.

Cartão de crédito.

Detecção de risco.

Scoring.

Machine Learning.

Tudo isso acontece durante a própria transação.


Imagine.

Cliente compra.

↓

CICS.

↓

COBOL.

↓

DB2.

↓

Telum AI.

↓

Fraude detectada.

↓

Autoriza.

↓

Resposta.

Tudo em poucos milissegundos.


Então Bob usa Telum?

Hoje,

não diretamente.

Bob é um agente.

Telum é um acelerador de IA.

São papéis diferentes.

É como comparar.

Compilador COBOL

e

CPU

O compilador usa a CPU.

Mas não mora nela.


Poderia usar?

Perfeitamente.

Imagine uma arquitetura futura.

IBM Bob

↓

LLM

↓

Agente

↓

Inferência Telum

↓

Mainframe

Algumas decisões poderiam ser aceleradas pelo hardware.


O Grande Sonho do Sysprog

Agora imagine uma empresa.

Tudo dentro do próprio datacenter.

                  Firewall

                     │

────────────────────────────────────

             IBM Z

────────────────────────────────────

       z/OS

         │

    z/OSMF

         │

    REST APIs

────────────────────────────────────

     LinuxONE

────────────────────────────────────

 OpenShift Cluster

      │

 IBM Bob

 MCP Server

 Vector Database

 Granite LLM

 watsonx

────────────────────────────────────

      Storage

────────────────────────────────────

Observe.

Bob continua não morando no z/OS.

Mas mora ao lado.

Dentro da mesma empresa.


Como um Sysprog enxergaria isso?

Algo parecido com:

Users

↓

VS Code

↓

Bob

↓

MCP

↓

z/OSMF

↓

RACF

↓

Datasets

↓

JES2

↓

CICS

↓

DB2

Cada camada conversa apenas com a seguinte.


O papel do RACF

Outra pergunta importante.

Bob pode ler qualquer dataset?

Não.

Quem manda continua sendo o RACF.

Imagine.

USER

↓

RACF

↓

Permissão

↓

Dataset

Bob nunca deveria ultrapassar essas permissões.

Ele atua com as credenciais autorizadas.


E o Sysadmin?

O Sysadmin enxerga diferente.

Ele pensa.

CPU.

Containers.

Pods.

TLS.

Certificados.

Load Balancer.

Storage.

OpenShift.

Logs.

Monitoramento.

Prometheus.

Grafana.

Para ele,

Bob é apenas mais um serviço corporativo.


O Sysprog pensa diferente

Ele pensa.

SYS1.PARMLIB

LPAR

SMF

RMF

APF

LINKLIST

JES

RACF

WLM

Por isso existe a confusão.

Bob pertence mais ao universo DevOps do que ao universo clássico do z/OS.


E se IBM decidisse integrar tudo?

Agora começa a ficção científica.

Imagine.

IBM.BOB.STC

Started Task.

BOBPROC

PROC.

SYS1.BOBLIB

Biblioteca.

BOBCFG

Parâmetros.

BOBMCP

Servidor.

Tudo hospedado em USS.

Não é impossível.

Na verdade,

USS já permite executar aplicações Linux-like dentro do z/OS.

Poderíamos imaginar:

USS

↓

Container

↓

Granite

↓

MCP

↓

Bob

Embora hoje esse não seja o modelo oficial.


Easter Egg nº 1

Lembra quando dizíamos:

"O Mainframe é um computador enorme."

Hoje essa definição está errada.

O IBM Z virou um grande orquestrador.

Ele conversa com:

  • Linux

  • Cloud

  • Kubernetes

  • APIs

  • IA

  • Containers

O computador deixou de ser uma ilha.


Easter Egg nº 2

Nos anos 1980 perguntávamos:

"Onde está o programa?"

Hoje perguntamos:

"Onde está o serviço?"

É uma mudança filosófica enorme.


Easter Egg nº 3

Daqui a alguns anos,

talvez um novo programador pergunte:

"Onde mora o Agente?"

E o Sysprog responderá:

"Não importa onde ele mora.

Importa apenas qual identidade RACF ele usa."


Veredito do CSI Las Vegas

Grissom fecha a pasta da investigação.

Na primeira página está escrito:

O Caso do Agente Fantasma

Conclusão:

O IBM Bob não desapareceu.

Nunca esteve escondido em uma SYS.BOB.LIB.

Nunca foi um módulo APF.

Nunca ocupou uma PDSE ao lado dos seus COPYBOOKs.

Ele representa uma nova geração de software: serviços inteligentes distribuídos, acessados por protocolos modernos e integrados ao ecossistema corporativo.

Para o programador COBOL, isso pode parecer estranho no início. Afinal, passamos décadas procurando tudo em bibliotecas, PROCs, LOADLIBs e datasets catalogados. Mas o mundo mudou.

Hoje, o código continua vivendo no z/OS. Os dados continuam protegidos pelo RACF. Os JOBs continuam passando pelo JES2. O CICS continua processando milhões de transações e o Db2 continua armazenando o coração do negócio.

A novidade é que surgiu um novo colega de equipe.

Ele não mora na estante das bibliotecas.

Ele mora na rede.

Pode estar em um cluster OpenShift sobre LinuxONE, em uma nuvem privada IBM, integrado ao watsonx e aos modelos Granite, conversando com o z/OS por z/OSMF, Zowe, MCP e APIs seguras.

É como um consultor extremamente experiente sentado do outro lado do vidro da sala de operações. Ele não toca diretamente nos datasets nem invade o sistema. Observa o contexto que você lhe fornece, analisa, sugere, documenta, revisa e acelera o trabalho.

Talvez essa seja a maior transformação desde o surgimento do CICS ou do Db2: o conhecimento deixou de estar preso a uma biblioteca física e passou a existir como um serviço inteligente, distribuído, colaborativo e conectado.

E quem sabe, daqui a alguns anos, ao abrir um console do z/OS, o Sysprog encontre finalmente aquele velho sonho realizado:

===> START BOB

IEF403I BOB - STARTED

IBM AI Software Engineer ready.

Waiting for next mission...

Nesse dia, provavelmente Grissom apenas sorriria e diria:

"O agente nunca esteve perdido. Nós é que estávamos procurando no lugar errado."

domingo, 2 de agosto de 2026

IBM Bob : O Holocron do Padawan — Da Primeira Pergunta até os Agentes Inteligentes

 

Bellacosa Mainframe e o holocron do conhecimento do ibm bob

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

IBM Bob para Programadores COBOL

O Holocron do Padawan — Da Primeira Pergunta até os Agentes Inteligentes

"Quando um programador COBOL encontra uma IA pela primeira vez, a tendência é pensar que ela escreve código. Depois de alguns dias percebe que ela faz muito mais. Depois de alguns meses percebe que quem realmente mudou foi a forma de pensar sobre desenvolvimento."


Durante décadas nós aprendemos uma sequência relativamente estável.

Requisito
↓
Análise
↓
Codificação
↓
Compilação
↓
Teste
↓
Produção

O IBM Bob não muda esse fluxo.

Ele muda quem participa dele.

O desenvolvedor deixa de trabalhar sozinho e passa a trabalhar acompanhado por uma IA especializada.

Essa é exatamente a ideia por trás de praticamente todas as fases do treinamento.



Capítulo 1 — O que é o IBM Bob?

O erro mais comum é pensar:

"Bob é um ChatGPT."

Não.

Bob é um AI Software Engineer.

Ele foi construído para acompanhar todo o ciclo de vida do software (SDLC).

Ele entende:

  • código

  • arquitetura

  • documentação

  • Git

  • Pull Request

  • testes

  • APIs

  • banco de dados

  • DevOps

  • Cloud

  • Mainframe

Ele não responde apenas perguntas.

Ele participa do desenvolvimento.



Capítulo 2 — O verdadeiro SDLC

Praticamente em vários momentos do curso falam do SDLC.

A ordem correta é:

Planejamento

↓

Levantamento de requisitos

↓

Análise

↓

Design

↓

Implementação

↓

Testes

↓

Deploy

↓

Manutenção

Nunca confunda.

Os testes nunca vêm antes dos requisitos.


Planejamento

Aqui respondemos:

O que será construído?

Quem vai usar?

Qual problema resolve?


Requisitos

Aqui descobrimos:

  • regras de negócio

  • usuários

  • limitações

  • integrações

É exatamente como conversar com o cliente antes de escrever um COBOL.


Design

Aqui definimos

Arquitetura.

Tecnologias.

Banco.

API.

Cloud.

Infraestrutura.

É a planta da casa.


Implementação

Aqui escrevemos código.

COBOL.

Java.

Python.

TypeScript.

Não importa.

O design vira código.


Testes

Somente agora validamos.

Não antes.


Capítulo 3 — Contexto é Rei

Uma das maiores mensagens do curso.

IA sem contexto é praticamente inútil.

Imagine perguntar:

Melhore esse programa.

Qual programa?

Qual arquivo?

Qual função?

Qual objetivo?

Agora compare com:

Arquivo:

CLIENTE.CBL

Objetivo:

Melhorar performance da leitura VSAM.

Não alterar layout.

Não modificar regras fiscais.

Não instalar bibliotecas.

Agora Bob entende.

Toda IA funciona melhor quando recebe contexto.



Capítulo 4 — Janela de Contexto

Outro assunto recorrente.

A Janela de Contexto é simplesmente tudo aquilo que Bob conhece naquele momento.

Ela contém:

  • conversa

  • arquivos

  • regras

  • prompts

  • histórico

  • documentos

Quanto maior o contexto útil,

melhor a resposta.

Quanto maior o contexto inútil,

pior a resposta.


Context Poisoning

Uma expressão importante.

Imagine manter aberto:

Projeto Banco A.

Depois mudar para

Projeto Banco B.

Mas esquecer documentos antigos.

Bob pode misturar regras.

Isso chama-se

Context Poisoning.

A IA passa a raciocinar baseada em informações erradas.



Capítulo 5 — Human in the Loop

Talvez seja o conceito mais importante do treinamento.

Bob nunca substitui o desenvolvedor.

Ele trabalha junto.

Você continua responsável por:

✔ validar

✔ revisar

✔ aprovar

✔ decidir

A IA sugere.

Você decide.


Capítulo 6 — Auto Approve

Bob pode executar ações automaticamente.

Mas existem níveis.

Exemplo:

Leitura

Pode abrir arquivos.

Pode listar diretórios.

Sem perguntar.

Já comandos perigosos

como

git reset

rm

git push

normalmente pedem confirmação.

Por quê?

Porque alterar um repositório é diferente de apenas ler um arquivo.


Capítulo 7 — Checkpoints

O que faz um checkpoint? Muitas vezes usamos o conceito mas não paramos para analisar e fazer um mapa mental.

Checkpoint significa:

Criar um ponto seguro.

Igual snapshot.

Antes de uma grande mudança:

✔ cria checkpoint

✔ modifica

✔ testa

✔ aprova

É exatamente igual ao conceito de backup antes de um grande IPL.



Capítulo 8 — Bob Rules

Aqui está um conceito excelente.

Imagine um programador COBOL.

Toda vez você escreve:

Sempre documente.

Nunca use GO TO.

Explique em português.

Isso é repetitivo.

As Bob Rules resolvem isso.

São regras permanentes.

Exemplo:

Sempre gerar comentários.

Nunca instalar dependências.

Usar Clean Code.

Elas ficam válidas para o projeto inteiro.



Capítulo 9 — Slash Commands

Enquanto Rules são permanentes,

Slash Commands são ações.

Exemplo:

/review

Revisar código.

/document

Gerar documentação.

/performance

Analisar desempenho.

São pequenas automações.


Capítulo 10 — agent.md

Uma excelente ideia.

O arquivo

agent.md

é um manual para Bob.

Ele registra:

  • arquitetura

  • convenções

  • decisões

  • padrões

  • organização

É muito parecido com um grande README técnico.


Capítulo 11 — Git

O curso insiste bastante nisso.

Fluxo correto.

git checkout -b

↓

editar

↓

commit

↓

push

↓

Pull Request

↓

Review

↓

Merge

Jamais:

Editar diretamente a Main.


Pull Request

Não é apenas enviar código.

É pedir revisão.


Code Review

Serve para verificar

✔ qualidade

✔ documentação

✔ arquitetura

✔ padrões

✔ clareza

✔ links

✔ consistência

Não apenas bugs.



Capítulo 12 — MCP

Aqui começa o futuro.

Model Context Protocol.

Imagine um cabo USB.

Você conecta:

Bob

↓

Git

↓

SQLite

↓

Appwrite

↓

GitHub

↓

Filesystem

↓

Terminal

↓

APIs

Tudo usando um padrão.

Esse padrão chama-se MCP.


MCP Local

Vale apenas para um projeto.


MCP Global

Vale para todos.


MCP Remoto

Permite conversar com serviços externos.

Exemplo:

Appwrite.


API Keys

Sem credenciais

Bob não entra.

Assim como RACF protege um dataset,

API Keys protegem serviços Cloud.



Capítulo 13 — LLM

Outra sequência cobrada.

LLM

↓

Chatbot

↓

Copilot

↓

Agente

LLM

Motor.


Chatbot

Conversa.


Copilot

Ajuda.


Agente

Executa.

Planeja.

Decide.

Corrige.



Capítulo 14 — Sistemas Agentic

Agente faz muito mais.

Ele consegue:

Planejar.

Executar.

Reavaliar.

Corrigir.

Continuar.

Esse conceito aparece sempre que usamos um chat bot, seria o nosso passo a passo na execução da tarefa.


Multistep

Executa várias etapas.

Não apenas uma.


Self Correction

Errou?

Corrige sozinho.


Human in the Loop

Mesmo assim,

o desenvolvedor continua aprovando.



Capítulo 15 — Analytics

Outro bloco do curso.

Bob Analytics mostra:

Consumo.

Bob Coins.

Plano.

Uso.

Métricas.


Bob Coins

Padronizam consumo.

Não importa qual modelo está por trás.


Trial

Temporário.


PRO

Renova Bob Coins mensalmente.


Overage

Uma pegadinha da prova.

No treinamento foi enfatizado que:

o overage precisa ser reativado manualmente a cada mês para continuar em uso.

Mesmo que essa característica possa variar entre serviços, essa é a resposta esperada no contexto da aula.



Capítulo 16 — O Grande Mapa Mental

Cliente

↓

Requisitos

↓

Design

↓

Bob entende contexto

↓

Rules

↓

Slash Commands

↓

agent.md

↓

Checkpoint

↓

Implementação

↓

Git

↓

Commit

↓

Push

↓

Pull Request

↓

Review

↓

Merge

↓

Deploy

↓

Analytics

↓

Melhoria Contínua


O Pensamento Bellacosa Mainframe

Quando comecei no mainframe, lá no final dos anos 1980, a inteligência estava concentrada em dois lugares: na cabeça do analista experiente e nos milhares de programas COBOL que sustentavam o negócio. Hoje, continuamos precisando dessa experiência, mas ganhamos um novo parceiro.

O IBM Bob não substitui o programador COBOL. Ele não conhece melhor o negócio do que quem mantém aquele sistema há anos. O que ele faz é acelerar tarefas repetitivas, organizar informações, sugerir melhorias e reduzir o tempo gasto com atividades mecânicas.

Pense nele como um novo integrante da equipe. Ele trabalha rápido, lê milhares de arquivos em segundos e nunca se cansa de revisar código. Porém, ainda depende do arquiteto, do analista e do desenvolvedor para definir o rumo correto.

No fim das contas, a principal lição de todo esse treinamento não é aprender comandos, MCPs ou Bob Rules. É compreender uma nova forma de desenvolver software:

A IA executa. O desenvolvedor direciona. A experiência humana continua sendo o verdadeiro sistema operacional por trás de qualquer projeto.

Esse é o verdadeiro espírito do Bellacosa Mainframe: combinar décadas de conhecimento em engenharia de software com as novas capacidades da Inteligência Artificial, formando um desenvolvedor que entende tanto o legado quanto o futuro.

sábado, 1 de agosto de 2026

IBM BOB — O Companheiro de Bordo do Desenvolvedor Moderno

 

Bellacosa Mainframe e uma visão introdutoria no ibm ia bob

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

IBM BOB — O Companheiro de Bordo do Desenvolvedor Moderno

Quando a Inteligência Artificial finalmente aprendeu a conversar com o Programador COBOL

"Todo padawan precisa de um mestre. Às vezes esse mestre veste um manto. Outras vezes... responde em linguagem natural e ajuda a escrever código."


Introdução

Durante décadas, o desenvolvimento em IBM Z parecia uma arte secreta.

Os conhecimentos eram transmitidos de um programador experiente para outro, quase como antigos mestres Jedi passando seus holocrons.

Quem começava aprendia observando.

Depois copiava JCLs.

Depois copiava programas COBOL.

Depois aprendia por que aquela instrução existia.

Depois descobria que ninguém mais lembrava.

Foi assim por mais de cinquenta anos.

Então chegou a Inteligência Artificial.

Mas não aquela IA dos filmes que domina o mundo.

Nem aquela que escreve poesia.

Nem aquela que desenha gatos astronautas.

A IBM resolveu criar algo diferente.

Criou uma IA voltada para empresas.

Uma IA treinada para compreender documentação técnica.

Uma IA capaz de ajudar desenvolvedores.

Uma IA que entende infraestrutura corporativa.

Uma IA que conversa sobre APIs, COBOL, Java, Linux, Cloud, DevOps, Watsonx, OpenShift e IBM Z.

Essa IA recebeu um nome curioso.

IBM BOB.


Afinal...

O que é o IBM BOB?

BOB é o assistente de Inteligência Artificial corporativo da IBM.

Pense nele como um colega extremamente paciente.

Ele nunca reclama.

Nunca diz:

"Leia a documentação."

Ao contrário.

Ele lê a documentação por você.

Explica.

Resume.

Sugere.

Cria exemplos.

Ajuda a escrever código.

Explica mensagens de erro.

Traduz conceitos difíceis.

Auxilia arquitetos.

Auxilia desenvolvedores.

Auxilia administradores.

Auxilia alunos.

É praticamente um copiloto especializado no universo IBM.


Por que o nome "BOB"?

A IBM nunca tratou o nome apenas como uma sigla técnica.

O objetivo sempre foi dar ao assistente uma identidade simples, amigável e fácil de lembrar.

Curiosamente, "Bob" é um dos nomes mais comuns do idioma inglês.

Não intimida.

Não parece um robô.

Parece um colega de equipe.

E essa é justamente a proposta.

Não substituir pessoas.

Mas trabalhar junto delas.


Como nasceu essa ideia?

Durante muitos anos a IBM produziu milhares de páginas de documentação.

Imagine apenas:

  • z/OS

  • CICS

  • IMS

  • Db2

  • RACF

  • MQ

  • WebSphere

  • OpenShift

  • LinuxONE

  • Power

  • Storage

  • Cloud Pak

  • Watsonx

São milhões de linhas de documentação.

Nenhum ser humano consegue decorar tudo.

Mesmo especialistas vivem pesquisando.

A IBM percebeu algo importante.

O problema não era falta de informação.

Era excesso dela.

Assim surgiu a ideia:

"E se a documentação pudesse conversar?"

Essa pergunta mudou tudo.


A evolução da IA na IBM

Antes do BOB vieram muitos projetos importantes.

Década de 1990:

Especialistas começaram a estudar sistemas inteligentes.

Anos 2000:

Chegaram mecanismos de busca corporativos.

Depois vieram sistemas especialistas.

Então surgiu um projeto famoso.

Watson.


Watson mudou tudo

Em 2011 o IBM Watson venceu o programa Jeopardy.

Foi um marco histórico.

Pela primeira vez uma IA compreendia perguntas feitas em linguagem natural.

Ela precisava interpretar:

  • contexto

  • ambiguidades

  • referências

  • significado

Era muito diferente de apenas pesquisar palavras.

Foi ali que nasceu boa parte da tecnologia usada anos depois.


Depois veio a IA Generativa

Com os grandes modelos de linguagem, tudo acelerou.

A IBM lançou a plataforma:

watsonx

Ela reúne:

  • modelos de IA

  • treinamento

  • governança

  • segurança

  • IA corporativa

BOB nasceu justamente dentro dessa nova geração.


O grande diferencial

Existem muitas IAs.

Mas poucas entendem o mundo corporativo.

BOB foi criado pensando em empresas.

Ele entende:

  • documentação IBM

  • arquitetura

  • APIs

  • infraestrutura

  • padrões

  • segurança

  • desenvolvimento

Ele evita inventar respostas quando não possui contexto suficiente.

Essa característica é fundamental em ambientes corporativos.


Para que serve?

Imagine seu primeiro dia trabalhando em um banco.

Seu líder diz:

"Precisamos alterar um programa COBOL."

Você abre um programa com 18 mil linhas.

Existem:

  • COPYBOOKS

  • SQL

  • CICS

  • VSAM

  • MQ

  • dezenas de PERFORM

  • centenas de variáveis

Você pensa:

"Por onde começo?"

BOB ajuda exatamente nisso.


Exemplos do dia a dia

Entender um programa COBOL

Você pergunta:

Explique este PERFORM.

Ele explica.


Criar documentação

Pode transformar comentários técnicos em documentação.


Gerar exemplos

Pode criar programas exemplo.


Aprender comandos

Pergunte:

"Como funciona SORT FIELDS?"

Ele explica.


Entender mensagens

Recebeu um ABEND?

Cole a mensagem.

BOB explica.


Aprender APIs

Peça um exemplo REST.


Explicar JCL

Mostra cada DD.

Cada DISP.

Cada SPACE.

Cada UNIT.


Traduzir documentação

Boa parte da documentação IBM está em inglês.

BOB ajuda a interpretar rapidamente.


Um exemplo prático

Imagine um padawan.

Ele recebe:

IF SALDO > LIMITE
    MOVE "S" TO APROVADO
ELSE
    MOVE "N" TO APROVADO
END-IF

Ele pergunta:

Explique linha por linha.

BOB responde detalhadamente.

Agora imagine um código com 4 mil linhas.

O princípio é o mesmo.


Um exemplo ainda melhor

Imagine um JCL.

//STEP01 EXEC PGM=SORT

Pergunte:

"O que faz?"

Ele responde.

Depois:

"O que significa EXEC?"

Depois:

"O que significa PGM?"

Depois:

"Como funciona SORT?"

Você transforma um JCL inteiro em uma aula.


BOB não é apenas para COBOL

Ele auxilia em:

  • Java

  • Python

  • C#

  • Go

  • JavaScript

  • Terraform

  • Kubernetes

  • Linux

  • OpenShift

  • Git

  • GitHub

  • Jenkins

  • DevOps

E naturalmente...

IBM Z.


Primeiros passos para um Padawan COBOL

Aqui começa a aventura.

Passo 1

Não peça código.

Peça explicações.

Isso desenvolve raciocínio.


Passo 2

Mostre pequenos programas.

Nunca envie milhares de linhas inicialmente.


Passo 3

Pergunte:

"O que esta variável representa?"


Passo 4

Depois pergunte:

"Como melhorar?"


Passo 5

Só então peça exemplos.


Uma rotina interessante

Imagine estudar uma hora.

30 minutos:

Leia o material IBM.

30 minutos:

Converse com BOB.

Esse ciclo acelera absurdamente o aprendizado.


O que um desenvolvedor experiente faz?

Curiosamente...

Ele usa BOB de maneira diferente.

Não pergunta:

"Como escrever COBOL?"

Pergunta:

"Existe uma forma mais elegante?"

ou

"Há algum risco de performance?"

ou

"Existe um padrão mais moderno?"

A IA vira um segundo par de olhos.


Um paralelo com Star Wars

Luke possuía R2-D2.

Anakin tinha C-3PO.

Os pilotos tinham seus computadores de bordo.

No mundo IBM...

BOB cumpre um papel parecido.

Ele não pilota sua nave.

Mas ajuda durante toda a missão.


Curiosidades

Pouca gente percebe algumas coisas interessantes.

Curiosidade 1

BOB conversa em linguagem natural.

Você não precisa decorar comandos.


Curiosidade 2

Ele entende perguntas incompletas.

Como:

"Explique este JCL."


Curiosidade 3

Ele pode resumir documentações enormes.


Curiosidade 4

Ele reduz bastante o tempo gasto procurando informações.


Curiosidade 5

Ele funciona melhor quando recebe contexto.

Quanto melhor sua pergunta...

Melhor a resposta.


O segredo está no Prompt

Existe um velho ditado da programação.

Garbage In, Garbage Out.

Na IA vale exatamente a mesma regra.

Pergunta ruim.

Resposta ruim.

Pergunta excelente.

Resposta excelente.


Easter Egg 1

No universo Star Wars existiam Holocrons.

No mundo IBM...

A documentação técnica sempre foi o Holocron dos administradores de sistema.

BOB é quase um tradutor desses holocrons.


Easter Egg 2

Nos anos 70 existia um "BOB".

Só que era diferente.

Era aquele colega veterano que sabia tudo.

Ninguém sabia onde ele aprendia.

Mas quando havia um ABEND impossível...

Chamavam o Bob.

Décadas depois...

Agora existe outro Bob.

Só que digital.


Easter Egg 3

Programadores COBOL sempre tiveram fama de decorar códigos de erro.

Hoje não precisam decorar tanto.

Precisam entender.

BOB ajuda justamente nisso.


Easter Egg 4

Existe uma ironia interessante.

Durante décadas diziam:

"O COBOL vai desaparecer."

Hoje uma das áreas onde IA mais cresce é justamente ajudando empresas que possuem milhões de linhas de COBOL.

A história deu uma enorme volta.


O que BOB não faz?

Ele não substitui experiência.

Não conhece automaticamente todas as regras de negócio da sua empresa.

Não entende processos internos sem contexto.

Não aprova mudanças.

Não faz code review definitivo.

Ele auxilia.

A decisão continua sendo humana.


O futuro

Tudo indica que assistentes como o BOB serão cada vez mais integrados às ferramentas de desenvolvimento.

Imagine abrir o VS Code ou o IBM Z Open Editor e conversar com a IA enquanto programa, recebendo explicações, sugestões de testes, análise de impacto e ajuda para navegar por sistemas legados. Em vez de alternar entre dezenas de abas de documentação, o conhecimento chega diretamente ao ambiente de trabalho.

Para quem desenvolve em COBOL, isso representa uma mudança importante: o tempo gasto procurando respostas diminui, enquanto o tempo dedicado a compreender o negócio e criar soluções aumenta.


Conclusão

Se há alguns anos o maior patrimônio de uma equipe era o veterano que conhecia cada detalhe do sistema, hoje esse conhecimento pode ser ampliado por assistentes de IA como o IBM BOB. Isso não reduz o valor do profissional; pelo contrário, torna sua experiência ainda mais estratégica, permitindo que tarefas repetitivas sejam aceleradas e que o foco esteja naquilo que realmente importa: resolver problemas de negócio com qualidade.

Para o padawan COBOL, BOB não é um atalho para evitar estudar. É um mentor digital que responde perguntas, sugere caminhos e ajuda a interpretar décadas de conhecimento acumulado pela IBM. Quanto mais você aprende, melhores ficam suas perguntas — e melhores ficam as respostas.

Como diria o Bellacosa Mainframe, enquanto serve mais uma caneca de café:

"O verdadeiro mestre não é aquele que sabe todas as respostas. É aquele que aprendeu a fazer as perguntas certas. O IBM BOB pode responder muitas delas, mas a curiosidade continua sendo o compilador mais poderoso de qualquer programador."

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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