sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

SMP/E for z/OS : O guardião silencioso do mainframe

 

Bellacosa Mainframe apresenta o SMP/E 

SMP/E for z/OS

O guardião silencioso do mainframe (e por que você deve respeitá-lo)

Se existe uma ferramenta que todo System Programmer precisa conhecer profundamente, essa ferramenta é o SMP/E (System Modification Program / Extended).
Ele não aparece no painel bonito, não tem interface gráfica chamativa, mas é ele quem controla a saúde do z/OS.

👉 Sem SMP/E, o mainframe vira um Frankenstein de PTFs soltos.


📜 Origem e História

O SMP nasceu lá atrás, nos primórdios do OS/360, quando a IBM percebeu que:

“Instalar correções sem controle é pedir para quebrar o sistema.”

Com o tempo, o SMP evoluiu e virou SMP/E, agregando:

  • Controle de dependências

  • Histórico de mudanças

  • Rastreabilidade total

  • Capacidade de rollback (sim, isso já existia antes de DevOps virar moda)

📆 SMP/E acompanha o z/OS até hoje, sendo atualizado a cada release do sistema.


🧠 O que é o SMP/E, em poucas palavras

SMP/E é o gerenciador oficial de manutenção do z/OS.

Ele controla:

  • Instalação

  • Aplicação

  • Aceitação

  • Histórico

  • Dependências

  • Erros conhecidos

Tudo baseado em regras formais, nada de “copiar membro na mão”.


🧩 Conceitos-chave que todo mainframeiro precisa dominar

🔹 SYSMOD

É o pacote de mudança. Pode ser:

  • PTF – correção

  • APAR – problema reportado

  • USERMOD – customização do cliente

  • FUNCTION – novo produto ou base


🔹 MCS – Modification Control Statements

As MCS são as instruções que dizem ao SMP/E:

“O que é isso, onde entra, do que depende e como tratar.”

📌 Todas começam com:

++

Exemplos clássicos:

  • ++VER

  • ++MOD

  • ++HOLD

  • ++ERROR


🚨 ++ERROR — o alarme vermelho do SMP/E

O ++ERROR é usado para marcar um PTF como defeituoso.

👉 Em bom português Bellacosa:

“Instala por sua conta e risco.”

Exemplo:

++ERROR

📌 O SMP/E não bloqueia automaticamente, mas alerta o sysprog de que aquele PTF tem problema conhecido.

💡 Dica de ouro:
Nunca ignore um ++ERROR sem ler a documentação da APAR correspondente.


🔐 Outros statements famosos (e perigosos)

  • ++HOLD → segura o APPLY/ACCEPT automático

  • ++WAIT → depende de outro SYSMOD

  • ++IF / ++IN → controle condicional

  • ++VER → garante compatibilidade de versão

👉 SMP/E é rigoroso porque produção não aceita improviso.


🔄 O Fluxo SMP/E (o caminho da sabedoria)

1️⃣ RECEIVE
👉 Introduz o SYSMOD no SMP/E (CSI)

2️⃣ APPLY
👉 Aplica no Target Libraries (executável)

3️⃣ ACCEPT
👉 Atualiza o DLIB (baseline oficial)

📌 Regra de ouro:

Nada vai para produção sem passar por APPLY e ACCEPT.


📦 DLIB vs TARGET (o erro clássico dos iniciantes)

  • DLIB

    • Biblioteca de referência

    • Fonte “oficial”

    • Não executável

  • TARGET

    • Onde o sistema realmente roda

    • Código executável

❌ Erro comum:

“Apliquei no DLIB achando que estava em produção.”


🧪 Exemplos práticos (vida real)

  • Instalar um PTF de segurança

  • Aplicar correção crítica de JES2

  • Avaliar impacto de um ++HOLD

  • Recuar uma manutenção problemática

👉 SMP/E não é só instalar, é governar mudanças.


🎓 Como aprender SMP/E de verdade

📚 Teoria

  • IBM Knowledge Center

  • Redbooks de SMP/E

  • APARs reais (leitura obrigatória!)

🧪 Prática

  • SMP/E for z/OS Workshop

  • Ambientes de laboratório

  • CSI de teste

  • APPLY CHECK antes de tudo

💡 Dica Bellacosa:

“Quem só lê manual não vira sysprog. Quem só pratica sem teoria vira bombeiro.”


🛠️ SMP/E for z/OS Workshop

O Workshop de SMP/E para z/OS é onde a mágica acontece:

  • Criação de CSI

  • RECEIVE/APPLY/ACCEPT reais

  • Análise de HOLDS e ERRORS

  • Resolução de conflitos

  • Simulação de falhas

👉 É aqui que o SMP/E deixa de ser teoria e vira ferramenta de sobrevivência.


🧠 Curiosidades

  • SMP/E já fazia dependency management antes do Maven existir

  • Já tinha rollback antes do Git

  • Continua sendo 100% obrigatório em ambientes regulados

  • Ignorar SMP/E é pedir outage


🧾 Comentário final (estilo Bellacosa)

SMP/E não é opcional.
SMP/E não é simples.
SMP/E não perdoa.

Mas quem domina o SMP/E:

  • Ganha respeito

  • Evita madrugada em produção

  • Vira referência técnica

💾🔥


quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O Beijo do Enigma em uma visão paulistana

 


O Beijo do Enigma  

Houve um tempo em que o mundo cabia dentro de um teatro.
Chamava-se Enigma, e era mais que um lugar — era um refúgio.
Entre cortinas vermelhas e risadas de juventude, encontrei Patrícia.
A musa que não pedi, mas que o destino insistiu em colocar no meu caminho.

Ela chegou como se o universo tivesse dado “play” em uma nova trilha sonora.
Aos treze, não sabia o que era o amor — só o senti.
Ela se tornou o meu norte, meu referencial, meu verso inacabado.
O beijo dela... ah, aquele beijo… ainda vive em mim,
como se o tempo tivesse parado só para assistir.

Depois vieram os anos — implacáveis, mudos, necessários.
Nos tornamos memórias ambulantes um do outro:
primeiro namorados, depois amigos, depois ecos.
E no fim, apenas conhecidos.
Mas a alma reconhece o que o tempo finge esquecer.

Reconstruí o rosto dela com IA — como quem tenta conversar com o passado.
E quando vi, senti a velha vertigem:
a nostalgia que abraça…
e o “e se” que fere com doçura.

Alguns lugares guardam marcas que ninguém mais vê.
A Avenida Tiradentes, o Shopping Paraíso,
os encontros com Amélia, os caminhos pelo Parque do Ibirapuera
São Paulo inteira respira Patrícia em cada sombra, em cada riso antigo.

Cresci nesta cidade, me tornei quem sou aqui,
e certos amores, mesmo distantes,
se tornam parte da paisagem da alma.



domingo, 6 de julho de 2008

☕ IBM MQ – State-of-the-art Resilience

 

Bellacosa Mainframe apresenta o IBM MQ
☕ IBM MQ – State-of-the-art Resilience

Alta disponibilidade não é luxo. É sobrevivência. (e o mainframe sempre soube disso)

Vamos começar pelo óbvio — aquele óbvio que só dói quando falha.
Se o e-commerce cai, você fica irritado.
Se o banco cai, o país inteiro sente.
Se logística, pagamentos ou supply chain param… bem-vindo ao caos operacional, manchetes negativas e reuniões “quentes” com o board.

👉 Resiliência hoje não é diferencial técnico. É requisito de negócio.

E é exatamente aqui que o IBM MQ entra em modo mainframe mindset:

falhar pode até acontecer — parar, não.


🧠 Um pouco de história (porque nada nasce ontem)

Mensageria sempre foi o “sistema nervoso” das arquiteturas corporativas.
No mainframe, isso já era verdade quando REST ainda era só uma palavra em inglês comum.

O IBM MQ (ex-WebSphere MQ, para os old school 😏) nasceu com um princípio simples e poderoso:

mensagem persistente não se perde. ponto.

Enquanto o mundo distribuído moderno corre atrás de eventual consistency, o MQ sempre jogou no modo consistência forte + durabilidade.

E agora, com Native High Availability (NHA) e Cross Region Replication (CRR), ele elevou esse jogo para o nível cloud + geo + compliance.


🧱 Native High Availability (NHA)

Alta disponibilidade… sem gambiarra externa

Vamos direto ao ponto:
NHA é alta disponibilidade nativa, de verdade.

Nada de:

  • storage replicado caríssimo 💸

  • drivers de kernel obscuros

  • cluster manager de terceiros

  • dependência de “caixinhas mágicas”

👉 O próprio IBM MQ resolve.

🔑 Como funciona?

  • 3 nós (leader / followers)

  • Baseado no algoritmo de consenso Raft (sim, o mesmo conceito usado em sistemas distribuídos sérios)

  • Quórum síncrono:

    • mensagem só é confirmada quando escrita em pelo menos 2 nós

    • resultado? RPO = zero (nenhuma mensagem perdida)

📌 Easter egg técnico:

Se você viveu o mundo de DB2 Data Sharing, isso vai soar familiar. O conceito é diferente, mas a filosofia é a mesma: consistência acima de tudo.

⚡ Recuperação em segundos

Falhou um nó?

  • detecção rápida

  • eleição automática

  • retomada quase imediata

Tudo isso:

  • em VM

  • bare metal

  • containers (Kubernetes / OpenShift)

Sem reescrever arquitetura. Sem dor.

🔐 Segurança e operação

  • Comunicação entre nós com TLS

  • Atualizações rolling upgrade

  • Sem downtime relevante

👉 Operacionalmente simples.
👉 Arquiteturalmente elegante.
👉 Auditor-friendly (alô, bancos e regulados 👀).


🌍 Cross Region Replication (CRR)

Quando o problema não é o servidor… é o mapa

Agora vamos falar de desastre de verdade:
região inteira fora do ar.
datacenter indisponível.
zona geográfica comprometida.

É aqui que entra o CRR.


🎯 Objetivo do CRR

Garantir resiliência geográfica com:

  • alta performance

  • baixo impacto de latência

  • custo otimizado

Tudo isso sem replicação de disco tradicional.


📉 O problema das soluções antigas

Replicação baseada em storage:

  • replica log + arquivos de fila

  • duplica tráfego de rede

  • snapshot de 15 minutos (ou pior)

  • custo alto em cloud 🌩️

📌 Tradução Bellacosa:

você paga mais, replica mais dados… e ainda perde mensagens no meio do caminho.


🚀 O diferencial do CRR

O CRR faz algo muito mais inteligente:

  • replica somente o que é necessário

  • usa compressão eficiente

  • protege o primário contra lentidão do remoto (latency protection)

  • permite switchover planejado com RPO zero

👉 Mesmo sendo assíncrono, um planned switchover não perde nenhuma mensagem.

Isso é ouro puro para:

  • DR corporativo

  • auditorias

  • testes reais de contingência

  • ambientes regulados


🔄 Active / Active? Sim, senhor.

O CRR permite:

  • alternar primário ↔ secundário

  • ou até operar queue managers ativos em ambos os sites

📌 Easter egg arquitetural:

aqui o MQ começa a conversar de igual para igual com arquiteturas distribuídas modernas — só que sem abrir mão da confiabilidade “old school”.


🧾 Persistência: o detalhe que muda tudo

Lembrete importante (e muita gente esquece):

📝 IBM MQ sempre grava mensagens persistentes no log transacional.
Se a fila estoura memória ou precisa ir para disco:

  • arquivos de fila garantem durabilidade

  • recuperação consistente após falha

O CRR entende isso profundamente — por isso não replica disco bruto, mas sim o estado lógico necessário para reconstrução perfeita.

Resultado?

  • menos tráfego

  • menos custo

  • mais controle


🧩 NHA + CRR = mentalidade mainframe no mundo cloud

Quando você junta:

  • NHA (resiliência local, RPO zero, failover rápido)

  • CRR (resiliência geográfica, DR real, switchover sem perda)

Você tem algo raro hoje em dia:

resiliência enterprise sem complexidade externa

Sem Frankenstein arquitetural.
Sem depender de “mais uma ferramenta”.
Sem sustos na madrugada.


☕ Comentário final (estilo Bellacosa)

O mercado redescobriu agora o que o mainframe sempre soube:

alta disponibilidade não é só estar no ar — é garantir integridade, consistência e previsibilidade quando tudo dá errado.

O IBM MQ, com NHA e CRR, mostra que:

  • dá pra ser moderno

  • distribuído

  • cloud-ready

  • sem abrir mão da confiabilidade raiz

No fim do dia, não é sobre tecnologia.
É sobre confiança.

E confiança…
👉 não se replica com snapshot de 15 minutos.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

🜂 O Guia do Mochileiro das Galáxias

 

Bellacosa Mainframe apresenta o Guia do Mochileiro das Galaxias

🜂 O Guia do Mochileiro das Galáxias

Ou: por que todo mainframer deveria ter uma toalha, desconfiar de burocracias cósmicas e jamais entrar em pânico
Para mainframers que gostam de anime, ficção científica, sistemas absurdos e verdades escondidas atrás do humor


1️⃣ IPL no caos: por que esse livro conversa tanto com mainframers?

Se você trabalha (ou já trabalhou) com mainframe, você entende três verdades fundamentais do universo:

  1. O sistema é crítico

  2. A documentação nunca está completa

  3. A burocracia é infinita

Pois bem.
O Guia do Mochileiro das Galáxias é basicamente isso… só que em escala cósmica.

Douglas Adams escreveu uma obra que parece piada, mas funciona como um diagnóstico profundo do funcionamento do universo, das organizações, das pessoas e — principalmente — da estupidez institucionalizada.

Para quem vive entre JCL, RACF, CICS, DB2, auditoria, compliance e gerentes que não entendem o sistema, esse livro é quase um manual de sobrevivência filosófica.

E sim… ele também conversa muito bem com quem gosta de anime.


2️⃣ Origem do caos: quem foi Douglas Adams?

📚 Douglas Adams nasceu em 1952, na Inglaterra, e faleceu em 2001.
Era escritor, humorista, roteirista e — detalhe importante — um nerd de tecnologia.

O Guia começou não como livro, mas como uma série de rádio da BBC em 1978.
Depois virou:

  • Série de rádio

  • Livro

  • Série de TV

  • Jogo

  • Filme

  • Fenômeno cultural

📌 Primeiro livro publicado: 1979
📌 Título original: The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy

E aqui já temos o primeiro paralelo com mainframe:

👉 O sistema nasceu em um formato, foi adaptado, portado, reescrito, versionado… e nunca morreu.


3️⃣ O enredo (ou: quando a produção cai sem aviso)

Arthur Dent é um humano comum, vivendo uma vida comum, até descobrir duas coisas no mesmo dia:

  1. Sua casa será demolida para a construção de uma estrada

  2. A Terra será demolida para a construção de uma via expressa hiperespacial

Ambas as demolições seguem o mesmo argumento:

“Os planos estavam disponíveis para consulta.”

📌 Tradução mainframe:

A documentação existia… em algum lugar… inacessível… e ninguém avisou.

A Terra explode.
Sem backup.
Sem DR.
Sem rollback.

E Arthur sobrevive por acaso, graças a Ford Prefect, um alienígena disfarçado de humano que trabalha como pesquisador para o Guia do Mochileiro das Galáxias, uma espécie de Wikipedia intergaláctica — só que mais honesta.


4️⃣ Não entre em pânico: a filosofia do Guia

A capa do Guia traz a frase mais importante de toda a obra:

DON’T PANIC
(Não entre em pânico)

Isso deveria estar:

  • nos data centers

  • nas salas de crise

  • nas paredes de qualquer time de produção

O Guia ensina que:

  • o universo é caótico

  • ninguém sabe exatamente o que está fazendo

  • quem parece confiante geralmente está errado

  • e está tudo bem admitir isso


5️⃣ Personagens que todo mainframer já conheceu

🧔 Arthur Dent — o usuário final perdido

Arthur é o usuário comum:

  • não entende o sistema

  • não pediu para estar ali

  • só quer sobreviver ao dia

Ele é o cara que sofre com decisões tomadas muito acima da sua pay grade.


👽 Ford Prefect — o consultor que sabe demais

Ford:

  • conhece o sistema

  • sabe onde estão as armadilhas

  • mas não explica tudo

É o arquiteto que diz:

“Relaxa, isso é assim mesmo.”


🤖 Marvin — o batch legado deprimido

Marvin, o androide paranoico, é simplesmente o sistema legado consciente.

  • Inteligência absurda

  • Capacidade gigantesca

  • Mas condenado a tarefas inúteis

Ele sabe que tudo é inútil.
Ele sabe que o universo não faz sentido.
E mesmo assim… continua rodando.

Todo mainframer já foi Marvin em algum momento.


👑 Zaphod Beeblebrox — o gestor carismático e inútil

Zaphod é:

  • incompetente

  • vaidoso

  • inconsequente

  • e mesmo assim presidente da galáxia

📌 Easter egg sério:
Ele existe para distrair a população enquanto decisões reais são tomadas nos bastidores.

Alguém lembrou de algum cargo corporativo?


6️⃣ A resposta é 42 (e a pergunta está errada)

O momento mais famoso do livro:

🧠 Um supercomputador chamado Deep Thought é criado para responder:

“Qual é o sentido da vida, do universo e tudo mais?”

Após milhões de anos de processamento, a resposta é:

42

O problema?
Ninguém sabe qual era a pergunta.

📌 Tradução mainframe-filosófica:

O sistema entrega resultado…
Mas o requisito estava errado.


7️⃣ Burocracia, absurdos e Vogons

Os Vogons são talvez a crítica mais direta de Douglas Adams à burocracia.

Eles:

  • seguem regras cegamente

  • adoram formulários

  • escrevem a pior poesia do universo

  • destroem planetas com base em regulamentos

📌 Mainframer sabe:

Não existe vilão mais perigoso do que alguém que “só está seguindo o processo”.


8️⃣ O Guia como um isekai britânico

Se olharmos com olhos otaku:

  • Arthur é transportado para outro mundo (isekai)

  • Ele é fraco, confuso e perdido

  • Aprende regras absurdas aos poucos

  • Sobrevive mais por acaso do que por poder

Mas diferente do isekai japonês:

  • não existe power-up

  • não existe harém

  • não existe destino grandioso

Só caos, ironia e toalhas.


9️⃣ A toalha: o item mais importante do universo

Segundo o Guia, uma toalha é o item mais útil para um mochileiro intergaláctico.

Ela serve para:

  • se proteger

  • sinalizar

  • se aquecer

  • se defender

  • manter a sanidade

📌 Mainframe version:
A toalha é:

  • conhecimento

  • experiência

  • calma

  • e um pouco de cinismo saudável


🔟 Impacto cultural e legado

O Guia influenciou:

  • ciência

  • tecnologia

  • cultura nerd

  • programação

  • humor geek

Referências ao 42 aparecem em:

  • linguagens de programação

  • sistemas

  • jogos

  • animes

  • séries

Douglas Adams mostrou que:

rir do absurdo é uma forma de sobreviver a ele


1️⃣1️⃣ O Guia, IA e o mundo moderno

Hoje vivemos:

  • buzzwords

  • promessas mágicas

  • sistemas que “sabem tudo”

  • respostas sem contexto

O Guia já avisava:

Informação sem compreensão é inútil.

Algo que todo mainframer aprende cedo.


1️⃣2️⃣ Moral da história (versão data center)

O UNIVERSO É COMPLEXO
A BUROCRACIA É PIOR
NÃO ENTRE EM PÂNICO
TENHA UMA TOALHA
DESCONFIE DE RESPOSTAS SIMPLES

🜂 Encerramento Bellacosa

O Guia do Mochileiro das Galáxias não é só um livro de ficção científica.

É:

  • um manual de sobrevivência existencial

  • uma crítica feroz à burocracia

  • um espelho do mundo corporativo

  • um consolo para quem lida com sistemas absurdos

Todo mainframer deveria lê-lo.
Todo otaku deveria entendê-lo.
Todo ser humano deveria rir… e refletir.

E lembrar sempre:

DON’T PANIC.


quarta-feira, 2 de abril de 2008

🧪 Checklist de Migração COBOL 3.xx → COBOL 4.00

 


🧪 Checklist de Migração COBOL 3.xx → COBOL 4.00

Upgrade sem drama, sem susto e sem abend de madrugada


🧠 Fase 0 – Entendimento (antes de tocar em PROD)

☐ Identificar versão exata do COBOL 3 (3.1, 3.2, 3.4)
☐ Mapear programas críticos (batch noturno, fechamento, faturamento)
☐ Identificar dependência de:

  • LE

  • CICS

  • DB2

  • IMS

🥚 Fofoquinha:

Quem não mapeia dependência descobre em produção… às 02:17 da manhã.


📦 Fase 1 – Preparação do Ambiente

☐ COBOL 4 instalado e licenciado
☐ PTFs recomendadas aplicadas
☐ LE atualizado e consistente
☐ Ambientes separados:

  • DEV

  • HOMO

  • PROD

☐ Verificar SMP/E sem HOLD crítico


⚙️ Fase 2 – JCL e PROCs

☐ Atualizar PROC de compilação:

  • IGYCRCTL → IGYCRCTL (mesmo nome, nova versão)

  • Verificar STEPLIB

☐ Conferir:

  • REGION

  • MEMLIMIT

  • SYSPRINT

  • SYSIN

🥚 Easter egg:

80% dos erros de migração estão no JCL, não no COBOL.



🧩 Fase 3 – Parâmetros de Compilação

📌 Base segura (recomendada)

DATA(31) OPTIMIZE(2) TRUNC(BIN) ARITH(EXTEND) ARCH(8) MAP LIST

☐ Evitar OPTIMIZE(3) na primeira leva
☐ Manter compatibilidade binária

⚠️ Não invente moda aqui.


🔍 Fase 4 – Recompilação Controlada

☐ Recompilar primeiro:

  • Programas utilitários

  • Baixo volume

  • Não críticos

☐ Comparar:

  • RC

  • Warnings

  • Messages IGY

☐ Gerar LIST/MAP antigos vs novos

🥚 Fofoquinha:

Se compila limpo em COBOL 4, já é meio caminho andado.


🧟 Fase 5 – Atenção aos Pontos Sensíveis

☐ Campos COMP sem inicialização
☐ MOVE entre tipos incompatíveis
☐ REDEFINES obscuros
☐ PERFORM sem END-PERFORM
☐ Dependência de overflow implícito

📌 COBOL 4 é mais rigoroso (e isso é bom).


🧪 Fase 6 – Testes Funcionais

☐ Teste unitário
☐ Teste integrado
☐ Teste batch completo
☐ Comparar:

  • Totais

  • Registros lidos/escritos

  • Relatórios

☐ Mesma entrada → mesmo resultado


📉 Fase 7 – Testes de Performance

☐ Medir antes:

  • CPU

  • Elapsed time

  • I/O

☐ Medir depois:

  • MIPS

  • EXCP

  • WAIT

📊 Expectativa real:

5% a 25% de redução de MIPS

🥚 Easter egg:

Performance boa sem mudar código é vitória silenciosa.


🚨 Fase 8 – Tratamento de Erros

ProblemaAção
S0C7Revisar campos numéricos
S0C4Ponteiro / END-PERFORM
Warnings novosCorrigir
RC ≠ 0Não promover

☐ Nenhum warning ignorado “porque sempre foi assim”


🚀 Fase 9 – Implantação em Produção

☐ Janela aprovada
☐ Plano de rollback:

  • Load antigo

  • DB2 fallback (se aplicável)

☐ Monitorar primeiras execuções

☐ Registrar métricas


📘 Fase 10 – Pós-migração

☐ Documentar ganhos
☐ Atualizar padrões de compilação
☐ Preparar terreno para COBOL 5
☐ Revisar consumo de MIPS mensal

🥚 Fofoquinha final:

Quem migra 3 → 4 direito, migra 4 → 5 sem medo.


🧠 Resumo Bellacosa™

ItemStatus
RiscoBaixo
GanhoMédio
EsforçoControlado
DorPequena
FuturoGarantido

🏁 Conclusão

“Migrar de COBOL 3 para 4 não é revolução.
É manutenção inteligente com desconto na conta de MIPS.”

sábado, 1 de março de 2008

📉 COBOL 3.xx vs COBOL 4.00 Clássico maduro vs clássico turbinado

 

📉 COBOL 3.xx vs COBOL 4.00

Clássico maduro vs clássico turbinado


🕰️ Linha do tempo rápida

VersãoAnoContexto
COBOL 3.xx~2001Consolidação do LE
COBOL 4.00~2009Performance, Unicode, modernização

📌 COBOL 4 não foi ruptura — foi evolução com faca nos dentes.


🧠 Filosofia de cada versão

🧓 COBOL 3.xx

“Se está rodando, não mexe.”

  • Estável

  • Conservador

  • Performance previsível

  • Muito usado em batch crítico

🧑‍🚀 COBOL 4.00

“Roda igual, mas gasta menos MIPS.”

  • Otimizações agressivas

  • Melhor uso de hardware

  • Preparação para mundo moderno

  • Base para COBOL 5


⚙️ Runtime e arquitetura

ItemCOBOL 3.xxCOBOL 4.00
Language EnvironmentSimSim (mais maduro)
31 bitsDominanteAinda forte
64 bitsNãoPreparado
UnicodeLimitadoNativo (USAGE DISPLAY-1)
XMLBásicoMuito melhor

🥚 Easter egg:

COBOL 4 já pensa em 64 bits mesmo rodando em 31.


🚀 Performance e MIPS

📉 Onde o COBOL 4 ganha

  • Loop intensivo

  • Cálculos COMP/COMP-3

  • Manipulação de strings

  • I/O sequencial

📊 Média de ganho real:

5% a 25% menos MIPS
(depende do código e dos PARMs)

⚠ Onde não muda quase nada

  • Código ruim continua ruim

  • Lógica desorganizada

  • SORT mal usado


🧪 Parâmetros de compilação

COBOL 3.xx (clássico seguro)

DATA(31) OPTIMIZE(2) TRUNC(BIN) ARITH(EXTEND) MAP LIST

COBOL 4.00 (modo adulto)

DATA(31) OPTIMIZE(2) TRUNC(BIN) ARCH(8) ARITH(EXTEND) MAP LIST

🥚 Fofoquinha:

ARCH(8) é onde começa a economia de MIPS sem reescrever código.


🧟 Abends e problemas comuns

TipoCOBOL 3.xxCOBOL 4.00
S0C7Muito comumMenos frequente
S0C4ClássicoIgual
S878Configuração LEConfiguração LE
Performance ruimCódigoCódigo 😈

💬 Spoiler:

Migrar para COBOL 4 não corrige lógica ruim.


🧠 Diagnóstico e debug

ItemCOBOL 3COBOL 4
LIST/MAPSimSim
Debug LEBásicoMelhor
FerramentasLimitadasMais integração
RastreamentoManualMais amigável

🖥️ Hardware indicado

VersãoMainframes típicos
COBOL 3z900, z990
COBOL 4z9, z10, z196

📌 COBOL 4 começa a explorar melhor o silício.


🧬 Curiosidades Bellacosa™

  • COBOL 4 foi ignorado por anos por medo de mudança

  • Quem migrou cedo economizou MIPS silenciosamente

  • Muitos shops pularam direto do 3 para o 5 (e sofreram)

🥚 Easter egg clássico:

COBOL 4 é o “melhor custo-benefício” da história do COBOL.


🧑‍🎓 Padawan: quando migrar?

Migre para COBOL 4 se:

✔ Está em 3.xx
✔ Quer reduzir MIPS
✔ Não quer risco alto
✔ Quer preparar o terreno

Não espere milagres se:

❌ Código é caótico
❌ JCL é desleixado
❌ LE é default


🧠 Resumo executivo (para levar ao chefe)

CritérioVencedor
EstabilidadeEmpate
PerformanceCOBOL 4
ModernizaçãoCOBOL 4
RiscoEmpate
Base para futuroCOBOL 4

🏁 Conclusão Bellacosa™

“COBOL 3 é confiável.
COBOL 4 é confiável e mais barato.”

 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

⚙️ IBM System z10 – A Nova Arquitetura do Poder Silencioso

 





⚙️ IBM System z10 – A Nova Arquitetura do Poder Silencioso

O mainframe que reinventou o desempenho e abriu caminho para a era híbrida.


🧭 Introdução Técnica

Em 2008, a IBM apresentou o System z10 Enterprise Class (z10 EC) — um salto monumental em relação ao System z9 (2005).
O z10 não foi apenas mais rápido; ele trouxe uma nova geração de processadores quad-core, suporte massivo a virtualização Linux, eficiência energética inédita e integração de cargas de trabalho mistas (CICS, DB2, Java e Linux on Z) num único frame.

Se o z9 consolidou a segurança, o z10 foi a revolução da performance e da flexibilidade.


🕰️ Ficha Técnica – IBM System z10

ItemDetalhe
Ano de Lançamento2008 (z10 EC) / 2009 (z10 BC)
Modelosz10 EC (Enterprise Class) e z10 BC (Business Class)
CPU4,4 GHz, quad-core, 65 nm CMOS, até 64 processadores físicos
ArquiteturaIBM z/Architecture (64 bits)
Sistema Operacionalz/OS 1.9 – 1.11
Memória Máxima1,5 TB (EC) / 512 GB (BC)
AntecessorSystem z9 (2005)
SucessorzEnterprise 196 (2010)

🔄 O que muda em relação ao System z9

  1. Processador Quad-Core: substitui os chips single-core do z9, multiplicando por quatro a capacidade de execução simultânea.

  2. Frequência de 4,4 GHz: praticamente o dobro da geração anterior — recorde mundial de clock para servidores na época.

  3. Eficiência Energética: desempenho 50 % maior com consumo 40 % menor por MIPS.

  4. Nova Microarquitetura: pipeline de 17 estágios, caches L1/L2/L3 ampliados e sistema de prefetch dinâmico.

  5. Virtualização Expandida: até 60 LPARs por máquina, suporte nativo a z/VM 5.3 e Linux on Z com multiprocessamento real.

  6. Criptografia e Segurança: co-processador CryptoExpress3 com suporte AES, SHA-2 e assinatura digital RSA nativa.

  7. I/O Renovado: suporte a InfiniBand Coupling Links, OSA-Express3 e 10 Gigabit Ethernet internos.


🧠 Curiosidades Bellacosa

  • Codinome interno: “Tango”, continuando a tradição dos nomes de animais e conceitos de força (T-Rex, Wolverine…).

  • O z10 foi o primeiro mainframe projetado com tecnologia CAD 3D completa, simulando airflow e vibração mecânica.

  • Capaz de rodar mais de 1 milhão de máquinas virtuais Linux em um único frame — o início do “data center dentro de um gabinete”.

  • Foi o primeiro mainframe a suportar Decimal Floating Point (DFP) por hardware, essencial para cálculos financeiros de alta precisão.

  • Seu design modular inspirou o zEnterprise 196, com racks esteticamente futuristas e resfriamento otimizado.


💾 Nota Técnica

  • Clock: 4,4 GHz (o mais rápido processador comercial de 2008).

  • Canais I/O: até 336 CHPIDs, InfiniBand e FICON Express 8.

  • Memória Cache: L1 – 64 KB, L2 – 3 MB, L3 – 24 MB compartilhado.

  • Criptografia: CryptoExpress3 (RSA 2048, AES-256, SHA-2).

  • Hypervisor: PR/SM com particionamento dinâmico (Dynamic IO Reconfiguration).

  • Firmware: Support Element e HMC redesenhados para interface gráfica.


💡 Dicas para Profissionais e Padawans

  1. Estude o z10 como marco de arquitetura: o modelo que introduziu a paralelização massiva e o multi-core real no mundo IBM Z.

  2. Domine o conceito de specialty processors: zAAP (Java), zIIP (DB2), IFL (Linux) — o tripé de otimização de custos e workloads.

  3. Observe a ponte tecnológica: o z10 é o elo entre o mainframe “tradicional” (z9) e o “híbrido” (z196).

  4. Curiosidade para aula: foi a primeira vez que o mainframe entrou no debate de green IT, com foco em eficiência energética e consolidação de datacenters.

  5. Dica prática: muitos ambientes corporativos ainda executam z10 em modo compatível — excelente laboratório para quem quer estudar z/OS 1.11 e migração para z/OS 2.x.


🧬 Origem e História

O System z10 EC foi lançado oficialmente em 26 de fevereiro de 2008, resultado de mais de 1,5 bilhão de dólares em pesquisa e desenvolvimento.
O projeto nasceu dos protótipos “z9 Next” e “z8 Cougar” e foi o primeiro mainframe desenvolvido sob a metodologia “Green Data Center” da IBM.

O modelo z10 BC, lançado em 2009, democratizou o acesso à plataforma Z para empresas médias, oferecendo a mesma arquitetura com menor capacidade — um sucesso comercial que ampliou a base de clientes do ecossistema IBM Z.


📜 Legado e Impacto

O System z10 consolidou quatro pilares que permanecem até hoje:

  • Multi-core massivo

  • Virtualização extensiva

  • Criptografia por hardware integrada

  • Eficiência energética corporativa

Dele nasceram os conceitos de nuvem privada, infraestrutura híbrida e IA embarcada, que floresceriam nas gerações z13 a z16.


Conclusão Bellacosa

O System z10 foi o mainframe que reinventou a própria IBM Z.
Mais rápido, mais eficiente, mais verde e mais preparado para o futuro digital.
Ele mostrou que o mainframe não é um vestígio do passado, mas uma engenharia viva e em evolução constante.

“O z10 foi o momento em que o mainframe deixou de ser apenas robusto — e passou a ser brilhante.”
Bellacosa Mainframe