terça-feira, 4 de novembro de 2014

Ossobuco a Milanesa

Ossubuco é excelente para fortalecer os ossos


As vezes queremos justificar uma gulodice arrumando explicação de que faz bem para a saúde.

Agora falando do ossobuco, este não tem para ninguém, junta o útil ao agradável, uma delicia de prato e altamente nutritivo para o corpo.

Para aqueles que não conhecem, ossobuco e a canela do boi, uma carne extremamente dura com um ossinho no meio cheia de tutano. Para prepara-lo é super simples, basta paciência e uma boa panela de pressão.



Ingredientes

ossobuco
cebola
alho
salsa
pimenta do reino
oregano
batata
cenoura
sal a gosto
açafrão
arroz tipo risoto italiano

Preparo

Cozinhe na panela de pressão o ossobuco e as especiarias todas com 2 litros de agua
Desligue a panela quando a carne estiver bem macia, soltando-se do osso e separe a carne do caldo.
Refogue o arroz com tempero a seu gosto, acrescente o açafrão e utilize o caldo do ossobuco para fazer o arroz.

Bom apetite

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Mary Hawes: a mulher que chamou a reunião que mudou a informática - Codasyl

 


💾 EL JEFE MIDNIGHT LUNCH — Bellacosa Mainframe Chronicles
“Mary Hawes: a mulher que chamou a reunião que mudou a informática”


Existem pessoas que escrevem código.
Existem pessoas que escrevem especificações.
E existem pessoas raríssimas que criam o contexto onde o futuro acontece.

Mary Hawes não ficou famosa como “a programadora do algoritmo X”.
Ela ficou eterna porque fez algo muito mais difícil:
👉 percebeu o problema antes de todo mundo
👉 juntou as pessoas certas
👉 e forçou a indústria a conversar

Se hoje existe COBOL, mainframe corporativo, sistemas que duram 40 anos, é porque Mary Hawes levantou a mão e disse: “isso não está funcionando”.

Vamos contar essa história como ela merece — com café forte, bastidor, fofoquice técnica e respeito histórico.



👩‍💼 Quem foi Mary Hawes (biografia rápida)

  • Nome completo: Mary Kenneth Hawes

  • Formação: Matemática

  • Atuação: Analista de sistemas, líder técnica, articuladora

  • Empresas-chave: Burroughs Corporation

  • Período crítico: final dos anos 1950 e início dos anos 1960

Mary Hawes não era “apenas” programadora.
Ela era o que hoje chamaríamos de arquiteta de sistemas, product owner e líder técnica — tudo ao mesmo tempo, décadas antes desses termos existirem.


🕰️ O problema que ela enxergou (e quase ninguém queria ver)

Final dos anos 50.
Cada fabricante tinha:

  • Seu próprio hardware

  • Sua própria linguagem

  • Seu próprio compilador

  • Seu próprio inferno de manutenção

Trocar de máquina significava:

  • Reescrever tudo

  • Treinar pessoas do zero

  • Jogar investimentos no lixo

🧠 Comentário Bellacosa:
Mary Hawes enxergou algo simples e assustador: isso não escala.

Enquanto a indústria brigava por market share, ela pensava em interoperabilidade — uma palavra que nem existia ainda.


📣 O ato revolucionário: convocar a reunião

Aqui entra o momento histórico.

Mary Hawes, trabalhando na Burroughs, escreve, liga, insiste e articula uma reunião entre:

  • Governo dos EUA

  • Forças Armadas

  • Grandes fabricantes (IBM, RCA, Univac, Burroughs, Honeywell…)

Ela basicamente disse:

“Precisamos de uma linguagem comum para sistemas de negócio.
Agora.
Juntos.”

Essa reunião virou o Short-Range Committee (1959).
E dessa mesa nasceu o COBOL.

🧠 Tradução livre:
Mary Hawes não “programou” o COBOL.
Ela tornou o COBOL inevitável.


💻 Contributo direto ao COBOL

Mary Hawes foi fundamental em vários aspectos:

🔹 Visão de linguagem de negócios

  • Linguagem legível

  • Próxima do inglês

  • Voltada a dados e processos empresariais

🔹 Defesa da independência de fornecedor

  • COBOL não seria da IBM

  • Nem da Burroughs

  • Nem da Univac

🥚 Easter egg histórico:
Convencer a IBM a aceitar isso foi quase um milagre diplomático.


🔹 Organização e liderança

Mary não era apenas “a ideia”.
Ela coordenava discussões, mediava egos gigantes e mantinha o foco no objetivo.

🧠 Fofoquice técnica:
Dizem que sem ela as reuniões viravam disputas acadêmicas intermináveis.
Com ela, viravam decisões.


🖥️ Mary Hawes e o nascimento do Mainframe corporativo

O mainframe como conhecemos hoje — plataforma estável, durável, corporativa — nasce da filosofia COBOL:

  • Separação entre dados e lógica

  • Programas legíveis e auditáveis

  • Longevidade acima de modismo

Tudo isso está diretamente ligado à visão de Mary Hawes.

🧠 Comentário Bellacosa Mainframe:
O mainframe não foi feito para ser bonito.
Foi feito para durar.
Mary Hawes pensava exatamente assim.


🧬 Principais trabalhos e contribuições

  • Idealizadora e articuladora do movimento que levou ao COBOL

  • Representante da Burroughs no comitê COBOL

  • Influência direta na definição de linguagens orientadas a negócio

  • Defensora precoce de padrões abertos

  • Uma das primeiras líderes femininas reais da computação corporativa

Ela não escreveu milhares de linhas de código.
Ela escreveu o manual invisível do software corporativo.


🧩 Curiosidades pouco faladas

  • Mary Hawes raramente aparece nos livros populares de história da computação

  • Seu papel foi por muito tempo “diluído” em comitês

  • Hoje, historiadores concordam: sem ela, COBOL provavelmente não existiria

  • Ela era conhecida por ser direta, objetiva e impaciente com vaidade técnica

🥚 Easter egg:
Ela defendia que código deveria ser lido por pessoas de negócio.
Décadas depois, isso ainda é um diferencial do COBOL.


👶 Conteúdo para Padawans do Mainframe

Se você está começando agora, aprenda isso com Mary Hawes:

  • Tecnologia sem visão vira sucata

  • Linguagem sem propósito vira brinquedo

  • Sistema que não dura não é sistema — é experimento

COBOL e mainframe sobreviveram porque foram pensados para o mundo real.


☕ O legado de Mary Hawes

Mary Hawes deixou algo raro:

  • Não um produto

  • Não uma patente

  • Não uma startup

Ela deixou um ecossistema inteiro funcionando por mais de 60 anos.

Cada batch que fecha banco.
Cada transação CICS que autoriza pagamento.
Cada salário que cai certo no fim do mês.

Tudo isso carrega um pouco da decisão que ela tomou em 1959.


🧠 Reflexão final do El Jefe

“Algumas pessoas escrevem código.
Outras escrevem o futuro.
Mary Hawes fez os dois — sem pedir crédito.”

Se hoje o COBOL ainda vive,
se o mainframe ainda reina silencioso,
é porque alguém, lá atrás, teve coragem de parar a indústria e dizer:

“Precisamos fazer isso direito.”


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Iniciação ao REXX – Quando o Mainframe Te Apresenta um Novo Amigo

 


Iniciação ao REXX – Quando o Mainframe Te Apresenta um Novo Amigo

“REXX não é moda. REXX é sobrevivência.”

Quem trabalha com z/OS, z/VM ou IBM Z cedo ou tarde chega a essa constatação:
não importa quantos produtos enterprise você tenha, sempre haverá aquele momento em que o problema é pequeno demais para COBOL, complexo demais para JCL e burocrático demais para justificar uma nova ferramenta.

É exatamente nesse espaço — invisível para muitos — que mora o REXX.

Subestimado, silencioso, quase sempre ignorado… até o dia em que você descobre que ele resolve 80% das dores do dia a dia com meia dúzia de linhas.

Este post é um convite:
👉 conhecer o REXX não como linguagem, mas como companheiro de trincheira no mainframe.



📜 Um pouco de história (porque nada no mainframe surge do nada)

O REXX (Restructured Extended Executor) nasceu em 1979, dentro da IBM, criado por Mike Cowlishaw.
A motivação era simples e genial:

Criar uma linguagem fácil de ler, difícil de quebrar e totalmente integrada ao sistema.

Enquanto o mundo brigava com sintaxe pesada, pontuação excessiva e códigos ilegíveis, o REXX nasceu com uma ideia revolucionária para a época:

  • tudo é string

  • tipagem dinâmica

  • sintaxe próxima do inglês

  • tolerância a erro humano

📌 Curiosidade:
REXX é mais antigo que Perl, Python e Ruby — e já fazia muita coisa que elas só popularizaram décadas depois.


🧠 REXX não vive sozinho: ambientes de processamento e comando

Aqui está o primeiro choque para quem vem de linguagens “tradicionais”:

👉 REXX não existe fora de um ambiente.

Antes de escrever código, você precisa entender onde ele roda e com quem ele conversa.

Ambientes de Processamento

  • TSO/E

  • ISPF

  • Batch TSO

  • Batch não-TSO

  • z/VM (CMS / CP)

O mesmo EXEC pode se comportar de forma totalmente diferente dependendo do ambiente.

📌 Easter egg de sobrevivência:

Se você não sabe em que ambiente está, o erro não é do REXX — é seu.


Ambientes de Comandos

REXX não executa comandos diretamente.
Ele endereça comandos a um ambiente específico.

address tso "listcat level('USER01')" address ispexec "display panel(MYPANEL)"

Isso explica por que REXX é tão poderoso:
ele fala a língua do sistema.


🧱 Fundamentos do REXX – Simples, mas não simplório

Filosofia da linguagem

  • Tudo é string

  • Conversão automática quando necessário

  • Pouca pontuação

  • Código legível

  • Menos regras, mais resultado

say 'Hello, Mainframe!'

Sem ponto e vírgula.
Sem BEGIN obrigatório.
Sem cerimônia.

📌 Curiosidade perigosa:
Variáveis não inicializadas não geram erro.
Elas retornam o próprio nome.
Ótimo para debug… péssimo se você não souber 😄


Entrada, saída e lógica

  • SAY → saída

  • PULL → entrada (stack)

  • IF / THEN / ELSE

  • DO / END

  • EXIT

Aqui o REXX começa a mostrar sua vocação: automatizar decisões, não apenas executar código.


🖥️ REXX e o Ambiente TSO – Onde a mágica começa

Com REXX você:

  • aloca datasets

  • consulta catálogos

  • automatiza comandos

  • elimina JCL desnecessário

address tso "allocate fi(arq1) da('user.test.ps') shr" address tso "listalc"

📌 Comentário Bellacosa:
REXX + TSO = menos JCL, menos erro, menos dor de cabeça.


📦 CLISTs x EXECs – O passado e o presente

CLIST fez história.
Mas o REXX fez melhor.

  • EXECs são mais poderosos

  • Mais legíveis

  • Mais fáceis de manter

  • Melhor integração

Entender a sequência de busca (SYSEXEC, SYSPROC…) é obrigatório.

📌 Easter egg clássico:
“EXEC não encontrado” quase sempre é DD errado, não código errado.


🔁 Programação REXX – Onde o iniciante vira sysprog

Aqui o REXX mostra que não é brinquedo:

  • Funções e subrotinas

  • Escopo de variáveis

  • DO composto

  • ITERATE e LEAVE

  • SELECT (case statement elegante)

  • SIGNAL e SIGNAL VALUE

  • INTERPRET (meta-programação!)

cmd = "say 'REXX é poderoso'" interpret cmd

📌 Comentário raiz:
INTERPRET é um sabre de luz.
Poderoso… mas não entregue para qualquer padawan.


🌳 Variáveis, Strings e o poder do PARSE

Stems – arrays antes dos arrays

nome.1 = 'Ana' nome.2 = 'João' nome.0 = 2

PARSE – o superpoder escondido

parse var linha campo1 ',' campo2

📌 Curiosidade:
PARSE elimina dezenas de IFs, SUBSTRs e gambiarras.


📂 EXECIO – O mini DFSORT do dia a dia

"EXECIO * DISKR ARQ1 (STEM LIN.)"

Com EXECIO você:

  • lê arquivos

  • grava datasets

  • processa linhas

  • automatiza relatórios

Tudo sem sair do REXX.


🧪 Depuração – Porque errar faz parte

REXX não te abandona quando algo dá errado:

  • TRACE

  • RC

  • SIGL

  • SOURCELINE

  • CONDITION

📌 Curiosidade histórica:
Debug nativo em REXX era luxo quando muitas linguagens nem sonhavam com isso.


⚙️ Batch, endereços e ambientes avançados

REXX roda:

  • em batch TSO

  • fora do TSO

  • em múltiplos ambientes de comando

say address()

📌 Comentário Bellacosa:

Antes de perguntar “por que falhou”, pergunte “onde estou rodando”.


🚀 Compilador REXX – Performance e proteção

Sim, REXX pode ser compilado:

  • melhora performance

  • protege código

  • usado em ambientes críticos

Mesmo compilado, ele não perde sua alma dinâmica.


☕ Conclusão – Por que REXX vira amigo

REXX não tenta competir com COBOL.
Não substitui Assembler.
Não briga com produtos enterprise.

Ele faz algo muito mais valioso:

👉 resolve problemas reais com o que já existe no sistema.

Quem domina REXX:

  • automatiza mais

  • depende menos

  • entende melhor o ambiente

  • sobrevive melhor no data center

No mainframe, o melhor amigo
não é o software mais caro…
é o que resolve às 3 da manhã.

Bem-vindo ao REXX.
Ele sempre esteve aí. ☕🖥️


sábado, 11 de outubro de 2014

🧹 A Dança da Vassoura

 



🧹 A Dança da Vassoura

Regras oficiais, caos controlado e diversão garantida

Se você nunca ouviu falar da dança da vassoura, sente-se, jovem padawan: isso aqui era engenharia social aplicada ao bailinho escolar.

A dança da vassoura não era castigo. Muito pelo contrário.
Ela era o modo bônus, o feature escondido do sistema.

🔹 O setup (ambiente de produção)

  • Bailinho rolando

  • Música lenta ou animada (não importa)

  • Vários pares dançando

  • Um rapaz sem par

  • Uma vassoura emprestada da tia da limpeza (recurso compartilhado)

Esse rapaz passa a dançar com a vassoura.
Mas atenção: isso não é humilhação.
É poder absoluto temporário.



🔹 A Regra de Ouro

O rapaz que dança com a vassoura ganha um super bônus:

👉 Ele pode escolher qualquer par que esteja dançando
👉 Tocar no ombro da garota
👉 Substituí-la pela vassoura

A garota passa a dançar com ele
E o rapaz “desalojado” assume a vassoura.

Swap de processos em tempo real.




🔹 Restrições importantes (porque até diversão tem governança)

  • ❌ Não pode voltar ao mesmo par imediatamente

  • ❌ Não pode recusar o convite (“não” não existe no protocolo)

  • ✅ Tem que ir atrapalhar outro par

  • ✅ O objetivo é movimentar todo mundo

Ou seja:
ninguém fica parado,
ninguém fica excluído,
todo mundo dança com todo mundo.




🔹 A dinâmica real (ou: caos elegante)

Enquanto a música toca:

  • pares se desfazem

  • novos pares se formam

  • risadas explodem

  • a sala vira um sysplex emocional

  • a vassoura circula como token de controle

É democracia dançante.
É inclusão forçada com sorriso no rosto.
É zoação sem crueldade.


🔹 Por que isso funcionava tão bem?

Porque:

  • Quebrava a timidez

  • Evitava panelinhas

  • Misturava a turma inteira

  • Criava histórias que duram décadas

Era impossível ficar invisível.
Em algum momento, todo mundo dançava.


🔹 Easter egg social dos anos 80

  • Quem “amarelava” virava lenda

  • Quem segurava a vassoura com estilo virava herói

  • Casal que se conheceu na dança da vassoura?
    História registrada em memória não volátil


🔹 Versão Bellacosa Mainframe (tradução técnica)

  • Música = job em execução

  • Vassoura = controle de concorrência

  • Par = sessão ativa

  • Troca = context switch

  • Zoação = logging habilitado

  • Diversão = SLA cumprido com sucesso


No fim das contas, a dança da vassoura era isso:
uma forma simples, genial e inocente de dançar, zoar, misturar e aproximar.

Sem aplicativo.
Sem algoritmo.
Sem like.

Só gente, música, risada…
e uma vassoura rodando em produção.

🧹💃🕺

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

🎄 Taubaté e o final boss Bailinhos, amigo secreto e luz meia-boca

 


🎄 Taubaté e o final boss: Bailinhos, amigo secreto e luz meia-boca

Memórias doces das escolas de Taubaté

Esta é, sem dúvida, uma das lembranças mais doces que carrego de Taubaté. Um conjunto de eventos simples, mas carregados de significado, vividos entre 1983 e 1984 no Quiririm e depois em 1985 e 1986 no Parque Sabará, nas escolas Deputado Cesar Costa e Amador Bueno da Veiga.

Naquele tempo, existia um ritual sagrado de fim de ano. Cada sala, de forma quase autônoma — algo bem stand-alone, sem centralização — escolhia um dia para fazer sua festinha de confraternização. Tinha de tudo: amigo secreto, comes e bebes, musiquinha, risadas e aquele clima de “missão cumprida” por mais um ano letivo finalizado sem abend.





Lembro com carinho da primeira caneta “de adulto” que ganhei da Adriana, ainda na quarta série. Para muitos era só uma caneta. Para mim, era quase um upgrade de sistema operacional, um sinal claro de que eu estava subindo de versão.

Os comes e bebes tinham sua própria organização social:
rapazes levavam bebidas, meninas traziam quitutes.
Quando dava, fazíamos uma vaquinha — crowdfunding analógico raiz — para melhorar o cardápio. E, claro, sempre surgia alguém com aquele toca-fitas parrudo estilo boombox, com dois alto-falantes, orgulho tecnológico da época, pronto para animar o bailinho.



No quinto ano, ganhei uma das minhas melhores memórias: a Gisele me ensinando a dançar música lenta. Dois passinhos para lá, um prá cá, corpos colados, mão na cintura e no ombro. Gisele, Gisele, danadinha. Nada de exageros. O som tinha que ficar baixo, porque outras salas ainda estavam em aula. Mesmo assim, era mágico.

Chegávamos mais cedo para preparar a sala:
arrastar cadeiras, empurrar mesas, criar um salão improvisado.
Fechávamos as cortinas para dar aquele escurinho estratégico e íamos ao painel de luzes desligar metade das lâmpadas. Um dimmer manual, na raça.

A professora coordenadora ficava ali, presente, fiscalizando — nosso RACF humano, garantindo que nada saísse do controle. E não saía. Era tudo muito saudável:
o bailinho,
o baile da vassoura,
as risadas,
a confraternização.



Claro que os outros professores apareciam para dar um alozinho, era um dia que as barreiras se quebravam, não existiam professores e alunos, apenas colegas de viagem, que terminaram com sucesso mais uma jornada. O Ômega escolar, vencer o chefe final e avançar para o nível seguinte.

Era a alegria pura de terminar mais um ano, passar de série, estreitar laços, criar histórias. Coisa simples. Coisa de interior nos anos 1980. Mas que rendia causos infinitos:
casalzinhos se formando,
paqueras evoluindo,
a chance de dançar com a mais gata da turma,
a zoação dos que amarelaram na hora H.

Troca de presentes, música baixa, luz meia-boca, coração acelerado.
Nada sofisticado. Nada artificial. Tudo real.



Hoje, muitos nomes se perderam na memória. Mas naquela época, cada colega era parte ativa do meu mundo. E lembrar desses momentos ainda anima o coração, como um job antigo que, quando relido, continua funcionando perfeitamente — sem precisar de manutenção.

Bons tempos. Tempos doces. Tempos que não dão rollback, mas deixam logs eternos na alma.


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Conheça as regras da dança da vassoura:

Momentos divertidos em bailinhos fosse na escola, fosse festas na garagem, onde houvesse um baile e uma pessoa espirituosa com uma vassoura disponivel


Regras da Dança da Vassoura

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2014/10/danca-da-vassoura.html


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

🔥 PARTE 2 — LANCHES & STREET FOOD OTAKU

 


🔥 PARTE 2 — LANCHES & STREET FOOD OTAKU

(Versão Bellacosa Mainframe: snackado, cacheado e com zero ABEND… a não ser que você coma demais.)

Se no Mainframe a rua é o SPOOL e a galera se encontra na fila do JOB, no Japão a rua é o templo sagrado dos lanches rápidos. São comidas portáteis, simples, baratas e com o poder misterioso de aparecer na hora certa no anime — geralmente quando o herói está com fome, fugindo de um monstro ou simplesmente vivendo a vida.

Vamos aos 10 primeiros lanches forjados no fogo da cultura otaku:


1. Onigiri – O checkpoint alimentar do Japão

🍙 O Triângulo Sagrado do Arroz

Origem: Século XI, usado por samurais como comida portátil.
Ingredientes: Arroz japonês, sal, recheios variados (salmão, umeboshi, atum com maionese).
Por que aparece tanto? Porque é o “IF THEN ELSE” do herói pobre: funciona sempre.
Animes: Naruto, K-On!, Sailor Moon, Jujutsu Kaisen.
Easter Egg: Em animes antigos no Ocidente, onigiri virou “bolinho de arroz” ou… “donut” (Pokémon, sim, eu olho pra vocês).


2. Takoyaki – O commit perfeito no mundo real

🐙 Bolinho de polvo, quente e mortal (para a língua)

Origem: Osaka, anos 1930.
Ingredientes: Massa, gengibre, cebolinha, pedaços de polvo, molho especial e katsuobushi dançando.
Por que aparece? É perfeito para cenas de festival escolar.
Animes: My Hero Academia, Clannad, Kanon, Noragami.
Comentário Bellacosa: Você sabe que é bom quando o vapor sobe igual fumaça de Job Cancelado e ainda assim você come.


3. Taiyaki – O peixinho lendário do XP nostálgico

🐟 O Save State dos doces de rua

Origem: 1909, Tóquio.
Ingredientes: Massa de panqueca e recheios (anko, creme, chocolate).
Símbolo: Sorte, abundância e aquele buff de +50 alegria.
Animes: Kanon, One Piece, Gintama.
Easter Egg: Em alguns animes, o personagem azarado sempre perde o taiyaki para um corvo.


4. Korokke – O crocante OTIMIZADO

🥔 O bolinho frito “nivelado” no JES2

Origem: Adaptação japonesa do croquete europeu (Era Meiji).
Ingredientes: Batata amassada, carne ou legumes, empanado e frito.
Por que aparece? Porque é barato e vendido em qualquer combini.
Animes: Haikyuu!!, Shin Chan, Bleach.
Curiosidade: No Japão, as avós têm orgulho do “som do croc” perfeito. É quase uma SMF do som.


5. Yakisoba – O deploy mais rápido da feira escolar

🍜 Macarrão de rua com alto throughput

Origem: Pós-guerra, inspirado no chow mein chinês.
Ingredientes: Macarrão especial, legumes, porco e molho yakisoba.
Cena clássica: Festival escolar → protagonista vira vendedor de yakisoba suado.
Animes: Great Teacher Onizuka, Food Wars, ReLIFE.


6. Karaage – O “fried chicken” que passou por tuning japonês

🍗 Frango frito otaku-level

Origem: Kyushu, século XX.
Ingredientes: Frango temperado com shoyu, gengibre, alho, empanado e frito.
Por que aparece tanto? Porque personagens comem com a mão, fazendo “humf humf” que ativa nosso gatilho da fome.
Animes: Demon Slayer, Chainsaw Man, Rent-a-Girlfriend.
Easter Egg: Gohan, de Dragon Ball, é praticamente movido a karaage.


7. Nikuman – O “pãozinho doce de vapor” que salva vidas

🥟 O checkpoint de calor no inverno japonês

Origem: China → Japão; século XIX.
Ingredientes: Massa macia + recheio de carne suculenta.
Quando aparece: Dia frio → protagonista comendo nikuman na rua.
Animes: Tokyo Revengers, Bleach, Doraemon.
Comentário: No Japão, sai da máquina automática quente. No Brasil, só sonho mesmo.


8. Imagawayaki (ou Obanyaki) – Versão circular do Taiyaki

🍪 O disco rígido da felicidade

Origem: Período Edo.
Ingredientes: Anko, creme, chocolate dentro de discos fofinhos.
Animes: Kanon, Fate stay/night, Shokugeki no Soma.
Curiosidade: A imprensa ocidental confunde com panqueca, mas é muito melhor.


9. Yaki Onigiri – Onigiri versão hard-mode

🔥 Arroz grelhado + shoyu = sua língua implodindo

Origem: Tempo dos samurais.
Ingredientes: Onigiri + shoyu tostado.
Animes: Non Non Biyori, Silver Spoon, Yuru Camp.
Comentário: Esse é o “modo difícil” do onigiri…
… mas o gosto é tão bom que vale o abend.


10. Pan de Melon (Melonpan) – O “cookie-pão” mais amado dos animes

🍈 O carb-load universal do mundo otaku

Origem: Mistura de influências europeias + criatividade japonesa.
Ingredientes: Pão doce com casquinha crocante.
Animes: Shakugan no Shana, Attack on Titan, Sword Art Online.
Easter Egg: A Shana é praticamente o “daemon patrocinado pelo Melonpan”.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

📼 Episódio Especial: “Os Caçadores de Içá — Parte 2: A Primavera dos Onis”

 


🌙🍱 El Jefe Midnight Lunch — Crônicas de um Bellacosa Mainframe 🍱🌙
📼 Episódio Especial: “Os Caçadores de Içá — Parte 2: A Primavera dos Onis”
por Vagner Bellacosa – direto do dataset das memórias de 1983


Se você leu a Parte 1, já sabe que minha introdução ao universo gastronômico do interior — as lendárias tanajuras — aconteceu em Novo Horizonte. Mas, quando nos mudamos pro CECAP de Taubaté, descobri que a cultura formigueira não tinha CEP. Ali também apreciavam a famosa içá, a tal formiga bunduda que deixava qualquer oni de olho brilhando e barriga roncando.

Estamos em outubro de 1983.
Passado o tempo de Cosme e Damião, comemorado em 27 de Setembro, quando a garotada fazia o looping completo pelas quadras do CECAP atrás de doces, muito antes da moda do Halloween chegar ao Brasil. Mas outubro tinha outro evento ainda mais aguardado — e este, sim, fazia o coração dos pequenos caçadores acelerar como CICS em pico de transação:

🌧️ A Primeira Grande Chuva da Primavera

Quando a chuva caía forte pela primeira vez, não era só sinal de estação nova.
Era o trigger oficial, o SVC 13, o chamado ancestral.

Era o início da Revoada das Rainhas, quando as içás aladas deixavam os ninhos para criar novas colônias. E, meu amigo… quando isso acontecia… era festa pura... momentos emocionantes, ferroadas e cicatrizes para contar historia.



Dezenas de pequenos onis se espalhavam pelo CECAP numa verdadeira operação de guerra, em busca dos enormes formigueiros de salvas.

Era Black Friday do mato.



Acreditem em mim, esses formigueiros eram enormes com dezenas de câmaras, atingindo uns 5 metros de profundidade e um raio de 10 metros de circunferência com inúmeros tuneis de saída, por onde voavam as saúvas, os sabitus e saiam enormes guerreiros com ferrões monstruosos.





🪖 A Batalha dos Formigueiros

Não pense que era fácil, não.
Os formigueiros tinham defesa anti-invasão digna de mainframe militar.

De dentro dos buracos saíam centenas de milhares de soldados, mordendo tudo o que se movia — inclusive nós. E olha, vou te dizer…

A mordida daquelas formigas era um corte profundo, ardido, que fazia qualquer criança repensar suas escolhas. Mas os onis eram resilientes, adaptáveis, como programadores de JCL lidando com abends misteriosos.



🔧 As Técnicas dos Caçadores

Cada oni tinha seu framework pessoal:



  • Bacias de água para coletar as içás boiando;

  • Dois baldes — um para as aladas, outro para as que perdiam as asas, brincadeira alguns artista ficavam com um pé em cada balde;

  • Botas de borracha (só os ricos do CECAP tinham);

  • E eu?

Eu era mais criativo.



Eu reciclava e vestia sacos plásticos de 5 kg de arroz nos pés.
Aqueles sacos eram grossos, fortes e anti-formiga, quase um RACF PERMIT CLASS(FORMIGA) ACCESS(NONE) para proteger meus tornozelos.

Com os pés devidamente blindados, eu me sentia um cavaleiro medieval enfrentando um exército inimigo — só que o prêmio, eram formigas, não castelos.



Quando as formigas venciam, levávamos mordidas extramente dolorosas, pois fechavam a pinça na carne, profundamente e rápido. A única maneira de parar era arrancando a cabeça e pedacinhos de carne junto, saindo bastante sangue, que deixava as formigas mais loucas ainda.




🏆 A Colheita

Depois de horas de caça, mordidas, correria e gritos, vinha a recompensa.

Às vezes 500g.
Com sorte, 1 kg de tanajura.



Era ouro entomológico.

Mas aí vinha a parte realmente difícil: nenhuma mãe no CECAP — e eu repito, NENHUMA — queria a casa cheirando a formiga frita.

Não dava pra usar o fogão.
Era proibido.
Era ABEND S0C7 na hora.



🔥 A Gambi-Tecnologia do Oni

Eu, como bom engenheiro de soluções improvisadas (treino que mais tarde me levaria ao mundo do mainframe), resolvia assim:

  1. Pegava uma lata de leite grande (Ninho, claro — sempre ele).

  2. Montava uma fogueira no campinho atrás dos prédios.

  3. Fazia ali mesmo a fritura ritualística.

Problema resolvido.
Casa sem cheiro.
Barriga feliz.
Oni orgulhoso.




🍛 O Caviar Tupiniquim

Um professor de ciências dizia:

“A tanajura é o caviar brasileiro.”

E não é que era mesmo?

Crocante, gordurosa na medida, um sabor que até hoje volta na memória com aquele cheiro de terra molhada da primavera de 83.

A infância salgada, doce e crocante, tudo ao mesmo tempo.

PS: Curioso hoje ver a polémica gerada por alguns grupos do consumo de proteína oriunda de insetos, realmente esses meninos e meninas, que nasceram em apartamento sabem pouco sobre as aventuras do interior de antigamente.