As estrada cheia de curvas
SP 360 no trecho que liga Itatiba a Morunga, recentemente teve o asfalto recapeado, alguns trechos duplicados, nova sinalização, mas com curvas fantásticas e paisagem de sonho. Uma delicia trafegar por aqui.
✨ Bem-vindo ao meu espaço! ✨ Este blog é o diário de um otaku apaixonado por animes, tecnologia de mainframe e viagens. Cada entrada é uma mistura única: relatos de viagem com fotos, filmes, links, artigos e desenhos, sempre buscando enriquecer a experiência de quem lê. Sou quase um turista profissional: adoro dormir em uma cama diferente, acordar em um lugar novo e registrar tudo com minha câmera sempre à mão. Entre uma viagem e outra, compartilho também reflexões sobre cultura otaku/animes
A Arqueologia do Caos Infantil:
Um Relato Bellacosa Mainframe Para o Século XXII
No século XXII, quando drones-escavadores, IA paleo-doméstica e arqueólogos com exoesqueleto vasculharem as antigas coordenadas da Rua Ultrecht, eles não farão ideia do que estão prestes a encontrar. Nos relatórios oficiais aparecerá algo como:
“Estrato C-22B — Depósito Ritualístico Lúdico.
Artefatos plásticos mutilados, rodas soltas, cabeças de bonecas e fragmentos de carrinhos.”
Eles vão achar que era algum tipo de culto.
E não estarão tão errados assim.
Mas, antes da escavação, antes do carbono-14 aplicado numa Barbie sem cabeça, antes da perplexidade dos doutores tentando entender por que diabos havia braços de Falcon misturados com rodas de rolimã, existe o contexto.
E o contexto é a sagrada liturgia dominical da Rua Ultrecht.
Domingo, sol na cara, pouca verba e muita felicidade.
Minha mãe puxando a velha máquina de macarrão caseiro — aquela de ferro, presa na quina da mesa — e preparando a massa como quem prepara o destino da semana. A missão era clara:
Comprar tomates extra maduros (quase virando geleia, perfeitos pro molho).
Comer pastel de feira (mordida com crocância e queimadura de óleo na língua).
Beber caldo de cana (com ou sem limão, dependendo da coragem).
Comprar um brinquedo vagabundo (que quebrava no caminho de volta, mas tudo bem).
E assim começava o ritual.
Um dia, somando:
os carrinhos baratos da feira,
os presentes usados que ganhávamos de famílias vizinhas,
e nossa capacidade natural de destruir tudo em 48 horas…
…minha casa virou um pronto-socorro de brinquedos.
Carrinhos sem rodas.
Bonecas sem cabeça.
Falcons amputados.
Transformers que só “formavam” meia transformação.
Robôs que só acendiam um olho.
Armas de ray-gun enferrujadas que atiravam com imaginação.
Um caos doméstico organizado, um data center de sucatas infantis, um JES2 de brinquedos esperando encaminhamento.
Até que um dia…
Quando minha mãe entrava no Modo Faxina Hardcore, nem o CICS segurava o commit.
A ordem era simples:
“TUDO QUEBRADO VAI EMBORA.”
Minha irmã e eu acionamos o protocolo padrão de emergência:
crianças chorando,
apelos emocionais,
negociação digna de diplomacia intergaláctica,
tentativas desesperadas de esconder itens,
gritos silenciosos do tipo ‘não, esse não, pelo amor de Deus!’.
Nada funcionou.
Mãe é igual mainframe rodando system finalization:
quando ela decide, é GO.
E então veio a parte mítica da história.
Ao lado da casa havia um antigo poço de água, profundo, escuro, desativado, quase um buraco dimensional.
Minha mãe, com a serenidade de quem faz o que precisa ser feito, decretou:
“Vai tudo pra dentro.”
E ali, naquele precipício ancestral, o saco gigantesco de brinquedos —
nosso tesouro, nossa bagunça, nossa infância quebrada —
desceu para o abismo, como oferenda a alguma entidade subterrânea desconhecida.
Choramos.
Suplicamos.
Lutamos.
E perdemos.
Agora imagine…
Duzentos anos depois.
Tecnólogos-paleo-infantis encontram o poço.
O drone desce com sua câmera, ilumina o fundo e registra:
“Objeto humanoide decapitado (boneca).
Artefato metálico com rodas ausentes (carro).
Conglomerado plástico derretido (origem desconhecida).
Fragmentos de braço articulado (boneco de ação).”
Os arqueólogos concluem:
“Provavelmente um ritual de sacrifício infantil ligado a práticas domésticas do início do século XXI.”
E estarão quase certos.
Porque aquele poço não era só um depósito.
Era o cemitério oficial da infância barulhenta da Rua Ultrecht, gerenciado por uma mãe que sabia muito bem que:
toda casa tem seu limite.
E todo mainframe precisa de limpeza de spool.
(na curadoria totalmente enviesada, porém impecável, do Bellacosa Mainframe)
Um anão perdido, três tonéis de hidromel e um item que você nunca deveria ter confiado.
Por que é icônica: começa como festa → vira investigação → termina em caos mágico.
Uma IA com crise existencial pede sua ajuda.
Por que é boa: filosofia + tiroteio + neon = diversão reflexiva.
Caçar caveiras numeradas sempre dá ruim.
Easter egg: a caveira 13 aparece antes da 12, porque Guybrush é Guybrush.
Um boss vindo de outro universo, no meio de um mundo fofinho.
Easter egg: trilha remix de Final Fantasy.
Você precisa não matar a pessoa errada.
Por que marcou: tensão e humor negro.
Uma pintura que te suga pra dentro.
Curiosidade: toda a lore é uma side quest gigante.
A caça ao monstro mais poderoso fora da história principal.
Por que vale: a luta é opcional, mas sua honra não é.
Um fantasma de amor proibido em um cassino amaldiçoado.
Porque dói: poucas side quests entregam tragédia tão bem.
Caçar diagramas escondidos como se fossem cartinhas de Pokémon medievais.
Dica: o melhor set leve do jogo.
Uma cadeia infinita de trocas.
Por que é amada: hard work → recompensa gigante.
Sim, há uma side quest envolvendo socar perus digitais.
Easter egg: aumenta seu score… e seu tédio.
As origens do modo vida em GTA.
Curiosidade: criaram um mini-jogo dentro de um jogo.
Majima pode surgir de qualquer lugar.
Por que é lendário: nada supera tomar susto de um cara saindo de um bueiro.
Você bebe → acorda em outro lugar → precisa desfazer seus pecados etílicos.
Épico: Skyrim virou Se Beber, Não Case.
Uma disputa trabalhista que você resolve ou piora.
Por que vale: crítica social afiada e escolhas difíceis.
A OG dos easter eggs virais.
Curiosidade: nasceu de uma zoeira da comunidade.
Uma side quest com nível de expansão inteira.
Por que é obra-prima: personagens, escolhas e finais múltiplos.
Um encontro… improvisado… com um esqueleto ansioso.
Easter egg: você pode “namorar” o Sans também. Te vira.
Consertar máquinas de venda que gritam com você.
Motivo: virou meme eterno: “WELCOME TO THE CIRCUS OF VALUE!”
A melhor side quest da história. Ponto.
Um conto de redenção, dor, brutalidade e escolhas impossíveis.
Por que é número 1:
Porque é mais forte emocionalmente do que 90% das histórias principais de qualquer jogo já feito.
A arte nobre de se distrair com propósito
Se a main quest é o JOB principal rodando no JES2, a side quest é aquele JOB opcional, mas que libera um dataset cheio de recompensas inesperadas.
É o que o universo gamer usa para dizer:
“Ei, já que você está salvando o mundo…
que tal ajudar uma velhinha a recuperar o gato ninja dela?”
Você pode ignorar — mas sempre fica aquela coceirinha.
NPCs ganham histórias, cidades ganham vida, tradições ganham explicações.
Armas bizarras, pets inúteis porém estilosos, roupas que brilham mais que RECOVERED EXTENTS do VSAM.
Zero impacto na história principal…
Mas 200% de felicidade quando você completa.
Matador de dragões nível 99? Sim.
Salvando o reino? Lógico.
Parando tudo para entregar pão para 6 aldeões?
ABSOLUTAMENTE SIM.
(Porque dá +3 de afinidade com a donzela que gosta de colecionar insetos raros.)
Motivos nobres (e outros nem tanto):
Cria vida, profundidade e humor.
Te joga para cantos ocultos, dungeons secretas, lore escondido.
Game designers usam side quests como laboratório de ideias — tipo um APF do universo gamer.
Sempre tem a missão bizarra que quebra o clima tenso:
capturar galinhas suicidas
investigar fantasmas que são só adolescentes entediados
ajudar uma ovelha arco-íris que perdeu o brilho (sim, essa existe)
A origem do termo vem dos RPGs de mesa dos anos 1970, especialmente Dungeons & Dragons.
O mestre dizia:
“That’s a side quest, you don’t have to do it.”
E pronto — virou padrão da indústria.
Porque elas:
expandem universos
rendem memes
criam mascotes icônicos (alô, Rainbow Sheep 🌈🐑)
dão sentido à vida de NPCs inúteis
e sempre rendem um episódio filler bonitinho porém irrelevante