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quarta-feira, 26 de maio de 2021

ABEND sem Mistérios — Parte III

 

Bellacosa Mainframe em abend sem misterio parte III

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ABEND sem Mistérios — Parte III

Como Pensam os Especialistas em Mainframe: Engenharia de Diagnóstico, Dumps, IPCS e a Arte de Encontrar a Causa Raiz

"Um bom programador corrige um ABEND. Um grande engenheiro descobre por que ele nunca deveria ter acontecido."


Introdução

Até aqui, aprendemos duas grandes lições.

Na Parte 1 entendemos:

  • o que é um ABEND;

  • como ele nasce;

  • quais são os principais códigos encontrados no dia a dia.

Na Parte 2 aprendemos:

  • como investigar;

  • quais mensagens analisar;

  • como utilizar JESMSGLG, JESYSMSG, CEEDUMP e SYSOUT.

Agora chegamos ao terceiro nível.

Aqui deixamos de ser apenas programadores COBOL.

Passamos a pensar como verdadeiros engenheiros de software para IBM Z.

É exatamente essa mudança de mentalidade que diferencia um desenvolvedor comum de um profissional extremamente valorizado pelos grandes bancos.


O maior erro durante uma investigação

Imagine que um programa termina com:

S0C7

O iniciante pensa:

"Preciso corrigir este S0C7."

O profissional pensa diferente.

"O S0C7 é apenas consequência.
O que gerou os dados inválidos?"

Essa diferença muda completamente a investigação.


O conceito de Causa Raiz

Todo problema possui duas causas.

Sintoma

É aquilo que aparece.

S0C4

S0C7

ASRA

U4038

Causa

É o verdadeiro problema.

Exemplo:

Arquivo recebido com dados inválidos

↓

Campo não validado

↓

ADD

↓

S0C7

O ABEND não começou no ADD.

Começou quando alguém permitiu que dados incorretos chegassem até ali.


O pensamento em camadas

Especialistas enxergam uma aplicação como diversas camadas.

Usuário

↓

Tela

↓

CICS

↓

Programa COBOL

↓

COPYBOOK

↓

Db2

↓

VSAM

↓

MQ

↓

JCL

↓

z/OS

O erro pode nascer em qualquer uma delas.


O princípio dos "Cinco Porquês"

Uma técnica extremamente utilizada em engenharia é o 5 Whys, criado dentro do Sistema Toyota de Produção.

Exemplo.

Programa terminou em S0C7.

Por quê?

Porque tentou somar caracteres.

Por quê?

Porque recebeu "ABCDE".

Por quê?

Porque o arquivo veio corrompido.

Por quê?

Porque o sistema fornecedor alterou o layout.

Por quê?

Porque não existia contrato de interface.

Agora encontramos a verdadeira causa.


O ABC da investigação

Todo incidente pode ser dividido em três perguntas.

A

O que aconteceu?

ABEND S0C4

B

Onde aconteceu?

Programa

Parágrafo

Offset

C

Por que aconteceu?

Essa é a parte difícil.


O conceito de Timeline

Um erro nunca aparece instantaneamente.

Existe uma sequência.

08:00

Arquivo recebido

↓

08:03

Programa inicia

↓

08:05

Registro inválido

↓

08:05

Campo carregado

↓

08:06

Cálculo

↓

08:06

S0C7

Perceba que o problema nasceu seis minutos antes do ABEND.


O poder do CEEDUMP

O CEEDUMP é praticamente uma fotografia.

Mas imagine que você possui uma fotografia de um acidente.

Ela mostra:

  • onde ocorreu;

  • quem estava presente;

  • posição dos veículos.

Mas ela não mostra o momento da colisão.

Por isso precisamos combinar várias evidências.


Entrando no mundo do IPCS

Poucos iniciantes conhecem esta ferramenta.

IPCS significa:

Interactive Problem Control System

É uma das ferramentas mais importantes do z/OS.

Ela permite analisar:

  • dumps completos;

  • memória;

  • registradores;

  • módulos carregados;

  • PSW;

  • TCB;

  • ASCB;

  • cadeias de controle do sistema.

Na prática,

é o laboratório forense do IBM Z.


O que um Dump realmente contém?

Muitos imaginam um dump como um arquivo de texto.

Na realidade ele contém praticamente toda a memória capturada.

Por exemplo:

Endereços

Buffers

Variáveis

Registradores

Storage

TCBs

RBs

LSQA

CSA

ECSA

PSA

Núcleo

É literalmente uma fotografia da memória.


O famoso PSW

O Program Status Word é uma das primeiras informações analisadas.

Ele responde:

  • onde a CPU estava;

  • em qual instrução;

  • qual modo de execução;

  • qual estado do processador.

Por isso um SysProg costuma perguntar:

"Qual é o PSW?"


Registradores: a mochila do processador

O IBM Z possui registradores gerais.

Imagine um pedreiro.

Antes de subir uma escada,

ele coloca ferramentas na mochila.

A CPU faz exatamente isso.

Antes de executar instruções,

ela guarda informações temporárias nos registradores.

Quando ocorre um ABEND,

essa mochila continua exatamente como estava.

É por isso que os registradores são tão importantes.


O papel da Language Environment (LE)

Praticamente todo programa COBOL moderno executa sobre o Language Environment.

Ele fornece:

  • gerenciamento de memória;

  • tratamento de exceções;

  • traceback;

  • serviços comuns;

  • interoperabilidade entre COBOL, C, C++ e PL/I.

Sem o LE, muitos diagnósticos seriam muito mais difíceis.


Quando um U4038 esconde outro erro

Muitos iniciantes acreditam que:

U4038

↓

Erro encontrado

Na realidade,

muitas vezes acontece isto.

S0C7

↓

Language Environment

↓

U4038

Ou seja,

o U4038 pode ser apenas uma "embalagem" para outro problema.

Sempre investigue além do código retornado.


O papel do Fault Analyzer

Hoje muitos bancos utilizam o IBM Fault Analyzer.

Ele transforma um dump complexo em algo muito mais amigável.

Por exemplo.

Em vez de mostrar:

Offset

00003A8F

Ele mostra:

Programa

CLIENTES

Linha

538

Campo

WS-SALDO

Economiza horas de investigação.


Abend-AID

Outra ferramenta extremamente popular.

Ela apresenta:

  • variáveis;

  • CALL Stack;

  • conteúdo dos registros;

  • SQLCA;

  • áreas de memória;

  • File Status;

  • tabelas.

É praticamente um "Google Maps" do dump.


O valor de um bom Log

Imagine um programa sem nenhum DISPLAY.

Agora imagine outro com mensagens como:

Iniciando cálculo...

Cliente 12345

Saldo encontrado

Calculando juros

Atualizando Db2

Commit realizado

Qual será mais fácil de investigar?

A resposta é óbvia.

Logs bem escritos reduzem drasticamente o tempo de diagnóstico.


Engenharia defensiva

Programadores experientes evitam ABENDs antes mesmo que eles aconteçam.

Como?

Validando tudo.

IF NUMERIC

IF FILE STATUS

IF SQLCODE

IF RESP

IF RESP2

IF LENGTH

IF EOF

IF RETURN-CODE

Quem valida dados produz programas muito mais robustos.


Os três níveis da depuração

Nível 1

Corrigir o erro.

Nível 2

Descobrir a causa.

Nível 3

Modificar o sistema para impedir que volte a acontecer.

Esse terceiro nível é onde nasce a excelência técnica.


O pensamento dos grandes bancos

Em ambientes críticos,

a pergunta raramente é:

"Quem escreveu o programa?"

A pergunta costuma ser:

"Por que nossos processos permitiram que isso chegasse à produção?"

Perceba a diferença.

Sai o culpado.

Entra a melhoria contínua.


O custo de um ABEND

Um único ABEND pode provocar:

  • atraso em milhares de transações;

  • indisponibilidade de canais digitais;

  • bloqueio de filas MQ;

  • rollback de atualizações no Db2;

  • atraso em processamentos batch;

  • impacto financeiro;

  • horas de investigação.

Por isso bancos investem tanto em observabilidade, monitoramento e prevenção.


Checklist profissional antes de corrigir um ABEND

Nunca altere o código antes de responder:

  • Qual foi o primeiro erro registrado?

  • O ABEND é causa ou consequência?

  • Houve mudança recente de layout, JCL ou copybook?

  • O problema é reproduzível?

  • Existe CEEDUMP ou SYSMDUMP?

  • O SQLCODE, FILE STATUS ou RESP indicavam falha antes do ABEND?

  • A correção elimina apenas o sintoma ou resolve a origem?


A evolução de um Programador Padawan

Todo profissional passa por estágios.

1

Tenho medo do ABEND.

↓

2

Consigo identificar o código.

↓

3

Aprendo a usar o SDSF.

↓

4

Entendo CEEDUMP.

↓

5

Interpreto mensagens do z/OS.

↓

6

Analiso offsets.

↓

7

Leio dumps.

↓

8

Descubro causas raiz.

↓

9

Evito novos ABENDs.

↓

10

Ensino outras pessoas.

É exatamente assim que surgem os especialistas.


Conclusão

A verdadeira maturidade técnica não está em decorar centenas de códigos de ABEND, mas em desenvolver uma forma estruturada de investigar problemas.

No IBM Z, praticamente nada acontece por acaso. Cada mensagem do JES2, cada registro do SDSF, cada CEEDUMP, cada offset e cada registrador contam parte da história. O papel do engenheiro é reunir essas peças até reconstruir a sequência completa dos acontecimentos.

Quando você deixa de perguntar "qual foi o ABEND?" e passa a perguntar "qual decisão, dado ou processo tornou esse ABEND inevitável?", seu modo de pensar muda para sempre.

É nesse momento que você deixa de ser apenas um programador COBOL e passa a enxergar o IBM Z como ele realmente é: um dos sistemas computacionais mais sofisticados, observáveis e resilientes já construídos. E essa é a habilidade que transforma um simples solucionador de erros em um verdadeiro especialista em Mainframe.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Feliz dia da Toalha 2021 - Um tributo ao escritor Douglas Adams

Mais um dia da Toalha chegou. Mais um dia que tiramos para rememorar, divertir-se com as loucas situaçoes do Mochileiro da Galaxia
#diadatoalha #douglasadams #towelsday

terça-feira, 11 de maio de 2021

💋 AS MULHERES CARNÍVORAS — A CONTRARREVOLUÇÃO DO DESEJO NO JAPÃO MODERNO

 

Bellacosa Mainframe e as mulheres carnivoras japonesas 


💋 AS MULHERES CARNÍVORAS — A CONTRARREVOLUÇÃO DO DESEJO NO JAPÃO MODERNO
por Bellacosa Mainframe – Edição El Jefe Midnight, um byte de filosofia e outro de provocação


Se os “homens herbívoros” são o silêncio que observa, as “mulheres carnívoras” são o rugido que desperta.
Enquanto eles recuam do jogo da conquista, elas — as nikushoku joshi — tomam o controle do teclado, do script e do destino.

A sociedade japonesa, acostumada ao papel feminino dócil, submisso e discreto, de repente assistiu a uma atualização inesperada do seu sistema social:
as mulheres começaram a flertar, liderar e escolher.

E isso, em um país onde o “equilíbrio” é quase uma religião, foi um verdadeiro abend emocional.


🔥 O SURGIMENTO DAS “CARNÍVORAS” — QUANDO O AMOR MUDOU DE LADO

O termo nikushoku joshi (“mulher carnívora”) apareceu logo após a popularização dos sōshoku danshi (“homens herbívoros”), ali por volta de 2009, na mesma revista AERA que lançou a bomba conceitual.

As jornalistas e sociólogas japonesas notaram algo curioso:
enquanto os rapazes hesitavam em se declarar, as mulheres passaram a dar o primeiro passo — no amor, no trabalho e na vida.

  • Elas abordavam homens.

  • Escolhiam quando e com quem sair.

  • Tomavam iniciativa sexual.

  • E, o mais chocante para os padrões nipônicos, não se sentiam culpadas por isso.

“Quando os caçadores descansaram, as presas aprenderam a usar o arco.”


💄 O PERFIL DA MULHER CARNÍVORA — INDEPENDÊNCIA COMO ESTILO DE VIDA

As nikushoku joshi são o oposto do arquétipo da “moça tímida de anime”.
Elas têm metas, voz e curiosidade.
São urbanas, conectadas e não esperam ser salvas.

  • Trabalham e se sustentam.

  • Viajam sozinhas.

  • Escolhem o parceiro — ou nenhum.

  • Estudam, lideram e opinam.

  • E, principalmente, não veem o amor como objetivo final da existência.

Curiosidade: muitas dessas mulheres preferem relacionamentos temporários ou “sem rótulos”.
No Japão, isso foi visto quase como um soft reboot cultural — uma quebra de código de gênero.

“Ela não espera o príncipe. Ela atualiza o firmware do castelo.”


👠 A REAÇÃO MASCULINA — QUANDO A CAÇA TROCA DE LADO

Enquanto o Ocidente aplaudiu o empoderamento feminino, o Japão… travou.
Os homens herbívoros ficaram ainda mais introspectivos, inseguros diante de mulheres assertivas.
Alguns as admiravam. Outros se sentiam intimidados.

A ironia?
Essa inversão de papéis criou um novo loop:
as mulheres querem homens maduros e presentes, mas muitos estão emocionalmente offline.

Resultado: crescimento no número de solteiros, relações virtuais e consumo de afeto digital (sim, o Japão é o país dos namoros com personagens 2D).

“Quando o desejo muda de direção, o sistema entra em deadlock.”


💋 HISTÓRIA E CULTURA — DO GEISHA À EXECUTIVA

O Japão sempre teve figuras femininas poderosas — só que camufladas sob o véu da etiqueta.
A geisha, por exemplo, não era apenas uma artista: era uma mestre social, uma estrategista do afeto.
Mas a sociedade moderna abafou esse poder sob a armadura da docilidade.

As nikushoku joshi são a atualização desse arquétipo ancestral — a mulher que recupera o controle do próprio desejo.

Curiosidade histórica: o boom das “mulheres carnívoras” coincidiu com a ascensão da geração Heisei (anos 1990-2019), marcada por maior escolaridade feminina, liberdade econômica e exposição à mídia ocidental.


🧠 COMPORTAMENTO — AS NOVAS REGRAS DO JOGO

As “carnívoras” não querem dominar — querem paridade emocional.
Mas enquanto isso não acontece, elas aprenderam a jogar com as ferramentas disponíveis.

  • App de namoro? Dominam.

  • Sexo casual? Sem tabus.

  • Casamento? Só se for escolha, não obrigação.

  • Carreira? Prioridade.

Easter-egg: séries como “Nigeru wa Haji da ga Yaku ni Tatsu” e “Tokyo Tarareba Musume” brincam com o dilema da mulher moderna japonesa — entre o desejo de liberdade e o peso do olhar social.

“Ela caça, mas com elegância. E não desperdiça energia com presas lentas.”


💬 FOFOQUICES E TENDÊNCIAS — QUANDO A CULTURA POP REVELA O INCONSCIENTE

Nos cafés temáticos de Tóquio, é comum ver grupos de mulheres debatendo boys de anime como se fossem horóscopos vivos.
Nos doramas, o perfil da protagonista “forte mas vulnerável” é o novo padrão.
E nas redes sociais japonesas, surgem expressões como “Renai Datsuryoku” (fadiga amorosa) e “Otona Joshi” (mulher adulta autossuficiente).

Tradução sociológica:
elas não desistiram do amor, apenas deixaram de mendigá-lo.

“No Japão moderno, o verdadeiro romance é com a própria liberdade.”


🪞 REFLEXÃO BELLACOSA — QUANDO O AMOR MUDA DE SISTEMA OPERACIONAL

Homens herbívoros e mulheres carnívoras não são inimigos — são espelhos de uma sociedade em transição.
Um lado cansou da pressão de performar, o outro se libertou do dever de agradar.

O resultado parece caos, mas é só o novo equilíbrio em formação.
É o amor em fase beta, testando novos protocolos emocionais.

“Talvez o erro do século XX tenha sido ensinar os homens a conquistar e as mulheres a esperar.
O século XXI está reescrevendo esse código — em silêncio, mas com propósito.”


☕ EPÍLOGO – AMOR, VERSÃO 2.0

O Japão, sem perceber, está nos mostrando o futuro das relações humanas:
menos dominação, mais escolha.
Menos papel social, mais autodefinição.
Menos carne, mais consciência.

E enquanto o Ocidente ainda briga por definições de gênero, o Oriente está ensinando — discretamente — que o amor não precisa de caçadores nem de presas.

Só de gente disposta a compartilhar o mesmo silêncio sem precisar traduzi-lo.

“Entre o samurai e a carnívora, o amor virou um update de sistema — e talvez, pela primeira vez, esteja rodando sem erros.” 💋

 

segunda-feira, 10 de maio de 2021

🍑🎌 Por que o corpo feminino muda tanto entre anime e hentai?

 🍑🎌 Por que o corpo feminino muda tanto entre anime e hentai?



Quando o traço deixa de ser estética e vira fetiche: uma análise Bellacosa sobre corpos, cultura e fantasia japonesa.


🎨 O traço muda, o público muda

A diferença “monstruosa” entre o corpo feminino em animes comuns e em hentais não é acaso — é mercado e intenção visual.
Nos animes “mainstream”, o traço busca equilíbrio narrativo e apelo emocional; já no hentai, o objetivo é estimular o desejo visual.

Em outras palavras: o primeiro quer contar uma história, o segundo quer provocar uma reação física.
E, para isso, os corpos são hiperexagerados, idealizados e irreais.




🧬 A origem do exagero

Tudo começa na estilização do mangá — grandes olhos, expressões intensas, traços limpos.
Quando o hentai surgiu nos anos 80 (inspirado em revistas doujinshi e na abertura do mercado adulto), os artistas amplificaram os símbolos visuais do desejo:

  • Seios desproporcionais → sinal de fertilidade e erotização.

  • Cinturas minúsculas → pureza visual e fragilidade.

  • Cabelos longos → beleza tradicional japonesa.

  • Peles sem defeitos → ideal de juventude e perfeição.

💬 Isso criou o “corpo padrão do hentai”: uma mistura de boneca, fantasia e impossível.


🧠 Cultura e repressão: o tempero do fetiche

O Japão é uma sociedade conservadora em público, mas liberal na ficção.
O resultado?
Uma indústria erótica que transfere para o papel o que não se pode discutir abertamente.

👉 Enquanto o erotismo ocidental foca no realismo, o japonês investe no imaginário extremo.
O corpo da mulher vira metáfora — não pela mulher em si, mas pela ideia de prazer proibido, do tabu e do controle.


💡 Indicadores do contraste

  1. Animes convencionais: traços suaves, corpos proporcionais, foco emocional.
    → Ex.: Your Name, Vivy, Clannad, Sailor Moon.

  2. Hentais: corpos superdimensionados, pele brilhante, expressões exageradas, fluídos e anatomia irreal.
    → Ex.: Bible Black, Discipline, Resort Boin.

💬 Mesmo quando o hentai é bem desenhado, há uma lógica de “fantasia total” — o realismo anatômico é trocado pelo impacto visual.


🧩 Curiosidades Bellacosa

  • O código penal japonês proíbe mostrar genitálias — por isso a censura por “barras de luz” e os exageros que desviam a atenção.

  • O termo ecchi (エッチ) vem da pronúncia japonesa da letra “H”, inicial de hentai, e indica erotismo leve, não explícito.

  • Alguns artistas de hentai migraram para o anime “normal” e levaram consigo os traços volumosos e brilhantes (ex: High School DxD e To Love Ru).

  • O ideal corporal feminino do hentai reflete influências de gravure idols (modelos sensuais) e da cultura moe — a estética do “fofo desejável”.


💬 Reflexão final Bellacosa

O corpo feminino no hentai é o espelho de uma sociedade que reprime o desejo e o transforma em fantasia exagerada.

Entre a idealização e o fetiche, há um abismo cultural — e nele o corpo da mulher deixa de ser personagem e vira símbolo do inatingível.

🍵 No Bellacosa, a gente prefere olhar além das curvas: entender o porquê dos traços é entender o Japão — com todas as suas contradições entre o pudor e o prazer.

🇯🇵✨ Xenofobia em animes japoneses — quando a fantasia revela o medo do “outro”

 🇯🇵✨ Xenofobia em animes japoneses — quando a fantasia revela o medo do “outro”

Bellacosa Mainframe e a xenofobia em anime


Um olhar Bellacosa sobre preconceitos sutis escondidos entre espadas, colegiais e kaijus.


A questão da xenofobia nos animes japoneses é um tema complexo que envolve história, cultura, identidade nacional e representação social. Embora muitos animes promovam mensagens de empatia e cooperação, algumas obras apresentam estereótipos ou retratam estrangeiros de maneira exagerada, refletindo percepções culturais existentes em determinados períodos da sociedade japonesa.

O Japão passou séculos relativamente isolado do restante do mundo, e essa herança histórica influenciou aspectos de sua identidade cultural. Em alguns animes, personagens estrangeiros aparecem como figuras excêntricas, agressivas, arrogantes ou excessivamente caricatas. Em outros casos, diferenças culturais são utilizadas como elemento de humor.

Entretanto, diversos animes também utilizam essas representações para criticar preconceitos e questionar a exclusão social. Obras como Monster, Legend of the Galactic Heroes, Ghost in the Shell, Attack on Titan e Code Geass exploram temas ligados ao nacionalismo, discriminação, segregação e conflitos entre povos.

Outro aspecto importante é que os animes frequentemente refletem preocupações sociais reais, funcionando como um espelho das tensões culturais presentes em diferentes épocas.

Por isso, analisar a xenofobia nos animes não significa apenas identificar preconceitos, mas compreender como essas obras discutem identidade, medo do desconhecido e convivência entre culturas diferentes.

No final, muitos animes acabam transmitindo justamente a mensagem oposta ao preconceito: a ideia de que compreender o outro é essencial para superar conflitos e construir uma sociedade mais humana. 🌏🍂🎌


🧩 Existe xenofobia em animes?

Sim — embora nem sempre de forma direta.
A xenofobia no contexto japonês é mais sutil: o país é etnicamente homogêneo e historicamente isolado, o que cria uma visão muito própria do “nós contra eles”.
Nos animes, isso aparece em metáforas, arquétipos e estereótipos disfarçados de fantasia.


🕵️‍♂️ Como identificar a xenofobia em um anime

Há alguns sinais recorrentes — e vale ficar atento:

  1. 🧬 Raças “não-humanas” tratadas como inferiores
    Muitas vezes, elfos, demônios ou estrangeiros são retratados como perigosos, impuros ou “ameaçadores à ordem natural”.
    Exemplo: em Attack on Titan, a segregação dos Eldianos ecoa discursos históricos de pureza racial.

  2. 🌍 Personagens estrangeiros caricatos
    O americano “grandalhão e burro”, o russo “violento”, o francês “sedutor”, ou o brasileiro “malandro” — estereótipos persistem.
    Exemplo: Hetalia: Axis Powers transforma países em caricaturas humorísticas, mas escorrega em clichês culturais.

  3. 🎌 “O Japão é o centro do mundo”
    Muitos animes colocam o Japão como o único país capaz de salvar o planeta ou preservar a moral.
    Exemplo: Neon Genesis Evangelion e Godzilla refletem a ideia de um Japão que renasce para corrigir os erros do Ocidente.

  4. 🧑‍🎓 O estrangeiro como ameaça à harmonia
    O “forasteiro” é frequentemente o vilão ou o causador do caos — um reflexo da desconfiança japonesa histórica com o exterior.
    Exemplo: em Samurai Champloo, o choque cultural é tema, mas o “diferente” ainda é visto como disruptivo.


🗾 Curiosidades culturais

  • 🇯🇵 O Japão foi fechado ao mundo por mais de 200 anos (período Edo, 1603–1868).
    Isso gerou uma cultura de autoidentificação fortíssima — e um certo medo do “de fora”.

  • 🧍 O termo “gaijin” (外人) significa literalmente “pessoa de fora” e ainda é usado, às vezes com tom pejorativo.

  • 💬 Muitos japoneses preferem o termo “gaikokujin” (外国人), mais neutro e educado.

  • 🎭 O “vilão estrangeiro” nos animes dos anos 70–90 refletia a tensão geopolítica da Guerra Fria e o protecionismo cultural japonês.


💡 Dicas Bellacosa para identificar preconceitos sutis

  1. Observe quem é o herói e quem é o inimigo — o “vilão” costuma representar o “outro” social.

  2. Repare no design dos personagens — tons de pele, cor de cabelo e olhos muitas vezes indicam “estrangeirização”.

  3. Note quem tem o direito à fala e à redenção — minorias ou estrangeiros geralmente não recebem arco de crescimento.

  4. Veja quem é ridicularizado — humor racista pode vir disfarçado de piada “inofensiva”.


📚 Animes que abordam ou subvertem a xenofobia

  • Fullmetal Alchemist: Brotherhood — crítica direta a genocídios e ao militarismo.

  • Attack on Titan — reflexão sobre segregação, medo e propaganda racial.

  • Princess Mononoke — conflito entre natureza e civilização como metáfora da intolerância.

  • Mushoku Tensei — apesar das críticas, traz nuances de convivência multicultural em mundos de fantasia.


Conclusão Bellacosa

O anime é um espelho — e como todo espelho, às vezes mostra o que a sociedade prefere esconder.

A xenofobia nos animes não é regra, mas um eco cultural de um país que ainda se equilibra entre tradição e globalização.
Felizmente, novas gerações de criadores estão rompendo esse ciclo — mostrando que a verdadeira força do Japão está não em se fechar, mas em contar histórias onde todos cabem. 🌏✨


Porque no Bellacosa, a gente assiste anime com olhar crítico — e coração aberto. 💬🎌

domingo, 9 de maio de 2021

Walter Mitty Entra no Estúdio — O Dia em que um Programador COBOL Descobriu que Fotografar é Compilar Luz

 

Bellacosa Mainframe e dicas para um fotografo iniciante

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Walter Mitty Entra no Estúdio — O Dia em que um Programador COBOL Descobriu que Fotografar é Compilar Luz

Ou: como ISO, abertura, obturador, distância focal, perspectiva, softbox, histograma e um sujeito que vive aventuras impossíveis dentro da própria cabeça acabaram ensinando fotografia para alguém acostumado a pensar em WORKING-STORAGE, JCL e abends às três da manhã

Existe um momento estranho na vida de todo programador COBOL.

Você passa anos olhando para coisas como:

01 WS-CLIENTE.
   05 WS-NOME        PIC X(40).
   05 WS-SALDO       PIC S9(09)V99 COMP-3.

e começa a acreditar que o universo inteiro deveria funcionar dessa maneira.

Entrada.

Processamento.

Saída.

Se alguma coisa der errado:

ABEND S0C7

Pronto.

Procure o campo que tinha letra onde deveria existir número e vamos para o café.

Então alguém entrega uma câmera fotográfica na sua mão.

Na parte de cima existem números como:

ISO 100
1/250
f/2.8

Na lente:

24-70mm

No visor aparecem indicadores de exposição, foco, compensação e outras criaturas que parecem ter fugido de um painel do SDSF.

Você olha aquilo e pergunta:

— Mas onde está o F1 Help?

Foi exatamente nesse momento que Walter Mitty atravessou a porta do CPD.

Não o Walter Mitty que está sentado quieto numa cadeira.

Esse está tecnicamente no escritório.

O Walter Mitty que entrou ali naquele momento era correspondente de guerra, fotógrafo da National Geographic, piloto de um hidroavião atravessando uma tempestade na Groenlândia e, por razões que ninguém conseguiu explicar, operador de um IBM z17 instalado clandestinamente dentro de um dirigível.

Ele colocou uma Leica imaginária em cima da mesa.

Olhou para o programador COBOL.

E disse:

— Você não está configurando uma câmera.

— Não?

— Está escrevendo um programa para a luz.

E foi assim que começou nossa aula.



1. Antes de qualquer coisa: fotografia não é “apertar o botão”

Existe uma armadilha comum para quem começa.

A pessoa vê uma fotografia bonita e pensa:

“Que câmera boa.”

É mais ou menos como olhar para um sistema bancário processando milhões de transações e concluir:

“Que teclado bom.”

A câmera é uma ferramenta.

Fotografia é decisão.

Você está decidindo:

  • quanto de luz entra;

  • durante quanto tempo ela entra;

  • quanto amplificaremos o sinal;

  • qual parte da cena será enquadrada;

  • qual elemento estará em foco;

  • qual ficará desfocado;

  • onde a câmera estará;

  • como a luz atingirá o assunto;

  • e, principalmente, o que você quer que o espectador veja.

Walter Mitty apontou para um datacenter imaginário no horizonte.

— Uma câmera é uma máquina que registra luz.

Depois apontou para o programador.

— O fotógrafo decide o que essa luz significa.

Essa diferença separa uma fotografia tecnicamente correta de uma fotografia interessante.



2. O triângulo de exposição: o JOB que todo fotógrafo submete

Na fotografia existe uma espécie de JOB card universal:

//PHOTO JOB
//STEP01 EXEC CAPTURE
//PARM='APERTURE,SHUTTER,ISO'

Os três parâmetros fundamentais são:

abertura

velocidade do obturador

ISO

Eles são conhecidos como triângulo de exposição.

Mas aqui vai uma pequena correção importante.

Abertura e obturador determinam diretamente quanta luz chega ao sensor.

ISO, na fotografia digital, está relacionado principalmente à amplificação e ao processamento do sinal capturado.

Para começar, entretanto, podemos pensar nos três como variáveis que trabalham juntas para determinar o resultado final.

Imagine uma torneira enchendo um recipiente.

A abertura é a largura da torneira.

O obturador é quanto tempo ela fica aberta.

O ISO é quanto você amplifica o resultado depois.

Walter Mitty interrompe:

— Então ISO 6400 é como aumentar o volume de uma gravação ruim?

Mais ou menos.

Você consegue ouvir melhor.

Mas também começa a ouvir o ruído.



3. ISO — o dial que parece simples até deixar de ser

Uma regra básica costuma dizer:

ISO 100-200     Sol
ISO 200-400     Sombra
ISO 400-800     Interior
ISO 800-1600    Interior escuro
ISO 1600-3200   Noite
ISO 3200+       Pouquíssima luz

Como introdução, funciona.

Como religião, é perigoso.

ISO não deveria ser escolhido apenas perguntando:

“Está claro ou escuro?”

A pergunta mais inteligente é:

“Depois de escolher a abertura e a velocidade de que preciso, ainda tenho luz suficiente?”

Imagine uma pessoa sentada tranquilamente num restaurante.

Talvez seja possível fotografar com:

f/2
1/60
ISO 400

Agora imagine um guitarrista pulando no palco.

Com 1/60 ele viraria um borrão artístico involuntário.

Você poderia precisar de:

f/2.8
1/500
ISO 3200

O ISO aumentou porque você precisava de velocidade.

E isso nos leva a uma regra preciosa:

ISO alto não é fracasso. Foto tremida é fracasso quando você queria uma foto nítida.

Walter Mitty sorriu.

— Em outras palavras, melhor um processamento com warning do que um ABEND.

Exatamente.


4. O preço do ISO

Subir ISO pode trazer efeitos indesejáveis:

  • ruído;

  • perda de detalhe;

  • menor faixa dinâmica;

  • sombras menos limpas;

  • menos flexibilidade na edição.

Mas as câmeras modernas lidam muito melhor com ISO elevado que gerações anteriores.

Há muitos anos ISO 1600 já causava arrepios.

Hoje determinadas câmeras trabalham confortavelmente em ISO 3200, 6400 ou mais, dependendo da finalidade.

Não existe número “proibido”.

Existe contexto.


5. Shutter Speed — o parâmetro TIME do programa

Agora Walter Mitty pegou um cronômetro.

— Vamos fotografar o tempo.

O obturador controla por quanto tempo o sensor fica exposto à luz.

Exemplos:

1 segundo
1/30
1/60
1/125
1/250
1/500
1/1000
1/2000

Quanto mais lenta a velocidade, mais tempo entra luz.

Quanto mais rápida, menos tempo.

Mas velocidade não controla somente exposição.

Ela controla movimento.

Uma velocidade lenta pode registrar:

  • rastros;

  • água sedosa;

  • movimento de pessoas;

  • carros transformados em linhas luminosas.

Uma velocidade rápida pode congelar:

  • atletas;

  • pássaros;

  • gotas d'água;

  • veículos;

  • músicos;

  • crianças.

Por isso gosto de pensar assim:

Abertura controla espaço. Obturador controla tempo.

Já parece ficção científica suficiente para Walter Mitty.


6. Um erro interessante nos infográficos

Uma das imagens analisadas tinha um título semelhante a “Shutter Speed” e mostrava:

100
200
400
640
800
1600
3200
4000

Esse conjunto é claramente mais próximo de uma escala de ISO que de shutter speed.

Shutter speed apareceria como:

1/100
1/200
1/400
1/800
1/1600

É um ótimo exemplo de um problema moderno:

Infográfico bonito não significa infográfico correto.

No mundo mainframe isso seria algo como um diagrama apresentando JES2 no título e explicando RACF no conteúdo.

Visualmente maravilhoso.

Tecnicamente suspeito.


7. Stops — a matemática escondida atrás do clique

Fotografia trabalha muito com o conceito de stop.

Um stop representa dobrar ou reduzir pela metade a quantidade de luz.

No obturador:

1/125 → 1/250

metade da luz.

1/250 → 1/125

dobro da luz.

No ISO:

100 → 200 → 400 → 800 → 1600

cada salto completo representa aproximadamente um stop.

Na abertura temos:

f/1.4
f/2
f/2.8
f/4
f/5.6
f/8
f/11
f/16
f/22

Aqui a coisa fica divertida.


8. A abertura: o PIC S9(4)V99 da fotografia

Quem começa olha para f/1.4 e f/16 e pensa:

“f/16 deve ser mais aberto porque 16 é maior.”

Errado.

Quanto menor o número f, maior a abertura.

f/1.4 = muito aberta
f/2.8 = aberta
f/8 = intermediária
f/16 = fechada

Isso acontece porque o número f é uma razão.

Simplificando:

N=fDN = \frac{f}{D}

onde:

  • N é o número f;

  • f é a distância focal;

  • D é o diâmetro efetivo da abertura.

Não precisamos decorar a fórmula para fotografar.

Mas ela explica por que o sistema parece invertido.


9. Profundidade de campo: o que entra no SELECT

Abertura também influencia a profundidade de campo.

Com abertura grande, como:

f/1.4
f/2
f/2.8

é possível ter:

ASSUNTO     = foco
FUNDO       = desfocado

Ótimo para retratos.

Com abertura mais fechada:

f/8
f/11

mais elementos tendem a aparecer com nitidez aceitável.

Por isso paisagens frequentemente utilizam aberturas intermediárias ou fechadas.

Mas cuidado.

Profundidade de campo não depende apenas da abertura.

Depende também de:

  • distância focal;

  • distância até o assunto;

  • distância do assunto ao fundo;

  • tamanho do sensor;

  • critério de nitidez.

Portanto:

“f/1.8 sempre desfoca tudo”

é quase tão correto quanto:

“COBOL só roda em mainframe.”

Há contexto.


10. Distância focal: o endereço lógico da cena

Na lente encontramos números como:

14mm
24mm
35mm
50mm
85mm
135mm
200mm
600mm

Esses números representam a distância focal.

Em termos práticos, ela afeta fortemente o campo de visão.

Em full frame, podemos pensar aproximadamente assim:

14–20 mm
Ultra-wide.

24–35 mm
Grande-angular.

50 mm
Normal.

85–135 mm
Retrato e tele curta.

200–300 mm
Teleobjetiva.

400–600 mm+
Supertele.

Quanto maior a distância focal, mais estreito tende a ser o campo de visão.

Walter Mitty olha para uma montanha imaginária a vinte quilômetros.

Troca para 600 mm.

— Agora consigo ver um alpinista.

— Existe um alpinista ali?

— Na minha versão existe.

Walter Mitty tinha essa vantagem competitiva.


11. Crop factor — quando 50 não parece 50

Uma lente de 50 mm continua sendo fisicamente 50 mm.

Mas sensores diferentes produzem campos de visão diferentes.

Por exemplo, em APS-C com fator 1,5:

50 x 1,5 = 75 mm equivalente

Em Micro Four Thirds:

50 x 2 = 100 mm equivalente

Isso explica por que recomendações de lente precisam considerar a câmera.

Quando alguém diz:

“50 mm é perfeita para retratos.”

A resposta correta seria:

“Em qual formato?”

Walter Mitty anotou isso num caderninho.

Provavelmente mais tarde ele o usaria para pilotar um caça.


12. Anatomia da lente

Uma lente moderna pode conter:

Focus Ring
Anel de foco.

Zoom Ring
Altera distância focal nas lentes zoom.

AF/MF
Autofocus ou manual.

Distance Scale
Distância aproximada de foco.

Maximum Aperture
Maior abertura disponível.

Image Stabilizer
Sistema de estabilização.

Uma lente 24–70 mm, por exemplo, permite variar rapidamente entre grande-angular moderada e tele curta.

É uma espécie de canivete suíço fotográfico.

Ou, em linguagem mainframe:

o utilitário IDCAMS das lentes.

Serve para muita coisa.


13. Estabilização não congela gente correndo

Essa pegadinha derruba muito iniciante.

O estabilizador corrige principalmente o movimento da câmera.

Ele não impede o movimento do assunto.

Suponha:

70mm
1/15
IS ON

Você pode conseguir a câmera relativamente estável.

Mas se a pessoa mover a cabeça durante 1/15 de segundo:

ela ficará borrada.

Portanto:

camera shake  -> estabilização ajuda
subject motion -> shutter rápido ajuda

Duas causas diferentes.

Duas soluções diferentes.


14. Ângulo de câmera: agora entramos no cinema

Até aqui estivemos falando de exposição.

Agora começa a narrativa.

Fotografar de cima, de baixo ou na altura dos olhos muda como percebemos o assunto.

High angle pode sugerir:

  • vulnerabilidade;

  • pequenez;

  • fragilidade.

Low angle pode transmitir:

  • poder;

  • grandeza;

  • autoridade.

Straight-on tende a ser mais neutro.

Top-down é comum em:

  • comida;

  • produtos;

  • composição gráfica.

Isso é particularmente poderoso porque não há nenhum botão chamado:

EMOTIONAL IMPACT = ON

A emoção vem de decisões geométricas.


15. Distância focal não é perspectiva

Essa talvez seja a parte mais importante do artigo.

Existe um mito:

“Grande-angular distorce rostos.”

Ela pode ter distorção óptica.

Mas aquele nariz gigante em retratos feitos muito perto acontece principalmente por causa da distância da câmera ao rosto.

Faça o teste.

Fotografe uma pessoa com 24 mm muito perto.

Depois use 100 mm e afaste-se até obter enquadramento semelhante.

O resultado muda radicalmente.

Não porque a lente de 100 mm “corrige” magicamente a pessoa.

Mas porque sua posição mudou.

A perspectiva depende da posição da câmera.

Esse conceito vale ouro.


16. Barrel distortion e pincushion

Agora sim entramos em distorção óptica.

Barrel distortion

Linhas parecem curvar para fora.

Muito comum em grande-angulares.

Pincushion distortion

Linhas parecem curvar para dentro.

Pode aparecer em determinadas teles ou extremos de zoom.

São características ópticas que muitas câmeras e softwares conseguem corrigir automaticamente.

Mas não confunda isso com perspectiva.

São fenômenos diferentes.


17. A famosa 85 mm

Por que tanta gente gosta de 85 mm para retrato?

Em full frame ela oferece frequentemente:

  • distância confortável;

  • campo de visão agradável;

  • boa separação de fundo;

  • perspectiva facial natural.

Mas isso não significa que 85 mm seja a única lente de retrato.

35 mm cria excelentes retratos ambientais.

50 mm é versátil.

135 mm cria enorme separação e compressão aparente.

Não existe opcode:

PORTRAIT USING 85MM

Fotografia permite escolhas.


18. Agora Walter Mitty acende o softbox

Chegamos à iluminação.

Essa parte é maravilhosa porque fotograficamente você não está apenas registrando luz.

Você pode construí-la.

Temos vários modificadores:

  • umbrella shoot-through;

  • umbrella reflective;

  • softbox;

  • octabox;

  • beauty dish;

  • refletor direto.

Cada um produz características diferentes.

Mas existe uma regra fundamental:

Quanto maior a fonte aparente em relação ao assunto, mais suave tende a ser a luz.

Não basta dizer:

“Softbox gera luz suave.”

Um softbox minúsculo longe do assunto pode produzir luz relativamente dura.

Um softbox enorme muito perto pode criar sombras delicadíssimas.

Distância importa.

Tamanho importa.


19. Guarda-chuva fotográfico

O shoot-through permite que a luz atravesse o material.

Resultado frequente:

  • luz ampla;

  • suave;

  • espalhada.

É excelente para iniciantes.

Mas pode jogar luz em todas as paredes.

Em um cômodo pequeno, essas paredes rebatem luz e reduzem controle.

Já o umbrella reflective recebe a luz internamente e a devolve.

Pode oferecer comportamento um pouco mais controlado.

Simples.

Barato.

E muito eficiente.


20. Softbox: a janela portátil

Softboxes transformam uma fonte relativamente pequena em uma superfície luminosa maior.

Um softbox retangular pode produzir um reflexo semelhante a uma janela.

Octabox gera catchlights arredondados.

Mas cuidado com a obsessão pelo formato.

A posição, tamanho e distância frequentemente importam mais.

Walter Mitty colocou um octabox enorme ao lado de um terminal 3270.

— Ficou cinematográfico.

— Você acabou de iluminar o TSO.

— Toda grande aventura começa com LOGON.

Não dava para discutir.


21. Beauty dish e luz dura

O beauty dish oferece uma luz relativamente definida.

Muito usado em:

  • moda;

  • beleza;

  • retratos dramáticos.

Já um refletor direto pequeno produz:

  • sombras fortes;

  • contraste alto;

  • textura intensa.

É a clássica iluminação:

“Confesse onde escondeu a fita de backup.”

😂

Pode ser inadequada para determinado retrato.

Mas fantástica para outro.

Fotografia não trabalha com:

GOOD LIGHT
BAD LIGHT

Trabalha com:

LIGHT FITS INTENT
LIGHT DOES NOT FIT INTENT

22. Catchlights: CSI da iluminação

Observe os reflexos nos olhos das pessoas em retratos profissionais.

Aquele pequeno brilho contém pistas.

Você pode identificar aproximadamente:

  • formato da fonte;

  • quantidade de fontes;

  • posição;

  • tamanho aparente.

Um catchlight quadrado sugere softbox.

Circular pode indicar octabox ou beauty dish.

Fotógrafos experientes conseguem olhar uma foto e praticamente reconstruir o esquema de iluminação.

É engenharia reversa luminosa.


23. O fotômetro e o zero que não é zero

Muitas câmeras mostram:

-2 -1 0 +1 +2

Iniciante vê isso e pensa:

“0 é exposição correta.”

Nem sempre.

O medidor da câmera tenta interpretar a cena de acordo com critérios matemáticos.

Ele não conhece sua intenção.

Fotografando neve, pode escurecer demais.

Fotografando uma cena predominantemente preta, pode clarear demais.

Então:

0 EV não é verdade absoluta.

É apenas a opinião do sistema de medição.

Walter Mitty observa:

— Então é como confiar cegamente num job que terminou com RC=0?

Exatamente.

Pode ter terminado.

Não significa necessariamente que fez o que você queria.


24. Histograma: o SMF da fotografia

Se existe uma ferramenta que um mainframer deveria amar, é o histograma.

Ele mostra como os tons estão distribuídos.

Esquerda:

sombras.

Centro:

tons médios.

Direita:

altas luzes.

Tudo acumulado na esquerda pode indicar imagem escura.

Tudo espremido na direita pode indicar highlights estourados.

Mas novamente:

não existe histograma perfeito.

Cena noturna naturalmente pesa para a esquerda.

Cena high-key pesa para a direita.

O histograma não decide.

Ele informa.

Assim como SMF.


25. RAW — o dump que você agradece ter guardado

Se possível, fotografe em RAW.

JPEG é uma imagem já processada pela câmera.

RAW preserva muito mais informação original.

Em RAW você consegue trabalhar melhor:

  • exposição;

  • white balance;

  • sombras;

  • altas luzes;

  • contraste;

  • cor;

  • redução de ruído.

Uma analogia imperfeita mas útil:

JPEG é o relatório impresso.

RAW é o dataset completo.

Quando surge um problema, qual você prefere ter?

Pois é.


26. White balance: porque luz não é simplesmente branca

A luz tem temperatura de cor.

Valores comuns:

~3000K   luz quente/tungstênio
~5500K   daylight aproximado
~6500K+  sombra/céu mais frio

A câmera precisa decidir o que considera neutro.

Por isso existe white balance.

Se estiver errado, uma sala pode ficar absurdamente laranja ou azul.

Fotografando RAW, isso é muito mais fácil de corrigir posteriormente.


27. Receitas práticas

Walter Mitty agora decidiu que o aluno precisava enfrentar missões.

Missão 1 — Retrato externo

Objetivo:

fundo desfocado.

Comece com:

85mm
f/2
1/250
ISO Auto ou ISO necessário

Depois ajuste conforme a luz.


Missão 2 — Esporte

Objetivo:

congelar ação.

Comece com:

1/1000
f/2.8-f/5.6
ISO conforme necessário

Aqui o shutter manda.


Missão 3 — Show noturno

Pode acabar em:

1/500
f/2.8
ISO 3200

Ou 6400.

Não tenha medo.

Ruído pode ser tratado.

Movimento perdido não.


Missão 4 — Paisagem

Com tripé:

ISO 100
f/8
velocidade conforme a luz

Aqui você pode permitir exposição longa.


28. Panning — quando borrão deixa de ser erro

Fotografia tem uma característica maravilhosa:

algumas coisas que parecem erro podem virar linguagem.

Panning consiste em acompanhar um objeto em movimento usando velocidade relativamente lenta.

Por exemplo:

1/60

Você acompanha o carro durante o disparo.

Com prática, o carro pode aparecer relativamente nítido e o fundo borrado.

Resultado:

sensação de velocidade.

Se congelássemos tudo com 1/4000, talvez a fotografia parecesse estática.

Então:

Nem toda nitidez é desejável.


29. Astrofotografia: quando a Terra invade sua exposição

Fotografar estrelas parece simples:

tripé.

ISO alto.

Exposição longa.

Mas existe um problema.

A Terra gira.

Se a exposição for longa demais, estrelas deixam de ser pontos e viram rastros.

Astrofotografia envolve:

  • abertura;

  • ISO;

  • distância focal;

  • tempo;

  • ruído;

  • movimento aparente;

  • empilhamento;

  • eventualmente trackers.

É um excelente exemplo de como aquelas tabelas básicas começam a quebrar quando entramos na fotografia real.


30. A variável esquecida: seus pés

Uma das maiores lições da fotografia é surpreendentemente simples:

Antes de trocar de lente, mova-se.

Chegue mais perto.

Afaste-se.

Abaixe.

Suba.

Dê dois passos para o lado.

Uma alteração pequena de posição pode transformar:

  • perspectiva;

  • fundo;

  • composição;

  • proporção dos objetos.

Um fotógrafo não trabalha apenas com câmera.

Trabalha com geometria.


31. A sequência mental de um fotógrafo

Walter Mitty finalmente escreveu no quadro branco do CPD:

PROCEDURE DIVISION.

Depois começou a listar:

1. O QUE QUERO MOSTRAR?
2. QUAL ENQUADRAMENTO?
3. ONDE DEVO FICAR?
4. QUAL LENTE?
5. QUANTO QUERO EM FOCO?
6. QUAL ABERTURA?
7. EXISTE MOVIMENTO?
8. QUAL SHUTTER?
9. QUAL ISO É NECESSÁRIO?
10. COMO ESTÁ A LUZ?
11. PRECISO MODIFICÁ-LA?
12. O HISTOGRAMA ESTÁ SAUDÁVEL?
13. O FUNDO AJUDA?
14. A FOTO CONTA A HISTÓRIA?

Essa sequência vale muito mais que decorar cinquenta tabelas.


Easter egg #1 — Walter Mitty não estava tentando aprender fotografia

Na verdade ele já era:

  • fotógrafo de guerra;

  • explorador;

  • piloto;

  • marinheiro;

  • aventureiro;

  • especialista em vulcões.

Tudo por aproximadamente quarenta segundos de cada vez.

Depois voltava para a mesa.

O ponto da brincadeira com Walter Mitty é perfeito para fotografia.

A câmera também permite transformar uma situação comum em narrativa.

Uma rua qualquer pode virar noir.

Uma estação pode parecer Blade Runner.

Um corredor de escritório pode virar instalação secreta da CIA.

Uma sala de servidores pode virar ponte de nave espacial.

Fotografia sempre possui um pouco de imaginação.


Easter egg #2 — o famoso negativo perdido

Quem conhece The Secret Life of Walter Mitty sabe como fotografia e aventura estão profundamente ligadas à história.

Há algo belíssimo naquela ideia de perseguir uma imagem importante enquanto a própria jornada acaba se tornando mais significativa que a fotografia procurada.

É uma ótima metáfora para quem começa.

Você sai querendo aprender:

ISO
F-STOP
SHUTTER

e acaba aprendendo:

LUZ
TEMPO
ESPAÇO
ATENÇÃO

A câmera vira desculpa para observar o mundo.


32. A grande conclusão: fotografia é compilação de intenção

Depois de duas horas, o programador COBOL finalmente deixou de perguntar:

— Qual configuração correta?

E passou a perguntar:

— O que quero que aconteça na imagem?

Esse é o salto.

Quando você escolhe:

f/2

não está apenas abrindo o diafragma.

Está dizendo:

quero separar o sujeito do fundo.

Quando escolhe:

1/2000

está dizendo:

quero congelar esse instante.

Quando escolhe:

1/15

talvez esteja dizendo:

quero que o movimento apareça.

Quando seleciona:

24mm

está dizendo:

quero incluir o ambiente.

Com:

200mm

talvez:

quero isolar algo distante.

A técnica é gramática.

A fotografia é linguagem.


Epílogo — Walter Mitty sai do CPD

Walter Mitty recolheu a câmera.

No visor estava registrada uma fotografia simples:

um programador COBOL sentado diante de um terminal.

Luz lateral.

Fundo desfocado.

Uma caneca de café.

No monitor:

READY

O programador olhou.

— Só isso?

Walter Mitty colocou o casaco.

— Você viu um homem sentado numa mesa.

— Sim.

— Eu vi alguém aprendendo a controlar luz depois de passar trinta anos controlando dados.

Silêncio.

Walter Mitty abriu a porta.

Do outro lado havia uma cordilheira no Himalaia.

Ou talvez fosse apenas o estacionamento.

Com Walter Mitty nunca se sabia.

Antes de desaparecer, virou-se e disse:

— E lembre-se: uma foto em ISO 6400 que conta uma história vale mais do que uma foto perfeita que não diz nada.

Depois saiu.

O programador olhou novamente para a câmera.

Ajustou:

MODE        MANUAL
ISO         400
APERTURE    f/2.8
SHUTTER     1/250

Enquadrou a caneca.

Pensou um pouco.

Mudou de posição.

Abaixou a câmera.

Esperou a luz atravessar a janela.

E disparou.

Sem modo automático.

Sem tabela.

Sem medo.

Porque naquele momento tinha finalmente entendido:

fotografar não é encontrar a configuração correta. É escolher deliberadamente qual versão do mundo você quer registrar.

E isso, para alguém acostumado a escrever programas que transformam dados, talvez não seja uma ideia tão estranha assim.

No fim das contas, fotografia é quase COBOL.

Você recebe entrada.

Aplica regras.

Controla exceções.

Produz saída.

Só existe uma pequena diferença.

No COBOL, quando tudo funciona, normalmente ninguém percebe.

Na fotografia...

quando tudo funciona,

alguém sente alguma coisa.

sábado, 8 de maio de 2021

🎌🎂 “Christmas Cake”: o apelido cruel das mulheres maduras nos animes japoneses



 🎌🎂 “Christmas Cake”: o apelido cruel das mulheres maduras nos animes japoneses

Entre o machismo social e o humor cultural, uma metáfora doce — e amarga.


🎄 Origem do termo

Nos anos 80 e 90, durante o auge do boom econômico japonês, surgiu uma expressão peculiar e cruel:

“Mulher acima dos 25 anos é como bolo de Natal — ninguém quer depois do dia 25.”

Em japonês, isso virou “クリスマスケーキ” (Christmas Cake), uma metáfora para mulheres que não se casaram até os 25.
O raciocínio (machista, claro) era que, assim como o bolo natalino perde valor depois do dia 25 de dezembro, a mulher “passaria do ponto” após essa idade.

💬 O termo pegou com força na cultura pop, especialmente em comédias românticas e dramas dos anos 90.


🍰 Por que o termo aparece tanto em animes

O Japão tem uma sociedade que pressura fortemente as mulheres a casar cedo e deixar a carreira para formar família.
Nos animes, esse estigma aparece em:

  • Personagens femininas tristes ou frustradas por “ainda estarem solteiras”.

  • Piadas de colegas zombando da idade de uma mulher acima dos 25.

  • Estereótipos da “solteirona desajeitada” (arasa — abreviação de around thirty).

💡 Exemplo clássico:

  • Tsunade (Naruto) — poderosa, linda e madura, mas constantemente alvo de piadas por “esconder a idade”.

  • Misato Katsuragi (Evangelion) — mulher independente e sexualmente livre, retratada como confusa e solitária.

  • Yukari (Paradise Kiss) — aborda o conflito entre amor, idade e carreira de forma mais realista e crítica.


🧠 O contexto cultural

Nos anos 80, o Japão vivia uma fase de prosperidade e conservadorismo social.
Esperava-se que mulheres largassem o emprego após o casamento — a chamada “esposa do salário-médio”.
Quem rompia esse ciclo era vista como incomum ou problemática.

O Christmas Cake virou um símbolo social da mulher que não seguiu o “manual da boa esposa” — e isso ainda ecoa nas produções até hoje.


💬 Outros termos usados em animes

O Japão adora expressões para classificar faixas etárias com tons de humor (ou veneno social):

  • 🧁 Arasa (アラサー) — “around thirty”, mulheres por volta dos 30 anos, geralmente retratadas como inseguras ou pressionadas.

  • 🍷 Arajii (アラジー) — homens acima dos 40, menos estigmatizados.

  • 🐍 Dokushin Onna (独身女) — mulher solteira “independente demais”.

  • 🐱 Ojou-san / Onee-san — modos respeitosos, mas que mudam de tom dependendo da idade e do contexto.

  • 👵 Obasan — literalmente “tia”, mas usado pejorativamente para mulheres maduras que perderam o “brilho da juventude”.


📺 Como o anime lida com isso hoje

Nos últimos anos, alguns animes têm criticado o próprio etarismo:

  • Aggretsuko mostra a pressão sobre mulheres adultas no trabalho e nos relacionamentos.

  • Wotakoi: Love is Hard for Otaku (2018) trata romances maduros com leveza e realismo.

  • Otona Joshi no Anime Time (2011) dá voz a mulheres de meia-idade, frustradas, mas humanas e complexas.

Essas obras subvertem o “Christmas Cake”, mostrando que envelhecer não é expirar — é evoluir.


Conclusão Bellacosa

O “bolo de Natal” virou metáfora amarga porque foi criado por uma sociedade que confundiu idade com valor.

Mas o Japão está mudando — lentamente, como um bolo assando no forno cultural.
E cada vez mais animes estão mostrando que a vida não acaba aos 25 — às vezes, ela começa com uma boa fatia de coragem, autoconhecimento e, claro, um café Bellacosa pra acompanhar. 🎂✨

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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