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quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Storage no IBM Z — O painel de controle do coração do sistema

 

Bellacosa Mainframe apresenta Storage no IBM Z Mainframe

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Storage no IBM Z — O painel de controle do coração do sistema

Se o mainframe fosse um organismo vivo, o SDSF seria o eletrocardiograma, onde vemos o que esta acontecendo.


Simples. Elegante. Silenciosamente poderoso.

E, ao mesmo tempo, um verdadeiro mapa do estado interno do z/OS.

Este painel funciona como um índice vivo — exatamente o tipo de tela que um operador experiente olha antes mesmo do café esfriar ☕


🧠 SUMMARY — “Como está o cérebro agora?”

👉 Visão geral da memória total do sistema

Aqui você descobre rapidamente:

  • Quanto de storage existe

  • Quanto está em uso

  • Quanto está livre

  • Se o workload está tranquilo ou pressionado

💡 Tradução humana:

“Estamos confortáveis… ou perto do limite?”

Foi exatamente o que vimos quando falamos de:

✔ REAL STORAGE
✔ AVAILABLE
✔ WORKLOAD

É o check-up rápido.


😮‍💨 PAGING — “A respiração da memória”

Quando a RAM não comporta tudo, o sistema usa disco como apoio.

👉 Paging mostra esse vai-e-volta.

Indicadores típicos:

  • Paging rate

  • Delay

  • Pressão de memória

  • Possível degradação de performance

💬 Regra de ouro dos mainframes:

Um pouco de paging é normal. Muito paging é um alerta.

Foi aqui que vimos:

✔ PAGING RATE IN
✔ IN DELAY

Se esse painel “acelera”, algo está mudando.


🏢 COMMON — “As áreas compartilhadas do sistema”

Este é o setor das infraestruturas internas.

Inclui as famosas regiões:

  • CSA

  • ECSA

  • SQA

  • LSQA

  • PLPA

  • BELOW THE LINE

São áreas que sustentam o próprio funcionamento do z/OS e dos subsistemas.

💡 Analogia Bellacosa™:

👉 Não são os usuários… são os encanamentos do prédio.

Problemas aqui podem causar efeitos misteriosos:

  • Falhas estranhas

  • Mensagens obscuras

  • Comportamentos imprevisíveis

  • Necessidade de IPL

Especial atenção para:

⚠ BELOW 16M — a relíquia histórica crítica
⚠ ESQA — logística interna do kernel


🍽️ TOP USERS — “Quem está comendo tudo?”

Aqui aparece o ranking dos maiores consumidores de memória.

Exemplos clássicos:

  • DB2 (bancos de dados)

  • CICS (transações online)

  • Batch jobs

  • Usuários TSO

  • Subsistemas diversos

👉 É a tela do “quem foi?” quando algo começa a apertar.

Frequentemente responde:

  • Um job saiu do controle?

  • Um subsistema cresceu demais?

  • Um usuário exagerou?

  • Um leak de memória apareceu?

💬 Entre operadores, é conhecida informalmente como:

“A lista dos culpados”


🧓 Curiosidade histórica deliciosa

Nos consoles físicos antigos, operadores observavam dezenas de telas e relatórios.

Hoje, tudo isso cabe em um único painel lógico.

Minimalista. Preciso. Letalmente informativo.


🤫 Easter Egg Mainframe

Você pode operar um data center inteiro com pouquíssimas telas — se souber quais são.

Esta é uma delas.

Muitos sysprogs dizem:

“Se o Storage Console está tranquilo, o resto provavelmente também está.”


🧃 Explicação ultra simples

Se o IBM Z fosse uma cidade:

  • SUMMARY → visão aérea da cidade

  • PAGING → trânsito e congestionamento

  • COMMON → infraestrutura urbana (água, energia, metrô)

  • TOP USERS → prédios com maior consumo


🚀 Por que isso é tão impressionante?

Porque esta única tela resume algo gigantesco:

👉 A saúde operacional de sistemas que movem economias inteiras.

Estamos falando de máquinas que sustentam:

  • Bancos

  • Cartões

  • Governo

  • Bolsa de valores

  • Companhias aéreas

  • Telecom

  • Sistemas críticos globais

E tudo começa com memória.

🩺 O monitor cardíaco da memória



[ PAGING ]


MAINFRAME • MEMORY • PERFORMANCE
Paging no IBM Z — Quando a memória começa a “respirar”
Entenda de forma clara e envolvente o que é paging no z/OS, por que ele acontece, como interpretar os indicadores e quando a memória do mainframe está confortável — ou começando a sentir pressão.
☕ Série Um Café no Bellacosa Mainframe
🔎 Abrir artigo


 [ COMMON ]


 [ TOP USERS ]





☕ Conclusão

Este console é mais que um painel técnico.

É um índice vivo do funcionamento interno do mainframe.

👉 Quanto temos
👉 Como estamos usando
👉 Onde pode haver risco
👉 Quem está pressionando
👉 Se o sistema está confortável

Em poucas palavras:

💚 Se o SDSF está tranquilo… o Operador esta tomando café... O Telefone Vermelho não esta tocando, então o mundo digital provavelmente também está.

terça-feira, 26 de setembro de 2023

🕯️ El Jefe Midnight Lunch apresenta: “As Palavras Não Ditam — O Silêncio nos Animes”

 

Bellacosa Mainframe e as beldades de anime


🕯️ El Jefe Midnight Lunch apresenta: “As Palavras Não Ditam — O Silêncio nos Animes”
(um fecho poético da trilogia gesto–toque–ausência)

Por Bellacosa Mainframe


Há um instante — entre o gesto e o toque — em que o som cessa.
O vento se recolhe. O olhar se alonga. E o silêncio fala.

Os japoneses entendem esse momento como “Ma” (間) — o espaço entre as coisas, a pausa entre as notas, o vazio que dá sentido à melodia.
Nos animes, esse “Ma” é arte, é tempo suspenso, é poesia pura.
E é nele que mora o poder do não-dito.


🌙 A origem do silêncio como linguagem

Na tradição japonesa, o silêncio nunca foi ausência — sempre foi presença.
Desde os tempos do teatro Noh, onde os atores se moviam lentamente e falavam menos do que olhavam, até os poemas haiku, em que três linhas bastam para evocar o universo inteiro.

O silêncio é parte da gramática cultural do Japão.
É o espaço do respeito, da reflexão, da contenção.
E também — nas entrelinhas — o território das emoções mais profundas.

Nos animes, o silêncio vem como aquele “frame extra” que congela o tempo.
É o momento antes da lágrima, o segundo após o golpe, o olhar que dura demais.


🎬 Os silêncios que falam mais alto

💧 Grave of the Fireflies (Hotaru no Haka) — o filme inteiro é uma elegia muda. Nenhum grito, nenhum protesto. Só a respiração da perda. O silêncio é o verdadeiro protagonista.

🍃 My Neighbor Totoro — há cenas inteiras sem falas, apenas o som do vento nos campos de arroz. O silêncio aqui é inocência — e é sagrado.

⚔️ Attack on Titan — quando Levi vê seus companheiros tombarem, não há trilha sonora, apenas o som abafado do sangue. Esse silêncio é culpa.

🌕 Your Name (Kimi no Na wa) — o instante em que Taki e Mitsuha se encontram no crepúsculo. Eles têm tanto a dizer — e dizem nada.
Porque há sentimentos que morrem se forem nomeados.

🔥 Naruto e Jiraiya — quando o mestre parte, não há choro, só o eco distante do sapo. O silêncio é luto, mas também legado.


💭 Curiosidades de bastidores

🎧 Os diretores de estúdios como Ghibli e Kyoto Animation são obcecados por “o som do nada”.
Miyazaki, por exemplo, chamava o silêncio de “o som do ar respirando”.
Já Makoto Shinkai trabalha os silêncios com pausas calculadas no roteiro — um tipo de timing emocional, que vale mais que qualquer trilha.

Em séries como Neon Genesis Evangelion, o silêncio vira claustrofobia — é o espaço onde o espectador confronta o próprio vazio.

E há algo de muito japonês nisso:
no Ocidente, o silêncio é desconforto.
No Japão, é contemplação.


💋 Fofoquices filosóficas

Muitos otakus especulam que os “momentos de silêncio” são também uma forma de baratear a produção (menos frames, menos dublagem 😅).
Mas os diretores negam veementemente: dizem que o pause dramático é parte da alma do anime.

Outro rumor diz que Shinkai teria estudado o ritmo dos filmes de Ozu Yasujirō, o mestre do cinema silencioso japonês — famoso por deixar longos segundos de nada entre as falas.
É o pacing zen: o que você sente quando não há nada acontecendo.


🕊️ Dicas para quem quer “ouvir o silêncio”

  1. Reassista suas cenas favoritas com fones e sem pressa.
    Ouça o que não é dito: o som da respiração, o passo no tatame, o vento.

  2. Experimente pausar um episódio antes da fala final.
    Esse microinstante de suspensão é o “Ma”.

  3. E se quiser algo mais Bellacosa Mainframe, escreva sobre o que não aconteceu — o beijo que quase foi, a frase engasgada, o olhar que desviou.


🌌 Conclusão: o som do vazio

O silêncio nos animes é o mesmo silêncio de um mainframe às 3h da manhã —
sem ruído, mas cheio de vida por dentro.
É o buffer entre duas execuções, o wait antes da nova rotina começar.

E talvez por isso ele nos comova tanto.
Porque ali, na ausência, é onde mora tudo o que sentimos — mas não conseguimos compilar.


🕯️ “O silêncio é o código-fonte da alma.”
— Bellacosa Mainframe

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Animes para salvar quem amamos e perdoar a nós mesmos

 

Bellacosa Mainframe animes para la de doidos

🕯️ 1. Steins;Gate — 2011

Sinopse: Um grupo de jovens cientistas descobre acidentalmente como enviar mensagens ao passado, desencadeando paradoxos e consequências trágicas.
Personagens: Okabe Rintarou, Kurisu Makise, Mayuri Shiina
Curiosidades: Baseado em um visual novel aclamado; mistura ficção científica e emoção de forma magistral.
Dica: Ideal para quem gostou da parte de “viagem no tempo” de Erased, mas quer uma trama mais complexa e científica.


🌧 2. Tokyo Revengers — 2021

Sinopse: Takemichi, um jovem sem rumo, volta ao tempo do ensino médio para salvar sua ex-namorada de um destino trágico.
Personagens: Takemichi Hanagaki, Mikey, Draken, Hinata
Curiosidades: O autor se inspirou em memórias pessoais de gangues juvenis japonesas.
Dica: Pense em Erased com adrenalina, emoção e laços de irmandade.


🌙 3. Re:Zero – Starting Life in Another World — 2016

Sinopse: Subaru morre e revive infinitas vezes tentando mudar o destino de quem ama em um mundo de fantasia.
Personagens: Subaru Natsuki, Emilia, Rem, Beatrice
Curiosidades: Apesar do cenário isekai, o tema central é culpa e persistência — a essência do “reviver para salvar”.
Dica: Um espelho mais brutal da jornada de Satoru.


🌻 4. Orange — 2016

Sinopse: Uma jovem recebe uma carta de seu “eu do futuro” pedindo que ela salve um colega de classe de um destino trágico.
Personagens: Naho Takamiya, Kakeru Naruse, Suwa
Curiosidades: Inspirado em cartas que a autora escreveu para si mesma na adolescência.
Dica: É Erased em tom romântico e emocional — pura empatia em forma de anime.


🕰️ 5. The Girl Who Leapt Through Time (Toki wo Kakeru Shoujo) — 2006

Sinopse: Uma garota comum descobre que pode saltar no tempo, mas percebe que mexer no destino tem preço.
Personagens: Makoto Konno, Chiaki Mamiya, Kousuke
Curiosidades: Direção de Mamoru Hosoda (Wolf Children, Belle).
Dica: Um dos filmes mais poéticos sobre arrependimento e juventude.


🪁 6. ReLIFE — 2016

Sinopse: Um homem de 27 anos recebe uma pílula que o faz voltar ao ensino médio para reescrever sua vida.
Personagens: Arata Kaizaki, Chizuru Hishiro
Curiosidades: O anime explora a sensação de “segunda chance” sem elementos sobrenaturais pesados.
Dica: Se Erased te emocionou pela nostalgia e pela ideia de corrigir erros, ReLIFE é a escolha perfeita.


🌇 7. Paranoia Agent (Mousou Dairinin) — 2004

Sinopse: Um garoto misterioso de patins e taco de beisebol ataca pessoas que vivem sob estresse e culpa.
Personagens: Shounen Bat, Tsukiko Sagi, Keiichi Ikari
Curiosidades: Obra-prima de Satoshi Kon — mistura real e imaginário, trauma e fuga.
Dica: Um Erased mais psicológico e simbólico, ideal para quem gosta de analisar.


🎠 8. Another — 2012

Sinopse: Uma sala de aula amaldiçoada sofre acidentes mortais até que um novo aluno tenta desvendar o mistério.
Personagens: Kouichi Sakakibara, Mei Misaki
Curiosidades: Baseado em um romance japonês inspirado em The Ring.
Dica: Suspense sombrio com a mesma atmosfera de “mistério e memória” de Erased.


🌦 9. Link Click (Shiguang Dailiren) — 2021

Sinopse: Dois jovens entram em fotografias para reviver o passado e ajudar clientes a resolver traumas.
Personagens: Cheng Xiaoshi, Lu Guang
Curiosidades: Produção chinesa (donghua), com qualidade e emoção dignas de grandes estúdios japoneses.
Dica: Erased com câmera, fotografia e lágrimas — surpreendente.


💔 10. Plastic Memories — 2015

Sinopse: Em um futuro próximo, androides com emoções reais têm prazo de vida; um funcionário deve coletar memórias antes que se percam.
Personagens: Tsukasa Mizugaki, Isla
Curiosidades: Produzido pelo estúdio Doga Kobo — o mesmo de New Game! e Sing Yesterday for Me.
Dica: Troque a viagem no tempo por o fim inevitável — mas mantenha o mesmo peso emocional.


☕ Conclusão Bellacosa

Todos esses animes compartilham o mesmo pulso vital de Boku Dake ga Inai Machi:
a vontade de consertar o passado, salvar quem amamos e perdoar a nós mesmos.

domingo, 24 de setembro de 2023

🕯️ Boku Dake ga Inai Machi – O tempo, a culpa e a redenção

 

Bellacosa Mainframe apresenta Boku Dake ga Inai Machi

🕯️ Boku Dake ga Inai Machi – O tempo, a culpa e a redenção


“Se eu pudesse voltar... mudaria alguma coisa?”

Essa é a pergunta que ecoa no coração de Satoru Fujinuma, protagonista de um dos animes mais impactantes da década:
Boku Dake ga Inai Machi (僕だけがいない街), conhecido em inglês como Erased.

Lançado em 2016 pelo estúdio A-1 Pictures, e baseado no mangá de Kei Sanbe, o anime mistura suspense, drama psicológico e viagem no tempo — mas, no fundo, fala sobre algo muito mais humano: a culpa e a tentativa de salvar quem ficou para trás.


🎬 Sinopse – O herói que voltou no tempo

Satoru é um jovem de 29 anos, frustrado, preso em trabalhos temporários e com um dom misterioso chamado Revival:
ele volta alguns minutos no tempo toda vez que algo trágico está prestes a acontecer.

Mas um dia, após uma tragédia pessoal devastadora, Satoru é lançado não alguns minutos, mas 18 anos no passado, voltando à sua infância em 1988 — antes de uma série de sequestros e assassinatos de crianças.

Agora, ele tem a chance de mudar o destino — não apenas o seu, mas o de uma menina chamada Kayo Hinazuki, cuja dor e abandono refletem toda a frieza que o mundo adulto tenta ignorar.


🎭 Estilo e Temática

Boku Dake ga Inai Machi é um anime de thriller psicológico com alma de drama humano.
Ele mistura a tensão de uma investigação com o calor de memórias nostálgicas da infância.
O contraste entre o Japão gelado e o sorriso tímido de Kayo cria um equilíbrio entre esperança e desespero, um tom que lembra os filmes de Makoto Shinkai, mas com a densidade emocional de um suspense noir.

Cada episódio é uma aula sobre ritmo narrativo:

  • A cor e a iluminação mudam conforme o tempo — tons frios no presente, cores quentes no passado.

  • A trilha sonora (de Yuki Kajiura) guia a emoção como se fosse uma memória viva.

  • O uso do silêncio é proposital: o vazio fala.


🧩 Personagens Principais

  • Satoru Fujinuma: O protagonista. Um homem comum em busca de redenção.

  • Kayo Hinazuki: A menina vítima de abuso doméstico, símbolo da inocência ferida.

  • Sachiko Fujinuma: A mãe de Satoru, uma das figuras maternas mais fortes do anime moderno.

  • Kenya Kobayashi: O amigo inteligente e sensível que percebe mais do que demonstra.


💡 Curiosidades Bellacosa

  1. O título original, Boku Dake ga Inai Machi, significa literalmente “A cidade onde só eu não existo”, refletindo o sentimento de exclusão e vazio de Satoru.

  2. O autor Kei Sanbe inspirou parte da história em casos reais de desaparecimento infantil no Japão.

  3. O mangá teve adaptação live-action (2017) e uma série da Netflix (2017) — ambas com finais diferentes.

  4. O anime termina antes do mangá, mas de forma coesa e emocionalmente satisfatória.

  5. O tema de abertura, Re:Re da banda Asian Kung-Fu Generation, é um hino nostálgico sobre reviver o passado.


🧠 Dicas para o Espectador

  • 🕰 Assista com calma — é um anime de detalhes: expressões, olhares e silêncios são parte da história.

  • 📖 Repare na infância de Satoru — ela mostra como pequenas ações de bondade podem mudar destinos inteiros.

  • 💔 Prepare-se emocionalmente — o anime fala de abuso infantil e culpa, mas sem explorar o sofrimento de forma gratuita.

  • 🎞 Veja o live-action da Netflix após o anime — interessante para comparar interpretações.


🧭 O que torna “Erased” tão especial

Este não é apenas um anime sobre viagem no tempo.
É sobre a chance de fazer o certo quando o mundo adulto falha.
Satoru representa o adulto que a sociedade moderna sufoca: cansado, arrependido, mas ainda capaz de amar.
E Kayo simboliza todas as crianças invisíveis — aquelas que sobrevivem em silêncio, esperando que alguém perceba.

No fim, Erased não é sobre mudar o passado.
É sobre não esquecer o que ele tentou ensinar.


🕰️ Ficha Técnica Bellacosa

ItemDetalhe
Título Original僕だけがいない街 (Boku Dake ga Inai Machi)
Título InternacionalErased
Ano de Lançamento2016
Episódios12
GêneroSuspense, Drama, Mistério, Psicológico
EstúdioA-1 Pictures
DireçãoTomohiko Itō
Autor OriginalKei Sanbe
Trilha SonoraYuki Kajiura

☕ Reflexão Bellacosa

Em um mundo onde tudo é acelerado, Boku Dake ga Inai Machi nos convida a desacelerar — a olhar para trás e lembrar que o tempo não é apenas cronologia, mas sentimento.

Porque às vezes, o que mais desejamos não é reviver o passado...
mas ser vistos no presente.

sábado, 23 de setembro de 2023

🧟 Zom 100: Quando o Datacenter Corporativo Entrou em ABEND e um Analista Descobriu que o Apocalipse Era o Primeiro Dia de Liberdade

 

Bellacosa Mainframe e a lista de 100 coisas para fazer no apocalipse zoombie

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🧟 Zom 100 (ゾン100 ~ゾンビになるまでにしたい100のこと~): Quando o Datacenter Corporativo Entrou em ABEND e um Analista Descobriu que o Apocalipse Era o Primeiro Dia de Liberdade

"Às vezes, o verdadeiro desastre não é um vírus zumbi. É um sistema corporativo que mantém seus processos executando indefinidamente até consumir toda a CPU da alma."


Informações Técnicas

Título original: ゾン100 ~ゾンビになるまでにしたい100のこと~ (Zom 100: Zombie ni Naru Made ni Shitai 100 no Koto)

Título internacional: Zom 100: Bucket List of the Dead

Autor (mangá): Haro Aso

Ilustrador: Kotaro Takata

Estúdio: BUG FILMS

Diretor: Kazuki Kawagoe

Roteiro: Hiroshi Seko

Música: Makoto Miyazaki

Lançamento do mangá: Outubro de 2018

Anime: Julho de 2023

Episódios: 12

Gênero:

  • Comédia

  • Horror

  • Zumbi

  • Sobrevivência

  • Slice of Life

  • Aventura

  • Seinen

Classificação indicativa: 16+


Sinopse

Akira Tendō é um jovem funcionário que conseguiu o emprego dos sonhos em uma produtora de televisão.

Poucos meses depois descobre que, na verdade, entrou para um verdadeiro campo de concentração corporativo.

Horas extras infinitas.

Chefes abusivos.

Assédio moral.

Sem férias.

Sem vida social.

Sem esperança.

Até que...

O mundo acaba.

Um vírus transforma praticamente toda a humanidade em zumbis.

Enquanto todos entram em pânico...

Akira sorri.

Porque finalmente...

Não precisa mais ir trabalhar.

É o início da sua lista das 100 coisas para fazer antes de virar um zumbi.


O verdadeiro apocalipse

Sob a ótica Bellacosa Mainframe, existe um detalhe genial.

O anime nunca trata o apocalipse como o maior problema.

Na verdade, o apocalipse é apresentado como uma solução.

Isso inverte completamente o gênero.

Normalmente:

Vida normal
↓
Apocalipse
↓
Sofrimento

Em Zom 100:

Vida corporativa
↓
Sofrimento
↓
Apocalipse
↓
Liberdade

É praticamente um RESTART IPL depois de anos executando um sistema operacional corrompido.


A metáfora do Mainframe

Imagine um IBM Z.

Durante anos um JOB ficou preso em LOOP.

Consumindo CPU.

Consumindo memória.

Gerando WAITs.

Sem nunca terminar.

Esse JOB chama-se:

Akira Tendō.

O sistema operacional continua funcionando.

Mas o workload está completamente errado.

Quando o vírus chega...

É como executar:

CANCEL JOB=AKIRA

Todo aquele workload inútil desaparece.

Agora existe CPU livre.

Existe memória.

Existe tempo.

Existe vida.


Resumo da história

Cada episódio representa um item da famosa Bucket List.

Ao invés de apenas fugir dos zumbis, Akira decide viver.

Ele quer:

  • andar de moto

  • beber cerveja

  • visitar amigos

  • viajar

  • encontrar um amor

  • experimentar aventuras

  • ajudar desconhecidos

  • realizar sonhos esquecidos

O objetivo nunca foi sobreviver.

O objetivo é viver antes que seja tarde.

Essa diferença muda completamente a narrativa.


Os personagens

Akira Tendō

Um salaryman completamente destruído psicologicamente.

No primeiro episódio parece um personagem deprimido.

Pouco depois se transforma numa das pessoas mais otimistas dos animes modernos.

Seu crescimento não acontece porque ficou mais forte.

Acontece porque voltou a ser humano.


Shizuka Mikazuki

O oposto de Akira.

Ela calcula riscos.

Planeja.

Economiza recursos.

É quase um algoritmo de Disaster Recovery ambulante.

Enquanto Akira representa emoção...

Shizuka representa lógica.

Os dois funcionam como:

Batch + Online

ou

CPU + Storage

ou

Planejamento + Execução

Kencho

O melhor amigo.

É responsável pela maior parte da comédia.

Representa alguém que percebeu cedo que dinheiro não compra felicidade.

É o JOB utilitário que impede o sistema de ficar sério demais.


Beatrix Amerhauser

A alemã apaixonada pela cultura japonesa.

Especialista em armas medievais.

Representa curiosidade cultural e paixão por aprender.


Aventuras

Cada aventura possui um objetivo emocional.

Nunca existe apenas ação.

Sempre existe crescimento pessoal.

Os protagonistas enfrentam:

  • supermercados infestados

  • parques temáticos

  • aquários

  • cidades abandonadas

  • caminhões

  • incêndios

  • tubarões-zumbi

  • mansões

  • acampamentos

  • resorts

Tudo isso enquanto procuram realizar sonhos antigos.


O diferencial

Existem centenas de animes de zumbi.

Pouquíssimos perguntam:

"E se o fim do mundo fosse melhor do que a vida que levávamos?"

Essa pergunta torna Zom 100 único.

Os zumbis deixam de ser protagonistas.

Os verdadeiros monstros são:

  • exploração corporativa

  • burnout

  • pressão social

  • produtividade tóxica

  • capitalismo extremo

  • perda da identidade


A mensagem escondida

Sob a camada de humor existe uma crítica social extremamente pesada.

O vírus não destruiu pessoas.

A empresa já havia feito isso.

Os zumbis apenas oficializaram o estado em que muitos personagens já viviam.

É uma crítica direta à cultura do excesso de trabalho, muito discutida no Japão, onde longas jornadas, pressão hierárquica e casos de karōshi (morte por excesso de trabalho) fazem parte do debate público.


O Mainframe da sociedade

No universo Bellacosa Mainframe, o Japão é apresentado como um enorme Datacenter.

INPUT

Jovens

↓

Treinamento

↓

Empresa

↓

Horas extras

↓

Burnout

↓

OUTPUT

Funcionários "zumbificados"

O vírus apenas acelerou um processo que já estava em produção.


A engenharia por trás do anime

O roteiro é extremamente inteligente.

Cada episódio alterna:

Comédia

↓

Ação

↓

Reflexão

↓

Esperança

↓

Novo objetivo

É quase um Scheduler.

Nunca deixa o espectador emocionalmente saturado.


O simbolismo das cores

Enquanto quase todo anime de zumbi utiliza:

  • cinza

  • preto

  • verde escuro

  • vermelho

Zom 100 faz exatamente o contrário.

Utiliza:

  • azul intenso

  • amarelo

  • rosa

  • verde neon

  • laranja

É como se dissesse:

"O mundo acabou.

Finalmente podemos usar todas as cores novamente."

Até o sangue frequentemente aparece em cores vibrantes e estilizadas, reforçando o tom satírico e afastando a obra do horror realista.


Existe censura?

Não houve censura significativa ao conteúdo da obra.

Algumas emissoras e plataformas aplicaram escurecimento de cenas, redução de flashes ou pequenos ajustes visuais para atender normas de transmissão televisiva, algo relativamente comum no Japão.

O anime enfrentou um problema muito mais conhecido do que censura: atrasos na exibição. Diversos episódios tiveram o cronograma alterado por dificuldades de produção no estúdio BUG FILMS, o que fez o episódio final ser lançado meses depois dos demais. Isso gerou bastante discussão entre os fãs, mas não alterou a história.


Impacto cultural

Zom 100 tornou-se rapidamente um dos animes mais comentados de 2023.

Os motivos incluem:

  • renovação do gênero zumbi;

  • crítica ao ambiente corporativo moderno;

  • identificação de jovens profissionais com o burnout de Akira;

  • direção de arte extremamente colorida;

  • excelente equilíbrio entre humor, ação e reflexão.

A obra também ampliou a popularidade do mangá e ganhou uma adaptação em live-action pela Netflix, levando a história para um público ainda maior.


A filosofia Bellacosa Mainframe

Se fosse traduzir Zom 100 para um ambiente IBM Z, seria algo como:

SYSTEM STATUS

CPU...........100%

Memory........100%

Workload......Crítico

Operator.......Exausto

JES2 Queue.....Infinita

Response Time..Inaceitável

Mensagem:

ABEND S0LIFE

Procedimento recomendado:

✔ CANCEL JOB CORPORATIVO

✔ IPL DA VIDA

✔ EXEC BUCKETLIST PROC=VIVER

Conclusão

Zom 100 não é apenas um anime sobre zumbis. É uma sátira mordaz ao mundo corporativo, embrulhada em uma aventura vibrante, divertida e surpreendentemente otimista. A série propõe que o maior desastre não é a queda da civilização, mas viver preso a uma rotina que esgota sonhos, saúde e identidade.

No estilo Bellacosa Mainframe, a metáfora é clara: Akira passou anos executando um JOB em loop infinito, consumindo todos os recursos do sistema sem produzir valor para si mesmo. O apocalipse funciona como um IPL (Initial Program Load) da existência, um reinício que limpa processos travados e permite carregar um novo sistema operacional: uma vida guiada por propósito, amizade e experiências.

No fim, a pergunta que o anime deixa é simples, mas poderosa:

Você precisaria de um apocalipse para começar a viver, ou ainda consegue cancelar o JOB errado antes que o sistema entre em ABEND?

 

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Seijo no Maryoku wa Bannou Desu 2 (Season 2): O Upgrade sem Janela de Manutenção — Quando a Santa Descobre que Escalar um Sistema é Mais Difícil do que Construí-lo

 

Bellacosa Mainframe e a segunda temporada de seijo no maryoku wa bannou desu

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Seijo no Maryoku wa Bannou Desu 2 (聖女の魔力は万能です Season 2): O Upgrade sem Janela de Manutenção — Quando a Santa Descobre que Escalar um Sistema é Mais Difícil do que Construí-lo

"Construir um sistema confiável é uma conquista. Mantê-lo disponível enquanto milhões de usuários dependem dele é o verdadeiro desafio. A segunda temporada de Seijo no Maryoku wa Bannou Desu mostra exatamente essa evolução: sair da fase de implantação para a operação contínua de um ambiente de missão crítica."


Ficha Técnica

ItemInformação
Título original聖女の魔力は万能です Season 2
Título internacionalThe Saint's Magic Power is Omnipotent Season 2
Baseado na Light Novel聖女の魔力は万能です
AutorYuka Tachibana
IlustraçõesYasuyuki Syuri
MangáFujiazuki
EstúdioDiomedéa
DiretorShouta Ibata
RoteiroWataru Watari
MúsicaKenichi Kuroda
LançamentoOutubro de 2023
Episódios12
GêneroIsekai, Fantasia, Romance, Slice of Life, Magia, Drama
Classificação12 anos

A segunda temporada muda completamente o foco

A primeira temporada respondia:

"Quem é a Santa?"

A segunda pergunta algo muito mais complexo:

"Como administrar um mundo inteiro depois que todos descobrem quem é a Santa?"

É exatamente a diferença entre:

  • instalar um ambiente IBM Z;

e

  • administrá-lo pelos próximos vinte anos.

É aí que começa o verdadeiro trabalho.


O Studio Diomedéa amadurece junto com a obra

Na segunda temporada a Diomedéa demonstra maior confiança na narrativa.

Não há necessidade de acelerar acontecimentos nem de criar batalhas artificiais. A direção aposta em diálogos mais longos, desenvolvimento emocional e construção gradual das relações.

A animação continua discreta, mas consistente: cenários detalhados, paleta de cores suave e magia apresentada como algo elegante e controlado, reforçando a sensação de estabilidade em vez de espetáculo.


Sinopse

Depois de salvar o reino inúmeras vezes...

Sei finalmente é reconhecida como a verdadeira Santa.

Agora surge um problema completamente diferente.

Sua fama cresce.

Sua responsabilidade também.

Ela deixa de ser apenas uma pesquisadora.

Passa a representar uma instituição.


Bellacosa Mainframe interpreta

Na primeira temporada...

Sei era uma excelente analista.

Na segunda...

ela vira arquitetura corporativa.

Tudo depende dela.

Todos querem sua aprovação.

Todas as decisões passam por sua experiência.

Ela deixa de executar.

Passa a coordenar.

É a transformação clássica:

Analista → Especialista → Arquiteta → Referência Técnica.


Resumo da História

O reino vive uma relativa estabilidade graças às ações da Santa, mas novas missões, alianças políticas e pesquisas exigem que Sei amplie sua atuação. Ela viaja, participa de investigações sobre fenômenos mágicos, fortalece laços com diferentes regiões e enfrenta desafios que não podem ser resolvidos apenas com poder.

Ao mesmo tempo, o relacionamento entre Sei e Albert Hawke evolui de forma natural, mostrando que confiança e parceria se constroem lentamente.

A narrativa enfatiza responsabilidade, diplomacia e maturidade, substituindo a urgência da descoberta pelo desafio de sustentar resultados.


Os Personagens evoluem

Sei Takanashi

Agora não precisa provar quem é.

Sua preocupação muda.

Ela pergunta:

Como posso ajudar mais pessoas?

É a mentalidade de um excelente Sysprog.

Não pensa em tecnologia.

Pensa em disponibilidade.


Albert Hawke

Deixa de ser apenas interesse romântico.

Torna-se parceiro.

Protege Sei.

Mas nunca limita sua autonomia.

É um relacionamento extremamente saudável.


Johan Valdec

Continua sendo o gestor ideal.

Nunca microgerencia.

Dá recursos.

Confia.

Remove obstáculos.

Todo gerente de TI deveria assistir este personagem.


Yuri Drewes

Assume papel ainda mais importante.

Representa o arquiteto veterano.

Compartilha conhecimento.

Forma sucessores.

Não centraliza informação.


Aira

Também amadurece bastante.

A obra mostra que ela nunca foi uma rival.

Apenas outra pessoa tentando encontrar seu lugar.


As Aventuras

A segunda temporada privilegia missões de impacto estratégico:

  • pesquisas sobre novas plantas e ingredientes raros;

  • investigações envolvendo regiões afetadas por energia mágica;

  • viagens diplomáticas e encontros com diferentes nobres;

  • aperfeiçoamento dos poderes da Santa;

  • apoio às expedições dos cavaleiros;

  • fortalecimento das relações entre ciência, magia e administração do reino.

Cada missão demonstra que manter um ambiente estável exige monitoramento contínuo, cooperação e adaptação.


A Temática Principal

A palavra-chave é:

responsabilidade.

Não basta ser competente.

É preciso:

  • formar equipes;

  • ensinar;

  • documentar;

  • compartilhar conhecimento;

  • construir confiança.

Isso lembra diretamente ambientes corporativos de missão crítica, nos quais uma única pessoa não pode concentrar todo o conhecimento operacional.


O que existe de diferente nesta temporada?

Praticamente tudo.

A primeira temporada era descoberta.

A segunda é consolidação.

Ela troca:

  • aventura

por

  • crescimento profissional.

Troca:

  • magia

por

  • gestão.

Troca:

  • descobertas

por

  • maturidade.

É um anime sobre carreira.

Não sobre poder.


A metáfora Mainframe

Toda a segunda temporada lembra uma grande infraestrutura IBM Z.

AnimeIBM Mainframe
SantaArquiteta Corporativa
ReinoEmpresa Global
InstitutoCentro de Excelência
CavaleirosOperações
Magia SagradaMiddleware
PesquisaMelhoria Contínua
PurificaçãoCorreção de Incidentes
ViagensAuditorias
MonstrosFalhas Críticas
Reino SeguroSLA Cumprido

As mensagens ocultas

1. O sucesso cria novas responsabilidades

Na primeira temporada...

ninguém conhecia Sei.

Agora...

todos dependem dela.

É exatamente o que acontece com especialistas de infraestrutura.


2. Conhecimento precisa ser compartilhado

Se apenas uma pessoa sabe tudo...

o sistema é frágil.

A obra valoriza colaboração e formação de novos especialistas.


3. Liderança é serviço

Sei nunca usa seu prestígio para mandar.

Ela influencia pelo exemplo.


4. Confiança leva anos para ser construída

O romance segue essa lógica.

As amizades também.

Assim como a reputação profissional.


5. Nem todo problema exige violência

Boa parte dos conflitos é resolvida por pesquisa, negociação e empatia, reforçando que inteligência e cooperação podem ser mais eficazes do que força.


Aspectos técnicos da animação

A direção mantém um ritmo contemplativo, com boa integração entre trilha sonora e ambientação. As cenas de magia utilizam efeitos luminosos delicados e enquadramentos que destacam emoções e paisagens, evitando exageros visuais. Embora o orçamento não rivalize com grandes produções do gênero, a consistência artística favorece a imersão.


Impacto Cultural

A segunda temporada consolidou a reputação da franquia como um dos isekais mais voltados ao público adulto que busca histórias tranquilas e protagonistas competentes. Ela reforçou o espaço de obras com romance saudável, crescimento pessoal e foco em trabalho especializado, mostrando que o gênero pode ser interessante sem depender de batalhas incessantes ou de um protagonista excessivamente poderoso.


Houve censura?

Não existem registros relevantes de censura envolvendo a segunda temporada. A adaptação manteve o tom da light novel, realizando apenas cortes e reorganizações de eventos para adequar o conteúdo ao formato de 12 episódios. Essas alterações são típicas de adaptações para televisão e não refletem censura de conteúdo.


Classificação

Classificação indicativa sugerida: 12 anos

Contém:

  • fantasia medieval;

  • magia;

  • romance;

  • ação moderada;

  • monstros;

  • temas de responsabilidade e amadurecimento.

É uma obra apropriada para quem prefere histórias focadas em desenvolvimento de personagens e relações humanas.


O grande ensinamento para profissionais de Mainframe

A primeira temporada mostrava como descobrir uma especialista extraordinária.

A segunda responde a uma pergunta ainda mais importante:

Como impedir que toda uma infraestrutura dependa de apenas uma pessoa?

Essa é uma das maiores preocupações de qualquer ambiente IBM Z. Um sistema pode sobreviver a falhas de hardware graças à redundância e à alta disponibilidade, mas sofre quando o conhecimento está concentrado em um único profissional.

Sei compreende que sua verdadeira missão não é apenas resolver incidentes, e sim criar processos sustentáveis, desenvolver outras pessoas e fortalecer instituições para que continuem funcionando mesmo quando ela não estiver presente.

É exatamente essa visão que diferencia um operador competente de um arquiteto de missão crítica.

No universo Bellacosa Mainframe, a segunda temporada de Seijo no Maryoku wa Bannou Desu não é sobre magia. É sobre governança, continuidade operacional, gestão do conhecimento e evolução de uma plataforma que precisa permanecer disponível 24 horas por dia, sete dias por semana. A verdadeira Santa não é a que lança o feitiço mais poderoso, mas a que garante que todo o reino continue funcionando sem downtime.

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

IBM MQ: Muito Além das Filas — A Engenharia Invisível que Mantém Grandes Empresas em Movimento

 

Bellacosa Mainframe e o ibm mq muito alem das filas

IBM MQ: Muito Além das Filas — A Engenharia Invisível que Mantém Grandes Empresas em Movimento

"Se o banco autorizou seu PIX, a companhia aérea confirmou sua passagem e a operadora aprovou sua compra no cartão em poucos segundos, existe uma boa chance de que o IBM MQ tenha participado dessa conversa silenciosa entre sistemas."

A comparação entre administrar filas de mensagens e controlar o tráfego aéreo é extremamente feliz. Em ambos os casos, o objetivo não é apenas transportar algo de um ponto ao outro, mas garantir que cada "passageiro" (mensagem) chegue ao destino correto, na ordem adequada, sem colisões, sem perdas e com total rastreabilidade.

É justamente essa capacidade que fez do IBM MQ um dos pilares da integração corporativa por mais de três décadas.

Enquanto novas tecnologias aparecem todos os anos, o MQ permanece praticamente onipresente em bancos, seguradoras, bolsas de valores, empresas de logística, telecomunicações, governos e indústrias.

Isso acontece porque ele resolve um problema que nunca deixou de existir:

Como permitir que dezenas ou centenas de sistemas diferentes conversem entre si de forma confiável?


O verdadeiro problema não é enviar mensagens

Enviar uma mensagem é fácil.

Um socket TCP faz isso.

Uma API REST também.

Um POST HTTP consegue transportar informações perfeitamente.

O problema começa quando surgem perguntas muito mais difíceis:

  • E se o sistema destino estiver indisponível?

  • E se a rede cair durante a transmissão?

  • E se o consumidor estiver mais lento que o produtor?

  • E se houver milhares de mensagens por segundo?

  • Como garantir que nenhuma mensagem seja perdida?

  • Como recuperar mensagens após um desastre?

  • Como processar tudo exatamente uma única vez?

É aqui que o IBM MQ mostra por que continua sendo referência.

Ele não é apenas um mecanismo de envio.

Ele é um sistema completo de entrega garantida.


Local Queues: o coração do Queue Manager

O texto começa destacando as Local Queues.

Pode parecer apenas um objeto simples.

Na prática, elas representam o ponto onde toda a arquitetura converge.

Quando um programa COBOL executa:

MQPUT

ele normalmente está gravando em uma Local Queue.

Quando um programa Java faz:

put(message)

também.

Quando um serviço REST recebe uma requisição e publica uma mensagem...

...novamente estamos falando de uma Local Queue.

Ela é o "disco de pouso" das mensagens.


O ciclo de vida de uma fila

O artigo cita o CRUD clássico.

Mas cada comando tem implicações importantes.

DEFINE

Criar uma fila significa estabelecer diversas políticas:

  • persistência

  • tamanho máximo

  • profundidade

  • prioridade

  • triggering

  • cluster

  • segurança

  • compartilhamento

Não é simplesmente "criar uma pasta".

É definir comportamento operacional.


LIKE

Pouca gente utiliza adequadamente:

DEFINE QLOCAL(NOVA.FILA)
LIKE(FILA.MODELO)

Esse comando economiza horas.

Imagine uma organização com:

  • MAXDEPTH

  • DEFPSIST

  • SHARE

  • TRIGGER

  • MONQ

  • HARDENBO

todos configurados segundo padrões corporativos.

Copiar a definição evita inconsistências.

Em ambientes regulados isso é praticamente obrigatório.


ALTER

Alterar filas em produção exige cuidado.

Exemplo:

ALTER QLOCAL(PAGAMENTOS)
MAXDEPTH(500000)

Parece inocente.

Mas alterar atributos pode afetar:

  • performance

  • consumo de disco

  • comportamento das aplicações

Administradores experientes sempre avaliam o impacto antes de executar alterações.


CLEAR

Este comando merece respeito.

CLEAR QLOCAL(TESTE)

Ele elimina todas as mensagens.

Não existe "desfazer".

Jamais deve ser utilizado em produção sem absoluta certeza.


DELETE

Excluir uma fila exige planejamento.

Muitas aplicações dependem daquele objeto.

Apagar uma queue errada pode derrubar diversos sistemas ao mesmo tempo.


Filas maiores que 2 TB

Esse detalhe passa despercebido por muitos profissionais.

Quando pensamos em filas normalmente imaginamos alguns megabytes.

Na realidade, grandes bancos mantêm milhões de mensagens simultaneamente.

Imagine:

  • processamento noturno

  • liquidação financeira

  • cartões

  • PIX

  • TED

  • boletos

Durante picos, enormes volumes permanecem temporariamente armazenados.

O MQ foi projetado para esse cenário.


Remote Queues: desacoplamento arquitetural

Talvez este seja o ponto mais elegante do artigo.

Uma Remote Queue não contém mensagens.

Ela contém conhecimento.

Conhecimento sobre onde determinada mensagem deve chegar.

Esse conceito é chamado de indireção.

Na Engenharia de Software, indireção é uma das técnicas mais poderosas para reduzir acoplamento.


Sem Remote Queue

Aplicação precisa conhecer:

  • servidor

  • porta

  • canal

  • queue manager

  • fila destino

Toda alteração exige nova implantação.


Com Remote Queue

A aplicação apenas envia:

MQPUT
CLIENTES

O administrador decide:

  • qual servidor

  • qual Queue Manager

  • qual canal

  • qual rota

A aplicação permanece completamente ignorante da infraestrutura.

Esse desacoplamento reduz drasticamente custos de manutenção.


Uma analogia simples

Imagine enviar uma carta.

Sem MQ:

Você escreve diretamente o endereço completo.

Se o destinatário mudar de prédio, precisa reenviar todas as cartas.

Com MQ:

Você entrega a carta para a central de distribuição.

Ela sabe exatamente para onde encaminhar.

O remetente nunca precisa conhecer a rota.


RNAME, RQMNAME e XMITQ

Esses três atributos representam praticamente a tabela de roteamento do MQ.

RNAME

Destino real.

PAGAMENTOS

RQMNAME

Qual Queue Manager administra essa fila.

Pode estar em outra cidade.

Outro país.

Outro datacenter.


XMITQ

A "rodovia".

Ela guarda mensagens enquanto aguardam transporte.

Caso a comunicação seja interrompida, elas permanecem armazenadas.

Quando o canal voltar, seguem viagem automaticamente.

É uma fila de espera extremamente inteligente.


A beleza da transparência

O usuário destaca um benefício enorme:

Trocar infraestrutura sem alterar código.

Esse talvez seja o maior presente que um administrador pode oferecer aos desenvolvedores.

Mudanças ficam concentradas na infraestrutura.

Aplicações permanecem intactas.

Essa separação de responsabilidades é um princípio clássico de arquitetura corporativa.


Model Queues

Pouca gente conhece.

Menos gente ainda utiliza.

Imagine milhares de clientes conectados simultaneamente.

Cada um precisa de uma fila temporária.

Criar manualmente seria impossível.

A Model Queue resolve isso.

Ela funciona como uma classe em programação orientada a objetos.

A partir dela o MQ cria filas temporárias dinamicamente.

É extremamente elegante.


Services

Outro recurso subestimado.

Muitos sistemas precisam iniciar automaticamente processos auxiliares.

Por exemplo:

  • daemon Java

  • listener

  • programa C

  • script Shell

Em vez de depender do sistema operacional, o próprio MQ pode controlar esse ciclo de vida.

Resultado:

menos scripts

menos automações

menos pontos de falha.


Triggering

Aqui entramos em automação pura.

Imagine um supermercado.

Quando chegam dez clientes na fila do caixa...

automaticamente outro caixa é aberto.

Triggering faz exatamente isso.

Quando uma fila atinge determinada condição:

  • inicia um programa

  • desperta um consumidor

  • executa um processamento Batch

  • chama um serviço

Sem intervenção humana.

É um dos recursos mais antigos do MQ e continua extremamente eficiente.


dmpmqmsg

Administradores antigos ainda chamam de qload.

É praticamente um "canivete suíço".

Permite:

  • backup

  • restauração

  • migração

  • cópia

  • exportação

  • importação

Durante migrações entre ambientes ele costuma ser indispensável.


O comentário mais importante

O autor encerra com uma observação extremamente verdadeira:

A maioria dos problemas não está no IBM MQ.

Quem administra middleware sabe disso.

Quando algo "não chega", normalmente o MQ está funcionando exatamente como deveria.

Os problemas costumam estar em:

  • aplicações

  • canais bloqueados

  • certificados expirados

  • permissões OAM

  • firewalls

  • DNS

  • Cluster Receiver

  • Channel Authentication (CHLAUTH)

  • SSL/TLS

  • regras de roteamento

  • filas de transmissão congestionadas

O MQ normalmente apenas evidencia problemas existentes em outras camadas.


Linha de comando versus MQ Explorer

Essa pergunta desperta quase uma divisão filosófica.

MQ Explorer

Vantagens:

  • visual

  • intuitivo

  • excelente para iniciantes

  • facilita inspeções rápidas

Desvantagens:

  • menos automatizável

  • difícil em grandes ambientes


MQSC

Vantagens:

  • rapidez

  • scripts

  • versionamento

  • automação

  • DevOps

  • auditoria

Administradores experientes frequentemente preferem:

runmqsc

porque conseguem reproduzir alterações em dezenas de servidores utilizando exatamente os mesmos comandos.

Infrastructure as Code começa justamente aqui.


Uma reflexão arquitetural

O maior mérito do IBM MQ nunca foi apenas transportar mensagens.

Seu verdadeiro valor está em separar aplicações da infraestrutura.

Essa separação permite que empresas mudem servidores, troquem sistemas operacionais, modernizem datacenters, migrem para containers, integrem APIs REST, conectem aplicações em nuvem e mantenham sistemas COBOL escritos há décadas funcionando exatamente da mesma forma.

É uma demonstração clássica de engenharia de software bem executada: o produtor não precisa conhecer o consumidor, o consumidor não precisa conhecer o produtor e ambos continuam evoluindo de forma independente. Esse desacoplamento reduz riscos, facilita modernizações graduais e garante continuidade operacional — razão pela qual o IBM MQ permanece essencial em arquiteturas de missão crítica, mesmo em uma era dominada por microsserviços, APIs REST, eventos e plataformas em nuvem.

Em outras palavras, o IBM MQ não é apenas um produto de mensageria. Ele é uma camada estratégica de integração que protege as aplicações das mudanças inevitáveis da infraestrutura, permitindo que empresas inovem sem comprometer a estabilidade de seus sistemas mais críticos. É essa combinação de confiabilidade, escalabilidade e abstração que explica por que, mais de 30 anos após seu lançamento, o IBM MQ continua sendo um dos componentes mais respeitados e utilizados no ecossistema IBM Z e nas grandes arquiteturas corporativas.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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