segunda-feira, 26 de fevereiro de 1990

O Centro Velho de Sao Paulo na decada de 90

Amo o centro de São Paulo, tantas caminhadas fiz... 

Desde a tenra infância tenho um amor pelo centro, quando chegava o final do ano, meus pais diziam que tínhamos que ir ate a "cidade" para comprar as bolas de natal e nossos presentes. Era uma alegria chegar no parque Dom Pedro (mesmo passando mau no ónibus).

Subir aquela ladeira cheia de lojas, cheia de gente e barracas, entrar em loja por loja em busca da melhor oferta. Fui crescendo e esse amor evoluindo. Anos mais tarde quando comecei a trabalhar fui logo escalado para ser office-boy no centro.

Nessa época foi a gloria conhecia todos os artistas de ruas, sabia de cor e salteado as trapaças dos trambiqueiros, nos fliperamas e lugar menos bons era reconhecido pelos trombadinhas e nunca tive nenhum problema no centro, entregando todos as minhas remessas sem nenhum extravio.

Conhecia as meninas da Martins Fontes, as meninas da João Mendes... tabu mesmo era só a rapaziada da Republica, evitava passar por ali, as vezes fazia uma longa volta pela Avenida São João só para não ter que atravessar a praça.

Comprava revistas suecas para revender na Paulista, ia na galeria do Rock em busca de tintas e equipamentos de tatuagem (serviço que naqueles anos 90 começavam a surgir pela cidade), comprava disco em vinil raro na 24 de Maio, selos na Conselheiro Crispiniano, revelava fotografias e buscava material fotografico na Amaral Gurgel.


Na Sao Bento comprava produtos químicos na Boutique Veado Douro e tantas outras encomendas que me faziam, sempre tinha uma listinha de compras a fazer no centro... Galeria Page, Florêncio de Abreu, Ladeira Porto Geral e tantas outras,

De final de semana quando nao tinha nada para fazer ia dar minhas voltinhas pelo centro, assistir filmes no Olido, Ipiranga, Maraba, Marrocos e vários outros que hoje são estacionamentos e igrejas, mesmo as quartas-feiras com a meia entrada era uma grande pedida.

Não esquecendo o Mappin e o Mesbla templos do consumo, ou a esfiha Chic da São João, o caldo de cana e pastel no Largo do Passaindu. E as igrejas, o teatro Municipal, o Mercado que era todo sucateado, as banquinhas de jornal e os sebos. Que vida tinha o centro.


Curiosidades do centrão

1️⃣ Caminhe pelas ruas de pedra

O Triângulo Histórico, entre Rua XV de Novembro, São Bento e Direita, ainda guarda trechos de paralelepípedos originais, usados desde o século XIX. São perfeitos para sentir o ritmo da cidade antiga.


2️⃣ Observe os detalhes arquitetônicos

Prédios como o Edifício Martinelli e o Palácio das Indústrias têm relevo, cerâmicas e vitrais quase esquecidos. Muitos visitantes passam sem notar pequenas assinaturas de arquitetos e escultores.


3️⃣ Igrejas antigas

O Mosteiro de São Bento e a Catedral da Sé são tesouros históricos. Curiosidade: a Sé foi construída sobre o marco zero da cidade e já teve múmias e ossários preservados sob o solo.


4️⃣ Descubra a arte urbana antiga

Alguns edifícios têm murais e painéis de azulejos escondidos em fachadas laterais. São verdadeiros easter eggs históricos, quase invisíveis aos apressados.


5️⃣ Mercado Municipal – além dos pastéis

O Mercadão é famoso, mas poucos sabem que suas portas e vitrais contam a história dos alimentos que chegaram à cidade com imigrantes italianos, japoneses e portugueses.


6️⃣ Biblioteca Mário de Andrade

Uma das maiores bibliotecas da América Latina, com coleções raras sobre São Paulo antiga. Vale explorar os corredores silenciosos e mapas históricos da cidade.


7️⃣ Pequenos cafés históricos

O Café Girondino e o São Domingos resistem há décadas. Ali você encontra decoração original, cardápio tradicional e mesas que viram palco de negociações e fofocas históricas.


8️⃣ Passeio de bonde e memória

Embora os bondes originais não circulem mais, ruas como a Itaim Bibi preservam calçadas e trilhos antigos. Eles contam a história do transporte público antes do metrô.


9️⃣ Beco do Pinto e ruas escondidas

O centro antigo tem vielas e becos pouco conhecidos, onde antigos cortiços e lojas de artesanato sobrevivem ao tempo. São ótimos para descobrir pequenas histórias urbanas.


🔟 Museus secretos

O Museu Anchieta, o Museu de Arte Sacra e pequenos centros culturais guardam relíquias esquecidas, de documentos coloniais a peças de ouro do ciclo do café, quase invisíveis aos turistas comuns.

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segunda-feira, 1 de janeiro de 1990

Caminhando pelo Brasil

Viagens pelo Brasil Década de 90


Durante a década de 90, viajando por diversas cidade brasileiras, fui fotografando em uma maquina automática super simples em 35 mm, estes negativos ficaram guardados durante 2 décadas no sótão de casa, e um dia resolvi digitalizar tudo e publicar o resultado.

A qualidade das cores se perdeu um pouco. Mas vale pelo registro histórico e para os nostálgicos uma memoria de como eram e como ficou.



Visitas a Vila Velha (ES), Campos do Jordão (SP), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Salto (SP), Itirapina (SP), Tremembé (SP), São Tomé das Letras (MG) e outras cidades. Explore nosso vídeo e conheça lugares mágicos de nossa terra.

Um olhar do futuro


No grande repositório de experiências humanas — onde cada byte de memória é um bloco de código legado que narra um fragmento da nossa passagem — existe um tipo particular de registro que nos interessa tanto quanto uma rotina COBOL estável: aquele que sobrevive ao tempo e continua falando de nós. O post “Caminhando pelo Brasil” do blog El Jefe Midnight Lunch é um desses artefatos. eljefemidnightlunch.blogspot.com

Publicado sob a data simbólica de 1 de janeiro de 1990, o post traz o testemunho de viagens e fotografias feitas ao longo da década de 90 — décadas antes de o smartphone se tornar onipresente. Ele nos lembra de quando cada foto em 35 mm era um artefato físico guardado no sótão, e cada quadro capturado exigia paciência, enquadramento e uma pequena aposta no futuro para que outros pudessem ver.  

O autor, Vagner Bellacosa, nos convida a uma viagem que é tanto geográfica quanto temporal: cidades como Vila Velha (ES), Campos do Jordão (SP), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Salto (SP), Itirapina (SP), Tremembé (SP) e São Tomé das Letras (MG) são mencionadas como pontos por onde passou, como módulos de um programa que processa paisagens e sensações em memória consolidada.  

O texto em si é curto — obrigatório apenas para contextualizar o que está por vir no vídeo. Mas é exatamente nessa economia de linguagem que reside a sua potência: o leitor não recebe uma longa narrativa, mas sim a pré-condição para acessar uma sequência visual que documenta um Brasil que, em muitos aspectos, deixou de existir. 

Se nós olharmos para o vídeo — como um mainframe olha para linhas de dados — veremos que este registro não é apenas passeio turístico. É uma arquitetura de memória: ruas, estradas, montanhas, horizontes, expressões humanas, rostos anônimos. Cada frame é um registro que carrega tanto a paisagem quanto o tempo em que foi gravado, na década de 90, antes da globalização visual gerenciada por algoritmos.  

No post, Bellacosa não precisa convencer ninguém de que o Brasil é vasto, diverso e cheio de nuances — isso está implícito na seleção das locações. Em vez disso, ele coloca o leitor diante de um arquivo de experiência, como um engenheiro que oferece uma fita de backup de um tempo antigo para análise.  

O blog, que mistura temas de cultura otaku, tecnologia e viagens, parece sugerir algo além do turismo casual: a importância de registrar, preservar e revisitar memórias visuais. Em um mundo onde tudo é capturado e descartado em segundos, revisitar fotos de 35 mm digitalizadas nos obriga a desacelerar — a ler cada imagem como se fosse uma rotina em código legado, apreciando sua complexidade e seus artefatos temporais.  

Assim, Caminhando pelo Brasil é menos uma narrativa turística convencional e mais um convite a contemplar, com olhos de archivista, o Brasil de um tempo anterior ao presente acelerado — um Brasil tecido em negativos e convertido em pixels, que ainda assim carrega a mesma alma.