segunda-feira, 30 de setembro de 2013

💾 z/OS 2.1 — O salto técnico rumo à era híbrida do Mainframe ☁️⚙️

 





💾 z/OS 2.1 — O salto técnico rumo à era híbrida do Mainframe ☁️⚙️

Por Bellacosa Mainframe — onde bits, café e história se misturam ☕🖥️


Quando a IBM lançou o z/OS 2.1 em setembro de 2013, o mundo mainframe vivia uma encruzilhada: ou se isolava como um dinossauro tecnológico, ou se reinventava como o titã resiliente da nova era digital.
Adivinha qual caminho ele escolheu? 😎
Spoiler: o z/OS 2.1 é o marco da virada para a era híbrida e cognitiva do mainframe.

Vamos destrinchar o que mudou, as camadas técnicas e as curiosidades que tornam essa versão um divisor de águas.


🧬 1. Contexto histórico — o z/OS reencontra o futuro

O z/OS 2.1 nasceu junto com os mainframes IBM zEnterprise EC12 (zEC12), um monstro de 5.5 GHz, com 2 TB de memória, 120 processadores físicos e uma arquitetura pensada para virtualização de workloads e análise em tempo real.

O grande desafio da IBM era:

“Como preparar o z/OS para o futuro da integração, da nuvem e do mobile sem perder o legado que roda o planeta?”

Assim surge o z/OS 2.1, com foco em eficiência, elasticidade e conectividade.


🧠 2. Arquitetura e uso de memória — o cérebro expandido

O z/OS 2.1 trouxe uma reengenharia no gerenciamento de memória, aproveitando melhor a arquitetura z/Architecture e as inovações do PR/SM (Processor Resource/System Manager).

Principais avanços:

  • Suporte a 16 TB de memória virtual (um salto em relação ao 2.0).

  • Melhor uso da 64-bit addressing mode, reduzindo page faults e swaps.

  • Buffer Pools e dataspaces otimizados — ideal para DB2, IMS e CICS.

  • Cross Memory Services mais rápidos e isolados.

💡 Curiosidade Bellacosa: O kernel do z/OS 2.1 literalmente “aprende” a liberar memória mais rápido para workloads que mudam de prioridade — algo que hoje chamamos de “inteligência operacional”.


⚙️ 3. PR/SM, LPAR e créditos de CPU — o cérebro por trás da mágica

O firmware PR/SM (Processor Resource/System Manager) foi profundamente atualizado nesta geração para oferecer:

  • Dynamic CPU Weight Management: ajuste automático da prioridade das LPARs.

  • Intelligent Capping: limita o consumo sem matar o desempenho.

  • Soft Capping por Workload: controle fino para billing e otimização.

  • Suporte ao zAAP/zIIP integrados — sem necessidade de hardware dedicado.

🎩 Easter egg técnico: no z/OS 2.1, as LPARs começaram a “conversar” melhor via HiperSockets IPv6, abrindo caminho para a nuvem privada z/OS Connect.


💬 4. Aplicativos internos e softwares — a revolução silenciosa

O z/OS 2.1 veio com uma leva de atualizações internas e ferramentas novas:

🔹 CICS TS 5.1

Suporte a aplicações RESTful, JSON e web services nativos, antecipando o que hoje chamamos de API Economy.

🔹 DB2 11 for z/OS

Melhoria brutal no storage engine e otimização de index rebuild.
Menos CPU, mais throughput.

🔹 JES2 e JES3

Ambos ganharam compressão de spool, melhor suporte a Unicode e integração com RACF e SAF aprimorada.
O JES2, inclusive, ficou mais “verbozão” — logs mais inteligentes para devs e ops.

🔹 UNIX System Services (USS)

Expansão total: mais comandos POSIX, shell modernizado e integração com ferramentas open source (hello, Perl e Python!).

🔹 Communications Server

Nativo IPv6, com QoS aprimorado e integração direta com o z/OSMF.


🧩 5. z/OSMF e o renascimento do operador

O z/OS Management Facility (z/OSMF) virou protagonista.
Pela primeira vez, o operador do mainframe podia administrar o sistema via interface web, com dashboards, workflows e diagnósticos integrados.

Isso mudou tudo:

  • A operação ficou mais visual e menos criptográfica (adeus, painéis 3270 infinitos).

  • Surgiram scripts e automações REST, abrindo portas para DevOps no mainframe.

  • O z/OS começou a dialogar com o mundo Linux e Cloud.

💬 Bellacosa insight: o z/OSMF foi o primeiro passo real para o que hoje chamamos de “Mainframe as Code”.


🔍 6. Instruções de máquina e otimizações no zEC12

O z/OS 2.1 foi ajustado para o novo processador zEC12, que introduziu:

  • Instruções novas como Transactional Execution (TX) — acelera commits em DB2.

  • Crypto Express4S — hardware de criptografia de ponta.

  • Simultaneous Multithreading (SMT) — mais threads, menos gargalo.

  • HiperDispatch refinado — balanceia threads automaticamente.

Tudo isso sob o comando de um PR/SM mais “inteligente”, que distribuía créditos de CPU conforme prioridade, workload e até custo horário da LPAR (sim, billing inteligente já era realidade).


🕹️ 7. Curiosidades, fofoquices e bastidores

  • 🧙‍♂️ Dentro da IBM, o z/OS 2.1 era apelidado de “O Feiticeiro do Silício”, por causa da automação mágica dos workloads.

  • 🧩 O time que desenvolveu o z/OSMF tinha ex-devs do OS/2!

  • 💬 Foi a primeira versão oficialmente “Cloud Ready”, base dos projetos iniciais do z/OS Connect EE.

  • 🕵️‍♂️ Algumas funções experimentais do z/OS 2.1 só foram “oficializadas” no 2.2, como a integração com zAware e zCX.


🚀 8. Conclusão — o mainframe, renascido

O z/OS 2.1 é o elo entre o legado e o futuro.
Ele consolidou a base técnica que permitiria o z/OS rodar workloads modernos, APIs REST, automações web e integração em nuvem — tudo sem quebrar um único programa COBOL dos anos 70.
Esse é o verdadeiro superpoder do mainframe: evoluir sem perder o passado.


Bellacosa Mainframe
☕ Onde bits têm alma e memória tem história.
💬 Deixe nos comentários: você chegou a migrar para o z/OS 2.1? Qual foi o impacto no seu ambiente?

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

🖥️🌍 Palavras de um velho jedi — O que é um Mainframe de Verdade?

 


🖥️🌍 Palavras de um velho jedi — O que é um Mainframe de Verdade?

“Mainframe não é grande porque é antigo.
É grande porque foi projetado para não falhar.”

Quando alguém pergunta “o que é um mainframe?”, a resposta curta é simples:

É o computador que segura o mundo quando tudo mais cai.

Mas o El Jefe não trabalha com resposta curta. Vamos abrir o capô.


🧠 O que é um mainframe, afinal?

Um mainframe é um computador corporativo de altíssimo desempenho, projetado para:

  • Processar volumes gigantescos de dados

  • Executar milhões de transações simultâneas

  • Atender milhares de usuários ao mesmo tempo

  • Operar 24x7x365, sem pausa, sem drama

Enquanto um PC é feito para um usuário,
e servidores comuns para dezenas ou centenas,
o mainframe nasce para escala industrial.


⚡ Concorrência real, não simulada

Mainframes não “aguentam” vários usuários.
Eles foram criados para isso.

  • Milhares de aplicações rodando juntas

  • Workloads batch e online convivendo em harmonia

  • Prioridades bem definidas

  • Recursos compartilhados com inteligência

Nada de briga por CPU.
Nada de gargalo inesperado.


💳 Onde o mainframe reina absoluto

Se existe:

  • Dinheiro

  • Pessoas

  • Regras

  • Risco

Existe um mainframe envolvido.

Ele é essencial para:
🏦 Bancos e sistemas financeiros
🏛️ Governo e serviços públicos
✈️🚆 Aviação, ferrovias e reservas
📑 Seguros e grandes corporações

Cada transação precisa ser:
✔️ correta
✔️ segura
✔️ auditável
✔️ recuperável


🔄 I/O pesado é o habitat natural

O verdadeiro desafio não é CPU.
É entrada e saída.

Mainframes são mestres em:

  • Processar milhões de leituras e gravações

  • Conversar com redes, terminais, discos e filas

  • Manter tudo fluindo sem travar

Enquanto outros sistemas engasgam com I/O,
o mainframe dança.


🔐 Segurança embutida no hardware

Aqui não existe:

“Vamos adicionar segurança depois.”

O mainframe nasce com:

  • Controle de acesso granular (RACF, etc.)

  • Isolamento total entre usuários

  • Criptografia acelerada por hardware

  • Auditoria completa

Por isso ele é confiável onde falhar não é opção.


⏱️ Disponibilidade contínua: zero drama

Mainframe não tem:

  • “Janela de manutenção”

  • “Reboot programado”

  • “Downtime aceitável”

Ele foi projetado para:

Continuar funcionando mesmo quando algo falha.

Se um componente cai, outro assume.
O usuário nem percebe.


🚀 Estabilidade, segurança e escalabilidade

Esses não são diferenciais.
São pré-requisitos.

Mainframe não compete por moda.
Ele entrega:

  • Estabilidade previsível

  • Segurança real

  • Escalabilidade comprovada


🥚 Easter-eggs do mundo real

  • Muitos sistemas “cloud-native” terminam no mainframe

  • Microserviços fazem a coreografia, o mainframe executa o dinheiro

  • Downtime sempre foi visto como bug, não como evento

  • Mainframe já fazia observabilidade antes do termo existir


🎓 Palavra final do El Jefe

Mainframe não é passado.
É infraestrutura crítica do presente.

Enquanto o mundo precisar:

  • De dinheiro correto

  • De sistemas confiáveis

  • De serviços sempre disponíveis

O mainframe continuará lá.
Firme.
Silencioso.
Indispensável.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

“86-13-37: Quando a casa ganhou voz”. Um conto do Pequeno Trabalhador, Parte 4

 


📞 El Jefe Midnight Lunch —  Um conto do Pequeno Trabalhador, Parte 4
“86-13-37: Quando a casa ganhou voz”
Por Bellacosa Mainframe

Estamos de volta ao Cecap no Quiririm em 1984.


O cheiro de tijolo novo, tinta fresca e esperança misturado a caótica mudança de Sampa a Taubaté. A família Bellacosa em modo multitarefa, estilo “z/OS em IPL pós-pânico”: todo mundo executando job, subtarefa, batch noturno, tarefa oculta… tudo ao mesmo tempo. Era reconstrução física, emocional e financeira — tudo junto, tudo misturado — depois do incêndio de 1983.

Foram meses puxados.
Arregaçamos as mangas, suamos, improvisamos, reciclamos e substituímos cacarecos velhos para devolver dignidade ao lar, meu pai com sua experiência em fazer funiliaria em seus automóveis velhos, usou massa plástica para reconstruir o gabinete da fiel TV CRT Preto e Branco Phico Ford. A geladeira parcialmente destruída, foi reformada tanto na lataria como no motor, e colocada em estado de novo, servindo nosso lar, por mais de uma década, sendo aposentada, quando eu ja trabalhava e comprei uma zero bala nas lojas Arapuam. Cada martelada era um checkpoint. Cada móvel novo (ou semi-novo) era uma vitória. E foi no meio desse caos organizado que surgiu a grande novidade.

Algo que, para muita gente hoje, não faz nem cócegas.
Mas pra nós… era a chegada do futuro.



O telefone. Nosso primeiro telefone. O lendário número 86-13-37.

Meus pais, sempre visionários, resolveram alugar um aparelho — porque na época telefone era quase um carro: caro, raro e valioso. A justificativa era prática: “pra divulgar trabalho, ligar pra clientes, fazer panfletagem…” — sim, panfletagem real, analógica, raiz, sem algoritmo, sem impulsionamento.

E adivinha quem ficou encarregado de distribuir spam manual, caixa postal por caixa postal, por todo o CECAP?

Sim, eu mesmo.
E o Celo, meu companheiro de aventuras.
Formávamos uma dupla dinâmica que hoje renderia um spin-off só nosso: dois moleques pedalando, colando panfletos, enfiando papel nos correios, correndo de cachorro, conversando com vizinhos… éramos quase um cluster de entrega distribuída, versão 1.0.

Mas nada — absolutamente nada — superava a sensação de ter um telefone em casa.

Parecia magia.
Era como se tivéssemos instalado um gateway para o mundo.



Com o 86-13-37, tudo mudou:

📞 falar com parentes distantes;
🏖 ligar para meus avôs Anna e Pedro na Praia Grande;
👋 ouvir histórias, novidades… e broncas;
🤣 ouvir as “historinhas” no 200-1234 (quem viveu, sabe!);
😂 aplicar e receber os primeiros trotes telefônicos — o proto-meme da década.

Era um universo novo.
Era CICS aberto, sessão iniciada, TSO READY.




E aí, abro um parênteses do século XXI, porque é impossível não comparar:

O telefone fixo virou fóssil.
Tenho um até hoje… não uso há séculos. Veio grudado no pacote da fibra ótica e ficou ali como quem guarda uma peça de museu — funcional, mas ignorado.

O celular então… virou mico.
Nos primórdios custava uma fortuna, cada impulso parecia preço de mainframe por MIPS. Depois virou SMS, depois WhatsApp, Telegram… e hoje quase ninguém usa pra ligar.
A ironia: as operadoras mataram o próprio produto com ganância e tarifas absurdas. Empurraram todos nós para alternativas mais baratas, eficientes e… livres.

O triste fim do telefone.
O outrora símbolo de status, comunicação e progresso… hoje é quase um ornamento.




Mas sem chatices, porque aqui é Midnight Lunch e nostalgia merece brilho:

Ainda lembro a emoção real, quase palpável, de ver aquele aparelho instalado na sala.
A liberdade que ele trouxe.
A sensação de que o mundo estava, literalmente, a um toque de distância.

O velho 86.13.37.
A primeira voz da casa renascida.

E um dia, prometo, conto a história da central móvel de telefonia, dos filamentos de cobre coloridos, das pulseirinhas estilosas feitas com restos de cabo multicolorido… um verdadeiro ASSEMBLER de memórias.

Porque cada fio daqueles carregava uma história.
E muitas delas ainda estão aqui, vivas, prontas pra ganhar outro capítulo.

Até a próxima chamada. 📞💾✨


sábado, 17 de agosto de 2013

🖥️⚡ Por que os Mainframes Ainda São Usados Hoje?

 


🖥️⚡ Por que os Mainframes Ainda São Usados Hoje?

“Se o mundo nunca para, o sistema que o sustenta também não pode parar.”

Estamos em 2025 (quase 2026), e mesmo assim — ou exatamente por isso — os mainframes continuam firmes no coração dos sistemas mais críticos do planeta.

Não, eles não são computadores velhos.
Eles são computadores essenciais.


🌍 Mainframe: o motor invisível do mundo moderno

Quando alguém diz:

“Mas isso ainda existe?”

A resposta é simples:
👉 Existe porque funciona. E funciona melhor que qualquer alternativa quando o assunto é missão crítica.

Mainframes são projetados para lidar com:

  • Volume absurdo de dados

  • Milhões de transações por segundo

  • Usuários simultâneos

  • Regras rígidas de segurança

  • Zero tolerância a falhas


⏱️ Disponibilidade total: 24x7x365

Enquanto outros sistemas:

  • Precisam reiniciar

  • Fazem manutenção fora do horário

  • Param para atualizar

O mainframe:

Nunca desliga.

Atualizações, correções, ajustes e expansões acontecem com o sistema em produção.

Para banco, governo ou transporte:

Parar não é opção.


🔄 Confiabilidade extrema (não é marketing)

No mundo distribuído, falha é “normal”.
No mundo mainframe, falha é evento tratado automaticamente.

  • Um componente falha? Outro assume.

  • Um caminho cai? Outro já está ativo.

  • Um erro acontece? O sistema se recupera.

Tudo isso:
👉 Sem o usuário perceber.


🔐 Segurança no DNA

Mainframe não “ganhou segurança depois”.
Ele nasceu seguro.

  • Controle rígido de acesso

  • Auditoria completa

  • Criptografia por hardware

  • Isolamento total entre workloads

Por isso ele é o escolhido para:
🏦 Bancos
🏛️ Governos
🏥 Saúde
📊 Grandes corporações


💳 Escalabilidade absurda

Milhões de transações por segundo não são benchmark de laboratório.
São terça-feira normal.

  • Saques em ATM

  • Compras online

  • Reservas de voo

  • Pagamentos digitais

Tudo isso acontece ao mesmo tempo, no mesmo sistema, com previsibilidade.


⚡ Multiprogramação e multiprocessing de verdade

Enquanto muitos ambientes “simulam” paralelismo,
o mainframe nasceu paralelo.

  • Centenas de programas rodando juntos

  • Prioridades bem definidas

  • Recursos distribuídos com justiça

  • Nada bloqueia nada


🎭 O trabalho silencioso que ninguém vê

Toda vez que você:

  • Saca dinheiro

  • Compra passagem

  • Paga algo online

Existe um mainframe:

  • Validando

  • Processando

  • Garantindo

  • Registrando

Sem glamour.
Sem marketing.
Sem falhar.


🚆✈️🏦 Por isso eles continuam lá

Mainframes ainda são usados porque:

  • Funcionam

  • Escalam

  • Protegem

  • Não param

Eles sustentam serviços que não podem errar.


🥚 Easter-eggs do mundo real

  • Muitos sistemas “modernos” só funcionam porque um mainframe está atrás

  • Cloud e microserviços frequentemente terminam no IBM Z

  • Mainframe já fazia “high availability” antes do termo existir

  • Downtime sempre foi visto como bug, não como evento


🎓 Palavra final do El Jefe

Tecnologia não é sobre moda.
É sobre responsabilidade.

Enquanto existir dinheiro, governo, transporte e dados críticos,
o mainframe continuará lá.

Silencioso.
Estável.
Indispensável.


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

🧠 Rede Neural explicada para veterano IBM Mainframe

 



🧠 Rede Neural explicada para veterano IBM Mainframe

(ao estilo Bellacosa Mainframe, com verdade, história e fofoquice técnica)

“Rede neural não pensa.
Ela aproxima funções com base em erro acumulado.”


1️⃣ Antes de tudo: o que rede neural REALMENTE é

Vamos desmontar o mito.

Uma rede neural é, no fundo:

Um monte de cálculos matemáticos repetidos
Com pesos ajustáveis
Que minimizam erro
Baseado em exemplos históricos

Se você já:

  • Ajustou parâmetros de tuning

  • Fez regressão

  • Otimizou batch

  • Criou score de crédito manual

👉 Você já pensou como uma rede neural, só não chamou assim.


2️⃣ Tradução direta para linguagem de mainframe

Rede neural =

Rede NeuralMundo Mainframe
NeurônioParágrafo que calcula
PesoConstante ajustável
Função de ativaçãoIF / cálculo
CamadaSequência de PERFORM
TreinamentoBatch pesado
InferênciaOnline / CICS
OverfittingRegra burra demais
DatasetHistórico de produção

👉 Não é magia. É cálculo repetido.


3️⃣ Origem histórica (ninguém conta isso direito)

📜 Anos 1940–50

  • Inspirada no neurônio biológico

  • Primeiros modelos matemáticos

  • Totalmente teóricos

📉 Anos 1970–80

  • Pouco poder computacional

  • Redes pequenas

  • Muitos abandonaram (AI Winter)

🚀 Anos 2000+

  • Explosão de dados

  • GPUs

  • Deep Learning

⚠️ Fofoquinha:

O conceito é antigo.
Só ficou famoso quando o hardware ficou barato.

Mainframe sempre teve poder — só não virou hype.


4️⃣ Para que rede neural serve em processamento de dados

Rede neural é boa para:

✔ Padrão complexo
✔ Ruído
✔ Dados “sujos”
✔ Decisão probabilística

Casos clássicos (que você conhece):

  • Fraude

  • Crédito

  • Previsão de inadimplência

  • Classificação de transações

  • Anomalia em batch

  • Forecast de carga

👉 Onde regra IF/ELSE vira um inferno de manter.


5️⃣ Onde rede neural NÃO serve (alerta de veterano)

❌ Regras regulatórias duras
❌ Cálculo financeiro fechado
❌ Onde auditor exige fórmula
❌ Onde erro = processo judicial

Se precisa explicar cada centavo:
Rede neural só auxilia, não decide.


6️⃣ Linguagens usadas (spoiler: não é COBOL)

Para criar e treinar:

  • Python (principal)

  • R

  • C++ (baixo nível)

  • Julia (acadêmico)

Bibliotecas:

  • TensorFlow

  • PyTorch

  • Scikit-learn

Para PRODUÇÃO com mainframe:

  • REST APIs

  • MQ

  • gRPC

  • Linux on Z

  • zCX

👉 COBOL consome o resultado.
Ele não treina o modelo.


7️⃣ Como uma rede neural funciona (passo a passo)

🔁 Simplificado para mainframeiro:

1️⃣ Entrada (dados históricos)
2️⃣ Cálculo com pesos
3️⃣ Gera saída
4️⃣ Compara com resultado esperado
5️⃣ Calcula erro
6️⃣ Ajusta pesos
7️⃣ Repete 1 milhão de vezes

Isso é batch pesado, não online.


8️⃣ Exemplo mental (sem código Python)

Problema:

“Essa transação é fraude?”

Entrada:

  • Valor

  • Hora

  • País

  • Tipo

  • Histórico

Rede neural:

  • Combina tudo

  • Retorna: 0.97

COBOL:

IF SCORE > 0.90 PERFORM BLOQUEAR ELSE PERFORM SEGUIR END-IF

👉 Rede neural sugere
👉 COBOL manda


9️⃣ Fofoquices que ninguém te conta

🔥 Rede neural:

  • Erra

  • Vicia

  • Aprende coisa errada

  • Reflete viés do dado

🔥 Se o histórico for ruim:

  • A IA aprende coisa ruim

🔥 80% do trabalho:

  • Limpar dado

  • Não treinar modelo

Veterano entende isso rápido.


10️⃣ Easter-eggs técnicos 🥚

  • Rede neural não “entende”

  • Ela interpela

  • Ela é péssima com exceções raras

  • É ótima com volume massivo

  • Não substitui regra de negócio

  • Complementa


11️⃣ Como um veterano deve aprender isso (caminho correto)

❌ Caminho errado:

  • Virar cientista de dados

  • Aprender matemática profunda

  • Treinar modelo gigante

✅ Caminho certo:

  • Entender onde usar

  • Saber interpretar score

  • Integrar com COBOL

  • Controlar decisão

  • Medir impacto em MIPS


12️⃣ Primeiros passos práticos (sem sair do chão)

1️⃣ Aprenda o conceito (já fez)
2️⃣ Entenda inferência vs treinamento
3️⃣ Veja exemplos simples em Python
4️⃣ Entenda APIs REST
5️⃣ Pense onde isso entra no seu fluxo batch/CICS
6️⃣ Mantenha o COBOL como juiz final


☕ Palavra final do Bellacosa Mainframe

Rede neural é estagiário genial.
Aprende rápido.
Erra feio.
Precisa de supervisão.

COBOL é o gerente velho.
Não aprende moda nova.
Mas não erra o pagamento.

Quando os dois trabalham juntos…
o banco dorme tranquilo.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O Pequeno Trabalhador, Versão 3.0 Missão frangos brancos

 


📝 El Jefe Midnight Lunch — O Pequeno Trabalhador, Versão 3.0

MISSÃO FRANGOS


Por Bellacosa Mainframe

Eu sempre digo que, se alguém um dia quiser entender de onde vem minha teimosia, minha criatividade e esse meu jeitão de ver solução até dentro de um dump hexadecimal, é só olhar pra minha infância. Ali, entre madeira, ferramentas, bicicletas e sonhos de cruzeiros novos, nasceu esse escriba que vos fala.

Na parte anterior já contei algumas das aventuras laborais desse pequeno trabalhador que precisava ajudar nas contas de casa, seja vendendo coxinha, entregando roupas e camisas passadas, pedalando para entregar encomendas. Hoje vamos mergulhar em mais um capítulo daquela saga que só quem cresceu nos anos 1980 conhece: a economia doméstica na unha, no braço… e na bicicleta.




Meu pai, o lendário Seu Wilson, era um empreendedor nato. Daqueles que, se tivesse nascido no Vale do Silício, provavelmente teria inventado o Zowe do mundo agro — mas como nasceu no interior, inventava negócios no quintal de casa mesmo. E sempre com aquela visão: “tem que entrar mais cruzeiro novo pra fechar o mês.”

Foi então que ele desenterrou uma ideia antiga da época da fundição dos terminais de bateria, trocar pintainhos por sucatas de ferro-velho em uma decadente perua Kombi..

Lá fomos nós, acompanhados pelo primo Celo, para o bambuzal que havia nos limites do Cecap. E olha… aquilo pra mim era quase uma expedição ao estilo Indiana Jones. Cortamos troncos grossos, carregamos nos ombros (e no improviso, porque Bellacosa que é Bellacosa sempre dá um jeito), e voltamos pra casa com o cheiro de mato fresco impregnado na roupa.

A partir dali, o mestre carpinteiro — vulgo meu pai — entrou em ação. Eu lembro como se fosse hoje: martelo, serrote, alinhamento de taquaras de bambu, amarrando a tela de metal, aquele jeito meticuloso de quem faz com orgulho e precisão. Eu e o Celo ajudando como podia, imaginando se minha tia Deise imaginava o que o filho aprontava, quando estava na companhia do primo e do tio. Em pouco tempo, nasceu o galinheiro da família Bellacosa.

E como todo empreendimento precisa de matéria-prima, lá fomos nós comprar algumas dezenas de pintainhos. O cheiro de ração de crescimento, depois a de engorda, os sacos pesados, as visitas à beneficiadora de arroz do Quiririm para pegar casca de arroz… tudo isso fazia parte do pacote.

E onde entra este pequeno trabalhador nisso tudo?

Ah, meu amigo…
Entra onde sempre entra: no pedal.



Minha fiel Monareta, verde e tinindo, era praticamente um veículo oficial do negócio:

  • pedalar pra buscar ração;

  • pedalar pra entregar os animais;

  • pedalar pra trocar água e voltar;

  • Sempre pedalando em alguma missão.

  • pedalar pra tudo aquilo que envolvia o “logístico rural urbano express”.

Além disso, este que vos escreve.
  • tinha que limpar o galinheiro;

  • ajudar a alimentar

  • capturar o mais gordinho de acordo com a escolha do cliente.

Mas existe uma cena que, até hoje, quando fecho os olhos, vejo como se estivesse passando em Super-8:



Galinhas com os pés amarrados penduradas no guidão da bicicleta.
Eu, com meus poucos anos, magrelo, mas destemido.
E a Monareta voando pelas ruas de paralelepípedos do CECAP, ruas de terra até o Quiririm , levantando poeira, rumo a mais uma entrega ou compra de itens.

Era surreal. Era engraçado. Era trabalho.

Às vezes fico imaginando o que os vizinhos achavam e diziam sobre essas maluquices. O Cecap composto por muitos empregados bem remunerados da industria automotiva, que prosperou nos anos 1980 no Vale do Paraiba.

Era a vida como ela era.

E no fim das contas, era também o início dessa mentalidade Bellacosa de fazer acontecer. Porque se eu aprendi algo naquele galinheiro artesanal, entre pássaros cacarejando e bambus cortados, foi que todo sistema — seja um CICS, seja um quintal — funciona melhor quando a família coopera. Todo mundo tinha um papel, e eu tinha a minha missão com orgulho.



E assim cresceu este pequeno trabalhador, construído entre galinhas, bicicletas e a eterna vontade de fazer o melhor com o que se tem.

No meio da simplicidade, nasceu o Mainframe humano: resiliente, criativo, sistemático… e com grandes histórias pra contar no Midnight Lunch.

Até a Parte 4. 🐓🚲💾


domingo, 11 de agosto de 2013

🐙 A AVENTURA DO POLVO CONTRABANDISTA 🐙

 🐙🐙🐙🐙🐙🐙🐙🐙🐙🐙🐙🐙🐙🐙🐙



A AVENTURA DO POLVO CONTRABANDISTA — UMA CRÔNICA AO ESTILO BELLACOSA MAINFRAME
PARA O EL JEFE MIDNIGHT LUNCH

Existem memórias de infância que não são simples lembranças…
são microfilmes em 8mm, guardados no SYS1.HISTORIA.VAGNER, com trilha sonora de ondas batendo, cheiro de maresia e gritos de parentes desesperados.
E poucas são tão épicas quanto A GRANDE VIAGEM PRA PRAIA GRANDE NA BRASÍLIA 1970.

Prepare-se, porque vem aí:

uma crônica com sol, areia, mar, DDT, pescadores, um animal marinho clandestino e uma tia Miriam quase protagonizando um filme B de terror japonês.



PRÓLOGO — A BRASÍLIA DO APOCALIPSE (6 PESSOAS, 0 AR-CONDICIONADO, 100% FELICIDADE)

Era verão.
Era infância.
Era Brasil dos anos 1970.

E lá estávamos nós:
seis almas espremidas dentro de uma Brasília azul 1970, esse veículo místico movido a gasolina barata e esperança.

  • Vô Pedro, capitão da expedição e amante oficial do litoral,

  • Vó Anna, guardiã dos quitutes e da paciência infinita,

  • Tia Miriam e Tio Osmar, casal responsável e tenso, afinal Tio Osmar era o oficial responsavel pela navegação, pilotando com maestria de piloto de rally,

  • Tio Pedinho, aventureiro e cinco anos mais experiente no alto dos seus 10 anos,

  • E este narrador, pequeno, curioso, sociável… e, como veremos em instantes, contrabandista marinho em formação.

A estrada era longa.
A alegria, maior ainda.
E quando chegamos, Praia Grande virou palco de epopeia.



DIAS DE GLÓRIA — SOL, MAR, AREIA E BOLO DA VÓ ANNA

O litoral paulista daquela época era um universo paralelo:

  • Areias intermináveis,

  • Sorvetes de máquina azul fluorescente,

  • “Queijooooo coalhoooo!” ecoando no ar quente,

  • Casas alugadas cheias de mistérios e móveis antigos.

  • Um mar sem poluição com algumas areas verdes nativas, longe da especulação imobiliária dos anos seguintes.

  • Areia com muitas conchinhas, peixinhos, caranguejos, siris, bolachas do mar e muita vida marinha.

  • O vendedor de amendoim, biscoitos e picolé...

E as guloseimas da Vó Anna?
Meu amigo… aquilo dava buff +20 em energia infantil.

Foram dias de correrias, mergulhos, queimaduras de sol e risadas — até que o destino decidiu acrescentar um chefe secreto na aventura.



O INCIDENTE DO POLVO (OU SERIA UM CARANGUEJO?) — O PRIMEIRO CONTATO EXTRATERRESTRE

Eu era uma criança sociável, faz amigos em qualquer lugar, não tinha parada, sempre correndo e aprontando alguma, modo explorando dungeon 100% ativado.
Até em barcos de pescadores que encostam na praia com a simplicidade de quem entrega pão.

Ali, cercado de homens queimados de sol, redes úmidas e peixes brilhando ao sol, ganhei um presente vivo:

👉 um pequeno polvo.
Ou talvez um caranguejo.
Ou um híbrido mutante criado pela minha imaginação infantil.

Não importa. O que importa é que eu trouxe o bichinho para casa.

No copo.
Com água do mar.
E escondi embaixo da cama.

Porque era óbvio:
Lugar seguro.
Estratégico.
Infiltração perfeita.

Até que…



TIA MIRIAM VS O MONSTRO DO ABISMO — O FILME DE TERROR QUE NUNCA FOI GRAVADO

Quando Tia Miriam encontrou o copo do proibido, a casa estremeceu como um mainframe recebendo IPL com erro:

— “MAS O QUE É ISSO?!”
— “É meu amigo.”
— “ISSO VAI NOS MATAR NA NOITE! CRESCER, SAIR DO COPO E VIRAR UM MONSTRO!”

E eu, pequeno, negociando como um diplomata da ONU:

— “Mas tia, ele é bonzinho…”

Vó Anna tentava acalmar.
Vô Pedro achava graça.
Tio Osmar estava em estado de ‘eu não vi nada’.
E Tio Pedinho só ria no canto.

Tia Miriam?
Tia Miriam estava convencida de que, se mantivéssemos o animal ali,
ele iria esperar a meia-noite, crescer cinco metros e devorar a casa como um kaiju de Praia Grande.

Resultado?
O pobre polvo/caranguejo foi exilado no quintal.
Confinado.
Vigiado.

E na manhã seguinte, devolvido ao mar, como herói incompreendido.



A INVASÃO DAS BARATAS — O EVENTO CATACLÍSMICO DO DeTe-FON

Como se não bastasse a saga do animal marinho clandestino, a casa também nos presenteou com outro clássico dos anos 70:

uma infestação de baratas.

Daquelas que parecem surgir por teletransporte.

Foi preciso acionar o armamento químico proibido pela convenção de Genebra:
o lendário DeTefon,  (veneno DDT) famoso por matar tudo:

  • baratas,

  • mosquitos,

  • formigas,

  • e possivelmente 10% da camada de ozônio.

Tio Osmar surgiu com o spray como um herói de filme pós-apocalíptico.
Baratas correram.
Gritos ecoaram.
E a guerra foi vencida.

O cheiro?
Mistura de veneno, maresia e infância feliz.



EPÍLOGO — A MEMÓRIA É UM MAR QUE NUNCA SE APAGA

Aquela viagem ficou tatuada no coração:

  • A Brasília lotada,

  • o mar azul,

  • as refeições da Vó Anna,

  • o polvo contrabandista,

  • Tia Miriam surtando,

  • o DDT  (Detefon) salvador,

  • e a sensação de que o mundo era enorme, cheio de aventuras e pequenos perigos divertidos.

A Praia Grande daquela época tem um brilho especial na memória:
era o cenário perfeito para a fantasia, para as pequenas epopeias que moldam quem somos.

E hoje, revisitando esse capítulo ao estilo Bellacosa Mainframe para o El Jefe Midnight Lunch, percebemos que cada episódio da infância é como aquele pequeno polvo:

talvez pequeno na aparência, mas gigante na emoção que traz de volta.