quarta-feira, 29 de maio de 2024

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sábado, 4 de maio de 2024

🧩 O “Relational Problem”: quando o modelo relacional começa a ranger os dentes

 

Bellacosa Mainframe e o  Relation Problem 

🧩 O “Relational Problem”: quando o modelo relacional começa a ranger os dentes

Teve uma época — lá pelos anos 70 e 80 — em que o modelo relacional era praticamente um presente divino.
Ted Codd apareceu com tabelas, chaves, normalização e alguém pensou:

“Pronto, agora dá pra organizar o mundo inteiro em linhas e colunas.”

E funcionou. Funcionou bem demais.
Funcionou tanto que virou padrão em bancos, governos, ERPs, mainframes, folha de pagamento, compensação bancária, impostos, seguros… o pacote completo.

Só que aí veio o mundo moderno.
E ele veio sem pedir licença.


📈 A explosão de dados (ou: quando o DB começou a suar frio)

Web, mobile, redes sociais, IoT, logs, sensores, streaming, analytics em tempo real…
De repente, o banco relacional passou a ouvir frases como:

  • “Preciso escalar horizontalmente.”

  • “Tem que responder em milissegundos.”

  • “O schema muda toda semana.”

  • “Esse JSON aqui é meio… flexível.”

Nesse momento nasce o que chamamos de Relational Problem:
👉 a dificuldade crescente de gerenciar, escalar e consultar dados usando RDBMS tradicionais em ambientes cada vez maiores, mais variados e mais exigentes.

O vilão clássico?

  • Schemas rígidos

  • Joins caros

  • Crescimento exponencial de volume

  • Performance sofrendo conforme a complexidade aumenta

📌 Easter egg: se você já viu um EXPLAIN com 12 joins e custo astronômico, você já sentiu o Relational Problem na pele.


🏗️ Solução 1: Escalar pra cima (o famoso “compra mais ferro”)

A primeira reação clássica é:

“Coloca mais CPU, mais memória e mais disco.”

No mundo mainframe isso tem nome, sobrenome e fatura alta 💸.

✔️ Funciona? Funciona.
❌ Resolve pra sempre? Não.

  • É caro

  • Tem limite físico

  • E uma hora… acaba

👉 Vertical scaling resolve dor imediata, não o problema estrutural.


🔧 Solução 2: Otimizar até a última gota

Aí entra o arsenal conhecido:

  • Índices

  • Partitioning

  • Denormalização

  • Tuning de SQL

  • Estatísticas afinadas na lua certa 🌕

Isso melhora muito, mas cobra seu preço:

  • Mais complexidade

  • Mais overhead operacional

  • Mais chances de alguém quebrar tudo num ALTER inocente

📌 Fofoquinha: todo ambiente tem aquele índice criado “em produção às pressas” que ninguém sabe se pode remover.


🌐 Solução 3: Relacional distribuído (o meio do caminho)

Aqui a ideia é ousada:

“Vamos manter o modelo relacional, mas espalhar os dados.”

Resultado:

  • Mais escalabilidade

  • Mais disponibilidade

  • E… mais complexidade de consistência e transação

💡 ACID distribuído não é trivial.
Quem já estudou two-phase commit sabe que não existe almoço grátis.


🚀 Solução 4: NoSQL — o rebelde sem gravata

Aí surgem os NoSQL:

  • Key-value

  • Documento

  • Colunar

  • Grafos

Eles dizem:

“Relaxa o schema, relaxa o relacionamento, escala horizontalmente e seja feliz.”

✔️ Alta performance
✔️ Flexibilidade
✔️ Escala global

❌ Menos garantias transacionais
❌ Consistência eventualmente… eventual 😅

📌 Easter egg: NoSQL não significa “No SQL”, mas muita gente usa como “No JOIN, graças a Deus”.


🔀 Solução 5: Abordagem híbrida (o mundo real)

Na prática, o que venceu foi o híbrido:

  • Relacional para transação crítica

  • NoSQL ou Data Warehouse para analytics e volume massivo

  • Cada banco no seu quadrado

👉 O banco certo para o problema certo.

💬 Comentário Bellacosa:
Mainframe + DB2 continua reinando onde consistência, auditoria e confiabilidade não são opcionais.


⚖️ Os grandes trade-offs (onde mora a dor)

Resolver o Relational Problem é basicamente escolher qual dor você aceita.

🔐 Consistência vs Disponibilidade & Escala

  • Relacional ama ACID

  • Distribuído ama performance

  • CAP theorem fica no meio rindo da sua cara

🧱 Rigidez de schema vs Flexibilidade

  • Schema fixo protege a integridade

  • Schema flexível acelera mudança

  • Um trava, o outro corre… e tropeça às vezes

⚙️ Performance vs Complexidade

  • Tuning melhora performance

  • Mas aumenta custo, risco e dependência de especialistas

💰 Custo vs Controle

  • Hardware e licenças caros

  • Cloud e distribuído mais baratos (até não serem)


🏦 Quem escolhe o quê?

  • Bancos, governos, seguradoras
    👉 Consistência, governança, auditoria
    👉 Relacional forte, bem cuidado, bem documentado

  • Empresas web-scale, data-driven
    👉 Escala, agilidade, crescimento rápido
    👉 Distribuído, NoSQL, híbrido

📌 Não é sobre tecnologia “melhor”.
É sobre prioridade de negócio.


☕ Conclusão estilo café no mainframe

O Relational Problem não significa que o modelo relacional falhou.
Significa que ele foi bom demais por tempo demais em um mundo que mudou radicalmente.

A maturidade está em entender:

  • Onde ele brilha

  • Onde ele sofre

  • E como combiná-lo com outras abordagens

💬 Última fofoquinha:
Quem decreta a “morte do relacional” geralmente nunca precisou fechar um balanço financeiro auditado.

quinta-feira, 2 de maio de 2024

🖥️📼 Dicionário Bellacosa Mainframe para Sobreviventes do El Jefe

 


🖥️📼 “Dicionário Bellacosa Mainframe para Sobreviventes do El Jefe”

(Ou: traduzindo o dialeto cigano do Vagner para o mundo real)

Quem acompanha as minhas memórias no El Jefe Midnight Lunch já percebeu uma coisa: às vezes, no meio de uma lembrança de bolinho de chuva, pastelão americano e listagem de papel contínuo, eu largo um termo de mainframe do nada, como se fosse a coisa mais normal que existe.

Mas eu sei, meus amigos:
📌 Nem todo mundo fala “COBOLês avançado”
📌 Nem todo mundo cresceu abraçado a um CICS desde bebê
📌 Nem todo mundo tem saudade do barulho da impressora 3800 de madrugada

Então, aqui está: o Dicionário Bellacosa Mainframe, criado para que qualquer leitor — mesmo que nunca tenha visto um cartão perfurado — consiga entender minhas histórias, comparações e analogias.



🔷 TERMOS BÁSICOS

Mainframe

O Godzilla dos computadores.
Aquela máquina gigante, estável, que não cai, não falha e não pergunta se você quer atualizar no meio do trabalho.

Tradução humana:
O adulto responsável enquanto seu PC está em crise existencial.


JCL

Job Control Language.

É o “ritual mágico”, o “livro de feitiços”, o “receituário da avó espanhola”: você escreve, entrega para o sistema e ele executa.

Analogia Bellacosa:
É como escrever uma receita de bolo tão detalhada que até o bisavô Francisco conseguiria assar o bolo sem reclamar.


COBOL

A linguagem de programação que muita gente disse que iria morrer…
e não morreu.
E não vai morrer.
E provavelmente vai processar sua aposentadoria daqui a 30 anos.

Tradução humana:
É o português arcaico dos computadores: prolixo, claro e impossível de substituir totalmente.


CICS

O “caixa eletrônico dos programas”.
É onde as transações acontecem, onde o dinheiro anda, onde a mágica empresarial vive.

Analogia Bellacosa:
É o shopping center das aplicações.
Todo mundo passa lá.


VSAM

É como um armário gigante cheio de gavetas organizadinhas (às vezes).
A casa das tabelas e registros que os sistemas acessam.

Tradução humana:
O “armário de documentos” que só você sabe onde está cada pasta.


TSO/ISPF

A “entrada do prédio”.
O lugar onde você loga, mexe, edita arquivos, cria coisas.

Analogia Bellacosa:
É o seu “escritório virtual 1980 edition”, só que sobrevivente da Guerra Fria.




🔷 TERMOS DO DIA A DIA (QUE EU VIVO USANDO)

Listagem em formulário contínuo

Uma tira infinita de papel com furos laterais.
Se você nunca rasgou errado e destruiu tudo, você não viveu o suficiente.

Tradução humana:
O “scroll infinito” antes da internet.


Carbonado

Sabe papel carbono?
Então.
Agora imagine isso… mas TURBINADO.
Várias cópias saindo juntas.

Tradução humana:
Era o “CTRL+C / CTRL+V” da década de 1970.


80, 130 e 255 colunas

Não é código secreto.
É a largura do papel.
80 colunas era o padrão dos cartões perfurados.
130 e 255… eram para os relatórios parrudos.

Tradução humana:
O tamanho da sua “tela impressa”.


REXX

Uma linguagem simples, simpática e poderosa para automação.

Analogia Bellacosa:
É o “canivete suíço” do mainframe.


JES2

É o maestro que rege todos os jobs.
O cara que segura a bronca no processamento.

Tradução humana:
O gerente que recebe mil requisições, organiza a fila e manda cada uma para sua máquina.


🔷 TERMOS FOFINHOS (QUE PARECEM PERIGOSOS)

Dump

Parece uma palavra feia, mas é só a “fotografia” da memória quando algo deu ruim.

Analogia Bellacosa:
É como tirar foto da bagunça da sala antes de arrumar, para mostrar depois quem fez o estrago.


HSM

O “bibliotecário automático”.
Ele arquiva arquivos velhos e recupera quando você precisa.

Tradução humana:
O Tio que guardava tudo em caixas no porão e lembrava exatamente onde estava cada coisa.


RACF

O guardião da porta.
O segurança do prédio.
A catraca eletrônica que diz “você entra” ou “você não entra”.

Tradução humana:
O porteiro que impede seu primo mala de subir no seu apartamento.


🔷 TERMOS LENDÁRIOS (RESTRITOS A BELLACOSOLOGIA AVANÇADA)

O famoso “JOB explodiu”

Significa apenas que falhou.
Mas dizer “explodiu” deixa mais dramático.


“SDUMP do demônio”

Quando o dump é tão grande que parece que o sistema escreveu Guerra e Paz em hexadecimais.


“Modo Ninja”

Quando o analista faz ajustes rápidos, limpos e precisos, sem derrubar o sistema, sem ser visto e ainda deixa tudo funcionando melhor do que antes.


🎯 Conclusão: por que isso importa para o leitor do El Jefe Midnight Lunch?

Porque as minhas histórias misturam:

🍞 bolinho de chuva
🎞️ O Gordo e o Magro
📼 impressoras de formulário contínuo
🖥️ mainframe
👴 memórias do bisavô espanhol
📟 SDUMPs, RACF, CICS, JCL

…e tudo isso faz parte do meu mundo.

E agora, faz parte do seu também.
Bem-vindo à Bellacosa-lândia Mainframe Edition™.


sábado, 13 de abril de 2024

Conheça unidade de armazenamento CARTRIDGE Storage


A
storage mainframe cartridge e robot de leitura

FUJIFILM Corporation e a IBM anunciaram o desenvolvimento de um sistema de armazenamento em fita nativo de 50 TB, apresentando a maior capacidade nativa de cartucho de fita de dados do mundo.




 

sexta-feira, 12 de abril de 2024

Uma visão geral sobre o trabalhador de Mainframe

Equipe de desenvolvimento mainframe


Descubra a Stack MAINFRAME e veja o que necessita para ser um Desenvolvedor COBOL de Sucesso. Aprenda COBOL, há 65 anos revolucionando o mercado de informática.

quinta-feira, 11 de abril de 2024

quarta-feira, 10 de abril de 2024

🛰️ O Futuro do Salaryman: o Homem Comum na Era Pós-Digital

 




🛰️ O Futuro do Salaryman: o Homem Comum na Era Pós-Digital

O Japão mudou — e com ele, o salaryman.
O homem médio que um dia acreditou em estabilidade agora vive num mundo onde o emprego vitalício é lenda, e o crachá perdeu seu poder de identidade.
O escritório migrou para a tela, o metrô virou home office, e o silêncio das madrugadas foi substituído pelo zumbido constante das notificações.

Mas se o terno se desfez, o vazio continuou.


💻 O novo trabalhador invisível

O salaryman moderno não carrega mais uma pasta de couro — carrega ansiedade digital.
Ele pode trabalhar de um co-working, de um café ou do próprio quarto, mas continua sendo prisioneiro de métricas, entregas e deadlines.
O sistema agora é algorítmico, não hierárquico — e talvez ainda mais impiedoso.

Nos animes contemporâneos, essa transição é clara:
o herói não é mais o executivo, mas o freelancer, o programador, o streamer, o sonhador precário.
Ele não se rebela contra o chefe — se rebela contra o vazio.


🌐 De terno e gravata para fone e teclado

Em “ReLIFE” (2016), Arata Kaizaki é um salaryman fracassado que ganha a chance de reviver os 17 anos e repensar suas escolhas.
Em “Vivy: Fluorite Eye’s Song” (2021), a inteligência artificial assume o papel da trabalhadora incansável — a metáfora perfeita para o novo Japão automatizado.
Em “Cyberpunk: Edgerunners” (2022), o trabalho é substituído pela sobrevivência — e o corpo humano, por extensão, vira apenas outro tipo de ferramenta corporativa.

O salaryman se dissolveu no digital — mas o conflito continua o mesmo:
o que resta do humano quando o trabalho define tudo?


🕯️ Hikikomori funcional: o eremita do século XXI

O novo homem médio talvez não saia mais de casa.
Ele vive em frente a uma tela, participa de reuniões, joga, consome cultura, paga contas, existe — tudo dentro de um quarto.
Não é o hikikomori patológico dos anos 2000, mas uma versão socialmente aceita da reclusão.
Trabalha, produz, entrega — mas nunca encontra ninguém.

Animes como “Denpa Onna to Seishun Otoko” e “Oshi no Ko” exploram essa solidão tecnológica: personagens presos entre a performance pública e a falência privada.
É o salaryman do novo milênio: produtivo, conectado e emocionalmente offline.


🌅 A esperança (ainda) não morreu

Apesar do caos digital, o anime ainda acredita em redenção.
Personagens como Arata de ReLIFE, Retsuko, ou mesmo Yor Briar em Spy x Family mostram pequenas brechas de humanidade —
momentos onde a empatia ainda vence o algoritmo.

O futuro do salaryman talvez não esteja nas corporações nem nas startups,
mas na recuperação do tempo próprio.
Fazer pausas. Criar algo por prazer. Conversar sem objetivo.
Ser útil sem se apagar.


⚙️ O homem comum, versão 3.0

O salaryman começou como símbolo de reconstrução.
Virou retrato da solidão.
Agora, ele é o hacker da própria vida — tentando reprogramar um sistema que o ensinou a funcionar, não a viver.

O herói contemporâneo não veste terno — veste fones de ouvido e carrega dúvidas no bolso.
Mas no fundo, continua sendo o mesmo homem que pega o trem todos os dias:
um viajante cansado, à procura de um sentido entre o concreto e o código.

E talvez, nessa busca silenciosa, o salaryman finalmente encontre o que sempre faltou:
tempo para si mesmo.