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domingo, 13 de março de 2016

Lagoa do Taquaral zoeira com as aves aquáticas

Bellacosa Mainframe e as aves aquaticas da Lagoa Taquaral

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🌅 Quando os chimpanzés vão embora

Este pequeno vídeo junta-se a tantos outros fragmentos daquele dia agradável que passei com Juliana e o Formiga no Parque Portugal, nossa velha Lagoa do Taquaral.

Não aconteceu nada extraordinário.

E talvez justamente por isso tenha sido extraordinário.

Comemos pastel no lanche da tarde, bebemos água de coco e caldo de cana, caminhamos, rimos, brincamos e fizemos aquilo que às vezes esquecemos de fazer quando nos tornamos adultos:

simplesmente curtimos o momento.

Sem obrigação.

Sem horário apertado.

Sem precisar transformar cada minuto em alguma coisa produtiva.

O pequeno Formiga observava os animais, eu inventava histórias e, naturalmente, começávamos a imaginar o que aquelas aves estariam pensando sobre aquela invasão diária de seres humanos.

Porque existe outra Lagoa do Taquaral que nós quase nunca vemos.

É o Taquaral depois que vamos embora.


🦆 Finalmente os humanos foram embora!

Durante o dia somos milhares.

Crianças correndo.

Adultos conversando.

Bicicletas passando.

Gente caminhando.

Cães latindo.

Fotografias.

Música.

Gritos.

Risadas.

E, evidentemente, alguns humanos especialmente barulhentos — feito chimpanzés fugitivos de algum zoológico imaginário — acabando com a paz dos verdadeiros moradores do parque.

😄

Então chega o final da tarde.

O Sol começa a desaparecer.

Os portões fecham.

Os últimos visitantes caminham em direção à saída.

Os cachorros voltam para casa.

Os gatos procuram outros territórios.

As pessoas começam a pensar no jantar.

E finalmente...

silêncio.

Talvez seja justamente aí que comece o verdadeiro expediente dos moradores do Taquaral.



🌳 O parque depois dos humanos

Quando o ruído da cidade diminui, outros sons voltam a ocupar o espaço.

A água correndo.

As folhas farfalhando sob o vento.

Um galho balançando.

O bater de asas.

O pequeno ruído produzido por uma ave entrando na água.

Aquilo que durante o dia parece apenas cenário volta a ser um ecossistema.

As aves aquáticas deslizam tranquilamente pela superfície da lagoa.

Algumas procuram alimento.

Outras procuram abrigo.

Algumas sobem para galhos mais altos.

Outras desaparecem entre moitas rasteiras.

E certamente existem centenas de pequenos acontecimentos ocorrendo ali enquanto nós estamos em nossas casas completamente alheios a eles.

Para nós, o parque fechou.

Para eles, talvez o parque finalmente tenha aberto.



🏙️ Natureza cercada por concreto

Existe também algo curioso nessa paisagem.

Campinas já foi uma região marcada por fazendas, plantações e grandes extensões rurais.

A cidade cresceu.

Vieram ruas.

Avenidas.

Automóveis.

Prédios.

Condomínios.

E os espigões de concreto passaram a dominar boa parte do horizonte.

Mas dentro dessa enorme estrutura urbana permanecem pequenas ilhas onde fauna e flora continuam dividindo espaço conosco.

A Lagoa do Taquaral é uma delas.

Talvez por isso observar aqueles animais tenha algo de especial.

Não precisamos viajar centenas de quilômetros para encontrar natureza.

Às vezes ela está ali, diante de nós, tentando continuar sua rotina enquanto construímos uma cidade inteira ao redor dela.



💻 Um homem dos bits olhando para o céu

Talvez exista ainda uma pequena contradição pessoal nisso tudo.

Passei grande parte da vida profissional trabalhando com computadores.

Bits.

Bytes.

Memória.

Processadores.

Programas.

Mainframes.

Sistemas nos quais praticamente tudo precisa possuir uma lógica, uma sequência e um propósito.

INPUT → PROCESSAMENTO → OUTPUT

Mas coloque uma ave no céu e toda essa organização desaparece.

Eu adoro vê-las voando livres.

Uma ave cruza o céu e eu frequentemente paro para acompanhar.

Ela não possui JOB.

Não possui JCL.

Não recebeu prioridade do WLM.

Não precisa abrir chamado.

Não existe SLA determinando que esteja em determinado galho às 17h32.

Ela simplesmente...

voa.

E existe algo maravilhosamente libertador nisso.



🌕 A lagoa que continua existindo sem nós

Também gosto de imaginar aquelas aves aquáticas quando a noite chega.

O Sol desaparece atrás das árvores.

A superfície da lagoa escurece.

Em noites de lua cheia, a luz da Lua encontra a água e cria pequenos reflexos enquanto alguma ave atravessa silenciosamente a superfície.

Nenhuma plateia.

Nenhuma câmera.

Nenhum celular.

Nenhum humano dizendo:

— Olha ali!

Apenas a ave.

A água.

As árvores.

O vento.

E a Lua.

Talvez aquele seja um dos momentos mais bonitos do Taquaral.

E quase nenhum de nós está lá para assistir.


☕ O pequeno vídeo que ficou

Em 2016 eu provavelmente não estava pensando em nada disso.

Estávamos apenas nos divertindo.

Juliana, Formiga e eu.

Pastel.

Água de coco.

Caldo de cana.

Patos.

Marrecos.

Brincadeiras.

Um celular registrando alguns segundos de um domingo qualquer.

Dez anos depois, porém, aquele pequeno vídeo tornou-se outra coisa.

Virou um ponteiro para a memória.

Quando olho para ele, não vejo apenas algumas aves reunidas perto da Lagoa do Taquaral.

Consigo reconstruir pedaços daquele dia.

As caminhadas.

As brincadeiras.

As conversas.

O Formiga pequeno.

As bobagens que inventávamos.

O Sol descendo lentamente.

E aquela sensação maravilhosa de não termos absolutamente nenhum lugar mais importante para estar.

Talvez seja justamente para isso que servem esses pequenos registros.

Não para documentar os grandes acontecimentos.

Os grandes acontecimentos normalmente já possuem fotografias, datas e histórias.

São os dias comuns que desaparecem.

Um pastel.

Um copo de caldo de cana.

Uma criança rindo.

Algumas aves na água.

Um pôr do sol.

Por isso aquele vídeo aparentemente insignificante continua aqui.

É mais um pequeno fragmento de um dia que terminou há muitos anos.

O parque fechou.

Nós fomos embora.

A noite chegou.

E imagino que, alguns minutos depois, escondidos entre árvores, galhos e moitas, os verdadeiros habitantes da Lagoa do Taquaral tenham finalmente olhado uns para os outros e pensado:

— Ufa! Os chimpanzés foram embora.

🦆🌙

E então a lagoa voltou a pertencer a eles.

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O clube dos marrecos


Caminhando em Direcção a concha acústica, nos deparamos com varias aves aquáticas reunidas no clubinho... claro que o Formiguinha e seu amigo imaginário não podiam deixar de fazer piada.



Os bichos reunidos aguardando o por do sol, a espera que os humanos chatos retornem as suas casas para enfim descansarem e aproveitarem a merecida paz.

Varias espécimes convivendo e dividindo seu territórios e no jogo do Formiguinha aquilo é a festa dos Patos.

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Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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