| Bellacosa Mainframe e a tempestade no final de tarde em Sorocaba |
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
⛈️ Uma Tempestade sobre Sorocaba
Quando uma visita tranquila em família virou cenário para uma daquelas tempestades que parecem anunciar o fim do mundo
Existem viagens que ficam na memória por causa do destino. Outras, por causa de alguma grande aventura planejada.
E existem aquelas que simplesmente acontecem.
Naquela época, Juliana adorava dirigir e vez ou outra pegávamos a estrada sem precisar de grandes justificativas. Sorocaba era um desses destinos. Algumas vezes ficávamos na casa de sua irmã Daniela e do marido, Pedrinho.
Eram momentos simples e muito divertidos.
Piscina, conversa, comida, família e, é claro, uma missão praticamente obrigatória quando estávamos em Sorocaba: comer a famosa Coxinha Real.
Nada de roteiro turístico elaborado.
Era simplesmente viver.
Naquele final de março de 2016 estávamos novamente por lá. O verão terminava e, junto dele, aproximava-se também o fim da estação das grandes chuvas.
Então o céu mudou.
E mudou rápido.
O vento começou a soprar com uma força impressionante.
Uivava.
As árvores balançavam e gemiam sob as rajadas. O céu escureceu e os primeiros relâmpagos começaram a transformar aquela tarde em um gigantesco espetáculo de luz e som.
Clarões.
Estrondos.
Mais clarões.
E então veio a água.
Não aquela chuva tranquila de verão que convida a ficar olhando pela janela.
Era uma pancada brutal.
Durante aproximadamente trinta minutos, Sorocaba parecia estar debaixo de uma daquelas tempestades cinematográficas em que você olha pela janela e pensa:
— WTF... agora chegou o Apocalipse Final.
A chuva despencava, os trovões faziam a casa estremecer e os relâmpagos assustavam as crianças.
Por alguns minutos, a diversão deu lugar à preocupação.
Quando você conhece a capacidade que uma tempestade tropical tem de transformar ruas em rios em poucos minutos, a brincadeira acaba rapidamente. O medo de uma nova inundação estava presente.
Felizmente, da mesma maneira repentina como chegou, a tempestade começou a perder força.
Foram cerca de 30 minutos.
Meia hora.
Pouquíssimo tempo no relógio.
Mas tempo suficiente para transformar uma visita comum à família em uma memória que sobreviveria por uma década.
Hoje, olhando novamente para esse pequeno registro publicado originalmente em 26 de março de 2016, percebo que ele não era apenas sobre uma tempestade.
Era também sobre aquela época.
Sobre pegar a estrada com Juliana.
Sobre chegar a Sorocaba.
Sobre Daniela e Pedrinho.
Sobre ficar na piscina.
Sobre comer coxinha.
Sobre conversar sem olhar para o relógio.
E sobre estar reunido em família quando, inesperadamente, o céu resolveu mostrar quem realmente mandava naquela tarde.
Talvez seja justamente por isso que gosto tanto desses pequenos registros.
Não fotografamos apenas grandes acontecimentos.
Às vezes registramos uma piscina, uma estrada, uma refeição ou uma tempestade.
Naquele momento parecem coisas aleatórias.
Dez anos depois percebemos que eram pequenos fragmentos de uma vida inteira.
E naquela tarde em Sorocaba, durante trinta minutos, tivemos camarote para assistir ao céu apresentar seu próprio espetáculo.
A última grande chuva daquele março.
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